Homem não chora (Rodrigo Sena)
O homem mata. Está em suas veias. Para ele é tão natural como as queimadas de agosto ou as águas de março, fechando o verão. O homem é gelo e … Continuar lendo
Apenas um peão num jogo sujo (Charles Dias)
Era mais uma daquelas tardes modorrentas de verão em Los Angeles, quando o dia no escritório se resumia a longos cochilos na poltrona ao som dos programas de rádio e … Continuar lendo
Lágrimas são vãs sob a chuva (Rubem Cabral)
Ouvi uma piada uma vez: um homem vai ao médico, diz que está deprimido. Diz que a vida parece dura e cruel. Conta que se sente só num mundo ameaçador … Continuar lendo
Olhos de Adágio (Sergio Ferrari)
Era minha última entrega de uma procuração judicial naquele dia. Faltavam poucos meses para sair de uma vez por todas do tribunal de justiça e finalmente aposentar minha carcaça. O … Continuar lendo
Gelo Negro (José Geraldo Gouvea)
Fjálar saiu de casa ainda em jejum em outro dia cinzento de outono. Não estava feliz, haviam ligado da delegacia avisando que Oláfur não fora trabalhar e teria de fazer … Continuar lendo
Olhos de Gato (Pedro Luna)
Quando as noites costumavam ser tão frias, até mesmo os vampiros que perambulavam pelas sombras, os viciados em drogas, que encontravam na escuridão a camuflagem ideal para se envenenarem, preferiam … Continuar lendo
Vingança (Jefferson Lemos)
O cheiro de cigarro barato impregnava o pequeno quarto. Um cubículo com paredes sujas e caindo aos pedaços. A lâmpada pendurada no teto era apenas parte da decoração. Uma porta … Continuar lendo
Incógnito (Evelyn Postali)
Aquela espelunca, cheirando a cigarro e álcool, nos fundos do bordel, era chamada de escritório. E a pouca luz deixava tudo pior. Os poucos móveis que decoravam o lugar, contudo, … Continuar lendo
Morte na Eternidade (Frank Bacurau)
Irritado pelo pequeno robô que vinha atrás de si enxugando a água da chuva que escorria de sua roupa, Erodes Gigitrio, lançou ao chão um cigarro com dois terço por … Continuar lendo
Entre Nós (Claudia Roberta Angst)
Aquele lugar nunca existiu. Mesas empurradas contra as paredes e algumas cadeiras perdidas pelos cantos. Ana sugeriu que ficassem por ali mesmo. Largou a bolsa sobre uma das mesas e … Continuar lendo
A Forca (Rodrigo Sena)
Tudo é lixo. Todos são lixo. Hoje decidi que não vale a pena viver. Já que a única certeza é que há de se morrer um dia, então, por que … Continuar lendo
Blonde Noir (Alexandre Santangelo)
Não sei como aquilo aconteceu. Subitamente estava caído aos pés da mesa do bar. Não sentia dor, um formigamento tomava conta do meu corpo. Quando vi minha mão empapada de … Continuar lendo
Direto Ao Ponto (Agenor Batista)
Dirigiu-se a passos lentos para o atracadouro. Não havia iluminação no caminho tornando mais visível o percurso até o barco. Nem mesmo o reflexo das luzes da cidade no céu … Continuar lendo
A Loira do Banheiro (Marcellus Pereira)
Aquele não foi meu primeiro caso. Já tinha certa fama na cidade, uma reputação, por assim dizer. Sabe como é: interior de Minas, todo mundo se conhece, é meio aparentado. … Continuar lendo
O Caso Colombo (Leonardo Stockler)
Metz, França, 1977 Digo que as circunstâncias que envolvem o Caso Colombo me parecem misteriosas até hoje. O final, por ser fantástico, não convenceu nem a mim, nem aos … Continuar lendo
Notas Soltas (Abílio Junior)
Madrugada em Londrina, uma cidade situada ao norte do Paraná que obteve esse nome devido aos colonos londrinos. Tudo estava silencioso na praça central exceto pelo vento balançando os galhos … Continuar lendo
Chevrolett sujo de Whiskey (João Gabriel Alves)
Eu já estava farto de tomar café aquela noite tempestuosa, minha mesa da delegacia estava cheia de casos mal acabados e eu não estava com muito tempo naquele momento, minha … Continuar lendo
A Conquista (Ricardo Falco)
Era engraçado… Uma pista de dança repleta de gente, numa afamada casa noturna carioca, e ele ali, olhando para cima, para os lados… De vez em quando fixava o olhar … Continuar lendo
Desatinos de um noir invertido (Fernando Abreu)
Paro meu carro em frente ao portão. A casa está vazia. Escuto os sons rápidos do jardim. Empurro as grades, passo pelo vão. Acendo um cigarro e ando solitária pelos … Continuar lendo
Beto Colt (Rodrigo Sena)
Sou um exemplo de desorganização, mas não mete a mão nas minhas coisas que o bicho pega! Na mesinha fodida do escritório tem papel que não acaba mais, três cinzeiros … Continuar lendo
Bonne Année (Felipe França)
O barulho de timbre de vozes diferentes, as peças com a iluminação prejudicada e a massa disforme impregnada no soalho, resultado da mistura de terra, restos de papéis e tocos … Continuar lendo
A Mulher Falsa (Bia Machado)
O último gole da noite de um uísque barato. Lembrou-se daquele papel há dias amassado dentro do bolso do casaco. Por algum motivo, não o tinha jogado fora. Na verdade, … Continuar lendo
Assassinatos na Noite de Natal (Jowilton Amaral)
A chuva caia fina e constante quando o meu telefone celular tocou. A cabeça do imbecil estava sob o meu joelho, imprensada entre a minha articulação e uma poça d’água … Continuar lendo
Ardor e Dor (Ana Paula Lemes)
Hoje é um dia como outro qualquer. Um dia que se repete e é sempre igual quando acordamos presos por grades que parecem não querer nos deixar ver o dia. … Continuar lendo
Pensamentos de Outrora (Thais Pereira)
Imagine suas palavras: desde o primeiro rascunho até as que lhe consagraram e tente resgatar dentro de si cada sentimento que o levou a ser escritor, poeta, leitor, admirador de … Continuar lendo
Despertar (Marcelo Porto)
“Acordei há alguns dias… Ao despertar achei que continuava sonhando. Uma mulher maravilhosa me recepcionou de volta à vida. Os olhos grandes e castanhos contrastavam com a pele alva e … Continuar lendo
Falsa Simbiose (André Lima)
Até que ponto nos acostumamos com o sofrimento? Anoiteceu. A chuva fina caía sobre o solo do Rio de Janeiro. Ele dobrava a esquina passando pelos Arcos da Lapa e … Continuar lendo
Noite Podre (Rafael Sanzio)
Era uma cela com espaço pra dez cabeças, mas ocupada por quase quarenta. Todos falavam gritando e o ar cheirava a merda e mijo vinte e quatro por vinte quatro. … Continuar lendo
Segunda Sombra – Conto (Vitor Stuani)
“Decididamente, não compreendo por que é mais glorioso bombardear uma cidade do que assassinar alguém a machadadas.” Fiódor Dostoiévski, Crime e castigo Se escrevo estas linhas, é porque sucumbi
Regulamento Desafio “Noir”
Após a enquete realizada na nossa página do Facebook, eis que surge como vencedor o tema “Noir”. Quem nunca foi fisgado por um romance policial, um detetive cínico, uma bela … Continuar lendo
Resultados do Desafio Viagem no Tempo
Caros participantes, amigos e curiosos de plantão. Depois de um árduo e prazeroso trabalho, enfim, chegamos aos contos vencedores.
Votação – Viagem no Tempo
Caros participantes! Agradecemos mais uma vez a presença de todos por aqui. Temos um prazeroso trabalho pela frente. Escolher os campeões deste Desafio que superou todas as nossas expectativas. Foram … Continuar lendo
Eu, meu algoz (Edson Marcos)
Seus dedos nervosos dedilhavam a borda do teclado do notebook como se compusessem a sinfonia do desespero. A lentidão da internet ditava o ritmo da agonia. Carlo ignorara os dois … Continuar lendo
Naoto (Andrey Carvalho)
Minha memória está cheia de buracos. Eu não sei mais o que é realidade e o que é delírio… o que já aconteceu e o que ainda há de acontecer. … Continuar lendo
Reconstruindo Sarah Parker (Gustavo Araujo)
Naturalmente, Tony achou curiosa a cena. Mesmo com o metrô lotado, ele conseguiu visualizar a garota que entrava. Tinha o cachecol xadrez enrolado no pescoço, as pontas caindo paralelas sobre … Continuar lendo
O Viajante (Sandra Datti)
Ele recostou o olhar cansado através do vidro e embolsou indiferente algumas imagens de crianças que pulavam corda no outro lado da calçada. O sol já descia sua casaca quente … Continuar lendo
Apenas um velho relógio (Charles Dias)
O furgão azul deu seta e entrou na avenida pouco movimentada àquela hora do dia. Alguns quarteirões depois diminuiu a velocidade. O motorista barbudo de boné e óculos escuros olhou pelo … Continuar lendo
Zorro (Juliano Gadelha)
Foi só fechar os olhos e já havia chegado. Estava acostumado com aquela sensação, afinal não era sua primeira vez. Longe disso. Depois de toda a fase de testes e … Continuar lendo
Viajante do Tempo (Alexandre Leão)
Os passos do bispo são rápidos enquanto desce a Nove De Julho em São Paulo. A chuva fina daquela manhã de janeiro de 1974 e o frio intenso lhe feriam … Continuar lendo
O Amanhã Obscuro (Abílio Júnior)
Acordou assustado sem saber onde estava. Não conseguia enxergar um palmo à sua frente, tateou as paredes procurando um interruptor para que pudesse saber o que estava acontecendo, quando o … Continuar lendo
Eu Grito o Nome do Amor (Fernanda Elisa Lima)
Eu corria naquela rua esburacada, uma das ruas quais me levavam anteriormente para casa de Augusto. Augusto! – Eu gritava com essa minha voz de mulher desamparada. Corria em busca … Continuar lendo
Diário dos dias negligenciados (Gina Eugenia)
Escrevo, pois sei que, se contar, ninguém acreditará; porque nem eu acreditei, e, mesmo agora, quase dez horas depois, ainda não entendi o que aconteceu, o porquê, ou como… e … Continuar lendo
Spoiler (Felipe Holloway)
Transcende o limite das coincidências usuais que eu tenha sabido da morte de Pablo Runemberg à mesa de um bar. Tanto que, a princípio, não hesitei em legar aos efeitos … Continuar lendo
Escuridão (Alexandre Santangelo)
Começou como um ponto branco no céu do tamanho de Vênus. Aos poucos a forma se definiu e era como se uma grande onda invadisse as alturas, à espera da … Continuar lendo
Horologistas, extraterrestres, florestas abafadas e autores medíocres (Sérgio Ferrari)
São Paulo – Brasil Dentro do envelope havia uma folha batida a maquina e uma mensagem intrigante em inglês. “Saudações aos convidados de todo o mundo. Alguns de vocês serão … Continuar lendo
Pelo Amor de Katy Perry (Isabella Beatriz)
Não há muito que fazer hoje em dia. Os estudos são transferidos para os cérebros – não que os usem para alguma coisa – livros inteiros memorizados, para que não … Continuar lendo
Um Segundo Destino (Marcellus Pereira)
Era como mirar no espelho. Sentia o suor frio e fino escorrer pela testa, pelas costas, umedecendo a mão direita com que segurava a pistola. Contra todos os seus anos … Continuar lendo
Sonho (Patrick Goulart)
Entrou no quarto, desligou a luz, deitou-se na cama e ligou a máquina. Demorou alguns minutos para funcionar, mas depois de ligar o teletransportou para o meio do oceano, onde … Continuar lendo
A Revelação (Felipe França)
A tranquilidade da casa situada em um modesto bairro da cidade estava prestes a ser interrompida pela sinfonia dos 70 badalos em seus mais variados tons e ritmos, todos estes … Continuar lendo
Sem Horas (Claudia Roberta Angst)
Betina abriu os olhos com a incerteza rolando em lágrimas. Desconhecia a linguagem do relógio que acusava o adiantar das horas. Por um minuto, talvez mais, perdeu-se em esquecimento. Não … Continuar lendo
Aos Olhos do Tempo (Pedro Viana)
“Quando você olha para um abismo por muito tempo, o abismo começa a olhar para você.” Friedrich Nietzsche O homem solitário caminhou para o abismo. Não olhou para trás ou … Continuar lendo
Uma nem tanto revolucionária máquina do tempo (Francisco Glauco Bastos)
Receio que é inerente ao ser humano o íntimo desejo de controlar o tempo. Adiantando-o ou atrasando-o, não importa! O que realmente importa é a possbilidade de, em certo momento, … Continuar lendo
Amor Atemporal (Selma Rios)
A luz do luar incidia sobre o corpo dele. Corpo branco, de pele fria, longo e brilhante. Espalhados sobre o lençol acetinado, longos cabelos cor de ébano, em total desalinho. … Continuar lendo
O Primeiro Pensamento (Frank Bacurau)
Há séculos a Ciência foi elevada à condição de instância suprema no julgamento de todas as questões humanas. Como um fruto que amadureceu nesse ambiente, Ronaldo, em sua juventude, foi … Continuar lendo
Eternas Cerejeiras (Blanche)
Tudo fazia sentido agora, após um generoso exame na companhia de minha garrafa favorita. Naquele quarto sombrio de hotel, sob a fumaça densa do cigarro e a má iluminação de … Continuar lendo
Antes de Morrer (Patrícia Rio Branco)
A escuridão finalmente deixou de ser a única coisa que enxergava quando abriu os olhos e se situou no espaço, e principalmente no tempo. O rapaz, corpulento e musculoso devido … Continuar lendo
Paradoxo do Adeus em QUBITS (Ricardo Labuto Gondim)
O paradoxo é este conto. Não o escrevi, embora reconheça o estilo e saiba que o texto é meu. Pouco depois de lançado o “Desafio Outubro 2013”, eu o recebi … Continuar lendo
Jornada de Arte (Gustavo Araujo)
Guilherme era um menino de oito anos. Como todo garoto nessa idade, ele não tinha medo de nada. Ou quase nada. Certa vez, decidiu que iria dar a volta no … Continuar lendo
A Beira (Toninho Lima)
Eugênio sempre teve medo de altura. Desde criança nunca se aproximava de janelas, grades, balaustradas, terraços, varandas e quaisquer beiradas. Davam-lhe fortes vertigens. Sentia primeiro um leve torpor ao ver-se … Continuar lendo
Paradoxo (Jefferson Lemos)
Diário de Joshua Herington, encontrado no porão de sua casa, por entre caixas e mais caixas de entulhos e bugigangas. Joshua era formado em Física e trabalhava no governo no … Continuar lendo
Projétil de Sangue – Conto (Diogo Bernadelli)
Foi assim o dia que murri. E como minha vida era simplesmente uma bagunça, que nem o resultado dum monte de sucata que depois de uma ventania se transforma numa … Continuar lendo
Do Lado de Fora (Rubem Cabral)
O relógio na parede marcava cinco para as seis da tarde e o Sol, mau imitador de certo famoso pintor holandês, se esforçava em tingir de laranja-ocre o quarto 401 … Continuar lendo
Nostalgia Delirante do Presente, Passado e Futuro (Rodrigo Avelino)
Uma noite após a semana de trabalho árduo asseio-me, visto meu traje (camiseta sem estampa, calça jeans e jaqueta de couro) e sigo para a rotina de beber uns drinks … Continuar lendo
O Menino e as Formigas (Gilnei Nepomuceno)
Aos olhos de muitos, aquele menino de 5 anos de idade parecia um lunático. Muito calado, sempre lia a vida com seus olhos mudos capitando os acontecimentos dos arredores. Brinquedos … Continuar lendo
Vai Um Chazinho Aí? (Alan Cosme Machado)
– Rapaz, esse negócio não é ilegal, não? – Claro que não, é de uso liberado. Tem uma galera que usa em rituais e coisas do tipo. Além do mais … Continuar lendo
Cronometrofobia (Thais Pereira)
O infinito não tem sentido. Talvez seja por isso que nunca gostei de relógios. Voltar sempre ao mesmo ponto, andar em círculos, traçar sempre o mesmo caminho, me causa arrepios. … Continuar lendo
Resolver seu problema é uma questão de tempo para nós (Bia Machado)
Nem dez da manhã ainda e ele já perdera a conta de quantas vezes praguejara: “Merda de vida!” E era o dia do seu aniversário. Era provável que quando voltasse … Continuar lendo
O Universo Antes do Universo (Davide di Benedetto)
Super-heróis têm essa mania estranha: tudo aquilo que não conseguem derrotar, arremessam de volta ao início do universo. E, portanto, ao início do próprio tempo. Um deus-monstro alienígena devorador de … Continuar lendo
Ao Fim – Conto (Caio Pereira)
— Minha mãe não aguentou. Foi logo no começo — ela disse. Seus cabelos voavam sobre seu rosto. — Que foda… — pausou e jogou o resto do cigarro na … Continuar lendo
Náufrago (Marcelo Porto)
– Desculpem-nos pelos transtornos, tivemos uma pane elétrica, que já está sendo solucionada. Logo retomaremos o trajeto… A TWA e a tripulação do ferry-boat Paraguaçu, pede desculpas e agradece a … Continuar lendo
8 (Ricardo Falco)
8 De lata é feito o veículo que rasga o silêncio de uma noite de Lua cheia. De lata é refeito o peito quando um coração incendeia… O sangue ferve … Continuar lendo
Branca de Neve (José Geraldo Gouvea)
Da “Autobiografia” de Leon Lages, PhD, CSV e MPP: Meu nome será “Leon”. Não lhe darei outro. Mais detalhes não importam. O que já vou lhe contar será suficiente para … Continuar lendo
Anti-santos (Fernando Abreu)
“(…) a máquina do tempo explodiu após milênios de utilização ininterrupta”. Após essa frase, Amando jogou a revista no chão e se ateve ao noticiário. A repórter loirinha, de terno … Continuar lendo
Destinatário: Eu ou Meus Descendentes (Leandro Vargas)
Eu tinha 18 anos, havia acabado de romper com minha primeira namorada de ‘verdade’ (anteriormente eu só havia tido relações rápidas e sem compromisso ) e estava sentado em minha … Continuar lendo
Regulamento Desafio Outubro 2013
Após a enquete realizada na nossa página do Facebook, eis que surge como vencedor o tema “Viagem no Tempo”. Todo mundo já passou por algum momento marcante na vida, algo … Continuar lendo
B.A. – Conto (Rubem Cabral)
Científica e estritamente falando, existem três tipos de pessoas no mundo – isso, de acordo com suas respectivas abordagens “mergulhativas” à solução do clássico problema da “piscina cheia de água … Continuar lendo
Felipe Holloway
Marcio Felipe da Silva nasceu em 1989 e passou a escrever por volta dos 17 anos. Acha que até hoje é influenciado pela primeira obra que leu por vontade própria (livre de imposições … Continuar lendo
Resultados do Desafio Cemitérios
Caros participantes, amigos e curiosos de plantão. Os dez dias de votação chegaram ao fim. A disputa tornou-se mais e mais acirrada por conta do anonimato dos posts. Mas, enfim, … Continuar lendo
Votação – Desafio Cemitérios
Caros participantes! Finalmente é chegada a hora! Primeiro gostaríamos de agradecer a presença de todos. O nível dos contos é excelente, de modo que escolher os favoritos revela-se um trabalho … Continuar lendo
Fogo Fátuo (Vitor Stuani)
Em verdade, o cemitério não trazia grande apreensão à Natália. Nova como era, a morte ainda lhe soava como um país distante; uma nação perdida de um continente remoto. Um … Continuar lendo
O Grande Talvez (Sandra Datti)
A neblina espessa se entranhava pelos arbustos e flores do jardim, assim como pelos meus pensamentos sem paragens. Pouco a pouco, o banho dos raios mornos da manhã desabrigava as … Continuar lendo
Coleção de Um Coveiro (Thais Pereira)
– Bem-vinda, sua idolatra! – eu disse, quando escutei o rangido da porta e senti o vento entrar. Minhas mãos ainda tremiam, mas a garrafa de conhaque vazia em cima … Continuar lendo
Paralisia (Gustavo Araujo)
Com os olhos ainda fechados, Ricardo ouviu a filha Beatriz. A menina chorava ao longe, um lamento profundo, sentido, os soluços compassados em um ritmo cansado. Ele conhecia bem aquele … Continuar lendo
Campo Santo (Simone Xavier)
N’augusta solidão dos cemitérios, Resvalando nas sombras dos ciprestes, Passam meus sonhos sepultados nestes Brancos sepulcros, pálidos, funéreos. (Soneto, Augusto dos Anjos) Era alta noite quando despertei. Sim, sou noctâmbulo, … Continuar lendo
Ismália (Martha Angelo)
Naquela noite fria, nuvens escuras passavam como um véu pela face da lua e um vento gelado varrias as ruas do vilarejo onde, a essa hora, homens e mulheres ressonavam … Continuar lendo
Jasmine (Marjory Tolentino)
Sentiu sua presença. O ar muda com seu perfume, ficando mais leve. Virou-se procurando avidamente com o olhar. Na noite escura, as nuvens escondem a parca luz do luar que … Continuar lendo
A Conspiração (Diogo Bernadelli)
O cheiro do tapete incendiando-se era algo forte, algo amargo e venenoso, e assaltou as narinas de Paulo enquanto ele imaginava tudo feito uma bola ardida que lhe metiam pela … Continuar lendo
Anjo de Cemitério (Lucia Almeida)
Acho ingrato esse meu ofício. O primeiro anjo, do primeiro túmulo, o que dá as boas-vindas aos que fazem a passagem. Não a eles realmente, mas sim ao que restou … Continuar lendo
Flor de Lótus (Bia Machado)
Já devia estar acostumada ao frio de noites geladas como aquela. Minhas lembranças iam e vinham, em um turbilhão, e isso fazia também com que eu não conseguisse me sentir … Continuar lendo
Nós Que Aqui Estamos (Rubem Cabral)
Wanderléa suspirou desanimada quando o ônibus estancou no ponto, ela desceu e, ainda com um dos pés no degrau do veículo, pôde mais uma vez rever a silhueta decadente do … Continuar lendo
Capitu (Claudia Roberta Angst)
Logo que Waldo atravessou a rua, deparou com o animal. Já há alguns dias, aquela pequena felina rondava o cemitério. Ele a olhou com certa inquietação e se pôs a … Continuar lendo
Morte em Família (Pedro Luna)
Anos 70 Se existe uma história curiosa sobre brigas e competições dentro de uma família, certamente é essa aqui retratada. A família Colares sempre foi uma família estranha. Morava em … Continuar lendo
Sob as Lápides de Sabara (Rodrigues)
Aconteceu no dia 20 de setembro de 2013. Antes de explicar o fenômeno fantástico ocorrido naquela data, transcrevo aqui alguns trechos de jornais da época que consegui coletar em hemerotecas … Continuar lendo
Uma Paixão de Cemitério (Maria Inês Menezes)
Naquela noite fria e chuvosa do dia 13 de agosto, uma sexta- feira, foi que aconteceu aquilo que iria mudar a minha vida. E tudo começou em um cemitério. Eu … Continuar lendo
Imortal (Marcelo Porto)
O sangue pinga por entre os dedos metálicos, que não são meus. A trilha de corpos desmembrados os trouxeram até mim. A confusão do lado de fora é enorme, o … Continuar lendo
Festa Estranha, Com Gente Esquisita (José Geraldo Gouvea)
Meu trabalho é encarar fila de banco. Tem quem ache que é um serviço fácil, mas tudo é fácil para quem não tem que fazer. Eu detesto, porque nesse serviço … Continuar lendo
Algo Assim (Felipe Holloway)
Tinham se conhecido no enterro da bisavó. A família era dessas tão numerosas que um membro pode ir do berço ao túmulo sem nem desconfiar que certa celebridade seja parente, … Continuar lendo
De Memórias Partidas – Conto (Elton Severo)
Quando ele abriu os olhos, não sabia dizer bem onde estava. Era um lugar fechado, pequeno, abafado. E balançava muito! Ficou nauseado de tanto que chacoalhava. Respirou com dificuldade, sentindo … Continuar lendo
Maria Fumaça (Marco Piscies)
Era um cemitério de trens no extremo norte da Paraíba. Tinha o aspecto de qualquer cemitério comum: deserto, silencioso e sombrio. Arthur podia até mesmo sentir ali o ar de … Continuar lendo
Recordações Desvairadas de Três Funerais (Fernando Abreu)
A primeira vez marcou, perdi a virgindade sepulcral no dia que minha avó materna se foi. Calma, eu não sou um necrófilo. Pra mim ela era o Highlander. Sendo assim, … Continuar lendo
O Convite (Frank Bacurau)
Douglas estava de costas para a rua fechando o portão de casa quando ouviu a voz que até uma semana atrás era desconhecida, mas que agora parecia sua sombra. Virou-se … Continuar lendo
Cemitérios (Selma Rios)
Lavínia despertou. Esfregou os olhos, esticou os braços espreguiçando o corpo e se levantou. Lá fora havia sol, podia perceber pelas frestas luminosas que brincavam em seu corpo esquálido, com … Continuar lendo
Lápides São Frias (Arlete Hamerski)
Elas exibem sua frieza nas carreiras de túmulos de pedra ao lado da capela funerária abandonada, por trás das portas de ferro trancadas a cadeado. Sob a brisa fria que … Continuar lendo
Setenta e Duas Horas – Conto (Bia Machado)
Sábado, 5 de dezembro de 1992. Richard levantou os olhos ao receber o livro que deveria autografar. O gesto mecânico acabou paralisado. Estranhamente, algo fez com que congelasse: a visão … Continuar lendo
O Morto Ao Lado (Amanda Leonardi)
Eu estava quase morrendo naquela noite, não conseguia me mover normalmente. Sentia meus braços e minhas pernas começarem a ficar paralisados, e cada movimento que eu fazia, sentia que era … Continuar lendo
Invasão (Marcelo Porto)
– Aquele espécime macho está inquieto! – Já vi. – retrucou o homem. – Ele está nos observando desde que chegamos. – Parece que é um dos que conseguem nos … Continuar lendo
Mary (Julia Moretto)
Era uma vez(pode ter certeza isso não é um conto de fadas, digamos que apenas um conto) uma garota que tinha medo de si mesma,ou melhor de suas próprias palavras.Ela parecia … Continuar lendo
Trabalho de Parto – Conto (Sandra Datti)
Bom dia, meu querido. Acho que o sol está desatento hoje. Não subiu nas costas largas do monte até agora. Veja só… Olhando melhor para sua foto, observo que já … Continuar lendo
A Mão do Morto (Sidney Leal)
Era a última pá de terra e eu estava cansado! Cravei a pá no amontoado de terra olhei aos céus como que buscando alivio. A lua refletia as gotas de … Continuar lendo
Era o Dia – Conto (Martha Angelo)
“Ó, Você flui dos pés de Hari Ó, Ganga! Você é mais branca que a neve,que o diamante, que a lua. Leve para longe meu fardo de atos nocivos. Por … Continuar lendo
E Se Fosse Um Jardim (Emerson Braga)
Quatro segundos antes de ficar cego, enxergo o mundo através de meus pés sobre a terra úmida de tua cova. Enterrarei meus olhos aqui, penso. Nunca gostei de ti. Nunca. … Continuar lendo
A Vida e Seus Pequenos Surtos – Conto (Rodrigues)
Marta usava aquela mesma roupa listrada. Imperceptível. Seus passos sempre encobertos pela sandália de pano que deslizava no chão de tacos. Tinha cintura fina e um cabelo opaco que lhe … Continuar lendo
O Bom João (Tiago Graziano)
“Dói ver tanta dor”. Foi assim que começou o discurso do padre. Era uma manhã fria e chuvosa, garoava naquele momento. Entre guarda-chuvas abertos mal se via os rostos e … Continuar lendo
Regulamento Desafio Cemitérios
Como tema inaugural dos Desafios Literários EntreContos, trazemos a simbologia que somente os cemitérios oferecem. Para alguns, lugar da última morada. Para outros, mais inspirados, o local definitivo onde tudo … Continuar lendo
A Ordem dos Primos – Conto (Felipe Holloway)
“Por temer o requinte da tortura, se o recapturassem, pensou em voltar para o cárcere. Mas a velha esperança sussurrou-lhe na alma o divino talvez, que nos conforta sempre, nos mais … Continuar lendo
Entre Sóis de Remanso – Conto (Vitor Stuani)
Em períodos esporádicos da história, há ocasiões onde o caos latente do universo sobrepuja a estática da ordem, manifestando-se como um desdobramento de acontecimentos inesperados e, invariavelmente, dúbios. Estas situações surgem … Continuar lendo
Os Blues de Praga – Conto (Rubem Cabral)
Disse Chico Buarque em seu romance homônimo que Budapeste era amarela. Já Praga, sua quase irmã, minha querida, puta louca, bêbada Praga; penso que ela seja azul. Não do tipo … Continuar lendo
Entre o Céu e a Terra – Conto (Caio Pereira)
O sol até nasceu, mas não era assim tão notável. No céu, minhas nuvens cobriam tudo, enquanto o ar era jogado de um lado para o outro, com certa violência. … Continuar lendo
A Seiva – Conto (Elton Severo)
As últimas horas haviam sido assustadoras. Por fim, encontrei um lugar onde pudesse ficar protegida, onde adormeci, com meu bebê nos braços. Protegendo-o. Ele era lindo. O rosto muito parecido com o … Continuar lendo
O Ermitão – Conto (Diogo Bernadelli)
A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; se, porém, os teus olhos forem maus, o … Continuar lendo
O Náufrago – Conto (Sandra Datti)
“[…] não tinha mais como olhar para o espelho: então virou espanto, meu Deus!” I Ele voltou à tona subitamente.
O Tapete – Conto (Martha Angelo)
As paredes de madeira do barraco, umedecidas pela chuva recente, deixavam entrar um vento frio e cortante por suas frestas. No fogão , uma panela de sopa fumegante.
Ghost Ghost Writer – Conto (Felipe Holloway)
Eu sempre ouvi dizer que hotéis de beira de estrada são os lugares mais inspiradores para quem escreve histórias de terror (qualquer coisa na misteriosa vida pregressa de certos hóspedes, … Continuar lendo
Pneuma – Conto (Vitor Stuani)
Quando eu era jovem, meu pai, vestido em uma sabedoria desmedida por meus olhos infantis, confidenciou-me algo que recebi como se fosse um dos grandes mistérios da vida. Com seu … Continuar lendo
Outra Vez Ezequiel – Conto (Rubem Cabral)
E aconteceu no trigésimo ano, no quarto mês, no quinto dia do mês, que estando eu no meio dos cativos, junto ao rio Quebar, se abriram os céus, e eu … Continuar lendo
“O Garoto no Convés” – Resenha (Gustavo Araujo)
John Boyne é um autor fantástico. Sabe como poucos tomar fatos históricos e recontá-los sob o ponto de vista de gente comum, principalmente crianças e adolescentes.
“A Culpa é das Estrelas” – Resenha (Gustavo Araujo)
Como é ler um livro cujo final – daqueles de torcer o coração – já é conhecido? Um livro sobre doença? Câncer? Quando eu soube do que se tratava procurei … Continuar lendo
“O Artilheiro” – Resenha (Cabine Literária)
Dia do escritor. Difícil imaginar uma data mais apropriada do que esta para compartilhar a resenha que a Cabine Literária fez de “O Artilheiro”. Confiram lá!
“Reparação” – Resenha (Gustavo Araujo)
Briony Tallis tem uma inteligência invejável. Aos treze anos, é uma menina criativa, observadora sagaz e com uma rara habilidade para escrever, embora sugestionável. No verão de 1935, algo importante está … Continuar lendo
“O Silêncio das Montanhas” – Resenha (Gustavo Araujo)
Um dev assombra um vilarejo no Afeganistão. Todos sabem que sua intenção é levar uma das crianças que lá vivem consigo. A família escolhida deve se resignar com o destino … Continuar lendo
“Tocando o Vazio” – Resenha (Gustavo Araujo)
O desejo inexplicável que acomete algumas pessoas de chegar no topo de uma montanha, simplesmente porque ela “está lá”, para usar a conhecida explicação de George Mallory, tem sido explorado … Continuar lendo
O Escritor Coca-Cola (Gustavo Araujo)
Comecei a escrever “O Artilheiro” em 2008. Foi um processo longo, sofrido, até porque era algo que eu só podia fazer nas horas vagas. Em 2009, depois de várias revisões, … Continuar lendo
“A Estrada” – Resenha (Gustavo Araujo)
O ano é incerto. Não há mais árvores, alimentos ou animais. O céu cinza paira onipresente, permeando a atmosfera gélida com desesperança. Por alguma razão que desconhecemos, o planeta se … Continuar lendo
“É Isto Um Homem?” – Resenha (Gustavo Araujo)
Dizem que ao escrever o primeiro rascunho de “É Isto Um Homem?”, sobre os onze meses passados em Auschwitz, o italiano Primo Levi (31 de julho de 1919 — 11 de … Continuar lendo
“Correr” – Resenha (Gustavo Araujo)
O corredor tchecoslovaco Emil Zatopek foi uma figura extraordinária. Por aproximadamente dez anos, reinou absoluto no mundo do atletismo, entre distâncias que iam dos 5 mil aos 30 mil metros … Continuar lendo
Isabelle and The Flower – Short Story (Gustavo Araujo)
It was time for Isabelle to go to sleep. Mom took her to bed, pulled the blanket and gave her a kiss on the forehead. The girl had a fever. … Continuar lendo
“Não Tenho Medo” – Resenha (Gustavo Araujo)
Em Acqua Traverse faz um calor infernal. Mesmo na atmosfera sufocante desse lugarejo perdido norte da Itália, onde pessoas anseiam por uma vida melhor, Michele Amitrano, 9 anos, encontra tempo para … Continuar lendo
Catherine And The Woods – Short Story (Gustavo Araujo)
I could never say how many times I heard Nina tell this story. Many years ago, when I was a little boy, my brothers and I used to spend the holidays … Continuar lendo
“Não me Abandone Jamais” – Resenha (Gustavo Araujo)
Kathy H. é uma garota adorável. Essa é a impressão que brota das primeiras páginas de “Não me abandone Jamais”, do autor japonês Kazuo Ishiguro. Em breve Kathy deixará de ser … Continuar lendo
Rosália e o Crisântemo – Conto (Gustavo Araujo)
Era hora de Rosália dormir. Mamãe a colocou na cama, puxou o cobertor e deu-lhe um beijo na testa. Rosália estava com febre. Tudo bem, quando acordar certamente estará melhor. … Continuar lendo
A Arte de Viajar no Tempo (Gustavo Araujo)
Rafael é um garoto de dez anos que gosta de andar de bicicleta e viver aventuras. Certa vez pedalou até a casa de sua avó, sozinho, sem avisar sua mãe. … Continuar lendo
“O Endurance” – Resenha (Gustavo Araujo)
Uma das maiores façanhas da história da exploração polar é também uma das melhores documentadas. E consta, para a facilidade do homem moderno, no extraordinário livro “Endurance”, da autora americana … Continuar lendo
“O Safári da Estrela Negra” – Resenha (Gustavo Araujo)
Heresia suprema para quem gosta de livros e viagens como uma união necessária: eu nunca tinha lido Paul Theroux. O escritor americano nascido em 1941 é uma espécie de mentor … Continuar lendo
“A Arte de Viajar” – Resenha (Gustavo Araujo)
Confesso que sempre torci o nariz para livros que tratassem do ato de viajar em si. Talvez por preconceito ou por considerar que os autores fossem pretensiosos demais. Mas, pensando bem, poderia … Continuar lendo
Reflexo de Um Sonho – Conto (Gustavo Araujo)
Todas as manhãs, ao abrir os olhos, o pequeno Érico via a mesma coisa: uma imensidão negra pontilhada por galáxias distantes, que lembravam um gigantesco manto com diamantes pendurados. Nada havia … Continuar lendo
A Canção de Catarina – Conto (Gustavo Araujo)
Perdi a conta de quantas vezes ouvi Nina contar essa história. Era sempre assim antes de dormir, quando eu e meus irmãos íamos passar as férias em sua casa, no … Continuar lendo
O Livro do Destino – Conto (Gustavo Araujo)
Luiz Andrade Albuquerque era um recordista. Estava se aproximando dos noventa anos de idade. E isso, numa família em que estatisticamente não se esperava viver muito além dos setenta e … Continuar lendo