EntreContos

Detox Literário.

Naoto (Andrey Carvalho)

Minha memória está cheia de buracos. Eu não sei mais o que é realidade e o que é delírio… o que já aconteceu e o que ainda há de acontecer. Tudo se mistura como mais de mil fios entrelaçados, um quebra-cabeça de vidro, que te machuca a cada peça encaixada, e cuja solução é dolorosa demais pra se ver por inteiro.

Lembro do cheiro de café. O gosto daquele café… é como se eu ainda o tivesse na língua. Será que ainda tenho, misturado com o sabor dos lábios da minha mulher?

Ela me abraçou muito forte. As lágrimas corriam em torrentes salinas pelo seu rosto angelical. Acho que nunca tinha percebido como aquela mulher era linda até aquele dia, mesmo depois de tantos anos dividindo a mesma cama.
Eu me limitava a dizer: “vai ficar tudo bem… vai dar tudo certo”. E ela chorava mais, e me abraçava mais.

Já vestido no uniforme, entrei no carro e parti em direção ao trabalho.

Fukushima Daiichi.

As condições de trabalho eram muito penosas. Funcionários e pesquisadores mais qualificados, como eu e meu amigo Tetsuo, não podiam ser expostos muito tempo às áreas onde o risco de contaminação radioativa era mais alto. Mas nossos subordinados se submetiam a níveis altíssimos de radiação, e depois de algum tempo tinham que ser remanejados por excederem os limites de exposição.

Para mim, era frustrante e irritante ter que constantemente capacitar novos funcionários e lidar com mudanças na equipe o tempo todo. A experiência toda lembrava-me as mudanças constantes na minha infância. Sempre que eu me apegava a um grupo de colegas na escola, meu pai era transferido para outro posto militar, e nós tínhamos de nos mudar. Era uma verdadeira tortura, como fazer germinar uma planta só para removê-la pela raiz quando começa a dar frutos. Fukushima, assim como meu pai, destruía qualquer laço de familiaridade que eu pudesse criar com as pessoas naquele ambiente. Exceto Tetsuo. Ele era o único rosto familiar com o qual eu podia contar.

Eu cheguei apreensivo ao sítio da operação. Tetsuo e Fujitaka me esperavam, e à primeira vista pareciam até mais ansiosos que eu. Tetsuo havia me apresentado a Fujitaka alguns meses atrás. Ele era um senhor de idade bem avançada, chefe da unidade de pesquisa em que Tetsuo trabalhava, além de CEO da empresa responsável por Fukushima. Em nosso primeiro contato, ele havia me chamado para fazer parte daquela operação. Segundo ele, havia necessidade de pessoas de confiança, e Tetsuo havia me recomendado fortemente.

Em tempo, a equipe responsável pela remoção do material começou a movimentar as máquinas. O processo era extremamente delicado. Bastava que uma das placas de combustível encostasse levemente em uma vizinha, e a camada de zircônio que as revestia iria se romper de imediato, suscitando uma reação em cadeia de fissão nuclear. As consequências seriam incalculáveis…

Meu trabalho ali era apenas observar e aguardar. A verdade é que, se tudo corresse bem, eu iria ganhar uma baita promoção por não ter feito absolutamente nada. Se ao menos tudo tivesse corrido bem…

A sirene de alerta soou nos primeiros quarenta e cinco minutos de operação. Estava confirmado: uma das placas de combustível havia sido fortemente danificada e a fissão poderia ocorrer a qualquer momento. Olhei desesperado para o resto da equipe, que não estava nem um pouco menos assustada que eu. Tetsuo tinha uma expressão extremamente severa no rosto, como se não acreditasse no que estava acontecendo. Os demais membros todos olhavam uns para os outros com total temor e hesitação em tomar alguma iniciativa. Foi Fujitaka que tomou as rédeas da situação.

– Andem, o que estão esperando? Iniciar operação de contingência! Ativem o reator de emergência!

Todos executavam os procedimentos sobre os quais haviam sido instruídos. Naquele momento, percebi que não era só eu que não entendia muito bem qual era a função daquele reator: todos pareciam confusos e pouco seguros quanto ao que estavam fazendo. Fujitaka havia explicado que aquele reator portátil era capaz de antagonizar e suprimir os efeitos da fissão, mas a ciência por de trás daquilo parecia muito avançada para todos os membros da equipe.

Em menos de cinco minutos, colocamos o reator em stand-by. Fujitaka então me deu o comando.

– Naoto, observe as leituras e dê partida logo antes do início da formação de massa crítica. Estamos contando com você.

Eu suava frio. Meus olhos estavam grudados no terminal, mas as minhas mãos tremiam. E se aquilo não desse certo? E se tudo fosse pelos ares?

Lembrei de minha mulher. Do abraço. Do gosto de café ainda em minha boca…

– AGORA, NAOTO!

E tudo ficou branco.

(***)

Aos poucos, fui recobrando os sentidos. Primeiro me veio o tato, e usei as mãos para sentir todo o meu corpo, procurando por ferimentos. Depois recobrei a audição, e ouvi gritos e gemidos distantes. Em seguida voltou-me o olfato, e senti um odor muito forte de carne carbonizada. A visão foi a próxima, e pude ver o cenário de destruição ao meu redor. Construções e carros completamente destruídos, pessoas carbonizadas e vestes rasgadas por todos os lados. Areia no chão. Era um deserto pós-apocalíptico, o cenário mais hostil e terrível que havia presenciado em minha vida. O último dos sentidos que me voltou foi o paladar: senti o gosto do café de minha mulher. E as lágrimas começaram a descer.

Passou pela minha cabeça a ideia de ficar ali, jogado naquela podridão até que os pássaros viessem comer-me os corpo. Mas depois a lucidez me lembrou que não havia nem pássaros, nem mesmo vermes para levar-me a carne… tudo ali estava morrendo.

Não fosse a voz de Tetsuo, meu destino estaria selado naquele momento:

– Naoto! Naoto!

Tentei identificar de onde vinha a voz. Em minha busca, encontrei a silhueta de Tetsuo a acenar a mão, deitado no chão. Não estava muito longe dali, mas o esforço necessário para alcançá-lo foi imensurável. Tentei me levantar, mas a fraqueza aliada à gravidade logo me trouxeram de volta ao chão. Sem conseguir andar, rastejei-me como pude até o lugar onde Tetsuo estava caído.

Ao me aproximar, mal pude acreditar no que vi. O estado de Tetsuo era deplorável. Seu rosto e o lado esquerdo do seu corpo estavam completamente queimados, e ele havia perdido os membros inferiores. Frente àquilo, minhas dores corporais mal pareciam motivo para me queixar. De imediato, achei forças para levantar-me e ir ao seu auxílio.

– Tetsuo! Oh, Tetsuo! O que aconteceu com você!?

– Naoto… é bom saber que você está bem. – sua voz estava extremamente rouca, e as palavras saíam com muita lentidão.

– Seu idiota, é claro que eu estou bem. Eu vou ajudar você.

– Ajudar? Acabou, Naoto.

– Não… eu… – não conseguia achar palavras naquele momento.

– Nós conseguimos! Funcionou! – interrompeu Tetsuo.

– O que você está dizendo? Eu não consegui iniciar o reator! É tarde demais… – confessei aquilo sem pensar no que estava fazendo. Se Tetsuo estava morrendo mesmo, aquelas não eram palavras adequadas para o momento.

– Você está errado, Naoto. Você ativou o reator. Eu vi quando aconteceu. Nós todos vimos… você não lembra?

Minha memória já me falhava àquele momento. Eu só lembrava do grito de Fujitaka e do clarão… Eu havia mesmo ativado o reator?

– Se a operação de contingência deu certo, então o que é isso tudo? Por que toda essa destruição?

– Você não entendeu ainda? Nós morremos, Naoto. Nós conseguimos salvar o Japão, mas fomos atingidos pela contrarreação no processo. Esse lugar… Nós não estamos em Fukushima. Olhe ao seu redor, Naoto. Esses prédios… essas pessoas mortas… nós não estamos no Japão. Nós estamos no inferno.

Tetsuo falava tudo isso com um sorriso na boca. Esse era o tipo de pessoa que ele era… alguém que iria para o inferno sem pensar duas vezes se soubesse que poderia salvar alguém fazendo isso. Apesar disso, eu não acreditava estar no inferno. Mas Tetsuo tinha um ponto. Aquilo também não era o Japão. Os prédios, os carros destruídos… nada daquilo me parecia familiar.

– Naoto… nós estamos sofrendo pelo pecado que cometemos. Dedicamos toda a nossa vida a coisas tão terríveis quanto a pesquisa nuclear. Nós estávamos pisando nos dedos de Deus. Aqueles ambientalistas chatos estavam certos no final das contas. – Tetsuo tossiu forte, e já mal conseguia falar. – uma força da natureza tão terrível e incontrolável como essa não deve estar ao dispor de algo tão insignificante e miserável como um ser humano. Eu vejo isso agora…

– Não diga isso, Tetsuo! Nós ainda estamos vivos.

– Nós sempre estaremos vivos, Naoto. Nossos átomos… nossa energia persistirá em fluxo com o universo. Mas eu estou feliz. Nós conseguimos nos redimir… nós salvamos todos de um destino terrível. Tomamos a responsabilidade pelos nossos pecados em nossas próprias mãos, sem dividi-la com nossos entes queridos e outros inocentes. Yumiko deve estar… orgulhosa de você.

Yumiko. Minha esposa. A menção àquele nome revirou meu interior bruscamente. Onde ela estaria? Será que estava tudo bem com ela? Será que estava preocupada comigo?

De repente, os olhos de Tetsuo se arregalaram. Ele parecia estar vendo algo muito além de sua própria imaginação. Seu corpo todo estremeceu. A boca abria, como fosse dizer algo, mas a palavra não vinha. Aproximei minha cabeça à boca de Tetsuo para ouvir o que ele, com muito esforço, sussurrava.

– Fujitaka… seu… agora eu entendo…

Fiquei esperando o restante da frase, mas já era tarde. Os lábios de Tetsuo fecharam-se para sempre.

Eu estava confuso demais pra absorver a informação de que meu melhor amigo acabara de morrer nos meus braços. Nada me parecia real. Nada além dos raios solares que me ardiam o corpo inteiro e me lembravam que eu ainda estava vivo. Eu não conseguia pensar em mais nada além de sair daquele calor que me queimava o corpo e a alma.

Não longe dali, vi um bueiro. Andei aos tropeços em sua direção: o odor e a sujeira dos esgotos não poderiam estar piores do que na superfície. A tampa estava frouxa, como se alguém o tivesse aberto recentemente. Quando entrei, fechando a tampa em cima de mim, senti alívio, que logo misturou-se ao temor daquela escuridão total que me envolvia.

Não pude fazer muito para me orientar além de tatear as paredes daquele local úmido e escuro. O som dos meus passos ecoava à distância. Fora isso, o silêncio era absoluto.

Após caminhar alguns metros, tive a nítida sensação de estar sendo seguido. Já não conseguia mais discernir se os sons que ouvia eram dos meus próprios passos ou se eram de outra pessoa. Parei, então. Olhei atentamente para todos os lados, procurando enxergar algum vulto na escuridão. Sem nenhum som ou movimento, decidi voltar a caminhar. Não havia dado nem dois passos quando ouvi um estrondo ensurdecedor e senti a dor lacerante do tiro de arma de fogo que me atingira a perna.

Enquanto eu me contorcia no chão, o autor do disparo se aproximou. Era um rapaz loiro, alto e barbado, com olhos azuis bem claros e uma expressão severa no rosto. Suas vestes mais pareciam trapos e restos de roupas amarrados ao corpo. Nos braços, trazia uma espingarda que ainda expelia a fumaça do tiro recente. Enfiou a arma no meu nariz e esbravejou:

– Quem diabos é você? – falava em inglês perfeito, com sotaque americano. Apesar de entender bem a língua, eu não sabia pronunciar ou construir frases corretamente em inglês. Limitei-me a dizer meu nome. O americano não gostou muito da resposta.

– Pessoal, peguei outro rato japonês aqui!

Um grupo de mais ou menos dez pessoas apareceu. Todos pareciam americanos. Outro homem do grupo se aproximou de mim, enquanto o primeiro ainda apontava a arma. Ele se abaixou e começou uma espécie de interrogatório.

– E então, seu verme, o que você vai fazer agora? Nós já pegamos o seu amiguinho. Foram vocês que explodiram a bomba, não foram? Não ficaram satisfeitos com Pearl Harbor, não é? Vocês tinham que vir aqui para o Novo México e explodir uma bomba nuclear na nossa cara, não é?

Novo México? Bomba Nuclear? Pearl Harbor? Que diabos! Antes que eu pudesse tentar pedir explicações, um dos americanos me interrompeu:

– Claro que esse filho da puta não vai falar tão fácil assim. Vamos jogar ele na cela com o velho.

O cabo da espingarda me veio à testa de uma vez. Os sentidos todos sumiram-me mais uma vez.

(***)

Quando recobrei a consciência, estava trancado em um aposento escuro, provavelmente uma das salas de manutenção do esgoto. Meu ímpeto de tentar abrir a porta foi tão rápido que não percebi a outra presença às minhas costas.

– É inútil, Naoto. Esse é o fim da linha. – a voz falava japonês.

Virei-me de uma vez e distingui no escuro a silhueta de Fujitaka. A emoção de encontrar outra pessoa conhecida ali me fez esquecer por um momento a situação desesperadora na qual nos encontrávamos.

– Senhor Fujitaka! O que diabos está acontecendo aqui? Onde estamos? O Tetsuo, ele… Eu tentei salvá-lo, mas não havia nada que eu pudesse fazer.

– Tetsuo está morto? – o rosto de Fujitaka tomou uma expressão sincera de desalento. – É uma pena que eu tenha arrastado vocês dois para essa situação.

– Antes de morrer, ele disse que eu consegui ativar o reator. Que havia funcionado… Ele falou o seu nome, doutor. O que aconteceu? A Yumiko… digo… minha esposa está segura?

– Então você não entendeu ainda, Naoto? A operação foi um sucesso completo. Dediquei anos… não, décadas de pesquisa e trabalho para esse momento. E agora, tudo veio a cabo. Nem nos meus cálculos mais otimistas as coisas teriam funcionado tão bem assim.

Veio-me um súbito acesso de ansiedade. Fujitaka não parecia mais aquele homem calmo e equilibrado. Havia em seus olhos um brilho diferente, em seu tom de voz uma acidez não habitual.

– O que você quer dizer com isso, doutor?

– Senhor Naoto… você olhou ao seu redor quando acordou? Viu todo aquele cenário de morte e destruição? Aposto que foi a cena mais angustiante e horrível que já presenciara em sua vida… estou correto?

Baixei a cabeça em desânimo completo ao lembrar do horror. As pessoas carbonizadas… os prédios destruídos… e a morte de Tetsuo.

– No meu caso… nem de longe essa experiência foi a pior. O máximo que pude sentir foi uma sensação de Déjà vu. Desgraças muito piores já me acometeram.

Eu escutava, incrédulo, aquelas palavras. O que poderia ser pior que aquilo?

– Em agosto de 1945, vi minha família ser dizimada e carbonizada por uma bomba nuclear. Meu pai, meus irmãos, seus gritos de agonia… Aquelas imagens nunca me saíram da mente. Eu ainda era uma criança. Todos os meus amigos, meus vizinhos, até mesmo meu cachorro de estimação… mortos no inferno flamejante do bombardeio de Hiroshima. Eu e minha mãe fomos agraciados… conseguimos escapar com vida por um verdadeiro milagre. Mas o pesadelo não acabaria ali. Mamãe estava grávida. Alguns meses depois, meu irmão veio ao mundo. Uma aberração, outro presente dos demônios americanos. Ela morreu em trabalho de parto, dando a luz a uma criança que nem sequer tinha um cérebro. E eu fui jogado num orfanato, onde vivi e cresci o resto da minha vida. Você tem alguma ideia do que é passar por isso? Eu era uma criança feliz até os demônios americanos incendiarem meu lar e transformarem tudo o que eu conhecia num inferno.

– Eu… não sei o que dizer.  – ainda atordoado com aquele desabafo, tive dificuldade em articular as palavras – Se o senhor viu algo tão terrível, porque se envolveu com pesquisas nucleares?

Fujitaka começou a gargalhar.

– Você não é tão brilhante quanto Tetsuo dizia, Naoto. Não percebe o que está acontecendo? Eu me envolvi com pesquisas nucleares por vingança. Os Estados Unidos têm que pagar pelo que fizeram. Foi só nisso que eu pensei por toda a minha vida. Eu sonhava acordado com a imagem de um cogumelo nuclear tomando cidades americanas… homens e mulheres engolindo seus orgulhos frente àquela imagem terrível; a última imagem que meus compatriotas viram antes de morrer, a última imagem que vi antes de perder para sempre minha inocência e minha felicidade.

Tudo soava como uma piada de péssimo gosto mas, ao mesmo tempo, algumas peças pareciam se encaixar naquele quebra-cabeça aparentemente insolúvel.

– O que eu consegui, Naoto, foi muito melhor do que isso. A minha vingança foi muito mais que retributiva… ela foi retroativa. Você já deve saber onde está, não é?

– Eu não faço a menor ideia de como viemos parar aqui, mas… acho que estamos nos Estados Unidos.

– Muito bem! Mais precisamente, estamos em Los Alamos, cidade em que os Estados Unidos desenvolveram o poderio nuclear que usaram contra o Japão na 2ª Guerra Mundial. Mas agora, proponho a pergunta de um milhão de dólares. – Fujitaka pausou, como para propositalmente me deixar ansioso pelo que diria a seguir – Quando estamos, senhor Naoto?

De repente, tudo começava a fazer sentido. Os carros abandonados, a arquitetura dos prédios destruídos… aquilo não só não parecia o Japão, como também não parecia nada recente.

– Nós estamos… no passado? – arrisquei.

– Bingo! Mais precisamente, hoje é dia 15 de Janeiro de 1943. Antes da nossa “chegada”, os Estados Unidos desenvolviam aqui o “projeto Y”, que culminaria com a criação das bombas atômicas a serem lançadas em Hiroshima e Nagasaki.

– Mas como isso é possível? O que você fez?

– Você não fez seu dever de casa, não é? Uma vergonha para um engenheiro como você trabalhar em algo sem saber direito para que serve ou como funciona.

– O reator!

– Sim, o reator. Aquele reator é a culminação de anos de pesquisas em física quântica. Eu desenvolvi um método teórico através do qual seria possível mandar quaisquer partículas de volta no tempo. A linha de pesquisa é antiga, mas eu demorei a encontrar uma solução para o problema da fonte de energia. E então me veio a ideia. Fukushima.

– Você está querendo me dizer que a usina foi construída com esse propósito?

– É claro! Todos esses anos, a usina foi uma grande laboratório para mim. Esperei o momento certo… Temi morrer antes que o dia chegasse, mas tudo funcionou perfeitamente e fui agraciado com o direito de assistir de camarote à correção de uma injustiça histórica com meus próprios olhos. E foi glorioso!

– O acidente? O derramamento de água contaminada? Tudo aquilo no que trabalhei pelos últimos anos… foi tudo arquitetado por você para a sua vingança insana?

– Eu sinto muito, meu jovem. Eu estava sendo sincero quando disse que ter que envolver você e os outros trabalhadores não me deixa feliz. Mas infelizmente, eu não conseguiria fazer tudo sozinho. Sacrifícios são necessários para um bem maior. E não existe bem maior que a justiça! Quando ativou aquele reator, você teve a honra de participar desse fato sem precedentes, você ajudou a reescrever a História do mundo!

Eu mal podia me conter. Estava furioso. Queria espancar aquele homem imediatamente. No entanto, contive o impulso: sabia que, dadas as circunstâncias, ele seria de mais valia vivo do que morto. Puxei Fujitaka pela roupa e ergui-o com força que não sei de onde tirei.

– Velho, ouça as minhas palavras. Você vai me dizer como voltar para casa, ou eu vou bater em você até que as respostas saiam.

Fujitaka gargalhou ainda mais enfaticamente.

– Esse processo é irreversível. Sinto muito que você não possa mais ver sua mulher, mas ao menos sinta-se orgulhoso de tê-la salvado da morte. O reator portátil não só usou a fissão nuclear da placa de combustível como fonte de energia, mas também mandou os efeitos da reação de volta no tempo, junto com nossos corpos. As partículas irradiadas chegaram aqui algumas semanas antes de nós, para nossa sorte… se não fosse por isso, estaríamos nesse momento como aqueles corpos carbonizados que você viu do lado de fora. E sabe o que é mais irônico? O raio da explosão foi tão grande, que atingiu o material radioativo dos sítios de pesquisa de Los Alamos. Muitos americanos foram carbonizados por suas próprias bombas!

Fujitaka não conseguia parar de rir, mesmo com a minha postura ameaçadora. E eu já não conseguia mais me conter. Derrubei o desgraçado no chão e comecei a esmurrar-lhe a cara. Ele tinha um sorriso na boca, que não saía mesmo enquanto gritava, a cada soco recebido. O rosto, já desfigurado pela idade, agora ficava completamente deformado.

Em meio à sessão frenética de espancamento, ouvi passos se aproximarem. Um dos americanos provavelmente havia escutado os gritos e corria para checar o que estava acontecendo. Quando abriu a porta, tudo que pôde ver foi o corpo ensanguentado do velho no chão.

A distração causada pela cena foi suficiente para que eu conseguisse atacá-lo e roubar-lhe a arma. Era uma escopeta de cano duplo muito enferrujada. Dei uma coronhada em seu rosto nos moldes da que eu havia acabado de receber. Ele desmaiou de imediato. “Correção de injustiças, não é mesmo?”.

Saí da cela improvisada e em direção à superfície, com a arma em punhos. Decidido a fugir com vida, apenas um pensamento me rondava a mente:

– Yumiko… eu não vou desistir.

Ouroboros.

26 comentários em “Naoto (Andrey Carvalho)

  1. Thata Pereira
    29 de outubro de 2013

    Quando terminei de ler me dei conta que nunca havia lido nada sobre ou situado no Japão. Isso me fez com que me perdesse nos nomes dos personagens (rs’) Nada que me incomodou na verdade, pois a leitura fluiu bem. Gostei do conto e também gosto quando o autor consegue misturar fatos históricos de uma forma que não soe forçada. Não posso dizer nada sobre a falta de pesquisa que muitos citaram, pois realmente não entendo sobre o assunto. Gostei muito!

  2. Juliano Gadêlha
    29 de outubro de 2013

    Muito bom. Gosto de histórias que misturam fatos históricos com ficção, e aqui temos duas tragédias separadas por mais de sessenta anos que são unidas pelo desejo de vingança. Tudo bem narrado, uma leitura bastante agradável. Talvez falte um impacto maior no final, mas nós bem sabemos como é difícil encerrar um conto. Em suma, um ótimo texto. Parabéns, Ouroboros.

  3. fcoglaucobastos
    29 de outubro de 2013

    Gostei muito da sacada de misturar os eventos históricos. Só gostaria, porém, como leitor, que as personagens tivessem retroagido a 1941, ou mesmo antes, dessa forma poderiam evitar o ataque dos japoneses à base americana e, por consequência, a vingança americana em Hiroshima e Nagasaky. Achei também o final meio forçado. Isso não tira o mérito do autor. Apenas alguns retoques são necessários.

  4. Sandra
    29 de outubro de 2013

    A ideia de interferir na história é bem ousada e o resultado foi muito bom (mesmo tendo que ainda tenha que aparar arestas e retrabalhar na revisão… Creio que como todos.). Um pouco mais de pesquisa e a narrativa pode partir para um dimensão maior.
    Senti a história bem fluida, fácil de ler e me envolver. Somente me incomodou a questão da vingança do velho Fujitaka: atacaria os americanos que mataram sua família, sabendo que seus ‘irmãos’ seriam mortos também durante o processo da viagem temporal. Sugiro um algo mais na personalidade do velho, algo que não se desprenda da cultura japonesa, mas que fixe com um peso a mais sobre o porquê de ter se dedicado a vida a uma vingança às custas da vida de sua gente (uma personalidade dual, ambição fora de controle).
    Apreciado!

  5. Isabella Beatriz Fernandes Rocha
    28 de outubro de 2013

    Ótimo! Uma ideia genial! O apelo histórico deixa tudo com um gostinho de verdade e ainda assim, a fantasia fica ali, etérea, nos cutucando.

  6. Sérgio Ferrari
    28 de outubro de 2013

    Gente…o que acontece com a palavra torrente? vou até reler meu conto pra ver se coloquei ela…é o quarto seguido que leio a palavra torrente (ou torrencial). Já estou me disciplinando previamente pra não ter q colocar ela. rsrs (O 0 ) (Sério…tem q ver isso aê) Bem dinâmico o conto…e dinamismo é o que há. Acho que matou a pau…a última frase que encerrou ele….achei q tá simples e perfeita…ficou pondo nós, leitores, na beira! Só sugiro algo…que tal colocar um soldado senegal~es perdidão no lugar do americano? Só pra dar um caos a história…rs Como dizia a música: parem de dourar a pilula… não…pera….

  7. Alexandre Leão.
    28 de outubro de 2013

    Uma boa história a ser trabalhada e como o autor( Li mais acima) já disse que mal teve tempo para terminar, penso que pela ideia e fluidez do conto, este merece estar entre os primeiros. Houve erros de pontuação e temporais, mas resolvi dar crédito à história em si.

  8. Frank
    28 de outubro de 2013

    Muito boa a sacada de ligar os eventos (num ir e voltar – ouroboros). Dá aquela famosa inveja do bem por não ter sido eu o autor da ideia (rs). A narrativa empolga e o ritmo é alucinante. Gostei muito e acho que é um dos melhores contos do desafio. Parabéns!

  9. Bia Machado
    26 de outubro de 2013

    Sobre o enredo, muito bom! Ele absorveu minha atenção e eu fiquei “ligada” para saber o que era aquilo tudo que a personagem narrava pra mim. Algumas vírgulas, poucas, quebraram o meu ritmo de leitura, mas algo irrelevante, que pode ser corrigido com simples revisão. Os diálogos me incomodaram um pouco, achei muito explicativos, concordo com o que foi falado aqui por um dos que comentou. Não vi a quantidade de palavras utilizadas, mas seria bom que desse uma mexida nisso, em uma revisão, tornando a coisa mais natural. E uma dúvida quanto à escopeta enferrujada: o soldado estava no presente dele, não estava? Ele estaria usando uma arma enferrujada? Ou isso, ou não entendi bem. Mas foi uma ótima leitura, muito obrigada por isso! =)

    • José Geraldo Gouvêa
      28 de outubro de 2013

      Este conto se ressente de falta de pesquisa, Bia. Um soldado americano não estaria usando uma escopeta, muito menos uma enferrujada. A arma padrão do exército americano na segunda guerra mundial era o rifle M1, a carabina também era usada. Escopetas são armas de atiradores de longa distância “snipers”. O soldado, em uma missão de guarda, estaria usando uma pistola (provavelmente Colt).

      Esses detalhes chatos é que desgraçam uma boa ficção histórica. E explicam porque muitos jovens autores, sem saco para pesquisar as coisas, prefiram “inventar universos”.

      • Ouroboros
        28 de outubro de 2013

        Caríssimo José Geraldo,

        Tudo bom? Eu sou (o)(a) autor(a) do texto. Primeiramente, queria agradecê-lo (e a todos os demais) pelas críticas, elogios e sugestões. Admito que deixei a produção para a última hora e tive pouquíssimo tempo para terminar o conto… comecei a escrever no último dia da deadline e terminei faltando 20 minutos para a data de entrega, com quase 5.000 palavras. Tive que deletar parágrafos inteiros para que o conto pudesse caber nas limitações do concurso, e tive tempo quase nulo para revisá-lo (isso não serve como desculpa para as falhas, obviamente… é de minha responsabilidade não ter começado a trabalhar com mais antecedência).

        De qualquer modo, gostei muito do resultado final, e estou adorando a experiência de feedback direto proporcionada pelo Desafio.

        Sobre a questão da pesquisa, mais uma vez, tenho que admitir que tive que me servir de achismo, pois não tive tempo de fazer pesquisa mais intensa. Pretendo ainda aprimorar esses aspectos do texto. Inclusive, já iniciei essa investida, e descobri que as noções a priori que inspiraram algumas das escolhas narrativas não estavam tão equivocadas quanto eu esperava (outras sim, por óbvio… faz parte).

        Por exemplo, sobre a questão do armamento… primeiramente, escopetas e snipers são armas completamente distintas. As escopetas, chamadas em inglês de “shotguns” ou “riot guns”, são armas tipicamente utilizadas para supressão de curta distância. E elas foram, sim, bastante utilizadas na II Guerra Mundial. Essa noção de que os soldados norte-americanos só utilizavam rifles e carabinas é comum, mas não em tudo verdadeira. Especialmente em operações de defesa de alvos estratégicos “indoors”, as shotguns foram e continuam sendo uma escolha comum. Da wikipedia (http://en.wikipedia.org/wiki/Shotgun): “The United States Army Air Forces also used pump shotguns to guard bombers and other aircraft against saboteurs when parked on airbases across the Pacific and on the West Coast of the United States”.

        Outro detalhe (e infelizmente, pelas reações aqui nos comentários, percebo que o texto falhou em ser claro o suficiente nesses trechos finais e passou uma ideia errada; perdoem-me por isso) é o fato de que os personagens que portavam armas no subterrâneo não eram necessariamente soldados. Quando os corpos dos japoneses chegaram aos Estados Unidos, a explosão nos EUA já tinha ocorrido há algumas semanas, como o senhor Fujitaka explicou. Os homens no esgoto eram refugiados, sobreviventes do desastre que tentavam manter-se vivos em condições precárias enquanto aguardavam o resgate (que nunca vinha). Alguns eram militares, outros civis. Muitos civis nos Estados Unidos costumavam portar armas de grande porte como escopetas (isso ainda ocorre até os dias atuais, principalmente em regiões rurais), para defesa pessoal ou caça. Ou seja: sendo o rapaz militar ou não, a escopeta não seria uma escolha tão incomum de arma naquelas circunstâncias.

        De qualquer modo, fico muito grato pelas considerações, e repito que estou ADORANDO a experiência desse concurso. Não sei onde mais conseguiria tanto aprendizado prático sobre criação literária em tão pouco tempo.

  10. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    25 de outubro de 2013

    Conto bem escrito e narrativa ligando os dois episódios históricos do Japão bem costurada. Não me identifico muito com a cultura japonesa, mas achei fácil seguir na leitura. O final desperta a curiosidade – será que Naoto vai se livrar? Como? Embora, como já foi dito, seja difícil imaginar que o protagonista possa se livrar da situação em que se encontra.

  11. Leandro B.
    25 de outubro de 2013

    Muito bacana, não é muito comum ler contos com personagens japoneses. Sabe do que senti falta? Dos pronomes de tratamento que marcam bastante a língua japonesa.

    Quanto à história, achei bem envolvente. O conto empolga. Só achei esse americano no final muito… bem, tosco. Ele não só foi desarmado por um cara que mal conseguia andar, mas também por alguém que acabou de levar um tiro na perna. Deve ser o pior soldado do mundo hehe

    Bom conto.

    • José Geraldo Gouvêa
      28 de outubro de 2013

      Exato, o pior soldado do mundo. O final do conto é totalmente inverossímil. O que estraga boa parte do clima que se constrói desde o início.

  12. fernandoabreude88
    25 de outubro de 2013

    A história é o ponto deste conto, muito bem bolada. Também não gostei de algumas metáforas utilizadas, mas a escrita é muito rápida e boa.

  13. Marco Nazar
    22 de outubro de 2013

    Gostei; idéia muito original e que poderia render uma continuação mais elaborada, sem a barreira das 3.500 palavras. Gosto quando a obsessão do vilão é levada às últimas consequências e fiquei tentando imaginar o que o Naoto fará para reverter toda a situação. Muito bom.

  14. Gina Eugênia Girão
    22 de outubro de 2013

    Percebo contradição entre o parágrafo inicial, o desenvolvimento e o final do conto: se a personagem tem lapsos na memória, como foi capaz de contar tudo tintim por tintim? Dessa forma, até os diálogos são forçados. A escapada final deixa a desejar – o final deixa a desejar! Mas gostei do ritmo e da criatividade.

  15. Ricardo
    22 de outubro de 2013

    Dramaticamente oportunista, no bom sentido. Boa sacada e condução, mas de alguma forma não me senti inserido na história que, independente de distancias geográficas e temporais, não me “fisgou”. Mas é um bom conto.

  16. selma
    21 de outubro de 2013

    achei bem escrito, interessante porém, com algumas fraquezas. não é meu tipo preferido de leitura mas eu li, gostei. parabens.

  17. mportonet
    21 de outubro de 2013

    Bom conto.

    A mistura de eventos trágicos foi magnifica e a premissa se encaixou perfeitamente. Como já citado em outras resenhas, também achei bem piegas a relação do casal protagonista, apesar de se encaixar perfeitamente como o agente motivador da trama.

    A entrada no bueiro ficou sem sentido, ele poderia ter sido capturado na superfície mesmo, sem forçar a barra.

    No terceiro ato, o comportamento do Sr. Fujitaka se tornou circense (não me veio outra palavra), ele se transformou num daqueles vilões psicóticos que contam o plano infalível ao mocinho antes de extermina-lo, em meio a gargalhadas insanas. Isso diminuiu a qualidade da caracterização dos personagens. A fuga “espetacular”, entre aspas mesmo, no final da narrativa foi outro banho de água fria. Pareceu-me um enxerto apressado para tornar o final mais palatável.

    Apesar de tudo o conto ainda se sustenta, pela competência narrativa e a premissa criativa. O autor demonstra ter capacidade de burilar as pontas soltas e transformar a história em algo muito melhor.

  18. charlesdias
    21 de outubro de 2013

    O enredo é interessante, mas a execução deixou a desejar em minha humilde opinião. O uso de nomes famosos do cenário anime foi má ideia, pois trás à mente a imagem visual de tais personagens e causa alguma confusão. E aquela entrada do personagem principal num túnel de esgoto após um acidente nuclear foi muito inverossímil.

  19. Gustavo Araujo
    20 de outubro de 2013

    Também gostei do enredo. Essa ideia de ligar dois dos acontecimentos mais marcantes da história do Japão sem dúvida merece aplausos. A trama é envolvente e literalmente suga o leitor para o vórtice do reator juntamente com Naoto. Muito legal.

    Algumas coisas me deixaram desconfortável, porém. Vou dizer quais são porque quando o texto é bom a crítica se torna realmente necessária. Primeiro, acho que faltou um pouco mais de pesquisa por parte do autor: ao citar “rifle” e “escopeta de cano duplo”, claramente se demonstra desconhecimento quanto ao armamento utilizado pelos americanos nos anos 1940. Claro, as citações quanto a Los Alamos e a própria parte de Fukushima estão bem contextualizadas, mas isso não se repete no desenrolar da trama. Outra coisa que não gostei foi a alusão inicial ao Sr. Fujitaka. Posso estar enganado, mas japoneses têm, em geral, uma reverência enorme por pessoas mais velhas, de modo que Naoto, a meu ver, jamais se referiria ao CEO da usina como se ele fosse um amigo qualquer. Algumas expressões nipônicas poderiam ajudar nessa contextualização, como “Fujitaka-sama” ou mesmo Sr. Fujitaka. O fim do conto foi o que menos gostei. Achei muito “explicadinha” a intervenção do Sr. Fujitaka – como se o autor do conto não quisesse deixar espaço para o leitor tirar suas conclusões. Além disso, a fuga da cela também me pareceu extremamente forçada, apressada em sua descrição. No inicio, ainda, não apreciei as descrições profundamente piegas e batidas na alusão à esposa, um defeito que se mostra com menos intensidade, mas que é visto de toda forma, no decorrer da narrativa.

    Apesar das falhas, o conto é bom no geral. Como aprecio aspectos da cultura japonesa, gostei do que li. Estou certo de que com a devida polida, este conto há de ficar muito bom, transformando-se em um capítulo inicial atraente.

    Aliás, o uso de “Tetsuo” seria uma homenagem do autor a um dos personagens de Akira, de Katsuhiro Otomo?

  20. rubemcabral
    20 de outubro de 2013

    Eu gostei do conto; achei a trama interessante e bem bolada. Boa a sacada de misturar eventos recentes tbm.

  21. Marcellus
    20 de outubro de 2013

    Gostei muito do texto. Ligar o acidente nuclear com uma vingança radioativa da segunda grande guerra foi uma ótima sacada!

    As simplificações do enredo são mais que desculpadas pela limitação imposta pela concurso.

    Parabéns!

  22. Elton Menezes
    20 de outubro de 2013

    Esqueci: sobre o título… Foi simples, nada positivo ou negativo. Sempre espero que o título seja um gancho, um atrativo para o leitor querer mergulhar no texto. Nesse caso, embora não prejudique em nada, também não atrai rs

  23. Elton Menezes
    20 de outubro de 2013

    Sobre a história… Gostei de verdade, de todo o relato misterioso que vai ganhando forma e faz uma viagem ao tempo. A idéia de mudar um acontecimento histórico deu muita força ao texto. O final poderia ser menos apelativo, já que fica difícil imaginar que o japonês sairia tão facilmente de um local como esse. Ainda assim, é compreensível dada a limitação de tamanho para o concurso.
    Sobre a parte técnica… Gosto de sua escrita. É bem delineada, ainda mais por se tratar de uma primeira pessoa introspectiva, montada de forma redondinha. Sugiro, porém, que melhore a qualidade das metáforas usadas, que ficaram simples demais. Coisas como “torrentes salinas”, “milhares de fios entrelaçados”, são de muita simplicidade poética, e seu texto merecia MUITO MAIS pela qualidade do resto. Outro detalhe que vale ser citado é NUNCA entregar o futuro do texto e acabar com o elemento surpresa, como fez em “se ao menos tudo tivesse ocorrido bem…”.

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Informação

Publicado às 20 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .