EntreContos

Literatura que desafia.

A terra que nos deram – Clássico (Juan Rulfo)

Depois de caminhar tantas horas sem encontrar nem uma sombra de árvore, nem uma raiz de nada, ouve-se o ladrar dos cachorros. A gente às vezes chegava a pensar, no … Continuar lendo

27 de junho de 2017 · 3 Comentários

Sensini – Clássico (Roberto Bolaño)

A forma como se desenrolou minha amizade com Sensini sem duvida escapa ao costumeiro. Naquela época eu tinha vinte e tantos anos e era mais pobre que um rato. Morava … Continuar lendo

2 de maio de 2017 · 4 Comentários

Nem a rosa, nem o cravo – Clássico (Jorge Amado)

As frases perdem seu sentido, as palavras perdem sua significação costumeira, como dizer das árvores e das flores, dos teus olhos e do mar, das canoas e do cais, das … Continuar lendo

25 de abril de 2017 · 13 Comentários

Ode a um rouxinol – Clássico (John Keats)

Meu coração dói, e um torpor aflige Meus sentidos, como se ébrio de cicuta, Ou sorvido algum vapor de ópio Um minuto passou, e no Letes afunda: Não é inveja … Continuar lendo

18 de abril de 2017 · 2 Comentários

O Olho – Clássico (Alice Munro)

Quando eu tinha cinco anos, de repente meus pais apareceram com um menininho, que minha mãe disse que era o que eu sempre quisera. De onde ela tirou essa ideia … Continuar lendo

11 de abril de 2017 · 2 Comentários

A Terceira Margem do Rio – Clássico (Guimarães Rosa)

Nosso pai era homem cumpridor, ordeiro, positivo; e sido assim desde mocinho e menino, pelo que testemunharam as diversas sensatas pessoas, quando indaguei a informação. Do que eu mesmo me … Continuar lendo

4 de abril de 2017 · 6 Comentários

Um dia especial para os peixes-banana – Clássico (J. D. Salinger)

Noventa e sete agentes de publicidade de Nova York estavam hospedados no hotel e, do jeito que vinham monopolizando as linhas interurbanas, a moça do 507 teve de esperar do … Continuar lendo

21 de fevereiro de 2017 · 1 comentário

O Bebê de Tarlatana Rosa – Clássico (João do Rio)

– Oh! uma história de máscaras! quem não a tem na sua vida? O carnaval só é interessante porque nos dá essa sensação de angustioso imprevisto… Francamente. Toda a gente … Continuar lendo

14 de fevereiro de 2017 · 6 Comentários

Retrato de uma londrina – Clássico (Virginia Woolf)

Ninguém pode se considerar expert sobre Londres se não conhecer um verdadeiro cockney; se não dobrar numa rua lateral, longe das lojas e dos teatros, e bater em uma porta … Continuar lendo

7 de fevereiro de 2017 · 3 Comentários

O abate de um elefante – Clássico (George Orwell)

1 Em Moulmein, na Baixa Birmânia, eu era detestado por um grande número de pessoas – a única vez na vida que fui importante o suficiente para isso acontecer comigo. … Continuar lendo

31 de janeiro de 2017 · 7 Comentários

A Feiticeira – Clássico (Anton Tchekhov)

Era quase meia-noite. Deitado em um imenso leito, na casa do sacristão, o chantre Saveli Guikine não dormia, se bem que tivesse o hábito de dormir cedo, como as galinhas. … Continuar lendo

10 de janeiro de 2017 · Deixe um comentário

Obrigada pelo fogo – Clássico (Scott Fitzgerald)

Aos 40 anos, a sra. Hanson era uma mulher bonita, mas um tanto apagada, que vendia espartilhos e cintas em viagens de negócios fora de Chicago. Por muitos anos seu … Continuar lendo

3 de janeiro de 2017 · 5 Comentários

Presépio – Clássico (Carlos Drummond de Andrade)

Dasdores (assim se chamavam as moças daquele tempo) sentia-se dividida entre a Missa do Galo e o presépio. Se fosse à igreja, o presépio não ficaria armado antes de meia-noite … Continuar lendo

27 de dezembro de 2016 · 4 Comentários

O Outro – Clássico (Jorge Luis Borges)

O fato ocorreu no mês de fevereiro de 1969, ao norte de Boston, em Cambridge. Não o escrevi imediatamente, porque meu primeiro propósito foi esquecê-lo para não perder a razão. … Continuar lendo

20 de dezembro de 2016 · 4 Comentários

A Caleche – Clássico (Nikolai Gogol)

A cidadezinha de B. animou-se muito quando nela se aboletou o regimento de cavalaria ***. Antes disso, pasmava num tédio mortal. Quando, por acaso, passamos por esta cidade e olhamos … Continuar lendo

1 de novembro de 2016 · 2 Comentários

A Loteria – Clássico (Shirley Jackson)

A manhã de 27 de junho estava límpida e ensolarada, com o calor refrescante de um dia em pleno verão; as flores desabrochavam em profusão, e a grama era de … Continuar lendo

25 de outubro de 2016 · 3 Comentários

Jeito de matar lagartas – Clássico (Antônio Carlos Viana)

As lagartas nunca foram tantas como naquele ano. Elas chegavam anunciando o verão. Diziam que, quando eram muitas, o verão seria muito quente e os cajus, mais doces. Eram lagartas … Continuar lendo

18 de outubro de 2016 · 8 Comentários

Os Devaneios do General – Clássico (Érico Veríssimo)

Abre-se uma clareira azul no escuro céu de inverno. O sol inunda os telhados de Jacarecanga. Um galo salta para cima da cerca do quintal, sacode a crista vermelha que … Continuar lendo

30 de agosto de 2016 · 14 Comentários

A Galinha Degolada – Clássico (Horacio Quiroga)

O dia inteiro sentados num banco do pátio, ficavam os quatro filhos idiotas do matrimônio Mazzini-Ferraz. Tinham a língua entre os lábios, os olhos estúpidos vazios e se voltavam com … Continuar lendo

23 de agosto de 2016 · 4 Comentários

Bola de Sebo – Clássico (Guy de Maupassant)

Durante vários dias seguidos escombros de um exército em retirada haviam atravessado a cidade. Não era uma tropa, mas hordas em debandada. Os homens tinham a barba comprida e suja, … Continuar lendo

21 de junho de 2016 · 1 comentário

O Santo que não acreditava em Deus – Clássico (João Ubaldo Ribeiro)

Temos várias espécies de peixe neste mundo, havendo o peixe que come lama, o peixe que come baratas do molhado, o peixe que vive tomando sopa fazendo chupações na água, … Continuar lendo

14 de junho de 2016 · 1 comentário

O Colete – Clássico (Boleslaw Prus)

Há gente que adora colecionar objetos estranhos; uns preferem coisas de valor; outros, itens baratos, em função das disponibilidades de cada um. Eu também tenho a minha coleçãozinha, modesta, como … Continuar lendo

7 de junho de 2016 · 6 Comentários

O Rouxinol e a Rosa – Clássico (Oscar Wilde)

“Ela disse que dançaria comigo se eu lhe trouxesse rosas vermelhas”, exclamou o jovem Estudante, “mas em todo o meu jardim não há nenhuma rosa vermelha.” Do seu ninho no … Continuar lendo

10 de maio de 2016 · 3 Comentários

Navalha – Clássico (Vladimir Nabokov)

Seus colegas de regimento tinham boa razão para apelidá-­lo de “Navalha”. A cara do sujeito não tinha uma fachada. Quando seus conhecidos pensavam nele, só conseguiam imaginá-­lo de perfil, e … Continuar lendo

3 de maio de 2016 · 4 Comentários

O Afogado Mais Bonito do Mundo – Clássico (Gabriel García Márquez)

Os primeiros meninos que viram o volume escuro e silencioso que se aproximava pelo mar imaginaram que era um barco inimigo. Depois viram que não trazia bandeiras nem mastreação, e … Continuar lendo

26 de abril de 2016 · 5 Comentários

Se – Clássico (Rudyard Kipling)

Se és capaz de manter tua calma, quando, todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa. De crer em ti quando estão todos duvidando, e para esses no … Continuar lendo

19 de abril de 2016 · 5 Comentários

Primeira Aventura de Alexandre – Clássico (Graciliano Ramos)

Naquela noite de lua cheia estavam acocorados os vizinhos na sala pequena de Alexandre: seu Libório, cantador de emboladas, o cego preto Firmino e Mestre Gaudêncio curandeiro, que rezava contra … Continuar lendo

12 de abril de 2016 · 2 Comentários

Casa Tomada – Clássico (Julio Cortázar)

Gostávamos da casa porque, além de ser espaçosa e antiga (as casas antigas de hoje sucumbem às mais vantajosas liquidações dos seus materiais), guardava as lembranças de nossos bisavós, do … Continuar lendo

1 de março de 2016 · 10 Comentários

A Coisa no Umbral – Clássico (H. P. Lovecraft)

Morgan não é um literato; na verdade, ele mal consegue falar inglês com algum grau de coerência. É isso o que me faz estranhar as palavras que ele escreveu, embora … Continuar lendo

23 de fevereiro de 2016 · 3 Comentários

Os Outros – Clássico (Neil Gaiman)

– O tempo é fluido por aqui – disse o demônio. Ele soube que era um demônio no momento em que o viu. Assim como soube que ali era o … Continuar lendo

17 de fevereiro de 2016 · 11 Comentários

Nenhum Caminho para o paraíso – Clássico (Charles Bukowski)

Eu estava sentado em um bar na avenida Western. Era perto da meia-noite e estava metido em uma das minhas habituais confusões. Quero dizer, você sabe, nada dá certo: as … Continuar lendo

9 de fevereiro de 2016 · 2 Comentários

Um som de trovão – Clássico (Ray Bradbury)

SAFARIS NO TEMPO, INC. SAFARIS PARA QUALQUER ANO DO PASSADO VOCÊ DIZ QUE ANIMAL. NÓS O LEVAMOS LÁ. VOCÊ O ABATE. Uma flegma quente acumulou-se na garganta de Eckels; engoliu … Continuar lendo

2 de fevereiro de 2016 · 8 Comentários

Feliz Ano Novo – Clássico (Rubem Fonseca)

Vi na televisão que as lojas bacanas estavam vendendo adoidado roupas ricas para as madames vestirem no reveillon. Vi também que as casas de artigos finos para comer e beber … Continuar lendo

26 de janeiro de 2016 · 2 Comentários

A Partida – Clássico (Franz Kafka)

Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria. O criado não me entendeu. Fui pessoalmente à estrebaria, selei o cavalo e montei-o. Ouvi soar à distância uma trompa, perguntei-lhe o que … Continuar lendo

12 de janeiro de 2016 · 13 Comentários

Os Assassinos – Clássico (Ernest Hemingway)

A porta do restaurante “do Henry” se abriu e entraram dois homens que se sentaram ao balcão. — O que vão pedir? — perguntou-lhes George. — Não sei. — disse … Continuar lendo

5 de janeiro de 2016 · 8 Comentários

Amor – Clássico (Clarice Lispector)

Um pouco cansada, com as compras deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no bonde. Depositou o volume no colo e o bonde começou a andar. Recostou-se então no … Continuar lendo

29 de dezembro de 2015 · 3 Comentários

Um Conto de Natal – Clássico (Charles Dickens)

Ilustrações de John Leech PRIMEIRA ESTROFE O espectro de Marley Para começar, digamos que Marley tinha morrido. Neste particular, não pode haver absolutamente a menor dúvida; a ata dos seus … Continuar lendo

22 de dezembro de 2015 · 1 comentário

O Corvo – Clássico (Edgar Allan Poe)

Em certo dia, à hora, à hora Da meia-noite que apavora, Eu, caindo de sono e exausto de fadiga, Ao pé de muita lauda antiga, De uma velha doutrina, agora … Continuar lendo

16 de dezembro de 2015 · 9 Comentários

Penélope – Clássico (Dalton Trevisan)

Naquela rua mora um casal de velhos. A mulher espera o marido na varanda, tricoteia em sua cadeira de balanço. Quando ele chega ao portão, ela está de pé, agulhas … Continuar lendo

8 de dezembro de 2015 · 2 Comentários

A Última Pergunta – Clássico (Isaac Asimov)

A última pergunta foi feita pela primeira vez, meio que de brincadeira, no dia 21 de Maio de 2061, quando a humanidade dava seus primeiros passos em direção à luz. … Continuar lendo

1 de dezembro de 2015 · 11 Comentários

A Biblioteca de Babel – Clássico (Jorge Luis Borges)

By this art you may contemplate the variation of the 23 letters… The Anatomy of Melancholy, part. 2, sect. II, mem. 1V. O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se … Continuar lendo

24 de novembro de 2015 · 3 Comentários

A Brincadeira – Clássico (Anton Tchekhov)

Um claro dia de inverno… o frio é forte e seco de estalar, e Nádenka, que eu levo pelo braço, fica com os cachos das fontes e o buço no … Continuar lendo

17 de novembro de 2015 · 8 Comentários

A Teoria do Medalhão – Clássico (Machado de Assis)

– Estás com sono? – Não, senhor. – Nem eu; conversemos um pouco. Abre a janela. Que horas são? – Onze. – Saiu o último conviva do nosso modesto jantar. … Continuar lendo

10 de novembro de 2015 · 6 Comentários

A Pechincha – Clássico (Truman Capote)

Várias coisas no marido irritavam a sra. Chase. Por exemplo, a voz: ele sempre falava como se estivesse apostando num jogo de pôquer. Ouvir aquela fala arrastada e indiferente era … Continuar lendo

3 de novembro de 2015 · 6 Comentários