EntreContos

Detox Literário.

8 (Ricardo Falco)

8

De lata é feito o veículo que rasga o silêncio de uma noite de Lua cheia. De lata é refeito o peito quando um coração incendeia…

O sangue ferve enquanto dirige. O impulso oriundo das potentes caixas de som do carro interfere diretamente no aparelho circulatório. Veias e artérias pulsam freneticamente. Pistas de dança por todo o corpo.

Pista de sangue à frente.

Vermelha é a cor do veículo que aplica o vácuo na janela do carro. Do carro cor da Lua. Os cabelos tendem todos, como em um aquário o fariam, para a abertura do vidro da janela.

Lua de sangue ao seu lado.

Vermelha é a cor do carro que brilha; que ofusca, provocando euforia. Um carro que arranha a Lua, num contraste inquietante.

Daniel ouve o chamado. Novamente, o grito emborrachado dos pneus. Caçoantes.

Consoantes constantes de um mesmo instante…

O instante da morte.

O carro cor da Lua atravessa, com toda a velocidade, toda a avenida.

Em frente ao muro do Jockey e iluminadas pela fosca propaganda, sobre os duros bancos de cimento dos pontos de ônibus, todas as esmorecidas almas levantam-se de uma só vez, pegando carona na Lua coletiva que agora perde o controle…

No mesmo instante, do enorme e negro jardim ao lado, árvores brotam já velhas e desorganizadas… Desorgânicas. E o carro vermelho, como o sangue, avança à sua frente. Agora, cada vez de forma mais rápida, os troncos das árvores passam ao seu lado.

O ruído de um flash botânico acelerando-se invade por completo o ouvido esquerdo de Daniel, da mesma forma que o carro vermelho como o sangue invade o território que ele já não mais possui. O seu território. Sua rua. Seu solo. Sua terra. Seu jardim…

Rua Jardim Botânico. Terra Santa. Santuário…Lápide.Daniel foi invadido. Foi ultrajado. Foi ultrapassado…

Traído.

Com o piscar do alerta à frente, duas sobrancelhas agora rumam de encontro ao centro de um já tenso rosto. O olhar está fixo no ponto vermelho que agora guia o mundo. E, da mesma forma que os ponteiros do painel sentenciam o inevitável, o pé direito de Daniel executa a mesma lei.

Cento e oitenta e sete quilômetros por hora. Essa era a velocidade quando o mundo virou de cabeça para baixo. Depois para cima. Logo em seguida para baixo e para cima novamente e então não mais parou de girar. Pelo menos, Daniel não viu parar. Foi a velocidade final.

Fatal.

8

—É muita fumaça para mim…

Ah, fala sério, Rafael!

— Sério; eu não consigo. Até já tentei, mas não sei como tragar.

Ih, é fácil! Olha só…

Fernanda finge tragar a fumaça ilusória do cigarro apagado que levara à boca, levantando as sobrancelhas num gesto de surpresa.

— Viu só? — diz, sem soltar o ar.

— É… Olhando é fácil! Mas é exatamente isso que eu não sei fazer. O Daniel já tentou me ensinar, mas sempre acabo engolindo a fumaça e aí… Já sabe o que acontece, né?

— O Daniel é um idiota… Quer tentar? Eu te ensino.

Fernanda aproxima-se lentamente de Rafael. A cada passo dado, seu olhar torna-se mais profundo. Em sua mão esquerda, o cigarro apagado é cuidadosamente equilibrado. Neste caminho, a cilíndrica mistura de fumos, papel e pólvora gira por entre seus dedos e só para ao alcançar a delicada derme dos lábios do rapaz, onde pousa como uma fênix incauta.

A jovem demora a soltar o cigarro e quando o faz, sempre mantendo o olhar fixo nos olhos de Rafael, acaricia sutilmente com os dedos o rosto dele. Os olhos inspiram decisão. A decisão de uma disputa importante. O jogo final de um campeonato. Ou talvez, o primeiro de uma série…

As enormes pupilas diminuem em uníssono com o brilho refletido em ambas as faces, sendo logo seguido por um cheiro forte como o enxofre, alastrando-se pelo interior do quarto e atingindo as narinas cada vez mais dilatadas de ambos.

A lasca de madeira flamejante aproxima-se, revelando a densa fumaça que emerge disforme rumo ao céu de gesso. A chama então estaciona estrategicamente no mesmo instante em que a frase ecoa pela tensão daquele momento…

— Vai.

E Rafael quebra o sentido do fogo, domando-o à força; com a força de seus pulmões. A chama tende para frente, encostando-se ao fumo para logo em seguida invadir por completo o interior do cilindro bicolor, onde finaliza a mutação. O resultado desta alquimia preenche os alvéolos do jovem, mantido ainda como refém do olhar autor do disparo.

— Eu sabia que você conseguiria. — ela fala ao tentar apagar o palito de fósforo que segura, deixando um rastro de luz e estalos.

Rafael permanece estático e então Fernanda dá um sorriso orgulhoso, já retirando o cigarro da retesada boca à sua frente.

— Agora solta a fumaça. — ordena.

O jovem dá um passo para trás e vira o rosto na intenção de não atingi-la, mas desequilibra-se em meio à tontura causada pelas toxinas absorvidas pela primeira vez e caba tropeçando no tapete, caindo sobre a cama da aniversariante.

Fernanda ri com a atuação do rapaz, que não encontra outra saída além de acompanhá-la na chacota. Porém, logo o riso cede seu lugar a um momento de seriedade. Um momento de extrema contemplação. O momento indescritível e preciso que antecede uma indubitável ação.

Impulsionado por um peteleco dado pela jovem, o cigarro ainda aceso avança pela imensidão da noite que a janela do quarto apenas resumia. Um a um, os 23 andares testemunham a queda da fagulha, que explode sobre o playground no exato instante em que Fernanda abre o último botão de seu vestido.

Lá embaixo, com total resignação, as faíscas vão progressivamente desaparecendo do cimento, como se dotadas de uma certeza — esta sim — indissolúvel. A certeza da ressurreição. Morreriam para renascerem em outro tipo de solo…

Mesmo seminua como já se encontrava, Fernanda detinha toda a atenção do garoto somente em seus olhos, como se mais nada houvesse no mundo. Desferindo todo o poder de suas verdes gemas, ela de pronto o hipnotizava.

Rafael era aprisionado no musgo de duas íris…

Então, duas chispas surgem, etéreas, nas brilhantes pupilas de Fernanda que, após livrar-se do vestido que lhe prendia os tornozelos, agora caminha decidida em direção ao rapaz, estatelado sobre a sua cama.

Com o olhar perdido nos olhos da jovem, parada na ponta da cama a esperar por alguma reação, Rafael tenta mover-se. Em vão… Tudo o que consegue fazer é ceder ao gesto de Fernanda que, novamente tomando a frente da situação, segura nos pulsos do rapaz e eleva suas mãos até o elástico da última vestimenta da qual dispõe…

Depois, lentamente, empurra as mãos trêmulas do garoto para baixo, fazendo com que a peça de delicada renda também deslize por suas pernas até escorregar, sozinha, rumo ao chão.

Rafael agora já não olha mais para os olhos da jovem.

— Me beija. — diz Fernanda, projetando com firmeza seu ventre para frente. — Me beija como nunca beijou ninguém, Rafa!

8

Rafael estranha a atitude do rapaz que, decidido, invade a emergência do hospital e caminha velozmente em sua direção. Acompanha-o desde o início com o olhar. Era como se o alterado jovem não caminhasse, mas sim flutuasse em sua direção. Os olhos ensandecidos…

Raquel está sentada de frente para o namorado. Não vê a ameaça que se aproxima às suas costas, cada vez mais e mais… Percebe o olhar de Rafael desvencilhar-se do seu e fixar-se em um ponto oculto de seu campo de visão, mais precisamente sobre seu ombro esquerdo. Então, no momento exato em que decide virar-se para trás, sente o arrepio tomar conta de sua espinha, vértebra por vértebra, como um vento polar, até perder os sentidos por completo.

Dois enfermeiros correm em direção à maca onde Rafael é violentamente esganado por uma linda jovem, dotada de incompatível força física; certamente fora de si. Têm muito trabalho para conseguirem desvencilhar a garota do compassivo paciente, recém-chegado ali devido a escoriações causadas por uma briga entre amigos. Amigos de infância.

Do lado de fora, em frente à entrada da emergência, um grupo de jovens é por pouco poupado de ser atropelado.

De dentro da ambulância, dois médicos saltam, agora já sem muita pressa. Uma equipe do hospital corre de encontro à maca que é rapidamente retirada de dentro do veículo. Uma enorme quantidade de fios e tubos é acoplada à parafernália trazida pela equipe médica. No instante seguinte os aparelhos são ligados, quando então um ruído metálico contínuo chama a atenção do grupo.

O silêncio que ecoava violentamente na emergência logo após os enfermeiros conterem a descontrolada jovem dura pouco. Pois, ao recobrar os sentidos, Raquel emite gritos desesperados na tentativa de convencer dois impetuosos homens a lhe soltarem.

Rafael tenta sair da maca para ajudá-la, mas novamente é impedido, agora por uma forte câimbra nas pernas. Ele olha para o desfigurado jovem à sua frente, que o segura pelos pés com um sorriso indecifrável no que um dia foi um rosto. O rosto de um amigo. E ao intrigante sorriso é somado um ruído bem fraco, quase inaudível, parecido com o sinal de linha telefônica. Um ruído metálico.

Contínuo.

— Para! Me soltem! Não sou eu… É ele! — Fernanda tenta mostrar o engano aos enfermeiros, mas não tem força para vencê-los.

Rafael encara o amigo.

Ele não sabe…

8

Ninguém entendeu o motivo.

Estavam todos ali em volta: os pais, recém-chegados de viagem; os avós; os tios; primos; amigos; professores; colegas; vizinhos… Enfim, todos os que conheciam, ou melhor, pensavam conhecê-la.

Dizem que nunca se conhece uma pessoa por inteiro. Mesmo vivendo uma vida toda ao lado dela. Talvez seja verdade. Talvez seja impossível ultrapassar certas barreiras, principalmente as invisíveis. E quem poderá dizer que conhece a si próprio, plenamente?

Estudos mostram que as pessoas, sob influências dos mais diversos tipos, reagem das mais diversas maneiras. Existe até um ditado popular, sábio como só ditados populares os são, que fala exatamente sobre isto. “Nunca diga nunca” é a frase. Simples, perfeita. Um resumo daquele dia cinzento.

Foi um dia estranho, anestésico. Nada fazia sentido. O tempo passava de forma coloidal, sem controle algum sobre as pessoas ali em volta. Em volta do caixão dela.

O mais estranho é que ninguém chorava. Não fazia sentido chorar, da mesma forma que não havia sentido algum no que ela fizera. Alguns deveriam estar se questionando com relação ao que ela havia pensado nos instantes finais, quando não havia mais volta. Outros, porém, poderiam estar tentando descobrir as razões que a levaram ao ato final.

Foram vinte e três andares. Uma longa distância. Deve ter demorado muito tempo, mesmo em queda livre. O porteiro disse que ela gritou. Teve um vizinho do quinto andar que a viu passando pela janela de sua sala. Estava vendo televisão quando percebeu o vulto. Um reality show.

Não deixou carta. Havia só um cinzeiro repleto de cigarros apagados em seu quarto, queimados pela metade, talvez sinal de nervosismo. O único que queimou por inteiro foi o que estava no descanso. Talvez tivesse dado o último trago e o colocado lá antes de saltar. Ou talvez o tivesse deixado ali, queimando sozinho, enquanto voava rumo ao desconhecido. Ou quem sabe o tivesse utilizado como uma ampulheta. Dizem que cada cigarro corresponde a menos cinco minutos de vida. Talvez quisesse provar o contrário. Vai saber…

O que se sabe é que ela estava morta. Estava dentro daquele caixão, rodeada por todas as pessoas que fizeram parte de sua vida. De sua desprezada vida. E mais: da vida em formação que carregava em seu ventre. Seu esmigalhado ventre.

O exame só foi encontrado no fundo de seu armário dois dias depois. Ninguém confirmou saber da gravidez da vítima. Nem família, nem amigos, ex-namorados, ficantes… Nem mesmo a melhor amiga dela.

Nunca se conhece uma pessoa por inteiro…

8

— Não dá para adivinhar?

Fernanda senta-se na cama. Tem um pano de prato da cozinha funcionando como bolsa de gelo na cabeça. Dentro do mesmo, os três últimos cubos da fôrma do congelador.

Raquel a observa. Sabia que ela iria dizer algo importante. Percebia as ruguinhas que apareciam no queixo de Fernanda sempre que ficava tensa. Só não sabia ainda o que era.

— Ele é o pai.

E talvez fosse mesmo melhor não saber. Raquel demora alguns segundos para dizer alguma coisa, preocupando a amiga.

Então pergunta, sem conseguir ainda somar dois mais dois:

— Você… Você transou com o Rafael, Fernanda?

A aniversariante fica em silêncio. Olha para o rosto da amiga… Dá tempo ao tempo.

— Você transou com o meu namorado, Fernanda? — Raquel repete, agora dando o tom certo para a pergunta, enfatizando o ponto crucial da questão.

Fernanda não tem mais como voltar atrás.

— Aconteceu, Raquel… — murmura.

A aniversariante segura nas mãos da amiga, antes de continuar:

— Você… Você sabe como eu sou, Raquel… Me desculpa. Eu só posso lhe dizer que estou muito arrependida. Principalmente agora, depois do resultado do exame… — Fernanda eleva as mãos até o rosto da jovem, que se mantém calada.

Raquel adquire um olhar contemplativo, distante… Mesmo com a aproximação de Fernanda, que agora lhe desfere um beijo carinhoso, no rosto.

— Você está puta comigo, Raquel? — insiste a menina, já a envolver-lhe os ombros.

Raquel permanece sem esboçar ação.

Não obtendo resposta, Fernanda continua com o monólogo, agora a abraçá-la:

— Eu estava querendo lhe contar há muito tempo… Mas aí aconteceu. Não estava mais conseguindo esconder… Não dava mais para segurar… Você sabe o quanto eu gosto de você, não sabe?

Raquel deixa-se levar pelo abraço intenso da amiga, que comprime cada vez mais seu corpo, a ponto de sentir-se completamente absorvida por ela. Tragada, engolida…

Traída.

Raquel sente a temperatura de seu corpo baixar; as batidas de seu coração diminuírem o compasso e as pontas de seus dedos tornarem-se mais sensíveis. Sente o som da voz que emana a poucos centímetros de seu ouvido misturar-se ao ruído do ponteiro do relógio da parede. Também percebe as cores mais acinzentadas nas fotografias da cortiça pregada sobre a mesa, diante da cama onde está neste momento e às costas da aniversariante.

Pelas costas…

— Eu acho que estou mais leve agora, sabe… — Fernanda continua a se explicar, abraçada à amiga.

Raquel finalmente decide interagir, para alívio da amiga, apertando com força o corpo de Fernanda contra o seu, ao dizer:

— Pois é… Eu também não sei explicar como estou me sentindo. — desliza suas mãos pelas costas da aniversariante.

Fernanda somente então começa realmente a relaxar. Terminado o abraço, fica a observar as reações de Raquel que, agora, se entretém com uma ponta do lençol, sentada na cama, de frente paraela.

Fernanda tenta chamar a atenção:

cheia de sangue embaixo das unhas, amiga… — diz.

Ele teve o que mereceu, Fernanda… — Raquel faz a reflexão em voz alta, dando um sentido dúbio à frase ao frisar o pronome. — Aliás, ele precisava entender que em mulher não se bate nem como uma flor…

Ah, também não exagera! — a aniversariante ri. — Deve ter sido um choque e tanto…

— E, por falar nisso… — Raquel a olha. — Como é que está a cabeça, ?

— Melhorando.

Raquel afaga os cabelos por trás da orelha de Fernanda, que torce o pescoço como o resultado de um arrepio.

— Então… A gente continua amiga? — Fernanda a enlaça com os braços, encostando sua testa na testa de Raquel e a encarando de pertinho, a ponto de ambas ficarem vesgas.

A aniversariante insiste, após o silêncio:

— Continua?

Raquel lembra-se de uma música que ouvira durante a festa. A letrafalava algo sobre nunca se dizer não. E fazia tanto sentido ela pensar nisso agora que…

— Claro que sim.

— Para sempre? — Fernanda força.

Um olhar decidido.

— Por toda a eternidade…

Escorre uma gota oriunda do pano de prato que Fernanda detinha sobre a cabeça; uma bolsa térmica improvisada por Raquel com as três últimas pedras de gelo do freezer da aniversariante; uma compressa preparada poucos instantes após Daniel deixar o apartamento, expulso dali por ambas.

E a gota passa livremente pela fronte de Fernanda, que tem agora unido aos seus lábios outro par de lábios. Lábios delicados… Femininos.

Decididos.

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24 comentários em “8 (Ricardo Falco)

  1. Ricardo Gnecco Falco
    31 de outubro de 2013

    Prezados,

    Quero agradecer a todos os nobres colegas pela leitura e, sobretudo, pelos valiosos comentários aqui deixados e que muito me acrescentaram!

    Deixo um grande abraço em todos e aproveito também para agradecer a cada um de vocês pelas ótimas leituras que também me proporcionaram, através de suas obras!

    Esta interatividade não tem preço e só vem engrandecer ainda mais a qualidade deste Desafio, rico em obras, autores e espírito de mútua cooperação.

    Parabéns a todos! Aos organizadores, escritores, leitores e comentaristas!

    Forte abraço,

    Paz e Bem!

  2. selma
    29 de outubro de 2013

    gostei, é diferente e atraente, parabens.

  3. Alexandre Santangelo
    28 de outubro de 2013

    Leitura dificil. Incomôda as vezes. Por isso adorei. A autora não ficou no lugar comum a que estamos acostumados e não teve medo. Parabéns.

  4. Bia Machado
    28 de outubro de 2013

    Gostei do conto, foi uma leitura muito boa, a narrativa me prendeu. Não sei se essa “viagem” no tempo se encaixa no tema, mas por isso mesmo achei criativo. Gosto de contos nesse estilo, parabéns!

  5. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    27 de outubro de 2013

    Talvez o conto do concurso, disparado o melhor, se a primeira impressão de leitura se confirmar. A narrativa ziguezagueante (para que viagem no tempo se existem os flashbacks) e os personagens complexos, tudo funciona. Confesso que não entendi completamente a história, mas isso não é motivo para eu não gostar dele. Complexidade não é o mesmo que obscuridade. Esse conto mostra uma frieza do narrador que até me assusta. Resta-me decifrar se debaixo da complexidade existe coerência, ou se ela é só um disfarce para a falta de nexo lógico.

  6. Juliano Gadêlha
    24 de outubro de 2013

    Confesso que tive de reler para assimilar melhor o texto, mas autora demonstrou extrema habilidade de compor uma narrativa não-linear e pouco convencional. Espalhou bem as peças do quebra-cabeça para que o leitor pudesse juntá-las. Não consegui vislumbrar a viagem no tempo no meio disso tudo, mas ela pode estar metida por aí e ter passado despercebida por mim. O importante é que a leitura é muito boa, parabéns!

  7. Arnold Arg
    24 de outubro de 2013

    Um texto bastante assimétrico e conceitual, tem só um lance meio que de novela que atrapalhou um pouco o andar da carriagem. Mas valeu a leitura!

  8. fernandoabreude88
    24 de outubro de 2013

    Achei hermético demais, apesar da beleza poética que se encontra em muitos trechos. Chega até a dar raiva a capacidade de autor em manipular os fatos e a poesia. O problema é que não sou muito chegado na mistura entre os dois estilos.

  9. Andrey Coutinho
    21 de outubro de 2013

    Também fiquei confuso quanto ao encaixe na “Viagem no Tempo”, mas como disse no comentário de outro conto, isso é muito pouco relevante. A excelente e poética construção dos personagens e das cenas foi de tirar o fôlego. Eu adoro esse estilo de narrativa não-linear… é muito gostoso montar o quebra-cabeça e tentar descobrir o que aconteceu quando, etc.

    Invista no seu talento de transportar o leitor para dentro da narrativa, porque não é qualquer um que consegue fazer isso tão bem quanto você. Também destaco a excelente construção do innuendo sexual entre os personagens em algumas das cenas. Em suma, uma excelente leitura. Parabéns!

  10. Elton Menezes
    20 de outubro de 2013

    Sobre a história… Muito interessante, instigante, cheia de idas e vindas. Mas fica a pergunta fundamental: cadê o tema do concurso? Poderia se achar qualquer associação metafórica, mas o tema é viagem no tempo, e isso não aconteceu. Por essa razão, por melhor que seja a história, acredito que deva ser desclassificado.
    Sobre a técnica… Gostei muito. Em especial, o primeiro ato do texto, que é cercado de metáforas belas e construção quase poética. Mas a virada que o segundo ato dá, para uma narrativa em tempo presente, ficou muito legal e inesperada. E adorei o fato que segurou o tempo presente sem perder o paralalelismo do tempo verbal.
    Sobre o título… Razoável. Simples demais, eu diria.

  11. Sérgio Ferrari
    17 de outubro de 2013

    Perdeu uma puta chance de ter um conto foda. Eu babei no primeiro trecho. Essa viagem rápida. Poderia se chamar : Daniel 8

    Seria muito legal se essa pira inicial acabasse, sei lá, no meio de uma legião de soldados romanos e fim. Porra, ficaria do caralho, demais…depois disso fica uma bosta. Perdão….tá com alto contraste esse conto. Foi do perfeito ao tenebroso. Enfim, pense em fazer um mini conto com essa primeira parte com o Daniel a toda velocidade 😀

  12. Claudia Roberta Angst (C.R.Angst)
    17 de outubro de 2013

    A não linearidade em nada atrapalha a narrativa. Precisei reler algumas passagens para compreender melhor o contexto. Gosto dos parágrafos curtos que agilizam a leitura. Bem elaborado, o conto cresce e capta a atenção.

  13. Isabella Beatriz Fernandes Rocha
    17 de outubro de 2013

    Uau! Que pira! Gamei!
    Super quebra cabeça! Achei o máximo!
    Só achei que fugiu um pouco ao tema, já que não trata de uma viagem no tempo, mas a viagem no tempo é o método em que é escrito.

  14. Marcellus
    17 de outubro de 2013

    É um bom texto, sem dúvida. Não-linear e bem trabalhado. Se os julgadores também entenderem que a subversão do tempo narrativo é suficiente para adequá-lo ao tema, temos aqui um forte concorrente.

  15. Gustavo Araujo
    12 de outubro de 2013

    Realmente, não é uma viagem no tempo no sentido clássico da expressão. Não há máquinas, não há cientificismos, não há fórmulas. Na realidade, a autora faz com que o leitor viaje no momento em que subverte a ordem dos fatos — eu mesmo tive que ler e reler alguns trechos para compreender a trama.

    Claro, a maneira não linear de contar uma história não é exatamente original, mas isso não tira o brilho da narrativa. As palavras foram empregadas com perícia e habilidade incomuns. O modo como as emoções dos personagens foram repassadas também merece aplausos – especialmente no que diz respeito à primeira parte do conto.

    Percebe-se, em suma, que o texto foi elaborado, trabalhado e polido por alguém que entende da matéria e que sabe como poucos transformar em palavras o que se espera de uma boa história.

    Ótimo conto.

  16. Rodrigues Araujo
    11 de outubro de 2013

    No geral, gostei do conto. As descrições do começo, o fluxo verbal e poético e a narração metafórica de cenas cotidianas (como a do cigarro caindo), transformando-as em fenômenos violentos que seguem um paralelo às ações dos personagens, foram os elementos de que mais gostei. É um texto difícil, metido (no bom sentido), que ultrapassa tanto a forma linear e clássica de narração como o tema proposto. Porém, há uma confusão no desenrolar da história, característica de textos mais experimentais como esse. Senti falta de algo que demarcasse cada personagem e as ações principais do texto, algo que não interferisse na poesia brutal e veloz, mas tornasse a história, em si, mais nítida. É um conto de fôlego e grande personalidade.

  17. Sandra
    9 de outubro de 2013

    Narrativa interessante, bem escrita, com um início característico de uma prosa poética (precisei voltar algumas vezes para compreender algumas partes e religá-las) e o desenvolvimento posterior um bocadim mais fluido, embora alinear (para fazer esse “manejo”, o cabra tem que ser bom) Gostei do conto e fiquei curiosa para conhecer mais trabalhos do (a) autor (a).

  18. rubemcabral
    9 de outubro de 2013

    Bem, não acho que atenda ao tema. O conto é apenas contado de forma não linear, o que não é absolutamente tão incomum.

    Quanto a narração, esta é muito boa e consistente, namorando com prosa poética em especial na 1a parte.

    Bom conto!

  19. Frank
    8 de outubro de 2013

    Viajei…

  20. Gilnei
    8 de outubro de 2013

    Quando o autor consegue colocar o leitor dentro da cena, tudo é possível, tudo é perfeito.

  21. Inês Montenegro
    5 de outubro de 2013

    Apesar de inicialmente não ver a ligação entre os trechos, estes acabaram por ter formar uma continuidade na história. As frases curtas, por vezes só com uma palavra, evidenciaram os sentimentos das personagens. Infelizmente não achei que a prossecução compensasse a falta de originalidade do enrendo, e não compreendi as motivações de Fernanda para as suas acções. De igual forma, também não notei onde é que o conto se insere na temática.

  22. Thata Pereira
    5 de outubro de 2013

    Também fiquei perdida quanto a viagem no tempo, mas gostei muito do conto. Gostei muito dos parágrafos pequenos, dando ênfase aos sentimentos. Isso funcionou muito bem, para mim. Como já citado, vale releitura, para juntar as peças. Parabéns!

  23. Ricardo
    5 de outubro de 2013

    Sensacional! De forma primorosa, a autora consegue fazer com que os próprios leitores viagem no tempo, fragmentando e embaralhando as partes desta rica narrativa e misturando não apenas a cronologia da trama, mas também os conflitos e segredos de personagens que, em tão poucas linhas, tornam-se marcantes. Fiquei com aquele delicioso gostinho de “quero mais”…
    Recomendadíssimo!
    🙂

  24. mportonet
    3 de outubro de 2013

    Viajei.

    Não consegui captar onde tá a viagem no tempo, mas gostei muito do conto. A narração é primorosa, em alguns pontos consegui visualizar nitidamente as cenas descritas e o texto fragmentado demonstra um grande domínio do autor(a).

    Vale a leitura. E releitura, para juntar as peças.

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Informação

Publicado às 3 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .
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