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“Não me Abandone Jamais” – Resenha (Gustavo Araujo)

NAO_ME_ABANDONE_JAMAISKathy H. é uma garota adorável. Essa é a impressão que brota das primeiras páginas de “Não me abandone Jamais”, do autor japonês Kazuo Ishiguro. Em breve Kathy deixará de ser uma “cuidadora” e se tornará, com certo orgulho, uma “doadora”.

É nesse momento, talvez o mais importante de sua vida, que ela aproveita para relembrar sua história.

Tudo começa com os dias em Hailsham, a escola interna na qual passou toda sua infância. As recordações surgem envoltas por uma atmosfera de saudade, risos e com certa melancolia. Como quem revela confidências, Kathy nos conta sobre sua amizade com Tommy D. e Ruth, seus melhores amigos, tornando-nos cúmplices de seus medos, desejos e anseios.

Por que há tantas crianças em Hailsham? E por que nunca ouvimos falar de seus pais? Que tipo de lugar é essa escola, afinal? Kathy H. jamais faz esses questionamentos. Embora seja exatamente isso que instigue o leitor, os segredos de Hailsham, bem como o destino estarrecedor que aguarda seus alunos, são desvendados ao acaso, em meio às palavras de Kathy H., como fatos corriqueiros sem maior importância.

Há algo de obsessivo na leitura de “Não me Abandone Jamais”. Com o avançar das páginas, especialmente depois que Kathy, Tommy e Ruth deixam a rotina de Hailsham, é impossível não nos questionarmos sobre o que nos torna humanos. De que somos feitos? Qual a essência de todos nós? Todos somos capazes de amar?

Ishiguro aborda esses aspectos de modo sensível, de forma quase imperceptível, colocando-nos a par de uma realidade ao mesmo tempo atroz e amoral, mas não impossível.

O livro é uma peça arte admirável. A prosa do autor, refletida na aparente simplicidade das palavras de Kathy H., vai muito além da busca pela identificação de quem lê com os personagens. Em uma abordagem mais ampla, traz à tona indagações perturbadoras e ao mesmo tempo comoventes, tirando o leitor totalmente da zona de conforto.

Como deve ser uma boa história.

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2 comentários em ““Não me Abandone Jamais” – Resenha (Gustavo Araujo)

  1. Anderson Andinho Alkimim
    1 de janeiro de 2014

    Este livro é ótimo. Kazuo inspiradíssimo, dono de uma prosa segura e trama muito inspirada.

  2. Roberto Moroni
    22 de setembro de 2013

    Um dos meus livros favoritos!

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Publicado às 7 de junho de 2013 por em Resenhas e marcado , , .