EntreContos

Detox Literário.

Detroit, 19-11-2043 (Davide di Benedetto)

b.wilder

Detroit, 19/11/2043

O lugar, o dia em que tudo começou.

Se você estiver ouvindo esse relato do futuro, e o passado aqui descrito não for exatamente como aquele do qual se lembrava, é possível que isso tenha ido parar de alguma maneira em uma linha do tempo alternativa.

Li outro dia que descobriram a existência desse tipo de coisa: linhas do tempo alternativas.

Faz-me pensar se em algum lugar do espaço e tempo as coisas aconteceram de uma maneira diversa. Cheguei à conclusão de que isso é irrelevante.

Nada mudará para mim.

A cidade não era cinza, era verde. Desde quando as grandes companhias automobilísticas se mudaram para o México em busca de mão de obra mais barata –outras simplesmente faliram – Detroit se tornou uma cidade fantasma. Da cidade que outrora mais crescia nos E.U.A  à cidade que mais encolhia.

O número de casas e prédios abandonados não acompanhou o êxodo de pessoas. A prefeitura demoliu bairros inteiros e construiu grandes parques, anos atrás. Estimular o turismo, é o que diziam.

Ainda assim, havia casas pra caralho. Em meio as árvores e ruínas residenciais desses bairros-parque eu dirigia rumo a uma antiga zona industrial.

Nada muito interessante a dizer sobre minha pessoa, além dos dados que apresentei antes do começo desse relato. Para fins narrativos, poderia muito bem ter começado a existir naquele momento. Apenas um funcionário de uma empresa mediana qualquer, efetuando um serviço de rotina. Sobre o lugar para o qual eu ia: engraçado como o futuro muda.

Na década de oitenta, os malucos da ficção científica imaginavam que o mundo seria governado por grandes corporações, sabe? Erraram. Muitas dessas grandes empresas faliram, tiveram que pedir ajuda ao governo. Fragmentaram-se em pedaços menores, canibalizados por empresas rivais.

Eu estava trabalhando para uma dessas pequenas empresas antropófagas: a WSPEKTOR – Ltda. E vamos dizer que havíamos conseguido um bom pedaço do cadáver de uma corporação gigante. Só que toda fatia generosa e suculenta de um conglomerado também traz muito lixo escondido.

Esse era meu serviço. Encontrar o lixo.

O planeta está uma imundície agora, vocês sabem, bem mais do que antes. As multas por desrespeito a leis ambientais tem um número de zeros capaz de gerar vertigem. O lugar para o qual estava indo era parte do trampo, uma pequena vila que cresceu originalmente em volta de uma fábrica de carros.

Casas de operários, lojas, bars e casas de show onde essa mão de obra epilética costumava gastar seus salários. Antes uma cidade menor – a tal Vila – dentro de uma cidade maior – Detroit. De longe, apenas um lugarejo em meio a quilômetros de mato e cassa velhas. A fábrica, que havia sido adquirida pelo meu contratante, estava parada há décadas, mas parte dos antigos operários, agora aposentados, continuava a morar nos arredores.

Gente viva, ao contrário de robôs, produz lixo. E lixo tem que ir parar em algum lugar. Rumores, que haviam chegado até nós, falavam de um lixão criado de maneira irregular, dentro de terreno que pertencia à fábrica.

Nossa fábrica.

Em um tribunal, dificilmente seria considerado o fato dela não estar funcionando mais. Dela ser uma herança incômoda vinda num pacote maior de outras propriedades. Tão pouco se era, de fato, nossa empresa que estava colocando lixo lá ou não. A propriedade era nossa, a responsabilidade era nossa.

Então vocês já entenderam: averiguar a existência do lixão ilegal, lidar com o problema.

Até que parecia um serviço fácil, mas aí todos meus planos mudaram.

– Você transa como uma máquina.

Foi o que ela disse, a jovem, cabelos tintos de vermelho. Estávamos os dois em sua casa, ambos nus, eu estirado sobre o colchão, ela sentada de costas para mim. O corpo magro, uma tatuagem nas costas.

O quarto era espaçoso, praticamente todo o andar superior. Nada nele além de uma cama e algumas roupas jogadas pelo chão. O andar inferior um ateliê com os quadros que ela pintava. As lâmpadas piscaram, se apagaram. Ficamos no escuro alguns instantes até a luz voltar.

Elise, esse era seu nome, acendeu um baseado, como sempre fazia – sei que esse é um depoimento para polícia, mas o que importa, agora? – tragou a fumaça e passou para mim. Recusei.

Há quase um mês repetíamos aquele ritual. Eu havia entrando com meu pedido de demissão na empresa. Estava praticamente morando ali.

Na vila.

– Tem certeza de que você não é um androide? – lembro dela rindo e falando – sabe, porque se você for, nada contra. Não sou robôfobica, mas o pessoal das antigas é. E meio xenófobo também, odeiam chicanos por aqui.

– Compreensível, acho. Perderam os antigos empregos deles para drones e para a América Latina. Eles não se importam com o pessoal de vocês?

Céus, não, disse Elise. É claro que eles não se importavam. Os artistas que estavam mantendo aquele lugar de pé, com o dinheiro dos seus negócios on-line sendo injetado no lugar.

Foi o que mais me intrigou quando cheguei lá, o número de pessoas jovens, em meio a velhos e aposentados.

A área de Detroit virou um paraíso imobiliário pra jovens assim, um paraíso particular onde casas são vendidas a preços de banana, os impostos são baratos e ninguém se importa muito com o que você está a fim de fazer.

Mas a vila era muito mais do que um espaço pro pessoal da Elise – assim eu os chamava – montar seus estúdios e ateliês. Era um projeto completo de renovação urbana, a criação de uma comunidade com suas normas e valores próprios. Cheirava fortemente utopia, mas também cheirava juventude.

E seduzia. Tanto que resolvi ficar por lá.

Em ficção há sempre muita cobrança pras nossas motivações, mas é assim na vida real. Engulam. Às vezes, em três semanas, a gente perde a cabeça por causa de uma mulher e de uma ideia.

As luzes, que haviam voltado há pouco, apagaram-se novamente. A fiação do lugar deve estar podre, pensei.

– Você vem com a gente, amanhã? – ela pergontou.

Assenti.

Sabe, o pessoal da Elise não vivia só de negócios on-line e grana dos turistas casuais. Também faziam excursões pelos bairros abandonados, procuravam algo que pudesse ser aproveitado ou vendido em meio aos detritos: metal, sucata. Essas coisas. Tinha prometido que iria ajudá-los na próxima.
Joguei-a de volta na cama.

Fizemos amor pela última vez.

Não nos afastamos muito da vila naquela tarde, perambulamos em meio às arvores e casas do bairro-parque próximo à fabrica. Um dia frio, cheio de névoa. O pessoal da Elise fazia piadas para não desanimar e esfregava as mãos para se aquecer.

Começaram a quebrar paredes, procurando fios. O cobre podia ser vendido para empresas chinesas.

Precisam acreditar em mim, quando digo que me perdi no bosque igual à uma chapeuzinho vermelho bêbada. A natureza retomando a cidade era fascinante e um labirinto. Meia hora vagando pelo lugar e nem senti. O quê encontrei, foi por acaso.

Quando tentava achar o caminho de volta, me deparei com aquilo.

A usina.

Uma casa reformada, infestada de ruído. Cabos e coisas parecendo geradores acoplados a ela, saindo por todos os lados. A curiosidade matou ao gato, matou a todos nós. Mas todos teriam morrido do mesmo jeito.

Desejando encontrar a fonte do barulho, desci até o porão do lugar. Estava aberto. Lá embaixo, no subterrâneo, entendi a razão daqueles apagões momentâneos, no quarto de Elise, por toda a vila.

Os habitantes estavam gerando a própria energia. Sem querer, eu havia encontrado o lixão.

O troço todo era realmente impressionante e, só então, parei para raciocinar. A prefeitura de Detroit havia cortado o fornecimento elétrico daquela região anos atrás. O pessoal da Elise estava usando gás metano produzido pelos detritos enterrados há décadas, para abastecer a vila. Não era uma fonte completamente autônoma e eficiente, mas era energia limpa. Dava para o gasto.

Então vi o homem, observando o maquinário. Um homem que também era uma máquina.

– Funcionário Nº. 24.601, aí está você! Não esperávamos que desertasse. É uma pena! – disse ele, me cumprimentando.

Era um androide. Notei só pelos trejeitos – não é todo mundo que tem o olho treinado como eu para essas coisas, mas tive certeza – Apesar disso, não falava como um robô. Algo que por si só, era estranho.

– Adivinhão! Sou humano sim, só me apossei do corpo desse androide. Eu trabalho em casa, engenheiro ambiental, igual você – ele disse – Sou terceirizado. De uns meses pra cá andam fazendo tudo remotamente na empresa. Uso o corpo desse troço como um drone de controle à distância, mas é difícil não dar bandeira. Demora um tempo pra gente se acostumar com o equipamento.

O homem sacou um revólver escondido em seu sobretudo. Não apontava a arma para mim. Apontava para o maquinário. Perguntei o que diabos estava fazendo, mas eu já sabia. Pressentimento ruim, como o gosto de comida estragada.

– É foda ter que falar isso, mas já que você vai morrer não tem porque não contar. Acho que merece saber a verdade – ele disse – Esse lugar todo vai pelos ares. Dois coelhos numa cajadada só, sacou?

Pior que saquei. O lixão ilegal não ficava dentro do terreno da velha fábrica – nem fodendo – mas era próximo o bastante. O complexo abandonado não rendia mais nada pra empresa, exceto possibilidades de multas. Mesmo assim, ainda podia dar uma boa grana com o dinheiro do seguro.

Conveniente o fato de um grupo de ativistas doidões ter resolvido montar uma usina ilegal movida a gás metano, logo nas redondezas, não é mesmo? Todo mundo sabe que essas joças não têm a mínima segurança.

Como o pessoal da Elise pôde ser tão burro?

– Pare! Se fizer isso, você também vai morrer! – as palavras quase deixaram minha boca, mas teria sido uma péssima escolha de palavras. É claro, que ele não ia morrer. Era só um dronezinho de controle remoto, afinal de contas.

Tentei me mexer, saltar para cima. Fazer alguma coisa.

Mas ouvi o disparo. Uma fagulha foi o que bastou.

Todo o gás acumulado naquele lugar por tanto tempo se incendiou e explodiu de uma vez só. Uma parede de fogo vindo em minha direção, tudo o que me lembro. Posso perfeitamente imaginar o resto. A reação em cadeia. A vila, a fábrica e todo o bairro-parque indo pelos ares. O cadáver incinerado dos velhos, dos jovens.

De Elise.

A cratera fumegante eu não preciso imaginar. A imagem está em todos os noticiários. Um acidente, é o que dizem.

Nenhum sobrevivente.

Exceto eu.

O assassino não era o único drone.

Acordei em casa, encharcado de suor e urina. O aparato de controle telecibernético se desligando ao meu redor. A sensação de morte foi extremamente realista, mas não uma morte real.

Lembro que olhei no espelho, como se quisesse me certificar. Os olhos azuis eram os meus. O cabelo branco, as rugas, em um número maior do que me lembrava.

Comecei a trabalhar remotamente usando um androide como drone de controle à distância, alguns anos atrás. Os testes contra esse tipo de coisa nas empresas não eram tão perfeitos quanto agora. As leis muito frouxas. Não precisei declarar se o meu corpo era humano ou não, quando fiz o teste de admissão na empresa.

Uma farsa, mas precisei fazer tudo isso, entendam. Não aguentava mais ficar em casa parado, ganhando miséria. Sentia falta de trabalhar, viajar pelo país. Conhecer pessoas e acordar com uma mulher ao meu lado.

Por um tempo, acho que funcionou. Gastei todas minhas economias naquele velho androide, mas não vou negar que valeu a pena.

Foi como ser jovem de novo.

Sinto muito ter mentido para Elise. Sinto ter mentido para todo mundo. Mas vocês precisam acreditar, mesmo em um mentiroso como eu. O que aconteceu em Detroit não foi um acidente.

Sentado nessa cabine eletrônica, fazendo esse boletim de ocorrência – sei que é tudo em vão. A WSPEKETOR não é um conglomerado ultrapoderoso, só um bando de picaretas. Não controlam a polícia, juízes, nem nada disso. No entanto, sabem limpar evidências muito bem. Isso eles sabem fazer e eu sou testemunha.

Não tenho nenhum tipo de prova. Minha palavra contra a deles.

E quem, em meio a essa tragédia, vai acreditar na história de um velho maluco querendo atenção?

Ainda assim precisava tentar. Talvez alguém escute. Talvez algum de vocês, alguém que não seja um cínico de alma podre, acredite e resolva investigar. Matar gente, hoje em dia, não dá tanto prejuízo como desrespeitar leis ambientais.

Mas acredito que ainda seja ruim o bastante.

Fim do relato. Hora de voltar, para minha vida vazia.

Sabem, gostaria muito de acreditar que algum lugar as coisas deram certo. Que Elise ainda está viva em uma dessas linhas do tempo alternativas que tanto falam. Mas a verdade é que existimos aqui e agora.

E há gente morta em Detroit.

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Imagem por Albert Herring. A utilização deste arquivo é regulada nos termos da licença Creative Commons Atribuição 2.0 Genérica.

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30 comentários em “Detroit, 19-11-2043 (Davide di Benedetto)

  1. Leandro B.
    7 de dezembro de 2013

    Achei o início que menciona as linhas alternativas um pouco desnecessário. Também não curti algumas frases de efeito. Ainda assim, gostei do conto. É uma perspectiva interessante de como a economia muda o mundo. A ambientação também está muito boa.

    Parabéns, um bom conto!

  2. Pedro Luna Coelho Façanha
    5 de dezembro de 2013

    Gostei do FC, mas não vi Noir. Detroit Rock City ficou bacana na sua versão futurista.

  3. Frank
    5 de dezembro de 2013

    Como sempre digo, sou fã de ficção-científica e essa está muito boa. Quer dizer, mesmo aproveitando a ideia de surrogates, a ambientação de Detroit estava excelente. Ótima história.

  4. Marcelo Porto
    4 de dezembro de 2013

    Sou suspeito para avaliar um conto de Ficção Científica, isso já é meio caminho andado para me conquistar.

    Independente do estilo é uma boa história. A construção do ambiente e dos personagens é excelente.

    A revelação lá pelo final do conto também é muito bem colocada e ficou bem orgânica, gostei muito da narrativa, mesmo remetendo a “Surrogates”, a trama trouxe uma abordagem original.

    Parabéns!

  5. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    Distopia futurista sci-fi muito bem elaborada. O conceito do corpo androide substituto controlado de maneira remota lembrou bastante a história em quadrinhos “Substitutos” (título original “Surrogates”), que tem um filme homônimo com o Bruce Willis. Foi uma boa exploração desse conceito, e somado ao restante do conto, funcionou muito bem, principalmente a surpresa quanto ao fato de que o próprio protagonista faz uso do artifício.

    SUGESTÕES

    O encontro com o androide e as falas dele ficaram meio corridas e excessivamente expositivas. Eu entendi que você precisou explicar todo o conceito dos “drones” durante aquela fala, mas talvez fosse melhor arranjar um jeito de fazer isso antes, ou então ao menos tentar fazer o diálogo entre eles fluir com mais naturalidade.

    TRECHO FAVORITO

    “Mas a verdade é que existimos aqui e agora.

    E há gente morta em Detroit.”

  6. Alana das Fadas
    2 de dezembro de 2013

    Já li esse conto há um tempo, mas até o presente momento ainda não pude comentá-lo.
    Em primeiro lugar, gostei desta distopia – não tão distante – de um provável futuro. O diálogo com o presente e com a realidade americana também me enfeitiçou!
    Em alguns momentos, senti-me em um universo como Blade Runner. Bastante inteligente em todos os aspectos! Também me agradou a maneira sutil pela qual o noir se faz presente. Com certeza, um dos meus favoritos deste desafio!

  7. Marcellus
    2 de dezembro de 2013

    Como comentei em outro conto, cada leitor tem sua peculiaridade, assim como cada autor. E nem sempre acontece um casamento perfeito entre o dois, o que não significa quem ambos não tenham qualidades!

    Particularmente, gostei do conto, sob o ponto de vista de FC. Pode ser melhor trabalhado, aprofundado… e daí se tornar excelente. Mas, apesar da defesa do autor, não consegui encaixá-lo como “noir”.

  8. Felipe Falconeri
    1 de dezembro de 2013

    Gostei do conto, de forma geral.

    Achei a trama apenas razoável, mas a ambientação compensou. O cenário dessa Detroit quase pós-apocalíptica foi muito bem montado. Achei interessante a criação da vila, do reduto de jovens boêmios numa cidade envelhecida – e o motivo pelo qual eles são atraídos faz muito sentido. E isso é apenas uma fatia de uma distopia muito maior, que fica apenas insinuada, mas que é muito interessante.

    Gostei do personagem. As motivações dele são muito plausíveis, sobretudo quando se dá a revelação de que ele não era exatamente aquele cara que estava ali. Reviver a juventude, se sentir vivo novamente, é algo que justifica a imersão dele na vida através do drone.

    A trama foi o ponto fraco da história. No início é apresentada a missão do personagem, de procurar o lixo, mas ele a cumpre sem querer, nós não o vimos nessa busca. A explosão não teve o impacto que o autor provavelmente gostaria que tivesse porque não existem motivos para o leitor se importar com as pessoas que estão morrendo. Apenas Elise foi apresentada, mas muito superficialmente. E o diálogo do narrador com o drone na fábrica foi a passagem mais fraca do texto. Talvez isso se deva ao limite de palavras. Como existe muitas descrições para que o leitor visualize a cidade e entenda a distopia, ficou pouco espaço para trabalhar melhor a trama e os personagens.

    Foi uma boa sacada colocar o narrador dando um depoimento. Isso justifica uma linguagem mais simples e possibilita que ele se direcione ao leitor em alguns momentos, o que deu um tempero bacana ao texto. Passaram alguns erros que poderiam ser limados numa revisão mais apurada, mas a leitura flui bem.

    Não vi sentido no narrador citar as linhas temporais no começo e no final do conto. Isso não é trabalhado durante o texto, sequer é sugerido. Serviu só pra encher linguiça, não entendi o porquê disso. Poderia ser retirado do texto sem nenhum dano.

    Não há quase nada de noir no conto. Até dá pra encaixar um ou outro elemento, com alguma boa vontade. Mas fica bem como plano de fundo.

    Enfim, posto tudo isso, digo que achei um bom conto. Fluido, com uma boa ideia, agradável de ler. Acho que inclusive merece uma versão maior, com uma trama mais elaborada e mostrando mais detalhes da distopia. Eu leria. =)

  9. Agenor Batista Jr.
    29 de novembro de 2013

    Ficou devendo o “noir” do Desafio. No entanto, é uma boa ficção científica descrita de forma intimista pelo personagem algo mais “esperto” na sua função de descobridor de coisas. Excetuando-se os pecados de revisão, temos um conto bem parecido com um “thriller”. O autor tem potencial.

  10. Masaki
    29 de novembro de 2013

    E aí B.Wilder? Beleza? Olha… vou confirmar que gostei do seu texto. Lógico que há pontos a serem melhorados. Todos nós temos. Como amante de Ficção Científica apreciei bastante seu conto. Algumas sugestões: melhore um pouco mais o envolvimento dos personagens, certos trechos ficaram vagos; O uso de palavrões em determinados lugares pode não soar bem. E por último, e talvez o mais importante, sempre faça revisões antes da publicação. O texto pode estar 10, mas se a trama contém erros, estes podem colocar tudo por água abaixo. Parabéns! Vejo um potencial escritor. Trabalhe sempre!

  11. fernandoabreude88
    26 de novembro de 2013

    Conto bem escrito, com alguns erros de digitação, mas que flui e leva o leitor até o final de uma forma interessante. Esse clima da cidade de Detroit destruída, acabada, cria uma esfera misteriosa e decadente que pode ser considerada um dos elementos noir. Quanto à história, apesar de bem planejada e executada, perde a força a partir da segunda metade do texto. A força inicial do conto, destaco aqui, foi a ambientação bacana e a pesquisa realizada, não tenho problemas quanto à paisagem pertencer a outra nação, afinal, ainda somos terrestres. O artifício utilizado pelo escritor, das linhas temporais alternativas, acabaram por não funcionar muito bem, ganhando força apenas ao final do texto, quando é feita a revelação e, obviamente, sacamos o que ocorreu. O interessante nessas histórias com tempos alternativos é a formação de mundos paralelos que flutuam, quase chegando a se tocar, um influenciando o outro, mas vejo pouco disso neste texto.

    • B.Wilder
      28 de novembro de 2013

      Opa, valeu o comentário e a crítica.

      Mas as linhas dos tempos alternativas são só um “red herring” safado da minha parte http://en.wikipedia.org/wiki/Red_herring

      Além de serem uma justificaçãozinha pra uma história que com certeza ficará datada (2043 é daqui a apenas 30 anos…) é só uma maneira de despistar o leitor e acreditar que a história será relacionada a isso. E então ir por um caminho diferente.

      • B.Wilder
        28 de novembro de 2013

        é só uma maneira de despistar o leitor e fazer ele acreditar que a história será relacionada a isso. *

  12. espirrodabrisa
    20 de novembro de 2013

    Shakespeare escreveu Hamlet, que se passa na Dinamarca, e Romeu e Julieta, que se passa na Itália. Borges escreveu contos que se passam na Noruega, em Roma, e até Índia. Não que eu esteja comparando o autor desse texto com esses escritores famosos, é que não vejo nenhum problema em situar o conto em outro país. Isso é natural pra qualquer literatura que se proponha universal.

    Também acho que esse lance de ser noir ou não ser meio desnecessário. Li vários outros textos aqui no blog que o pessoal aproveitou pra jogar essa questão: se era noir ou não era. Eu não sei se em algum dicionário de conceitos, ou alguma autoridade no assunto tenha oficializado o gênero Noir como sendo uma história exclusivamente de detetives, crimes, mulheres misteriosas, pistas distribuídas ao longo da história, e um final que nos fornece tudo explicadinho. O fato de ser FC não o impede de ser também Noir – como o exemplo que deram do Blade Runner. Pra mim o que basta é o seguinte: histórias narradas em primeira pessoa envolvendo algum mistério e investigação. O resto, as cores locais, a ambientação, é tudo charme. Acho interessante justamente o autor que consegue trabalhar tudo isso e dialogar com as formas podendo, inclusive, negá-las, se quiser, e manter, justamente a partir disso, o conto dentro do gênero, como foi feito nesse caso, naquele conto “Homicídios Manchados de Rosa”, no “Beto Colt”, “Caso Colombo”, e outros que não me vêm a memória.

    Já assistiram “O Homem que não estava lá?”, dos irmãos Coen? Pois é. É noir e nem tem detetives. E aquele curta do Animatrix, “A Detective Story”? É noir E ficção científica.

    Quanto ao conto: achei muito bom. Gostei MUITO da ambientação, que me pareceu bem trabalhada e bem descrita. Achei a narrativa muito bem conduzida, num ritmo muito leve (parágrafos curtos e um eu-narrador muito ágil) e gostei particularmente do final “inconclusivo”. Teria gostado um pouco mais se eu não tivesse me lembrado do filme Surrogates (que acho, em particular, uma porcaria), mas isso é culpa minha, e não sua. Você começou falando de realidades alternativas e por um momento achei que esse seria o fio condutor da história, mas me enganei. Ótimo! Meus parabens.

    • B.Wilder
      28 de novembro de 2013

      Penso mais ou menos por aí também.

      Legal que curtiu. Acho que Surrogates tem uma ideia legal, tanto que aproveitei. Mas é uma bosta mesmo! =P

  13. B.Wilder
    20 de novembro de 2013

    O Brasil não é uma ilha. A realidade lá fora também afeta nossa realidade.

    Americanos podem situar histórias (algumas bem toscas) aqui no nosso país e nós não temos o direito de ambientar histórias lá? Falar deles também?

    E mesmo que a escolha fosse por puro escapismo e exotismo, não vejo problema também. O Noir é um gênero de origem estrangeiro. E se alguém quiser escrever em Los Angeles na década de 40, simplesmente por que teve vontade? Perde pontos?

    Sei que muita gente vai me achar babaquinha pela réplica, mas é só porque acho que isso vale a pena ser discutido: esse tipo de preconceito tem que ser quebrado.

  14. B.Wilder
    20 de novembro de 2013

    A mudança de fábricas pra países emergentes, todo o contexto que me inspirei, é uma realidade americana. Não brasileira. Já escrevi contos ambientados no Brasil e acho do caralho quem escreve. Sério. Mas discordo muito desse lance de que histórias tem que ser todas ambientadas aqui obrigatoriamente, ou então não estamos valorizando o que é nosso. =/

  15. B.Wilder
    20 de novembro de 2013

    Sobre uma questão levantada nos comentários: a ambientação do conto foi extrapolada de fatos na vida real, apresentados nesse documentário, sobre Detroit. A escolha da cidade não foi gratuita.
    http://www.detropiathefilm.com/

  16. Thata Pereira
    20 de novembro de 2013

    Bom, a ambientação em Detroit não me deixou incomodada, apenar que tenho um preconceito que diz: devemos antes de tudo valorizar o que é nosso. E, por isso, prefiro contos de autores brasileiros ambientados no Brasil, mas como disse, é algo meu. O fato é que não me incomodei e até achei muito bem ambientado. A ideia sobre os imóveis abandonados, ainda foi ilustrado pelo link que o Gustavo deixou abaixo e fez com que imaginasse detalhadamente cada cena.

    Gosto na narração, apensar dos errinhos citados, mas não os julgo, pois sempre deixo algo passar desapercebido também. Esse costume que criamos com o texto depois de pronto, deixa detalhes passarem desapercebidos.

    A única coisa que não gostei foi que por ler a palavra “Detroit” desde o dia 18, não consigo tirar a frase “Born and raised in South Detroit” de uma música da banda americana chamada Journey da cabeça… rs’

  17. Jefferson Reis
    20 de novembro de 2013

    Gostei. Senti-m em um futuro distópico banhado em noir.

  18. Gunther Schmidt de Miranda
    19 de novembro de 2013

    Caros colegas, sem colocar em ponto os temas ou conteúdo, particulramnet, com tantos locais interessantes no Rio de Janeiro de hoje, acho um pouco fora de tom este texto. Desculpem a sinceridade.

  19. Ricardo Gnecco Falco
    19 de novembro de 2013

    Quem sou eu(?) para julgar se o texto atende ou não ao tema proposto para este mês! (rs!)
    O importante é ressaltar a boa criação feita pelo autor a todo este universo “futurista” narrado de forma competente.
    Não é o meu tipo preferido de texto, mas a leitura fluiu bem!
    😉

  20. Gustavo Araujo
    19 de novembro de 2013

    Creio que essa questão sobre o conto se encaixar ou não no tema proposto depende de quem lê. Quem conhece mais de noir certamente terá mais facilidade de encontrar os elementos clássicos no texto – mesmo que escondidos ou distorcidos. Para mim, este conto tem um quê de Blade Runner, uma FC futurista em que há, sim, um mistério a ser desvendado. A narrativa é muito boa, ainda que salpicada por erros aqui e ali, e, de fato, me prendeu. Esse paralelo, ou melhor, esse dilema sobre “o que” é o protagonista ficou muito bacana, à semelhança do que ocorre na novela de Phillip K. Dick. Também gostei bastante da ambientação em uma Detroit devastada pela modernidade, as casas abandonadas, o lixo se acumulando e tal – isso, aliás, já está acontecendo (http://www.100abandonedhouses.com/). Em suma, ante à minha percepção, um conto acima da média neste desafio.

  21. charlesdias
    19 de novembro de 2013

    O conto não tem nada a ver com o tema do desafio, é pura FC distópica. Considerando isso, ficou bom. A ideia não é original, mas é interessante. O final ficou vago, precisa ser trabalhado. Uma boa revisão é mais que necessário.

  22. rubemcabral
    19 de novembro de 2013

    Gostei da história, pois adoro FC e distopias em geral. Bem, quanto à adesão ao tema do desafio, realmente há alguns elementos do noir, embora não muitos (há alguma coisa de cyberpunk tbm). O uso dos andróides controlados remotamente lembrou-me o filme “Surrogates” com o Bruce Willis.

    Bem, como já citado, há alguns “piolhos” pra catar qto a erros de digitação, mas é pouca coisa. Bom conto!

  23. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    19 de novembro de 2013

    Sabe que eu gostei? Pensei que não fosse gostar, mas a leitura correu agradável. Uns errinhos talvez de digitação, pela pressa, mas nada muito grave. Gostei da imagem combinou com esse clima de Detroit. Também da frase final – E há gente morta em Detroit. Boa sorte.

    • B.Wilder
      19 de novembro de 2013

      VISH. Passaram mesmo! Que bom que gostou, Roberta.

      Abraço =)

  24. B.Wilder
    19 de novembro de 2013

    (Quem procurar um detetive, uma “femme fatale” e alguns outros elementos vai encontrar. Ainda que eu tenha preferido dar uma torcida neles.)

  25. B.Wilder
    19 de novembro de 2013

    Opa. Como autor nem vou ficar aqui defendendo se o tom do conto encaixa em Noir ou não. Cada um tem sua leitura! 😉

    MAS, só enquanto a temática, como acho que várias pessoas ficaram confusas quanto as possibilidades do tema, vale lembrar que uma das referências sugeridas no Facebook do Entre Contos foi Blade Runner, que é um filme de ficção científica (e é considerado um “neo-noir”)

    O Gustavo inclusive compartilhou esse vídeo, que dá uma roupagem mais década de 40 para o filme.

    É claro que essa não foi a única referência, mas foi o pontapé inicial.

  26. Jefferson Lemos
    18 de novembro de 2013

    Achei legal, a história é bem interessante, mas não achei que se encaixa no desafio.
    O texto precisa de revisão, mas creio que tenha sido pequenos erros que passaram despercebidos (sempre acontece).
    No mais, gostei da escrita e do título.
    Enfim, parabéns!

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Publicado às 18 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .