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Detox Literário.

B.A. – Conto (Rubem Cabral)

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Científica e estritamente falando, existem três tipos de pessoas no mundo – isso, de acordo com suas respectivas abordagens “mergulhativas” à solução do clássico problema da “piscina cheia de água gelada num lindo dia calorento de verão”.

O primeiro tipo, obviamente, são os tchibumianos. Da beira da piscina, da ponta de um trampolim ou do alto de uma plataforma de dez metros, saltam sempre como se não houvesse amanhã. Naturalmente, durante a queda poderiam refletir:“eu não sei nadar e a Fossa das Marianas pareceria uma poça diante deste oceano inominável e tentacular prestes a me engolir, aonde o próprio Cthulhu poderia viver incognitamente junto com todos os outros Antigos até o fim dos tempos”, “não parecia tão alto de lá de baixo, ao menos não pensei que daria para se ver a curvatura do globo terrestre”, “o que são aquelas placas de gelo e ursos polares, flutuando na água?”, “esqueci que iam esvaziar a piscina justo hoje”.

Tchibumianos tendem a ser ótimos pilotos de Fórmula Um, exploradores do desconhecido, excelentes soldados, do tipo que nunca deixariam um colega para trás. São aqueles amigos de infância que entrariam numa briga dando voadoras para te defender ou que te ensinariam a andar de bicicleta com um bom empurrão do topo da ladeira mais íngreme e movimentada do bairro.

O segundo grupo, evidentemente, são os molhapesianos. Somente da beira da piscina, muito lenta e cuidadosamente, molham a ponta dos pés – e gemem e tremem como se esta estivesse cheia de nitrogênio líquido. Depois, espalham gotinhas nos pulsos, na nuca… Após agonizantes sessenta minutos, ou desistem por completo do banho refrescante, ou acabam por conseguir entrar. Isto, é claro, se não esbarrarem num tchibumiano, que em sua descarrilhada sanha por mergulhar espalhará água gélida justamente em suas costas.

Molhapesianos dão ótimos fiscais de impostos, auditores, contadores. Às vezes também aparecem de surpresa em piscinas, armados com rifles e submetralhadoras, caçando tchibumianos.

(Muito embora isto seja exceção e não regra).

O mundo então vive feliz pelo equilíbrio gerado pelos dois: atrevimento para os avanços necessários, precaução para a manutenção do status-quo.

Finalmente, há os overadrenalinianos ou putaqueoparianos, pessoas nefastas, sem a menor noção de perigo, cuja ideia de diversão envolve necessariamente risco máximo e contagem de vítimas colaterais ao menos na casa das centenas. Somente aceitariam saltar sem paraquedas a partir da estratosfera para dentro de uma piscina vazia, enquanto agentes contratados implodiriam uma represa próxima e estourariam tanques do zoo, liberando crocodilos, piranhas e poraquês ensandecidos. Pulariam sempre acorrentados, com os pés chumbados em concreto, vendados, de costas, dando saltos mortais carpados, em velocidade supersônica. Haveria uma chance de sucesso em dez elevado a trezentos e cinquenta, seria mais fácil um cego com mãos trêmulas atravessar todos os camelos do mundo pelo fundo de uma agulha, mas eles ririam e responderiam: “Ora, há então uma chance, mas que droga!”.

 Overadrenalinianos, logo que identificados, devem ser deportados ao espaço profundo aos cuidados de um robô babá, para sempre fora do alcance de civilizações inocentes. (Você pode currar sua vida – 299ª Edição – por Dick van Gina – Editora Ayudate & Enricame – 2177 © – All rights reserved).

***

Foi um ato impensado, agora eu me dou conta. Pedaços, órgãos do Tobey, estavam democraticamente espalhados pela sala. A cabeça ainda jazia pendente ao pescoço que cuspia faíscas furiosas, mas os braços e seus suportes hidráulicos, a caixa transparente que fazia as vezes de peito: tudo estava partido e queimado, irremediavelmente quebrado, para sempre.

Eu me recordo muito bem das últimas palavras do pobre Tobey: “Xeque-pastor. Jogada clássica de quatro movimentos. Básica, muito, muito básica, senhor! Algumas crianças de quatro anos já dominam a técnica. Talvez eu devesse ceder algumas peças para a competição ter alguma graça. A rainha, as torres e os cavalos, que tal? Observe que, ao mesmo tempo, eu recebia, comprava e vendia suas ações em quinze bolsas de valores em tempo real, fazendo uma análise comparativa de tendências usando dados dos balanços contábeis dos últimos cinquenta anos enquanto transmitia também a projeção climática de um mês para sete planetas diferentes. Ah, sim: é hora do seu remédio, senhor!”.

Estava acostumado ao jeitão dos robôs da série Intelligentsia 3000, sempre donos de si, irritantemente certos e eficientes. No entanto, eu tinha certeza: o filho da puta, de alguma forma, naquele rosto congelado e polido de titânio; ele sorria, gargalhava às minhas custas!

Não suportei a humilhação: sorri educado, perguntei se Tobey aceitaria um novo e-book de Cálculo Transfinito Avançado como recompensa por sua vitória. Fui em direção à biblioteca e voltei: com minha velha e muito secretamente contrabandeada espingarda em punho.

Então, vendo no que transformei o único amigo que eu tinha em minha estação-prisão solitária e remota – para onde fui deportado desde que inocentemente clonei invisíveis mambas voadoras – eu me arrependi. Bolas! A ciência sempre fora tão pródiga em gerar coisas maravilhosas, avançadíssimas. Por quê? Por que até hoje não notaram que houve exagero na criação das I.A.? Não faz sentido existirmos se nossas máquinas são tão mais inteligentes que nós!

Mas, é isso! Ui, ui, ui, é isso! Inteligência Artificial é moleza, algo que qualquer pós-doutorando projeta com uma mão atada às costas, um rolo de arame, chicletes mascados e um kit de revista de eletrônica. Ah, mas Burrice Artificial, B.A., disso eu nunca ouvira falar.

Examinei a cabeça do robô e vi que seu cérebro positrônico não fora danificado. Com cuidado o extraí, levei ao laboratório e formatei suas memórias e centros onde ele concentrava todo seu vasto conhecimento; só preservei o sistema operacional. Consegui assim um cérebro em branco; como o de um bebê recém-nascido.

Conectei-me à grande rede e baixei petabytes de horóscopos (chineses, ciganos, xamânicos, poloneses, transmontanos, sul-mato-grossenses). E-books de best-sellers: “Eram os deuses Detonautas?”, “Quem mexeu na minha mortadela-bolinha?”, “Pai rico, filho folgado”, “A cabana bacana”, “O segredo conhecido por todos”. Romances psicografados como “Nosso bar”, fotonovelas, todas as edições de “Kharas” e “Inimiga”, telenovelas mexicanas, revistas femininas com seus testes e dicas sempre tão preciosos e precisos – como saber se você tem bafo de hiena, como cozinhar receitas de chefs com horríveis sobras rançosas da semana retrasada -, periódicos sobre surfe, Reik, cromoterapia, cristalterapia, cropoterapia. “A dieta do biscoito de chocolate recheado e ketchup picante”, “A dieta do siri batido com Toddy”, vídeo-entrevistas com jogadores de futebol da 3ª divisão, um milhão de arquivos MP3 de funk, sertanejo, brega, axé e gangsta rap, todas as edições do BBB e d’A Fazenda em versão full-extended  6D HyperHD THX Dolby, debates da câmara dos vereadores de Bom Jesus do Mato Adentro do Norte durante a aprovação da nova Lei das Explicações Obrigatórias e em Termos Simples para Filmes e Livros Complicados, receitas de beleza das mulheres jenipapo e banana-pacovã.

O cérebro brilhava num tom ameaçador de vermelho, indicando sobrecarga neural, mas impiedosamente eu descarregava mais lixo. Só parei quando este atingiu temperatura crítica pré-fusão, logo após eu ter implantado toda a série “Prepúsculo”e “Lagartixas de clorofórmio”, os livros do feiticeiro Paulo Lebre e da incrível Zebra Capelleto.

Reimplantei minha criação na cabeça de Tobey e passei as duas semanas seguintes improvisando soluções para reparar seu corpo, ainda que precariamente.

***

Alfa Centauro B brilhava através da escotilha do laboratório naquela manhã. Respirei fundo e, com as mãos trêmulas de emoção, ativei meu velho amigo outra vez.

— Tobey! Que bom que você voltou! – exclamei ao notar seus olhos brilhando como outrora.

— Thobbeyey.

— Hã?

— Thobbeyey, T-H-X-E-Y-B-Ö-Ç. Numerologia, nem! Lance de karma, sacou? Pra fazer suça na vida tem que rolar umas treta das alta esfera! Bro, onde tem uma rádio neste muquifo?

— Rádio? Você quer escutar rádio? Pra quê?

— Tá aqui na minha programação: tenho que jogar xadrez contigo, dar a medicação obrigatória para os overadrenalinianos, fazer previsão do tempo, limpar, cozinhar e negociar ações no mercado. E tu quer que eu faça tudo isso sem nem escutá uma musiquinha? A escravidão já acabou, né nem? Qual o teu pobrema?

Problema! Fale direito, pelo amor de Deus!

— Ó só, vô te ensinar uma vez só porque sou maneiro: quando é de matemática, é poblema. Tipo, “Mariazinha tinha sete maçãs para repartir consigo e seus seis irmãos. Quantas azeitonas ganhou cada um, sabendo que Mariazinha era uma serial-killer fraticida?” Já quando é coisa pessoal, do íntimo da pessoa, do indivíduo enquanto gente, é pobrema. Tendeu?

— Sei. E se o seu problema pessoal for resolver um problema de matemática? – Provoquei.

— Ah, moleque! Aí não é pobrema, é treta das brabas! – ele disse, dando uma risada irritante e interminável, cuspindo perdigotos de óleo na minha cara enquanto alcançava um rádio antigo a partir duma pilha de quinquilharias.

Logo o aparelho começou a tocar num volume ensurdecedor um sucesso antigo, certo “Show das Superpoderosas”, do qual Tobey, digo, Thobbeyey, aparentemente conhecia a coreografia de cor.

Muni-me de toda a paciência do mundo. Com o tempo, eu tinha esperanças, conseguiria educar um pouco a criatura abominável que franksteinmente eu conseguira criar. Seria o preço a pagar por meu erro…

— Que tal uma partida de xadrez? – indaguei, pensando em pelo menos me vingar do meu antigo imbatível carrasco.

Levei-o para a sala de estar. Expliquei as regras, como as peças se moviam e deixei-o com as brancas. Mais que rapidamente ele moveu várias peças de forma aleatória, fazendo uma fila no meio do tabuleiro.

— Rei, dama, bispo, cavalo, torre, peão, peão… Sete do mesmo naipe! Canastra limpa! Bati! Iuhu, perdeu, prayboy! Nem comprou o morto. Miau! – e fez um gesto com a mão direita na minha cara. — Cara de gato!

— Mas, mas, mas…

— Pre-para, que é hora da tora, o show das superpoderosas… Que descem e refogam… Afrontam as horrorosas – ele comemorou com outra dancinha.

Gelei ao lembrar-me tardiamente que aquela anta robótica ainda tinha acesso para me representar no mercado de ações, e em tempo real.

— E minhas ações? Só espero que você não tenha tocado em minhas ações!

— Vixe, Saturno em tenso aspecto com turmalina e Iansã. I-Ching eclipsando Vênus porque é o Ano do Rato. Tu é de Gêmeos com ascendente em Maria Mulambo, né? Daí, já vendi todas as tuas ações pela metade do preço, porque joguei o Tarô digital três vezes pra ti e a primeira carta só deu o enforcado, sacou? Te livrei duma fria! Pode agradecer, gimme five! – disse, oferecendo a mão e a retirando malandramente a seguir.

Sorri, quase distendendo um músculo, enquanto dirigi-me à biblioteca com descrição.

— Você aceitaria um e-book novo como agradecimento por ter salvado minhas economias? Acho que tenho “Cinquenta milhões de tons de louro-cinza-médio”.

Quando retornei com minha velha “dois canos” engatilhada, o maldito robô desaparecera.

Virei-me e fui surpreendido por uma pancada na cabeça. Ainda pude escutá-lo antes de apagar:

— Teu horóscopo dizia que “Hoje você está propenso a atos de violência impensada”. Daí, nem, achei melhor me prevenir. Tô de olho em ti, mermão!

***

Já se passaram três meses desde que despertei esta segunda versão do Tobey. A próxima cápsula automática de reabastecimento, onde eu poderia tentar engaiolar o robô, ainda tardará uns seis meses para chegar da Terra. Estou indefeso, pois a máquina insana destruiu minha espingarda ao criar uma escultura grotesca que supostamente equilibraria o Feng Shui da estação. Já não tenho mais certeza se realmente consegui formatar seu cérebro original, como pensei. Se o robô louco, agora munido de todo conhecimento mundano de nossa raça, não resolveu vingar-se, inteligentemente me torturando com sua personalidade insuportável.

Desde então cada dia se arrastou; embalado pelo ribombar de sucessos remixados descerebrados e com refrãos colantes feito visgo de jaca;  por intermináveis programas de auditório; por bordões humorísticos de terceira categoria, repetidos ad nauseum; por criações culinárias descombinadas, como até a sua quase razoável receita de “compota de angu à baiana com jiló”.

Tudo suportei, tudo superei, incansável. Até mesmo consegui finalmente ensinar a máquina estúpida a jogar xadrez.

— “Quando você quer alguma coisa, todo o universo conspira para que você realize o seu desejo.” Xeque-mate, nem! Vixe, mas tu é burro mermo!

Um rápido passeio, do lado de fora da estação – sem capacete – tornou-se de repente uma visão rósea do Paraíso para mim…

————————————————-

Este conto foi escrito por Rubem Cabral. A publicação neste blog foi devidamente autorizada pelo autor.

10 comentários em “B.A. – Conto (Rubem Cabral)

  1. Felipe Falconeri
    28 de novembro de 2013

    Gostei Rubem! Bem divertido.

    A primeira parte, falando dos tipos de pessoas foi a que considerei melhor. Uma pegada bem nonsense, muito criativa e engraçada. A maneira como você inseriu esse trecho, como se pertencesse a uma espécie de enciclopédia, deixa bem evidente a reverência ao Douglas Adams. Só não curti muito o nome do livro e do autor, meio escrachado demais.

    Achei interessante a ideia da Burrice Artificial. Curiosamente, eu sempre uso esse termo para definir as IAs burras quando jogo videogame. Legal ver esse conceito sendo elevado aqui.

    De início achei meio sem sentido o cara criar um robô burro, a lógica diria pra ele ir atrás de um meio termo. Mas depois lembrei que ele é um overadrenaliniano, então se justifica, hehe.

    Durante a construção do robô – você gosta mesmo do cérebro positrônico, hein, rs – achei que o conto perdeu um pouco do ritmo. Foram muitas citações e uma parte delas muito datada. Creio que se você misturasse apenas duas ou três coisas, mais genéricas – mas que fossem bem escolhidas – manteria o ritmo mais dinâmico e poderia funcionar melhor como uma tirada humorística.

    Gostei da ideia do robô malucão. Ele é realmente MUITO irritante, mas aqui isso é até um elogio, rs. Só achei a piada do problema muito rasteira. Sei lá, não encaixou bem pra mim.

    No final deu até pena do cara. Nem mesmo um overadrenaliniano merecia um destino desses.

    E eu definitivamente sou um tchibumianos. 😀

    Muito bom o conto.

    P.S.: De fato, o cara teria que ser muito burro pra cair num xeque-pastor. Talvez até merecesse mesmo o destino que teve. xD

    • Rubem Cabral
      30 de novembro de 2013

      Então, Bruno, a primeira parte é também a minha favorita, tem um humor mais refinado, à la Douglas Adams. A lista interminável de bobagens baixadas no cérebro do robô já tem mais parentesco com um humor pastelão, sei lá, meio Zorra Total. Como eu sou meio idiota com coisas que considero engraçadas, acabo misturando alhos e bugalhos.

      O tal cérebro positrônico é só uma bobagem, homenagem ao Isaac Asimov. Ele mesmo apenas inventou a expressão pq o pósitron (uma antipartícula) fora recém-descoberta à época, e não pq houvesse nada de especial com o pósitron.

      Eu forcei a barra com xeque-pastor, pq não sou lá um jogador avançado de xadrez, do tipo que ainda sente o coração se acelerar ao fazer um “Roque”.

      Obrigadão por ter lido e comentado!

      Abraços.

      P.S.: Eu sou um molhapesiano.

  2. Rodrigues Araujo
    2 de outubro de 2013

    Rubem, muito engraçado esse conto. Lembra bastante o estilo do Douglas Adams. A mistura de todas as tosquices no mesmo robô acabaram por humanizá-lo. Me diverti demais lendo.

    • rubemcabral
      2 de outubro de 2013

      Rodrigues, pois é, eu me esforcei em imitar o estilo do Adams na abertura do conto, na citação do livro fictício, rs. Depois fui só juntando abobrinha convulsivamente. Acho que o conto daria um desenho animado divertido, no estilo do Looney Tones.

      Obrigado por ler e comentar! Grande abraço.

  3. Thata Pereira
    1 de outubro de 2013

    Excelente, Rubem!! Li e nem senti o conto acabando. Deveria ter deixado para um próximo desafio com o tema “Robôs”. Parabéns!!

    • rubemcabral
      2 de outubro de 2013

      Obrigado por ler e comentar, Thata. Ah, eu não sou de guardar textos… Toda vez escrevo algo novo. E sabe-se lá qdo teremos um concurso com tema de “robôs”, não? Depende do tema ganhar mais “likes”. 😀

  4. Ledi Spenassatto
    1 de outubro de 2013

    Dez! Extraordinário. Um dos melhores contos que li este ano.

    • rubemcabral
      1 de outubro de 2013

      Que exagero, Ledi. Muito obrigado por ler e comentar.

  5. selma
    1 de outubro de 2013

    sobre o portugues, muito bom. não posso criticar outros fatores porque sou leiga. A historia é interessante mas confusa. Vai desenrolando e se misturando, fica faltando alguma coisa.

    • rubemcabral
      1 de outubro de 2013

      Obrigado por ler e comentar, Selma. Eu não acho o conto confuso, mas sou suspeito… 😀

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Informação

Publicado às 30 de setembro de 2013 por em Contos Off-Desafio e marcado .