EntreContos

Detox Literário.

Despertar (Marcelo Porto)

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“Acordei há alguns dias… Ao despertar achei que continuava sonhando. Uma mulher maravilhosa me recepcionou de volta à vida. Os olhos grandes e castanhos contrastavam com a pele alva e o cabelo de um negrume profundo, que mesmo preso num rabo de cavalo, deixava uma franja emoldurar a face esguia e o queixo forte. Mas o ambiente opressivo me assustou, a enfermaria mal iluminada e os móveis desgastados me deixaram apavorado, as perguntas sem nexo e a tensão daquela linda mulher me deram ainda mais nos nervos, precisaram me dopar para que eu me acalmasse…”

Abro os olhos vagarosamente, sinto alivio por não estar mais naquele açougue disfarçado de enfermaria. O quarto também é mal iluminado, pelo menos estou banhado e vestido. A luminosidade da imensa janela gradeada revela o lusco-fusco.

Ela continua ao meu lado, a observo sem ser notado.

A franja insiste em lhe cobrir a vista, os dedos magros arrumam o cabelo por trás da orelha. Percebo um pequeno brinco dourado, talvez a única joia que usa, sem anéis nem gargantilhas. Os cabelos parecem que sugam toda luz do cômodo, o ato repetitivo de prendê-los na orelha e o leve tremor nas mãos revelam nervosismo, se não estivéssemos num quarto de hospital, ela estaria fumando, certamente.

– Por favor, me diga o que realmente está acontecendo. – ela se assusta, não esperava que eu estivesse desperto. – Não acredito passei 20 anos em coma! – noto um brilho no seu olhar, não é a surpresa, é algo mais profundo.

Da mesma forma que surgiu, o brilho some, consumido pelo abatimento da resposta muda.

Mudo a pergunta.

– Em que ano estamos?

– Em 2233… – ela responde praticamente sobre mim, prevendo a minha reação.

– 2233! – grito indignado. – O QUE VOCÊ ESTÁ ME DIZENDO?! – tento erguer-me, as escaras se abrindo interrompem a minha revolta.

Ela já me segurava os ombros. Mesmo sofrendo, consigo sentir o perfume leve e agradável, a posição em que ela se encontra me possibilita visualizar o colo alvo com os seios fartos e firmes. Sem notar a minha indiscrição, me força a deitar de lado para avaliar o curativo.

– Porque estão fazendo isso comigo? – pergunto por entre os dentes, sentindo o seu toque. – Você acha que acredito nesse absurdo?

A respiração dela revela o esforço para conter a própria aflição.

– Isso não pode estar acontecendo… Não pode ser verdade! – insisto.

– Sinto muito… – finalmente ela diz algo.

– Não faz sentido! – sinto o alivio provocado pelo tratamento das feridas. – Isso só pode ser uma brincadeira de mau gosto… A última coisa que me lembro aconteceu em 2013!

– O coma pode ter afetado a sua memória, em breve trataremos isso… – a angústia está impregnada na sua voz.

Ouço a porta se abrir. Viro-me dolorosamente e percebo espantado que a entrada é vigiada por dois seguranças. Um médico com aparentes 60 anos entra e se dirige para ela.

O rosto do velho doutor não me é estranho, talvez ele tenha me atendido quando despertei nas outras vezes. Evitando me olhar, ele conversa com a enfermeira, discutem sobre uma possível transferência e como isso poderia influenciar o meu estado de saúde.

– Que hospital é esse?! – interrompo o diálogo, incomodado com olhar esquisito do doutor.

– O senhor está no Hospital Aliança. – responde o médico, visivelmente desconfortável.

Esquadrinho o ambiente sem acreditar no que ouço. A sensação que tenho é que me encontro num hospital da segunda guerra mundial.

– Vocês estão loucos, isso aqui não chega aos pés do Aliança!

– Se controle, por favor… – a enfermeira me segura novamente, temendo outra explosão.

Sem conseguir disfarçar a inquietação, o médico ordena que me prepare. Ela hesita e pede mais tempo. Ignorando-me completamente, ele nega.

– Espera… Para onde ele vai?! Eu preciso conversar com ele! – protesto, enquanto o velho sai apressado.

– Calma, ele vai voltar… Agora preciso que se tranquilize. – o olhar terno e ao mesmo tempo firme me convence. Sinto meus nervos fisgarem, mesmo que tentasse, não conseguiria me mover um milímetro, a agonia é insuportável, as dores físicas não se comparam ao que sinto na alma. Minha cabeça dói, parece que travo uma batalha comigo mesmo.

– Seus músculos estão atrofiados, você ainda passará por um longo processo de reabilitação. – ela pousa as mãos no meu peito forçando-me a relaxar.

Ela inspira confiança. Não sei como, mas vejo seu rosto em imagens desconexas que vão e vêm, talvez resultado dos anos de delírio.

– Vou tira-lo dessa cama… – diz ela, percebendo o meu tormento.

Ela puxa uma cadeira de rodas e a posiciona rente a cama, se debruça e me pega pela nuca, sem dificuldade devido ao meu peso, me ergue até me colocar sentado. Ajudo apoiando os braços.

Tento disfarçar o intenso mal-estar, a coluna protesta e a cabeça gira vertiginosamente. Ela me sustenta com delicadeza.

– Respire… – seu sussurro é um facho de luz na escuridão.  – Te acompanho desde quando entrei para a equipe médica, tratei das suas feridas e exercitei os seus músculos praticamente todos os dias… Não tenha pressa, o despertar é lento.

Ela abraça o meu corpo magro, sinto sua a constituição firme. Me carrega com extremo cuidado para não reabrir as feridas e agilmente me coloca na cadeira.

Tento disfarçar as dores excruciantes.

– Quer retornar para a cama? – me pergunta solícita.

– Não! Eu consigo! – a dor aguda me faz ranger os dentes, fico imóvel por torturantes minutos, arfando, esperando a agonia passar. Ela continua ao meu lado.

– Não desista! Estou aqui… – sinto o hálito agradável, estou frente a frente com a mulher mais linda que já vi. Está anoitecendo e as sombras tornam seu o rosto ainda mais perfeito. – Estar sentado já um grande avanço… Logo você se habitua. – me diz ternamente.

Com as mãos cravadas nos braços da cadeira, me concentro na sua voz, com os olhos fechados me deixo dominar pelo perfume discreto e pelo leve cheiro de tabaco que sai da sua boca.

A porta é aberta novamente, e pela fresta, ela é convocada pelo médico com urgência.

– Se mantenha calmo, eu cuidarei de você… – ela me deixa só com a minha dor.

Tentando controlar o desconforto, observo as minhas coxas magras e os pés descarnados. Sinto-me um espírito em outro corpo. A carne flácida e as rugas cobrem meus braços e mãos. Toco meu rosto e sinto os vincos profundos na pele áspera, na cabeça e os parcos fios denunciam a calvície.

A amargura me abate.

Puxo o elástico da calça e avalio os meus genitais. Um constrangimento bizarro me invade. O pênis flácido, encolhido, quase que encoberto de pelos pubianos totalmente brancos faz o peso da idade despencar sobre mim.

Não consigo conter o pranto, deixo a cabeça pender e soluço deixando as lágrimas aflorarem. Sozinho, naquele quarto estranho, choro pela família que me abandonou, sofro pela vida que perdi.

Fico uma eternidade remoendo a mágoa, observando a noite chegar pela janela escancarada.

Devo estar num manicômio, é a única explicação plausível. Devo ter tido uma crise de estresse e ter sido internado. A enfermeira também deve ser uma paciente. Na verdade, pelo que vi até agora, todos são pacientes. Estou rodeado de loucos.

A angústia corrói meu o peito.

Visualizo os três metros que me separa da janela. Como numa maratona, enfrento o suplício de empurrar roda a roda, centímetro a centímetro, até que alcanço a grade enferrujada.

A perplexidade me faz perder o fôlego.

Os últimos raios de sol tornam as ruínas à minha frente ainda mais tenebrosas. Reconheço o relevo, à minha frente, na encosta, ficava um dos bairros mais nobres da cidade, agora só devastação. No vale abaixo, ainda percebo o traçado da avenida que passava ali, mas nem sinal de carros ou de iluminação pública, alguns tocheiros iluminam parcamente uma trilha que sobe para o hospital, rodeado de vegetação seca e desolação.

Perscruto o horizonte e confirmo. Estou realmente onde deveria estar o Hospital Aliança, que agora se assemelha a uma grande penitenciária, com muros altos, cercados de arame farpado e concertina.

Antes que assimilasse o golpe, minha atenção é despertada pela entrada abrupta de um estranho grupo; o velho médico, acompanhado de um homem corpulento, certamente militar, com um tapa-olho na vista direita, várias patentes nos ombros largos e no peito; a enfermeira e mais dois seguranças.

– Nunca perdemos a esperança de que o senhor acordaria! – anunciou o militar, com a feição congelada, levando ao olho esquerdo um monóculo preso a um botão do uniforme.

Não consigo fazer a cadeira girar. A enfermeira corre em meu auxilio, não sem antes trocarmos um discreto olhar, onde ela demonstra surpresa por me encontrar no beiral da janela.

A postura do militar é, ao mesmo tempo, intimidante e ridícula. Ele se encontra pronto para uma guerra, a farda impecável em tons de bronze, chacoalhada insígnias, mais o quepe imenso enterrado na cabeça lhe conferem um ar de oficial da Gestapo.

Tentando controlar o espanto, o encaro esperando uma explicação.

– Nunca perdemos a esperança de que o engenheiro acordaria! – repetiu o militar, observando-me com atenção, através do monóculo.

– Mais um louco… – não resisto.

Ele finge não perceber e continua: – Ricardo Vieira, engenheiro da computação, mestre em tecnologia da informação, dentre outros muitos títulos… – ao ouvir o meu nome me sinto esquisito, essa é primeira vez que alguém o pronuncia. O reconheço, mas não me sinto à vontade, é como se tivesse sido batizado neste momento.

Os olhares incisivos denunciam uma análise minuciosa das minhas reações, a testa do médico brilha na parca iluminação, apesar do clima ameno.

– O que está acontecendo aqui?! – pergunto irritado.

– O senhor não deve se exaltar… – o velho médico se aproxima.

– Pare! – interrompo-o. – Basta, eu quero respostas!

O silencio se abate sobre o grupo, com o monóculo preso no olho bom, o comandante me observa atentamente, os outros aguardam a sua reação.

– O senhor sofreu um acidente há muito tempo… – a voz do militar é propositalmente pausada. – Depois da sua internação, uma onda de protestos começou a se espalhar pelo país e a população percebeu que poderia forçar o Governo a atender as suas reivindicações… – a sensação de se estar de frente a um personagem de comédia se esvai à medida em que reparo as cicatrizes que saem do olho ferido, como raízes se espalhando pela face dura e sombria. – Inicialmente a sociedade apoiou integralmente o movimento, mas logo os protestos se tornaram violentos e as reivindicações se voltaram contra a metodologia de ensino público…

– E o que isso tem haver comigo?! – percebo que o comandante não está acostumado a interrupções.

– Tudo! – afirmou me causando arrepios. – Por conta da alta tecnologia e da facilidade em resolver problemas via informática, os jovens questionaram o ensino nas escolas e nas universidades… – percebi o olhar enviesado da enfermeira.

– Os professores aderiram ao movimento, pleiteando a diminuição das cargas horárias e a alteração das grades curriculares… – o homem fez uma pausa proposital, me observando acintosamente através da lente refletiva do monóculo. – Sob o argumento de que os softwares já substituíam grande parte do esforço de aprendizado, conseguiram mexer na estrutura de ensino. Rapidamente os tutoriais e manuais virtuais dominaram o ensino e praticamente tudo era encontrado nos buscadores. Aos poucos os programas especialistas substituíam os professores…

Cada vez mais convencido de estar num sanatório, me controlo para ver até onde vai este teatro surreal.

– As universidades começaram a fechar por falta de demanda… – continuou o comandante. – A chamada geração Z foi a primeira a não ver necessidade em se formar num curso formal, os softwares dominaram todo o trabalho técnico. Em cinquenta anos já não existiam cursos de engenharia, matemática ou física. Praticamente todos os cursos de exatas foram considerados obsoletos…

– E os formandos antes disso?! – pergunto, sem disfarçar a irritação com o anacronismo latente do discurso.

– Começaram a valer o seu peso em ouro… – senti novamente o olhar da enfermeira. – Se tornaram um grupo fechado, que só compartilhavam o conhecimento entre eles. – a voz do comandante se tornou mais incisiva. – Num mundo composto quase que exclusivamente por usuários, se tornaram os únicos com capacidade para manter a infraestrutura funcionando.

– Que infraestrutura?! – aponto para a janela.

– O modelo não se sustentou. – o comandante retira o monóculo e me encara sério. – Sem novos técnicos, as instituições de ensino foram desativadas e a internet começou a sucumbir ante a falta de manutenção, deixando cada vez mais gente sem acesso a informação. Em 200 anos voltamos à era pré-industrial!

– O senhor está me dizendo que a falta técnicos fez a sociedade regredir?! – não poupei a ironia.

– Sim. – confirmou, recolocando o monóculo.

– Vocês são loucos! – não resisti. – Vocês esperam que eu acredite nessa baboseira?! Como o senhor explica o eu estar vivo depois desses duzentos anos?! – um lampejo de desconforto perpassou a face do militar, percebi a piscada nervosa através da lente. A máscara de serenidade foi abalada, o desconforto se tornou perceptível.

Senti uma pontada nas feridas, ao me voltar para protestar, fui fulminado com um olhar de repreensão, junto com o deslocamento brusco da cadeira para longe da janela.

O prédio foi sacudido por uma grande explosão.

Do lado de fora subiram faíscas e destroços, em seguida a fumaça negra invadiu o quarto.

– VIERAM ATRÁS DELE! TIREM-NO DAQUI, PROTEJAM O ENGENHEIRO COM AS SUAS VIDAS! – o grito do comandante ecoou no ambiente.

Antes que os guardas me alcançassem, a enfermeira se antecipou e me empurrou ao encontro deles. – Eu o levo! – disse, me colocando entre os dois brutamontes. – Não podemos interromper o tratamento, vamos! – Os guardas se entreolharam surpresos, enquanto ela tomava a frente em direção à saída do quarto. Ainda pude visualizar o comandante correndo na direção contrária distribuindo ordens, acompanhado do velho doutor.

O corredor fazia um “T” a alguns metros. As luminárias piscando e faltando lâmpadas tornavam o ambiente mais opressivo, o ruído de tiros aumentava a sensação de urgência. Dobramos à esquerda rapidamente e me vi a uns vinte metros de um elevador antigo. Apressadamente, a enfermeira nos colocou na liderança do grupo.

Senti a cadeira brecar, em seguida ouvi um baque surdo.

Com dificuldade virei a cabeça e a vi no chão, atrás de mim. Aparentemente ela havia tropeçado.

Quando um dos guardas tentou ajuda-la, senti minhas tripas revirarem. Ela sacou uma pistola e atirou duas vezes contra o homem. Antes que segundo esboçasse qualquer reação, foi alvejado na cabeça, desabando sem vida.

Ela revistou os dois rapidamente e levantou-se com um molho de chaves numa das mãos. Sem conseguir me mover, a vi se aproximar com a arma em punho e uma postura extremamente agressiva.

Esperei o mesmo destino dos militares.

Ela guardou a pistola, pegou a cadeira e o me empurrou apressadamente na direção do elevador.

– O QUE ESTÁ ACONTECENDO?! – gritei com o coração disparado.

– Estou te resgatando!

Olhei para cima e vi a sua face transformada, o queixo forte delineava a postura altiva e decidida.

– POR QUÊ?!

– Porque aqui não é um lugar seguro! – chegamos ao elevador, ela o destravou e acionou o botão.

O barulho de tiros se aproximava cada vez mais, o ambiente vazio ampliava o terror, parecia que a qualquer momento surgiria um exercito na bifurcação do corredor. Ela empunhava a arma, aguardando os oponentes.

– QUE PORRA ESTÁ ACONTECENDO AQUI?! – bradei desesperado.

A porta do elevador se abriu atrás de nós. Em silêncio, a mulher me puxou para dentro e apertou o G2 no painel desgastado.

A porta fechou, criando um breve momento de paz.

– O que está acontecendo?! – insisti, tentando recobrar o controle.

– Você é meu pai! – ela desabafou. – E eu estou te tirando das mãos do Governo, que te mantinha prisioneiro! – fiquei sem palavras.

– Mas eu não tenho uma filha… – respondi automaticamente, buscando na minha mente algo que justificasse tal insensatez.

– Tem sim, você ainda não lembra… – as suas feições se tornaram mais leves. – Você não se recorda porque foi voluntário para o implante das memórias dos engenheiros… – lágrimas começaram a brotar nos seus olhos. – A chance de dar certo era mínima! – O elevador descia devagar, rangendo nas ferragens e piscando as luzes. – Os antigos engenheiros transferiam o conhecimento através de máquinas, diretamente para o cérebro dos escolhidos. Com a perseguição, todas as máquinas foram destruídas e as memórias perdidas para sempre… Há vinte anos encontramos o protótipo junto com a memória do engenheiro que o construiu, era a nossa única chance de recuperar o conhecimento e lutar contra a ditadura que usa a ignorância do povo para se eternizar. Você se ofereceu como cobaia…

– Você quer que eu acredite que a minha mente é implantada?!

– Sim… – respondeu séria. – Você tem a mente do engenheiro mais brilhante do século XXI!

– Isso é loucura! Não me lembro de nada disso, sei apenas que tinha 33 anos e estava em 2013!

– Essa é a idade que você tinha quando fizeram o procedimento. – ela me segurou pelos ombros. – E 2013 é o ano em que o inventor gravou as suas memórias no dispositivo. As suas mentes estão fundidas, deve levar um tempo para o seu cérebro se ajustar e ainda não sabemos os efeitos disso na sua cabeça. Mas você está com a memória do engenheiro! – afirmou – Foi isso que o comandante quis conferir com toda aquela ladainha!

A porta do elevador se abriu e o inferno entrou.

O fedor de pólvora impregnou a cabine, a gritaria de homens desesperados e o barulho de tiros e explosões impediram qualquer tentativa de conversação.

A enfermeira sacou a pistola e se posicionou defendendo-me com o próprio corpo. Ela saiu na frente e averiguou os arredores. Profundamente abalado tentei ver através da penumbra, só consegui ouvir gritos e enxergar a fumaça preta dominar a garagem ampla.

Rapidamente ela se virou e me retirou do elevador. Com a sensação desagradável de impotência, fui sendo conduzido rente à parede na direção da saída lateral. O barulho do lado de fora se tornava cada vez mais aterrorizante.

– PAREM! – a voz conhecida ecoou, me fazendo arrepiar. – PAREM IMEDIATAMENTE!

A enfermeira me virou bruscamente, pondo a cadeira de rodas entre ela e o grupo fortemente armado que se aproximava liderado pelo comandante, acompanhado pelo velho médico.

– FIQUEM ONDE ESTÃO! – me assustei com grito da mulher às minhas costas. – PAREM OU EU ESTOURO A CABEÇA DELE! – senti o cano quente encostar na minha têmpora direita.

Imediatamente o grupo parou.

– Você está louca?! – protestei.

– Calma… – sussurrou ela, com o rosto colado na minha cabeça. – Você é importante demais, confie em mim!

– VOCÊ NÃO TEM NENHUMA CHANCE DE ESCAPAR! – gritou o comandante. – SOLTE-O QUE EU PROMETO UM JULGAMENTO JUSTO!

– EU CONHEÇO A SUA JUSTIÇA! – retorquiu a mulher.

– VOCÊ SABE QUE NUNCA SAIRÁ DAQUI COM ELE, DEIXE-O CONOSCO QUE EU DEIXO VOCÊ IR!

– SE EU SAIR, ELE TAMBÉM SAI! – senti a pressão do cano. – Eles precisam de você, tanto quanto nós… – sussurrou novamente, tentando me acalmar.

– VOCÊ NÃO TEM CHANCE MULHER, DEIXE O ENGENHEIRO… EU TE PROMETO QUE NÃO FAREI NADA CONTRA VOCÊ!

– NUNCA! ELE NUNCA SERÁ SEU!

– ENTÃO ELE NÃO SERÁ DE NINGUÉM! – vi a morte no semblante do militar. Através da lente do monóculo, ele travou a mira. Antes que esboçasse qualquer reação, ouvi o estampido e senti o ardor seguido da dor intensa no ombro esquerdo.

Fui baleado.

Quando ouvi o segundo tiro, o corpo da enfermeira já havia se interposto entre mim e o comandante, que disparou mais duas vezes.

O impacto dos projeteis a fez girar o corpo e cair de joelhos, à minha frente. Num ultimo esforço, ela se apoiou nas minhas coxas e me encarou arruinada, desabando sem vida na poça de sangue.

Senti o coração apertar. Uma tristeza profunda inundou o meu peito, quando em algum ponto da minha mente brotou a lembrança de um bebê nos meus braços.

Profundamente abatido, voltei a encarar o assassino, que ainda empunhava a arma fumegante apontada para mim. Quando o velho médico avançou e cravou um bisturi no pescoço do comandante, rasgando a sua garganta violentamente.

Enquanto o líder agonizava com a hemorragia mortal, o doutor ainda tentou me alcançar, mas foi fuzilado impiedosamente.

Perplexo, me encontrava totalmente impotente diante daquele circo de horrores, quando repentinamente uma desordem irrompeu atrás de mim. Disparos e gritos ecoaram pela garagem, sem conseguir me mover, vi os militares sendo abatidos por homens e mulheres que invadiam ruidosamente o lugar.

Em meio a gritaria, me apavorei com o tranco da cadeira de rodas sendo puxada para trás. Sem forças para reagir, levantei a cabeça e observei que estava sendo conduzido por uma mulher grisalha, de feições fortes e decididas, ladeada por cinco pessoas armadas até os dentes.

Por entre a fumaça e o odor de morte, recebi um sorriso terno, da que parecia ser a líder da ação.

– Eu vou cuidar de você… – ouço por entre a confusão. – Agora é por minha conta! – no momento em que ela voltou a olhar para frente, tive a impressão ter visto os olhos marejados.

As feições rígidas não escondem a profunda tristeza que a abate. Em meio ao caos, consigo identificar nela o mesmo queixo da enfermeira que salvou a minha vida.

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29 comentários em “Despertar (Marcelo Porto)

  1. Pedro Luna Coelho Façanha
    4 de dezembro de 2013

    Não tem Noir, mas achei bem criativo. Achei aflitivo a situação do coitado, gritando por respostas. Você teve uma boa ideia, malucona mesmo, e aprecio isso, mas li como um conto alternativo ao desafio. Bom conto. Abração 🙂

  2. Rodrigo Sena Magalhaes
    29 de novembro de 2013

    Concordo com as outras opiniões do “déjà-vu” e tbm que o conto não se encaixa no tema. Ponto. Mas isso não tira a beleza da narrativa. Quem escreveu sabe escrever. Sabe conduzir a história, sim, o final ficou meio corrido, mas um desafio com limite de palavras complica muito a vida de quem gosta dos detalhes, das “viagens” literárias. Gostei.

  3. Felipe Falconeri
    23 de novembro de 2013

    O argumento para a construção da distopia não faz sentido. Logo no começo fica muito evidente o tanto que o conhecimento fará falta, num momento em que ainda era possível retomá-lo.

    Achei o final muito corrido. É tiro pra todo lado – inclusive o protagonista leva um, mas parece não ter havido qualquer consequência disso – gente aparecendo de todo canto… Ficou confuso. Não dá nem pra entender exatamente quem são aquelas pessoas que levam o cara no final.

    O texto é até bem escrito na parte narrada. Mas nos diálogos o nível cai sensivelmente. Talvez esse seja o ponto em que você precise trabalhar mais.

    No fim das contas, achei fraco. Mas não um desastre. E também não se encaixa no tema.

  4. Andrey Coutinho
    23 de novembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    Trama mirabolante e criativa, uma distopia interessante a ser explorada.

    SUGESTÕES

    Revisão, revisão e revisão. A ideia também parece maior que o próprio conto. Certamente seria melhor aumentar um pouco o tamanho, adicionando mais descrições e distribuindo melhor as revelações, para não ficar a sensação de texto extremamente expositivo. Seria interessante também tornar o protagonista mais ativo. Tudo bem que ele está acordando de um coma, mas a completa passividade frente à história gera um efeito de afastamento duplo: o leitor é mero espectador do personagem sendo mero espectador da ação sobre a qual quase nada entende. Um aprofundamento no psicológico do personagem durante a ação talvez fosse suficiente para remediar essa dupla barreira (ao menos colocaria o leitor mais na pele do personagem).

    TRECHO FAVORITO

    “A franja insiste em lhe cobrir a vista, os dedos magros arrumam o cabelo por trás da orelha. Percebo um pequeno brinco dourado, talvez a única joia que usa, sem anéis nem gargantilhas. “

  5. Gunther Schmidt de Miranda
    19 de novembro de 2013

    Muito vago, tosco…

  6. rubemcabral
    19 de novembro de 2013

    Gostei da história, embora não tenha entendido como que o autodidatismo matou uma geração de engenheiros e tudo mais. Enxerguei alguns elementos de noir, mas foram bem poucos.

  7. Sérgio Ferrari
    18 de novembro de 2013

    hehehehe é verdade, parece muito um conto de outubro reajustado para novembro. A história é legal. Mas foi um chute em que a bola saiu tão fora do estádio que anulou toda a gravidade, saindo da orbita terrestre e subindo, subindo, subindo….

  8. aafjunior
    16 de novembro de 2013

    Realmente, enquanto estava lendo o conto fiquei com medo de estar no desafio do mês passado. Mas acho que isso não tirou o crédito, apesar do autor não conseguir apresentar elementos convincentes do universo noir. Gostei de alguns pontos do conto, onde o autor cria um ponto de vista futurístico nunca visto, mas em compensação, como o Gustavo disse, é possível perceber um certo “clichê” no começo do conto e também alguns pontos sem argumentos significativos. De resto, é um ótimo conto.

  9. Agenor Batista Jr.
    13 de novembro de 2013

    Apesar dos problemas com a língua, o autor teve uma ideia boa a ser desenvolvida para o tema do Desafio. Ao fincar estacas no excesso de diálogos e partir para uma vertente de Ficção Científica, perdeu-se. Mas tudo isso não invalida a vontade que o escrevinhador teve ao se avistar de bem com um texto mais para um “trhiller” leve do que para o tema proposto. Continue a escrever. Sempre! Assim se aprimoram os que realmente gostam de literatura.

  10. Fernando Abreu
    12 de novembro de 2013

    É um conto que nos deixa curioso, querendo saber o que está acontecendo. Por isso, vamos descendo linha a linha como descobre uma novidade no jornal. No entanto, achei a carga informativa muito forte nos diálogos, o que poderia ser resolvido com pistas nas descrições iniciais. A ação foi bem conduzida, um ponto forte do texto. No mais, o noir não está aí, nenhum elemento, sequer.

  11. vitorts
    11 de novembro de 2013

    Muito criativo. Adorei esse universo e a imagem do Engenheiro. Já o argumento para a distopia, achei fraco.

    Como já disseram, o noir ficou escondido por trás da FC, e essa ofuscou o outro. Mas ainda assim, apreciei um bocado o conto.

    Boa sorte no desafio!

  12. Masaki
    10 de novembro de 2013

    Conto que me lembra à Isaac Asimov ou Arthur C. Clarke. Fã do gênero Ficção Científica que sou tomei como uma leitura prazerosa. Sempre que leio sobre viagens no tempo ponho a pensar sobre um vasto mundo de possibilidades, possibilidades estas desde a apresentada neste texto até infinitos absurdos para quem não está acostumado com este tipo de leitura. Contudo, notei que há algumas pontas soltas no texto. A trama não se encaixa em determinadas passagens. Existe também o uso “forçado” de alguns elementos, o fumo, para enquadrar dentro do estilo Noir. Algumas vírgulas soltas e falta de acentuação em determinadas palavras também se apresentam… nada que uma revisão resolva. Parabéns! Peço que continue a explorar este estilo. Considero-o como o pai dos demais.

  13. Leandro B.
    8 de novembro de 2013

    Muito, muito criativo. Muita ideia boa para ser retrabalhada.
    Infelizmente não consegui ler como Noir.

    Já apontaram alguns erros bobos no texto e outros que mereciam um pouco mais de pesquisa. No geral, foi claramente a falta de revisão que atrapalhou, afinal, a maior parte dos erros são de digitação mesmo.

    Coisas que me incomodou na história em si e acho que merecem ser refletidas: O que a Bia apontou sobre a coma, a seriedade com que o paciente ouve a notícia de que está duzentos anos no futuro, digo, você levaria isso a sério?

    Achei também o início da distopia um pouco contraditória. Se a tecnologia da informação dispôs a tecnologia para todos e se houve um relativo sucesso no autodidatismo, não deveria faltar tecnicos, mas sim aumentar sua oferta. Deveria haver, inclusive, um maior número de pessoas com conhecimentos em engenharia. Acho que essa parte deve ser revista e, se o autor(a) insistir nessa direção, deve dedicar um tempo a mais construindo-a.

    A ideia de transferir o pensamento foi muito boa.

    Bom conto e boa sorte.

  14. piscies
    8 de novembro de 2013

    Que isso, a história é muito boa! Imaginação dez! Gostei demais do enredo e da visão diferente do personagem principal, que só consegue ser um observador passivo. Ótima Ficção Científica…

    … mas o desafio não é de ficção científica, não é? Rs rs rs. Não vi muito Noir não… nem a enfermeira, que eu achei que faria um papel de Femme Fatale, foi assim tão “Fatale”…

    Alguns erros bobos de escrita que podem ser facilmente acertados com revisões (eu falo no plural por que você deve ler o seu texto mais de uma vez após escrevê-lo para notar estes erros). Problemas no tempo da narrativa e na coerência, mas nada de muito grave. A história me prendeu e o seu estilo tem muito potencial mesmo. Gostei demais!

  15. Marcellus
    7 de novembro de 2013

    O desafio deste mês é, certamente, muito mais difícil que o anterior. E, por isso, mais interessante, no sentido de nos tirar da zona de conforto.

    Que o texto seja uma adaptação, não há problema algum. Mas carece de alguma revisão e uma reforma mais profunda para se adequar ao tema.

    Mas como FC é um bom texto, com muito futuro. Parabéns!

  16. Ricardo Gnecco Falco
    7 de novembro de 2013

    A impressão que fiquei foi que o autor não conseguiu terminar em tempo o conto para o Desafio de outubro e, já sentindo “no ar” os primeiros raios de novembro, tentou dar uma maquiada no que já tinha escrito e despachou para cá seu trabalho para ver no que iria dar! (rs!)
    Nada contra. O que importa é a criação literária feita pelo autor em busca do aprimoramento de sua escrita.
    … Justíssimo! 😉
    Tirando exatamente esta vã tentativa de adequação de gênero, bem percebida logo (e somente) no início do texto, gostei da ideia e do desenvolvimento dado pelo autor desta interessante história de ficção científica, mesmo não sendo este meu estilo preferido. Com alguns dos erros já citados pelos colegas, como forma de aprimoramento dos pontos fracos encontrados poderia sugerir um menor uso de expressões de impacto que acabam por causar impacto, mas na direção oposta ao certamente desejado pelos escritores: quebram o sentimento de imersão na obra. Como exemplo, posso deixar:
    “A porta do elevador se abriu e o inferno entrou.”
    Menos, às vezes, é mais.
    🙂
    #ficadica! (sempre respeitosa!)

  17. Bia Machado
    6 de novembro de 2013

    Gostei no geral, tirando as falhas de mudança temporal, de uso de alguns verbos (haver…) e de não entender como, no início, o cara pergunta do nada como ficou em coma por 20 anos (como ele podia saber exatamente o tempo?), pensei que tivesse perdido alguma coisa, mas acho que não… Também acho que o noir se restringe ao comecinho, e o final ficou interessante, mas pode ser trabalhado um pouco mais, a meu ver. Parabéns!

  18. dibenedetto
    6 de novembro de 2013

    Essa visão de futuro distópico é bem legal, mas além de uns errinhos bobos (como mudança de tempo verbal) , tive problema com os diálogos, que precisam melhorar bastante. Muito uso de caps lock, pontos de exclamação e algumas incoerências mesmo de maneira geral (Ex:”Não acredito passei 20 anos em coma!” Como o personagem poderia achar que passou esse tempo em coma, se tinha acabado de acordar?)

    É um comentário mala, mas sincero. 😉

    Continue escrevendo. Abraço.

  19. Alana das Fadas
    6 de novembro de 2013

    Gostei do conto, só achei que exagerou um pouco nos diálogos, mas é uma questão de gosto particular, já que não me agrada. Questão de estilo de leitor, pois eu, como leitora, considero que fica cansativo em um conto diálogos incessantes. Quanto ao português também, pecou em alguns momentos.
    Mas de qualquer forma, é um bom texto, uma ótima ficção científica! Dá pra desenvolver em algo maior, um romance. Parabéns!!!!!!!!!

  20. Frank
    6 de novembro de 2013

    De todos, até o presente, esse me parece o conto que mais tentou adequar os elementos do noir. Se pensarmos no cimema Noir a coisa fica mais fácil, pois é visual, portanto, traduzir isso em “letras” não é coisa simples. Por isso que muitas vezes o autor(a) fica enfatizando elementos do noir (escuridão, o cigarro não fumado e por aí vai. E às vezes isso quebra um pouco a realidade do conto). Tive essa identificação, pois minha participação desse mês é uma tentativa de adaptação de um conto antigo para o noir e vislumbro que terei essa mesma dificuldade para criar o clima. Achei interessante um contexto causado pela onda de ensino à distância (sou professor e nunca tinha pensado nisso, mas tenho colegas que certamente veriam a manifestação de seus medos no conto…rs). O fato de ser ficção científica me faz dar um bônus ao conto! Não tem jeito, gosto é gosto. Parabéns.

  21. selma
    6 de novembro de 2013

    interessante. parabens.

  22. Thata Pereira
    6 de novembro de 2013

    Acredito que muitas pessoas irão “adequar” o Noir ao que elas costumam escrever nesse desafio. No meu ponto de vista, foi isso que o(a) autor(a) tentou fazer. Se obteve exito? Não sei, pois prefiro o Noir como ele é.

    Apesar disso, gostei muito do conto. Fiquei me perguntando se um dia chegaremos nesse ponto. Isso é uma coisa que vivo me questionando. A frase destacada pelo André Lima foi um tiro no meu coração (rs’) mas eu sempre deixo algo passar na revisão também. Precisamos tomar mais cuidado.

    Gostei muito do conto!

  23. André Lima dos Santos
    6 de novembro de 2013

    Bom… O conto realmente precisava ser revisado antes de postar, há vários erros de digitação e de português. Destaco:
    “– E o que isso tem haver comigo?!”

    Enfim, outra coisa que notei foi que no início do texto você conta uma história e começa a narrar no presente. Achei isso bem estranho, mas ao mesmo tempo curioso. Até que do nada você começa a narrar no passado. Isso me decepcionou.

    Mas achei a ideia do texto bem interessante, no fim de tudo deu um bom conto. Tenha mais calma e paciência da próxima vez, revise bem, rasgue papéis, reescreva parágrafos, mande para alguém avaliar… Enfim, tenha atenção com os elementos básicos como o tempo verbal da narrativa.

    Mas, no fim gostei bastante da ideia, parabéns.

    • Valentina
      6 de novembro de 2013

      É André, o “haver” foi de morte mesmo.

      Parafraseando a critica do Gustavo, precisamos vencer a vontade de postar o conto e revisa-lo até a exaustão.

      Obrigado

  24. Jefferson Lemos
    5 de novembro de 2013

    Achei o texto bem bacana. Os elementos e a história prendem o leitor, e a escrita clara deixa a leitura mais saborosa. Só não consegui encontrar relação com o tema noir. Para mim, ficou parecendo um sci-fi.
    De qualquer forma, é um ótimo conto. Parabéns ao autor!

  25. Gustavo Araujo
    5 de novembro de 2013

    A premissa é das mais interessantes, apesar da sensação de já a termos visto em algum lugar: o sujeito que desperta, sem memórias, em um lugar desconhecido, em outro tempo. O diferencial é essa coisa de ele ser, ao mesmo tempo, detentor do conhecimento que pode salvar a humanidade, o fiel da balança entre grupos antagônicos. Como disse o Charles, uma distopia bem interessante.

    Também não vislumbrei elementos do noir, mas isso não tornou a história menos interessante – apenas inadequada, a meu ver, como leitor, com o tema do mês. Gostei da movimentação, da perseguição, enfim, da angústia do protagonista por saber, afinal, quem era, de onde vinha.

    Como pontos a serem melhorados, creio que o autor precisa vencer a vontade de postar o conto de uma vez. Um pouco mais de pesquisa poderia ser benéfico, como no momento em que compara o militar a um oficial da Gestapo por estar usando quepe. Oficiais da Gestapo – a polícia secreta nazista – andavam sempre à paisana, jamais fardados. O uniforme cabia à SS ou às Forças Aramadas.

    Na mesma linha o fato do militar do conto estar “chacoalhado de patentes” também me pareceu errado. Poderia ser “coalhado”, já que “chacoalhado” significa “sacudido” ou algo assim. De todo modo, não poderia ser coalhado de “patentes”, porque os militares têm uma só patente: ou é sargento, ou é tenente, ou é capitão, ou é major, e assim por diante. O personagem da trama só poderia ser uma coisa, não várias. Então, a meu ver, a expressão ficaria melhor se dissesse que “o militar estava coalhado de estrelas (ou de divisas).”

    De todo modo, um bom conto que cumpre bem a missão de entreter, sem deixar-se sucumbir à armadilha que o final oferece.

    • Valentina
      6 de novembro de 2013

      Essa impaciência em postar o conto é que mata a gente. Mas fica o aprendizado.

  26. claudia roberta angst CRAngst
    5 de novembro de 2013

    Comecei a ler e um pouco depois me perguntei se esse conto não pertencia ao desafio anterior – viagem no tempo. Achei interessante, mas não sou realmente fã de ficção científica. Concordo com Charles quando diz que apenas o começo tem uma atmosfera noir. Boa sorte.

  27. charlesdias
    5 de novembro de 2013

    Um conto de distopia bem interessante, mas que precisa ser refinado. O problema é que apenas o início tem um visual noir … depois vira ficção científica e estaria em consonância com o tema do desafio de outubro.

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Publicado às 5 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .