EntreContos

Detox Literário.

Apenas um peão num jogo sujo (Charles Dias)

film_noirEra mais uma daquelas tardes modorrentas de verão em Los Angeles, quando o dia no escritório se resumia a longos cochilos na poltrona ao som dos programas de rádio e do velho ventilador. Aquele definitivamente não estava sendo um ano bom para os negócios. Se não fossem algumas investigações de adultério e cobranças de dívidas, eu não teria como pagar o aluguel do pequeno escritório no decrépito prédio do centro e do quarto de hotel em que morava.

No final da tarde, lavava o rosto no minúsculo banheiro quando ouvi a sineta da porta sendo aberta. Torci para que fosse um caso pelo qual pudesse cobrar uma boa grana.

No escritório um homem de meia-idade vestindo um terno verde de quinhentos dólares estava sentado na minha poltrona. Junto da porta estavam dois gorilas com cara de poucos amigos. Os ternos escuros e o amontoado das pistolas debaixo dos braços deixavam claro que não estavam ali para brincadeira.

Eddie Vega, detetive particular, suponho — disse o homem, cruzando os pés sobre a velha mesa para deixar claro quem estava dando as ordens.

Isso mesmo. A quem devo a honra? — perguntei, preocupado porque não conseguiria alcançar a tempo meu revólver na gaveta do arquivo caso precisasse.

Sou Tony Spachio. Estou aqui para contratá-lo, senhor Vega.

Quem não tinha ouvido falar de Tony Spachio, o chefão mafioso da região norte com fama de pavio curto?

E como posso ajudá-lo? — indaguei, tentando parecer mais relaxado. — Aceita uma bebida?

Não creio que você tenha aqui um bom uísque 21 anos, então é melhor não arriscar — respondeu o mafioso, sem se preocupar em medir as palavras. — Soube que você já resolveu um caso no Rio de Janeiro.

Sim, já. O sócio de um cliente roubou alguns milhares de dólares da empresa e fugiu com uma corista. Encontrei os dois e recuperei o que sobrou do dinheiro — expliquei, me lembrando com orgulho do caso mais famoso que já resolvi e que até mereceu uma nota na seção policial do Herald.

Então você é o homem certo para voltar lá e recuperar algo que me pertence. Uma vagabunda chamada Lauren me roubou e fugiu para o Rio de Janeiro achando que eu não descobriria para onde foi — disse Spachio, com desgosto.

Posso tentar recuperar o que ela roubou, mas não estou no ramo de assassinatos. — Preferi deixar isso claro, mesmo sem saber como o mafioso reagiria.

Não quero que apague a garota, apenas que recupere o que ela roubou. Para fazer o serviço sujo, tenho gente mais capacitada que você — retrucou Tony Spachi, sorrindo.

Vai custar cem dólares por dia mais as despesas. — Dei logo o preço, animado pela perspectiva da grana que receberia.

A viagem para o Rio de Janeiro foi demorada e cansativa. Quando finalmente cheguei ao quarto do hotel, tomei um uísque duplo, me joguei na cama e apaguei por umas dez horas. Quando acordei, já era final da tarde. Tomei uma ducha, me vesti e liguei para o taxista que me atendera no caso anterior e tinha sido muito útil.

Eddie, bem-vindo de volta ao Rio de Janeiro! — O homem moreno como um cubano me cumprimentou com um sorriso largo.

Olá, Fred. Quem disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar? — brinquei, entrando no Ford Mercury.

Dessa vez veio de férias? — perguntou, observando-me pelo retrovisor.

Voltei a trabalho. Preciso de sua ajuda para encontrar alguém e também de um arma. — Eu sabia que podia confiar nele.

O que precisar. Para onde vamos primeiro?

A um bom restaurante — respondi, acendendo um cigarro.

Enquanto jantava, repassei as informações fornecidas por Tony Spachio. A mulher que havia lhe passado a perna se chamava Lauren Jones. A foto mostrava a bonita cantora de casa noturna, uns 30 anos, longos cabelos loiros, olhos claros e nariz empinado. Segundo Tony, ela estava hospedada em um hotel em Copacabana.

Do restaurante fomos direto para o tal hotel e nem precisei molhar a mão do gerente para ele contar que, poucos dias antes, a moça havia se mudado de lá para um apartamento que o Cassino da Urca mantinha para artistas convidados.

Esse cassino era o mais famoso do Rio de Janeiro, um lugar de alto nível encravado numa praia particular, ponto de parada obrigatório para ricos e famosos. A tal Lauren devia ser ótima cantora para se apresentar por lá.

No caminho para o cassino, Fred me entregou, enrolado em um pano, o revólver calibre 38 Smith & Wesson Detective Special que conseguira enquanto eu jantava. Eram nove da noite e o lugar estava lotado. Abordei um garçom e ele disse que Lauren se apresentaria somente na noite seguinte. Perguntei pelo apartamento do cassino onde ela estava hospedada, dizendo que era um repórter de Nova York querendo entrevistá-la, mas o homem não parecia nem um pouco disposto a colaborar, o que foi rapidamente resolvido com uma nota de vinte dólares.

Naquela mesma noite conferi o endereço. Era um prédio discreto no centro. Pedi que Fred conversasse com o porteiro e perguntasse por Lauren. Não demorou muito e ele voltou para o carro. Lauren havia saído mais cedo. O porteiro ouviu do motorista que foi buscá-la que a levaria para uma festa. Seria inútil fazer campana aquela noite, então voltei para o hotel.

Na manhã seguinte, Fred me pegou no hotel às dez e fomos direto para o prédio de Lauren. O porteiro era outro, e Fred se passou por um entregador de flores e confirmou que ela já havia voltado da tal festa. Almocei em um restaurante próximo, me sentei no banco de uma pracinha bem em frente ao prédio com um exemplar da Time e aguardei.

Passava das quatro da tarde. Eu já tinha lido toda a revista e tomado dois cafés no bar da esquina quando a mulher saiu do prédio e entrou num táxi. Imediatamente acordei Fred que cochilava no carro e a seguimos pelo centro da cidade. O táxi a deixou em um banco não muito longe. Entrei logo depois dela, tomando cuidado para não ser notado. Ela falou com um gerente e foi levada para o interior da agência, onde devia haver um cofre de segurança. Não demorou muito e ela voltou com uma valise de couro. Saiu tranquilamente e tomou outro táxi. Fred aguardava na esquina e retomamos a perseguição. Um quarteirão depois, um Volkswagen preto nos obrigou a parar.

Por que vocês estão seguindo a senhorita que acabou de sair do banco? — perguntou um dos homens, que se identificou como policial.

Sou um repórter e estou escrevendo uma matéria sobre ela para uma revista de variedades dos Estados Unidos — respondi, mostrando para o policial uma carteira falsa de jornalista.

O policial deixou claro que não devíamos mais segui-la e que ali não era como nos Estados Unidos, onde jornalistas podiam perseguir as pessoas daquela maneira. Fred estava convencido de que a mulher era amante de algum político para que a polícia ficasse de olho nela daquele jeito. Não sabia se ele estava certo ou não, mas tinha certeza de que ela era mais importante do que Tony Spachio me fizera acreditar.

Sabia que tinha de agir rápido. Claramente aqueles policiais, se é que eram mesmos policiais, estavam escoltando ou mesmo seguindo Lauren por causa da valise que ela retirara do banco. Se Tony Spachio tinha se dado ao trabalho de me contratar para recuperar o que ela havia roubado em vez de simplesmente enviar um matador para apagar a garota, era porque algo muito mais importante estava em jogo. Concluí que eu era apenas um peão num jogo de xadrez sujo, e peões são facilmente sacrificados.

Naquela noite voltei ao Cassino da Urca decidido a “entrevistar” Lauren Jones. Como seu show começaria tarde, fui para o restaurante comer alguma coisa.

Macacos me mordam se não é o grande Eddie Vega! — ouvi alguém gritar enquanto cortava um naco do grosso filé que havia pedido.

Martin “Aguia” Smith — reconheci imediatamente o piloto que era meu amigo desde a infância, das férias em Miami. — O que você está fazendo tão longe de casa?

Agora sou piloto da Pan Am, coisa fina. Cheguei esta tarde e volto para os Estados Unidos amanhã à noite — explicou o grandalhão já meio bêbado, puxando para perto a loirinha de cabelo curto que o acompanhava. — Esta é Helga, minha aeromoça preferida. Helga, esse é Eddie, um amigão de infância. Grande cara. Estou no Hotel Continental, me ligue amanhã para almoçarmos. Até mais, amigão.

Algum tempo depois fui para uma mesa no salão de shows. Pedi um uísque com gelo, acendi um cigarro e fiquei pensando em como o mundo era pequeno para encontrar justamente Martin, um dos meus melhores amigos, tão longe de casa daquele jeito. Alguns minutos depois, a luzes do salão foram apagadas e apenas a luz dura de um refletor iluminou o palco.

Já assisti a muitos shows de cantoras bonitas, mas confesso que, quando as cortinas se abriram e Lauren caminhou em direção ao microfone com um provocante vestido azul e seus longos cabelos loiros caindo em cascata sobre o ombro, suspirei junto com toda a plateia. A voz ao mesmo tempo rouca e aveludada cantou algumas baladas românticas acompanhada de uma banda oculta nas sombras, arrancando aplausos entusiasmados de todos os presentes.

Assim que o show terminou e o público se levantou para aplaudir de pé pedindo bis, deixei a mesa e fui para os bastidores. Não foi difícil encontrar alguém que me colocasse dentro do camarim em troca de uma nota de dez dólares.

Não demorou muito para Lauren entrar no camarim. Sem que notasse minha presença, sentou-se diante do espelho para retocar a maquiagem.

Não imagino porque não está gravando nos Estados Unidos, senhorita Jones. Com uma voz dessas, devia estar sendo disputada pelas maiores gravadoras — disse, sem me levantar da cadeira em que estava sentado no fundo do camarim, mas ela não se assustou com minha presença.

Quem disse que as grandes gravadoras não estão interessadas em mim, invasor misterioso? — replicou, enquanto ajeitava tranquilamente o cabelo.

Sou Eddie Vega, jornalista do Daily News de Nova York — apresentei-me, encarnando o disfarce.

Nossa, estou tão famosa assim em Nova York para mandarem um jornalista atrás de mim? — provocou ela, virando-se para mim enquanto tirava do maço um cigarro.

Confesso que, depois desta noite, não duvidaria que fosse o caso se Nova York a ouvisse. Vim para me divertir um pouco e pensei que entrevistá-la talvez rendesse uma boa matéria — repliquei, levantando-me para acender o cigarro dela.

Que tal conversarmos num jantar? Assim posso fugir do presidente desta república de bananas que já está se tornando inconveniente. Conheço um restaurante muito bom onde costumo ir depois das apresentações. — Ela se levantou para pegar a bolsa e um xale.

Lauren me guiou até uma saída lateral reservada para os artistas, onde um Chevrolet Comet com motorista aguardava. “É de um amigo rico que está viajando”, justificou a cantora, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

O restaurante era um pequeno bistrô francês situado em um local estratégico com uma vista maravilhosa da paisagem costeira da cidade. Devia mesmo ser uma cliente costumeira, já que o maître a conhecia e imediatamente nos levou para uma mesa lateral com ótima vista.

Comemos enquanto conversávamos banalidades. Lauren ria das minhas piadas de uma forma charmosa e sensual.

Quando será sua próxima apresentação no cassino? Quero muito ouvi-la novamente — perguntei casualmente após tomar do champanhe que o garçom serviu.

Infelizmente isso não será possível, senhor Vega, porque nem eu nem o senhor estaremos mais no Rio de Janeiro — respondeu ela, com tranquilidade.

E para onde vamos?

Para onde vou não é da sua conta, mas o senhor vai conhecer o fundo deste lindo mar tropical — anunciou casualmente, acendendo outro cigarro.

Então os dois homens da mesa ao lado se levantaram e se aproximaram. Um deles puxou de lado o paletó para que eu visse a pistola que levava num coldre na cintura.

Voltaremos a nos ver — ameacei enquanto me levantava.

Não creio, senhor Vega. De qualquer forma é uma pena que tenha de ir. Queria tê-lo conhecido em circunstâncias diferentes, é um homem encantador — disse ela, em tom de despedida.

Amarraram meus pulsos e me jogaram no porta malas de um Hudson preto, não sem antes me revistarem e tomarem a arma que levava. O carro sacolejou por meia hora e finalmente parou. Estávamos em um cais mal iluminado. Fui levado para um barco de pesca e trancado no pequeno porão. Navegamos por vinte minutos, com certeza em direção ao mar aberto. Enquanto isso tirei do compartimento oculto no sapato uma pequena e letal faca de arremesso com a qual cortei quase totalmente a corda, deixando apenas alguns fiapos para que parecesse que ainda estava imobilizado.

Quando o barco parou, vozes conversando em alemão no convés chamaram minha atenção. Pouco depois a escotilha foi aberta e ordenaram que eu saísse. Os dois homens de terno, agora sem os paletós, me aguardavam, enquanto um terceiro fumava despreocupadamente na pequena casa do leme. Estávamos mesmo em mar aberto, e a chama mortiça de um lampião lançava uma bruxuleante luz amarela sobre o deque do barco.

Então, este é o repórter americano intrometido — disse o homem do leme. — Você devia ter aceitado o conselho que lhe demos aquele dia no banco.

Nada disso não é necessário. Se não querem que a entreviste, não entrevisto — disse eu, enquanto observava com o canto dos olhos um dos homens prender com um cadeado a ponta de uma corrente a um bloco de cimento.

Tarde demais. Mostrem para nosso amigo o caminho para o fundo do mar — ordenou o homem ao leme.

Assim que um dos homens se abaixou para prender a corrente nos meus tornozelos, chutei-o com força no queixo, arremessando-o para trás. Rapidamente me virei e arremessei o canivete na direção do outro homem, que, pego de surpresa, se atrapalhou para sacar a arma. Acertei um dos olhos e ele caiu, urrando de dor. Então me joguei sobre o capanga, apoderando-me da arma que ele levava na cintura enquanto disparos vindo da casa do leme arrancavam lascas de madeira do local onde eu estivera havia poucos segundos. Atirei de volta, obrigando o homem do leme a se abaixar. Quando ele se levantou novamente para atirar, fui mais rápido e o acertei no pescoço. Ele deu alguns passos para trás com a mão na garganta e caiu na água.

Joguei no porão o homem atingido no olho pela faca, que tinha perdido a consciência. Imobilizei com a corrente o que tinha acertado com o chute e o sentei na amurada.

Vamos lá, amigão! Diga logo onde está Lauren ou é você quem vai visitar o fundo do mar no meu lugar — vociferei para o homem, agarrando-o pelo colarinho. — Fale logo, espertinho, não estou com muita paciência!

Como ele não respondeu, empurrei-o com força e ele caiu no mar. Afundou por alguns segundos, mas retornou à superfície com terror nos olhos. Com os braços imobilizados e o peso da corrente, tinha de agitar os pés com força para manter a cabeça fora da água. Ao me ver com o bloco de cimento na amurada, pronto para jogá-lo no mar, decidiu falar. Icei-o de volta de volta ao barco e o atirei no porão, deixando claro que, se estivesse mentindo, nunca mais voltaria à superfície.

Levei o barco de volta ao Rio de Janeiro para o primeiro ancoradouro que encontrei próximo do centro. Por sorte havia alguns táxis por perto e entrei no primeiro, ordenando que o motorista fosse o mais rápido possível para o Hotel Continental.

Eddie! Você sabe que horas são? Não está cedo demais para almoçarmos? — espantou-se Martin, segurando um lençol ao redor do corpo, a cara amarrotada de quem acabou de ser acordado por alguém batendo insistentemente na porta do seu quarto.

O hidroavião ganhou velocidade e levantou voo com leveza. O piloto fez uma curva suave, dirigindo o nariz da aeronave em direção ao horizonte, onde o sol acabara de nascer. Assim que ganhou altitude, reduziu a potência dos motores, tornando seu rugido menos ensurdecedor.

Fraulein Jones, o General Von Hauss em pessoa a receberá na base de submarinos — informou o homem de terno preto e óculos de armação de ouro que estava na parte traseira do avião com Lauren Jones, que vestia um terninho branco de corte moderno e tinha os cabelos presos em um coque apertado.

Ótimo. Relatarei ao general o excelente trabalho que fizeram aqui para tornar possível essa missão — respondeu a mulher, sem tirar os olhos da paisagem marinha que via pela janela do avião. Em seu colo estava a valise de couro.

Se não fosse aquele repórter intrometido que cruzou nosso caminho, essa missão teria sido perfeita. Mas tenho certeza de que foi apenas uma grande coincidência — disse com confiança o homem, enquanto o copiloto se soltava do cinto de segurança para se juntar aos passageiros.

Vou verificar se a porta está devidamente fechada. Está fazendo um barulho estranho — sussurrou o copiloto, debruçando-se sobre o homem dos óculos de ouro.

Não estou ouvindo nenhum barulho estra… — Um forte soco desacordou-o antes que terminasse.

Não foi muito gentil o que fez comigo, senhorita. — Lauren ouviu o copiloto dizer e se assustou ao reconhecer nele o falso repórter da noite anterior. Fez menção de sacar a arma que levava na bolsa, mas desistiu quando viu o revólver que o homem lhe apontava.

Confesso que me surpreendeu. Sei que alguns repórteres estão dispostos a tudo para estampar uma manchete, mas sequestro não é um pouco demais? — perguntou ela, tentando imaginar uma maneira de se safar, o que era bastante improvável a quinhentos pés sobre o mar.

Não sou um repórter, belezinha. Voltei para pegar de volta algo que não lhe pertence — respondeu Eddie Vega, divertindo-se com o olhar furioso de Lauren ao tomar-lhe a valise que tinha no colo.

O hidroavião circulou o submarino. Alguns dos marinheiros que aguardavam num bote inflável agitaram os braços. A aeronave baixou a altitude e a velocidade como se fosse pousar, então uma das portas foi aberta. Primeiro um vulto negro caiu como um saco de batatas na água. Em seguida a figura inconfundível de uma mulher foi obrigada a se jogar nas águas frias do oceano. Logo em seguida o avião ganhou altitude rapidamente e desapareceu entre as nuvens.

Naquela noite voei de volta aos Estados Unidos no avião pilotado por Martin, que antes me fez jurar que nunca mais o meteria em enrascadas como aquela. O homem tinha ficado apavorado com o que tivemos de fazer para tomar o lugar da tripulação.

Alguns dias depois, já de volta a Los Angeles, pensei na sorte que tivera de encontrar no Rio de Janeiro justamente um velho amigo piloto que me devia alguns favores. Se não fosse por ele, tudo teria sido muito mais difícil, talvez até mesmo impossível. Não me surpreendi ao encontrar Tony Spachio no aeroporto de Miami junto com os federais para quem estava trabalhando, os quais ficaram muito satisfeitos com o que encontraram dentro da maleta. Claro que eu tinha tentado abri-la, mas havia um tipo especial de tranca que nunca tinha visto antes. Perguntei o que levava e resposta que me deram não ajudou muito:

Se formos arrastados para a guerra que está para explodir na Europa, o que está aqui fará toda a diferença para o Tio Sam.

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22 comentários em “Apenas um peão num jogo sujo (Charles Dias)

  1. Pedro Luna Coelho Façanha
    5 de dezembro de 2013

    Gostei do conto. No começo, achei meio apressado, mas depois me acostumei com o ritmo. A coincidência de encontrar o amigo piloto poderia estragar a parada, mas você percebeu isso e no final escreveu sobre a sorte que o protagonista teve, então ficou de boa, apesar de apenas um pouco forçado. Não estragou o conto. Parabéns.

  2. Frank
    5 de dezembro de 2013

    Ótimo conto! O final foi o mais legal…especialmente para um curioso incurável como eu…hahaha. Parabéns!

  3. Marcellus
    5 de dezembro de 2013

    Gostei muito do conto, apesar de pecar em alguns pontos: a coincidência do amigo piloto que, ainda por cima, levava a loira e sua valise, por exemplo.

    De qualquer forma, o autor está de parabéns!

  4. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE
    O autor conseguiu concentrar a “parte de investigação” e a “parte de ação” em momentos distintos do texto, o que funcionou muito bem. Gostei também das proporções que a investigação acabou tomando.

    SUGESTÕES

    Houve uma mudança meio brusca de narrativa em primeira pessoa para terceira pessoa, e depois de volta para a primeira (perto do final do texto). Ficou bem esquisito… acho que seria o caso de isolar a passagem em terceira pessoa (indicando uma cena em apartado), mas pensando bem, o conto não sofreria tanto se fosse totalmente transferido para a terceira pessoa.

    Alguns diálogos ficaram meio inverossímeis de tão apressados. Por exemplo, quando o Martin aparece e diz “— Agora sou piloto da Pan Am […]”, a fala dele poderia ser quebrada em um diálogo casual entre os dois personagens. Da maneira que ficou, ele apareceu, vomitou sua história de vida e foi embora do nada.

    TRECHO FAVORITO

    “Se formos arrastados para a guerra que está para explodir na Europa, o que está aqui fará toda a diferença para o Tio Sam.”

  5. Alana das Fadas
    3 de dezembro de 2013

    É inegável que o autor domina a arte da escrita. A narração é simples, objetiva, a escrita é redonda e agradável. Mas sinceramente, a trama não me envolveu nem um pouco. Achei um pouco tedioso. Mas isso é questão pessoal e não se discute. De qualquer forma, parabéns!

  6. fernandoabreude88
    2 de dezembro de 2013

    Achei um conto mediano. Apesar da história não ter falhas, somente a falta de uma quebra de texto na passagem para o hidroavião, me incomodou o excesso de ação. Fora isso, o ambiente do Rio podia ter sido melhor explorado, já que o cenário dava muito pano pra manga. Também não gostei do final, preferia ficar sem pista alguma para o mistério da valise, seria mais intrigante.

  7. Masaki
    2 de dezembro de 2013

    Gostei desta “globalização” de ambientar parte da história em lugar, e depois transferi-la para outro. O conto está muito bem escrito, a trama bem elaborada e os personagens, a maioria, bem trabalhados, contudo outros poderiam ganhar uma melhor caracterização: Fred e Martin. O final deu a “sensação” de estar vago e apressado, entretanto nada tira o mérito. Parabéns! Valeu a leitura.

  8. rubemcabral
    29 de novembro de 2013

    Um bom conto! Legal ter “quebrado” a expectativa da ambientação nos EUA e tê-la transferido para o Rio de Janeiro nos anos 40.

    Suspeito que a Lauren teria uma “Enigma” na valise, mas isso é chute meu, haha.

    Achei os personagens bem construídos para o espaço de um conto. Como crítica construtiva, gostaria de destacar:

    – O primeiro parágrafo está meio adjetivado demais, valeria podar um pouco;
    – 20 dólares nos anos 40 seriam uma boa bolada (um dólar valia algo como U$ 16.40 de hoje em dia), lembre-se que há inflação nos EUA que, ainda que pequena, acumulou-se desde então pq não houve troca da moeda. Então, foi uma tremenda gorjeta a que foi dada ao garçom, algo como uns 328 dólares de hoje (quase 800 reais);
    – Revista “Time” no Rio de Janeiro dos anos 40? Acho meio improvável. Sou carioca e lembro-me que publicações estrangeiras só começaram a ficar mais acessíveis nos anos 80. Talvez Eddie trouxera a revista consigo?;
    – Eddie falava Português? Em nenhum momento ele fez uso de um intérprete. Ele deve ser um cara de muitos talentos;
    – A narração é limpa e correta, mas gostaria de ter lido algumas metáforas bacanas ou tiradas cínicas;
    – A quebra para a cena do hidroavião ficou meio estranha, nem um “***” você colocou para orientar quem lê, e ainda trocou de 1a pra 3a pessoa e voltou para 1a depois, não entendi bem o pq;
    – O amigo piloto no Rio de Janeiro foi meio conveniente demais, não?
    – Por fim, senti falta de uma atmosfera mais noir, mais maldita e suja. O conto é muito agradável de ler, mas há talvez muita “luz” (não quero dizer com isso que ele não seja aderente ao tema, apenas que poderia sê-lo mais).

    Referências ao jogo de xadrez, comentários de certo leitor, lendo fora da ordem dos outros demais contos, penso que sei quem é o autor, haha.

  9. Agenor Batista Jr.
    27 de novembro de 2013

    Um conto bom de ler mas sem a excepcionalidade com que se anuncia aos que não o leram. Uma estória bem construída e um herói quase invencível. A ambientação foi positiva e o final foi de uma pressa ímpar. Enfim, um boa diversão.

  10. Gustavo Araujo
    25 de novembro de 2013

    Os dois terços iniciais deste conto me agradaram muito. A atmosfera criada, desde o escritório deprimente em Los Angeles, até a exuberância do Rio de Janeiro nos anos 40 ficou muito boa. Achei bacana o cinismo de Eddie, a maneira como ele se refere aos outros, o sarcasmo preponderante na maior parte de suas falas. Isso é muito “Raymond Chandler”. Bacana mesmo.
    Também gostei bastante da caracterização da mulher fatal. Ela, aliás, é o ponto alto do conto. A ideia inicial também me atraiu: a busca por algo misterioso em terras tupiniquins.

    O desenvolvimento, aliás, vinha muito bem, seguindo a cartilha noir clássica, com direito a shows no cassino da Urca e a campana em frente a hotéis.

    Essa boa impressão durou até o momento em que Eddie foi levado para o alto mar. Até este ponto o conto era o meu favorito no desafio. Até este ponto. Daí em diante a coisa desandou. E foi desandando cada vez mais até o final…

    O problema, a meu ver, foi a alteração de um ambiente criado de forma brilhante, um noir típico, para um enredo de espionagem característico de filmes B. Talvez tenha sido uma tentativa de inovar, de emprestar elementos criativos a um gênero que é reconhecido pelos clichês consagrados. Isso às vezes funciona, mas não foi o caso aqui. Quando os brutamontes começaram a “falar alemão”, eu pensei comigo “ah, essa não…” A própria Lauren Jones, como eu disse, minha personagem favorita até então, transformou-se em uma caricatura de si mesma, uma versão “Mini-Me” de um filme de Austin Powers.

    Gramaticalmente, o conto está ótimo. Quase não há erros. Apenas no final, percebi um parágrafo inteiro escrito em terceira pessoa, o que leva a crer que o texto foi assim escrito originalmente. Nada contra mudar a maneira de contar a história, mas essa falha denota uma pequena pressa e falta de revisão na hora de postá-lo.

    Enfim, a ideia de misturar noir com espionagem não surtiu um bom efeito para mim. Mas, em todo caso, não se pode negar que o autor sabe escrever muito bem. Minha sugestão é que se retome a narrativa, dando-se a ela um final típico, na mesma linha do início.

  11. Felipe Falconeri
    21 de novembro de 2013

    Esse conto tem cara e espírito de matinê. Leve, passageiro, despretensioso. Pessoalmente, não me agrada. A história é previsível, os personagens são rasos, a escrita é muito simples… Mas certamente vai divertir muita gente. É como aqueles filmes da sessão da tarde onde você desliga o cérebro, curte uma aventura ligeira e depois de algumas horas já começa a esquecer o que viu.

    Não é um conto noir. Sim, tem um detetive e uma mulher fatal. Mas esses elementos não são exclusivos do noir. O noir é um subgênero do policial e esse conto é policial. O noir exige uma atmosfera pesada, a descrição de um ambiente mais “sujo”, uma importância maior desse ambiente na história, nos personagens… Aqui é tudo muito limpo, muito claro. Muito matinê.

    Algumas coisas na história me incomodaram. O cara ter sido enviado pra recuperar alguma coisa sem fazer ideia do que é não me parece muito lógico. O encontro com o piloto foi uma coincidência demasiadamente forçada e ficou claro que ele iria acabar participando da história num momento chave. Mas acho que são coisas aceitáveis dentro do clima de aventura descompromissada no texto.

    Bom, apesar das críticas, acho que o conto fez bem aquilo que se propôs. Cumpriu o que prometeu. Como eu disse no começo, não me agrada, mas certamente vai agradar muita gente.

  12. Thata Pereira
    21 de novembro de 2013

    Muito bom, como todos já disseram, mas… poxa, o que tinha na mala? Isso não se faz com um leitor… haha’ Depois, voltei o conto querendo achar alguma mensagem subliminar, dizendo o que havia dentro dela, pois também fiquei me questionando: se o cara pagar alguém para matá-la, porque contratou alguém que, pelo que entendi, pediu muito mais pelo serviço (levando em consideração que seu personagem é um esfomeado rs’ Brincadeira!)

    Algo me diz que esse conto tem continuação… isso de encontrar com Tony no Rio, hum… tem coisa aí… Parabéns!

  13. Claudio Peixoto dos Santos
    20 de novembro de 2013

    Mais outro profissa! Não tenho que comentar. Só posso elogiar. Parabéns! Tu teve a manha! kkkk

  14. charlesdias
    20 de novembro de 2013

    Conto noir em estilo tradicional bem escrito, com história envolvente e estrutura narrativa envolvente. Bom trabalho.

  15. Ricardo Gnecco Falco
    18 de novembro de 2013

    Muito bem escrito, ambientado e conduzido. Para o autor, aproveito para acrescentar que, como morador da Zona Sul do Rio, e frequentemente encontrado por e encontrando amigos no referido bairro, confesso que sempre que passo em frente a antiga entrada do Cassino da Urca (cuja fachada foi inteiramente reformada/pintada), saio por alguns instantes da “realidade” e minha mente tende a vagar por idos (e desconhecidos por mim) tempos. Acho, inclusive, que esta específica parte da cidade (e até mesmo do bairro) possui um ar todo característico, quase que uma névoa mesmo, suscitando aos transeuntes uma certa (e irresistível) viagem no tempo. E uma viagem exatamente como esta que você nos brinda aqui com seu conto.
    Parabéns!
    😉

  16. Jefferson Lemos
    17 de novembro de 2013

    Gostei!
    A linguagem simples e direta, os diálogos bem posicionados e a narrativa que prende o leitor, deixaram o conto muito agradável e eu li sem parar.
    Parabéns!

  17. Henrique Silveira
    16 de novembro de 2013

    Muito bom companheiro, um conto bem construido e, como os outros elogios, muito bem escrito.

  18. Bia Machado
    15 de novembro de 2013

    Muito bom, mesmo! Só constatando que, para o pseudônimo de James Ellroy, o conto teve poucos palavrões e ficou até bem comportadinho, rssss… Mas achei ótimo! Um bom enredo e arranjou formas seguras de conduzir a história sem correr. Bom trabalho!

  19. Rodrigo Sena Magalhaes
    15 de novembro de 2013

    Cara, me peguei lendo um livro de Chandler. Mandou bem demais! Vc é fã de Pearl Jam? Brincadeira, só pela coincidência de o protagonista se chamar Eddie Vega e o vocalista do PJ ser Eddie Vedder… viagem minha. Parabéns! Meu favorito, por enquanto.

    • Thata Pereira
      21 de novembro de 2013

      Rodrigo Sena, fiz a mesma associação… rs’

      • rubemcabral
        29 de novembro de 2013

        Eu já pensei no “Vega” do Pulp Fiction!

  20. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    15 de novembro de 2013

    Consegui ler todo o conto sem reclamar, o que é um grande feito. Os diálogos ajudam bastante. Linguagem simples, sem rebuscamento. Narração objetiva, fácil de acompanhar. Não sei se tem todos os elementos noir, mas a mulher fatal e o detetive estão aí. Não achei sensacional, mas foi uma leitura agradável. Boa sorte.

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Informação

Publicado às 15 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .