EntreContos

Detox Literário.

Spoiler (Felipe Holloway)

Transcende o limite das coincidências usuais que eu tenha sabido da morte de Pablo Runemberg à mesa de um bar. Tanto que, a princípio, não hesitei em legar aos efeitos do álcool ingerido a frase supostamente advinda do Jornal Nacional. A TV, precariamente equilibrada sobre uma plataforma de ferro, tinha a imagem distorcida por fios de fumaça como vários s siameses, e a cada dois segundos de som limpo sucediam-se outros tantos de estática. Solicitei ao barman (não lembro se educadamente) que reparasse o defeito, mas a breve sacudida na estrutura só fez atenuá-lo. Foi o bastante.

A matéria resumia a carreira do escritor de 52 anos que acabara de falecer em sua casa, no interior de Minas Gerais, vítima de um aneurisma cerebral, e era dessas cuja velocidade de veiculação perturbava por sugerir que cada figura pública que ultrapassava a curva dos 45 ganhava automaticamente um obituário audiovisual a ser transmitido em caso de morte súbita. Seguiam imagens em câmera lenta de Runemberg autografando livros, concedendo entrevistas — a biblioteca particular milimetricamente desarrumada ao fundo —, tomando posse da cadeira 17 da ABL, desembarcando de jatinhos que o traziam dos países nos quais era constantemente laureado (o mais importante concurso de contos da Suécia, soube pela reportagem, levava seu sobrenome) e acenando para os fãs. O governador decretara luto oficial de três dias. O presidente e o ministro da cultura emitiram longas notas de pesar. Eu pedi outra dose de vodka com laranja.

“Aneurisma cerebral. Então era dessas duas palavras que ele vinha fugindo esse tempo todo…”, comentei, ou acho que comentei, e o barman sorriu, ou acho que sorriu.

Nosso primeiro e único encontro também dera-se num bar, há cinco anos. Viajei a Ituiutaba a pretexto de um congresso sobre jornalismo literário, a tentativa de aproximar a arte de descrever a miséria de gente real da de fazer a mesma coisa, só que com gente imaginária. Um extenso e bem recebido artigo publicado recentemente numa revista de circulação nacional me capacitara, aos olhos dos organizadores do evento, para ser o mediador de um debate sobre biografias não-autorizadas. Havia aceitado o convite mais pelo valor combinado do que por interesse em ouvir os prós e contras de um assunto com cujos prós e contras eu até sonhava, de tanto que os tinha pesquisado para escrever o artigo. Carregava uma pequena esperança de ser surpreendido pela menção a novos argumentos, de ambas as partes, mas ela se perdeu quando o escritor convidado para defender o lado que se opunha àquele tipo de obra já começou sua fala com “uma biografia publicada uma hora antes do biografado morrer ainda corre o risco de soar terrivelmente obsoleta, porque basta um ato para redimir o tom geral de uma vida ou para conspurcá-lo”. Eu até manteria o ânimo pelo nível potencial da discussão, não fosse pelo “conspurcá-lo”. O conspurcá-lo era demais.

Minha participação no congresso se limitava à segunda noite, mas como a estadia no hotel em cujo salão de eventos ele se realizava já estava paga até o final da semana, não vi motivos para voltar logo a São Paulo. Na quarta e mais aguardada noite, uma falha de contagem na distribuição dos vouchers acabara resultando no que uma linda recepcionista chamara de “overbooking intelectual”, de modo que só me seria possível assistir aos debates do tema “O legado de Capote” em pé, no fundo do salão, entre vários outros espectadores indignados. Declinei da proposta, agradeci à recepcionista, lancei um último olhar para seu decote e me dirigi para o bar do hotel, onde a discussão seria transmitida ao vivo em duas enormes TVs de tela plana.

O bar estava vazio, àquela hora. Exceto por um homem sentado ao balcão, e que, de costas, não reconheci. Não lembro quem puxou conversa com quem. Lembro, estranhamente, de ter formado, com a umidade circular do fundo do copo, o logotipo de uma famosa marca de carros importados.

— Mais duas doses e você consegue o das olimpíadas – o homem disse, indicando minha obra no balcão. Sim, agora lembro que foi ele quem puxou conversa.

Uma atitude que sempre tenho quando me encontro de forma casual com uma personalidade do meio acadêmico ou literário é rever mentalmente, num espaço de milésimos de segundo, todas as resenhas que já publiquei na vida. Caso encontre uma só menção negativa, uma só ressalva que fiz à sua obra, minha reação, embora na aparência cordial, manterá os dois pés bem firmes na defensiva, como alguém encontrando, numa festa, um antigo ex a quem traiu, e que evita dar-lhe as costas por temer a punhalada. Lidar com o ego de intelectuais é estar sempre na iminência de vê-los transformados em exes vingativos.

No caso de Runemberg, porém, eu estava tranquilo como crítico literário. Idolatrara 99% de sua obra. Depois de um civilizado surto de tietagem, comentei que não fazia ideia de que ele também participaria do evento.

— Na verdade, sou um dos idealizadores – explicou, sem nenhuma soberba. Claro. Aquilo explicava o motivo de um congresso daquele porte ser realizado numa cidadezinha do interior, o município natal de Runemberg. – Você ouviu o que o Dornelles disse?

Demorei pra entender que ele falava de um dos debatedores da mesa sobre o Capote. Não, eu não prestara atenção. O que ele dissera?

— Que A Sangue Frio é um fracasso ideológico. Que a identificação de Truman com um dos assassinos o fez relativizar seus atos, romantizar suas escolhas e sabotar a intenção inicial do livro, de imparcialidade. Que o maior erro de um documentarista do lado escuro dos seres humanos é não manter em mente aquele conselho do Nietzsche, de que quem que lida com monstros deve cuidar constantemente para não se converter ele próprio em um. E que o Truman é uma farsa. Não sei quem aprovou a escolha desse cara.

— É, não dá pra ter fogueira sem álcool. Eles sempre citam o Nietzsche.

— Não, o pior é a parte da farsa. Como se todos não fôssemos farsantes, no fim…

Bem-humorado, pedi licença para discordar, e disse que se havia alguém, naquele mundo lítero-jornalístico eivado de plágios velados e revivals insossos, capaz de reivindicar para si um título de originalidade que só não podia ser chamada de absoluta porque compartilhava do mesmo alfabeto que seus pares medíocres, era ele, Runemberg. Àquela altura da glória, eu não esperava que meu elogio fosse provocar algo além do automático obrigado que as misses costumam dar sempre que lembradas do quanto são belas. Muito menos um rubor de faces. De fato, nada disso aconteceu. Aconteceu algo ainda menos esperado. Pablo virou o copo de uma vez, como se seu conteúdo não fosse uísque, mas coragem liquefeita, bateu-o com demasiada força no tampo do balcão e disse:

— E se eu te falasse que tudo isso é besteira?

— Como assim?

— E se eu te falasse que sou o maior farsante de todo esse mundo aí que você citou, e talvez dos outros, também?

— O senhor… fala daquela história de “gênio por encomenda”?

Embora indubitavelmente brilhante, Pablo também era conhecido por ser um autor cujas melhores obras lhe haviam sido encomendadas por editoras, separadamente ou em coleções temáticas. Quando escrevia sem esse motor (e havia pelo menos 20 anos que não se atrevia a fazê-lo), o resultado ficara tão abaixo de sua produção encomendada que muitos críticos se recusavam a acreditar que se tratava do mesmo autor – “um Runemberg microscópico, de tão menor”, era como um deles definira. Isso tinha criado a noção de uma criatividade condicionada, ou só desenvolvida em toda a sua potencialidade quando lhe davam um norte.

— Não, não, nada disso – respondeu, quase irritado. – Não um farsante metafórico, um farsante literal! Um Milli Vanilli das letras, um receptador de ghost-writers. E se eu te falasse que é exatamente isto o que eu sou?

— Bom, eu duvidaria, mas diria que é uma história que gostaria muito de ouvir.

Runemberg avaliou minha expressão, imaginei que considerando até que ponto era sensato se abrir com um completo desconhecido. Ou se se arrependeria de tê-lo feito, quando o efeito do uísque passasse. Estava errado.

— Você está com alguma escuta ou gravador, aí? – perguntou, e minha resposta saiu quase indignada:

— Não, de jeito nenhum!

Runemberg deu um muxoxo. Disse “Que pena”. E começou a me contar sua história.

Entre 85 e 86, no auge da crise inflacionária, a vida de Pablo parecia tão desprovida de esperança quanto a economia do país. Os pais o haviam expulsado “implicitamente” de casa por haver engravidado a então namorada e hoje esposa, Daniela. O escritório de advocacia onde trabalhava fechara as portas depois que os donos se viram obrigados a juntar seus recursos e pagar um colega para defendê-los num processo de sonegação fiscal. Sem emprego, Pablo trancara a faculdade particular de Direito. E, para completar, o sogro o tinha jurado de morte, aparentemente não se importando que o neto crescesse órfão de pai e com um avô homicida. De modo que estava praticamente desabrigado num cenário em que tudo custava, à tarde, mais caro do que custara de manhã.

Sem os pais saberem, Daniela começou a sacar dinheiro de sua poupança universitária para manter o namorado morando numa pensão enquanto não conseguia outro emprego. Coisa que, a julgar pelo orgulho de Pablo, que nem sonhava em aceitar propostas que estivessem “aquém de suas qualificações profissionais e intelectuais”, ainda ia demorar. Amparado pela fugaz sensação de estabilidade que a ajuda da namorada lhe dava, ele decidiu tentar a sorte transformando um hobby antigo em potencial fonte de renda. A ideia lhe ocorrera quando, numa visita à biblioteca onde passava parte das manhãs estudando para quaisquer concursos públicos que surgissem, viu, no mural, o informe de um concurso de contos com premiação de 2300 cruzados.

— 2300 cruzados?! – me espantei. – Caramba, isso era muito, praquela época.

— Não se você levar em consideração que as artes não sofriam o mesmo embargo que os outros setores de consumo, na recessão. Quem queria produzir essas artes, quero dizer. Acabava sendo um tipo de escapismo conveniente da situação do país, apesar de o governo se esquecer de que, pra dar certo, a política do pão e circo precisa do pão.

Pablo não ganhara o concurso dos 2300 cruzados. E nem o seguinte, de premiação similar. E nem o próximo. E o próximo. De fato, já estava quase desistindo da vida de escritor amador e concurseiro fracassado e aceitando um emprego de frentista de posto de gasolina quando, uma noite, após brigar com Daniela (cuja conta bancária matizava perigosamente rumo ao vermelho) pelo telefone, Pablo arrancou todo o papel da máquina de escrever e o jogou, junto com o edital de outro certame literário que imprimira naquela tarde, na gaveta do criado-mudo.

— Então, no outro dia, quando fui pegar a chave da porta na gaveta do criado, aconteceu.

— O quê?

— O conto estava lá dentro.

— Que conto?

— O conto cujas especificações eu tinha guardado. O texto sobre o tema do concurso. Datilografado no papel da máquina.

— Você… escreveu antes de dormir?

— Não. E antes que pergunte, eu ainda não bebia nessa época. Comecei um pouco depois. Nem era sonâmbulo. O fato é que mesmo se quisesse, não poderia ter escrito aquele texto. Porque ele não apenas se adequava totalmente ao que o edital do concurso exigia, como era a perfeição absoluta dentro do tema proposto: vingança. Escolha de termos, cadência narrativa, profundidade do argumento e dos personagens – não havia nada, nem uma vírgula que eu pudesse mudar sem ficar com a impressão de que martelava, às cegas, o Davi de Michelangelo com um formão. Talvez hoje você conheça esse conto como Troco.

Engasguei com a vodka. Não era possível que Pablo Runemberg julgava que eu fosse dar crédito àquela explicação para a gênese do Troco. Logo do Troco, aquela obra-prima inconteste!

— Tipo geração espontânea? – cedi.

— Foi a conclusão a que cheguei, depois de me certificar de que ninguém da pensão havia entrado no quarto de madrugada. E, mesmo, não devia existir uma só pessoa num raio de quilômetros com aquela genialidade. Sabe aquele ditado da casa de ferreiro…?

— Espeto de pau, claro.

— Também foi verdadeiro, no meu caso. Porque por mais que tivesse estudado, em direito, as implicações jurídicas do plágio, da apropriação indevida do esforço intelectual alheio, não hesitei um segundo antes de enviar o conto pelo correio. E ganhei o concurso, como você talvez não ignore. Por um tempo, vivi o temor do desmascaramento, de que alguém aparecesse para reivindicar aquele prêmio. Mas isso nunca aconteceu. Nem com ele, nem com todos os outros que tenho ganhado desde então.

Pablo logo perceberia que a “mágica”, ou o que quer que fosse aquilo, estava atrelada à existência do criado-mudo, único móvel do quarto que não havia trazido de casa, e cujo nome passou a ter, para ele, um sentido mais profundo, a partir de então. Quando questionada sobre a origem do objeto, a dona da pensão só disse que era do antigo morador do quarto, um professor de matemática que havia morrido num acidente de carro, e cujos parentes nunca apareceram para pegar o que parecia ter sido seu único bem material.

— Você sabe se ele era escritor? – quis saber o jovem Runemberg, com uma espécie de arrepio na nuca, segundo o atual.

— Ele me mostrou um caderno de poemas, uma vez. Eu achei que estivesse querendo me cantar, e nem dei muita trela. Por quê?

A profissão do antigo dono do criado-mudo esclareceu pelo menos um ponto na mente de Pablo, que àquela altura já juntara, graças aos concursos ganhos, dinheiro suficiente para comprar o criado-mudo e deixar a pensão, e só não o fazia por medo de que o móvel perdesse seu efeito, fora dali. As coisas funcionavam, basicamente, do mesmo jeito: antes de dormir, ele deixava o edital do concurso e a quantidade de papel exigida dentro da única gaveta, e na manhã seguinte o texto estava pronto. De poemas a pequenas novelas, de contos a romances e, algumas vezes, até haicais. Todos parecendo representar o próprio arquétipo platônico do tema proposto, de tão perfeitos. Tema livre não funcionava. Então Pablo conjecturou que o móvel houvesse retido, de algum modo insondável, a consciência matemática do ex-proprietário, aplicando seu metodismo exato à ciência inexata da produção literária. Toda vez que lhe indicava as medidas de um texto, é como se lhe propusesse um problema aritmético, que o criado-mudo, então, se encarregava de resolver, fornecendo a resposta ao nascer do sol. E, assim como o resultado de uma equação não admitia contestações, a ninguém ocorria sugerir melhorias para um texto produzido no interior da gaveta. Neste sentido, inserir nela uma página com “tema: golpe de 64; especificações: 10 laudas etc.” era o mesmo que propor a um aluno aplicado “se um trem X sai da cidade Y a N quilômetros por hora…”

As décadas seguintes haviam sido, segundo o próprio Runemberg, de sepultamento de seu amor-próprio e colheita da glória alheia, ainda que não fosse possível definir direito a quem esse “alheia” se referia. Com o fim da crise e o aumento das encomendas, mudara-se com Daniela (que tinha sofrido um aborto natural do primeiro filho do casal, mas já engravidara do segundo) para uma casa financiada, onde o criado-mudo, afinal, continuou funcionando, mesmo depois de uma mão de verniz. Para ter a ilusão da coautoria, Runemberg passara a acrescentar, nos editais inseridos, uma alínea especificando preferência por manuscritos, e ficava horas digitando o resultado obtido no computador. A notoriedade amealhada pelo escritor volta e meia ameaçava trazer de volta ao convívio do casal, inclusive, os parentes, como cães com o rabo entre as pernas.

A vida corria razoavelmente bem até seis meses antes de nosso encontro no bar do hotel. Certa tarde, voltando de uma feira literária no Rio, Runemberg recebera de Daniela o aviso da chegada da carta de um jornalista totalmente sem-noção, interessado em escrever a biografia post-mortem do escritor. “Como, post-mortem?! Eu ainda estou vivo!” “Pois é”, comentou Daniela, e explicou que o homem chegara mesmo a especificar os aspectos da obra, que teria abordagem ampla e, se não fosse um problema para Runemberg, “liberdade expositiva”. É como se pedisse autorização, em vida, à pessoa que pretendia biografar, depois da morte. Quando pediu para ver a carta, Pablo ouviu a resposta “tá na gaveta do seu criado-mudo, em cima daquela resma de papel que tu sempre deixa lá” com um estremeção. “A carta chegou hoje?”, quis saber. Daniela disse que fazia dois dias.

***

977 páginas. É o que havia dado, segundo o criado-mudo, a extensão de sua vida destrinchada. Entre sonhos e frustrações, virtudes e mesquinharias, infância e velhice, berço e túmulo. Provavelmente continham até mesmo a descrição metalinguística da farsa do criado-mudo. Runemberg não conseguia abrir o volume. Sequer chegar perto dele. Tinha medo de que, mesmo nas primeiras páginas, uma dessas alusões reminiscentes à sua morte aparecesse, e, a partir daí, fosse consumido pela loucura. Não se considerava um fatalista, mas lidando com a irrefutabilidade matemática, qualquer ceticismo perdia força. A mera presença do livro na casa o arrepiava.

— E por que… não o destruiu?! — perguntei, já totalmente envolvido, mesmo sentindo uma formigação esquisita no esôfago.

— Eu tentei fazer isso. E de fato fiz, depois de ter ficado uma noite inteira sentado em frente à lareira, só olhando pra ele. Imaginando que julgamento moral havia de mim ali dentro, que memórias perdidas não poderia recuperar, se o lesse, quais erros não poderia, talvez, evitar, se tivesse coragem. Tudo isso enquanto bebia uma garrafa de vinho. Quando, já de manhã, decidi que nada daquilo valia a pena, que era melhor permanecer na ignorância sobre os fatos futuros da minha vida até que eles acontecessem, e tentei atirar aquela biografia duplamente não-autorizada no fogo, a quantidade de álcool no sangue era tanta que derrubei parte das folhas no chão. E enquanto as juntava, desesperado, meus olhos recaíram num fragmento de frase… malditamente num fragmento de frase da página 912 que nem a ressaca foi capaz de apagar da minha memória. Claro que não quis ler o resto. Porque sabe o que o trecho dizia?

— …

— Você está bem?

— Sim, estou… é só… uma queimação… Sobre a outra pergunta… Bom, como poderia saber?

— Hmm, está quase na hora. Bem, vou resumir. O trecho dizia “sobre a morte de Runemberg, Marcelo Capelaço escreveu…”

Eu escrevi?!

— Sim, Marcelo, você. Os jovens têm uma palavra para isso, fiquei sabendo pelo meu filho. “Spoiler”. Quando alguém adianta um fato que o interlocutor não conhece sobre o enredo de uma ficção, estragando a surpresa. A ficção estragada, no caso, era a minha vida, essa farsa bem-sucedida. Spoiler, eles chamam. Eu chamei de “vislumbre da posteridade”.

“Eu tinha, a partir daquele momento, uma única certeza: você sobreviveria a mim. Porque a minha morte, de algum modo, o motivaria a escrever algo, lisonjeiro ou difamatório, não interessava. E quanto mais pensava no assunto, mais convicto ficava de que, se quisesse quebrar a matemática do criado-mudo, se quisesse ir além de qualquer lógica fatalista, só me restava tentar um caminho: estar na posteridade do homem que a biografia assegurara que estaria na minha. Sobreviver a você, Marcelo.

— Do que… arrf… está falando?

— Não sei, Marcelo, do que será? Será que usei minha influência pra fazer a Entrelinhas te encomendar aquele artigo sobre biografias não-autorizadas? Será que usei o artigo como pretexto pra convidá-lo a ser mediador numa noite do congresso? Será que paguei à recepcionista gostosa para dizer que não havia mais vagas para assistir ao debate de hoje, e a esse barman para não ouvir nada do que estamos conversando aqui, além de nunca mencionar que a garrafa de vodka que te serviu foi trazida por mim? Que ela contém um tipo de veneno indetectável por exames periciais, e que só começa a agir no organismo decorridas duas horas da ingestão, mais ou menos o tempo que fiz durar essa conversa? Me diga você, Marcelo. Que tipo de caráter a leitura dos meus livros te fez supor que eu tinha? Bom, é melhor rever seu conceito: agora sabe que não fui eu quem os escreveu.

— Você… isso não… socorr…

— Me perdoe, Marcelo. Não é culpa sua. Nem minha. Mas quando a posteridade de alguém só pode existir se a minha for anulada, o alguém sempre vai perder.

— Rouf…rouf…

— Ainda está lúcido? Consegue ver este papel? É o edital do novo concurso de contos da Science Fiction. Sessenta anos da morte do Wells. Foram bem óbvios no tema. Viagens no tempo.  3500 palavras. Vou pedir um tom realista pro criado. E que inclua um personagem com o seu nome, como narrador inicial. Está boa, essa posteridade para você, Marcelo? Eu venci. Marcelo? Ih… Amigo, melhor ajudar a levar esse pé-de-cana aqui pro quarto. Parece que não vai acordar tão cedo…

……………………………………………………………..

Este conto foi escrito por Felipe Holloway sob o pseudônimo “Los Pollos Hermanos”, para o Desafio Literário sobre “Viagens no Tempo”, sagrando-se campeão.

42 comentários em “Spoiler (Felipe Holloway)

  1. Raione
    13 de dezembro de 2013

    Ituiutaba foi uma homenagem oblíqua ao Luiz Vilela? Hahah

    Dentro do tema do mês de outubro, é uma abordagem sutil (é até uma abordagem do que é um tema num concurso literário, um troço metalinguístico sob qualquer ângulo). E tanto dentro quanto fora do tema é um conto excelente. Uma história rigorosa na construção e bem contada, divertida (a ironia fina que dá ao significado de criado-mudo). É impressionante o jogo de espelhos, as referências cruzadas, como, por exemplo, a forma com que a discussão sobre a obra do Truman Capote se liga à relação entre crime e literatura que os dois caras no bar vivenciam, ou então o Marcelo ecoando a assombração do criado-mudo ao narrar uma memória póstuma. Pela construção rigorosa, pela metalinguagem, o conto é redondinho, mas tbm meio aberto como um círculo, porque do mesmo modo que o conto se adéqua às especificações do concurso da Science Fiction, é tbm as palavras do Marcelo sobre a morte do Runemberg, como indicava a biografia, enfim, um “loop”, como o Rubem disse aí embaixo. Apenas a explicação da perfeição (e da inevitabilidade) das histórias do criado-mudo pelas suas propriedades aritméticas assombradas é que me pareceu um pouco frouxa. Talvez não exatamente frouxa, mas apenas parcialmente desenvolvida nas suas consequências.

    Um grande conto.

  2. Raione
    13 de dezembro de 2013

    Ituiutaba foi uma homenagem oblíqua ao Luiz Vilela? Hahah

    Dentro do tema do mês de outubro, é uma abordagem sutil (é até uma abordagem do que é um tema num concurso literário, um troço metalinguístico sob qualquer ângulo). E tanto dentro quanto fora do tema é um conto excelente. Uma história rigorosa na construção e bem contada, divertida (a ironia fina que dá ao significado de criado-mudo). É impressionante o jogo de espelhos, as referências cruzadas, como, por exemplo, a forma com que a discussão sobre a obra do Truman Capote se liga à relação entre crime e literatura que os dois caras no bar vivenciam, ou então o Marcelo ecoando a assombração do criado-mudo ao narrar uma memória póstuma. Pela construção rigorosa, pela metalinguagem, o conto é redondinho, mas tbm meio aberto como um círculo, porque do mesmo modo que o conto se adéqua às especificações do concurso da Science Fiction, é tbm as palavras do Marcelo sobre a morte do Runemberg, como indicava a biografia, enfim, um “loop”, como o Rubem disse aí embaixo. Apenas a explicação da perfeição (e da inevitabilidade) das histórias do criado-mudo pelas suas propriedades aritméticas assombradas é que me pareceu um pouco frouxa. Talvez não exatamente frouxa, mas apenas parcialmente desenvolvida nas suas consequências.

    Um grande conto.

  3. dibenedetto
    30 de outubro de 2013

    Queria ter votado nesse conto para o 1o lugar, MAS infelizmente não tinha acabado de ler ainda e botei numa posição baixa, só pra inteirar. (No fim, minha votação ficou limitada só aos sete que li).

    Voltando pra deixar o comentário agora, se é que isso é válido dentro das regras do concurso.

    Não tenho críticas, porque é genial. E isso compensa qualquer coisa.

    PS: Pablo Runemberg, Pablo Escobar, Heisenberg, Los Pollos Hermanos… olha as referência a Braking Bad aí! Parabéns.

  4. fcoglaucobastos
    29 de outubro de 2013

    Excelente conto! A metalinguagem final me surpreendeu! Parabéns!

  5. selma
    29 de outubro de 2013

    esta muito bem escrito, mas não me envolveu. parabens!

  6. José Geraldo Gouvêa
    28 de outubro de 2013

    Só fiquei com uma dúvida aqui: de que forma matar o biógrafo garantiria a sobrevida do autor? Esse plano louco só poderia ser concebido por um louco. Mas é uma crítica muito pequena a esse texto, cujo autor deverá ser doravante hors-concours. Se é que ele é quem eu acho que ele é.

    • Los Pollos Hermanos
      29 de outubro de 2013

      Fala, José Geraldo!

      Antes de responder aos outros comentários, depois do concurso, resolvi vir esclarecer a tua dúvida, por receio de que isto não tenha ficado claro, no conto. Não é o biógrafo, quem Pablo resolve executar, mas o crítico literário que supostamente elaboraria um comentário fortuito qualquer sobre sua morte, segundo a biografia produzida pelo criado-mudo. Esse prelúdio de comentário é, por acidente, a única informação que Pablo tem acerca de algo que acontecerá depois de sua morte, já que, no calor do momento, resolveu destruir o resto da obra. A única coisa concreta que conseguiu extrair dessa informação (além do fato de que, droga, ele ia morrer mesmo, como todo mundo!) foi que o tal crítico viveria mais do que ele. Depois de tantos anos vivendo dos “palpites” literários certeiros do móvel — que nunca produzira textos dignos de outro lugar que não o mais alto do pódio –, imaginei que Runemberg quase não visse possibilidades de ele, o criado-mudo, errar justo agora, no que dizia respeito à descrição de eventos ainda não ocorridos — até porque há algo de “previsão do futuro” em se ter certeza de que seu texto sempre vencerá os concursos, como o móvel fazia. Em seu desespero, Pablo imagina que não há outra saída para quebrar a “invencibilidade” aritmética do objeto a não ser tentar contradizê-lo, tentar forçá-lo a, ao menos uma vez, errar: não, Marcelo não ia viver mais do que ele, porque ele mesmo se encarregaria de assassiná-lo. Isso não garante, de forma alguma, a sobrevida de Pablo, apenas evita que ele enlouqueça, sucumbindo à paranoia de espionar, até quando fosse possível, o estado de saúde do colega, por exemplo. Eliminando Marcelo, Pablo volta àquela condição de saudável ignorância sobre os termos de nosso próprio futuro que todos temos, e que confere certa “magia” à existência.

      Penso em melhorar e aprofundar esses pormenores, quando transformar este texto num romance curto (porque, depois dessa ótima receptividade e de uma conversa com um amigo daqui, resolvi estendê-lo para além dos cortes que tive de fazer, pra encaixá-lo no limite do desafio). Darei mais detalhes depois da divulgação do resultado, pra não atrapalhar o processo.

      E eu não sei se sou quem você acha que eu sou, mas lhe asseguro que o único concurso em que eu não me sentiria uma fraude sendo considerado hors-concours seria o de imitadores do Marcelo Rezende, do Cidade Alerta. Nos demais, sem essa: tão aprendiz quanto toda a galera aqui. =)

      Agradeço muito pelo elogio, de qualquer forma.

      Abraço!

    • Ricardo
      29 de outubro de 2013

      …Se é que ele é quem TODO MUNDO acha que ele é! (rs!)
      🙂

  7. Isabella Beatriz Fernandes Rocha
    28 de outubro de 2013

    Que conto, que ideia, que tirada! Uau! Me curvo à sua superioridade. Um conto bem azarado acaba de perder seu lugar para as Memórias Póstumas de Marcelo (ou seria de Pablo?).

  8. Thata Pereira
    28 de outubro de 2013

    Simplesmente não existe uma forma de comentar esse conto. Mesmo que fizesse um comentário de 3.500 palavras elas ainda me soariam vagas. Vou dar uma de Holloway e me arriscar dizendo que espero que o autor seja solteiro… HAHA’ Parabéns!

    • Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
      28 de outubro de 2013

      Tomara, né, Thata?

      • Thata Pereira
        28 de outubro de 2013

        Cruzemos os dedos! 😉 (rsrsrs’)

    • Los Pollos Hermanos
      29 de outubro de 2013

      “Seria possível conquistar uma moça apenas por nossa escrita?”
      Kafka, numa carta a Max Brod.

      Segura essa, Kafkão! Duas! hahahaha *-*

      Lisonjeadíssimo, meninas. Além de solteiro, of course. 😉

      Mas sem brincadeira, agora, quem não tem palavras sou eu, pra responder a um comentário desses, Thata, querida. Obrigado é pouco: obriREBANHO (entra vinheta da Praça é Nossa).

      =))))))

      [indo comentar os outros contos, que a musa do prazo não espera.]

      • Thata Pereira
        30 de outubro de 2013

        haha’ descobri que o conto era seu na primeira linha 😉

  9. Frank
    28 de outubro de 2013

    Pensando um pouco, fiquei com uma dúvida: se quem fabricava os prodígios era quem fabricava e eles vinham de onde vinham (daí o encaixe do tema), como esse fabricante poderia lidar com a não autoria de “seus artefatos”? Afinal, eles já teriam existência e ele passaria a mero plagiador…ou comi bola? Lógico que se trata de ficção e só fiquei em dúvida…

  10. Frank
    28 de outubro de 2013

    Uma história simplesmente fantástica! Muito bom mesmo! O final nem se fala (sem spoilers…rs).

  11. Juliano Gadêlha
    28 de outubro de 2013

    Que conto foi esse?! Nossa cara, eu esperava encontrar algumas boas histórias no desafio, mas essa foi simplesmente sublime. Superou textos que já li de autores consagrados. Olha, ainda faltam alguns contos para eu ler, mas acho difícil algum deles conseguir superar esse aqui. Amei tudo: enredo, escrita, personagens. Aliás, na minha cabeça, o Pablo Runemberg era o Bryan Cranston rsrs. Ficaria excelente! Enfim, meus parabéns ao autor (ou ao seu criado-mudo) e meus mais sinceros agradecimentos por nos brindar com um texto tão magnífico. Excelente trabalho!

  12. Bia Machado
    28 de outubro de 2013

    Muito bom, muchacho! Só isso que tenho a dizer, já que cheguei atrasada para os elogios, rs. E ó, descobri o autor do conto antes de ler os comentários. O estilo da narrativa tá bem, beeem parecido com o do conto do desafio passado! =D

  13. Régis Messaco.
    27 de outubro de 2013

    Simplesmente bárbaro. Precisa mais? Nota mil. Preencheu todas as minhas expectativas literárias e chegou a vazer. Parabéns e abraços.

  14. Sérgio Ferrari
    27 de outubro de 2013

    hahahaha ai caralho, que conto foda. SPOILER + INSIGHT Até que enfim, ótimo.

  15. Andrey Coutinho
    26 de outubro de 2013

    É extremamente difícil escrever esse comentário sem usar nenhum palavrão. Esse conto é simplesmente SUPREMO. MAGNÍFICO. De me deixar triste por ser um escritor tão medíocre.

    …mas acho que deveria ser desclassificado, pois claramente só pode ter sido construído pela fórmula da escrivaninha para o conto perfeito.

    • Ricardo
      26 de outubro de 2013

      Sei como é este sentimento, Andrey… Rs! Compartilho dele contigo, parceiro!
      😉

    • Thata Pereira
      28 de outubro de 2013

      Melhor comentário para esse conto!!

      • Ricardo
        29 de outubro de 2013

        …Né não, Thata?! 😀

  16. Marco Nazar
    26 de outubro de 2013

    O desfecho espetacular. Compensou e muito os primeiros paragráfos e os personagens enfadonhos. Parabéns!

  17. fernandoabreude88
    25 de outubro de 2013

    Outro conto de tirar o fôlego. Senhor! Excelente dupla-ficção, numa metalinguagem cheia de alusões à literatura e escritores que prendem o leitor até o final desse mistério que tem uma conclusão de mestre.

  18. Marcelo Porto
    24 de outubro de 2013

    Magistral!!!

    Que desfecho! Não consigo pensar em outro conto para definir o vencedor, e olha que já tenho uns 6 na minha lista brigando feio.

    Grande conto, o final explodiu a minha cabeça.

    Fantástico!

    • J. Constantino
      24 de outubro de 2013

      E ainda tem essa coisa de ter as exatas 3.500 palavras, foda!

  19. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    23 de outubro de 2013

    Muito bem escrito, elaborado com cuidado de escolher elementos que tragam veracidade aos personagens e ao contexto. O final meio macabro tem sentido e dá um toque especial à narrativa. O título é bem atual e se encaixa bem à narrativa.

  20. charlesdias
    23 de outubro de 2013

    Apesar de muito bem escrito, definitivamente não é o gênero que aprecio. A falta de alguma ação tornou a leitura, pelo menos para mim, monótona, maçante.

  21. Ricardo
    22 de outubro de 2013

    É… Essa altura do campeonato e eu vou ter que refazer toda a minha sequência de votos…! Shit!
    Pessoal que tá começando: é assim que se faz, ó… 🙂
    Inveja “branca”…
    Quer ser meu amigo? Me adiciona no Face?
    Bora marcar alguma coisa! Tomar umas…

    …Eu levo a “branquinha” pra gente brindar sua (merecida) vitória. (rs!)

    😛

  22. Rodrigues
    21 de outubro de 2013

    Achei sensacional. Engraçado que tinha acabado de ler o “Romance Negro”, do Rubem Fonseca, em que um escritor descreve uma trama macabra envolvendo mortes e a sua própria invenção como romancista. Uma semelhança é esse ambiente criado em volta do tema escritores-criação literária, visto com clareza nos seguintes elementos: o evento sobre jornalismo literário diluído na conversa entre os dois escritores (no conto de Rubem, há uma aula sobre o gênero noir), a passagem de uma carreira literária de uma pessoa para a outra após a morte (no primeiro, de um escritor assassinado para o seu algoz, aqui, de um professor de matemática “encarnado” em um criado mudo para um jovem procurando seu talento e, posteriormente, para o protagonista). Para não cair em simples comparações entre as obras, em “Spoiler” existe uma ar de mistérios que permeia todo o texto, personagens muito bem construídos e uma sátira ao próprio tema do concurso. Resumindo: ANIMAL. Parabéns ao autor.

    • Ricardo
      23 de outubro de 2013

      Valeu pela dica, Rodrigues! Se o Romance Negro do Rubem Fonseca for tão bem escrito e regido quanto este conto aqui (vamos dar mais moral ao autor!), tenho certeza que irei adorar!
      😉

      • Rodrigues
        23 de outubro de 2013

        Trecho: (…) Eu sei quem é a vítima, diz um sujeito da platéia, um dos editores da
        antologia anual Polar.
        Quem é?
        O nome dele é Peter Winner, diz o editor. Os últimos livros de Winner são
        totalmente diferentes dos anteriores. A personalidade de Winner, hoje, é
        diferente da personalidade de Winner dois anos atrás. Você, Peter Winner,
        matou Peter Winner. (…)

  23. rubemcabral
    21 de outubro de 2013

    Excelente o texto; divertido, bem escrito e criativo. Ótimo o “loop” metalinguístico que fecha o conto.

    Ah, como se não bastasse o estilo do autor – vazando pelas entrelinhas – o pseudônimo a la Breaking Bad terminou por entregá-lo de vez, haha.

  24. Marcellus
    20 de outubro de 2013

    Texto fantástico, escrito por alguém que entende do riscado. Além da gramática, o tempo também chama a atenção pela fluidez.. De fato, um fortíssimo candidato.

  25. Gustavo Araujo
    20 de outubro de 2013

    Um conto extremamente bem escrito, com personagens e enredo verossímeis – apesar do mote do Desafio. Gramaticalmente, só enxerguei um erro – o uso de “estadia” quando o correto seria “estada”. Enfim, é uma história bem montada, envolvente e que impele a leitura adiante. Fiquei na dúvida quanto ao final – se seria de fato possível alterar-se “o que já estava escrito”. Mas é o tipo do dilema que torna a história atraente.

    O ponto negativo – e devemos citá-los com mais veemência quanto melhor for o texto – é que os protagonistas não cativam. Não nos levam a torcer por eles – nem contra ou a favor. Têm lá seus defeitos e qualidades, mas não atraem uma identificação imediata do leitor.

    Não me entendam mal, a história é muito boa. As alusões ao universo literário, às personalidades, aos “causos”, à ciumeira que rola entre os escritores, tudo isso revela que o autor sabe muito bem do que está falando. Essa contextualização está perfeita. Uma abordagem mais profunda dos personagens poderia tornar este conto um candidato ainda mais forte neste mês.

    Gostei, especialmente, do que não está escrito no conto. A vinculação do título à trama – algo que é percebido somente quando se chega ao final – e o fato de o texto contar exatamente com 3500 palavras. Dá para imaginar que o verdadeiro autor deste conto seria, ele próprio, o ghost writer de Pablo Runemberg.

    • Ricardo
      23 de outubro de 2013

      E esta é a “cartada de mestre” do conto, Gustavo… A “grande viagem”! 🙂

      Muito bom, mesmo.

    • Bia Machado
      28 de outubro de 2013

      Gustavo, apesar de eu preferir também “estada”, hoje o termo “estadia” já é aceito para pessoas. Informou o plantão gramatical da madrugada, hahhahahah! 😉

  26. Elton Menezes
    20 de outubro de 2013

    Sobre a história… Um enredo montado por um narrador personagem totalmente não onisciente, que vai se descobrindo conforme tudo acontece. A trama segue um caminho interessante, com um desfecho surpreendente já pela metade, e uma finalização muito boa.
    Sobre a técnica… Texto muitíssimo bem escrito, redondo, ortografia limpa.
    Sobre o título… Maravilhoso!

  27. Gina Eugênia Girão
    18 de outubro de 2013

    Como dizia certa personagem de TV, “me amassa que eu tô passada!”. Muito bom!

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Informação

Publicado às 18 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .