EntreContos

Detox Literário.

Náufrago (Marcelo Porto)

– Desculpem-nos pelos transtornos, tivemos uma pane elétrica, que já está sendo solucionada. Logo retomaremos o trajeto… A TWA e a tripulação do ferry-boat Paraguaçu, pede desculpas e agradece a compreensão.

“Que droga! Era só o que me faltava!”

Mesmo em baixa estação, a embarcação está com a sua lotação completa. Em meio ao burburinho não consigo ouvir nenhum resmungo de indignação.

“Pelo jeito, só eu estou aqui a trabalho.”

Todos começam a saltar dos carros. Faço o mesmo.

“Vou tomar um café e comer algo. Na volta aproveito para ler um pouco e me preparar melhor para a palestra.”

Na subida para o deck dos pedestres, vejo que estamos à deriva exatamente no meio do caminho entre Salvador e Itaparica. A Baía de Todos os Santos parece uma piscina de tão calma.

“Ainda bem.”

Sinto as correntes marinhas deslocando suavemente o ferry-boat na direção do mar aberto. Vejo os arrecifes da Gamboa e me vem à mente um possível choque contra eles.

“Exagero.”

Tento afastar o pensamento ruim enquanto lancho. Sem conseguir tirar o mau agouro da cabeça, vou até a balaustrada. A maré já nos tirou da trilha, estamos na altura do Yatch Clube de Salvador, ainda longe da costa. O frio na barriga aumenta ao constatar que estamos completamente soltos, ao sabor do mar.

“Pelo menos não tem nenhum navio no nosso caminho.”

Este não é o primeiro ferry, e infelizmente, não será o último a sofrer uma pane no meio da travessia. O ultimo que precisou ser rebocado estava na altura da Praia de Ondina.

“O jeito é curtir a paisagem.”

Tento relaxar contemplando os prédios fincados na encosta do Corredor da Vitória, que está bem à minha frente, imagino como ali era aprazível antes dos arranha-céus.

– Oi – uma menina de aproximadamente 10 anos, me cumprimenta.

– Oi.

– Tudo bem? Eu sou Catarina… – ela ri simpaticamente, enquanto saboreia um sorvete.

– Tudo bem. Eu me chamo Diogo.

– Achei massa o ferry quebrar, a gente pode ficar aqui passeando… – a inocência me contagia o sorriso.

– É verdade. – concordo. – Pena que nem todo mundo está se divertindo.

– Por mim… – ela demonstra o desdém com os ombros, me lançando um olhar feliz. – Dá mais tempo de ficar olhando as praias.

– Cadê os seus pais?

– Tão ali, ó. – aponta com a colher do sorvete para um casal, posicionado logo atrás de nós, atentos ao diálogo.

– Vão passear na ilha?

– Vamos. Tamos indo pra Ponta de Areia… E o senhor?

– Estou indo trabalhar.

Ela me avalia de cima a baixo, tentando adivinhar o que eu faço.

– Sou historiador. – ela me encara com curiosidade.

– O senhor trabalha contando história? – me pergunta rindo.

– Mais ou menos… – entro no clima. – Meu trabalho é mais parecido com o de um professor de História.

– Gosto mais de Geografia. – me responde de pronto, com a sinceridade típica das crianças.

– Sabia que História e Geografia são complementares? – provoco.

– Sabia não… – ela dá outra lambida no sorvete, dirigindo a vista displicentemente para a orla da cidade, demonstrando enfado.

– Está vendo aquele marco ali, no final do morro, depois dos prédios? – aponto para o extremo esquerdo da enseada do Porto da Barra.

– O que é um marco? – me pergunta olhando para onde aponto.

– Aquele obelisco… Aquilo ali, rodeado de azulejos azuis.

– Tô vendo!

– Pois bem… Há muito tempo atrás, há mais de 500 anos, foi ali que desembarcou Tomé de Souza, o primeiro Governador do Brasil. Ali também era a Vila dos Pereira, onde morava o dono da Capitania da Bahia… Do outro lado está o Farol da Barra, que naquela época era chamado de Ponta do Padrão. – ela me encara sorrindo.

Consegui atiçar a sua curiosidade.

– Veja aquela igreja, no final do morro onde está o Corredor da Vitória, ali é a Igreja da Graça. Naquele local existia uma aldeia de índios Tupinambás, que viviam brigando com o dono da Capitania, o Pereira… Era uma briga feia.

– E na Ilha de Itaparica também tinha gente? – a animação dela é tanta, que não nota o sorvete derretendo e escorrendo por entre os dedos.

– Claro que sim. A ilha também era povoada pelos índios Tupinambás. Aliás, tudo o que você vê ao nosso redor era terra deles. O nome Itaparica por exemplo, é uma palavra de origem Tupi, que significa “Cerca de Pedra”… Lembra do tal do Pereira que morava ali? – aponto novamente para a Ponta do Padrão, enquanto ela balança a cabeça afirmativamente, limpando a mão suja no vestido. – Pois é… Os índios o devoraram na ilha, pertinho de onde você vai. – assustada, ela faz cara de nojo.

– Pôxa tio, então era ruim morar aqui naquele tempo, né?

– Era bem difícil, mas teve um homem branco que se deu muito bem por essas bandas. – tento aliviar a tensão. – Ele morou com os índios, na aldeia que se localizava onde está a Igreja da Graça. Ele era tão esperto que acabou se casando com a filha do cacique dos Tupinambás.

– É mesmo?! – o brilho ressurge no olhar dela.

– Ele foi uma espécie de príncipe do Brasil daquela época, de certa forma, o nome desse ferry-boat é uma homenagem à sua princesa: Paraguaçu.

– E como era o nome dele?! – ela me interrompe.

– Ele era conhecido como Caramuru. – ela acha engraçado. – Era como os índios o chamavam, significa “Homem do Trovão” em Tupi. E olha que coincidência… Ele batizou a sua esposa de Catarina, Catarina Paraguaçu, ela era sua xará!

Um sorriso largo ilumina a face dela.

– Que massa, tio!

Conquistei mais uma admiradora para a minha matéria.

Um vento frio começa soprar repentinamente. No céu não vejo o motivo para tal variação climática.

– Olha aquilo, tio! – Catarina chama a minha atenção para uma coisa extraordinária.

Vindo do alto mar, revelando-se a partir da curva do Farol da Barra, vejo surgir uma nuvem estranhíssima.

Sinto os pelos da nuca eriçarem, o frio na barriga retorna avassalador. Por precaução, a deixo com os pais e me desloco pela varanda na direção da proa do ferry-boat. Não fui o único curioso com a nuvem ameaçadora.

Fico ainda mais apreensivo.

Uma nuvem gigante, muito semelhante a um cumulus nimbus, parece que toca o mar, a cor verde-acinzentada destoa do céu ao redor, a água abaixo dela está bastante agitada. Nada nas proximidades justifica aquela anomalia.

A impressão que tenho é que ela se desloca em nossa direção.

Quase caio com o tranco do barco. Cheguei a pensar que o motor tinha voltado, mas logo noto que uma corrente marinha está nos sugando em direção à nuvem.

O pânico se instala.

Olho para trás e vejo Catarina assustada, nos braços dos pais. Ao meu redor muitas pessoas ficam agitadas e começam a se desesperar com o deslocamento anormal da embarcação. A essa altura já deixamos para trás o Farol da Barra e estamos margeando perigosamente o Morro do Cristo, costeando a orla de Salvador, cada vez mais rápido na direção da nebulosidade.

O movimento contrário da nuvem é perceptível. Enquanto nos aproximamos, vislumbro o quanto a formação é gigantesca, o centro pulsa com intensa atividade elétrica, as descargas fortíssimas iluminam o interior daquele monstro ameaçador, prestes a nos devorar.

A luz azulada dos relâmpagos contrasta com o verde-acinzentado da formação, ampliando o desespero generalizado no barco. Em meio à confusão, corro na direção de Catarina e seus pais, que se encontram aterrorizados, grudados nos seus assentos.

Sou obrigado a lutar por três salva-vidas. Os entrego ao pai dela, que me agradece emocionado, enquanto recebe o equipamento insuficiente para todos os passageiros. Ajudo a vestir o da criança e peço que fiquem onde estão e tentem não entrar em pânico.

Resolvo ir até o comando da embarcação.

Quando chego, percebo que os marinheiros estão tão assustados quanto os passageiros. Pergunto pelo capitão e um deles me aponta para a cabine da ponte, onde um negro grisalho, grita desesperadamente no rádio.

– Capitão, o que está acontecendo?!

– Não sei! – ele responde sem me olhar, enquanto espanca o aparelho a sua frente. – Tô tentando falar com a Capitania e essa merda não funciona!

Quando se volta para mim, me encara questionador.

– E você? Quem é?!

– Ninguém. Só quero ajudar, precisa de algo?

– Preciso! – ele me dá uma caixa de metal enferrujada. – Vai lá embaixo, na sala de máquinas e leva essa caixa de fusíveis!  – é óbvio que está com falta de pessoal.

Os outros dois marinheiros estão trabalhando na âncora, ele tá no leme e parece que o resto da tripulação está trabalhando no motor.

– Como eu chego lá?!

– Desce até a lanchonete do último deck, abaixo do convés dos carros, pergunta ao funcionário do restaurante que ele te mostra!

– E depois?!

– Entrega essa caixa pro eletricista e reza!

Desço acelerado, passo pela família de Catarina. Meu olhar se cruza com o da menina e sou obrigado a fingir uma tranquilidade que não sinto. Ela sorri timidamente e acena, enquanto eu corro em direção aos níveis abaixo.

O gordo de macacão azul, quase preto de sujeira, está suado e com o rosto todo manchado de graxa. Na casa de máquinas o calor é infernal. Junto com ele, mais um ajudante que abre outras tampas na lateral do motor imenso.

Aproximo-me e entrego a encomenda.

– Valeu! – o eletricista não perde tempo, pega três peças parecidas com pilhas AAA e as encaixa do que parece ser a caixa de fusíveis do motor do navio. – Tenta agora! – grita no ok tok.

Imediatamente o motor ruge.

– YES! – o homem soca o ar, quase me acertando.

Antes que eu participasse da comemoração, o quadro explode soltando faíscas.

– Puta que pariu! Pára, pára! – o gordo berra no rádio. – Deu merda aqui, os fusíveis não aguentaram!

– A nuvem tá puxando a gente, porra! – reconheço a voz do capitão do outro lado. – Tem que botar esse motor pra funcionar agora!

Mais um tranco e sentimos o navio adernar.

– Vou tentar ligação direta!

– Faz isso!

– O cabo tá aí em cima! – o eletricista grita me olhando. Não precisa dizer mais nada, saio correndo da sala de máquinas e vou em busca do cabo.

O ferry jogava de um lado para o outro, estávamos no meio da tempestade. Quando cheguei ao convés dos carros, parecia que já havia anoitecido. Mas ainda era de manhã. A embarcação chacoalhava e o barulho era insuportável.

O pânico havia se instalado, não dava para ver nada, o nevoeiro intenso e as descargas elétricas não me deixavam ver além do barco.

Tentando controlar o pavor, subi correndo para a ponte, evitando ir por onde Catarina se encontrava. O capitão já me esperava com um cabo reforçado nas mãos, o coloquei no ombro e senti o peso além do esperado.

Neste momento a proa do ferry se iluminou. Vi uma luz azulada dominar a nebulosidade, um vórtice estranho se formou e sugou a embarcação rapidamente, causando um formigamento esquisito no meu corpo.

Percebi que o capitão também sentira a mesma coisa.

Não deu tempo nem para sentir medo. Como num passe de mágica, estávamos do outro lado do vórtice. Ainda envolto pela tempestade em alto mar.

Da mesma forma que nos levou para dentro da nuvem, a correnteza nos afastou. Instintivamente, olhei para o litoral procurando nos localizar, embasbacado, deixei o cabo cair.

O capitão ficou tão pasmo quanto eu.

Não havia nenhuma construção em terra.

Só floresta fechada, margeada por praias intocadas.

– Que porra é essa?! – o capitão não conseguiu conter o espanto. – Aonde a gente veio parar?

Me fiz a mesma pergunta.

Eu conheço o contorno do litoral. Era a praia do Rio Vermelho e o Morro do Conselho, com certeza. Mas sem nenhuma edificação aparente.

Antes de entrar na tempestade, as construções à beira mar dominavam a paisagem. Agora nada.

Só praia e floresta.

– Capitão o que está acontecendo?! – desta vez quem apareceu foi um dos marinheiros.

– Não tenho a mínima ideia!

Por trás do tripulante, na proa do ferry-boat, surgiu um navio exótico.

Uma caravela.

– O que é aquilo?! – o marinheiro perguntou assustado.

– Parece uma caravela portuguesa! – respondi incrédulo.

– Uma caravela?! – o capitão não acreditava nos próprios olhos.

– Uma caravela portuguesa do século XVI! – balbuciei, identificando as velas e os mastros característicos da embarcação antiga.

Olhei para o outro lado e a tempestade estava se deslocando para o sul, margeando a costa verdejante.

Reconheci imediatamente a Ponta do Padrão, onde deveria estar o Farol da Barra.

– Capitão, acho que voltamos no tempo!

– Você tá maluco! – o homem não conseguiu conter a irritação.

– Olhe ao seu redor… Estamos no litoral do bairro do Rio Vermelho e cadê a cidade?!

Ele esquadrinhou a costa. Os seus olhos treinados buscavam as mesmas referências que utilizei.

– Foi a nuvem! A gente precisa voltar por aquele túnel!

Assustei-me com um estrondo e vi uma chuva de água salgada respingando no convés dos carros.

A nau portuguesa abrira fogo.

– Esses filhos da puta tão querendo afundar a gente! – protestou o capitão.

A raiva do velho marinheiro não o deixava raciocinar. Aquelas balas de canhão nunca iriam afundar um colosso de aço como um ferry-boat. No máximo poderia causar alguns ferimentos aos passageiros.

“Catarina!”

Desci rapidamente ao convés de pedestres e encontrei um reboliço pior que eu imaginava. Os pais da menina ainda tentavam manter-se calmos. O pânico era generalizado. Quando os encontrei, soube que algumas pessoas haviam se jogado no mar, durante a passagem pelo vórtice. Deus sabe aonde foram parar. Agora mais alguns ensaiavam o mesmo.

– CALMA PESSOAL! – subi numa das poltronas e gritei, tentando impor a ordem. – CALMA! O CAPITÃO JÁ TEM O BARCO SOB CONTROLE!

– TEM UM NAVIO ATIRANDO NA GENTE! – bradou alguém.

– ISSO É APENAS UM TREINAMENTO, SÃO FOGOS DE ARTIFÍCIO! – menti. – TENHAM CALMA POR FAVOR! NÃO ADIANTA ENTRAR EM PÂNICO, JÁ ESTAMOS SAINDO DA TEMPESTADE E LOGO TUDO VAI FICAR BEM…

Pedi a um marinheiro para assumir, peguei os pais de Catarina e os levei para a ponte, tentando protege-la daquele ambiente instável.

– O que tá acontecendo, tio?! – ela estava nitidamente assustada.

– Ainda não sei… Mas fique tranquila, vocês ficarão protegidos.

Quando chegamos ao comando, o capitão gritava no ok tok: – A gente tem que voltar antes que a nuvem desapareça! – brigava com o eletricista.

Outro tiro de canhão.

Desta vez os portugueses ajustaram a mira.

O disparo acertou a ponte em cheio, destruindo parcialmente a cabine do capitão. Com o impacto fui lançado perto do guarda-corpo, quase caindo na água.

Em meio a destroços e fumaça, ouvi o grito desesperado da mãe de Catarina.

Ela havia caído no mar.

– ELA NÃO SABE NADAR! – o pai precisou conter a mulher para que ela não se jogasse.

– VOCÊ TAMBÉM NÃO! – o olhar do pai era devastador. Vi naquele homem a imagem da desgraça, se soltasse a mulher, perderia as duas.

Não pensei duas vezes. Saltei atrás da criança.

O mar estava agitado, Catarina, vestida com o salva-vidas boiava um pouco mais à frente de onde cai. Temia que ela fosse sugada para baixo do barco. A queda foi grande, senti o ardor intenso nas costas, na hora que bati na água fria.

Tentando esquecer a dor e medo, nadei até ela.

– Calma! – ela me olhava em estado de choque. – Você está com o salva-vidas e não vai afundar… Eu estou aqui para te ajudar! Tenha calma!

– JOGA UMA BOIA! – gritei.

Muitas pessoas estavam na balaustrada, todos assustados com a tempestade e com o ataque dos portugueses, que não davam trégua. Duas boias foram lançadas.

Segurei numa das alças do salva-vidas de Catarina e nadei com dificuldade até a mais próxima. As ondas cresciam, o mar se encrespava ainda mais. Puxaram a outra boia e a lançaram novamente, mais perto de nós.

Encaixei a primeira por baixo das axilas dela e me segurei também, tentando nos manter acima da linha d’água.

– Eu tô com medo, tio!

– Calma meu anjo, já vão te puxar!

Eu tentava desesperadamente alcançar a outra boia. Os vergalhões me impediam.

Num relance entre uma onda e outra, vi um dos marinheiros descer acelerado pela escada lateral. Nos ombros, o cabo que o eletricista precisava para fazer a ligação direta.

O capitão não esperaria por nós.

– Pronto meu anjo, já vão te puxar. Daqui a pouco eu também vou! – sinalizei para que a levassem à bordo.

Num esforço sobre-humano, nadei até a outra boia e consegui me encaixar nela, enquanto Catarina era içada, chorando copiosamente.

Eles a erguiam com cuidado devido ao intenso balanço. Eu conseguia ouvir os carros se chocando dentro da embarcação, deslocados pela agitação do mar. No convés, cruzei com o olhar do pai, profundamente agradecido.

Neste momento nos assustamos com o ronco poderoso do motor do ferry-boat.

Um relâmpago rasgou o céu e a embarcação começou a virar.

– ME PUXA! ME PUXA!

Desesperado, senti a corda retesar e comecei a me aproximar perigosamente da lateral do barco em movimento, manobrando na direção sul, rumo ao olho da tempestade.

O pai de Catarina me puxava apavorado, junto com outros homens, não conseguia ouvi-lo, mas era nítida a sua angústia.

Quando já estava parcialmente fora da água, vi que a caravela estava posicionada exatamente na frente do ferry-boat, bloqueando a nossa passagem. Não havia como manobrar.

O capitão seria obrigado a abalroar a embarcação portuguesa.

Mesmo tentando me afastar do casco, as cracas me feriam dolorosamente. A poucos metros da salvação, um tranco violento me fez chocar contra as cascas de ostras e despencar, deixando uma trilha de sangue no aço. Com as costas ardendo e em carne viva, olhei para cima e vi na face do pai de Catarina o esforço colossal que ele fazia para me segurar sozinho, todos os outros haviam fugido para dentro do deck de pedestres.

Outro tranco, ainda mais violento que o anterior.

Olhei para a proa e descobri o porquê daquela trepidação infernal.

A nau portuguesa era despedaçada em duas. O barulho da colisão era ensurdecedor, as toneladas de madeira e ferragens sendo trucidadas causavam vários solavancos no ferry-boat, fazendo-o sacudir perigosamente. Seguro apenas pela frágil corda e pelo estoicismo do pai de Catarina, meu corpo balançava como se fosse um boneco, chocando-se dolorosamente contra o casco cheio de navalhas.

O tombadilho da caravela vergou em minha direção, desmoronado como um castelo de cartas, os escombros do mastro principal, junto com os canhões e a metade traseira, vinham resvalando violentamente contra o casco do ferry-boat, raspando e arrancando pedaços da couraça, se aproximando mortalmente de mim e do pai angustiado, que me segurava heroicamente.

Só tive tempo olhar para cima e ver os olhos marejados do homem, que foi obrigado a me soltar para salvar as nossas vidas.

Senti o choque da água fria novamente. Em total desespero bati as pernas agarrado à boia, tentando me afastar do vácuo gerado pelas poderosas hélices e pelos destroços da nau portuguesa, que despencavam por todo lado.

No afã de me salvar, engoli muita água. Quando o turbilhão cessou, percebi que havia me afastado a uma distância segura do desastre.

Estava definitivamente fora do alcance do ferry-boat.

No meu entorno vários escombros da caravela, um pouco mais à frente ainda consegui ver o castelo de popa sendo engolido pelas águas agitadas. Ainda escutava gritos e gemidos ao largo. Sem alternativa, comecei a nadar na direção do litoral.

Enquanto rumava para os arrecifes da foz do Rio Vermelho, pude ver o imenso vórtice que se formou quando o ferry-boat alcançou o olho da tempestade. Uma série de trovões e relâmpagos iluminou o céu nublado, a embarcação sumiu dentro da luz azulada, encoberta pelas nuvens verdes-acinzentadas, ao mesmo tempo em que milagrosamente eu conseguia alcançar as pedras da base do Morro do Conselho.

Meu pulmão ardia, a garganta estava extremamente irritada e as feridas pulsavam agredidas pela água salgada. Todos os músculos do meu corpo estavam esgotados pelo esforço extremo.

Quando levantei, apoiado nas pedras da foz do pequeno rio, vi que não estava sozinho. Um grupo de índios gritavam assustados. Em meio a palavras desconexas, uma se destacava.

Caramuru… Caramuru!

35 comentários em “Náufrago (Marcelo Porto)

  1. Marco Nazar
    30 de outubro de 2013

    Um conto digno de uma continuação. Aventura eletrizante, e ainda me ganhou por ser em terras brasileiras. Muito Bom. Parabéns!

  2. Felipe Holloway
    29 de outubro de 2013

    Excelente!

    Eu tinha encrespado com o didatismo gratuito da conversa com Catarina, mas só até o momento em que descobri que, de gratuito, ela nada tinha. O autor demonstra amadurecimento na condução das cenas de ação, tendo o tanto necessário de descrição sem soar inverossímil, porque se há uma coisa que odeio é narrador que se detém explicando detalhes histórico/geográficos quando está lutando para se manter vivo, mesmo que seja a descrição pretérita dessa situação.

    O final, nem vou comentar. Oportuno e surpreendente demais!

    Parabéns, meu amigo. E bem-vindo ao meu grupo dos favoritos. =)

    • Marcelo Porto
      30 de outubro de 2013

      Cara, fiquei torcendo para que você lesse o meu conto. Primeiro porque votei no seu para vencedor no primeiro e neste desafio, segundo porque acho as suas criticas excelente, mesmo as que detonam, e o meu objetivo aqui é aprender com os melhores.

      Sem rasgação de seda, estar entre os seus favoritos é um feito e tanto. Obrigado e parabéns pelo merecido bicampeonato.

  3. charlesdias
    29 de outubro de 2013

    Boa história, bem escrita … mas achei que faltou um “tempero” para torná-la mais interessante.

  4. Bia Machado
    28 de outubro de 2013

    Eu gostei, bem criativo, trama bem “sacada”! Eu fiquei entretida com ele e não imaginava como seria o final, aliás, estava era morrendo de medo de um final trágico… Dos males o menor! Agora gostaria de saber o que acontece depois, ué. Por isso o material dá pano pra manga, a narrativa está muito boa. Parabéns!

    • Marcelo Porto
      30 de outubro de 2013

      Olá Bia,

      Grande surpresa em saber que você também mora em CG. Vamos nos reunir pra conversar um pouco mais sobre literatura, estou envolvido num projeto que acho que pode ser bacana pra gente que mora aqui, me acha no facebook que a gente conversa mais.

      Obrigado pelo voto.

      Abs.

      • Bia Machado
        30 de outubro de 2013

        Ok, Marcelo! Te procuro por lá! 😉

  5. Juliano Gadêlha
    24 de outubro de 2013

    Muito bem narrado o conto, bastante descritivo. Fui lendo e automaticamente um filmezinho ia tomando forma na minha cabeça, tal foi o detalhamento do autor. Enredo inserido na história nacional, com fiel descrição dos lugares e dos fatos históricos, somado à perfeita utilização do tema. Para mim, os acontecimentos foram de certa forma bem previsíveis, mas pelo jeito muitos foram pegos de surpresa pelas reviravoltas da trama, então objetivo alcançado. Achei que a história se encaixou perfeitamente nesse formato. Qualquer continuação seria desnecessária, até porque o resto já é história. Parabéns ao autor!

  6. Arnold Arg
    24 de outubro de 2013

    Uma leitura cheia de brilho de Hollywood (risos) e que certamente vai ser desenvolvida há algo maior como a escrita de um bom livro, tem espinha dorsal pra esse feito . Boas qualidades de escrita que facilitou a leitura. É isso aí!

  7. fernandoabreude88
    24 de outubro de 2013

    Gostei. Até agora, a história mais bem contada que li por aqui. O narrador sabe como levar o leitor entre essas ondas e tiros que tentam arrebatar a embarcação. Assim como um comentário que li abaixo, achei apenas os pais da menina meio tongos, rs. Mas vá lá, o conto é bom e isso não estraga ele, não.

    • Marcelo Porto
      30 de outubro de 2013

      Muito obrigado pela critica e principalmente pelo voto.

      Já disse antes, mas não custa repetir, essa interação é que me faz participar dos desafios e agrega muito para a nossa evolução como escritor.

      Obrigado!

  8. Andrey Coutinho
    23 de outubro de 2013

    Uau! Que excelente história! Esse é sobre “Viagem no Tempo” em todos os sentidos… O fato do personagem ser um historiador efetivamente serve como uma máquina do tempo para transportar o leitor para tempos imemoriais da colonização. Isso e a insólita tempestade…

    O conto é repleto de ação, e a reviravolta final foi muito bem colocada. Admito que mesmo com as dicas, não pude prever o desfecho.

    Parabenizo o autor pela capacidade de utilizar elementos culturais nacionais com maestria. Nossa História é repleta de episódios e personagens que merecem ser explorados narrativamente nos mais diversos gêneros e estilos literários.

  9. Sérgio Ferrari
    22 de outubro de 2013

    Legal. Um belo começo. Gostei, só que olhe só, como podemos aprender com ele…Na parte descritiva e de diálogo. Algumas poucas palavras pra descrever aquilo que o historiador estava olhando…digo da paisagem daqueles pontos de referencia…Tipo: “corredor da vitória”, quais as “cores” dele, a geografia, dentre outros pontos. Uma narrativa rica de detalhes, mas equilibrados pra não serem enfadonhos….Mas nem sempre precisam de detalhismo, enfim, as vezes precisa, as vezes não. Até por ser um historiador narrando, seria legal ver mais riqueza. E os diálogos, passaram de “o inicio de uma troca interessante” para uma corrente de gente falando palavrão. Acho q os palavrões ficaram deslocados…poderia ter !!!!descrito!!! reações pra trocar os palavrões….e adjetivar o cara de “gordo” destoou também do narrador-historiador, acho mesmo q ficou algo bem raso simplesmente ficar falando “o gordo isso, aquilo…”… enfim, tem outros meios mais apetitosos de tratar os engordurados. Enfim… faltou pouco pra ser “aquele conto” bacana. 😉

    • J. Constantino
      24 de outubro de 2013

      Boa critica Sergio,

      Como você, muitas pessoas não ficam à vontade com palavrões em textos literários, no último desafio isso foi inclusive motivo de muito debate.

      Também não fico confortável quando vejo uma narrativa onde os palavrões ganham mais força que o dialogo.

      Defendendo o meu filhote, (rsrs) repare que o historiador em momento algum fala palavrões (ele apenas os ouve), outro ponto são os personagens. São todos baianos e não sei se você conhece algum baiano ou já foi à Bahia, mas todos nós da Boa Terra, falamos palavrões pra porra (rsrs), isso faz parte do linguajar local e convenhamos, os caras estão com os nervos à flor da pele e não dá para um mecânico de ferry-boat falar: “Filho da mãe!!! O fusível continua com defeito, parem as máquinas!!!” , ia ficar com cara de dublagem de filme da Sessão da Tarde (rsrs).

      Vou tentar ser mais politicamente correto nos próximos, mas já antecipo que quem descreve os outros é o personagem, não sou eu (rsrs).

      Abraços!

      • Sérgio Ferrari
        24 de outubro de 2013

        Ah é, vc tem razão mesmo. Sabe, eu adoro palavrão, não tenho problemas com ele. Só acho que no caso, mesmo sendo a reação dos outros ao redor do narrador, ficaram meio deslocados no conto, impressão foi minha. Não sei, eu estava pensando que seria uma boa colocar descritivas do desespero dessas pessoas e não elas falando efetivamente o palavrão. E reforço, não que eu não goste, é que para o conto, pareceram muito gritantes. Mas é foda pra caralho balancear essas porras todas, pqp, eu bem sei. hahaha 😉

  10. José Geraldo Gouvêa
    20 de outubro de 2013

    Este texto deveria servir de exemplo para os jovens johnnies que acham que não se pode escrever boa ficção com ambientação brasileira. Tem seus defeitos, especialmente alguns diálogos meio pasteurizados (incluindo o da menina), mas no geral ele é muito dinâmico, passando rapidamente pelos lugares onde poderia escorregar. A ambientação histórica com cor local revela pesquisa da parte do autor, que inclusive colocou a história em um local determinado, resultando em mais credibilidade com o leitor.

    Até agora o melhor que li.

    • Marcelo Porto
      30 de outubro de 2013

      Nunca havia participado de concursos até surgir o Entrecontos. No primeiro fiquei impressionado com a qualidade dos contos e principalmente com o potencial de crescimento que essa interação me proporciona.

      As suas criticas, desde a primeira, lá no desafio dos cemitérios, se tornou uma referencia para mim. Primeiro pela objetividade e depois pela verve, estar entre os seus preferidos é muito bom!

      Muito obrigado.

  11. Elton Menezes
    20 de outubro de 2013

    Sobre a história… Espetacular! A idéia do narrador protagonista que se insere no contexto história e, veja só, acaba sendo a própria história dá margens a muitos desdobramentos tempo-espaço. O texto foi simples, direto, de certa forma deu para prever, mas nada disso tirou a força do que foi apresentado, e a história por completo foi redondinha.
    Sobre a técnica… Fiquei um tanto perdido com a intenção inicial. Se o conto é construído em narrativa-personagem, e ainda no presente, por que intercalar a narrativa com diálogos de pensamento, já que a própria narrativa é um diálogo pensamento? O texto tem uma elaboração muito boa e concreta, mas existem passagens ocasionais que merecem ser reavaliadas. Vou dar exemplos: “nuvem gigante, muito semelhante a um cumulus nimbus” – o que seria muito semelhante, nesse caso?… “estão trabalhando na âncora, ele tá no leme” – esse tá foi mortal… “ok tok” – esse eu realmente fui pesquisar pra ver se não estava louco, e não estou: É WALK TALK!!! Além disso, a partir de “o ferry jogava”, o texto muda do presente para o passado, sem mais nem menos. E não foi intencional, foi mesmo um erro de tempo verbal que MERECE ser consertado, já que a qualidade da obra é tão grande. Portanto, revise e limpe essas pequenas coisas!
    Sobre o título… Muito bom como metáfora, mas entrega boa parte da história, ajuda a prever os acontecimentos. Infelizmente, não consigo imaginar outro, mesmo que o poder de spoiler desse seja grande.

    • J. Constantino
      24 de outubro de 2013

      Grande critica Elton, estou envergonhado com o “OK TOK”. Confesso que isso me incomodou até a ultima revisão e na pesquisa que fiz (olha como o google nem sempre ajuda) encontrei os WALKIE TALKIES com este nome e o mantive na história.

      As suas observações são de grade valia, certamente revisarei na próxima versão.

      Obrigado.

  12. Marcellus
    20 de outubro de 2013

    Gostei do texto, a ideia de unir ficção e História sempre me atrai. Mas o autor entregou o final cedo demais, ficou muito óbvio quando contou à menina sobre sua xará. Isso, aliado ao título, enterrou a história. Se tivesse omitido a frase e escolhido outro título, o desfecho poderia ser sensacional.

    Mas é um bom conto, sem dúvida. Parabéns!

  13. bellatrizfernandes
    18 de outubro de 2013

    Achei bem bacana, e seria super massa voltar no tempo desse jeito, embora um pouco desesperador. Foi bem construído e gostoso de ler.
    Algumas observações: Eu me perdi um pouco no começo, já que não conheço nada da geografia da cidade (é legal ter cuidado com isso quando for descrever o cenário).
    Ele não pensou nem por um segundo em tudo o que ele deixou para trás (toda a civilização e tudo o mais). Ele não teria família, amigos, de quem sentir falta?
    Acho que é isso.

    • J. Constantino
      24 de outubro de 2013

      Olá Bellatriz,
      Claro que pensei na vida que o protagonista deixou para trás, mas se a colocasse no texto o conto se transformaria num romance (rsrs). Valeu pelo toque com a descrição da cidade, tentei ser o mais superficial possível e colocar pontos turísticos e históricos já bastante conhecidos para que todos se localizassem.

      Vou tentar ser mais claro nos próximos.

      Obrigado.

  14. Claudia Roberta Angst (C.R.Angst)
    17 de outubro de 2013

    Cenário geográfico e histórico bem construído, sem deixar a narrativa pesada. Final talvez previsível, mas nem por isso menos instigante. Muito bem elaborado. Parabéns.

  15. Gustavo Araujo
    13 de outubro de 2013

    Gostei bastante. A contextualização histórica não é forçada, mas sim cativante. O diálogo do protagonista com a menina foi muito bem inserido. Morei em Salvador e as indicações geográficas e históricas realmente me fizeram voltar no tempo, rs. Ainda que eu tenha adivinhado o final no momento em que o protagonista-narrador disse seu nome – Diogo – não pude resistir à velocidade como a trama se desenrolou. Uma história que apresenta algumas falhas (“vergalhões” em vez de “vagalhões”, p.ex), mas que no geral, pelo menos até aqui, foi uma das melhores que li neste Desafio. Parabéns.

    • J. Constantino
      24 de outubro de 2013

      O principal motivo pelo qual participo deste desafio é a possibilidade de receber criticas como esta. Se não fosse por sua observação continuaria a utilizar a palavra VERGALHÕES em vez de VAGALHÕES.

      O feedback de colegas (ouso a me identificar como tal) mais experientes e bem mais competentes que eu é fundamental para a minha evolução.

      Obrigado.

  16. Jefferson Lemos
    11 de outubro de 2013

    Gostei bastante do contexto histórico utilizado no texto, e da forma como a história se desenvolveu. Confesso que em algumas partes eu estranhei o tipo de narrativa em que o conto se passava, mas gostei bastante dos diálogos, ficaram bem encaixados e espontâneos. Está de parabéns, ficou muito bom.

  17. Rodrigues Araujo
    11 de outubro de 2013

    O conto tem uma velocidade incrível e me prendeu desde o começo. O contexto histórico é bem desenvolvido (ao menos para mim, pois não sou historiador) e as descrições estão impecáveis. Nas linhas velozes, percebe-se a construção de um herói, que nos faz caminhar ao seu lado e, juro, senti arrepios na passagem em que ele cai na água e depois fica com as costas em carne viva tentando subir novamente ao ferry. Coeso, enxuto, vibrante, o conto fica marcado na memória como uma superprodução de Hollywood. Algo ali pelo final me desagradou, mas acho injusto citar, vista a maestria da criação e condução da história. Parabéns ao autor.

  18. rubemcabral
    9 de outubro de 2013

    Fiquei dividido com o conto. Se por um lado eu adorei a “aula” de história discretamente inserida, por outro achei muito forçada a colocação do historiador como um “action man”, além de achar os pais da Catarina dois imensos bananas, rs.

    Bom conto!

  19. Frank
    9 de outubro de 2013

    Um excelente trabalho! As cenas estão muito bem descritas, o recurso do diálogo com a menina foi uma ótima sacada para informar o leitor e, a aula de história, é um prazer à parte. Talvez eu removesse algumas informações, pois já no meio do conto percebe-se o que vai acontecer; isso tornaria o final menos previsível!
    Parabéns!

  20. Gilnei
    8 de outubro de 2013

    Sequencia histórica dos fatos muito bem trabalhadas. Muito bom.

  21. Alan Machado de Almeida
    6 de outubro de 2013

    Gostei da história principalmente por se passar em um cenário familiar, já que sou baiano também. O loop temporal na trama foi bem interessante.

  22. Thata Pereira
    6 de outubro de 2013

    Muito bacana! Adoro essa mistura do real com o irreal. Foi um cenário muito interessante de ser imaginado, diria até gratificante. Passou um filme na minha cabeça. Parabéns!!

  23. Inês Montenegro
    5 de outubro de 2013

    O uso do diálogo inicial com Catarina foi um bom recurso para contextualizar e informar o leitor. O final é previsível, mas a estrutura é boa, bem como a escrita. Gostei de ler.

  24. Ricardo
    5 de outubro de 2013

    Muito bom. Fácil de visualizar as cenas e sente-se a emoção (medo, ansiedade…) de uma batalha naval, mesmo sem as tecnologias atuais, como se estivéssemos mesmo participando dos acontecimentos históricos. Interessante ressaltar como é recorrente no imaginário coletivo associar viagem temporal com eletricidade. Aqui, então, o autor ainda pode associar viagem temporal com temporal (raios, trovões, brilhos, luzes azuladas…), propriamente dito. Rs!
    Vale a leitura!
    🙂

  25. selma
    4 de outubro de 2013

    achei otImo! muito envolvente, bem escrito (ate palavrões bem colocados…) uma grande aventura!
    um final condizente com a historia toda. só precisei ler uma unica vez para entender e gostar! parabens!

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Informação

Publicado às 3 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .
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