EntreContos

Detox Literário.

Ardor e Dor (Ana Paula Lemes)

Ardor e dor

Hoje é um dia como outro qualquer. Um dia que se repete e é sempre igual quando acordamos presos por grades que parecem não querer nos deixar ver o dia. Essa imagem está marcada e composta em minha mente e, mesmo que anos se passem, ficarei com esse retrato paralisado, encantado, cotidiano, sempre em algum espaço vazio que os pensamentos enfim sempre deixam. Hoje percebo que são apenas grades. Chego a imaginar se as autoridades tenham chegado realmente a pensar um dia que essa cela segure quaisquer pensamentos, ou que nos façam realmente prender quaisquer desejos que aqui já existam. Hoje chego realmente a acreditar que essa cela não cura ninguém, apenas faz mentes se tornarem ainda mais fortes, personalidades mais doentias, e os pensamentos se concretizarem cada vez mais. Ninguém verdadeiramente reflete nesse tempo e se arrepende. Pelo menos é o que chego a imaginar agora.

Primeiro, permita-me apresentar. Sou filha do amor, fruto da paixão mais verdadeira. Muitos dirão que sou apenas uma mente insana, uma anomalia da sociedade. Que importa? Eu me vejo verdadeiramente como alguém normal, mais normal que muitos de vocês. Não neguei meus instintos, fui mulher severa. O que me fez tornar o que sou, ou realizar o que realizei, foi o amor, o puro amor, o amor nuvioso, carrancudo, amadurecido… Apenas tive a coragem que falta a muitas pessoas. A omissão e a covardia de uma sociedade hipócrita, sempre a negar sua verdadeira essência.

Não sei se me dirijo agora a um público específico, ou se falo comigo mesma para não deixar o tempo, esse companheiro voraz, devorar-me por inteira. Talvez eu esteja apenas ecoando a sua memória, para ela não se apagar jamais dentro de mim, pois, sem ela, o vazio se torna pleno e minha vida perde o sentido. Só quero deixar claro que não tenho quaisquer pretensões de justificar o que fiz. Tudo que fiz foi em plena consciência e não quero me desculpar, nem para mim nem para qualquer outra pessoa, as minhas atitudes.

Meu nome é Laura e sempre fui uma pessoa normal. Estudei nas melhores escolas, meus pais me deram tudo o que sempre qualquer criança pôde desejar. Amor também, nunca me faltou. Sempre pude ter os rapazes que desejava, sempre pude amar e ser amada. Tive muito amigos e fui muito querida em todos os lugares nos quais estive. Mas como tudo é passageiro e efêmero, um dia minha vida também mudou.

Mal sabia eu que minha biografia poderia mudar assim, tão subitamente, naquela tarde. Uma repentina imagem de um rapaz fez minha vida correr inteira por meus olhos, fez minha vida se dilacerar assim, em poucos segundos. Quem de vocês nunca sentiu o verdadeiro amor florescer dentro de si? Quem nunca sentiu a flor dos desejos prosperarem tão belos diante dos olhos? Assim que o vi soube que era pra sempre, que era aquele o sonho que sempre sonhei pra mim, e todas as outras coisas perderam a acepção diante daquela imagem. Seu nome agora não importa mais… Ele era simplesmente o amor concretizado. Nós nos amamos e fomos felizes, por um período tão curto, embora tenha sido o mais feliz de toda a minha vida.

Um dia meu sonho acabou. Acabou por uma rosa sem cor, de nome Estela, que havia se tornado a estrela a iluminar as suas noites. E eu não podia suportar a dor da perda, a dor da troca. A dor de não poder tê-lo nunca mais em meus braços, a dor do sonho abortado, do desejo irrealizado, do amor perdido. Não suportava a idéia de ter ela lugar em seus pensamentos… Eu, quem a tudo podia ter, via-me finalmente derrotada, por alguém que nem chegou a lutar. E eu, que havia lutado bravamente por todo aquele sonho agora perdido, era apenas a imagem pálida da pena que talvez ele pudesse vir um dia a sentir de mim…

Muitos de vocês talvez conheçam a frieza do abandono de quem mais se desejou. O tempo foi me tornando fria, cansada, sem motivos de continuar vivendo. Ele tentou ser o melhor pra mim nesse tempo, tentou ser agradável, mas suas tentativas de me dar o amor, a amizade, só fizeram ainda mais sedimentar em mim a idéia que se passou como se fosse um presente divino.

Decidi acabar com a vida dele, já que não podia mais tê-la. Não da maneira como desejei e ainda desejava. Sucedi meu plano em uma quinta-feira, como hão de ser sucedidos todos os planos mais sombrios (sempre achei que a quinta-feira revelava mistérios que poucas mentes talvez chegassem a compreender).

Liguei para ele, simulei algumas lágrimas e disse que precisava conversar. Ele, sempre tão atencioso, como o era com todas as pessoas que estavam ao seu redor (pensei sentir algum reflexo de amor naquela sua atitude, mas logo depois eu tirei essa idéia da cabeça e entendi a verdadeira natureza de seu caráter), prontificou-se e veio correndo ao meu encontro. Assim que ele chegou à minha casa e eu o vi, tão esplêndido no seu sorriso familiar, soube que era o que realmente devia fazer. Não consigo me lembrar de nenhum momento que minha mente tenha vacilado, tenha pensado em voltar atrás com meu plano. Antes de matá-lo, tentei uma última abordagem, deixei claro meu amor e meu perdão prévio. Mas ele novamente me negou, alegando não poder dar a mim seu amor, pois esse já pertencia a alguém, a Estela. Aquelas palavras doeram tanto em mim que mal pude me conter… Ofereci-lhe uma bebida. Ele aceitou um copo de água, que logo me apressei em colocar os soníferos. Obviamente, ninguém espera essas coisas de garotas como eu, da alta sociedade, com uma vida inteira pela frente para condenar assim, em poucos segundos, às algemas. Mas o que poucos entendem que o que me prendia mesmo era aquele amor sufocado. Pouco antes de adormecer, ele murmurou algo sobre ir embora, e eu logo me apressei a tampar sua boca e mergulhar um pouco de clorofórmio (antecipadamente preparado no caso de necessidade, como foi o caso) sobre seu nariz, para embriagar seus sentidos, e tão logo ele caiu adormecido. Assim que ele dormiu completamente, eu beijei seus lábios e o toquei, como gostaria há muito de ter feito, mas sabia que tinha que agir rápido, antes que ele pudesse despertar… Despedi-me pela última vez de ver seu tórax ainda se movendo; mas isso tudo era muito pouco para mim. Apressei-me, e, com uma faca, apunhalei seu peito diversas vezes (evitei usar armas de fogo para que não houvesse barulho ou desconfianças), e, ao ver seu sangue, deitei-me nele, me deliciei ao ver a sua vida se esvaindo assim, sobre meu corpo, minhas mãos… Ao vê-lo morrer, com os olhos adormecidos e, ainda, sem saber que fui quem o matou, sem assistir ao término de sua existência, marquei em mim a idéia de que ainda havia amor, que eternizou naquele seu último olhar, o olhar de quem não sabe, de quem não viu e nunca vai saber… E, mesmo se chegasse a saber, guardo em mim a esperança de que nunca viria a me culpar pelo meu amor.

Ri ao pensar que aquele corpo era novamente meu, só meu. Ri ao pensar que quando a rosa sem cor soubesse da notícia, e fosse informada que ele morreu assim, frágil, sob meus braços, e que os últimos olhos que ele houvesse visto tinham sido os meus, só os meus, ela sentisse uma inveja irremediável. Abracei-o com o doce pensamento de que assim pudesse estar aquecendo o seu corpo, com o calor que era o amor que vivia dentro de mim. Imaginei que pudéssemos fazer amor, ali mesmo, mas notei que o dia estava amanhecendo e que não havia tempo para tais caprichos. Eu tinha que enterrá-lo logo, dar fim a minha decisão cruel, mas já tomada. Porque o tempo não é algo em que se possa voltar atrás. Ele se modifica, edifica, mas não se apaga.

Sorri com um orgulho voraz. Ele estava tão belo assim, pálido, que senti vontade de permanecer o resto dos meus dias ali, abraçada a ele, que dormia, como um anjo, um anjo cuja respiração foi tomada pelas mais belas brisas celestes. Senti vontade de apenas observá-lo, e ser sua, ali, na eternidade do momento. Sabia que ele não se mexeria mais, não abriria seus olhos, não veria minha beleza partida e aberta, assim, só para ele. Mas que importava isso afinal? Sempre tive a consciência de que ele vivia era dentro de mim, nos meus pensamentos, e assim haveria de ser para sempre.

Quem nunca sentiu vontade de possuir uma vida? Pois ali a vida dele era só minha, eternamente minha, bem como sua morte era meu mérito, pertencia também a mim. A culpa era meu troféu e o desejo era meu léu. Queria apenas a letargia daquele momento, de poder contemplá-lo e sentir assim, sua pele na minha, a arder, nas labaredas mais profundas de um momento.

Apenas mais um crime passional. Um crime do qual nunca me arrependerei. Eu quis arder naquele fogo que é a paixão, e assim deixei a minha vida inteira se queimar em apenas um momento, em apenas uma única decisão, tão sólida, embora tão sórdida, mas ainda assim tão triste e tão linda… Tê-lo para sempre.

Quando vi sua nova morada e minha rosa fez tocar sua languidez tumular, senti que não podia viver com esse peso na consciência de ter matado meu próprio amor. Liguei assim que pude retornar da embriaguez que o momento me fizera submergir para a polícia, e denunciei o seu corpo, o local e a sua amante da morte, a assassina, eu mesma. Assim que chegaram fui logo responder, dar meu testemunho e, assim, naquele momento, ao sorrir, pude falar de amor, de desejo e pude contar com o orgulho sombrio toda a avidez do momento. Logo em seguida fui presa, obviamente. Respondi logo mais em tribunal e contei, com orgulho, toda minha paixão. Muitos me chamaram de anômala, pela apatia e indiferença com que tratei e assumi todos os meus atos e pela frieza com que calculei todos os meus passos. Talvez a monstruosidade esteja apenas refletida assim, no que as pessoas não se acham capazes de fazer. Talvez a monstruosidade revele os desejos mais ocultos que poderiam, enfim, ser os seus, mas encobertos nos recantos mais sombrios de sua alma.

Desejos sinistros acontecem em todas as mentes, de todas as pessoas, em todos os lugares. A verdade é que poucos chegam a se concretizar e poucas pessoas o assumem ou o materializam, tal como eu fiz…

Apenas se lembrem que mesmo a verdade se torna relativa em algumas circunstâncias, como deve se tornar óbvio para você agora. Talvez nada disso tenha acontecido verdadeiramente… Talvez eu seja apenas uma louca, em um pátio sombrio qualquer, cuja vida tenha sido queimada pelo fogo da loucura. Talvez eu seja apenas um homem, em cuja mente seus desejos foram também penetrados, escrevendo em uma noite sem sono qualquer sob as estrelas que não param de piscar nesse horizonte vazio. Um homem brincando com as palavras e as peças que a arte pode criar em nossas armadilhas que a imaginação designa…

Escrevendo e marcando talvez apenas nessa noite uma mente louca, mas, ainda assim, uma mente, em cuja face está estampada uma vida que talvez nunca chegasse a existir. Talvez marcando no tempo das páginas brancas, vazias, solitárias, histórias que se repetem todos os dias em diversos lugares do mundo, talvez no plano concreto, talvez apenas na mente de corações desapaixonados e desiludidos… Embora ainda assim horrivelmente monstruosos.

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59 comentários em “Ardor e Dor (Ana Paula Lemes)

  1. Pedro Luna Coelho Façanha
    4 de dezembro de 2013

    Não vi Noir, mas gostei do resultado. Eu vi na personagem do conto, traços da personagem do filme Cisne Negro (kk), conflitos psicológicos loucaços e isso rendeu uma boa história. Não é meu tipo de conto preferido, mas como ficou bem escrito, então foi agradável de ler. Amor é o mote da desgraça. Abração..rs

    • Alana das Fadas
      4 de dezembro de 2013

      Obrigada, Pedro querido! Realmente, é um conflito psicológico, que existe também no Cisne Negro, só que de maneiras diferentes. Gosto dessa questão de dramas psicológicos!
      O noir está presente, mas de maneira sutil. Foi a intenção, para fugir do lugar comum, já que este não me agrada. Por exemplo, minha personagem principal é uma mulher, o que é muito incomum! Ela é uma anti heroína, que narra a história, ao mesmo tempo em que é uma mulher fatal, mas que acaba se tornando a própria assassina… Tom confessional, crimes, sangues, desvendar e desvelar o mistério. Está presente, mas de uma ótica invertida! Diferenciada! Por isso acaba ficando meio despretensioso, e que, em uma primeira percepção, não seria um noir!
      Abraço!!!

  2. Felipe Falconeri
    23 de novembro de 2013

    “A culpa era meu troféu e o desejo era meu léu”

    Ai.

    Pra fazer uma prosa poética precisa de muita habilidade. Se você escorrega um pouquinho na curva, a coisa cai na pieguice. E esse texto deu umas escorregadas bonitas.

    Mas o conto não tá mal escrito, o enredo me prendeu em alguns momentos, as motivações da protagonista para cometer o crime rendem um mergulho intrigante na mente da personagem…

    Minha impressão foi a de ouvir uma história muito interessante contada por uma pessoa muito chata, rs.

    O final, com a sugestão de uma possível desconstrução da história, soou meio esquisito. Mas como o texto é narrado – teoricamente – por uma mulher que está perdendo a sanidade, de repente a história pode mesmo ter acontecido e ela tá viajando se imaginando como alguém que criou tudo aquilo na própria mente. Fica aí a cargo da interpretação de cada um.

    O texto não faz muito meu estilo, tem lá sua boa dose de pieguice, mas certamente existe um público pra esse tipo de narrativa.

    Só que é mais um texto que não se enquadra no tema. =\

    • Alana das Fadas
      23 de novembro de 2013

      Querido, como disse em alguns comentários abaixo, o texto é piegas propositalmente, para traduzir a piegas da própria personagem tema. Não é exatamente um escorregão, como você sugere, mas foi uma opção da autora! Eu entendo que pode não agradar a todos, mas era fundamental, do meu ponto de vista, para criar o sentimento que eu desejei no leitor.
      Gostei de suas considerações sobre o final… Eu tive uma ideia ao fazê-lo, mas o deixei aberto pois gosto dessa coisa dialógica com o leito.
      Abraço e obrigada!

      • Alana das Fadas
        23 de novembro de 2013

        leito = leitor

  3. Andrey Coutinho
    23 de novembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    Ótima prosa poética. O tom reflexivo da narradora rouba a cena, e se torna até mais interessante que a história em si.

    SUGESTÕES

    Enxugar um pouco o uso dos advérbios, principalmente no começo. Talvez explorar um pouco mais a narrativa dos fatos (detalhar melhor o dia em que conheceu o rapaz, o dia do assassinato), sem contudo abandonar o tom intimista e emotivo. Algumas explicações desnecessárias podem quebrar a leitura (como sobre o porquê de não usar uma arma de fogo).

    TRECHO FAVORITO

    “Talvez marcando no tempo das páginas brancas, vazias, solitárias, histórias que se repetem todos os dias em diversos lugares do mundo, talvez no plano concreto, talvez apenas na mente de corações desapaixonados e desiludidos…”

    • Alana das Fadas
      23 de novembro de 2013

      Ah! Que lindo seu comentário, Andrey! Adorei!
      Também adoto como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, primeiro, porque pra mim quebra um pouco da magia e, segundo, que realmente somos influenciados subjetivamente pelos demais comentários!
      Abraço!

  4. Gunther Schmidt de Miranda
    19 de novembro de 2013

    O texto em si achei bom, mas faltaram alguns elementos… A investigação, os suspeitos, a trama no passar do tempo…

    • Alana das Fadas
      19 de novembro de 2013

      Gunther, meu desejo foi fugir do lugar comum… Como eu disse, não sei se foi uma opção adequada, mas assim eu quis.
      Muito obrigada pelo comentário. Abraço!

  5. rubemcabral
    19 de novembro de 2013

    Um conto agradável de se ler. Gostei da protagonista, conflituosa, culta, mimada.
    O mais bacana do texto é justamente a suavidade x brutalidade. A assassina soa gentil quase o tempo todo, mas é até meio pervertida (ou eu enxerguei uma insinuação de necrofilia).

    Assim como o Sérgio, achei que o texto poderia ganhar com o acréscimo de mais elementos noir: sombras, bebidas, sordidez, tipos malditos, etc.

    Como crítica, faço coro aos que não gostaram da metalinguagem do final, pois destoa do estilo do restante do conto, feito um corpo estranho.

    • Alana das Fadas
      19 de novembro de 2013

      Rubem, muito obrigada pelo feedback positivo. Realmente tem essa insinuação sim, não concretizada, mas tem. Obrigada pelos toques! Abraço, querido!

  6. Sérgio Ferrari
    18 de novembro de 2013

    O caso do tema ser Noir é que é muito especifico. O tema pede clichês, pq se faz deles. Bem, relacionando isso ao conto, ele tem seu Noir na atitude louca da protagonista, tal qual uma dama fatal, psicopata SIM, que encerra uma vida em grande estilo. Mas….funcionaria melhor como um filme noir, P&B, anos 50, com toda a vestimenta, as sombras, a narrativa, do que como leitura noir. E, por fim, mesmo assim, não fica nada a dever ao estilo. Apenas que poderia ser repensado numa revisão final, o encaixe de descritivas especificas do mundo noir, como por exemplo, a ambientação com penumbra, os trajes, girar copos de martini na cozinha, etc. Gostei da depravação.

    • Alana das Fadas
      18 de novembro de 2013

      Obrigada, Sérgio. Vou considerar suas observações, muitíssimo obrigada! Abraço.

  7. Agenor Batista Jr.
    18 de novembro de 2013

    O enredo que elege a loucura como princípio está muito bom. Mas o tema proposto para o desafio, creio, ficou subentendido demais. A técnica de escrita, se não perfeita, chega perto da aprovação geral. Eu também aprovei. Me alongar nos elogios seria redundância. Parabéns por expor seu texto com elegância e fluidez.

    • Alana das Fadas
      18 de novembro de 2013

      Muito obrigada pelo feedback, Agenor! Grande abraço.

  8. alex donovan
    17 de novembro de 2013

    Realmente, tipo eu nem sei oque comentar kkkk
    estou sem palavras… eu escrevo a 10 anos, mas não tenho nem 30% da facilidade com que você expressa a poesia.
    simplesmente flui através das palavras, como se você estivesse apenas dialogando
    parece que você faz Brincando!!!
    parabéns, muito, muito profunda

    • Alana das Fadas
      18 de novembro de 2013

      Muito obrigada, Alex! Abraço!

  9. Rodrigo Sena Magalhaes
    16 de novembro de 2013

    Aprecio essas descrições poéticas. Não vejo como noir, mas como um pungente drama, estilo Precisamos falar sobre o Kevin. Gostei.

    • Alana das Fadas
      16 de novembro de 2013

      Bom dia, Rodrigo!!! Nunca li Precisamos falar sobre o Kevin, mas dei uma olhada na descrição e achei deveras interessante. Realmente, o “noir” é sutil no meu texto, tem um toque bem pessoal, pois quis fugir do lugar comum nesse desafio. Não sei se isso é aconselhável, mas é o que fiz. Abraço!!!

  10. Abílio Junior
    16 de novembro de 2013

    Realmente a autora merece meus parabéns por conseguir entrar no universo noir de uma maneira tão diferente e ao mesmo tempo convidativa ao seu modo. Após o início da leitura, é praticamente impossível largá-la, levando até mesmo aquele leitor que não gosta nenhum pouco de loucuras de amor a se maravilhar com este conto. Como já foi comentado também, eu apenas ficaria um pouco atento a questão da repetição, que no caso do estilo aqui tratado não contribui esteticamente com o texto. Mais uma vez, parabéns, você e sua loucura têm um grande futuro!

    • Alana das Fadas
      16 de novembro de 2013

      Muito obrigada, Abílio! Adorei seu comentário… É que realmente é bom outras pessoas lerem o texto, pois caímos em vícios e, por mais que façamos várias releituras, não percebemos, como se estivesse oculto! Essa questão da repetição realmente é algo que eu não enxerguei antes, mas farei o possível pra ficar mais atenta! Grande abraço! ; )

  11. fernandoabreude88
    13 de novembro de 2013

    Achei o texto meloso demais, hehehe. Se bem que, se era pra fazer o leitor ficar com raiva dessa protagonista, deu muito certo. Essas frases construídas com imagens doces, misturadas à mente doentia da mulher, realmente perturbam o leitor. Gostei dos dois últimos parágrafos, que levam o conto para uma outra esfera, deixando um clima de mistério e medo no ar. Algo como: essa pessoa pode estar ao seu lado, rs. No mais, precisa enxugar adjetivos, limpar o mel, diminuir parágrafos, frases…. Achei ruim, mas tem partes boas aí dentro.

    • Alana das Fadas
      15 de novembro de 2013

      Valeu, Fernando.
      Abraço.

  12. vitorts
    11 de novembro de 2013

    Gostei de algumas partes, não tanto de outras. Antes de tudo, não gostei do título. O eco do Ardor e Dor, e o sentido em si, deixaram um ar piegas. Talvez a isso se some o fato de eu ser do interior paulista, e por isso lê-lo com um ruidoso Arrdorrr e Dorrr. Nisso, assumo a culpa.

    O segundo ponto se faz na construção da protagonista. Poderia ser mais dissecada. Por vezes me pareceu muito plástica e incoerente. Explico; tinha certeza que era uma psicopata pela apatia que a marcou durante o crime. Pouco depois, saltou aos olhos um “peso na consciência” que a levou a se entregar. Em um último momento, voltou a apatia. Entende?

    Por fim, não me agradaram os dois últimos parágrafos. Não gostei dessa desconstrução do texto, como se afirmasse que tudo era sim ficção, obra de um escritor. Esse desvio do foco, tirando a assassina dos holofotes para colocar o cara com caneta e papel, meio que quebrou o clima.

    Agora que já mostrei minha chatice, vamos ao que gostei! A narrativa foi muito bem conduzida, dá para ver que o autor(a) tem domínio na coisa. Questão gramatical, construção de frases, tudo muito bem colocado! As alusões poéticas também saíram muito bonitas. Com certeza, um conto muito bom. 🙂

    • Alana das Fadas
      15 de novembro de 2013

      Vitor, mas é que a intenção foi criar uma personagem plástica e incoerente. Ela não é uma pessoa psicopata, mas alguém que por um momento pediu para se embriagar da própria loucura. Alguém que poderia ser eu, ser você ou ser um alguém na mente do escritor em uma noite sem sono. Afinal, escrever é sempre uma viagem e loucura… Quanto ao título, eu gosto, traduz a piegas da própria personagem tema. Rsrsrs, desculpa-me, mas eu gosto. Como disse, traduz a alma do texto.
      De qualquer forma, obrigada pelos toques.
      Abraço!

  13. Marcelo Porto
    11 de novembro de 2013

    Um excelente texto.
    O clima intimista e cruel prende desde o primeiro paragrafo. Essa confissão nos deixa viajar na loucura da narradora.

    Não vi um conto. Mas um grande ensaio sobre o amor e a loucura.

    • Alana das Fadas
      15 de novembro de 2013

      É um texto viagem, para se entregar à loucura do mundo “noir”.
      Um convite para uma inebriante viagem! Abraço.

  14. marcopiscies
    11 de novembro de 2013

    Excelente texto! Uma autêntica Poesia Noir, rs. Muito bem escrito, tirando o uso de parênteses, que quebraram a personalidade da personagem (mas que eu ignorei, para continuar com o clima que a narrativa passa). Realmente, um ponto de vista único. Um texto poético, insano e maravilhoso.

    Excelente!

    • Alana das Fadas
      15 de novembro de 2013

      Marco, muito obrigada! Adorei seu comentário, grande abraço!

  15. Leandro B.
    9 de novembro de 2013

    Gostei, particularmente, da riqueza lírica do início do texto. A personagem me pareceu bem construída e convincente: Uma mulher culta e extremamente mimada. Ao menos, foi como a entendi.

    Se pudesse fazer só algumas pequenas sugestões: há uma passagem no texto que seria a minha favorita se não se seguisse o parenteses depois. É essa aqui: ” Sucedi meu plano em uma quinta-feira, como hão de ser sucedidos todos os planos mais sombrios (sempre achei que a quinta-feira revelava mistérios que poucas mentes talvez chegassem a compreender)” Considere remover a explicação entre os parenteses. É claro que isso vai do gosto de cada um, mas a frase anterior traz uma carga tão pesada de subjetivismo, insanidade e mistério que se torna extremamente frustrante a existência de uma explicação para ela.

    Também não gostei muito do segundo uso de parenteses.

    Em alguns momentos a personagem se mostra extremamente contraditória. Por um lado podemos aceitar isso já que ela obviamente não bate muito bem das bolas, mas, mesmo assim, me incomodou um pouco. Por exemplo, a personagem sentiu orgulho de matar o ex e fantasiou com a “rosa sem cor” sabendo de sua responsabilidade no crime e, no mesmo parágrafo, decide enterrá-lo ao amanhecer para encobrir sua culpa.

    Também sugiro mudar essa repetição aqui: “(antecipadamente preparado no caso de necessidade, como foi o caso)”

    Fora isso, o conto me fisgou mesmo e olha que não sou o maior admirador desse tipo de narrativa. Tem méritos, ainda, por inverter o gênero comum da temática noir.

    É um ótimo trabalho, parabéns por ele!

    • Alana das Fadas
      15 de novembro de 2013

      Leandro, muito obrigada pelo toque, é sempre muito positivo. Realmente quis passar a imagem de uma mulher mimada e culta. Abraço!

  16. Masaki
    8 de novembro de 2013

    Alana, primeiramente devo-lhe parabenizar por um texto tão conciso, profundo e enigmático. A personagem me tocou desde as primeiras expressões. Ficou evidente até que ponto podem chegar as “vaidades” humanas. A loucura é apenas um passo para a imaginação e vice-versa, e ligando a esta premissa, a verdade pode se apresentar da forma que for mais conveniente e convincente para quem a quer.
    Leitura prazerosa e comovente!
    Abraços.

    • Alana das Fadas
      15 de novembro de 2013

      Muito obrigada pelo comentário, fico imensamente feliz que tenha gostado! Abraços, querido.

  17. Marcellus
    7 de novembro de 2013

    Como já havia dito no último desafio, não é o estilo de texto que mais me agrade, mas a autora tem público cativo e domina a arte, de fato.

    Algumas pequenas correções, outras poucas revisões e estaria perfeito. Exemplos: a assassina se arrepender pouco depois de ter cometido a loucura. E ainda ter carregado o corpo para algum lugar (pense nas implicações físicas). Onde foi parar todo o sangue? E como ela poderia fazer amor com o cadáver de um HOMEM? A hidráulica seria muito, muito complicada…

    E, se não pode ser considerado um ‘noir’ clássico, ganhou pontos por mostrar um ponto de vista nem sempre explorado pelo gênero.

    Mas isso é só preciosismo da minha parte. No geral, está de parabéns.

    • Alana das Fadas
      8 de novembro de 2013

      Marcellus, deixe-me defender o ponto de vista de minha personagem.
      Primeiro, ela não o carrega a fim de enterrá-lo e nem faz amor com ele. São fluxos de pensamentos, em que a autora-personagem cogita alguns atos. Em segundo lugar, ela é tomada subitamente por uma letargia, fica embriagada e excitada e tão logo retorna de sua viagem, decide se entregar.
      E bom, quanto à “hidráulica”, concordo que seria complicada (impossível) uma conjunção carnal, mas existem mil e uma formas de se obter prazer. Afinal de contas, você percebe durante o texto que a personagem gosta do que faz, e se orgulha de fazê-lo.
      Anyway, ela sequer existe ou existiu, no final vemos que em verdade se trata de um homem sem sono, em cuja noite ficou marcada um vislumbre de sua vida, que insistia em nascer.
      Huaaahuuaa.
      Conversa de doido essa nossa!
      Mas muito obrigada pelo comentário.
      Saudações!

  18. Bia Machado
    7 de novembro de 2013

    Achei uma narrativa muito bonita, muito forte. Não é o tipo de narrativa que gosto em um texto noir, mas isso tem a ver comigo, não com a autora, que certamente gosta do que escreve, ou da forma como escreve, isso dá pra perceber tranquilamente. Uma dica que dou é para rever as primeiras linhas, acho que o primeiro parágrafo, onde o verbo “chegar” e derivados foi repetido várias vezes, mas isso fica para a revisão. Muito bom!

    • Alana das Fadas
      7 de novembro de 2013

      Bia, muito obrigada pela dica, é sempre bom quando leem nossos textos, e quando se percebem coisas que para nós estavam antes invisíveis!!!
      Abraço e muito obrigada!

      • Bia Machado
        7 de novembro de 2013

        Sei como é. Eu apronto tanto disso, rsss… Por isso, mesmo sendo revisora, sempre preciso de alguém pra revisar meus textos e detectar o que me passou batido, rs.

  19. Frank
    7 de novembro de 2013

    Um ato cruel e insano (pra mim que faço parte dos que não têm coragem de realizar tal coisa…espero…rs) descrito de forma magistral e poética. Mais especificamente, algo que na minha opinião tornou o texto extremamente crível foi a habilidade em demonstrar a necessidade (inconsciente?) da personagem justificar seus atos; embora afirmasse estar realizada e isso pra mim lembra muito a coisa de gente doida…rs. Num comentário anterior foi mencionada a metalinguagem que por algum motivo me causa um leve desconforto. Por último, gostei muito da forma “quase invisível” que o noir se faz presente na obra (fora o crime, mais óbvio, há outros elementos sutis). Em suma, mesmo não sendo meu estilo predileto de conto tenho de parabenizar o realizador(a) pela habilidade e talento; e assim, vou aprendendo.

    • Alana das Fadas
      7 de novembro de 2013

      Doida, eu? Doida, a personagem? Doidos somos todos nós…
      “Alice: Chapeleiro, você me acha louca?
      Chapeleiro: Louca, louquinha! Mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são!”
      Todos nós, autores, temos uma certa loucura contida, domesticada… ; )
      Realmente, o noir foi bem sutil, pra ficar mais leve o texto.
      Muito obrigada!!!

  20. Gustavo Araujo
    7 de novembro de 2013

    Há algo maravilhosamente insano neste conto. Quando a gente percebe, já está imerso na loucura da protagonista e, inacreditavelmente, encontramos uma explicação – quem sabe até uma justificativa plausível – para o crime bárbaro que ela comete. De fato, essa parece ser a maior qualidade da narrativa: a perícia com que as palavras são colocadas, de modo a fazer o leitor se sentir cúmplice da insanidade. À distância seria evidentemente repugnante, mas ao olhar microscópico, vê-se, é repleto de nuances poéticas que o tornam especialmente bem escrito. Ótimo conto, em suma.

    • Alana das Fadas
      7 de novembro de 2013

      Gustavo, lendo seu comentário, vi que meu objetivo com o texto foi atingido: é um convite à insanidade, uma insanidade que pode ser sua, ser minha ou de qualquer outro. O leitor não é apenas cúmplice da autora-personagem, mas é também seu comparsa, coautor do crime, pois ao ler – e imaginar – passou a sonhar e consolidar o seu próprio crime – faz parte dele!
      Ah, o olhar microscópico, revela-nos tantas coisas!!!
      Muito obrigada, meu querido!

    • Alana das Fadas
      8 de novembro de 2013

      O que você escreveu me lembra o que James Joyce chama de epifania. Quando alcançamos este ponto, náo é necessária a beleza, que é algo próprio da estética, mas podemos ver essa beleza no que chamamos de monstruoso. Não será propriamente a beleza, mas aquilo que chamamos de sublime.
      Fico feliz que as pessoas tenham sentido o que objetivei que sentissem, é o maior presente para o autor.

  21. Ricardo Gnecco Falco
    7 de novembro de 2013

    Parabéns pelo texto, de fino toque. Achei a leitura bem gostosa e o convite para embarcar na loucura (não temos todos um pouco?) da personagem foi tão discreto quanto efetivo. Gosto de poesia (sou “cria” dela), mas a sensibilidade aqui dosada conseguiu atingir o certeiro tom do subgênero literário em questão e, de forma sublime, resultar em uma obra claustrofóbica, no que tange a utilização magistral da primeira pessoa, e ao mesmo tempo liberta de todas as limitações esperadas de um narrador não-onisciente; trazendo ao leitor, no momento certo e oportuno, o conhecimento e a surpresa necessários a uma boa execução criativa.
    Parabéns pela obra!
    🙂

    • Alana das Fadas
      7 de novembro de 2013

      Ricardo, que comentário mais agradável, você muito me alegrou!
      É um convite realmente, um convite indecente, que quando você vê, já foi tomado por ele. Todos os textos são assim: um convite para uma aventura. Nossa opção está em embrenhar ou não nessa aventura, após o que, uma vez embranhada, não tem mais volta!
      Nós nunca somos os mesmos, mudamos em cada respiração, em cada momento. O texto tem esse poder: um convite à mudança. Você lê e se sente transformado: absorver a alma do poeta, da personagem, que ganhou existência naquele único momento, de saborear o texto.
      Muito obrigada mais uma vez! Grande abraço!

  22. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    6 de novembro de 2013

    Realmente, a imagem escolhida é linda. Também notei o clima noir no desenrolar da narrativa. Meu olho esbarrou em um engano de concordância – Quem nunca sentiu a flor dos desejos prosperarem tão belos diante dos olhos? – mas é vício profissional.
    Gosto do estilo, mas sou suspeita porque esbarro nessa coisa poética o tempo todo enquanto escrevo. Redigir em primeira pessoa é perigoso pois sempre se mescla o autor com o narrador. No geral, gostei sim. Boa sorte.

    • Alana das Fadas
      7 de novembro de 2013

      Oi minha querida, que comentário mais agradável!!!
      Realmente, tem esse erro, mas a intenção era “desejos prosperarem” mesmo, e não a flor. Faltou um pequeno ajuste, poderia ter colocado no lugar de prosperarem, “que se prosperam”, ficaria melhor. Obrigada pelo toque”
      Também sempre esbarro nesse tema poético, é inevitável!!!
      Muito obrigada pelo comentário!!! Abraço, Claudia!

  23. dibenedetto
    6 de novembro de 2013

    Mais lírico do que cru, mas a história encaixa dentro de Noir sim. =P

    Como eu tinha comentado em um conto do concurso anterior, acho que o problema aqui é uma predisposição que a gente tem, quando narra na 1a pessoa, de simplesmente contar o que aconteceu ao invés de mostrar. (“show don’t tell!”)

    Sei que é clichezão de oficina de escrita, mas é uma ideia que o Stephen King explica bem no livro On Writing ( que infelizmente, não foi traduzido pro português) Fica de recomendação.

    Ando meio indiferente quanto ao uso ou não de metalinguagem em histórias, mas achei legal o final. =)

    • Alana das Fadas
      7 de novembro de 2013

      Dibenedetto, você conhece o meu estilo e eu conheço o seu… Rsrsrs! Sempre sou mais lírica que cru e você é sempre mais cru do que lírico, faz parte de nossas essências e, também, de nossas diferenças e contradições.

      Mas enfim, conheço essa ideia do Stephen e é algo bem verdadeiro. E essa é a graça de narrar em 1ª pessoa, mostrar o ponto de vista do personagem, como nos filmes noir, que filmam com o foco na visão do herói principal. Toda narrativa em 1ª pessoa tem esse ponto, de querer colocar o leitor na pele da personagem, entender suas motivações, desejos, enfim, sua essência.

      É dimensionar o que é pequeno, mas ainda assim, é breve, é lindo.

      Beijos, muito me alegra que você tenha se entusiasmado com o final! O final é sempre o grande ponto de um texto.

  24. selma
    6 de novembro de 2013

    achei muito parecido com outro conto de amor desesperado, até recomecei a ler, para ter certeza de que era inedito. no final, o autor tentou deixar uma duvida, mas precisava ser melhor colocada.
    de qualquer forma, o desafio não é facil e vale a tentativa. parabens.

    • Alana das Fadas
      6 de novembro de 2013

      Qual a graça das palavras senão as entrelinhas? Essa é a magia dos contos: o subentendido, o que não está claro… Um texto deve ser lido junto: autor e leitor, por isso, a abertura, para sentir junto. Necessário! Amo o não-dito, amo a entrelinha!!!
      Obrigada pelo comentário!!!
      Saudações! ; )

  25. Thata Pereira
    6 de novembro de 2013

    Primeira observação: que imagem linda! Fiquei meia hora só admirando…

    Segunda observação: você já sabe que escreveu um texto para um público específico, entrega isso no próprio texto. Felizmente, sou o público do seu texto o/ rs’

    Gostei muito da leitura! Essa cena da morte, dela deitando sobre o corpo ensanguentado e sem vida… é estranho o que vou dizer, mas que coisa linda!! (rsrs’) Imaginei ela pegando a rosa sem cor e colorindo-a com o sangue dele. Nossa!

    Só não queria que ela tivesse se entregado :/ me afeiçoei com a personagem e com o fato de que mesmo estando presa ela ainda consiga ter pensamentos tão lindos… que nem as grades são capazes de prender! Adorei! 😉

    • Alana das Fadas
      6 de novembro de 2013

      Thata Pereira, a ideia foi justamente essa: trazer a beleza de um crime… Foi poetizar a beleza de coisas que muitas vezes acontecem na nossa imaginação, pensamentos horríveis que acontecem no subentendido, mas também no óbvio. É a beleza do negro, “la beauté du noir”. Tentei trazer um drama inteligente de uma mulher, cuja vida se esvaiu antes de esvair a vida do outro. É um ambiente niilista, onde o que vale são os desejos mesquinhos, em tom confessional, denotando o ponto de vida da minha anti-heroína. Uma anti-heroína que reside em todos nós, afinal de contas!
      Eu que o diga: que felicidade ter você como parte do meu público leitor, e que felicidade você ter gostado do meu texto! Seu bom gosto me alegra, ainda mais encaixado ao que eu produzo, o que demonstra que algo de bom eu fiz!
      Outro ponto: se ela não se entregasse em tribunal não seria justo. Afinal, ela se entregou pois não tinha nada a perder… Só o deleite do momento, de poder falar de amor, de ódio, de momentos letárgicos!!!
      Beijos e obrigada pelo feed back positivo!

      • Thata Pereira
        6 de novembro de 2013

        “la beauté du noir” Adoro!

        Você conseguiu isso e acredito que conseguirá de outras pessoas que gostam desse belo estilo, ou até mesmo as que não gostam e que estão dispostas a se aventurar.

        Beijos, boa sorte! ^^

  26. Jefferson Lemos
    6 de novembro de 2013

    Apesar do sentido poético do texto( digo isso pois eu não tenho costume de gostar de textos assim, não que os textos sejam ruins), achei ele muito bem escrito. Passou toda a loucura da personagem para o leitor, e soube prender a atenção. Não sou muito bom para falar sobre o estilo do texto, mas consegui reconhecer alguns elementos noir durante a leitura.
    Enfim, parabéns ao autor!

    • Alana das Fadas
      6 de novembro de 2013

      Muito obrigada, Jefferson!!! Alegrou-me o seu comentário!!! Tem sim uns elementos, como mostrar o ponto de vista da heroína, embora tenha todo um contexto da alma da escritora… Inevitável!
      O universo noir normalmente é o crime, notadamente um assassinato! É um elemento chave, que permeia nesse universo, geralmente com toque de ciúmes e fraqueza moral… Bom, meu objetivo foi mostrar que normalmente os monstros somos nós!!! Monstros nos atos, ou apenas na subjetividade de um conto…
      Abraços e obrigada!!!

      • Jefferson Lemos
        6 de novembro de 2013

        Seu objetivo foi concluído com maestria. Continue sempre escrevendo com o coração e nos agraciando com suas belas palavras.
        Esperamos te ver por aqui mais vezes!
        Mais uma vez, parabéns pelo conto!

  27. charlesdias
    6 de novembro de 2013

    Meio confuso em minha opinião, mas o autor conseguiu passar uma sensação de desespero e falta de esperaça, desilusão. De qualquer forma ao meu ver fugiu do tema do desafio.

    • Alana das Fadas
      6 de novembro de 2013

      Charles, não fugiu assim não… Como disse pro Jeff, tem muitos elementos Noir, como o crime, o assassinato, a visão da heroína, o ciúmes e a fraqueza, que, enfim, é a fraqueza de todos nós!!!! Por isso, a metanarrativa. Claro que tem muito de mim no texto, mas em um contexto geral, a arte é isso: a mistura do escritor com o ambiente. É um noir com o meu toque. O toque do eu-autora.
      De qualquer forma, se você achou confuso, não estávamos na mesma sintonia… Meu estilo é assim, de sentir junto. Ou você ama e sente pulsando nas veias, virando a personagem, ou você detesta, pois não sente junto!!!
      Obrigada pelo comentário, é sempre bem vindo. = )
      Abraço!!!

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Publicado às 6 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .