EntreContos

Detox Literário.

Desatinos de um noir invertido (Fernando Abreu)

Paro meu carro em frente ao portão. A casa está vazia. Escuto os sons rápidos do jardim. Empurro as grades, passo pelo vão. Acendo um cigarro e ando solitária pelos tijolinhos até a entrada. As portas só abrem por fora. Antigo manicômio privado. Forço a maçaneta. Não vai. Escoro pelas paredes ao lado, há uma janela semiaberta. Entro. Me estabaco no piso do banheiro. Acendo a luz, a nuvem de poeira é minha anfitriã.

Imagino Dona Yayá entrando. A banheira jorra quentinha. Um susto. Não é nada. São mãos estranhas jogando sais de banho por um compartimento. Deita-se. Está frio. A água vai subindo. Seu corpo imerge, o vapor umedece o rosto. Amanhã: um novo dia? Entra novamente no banheiro. O chuveiro alto derrama. Esfrega o sabonete líquido no corpo, desliza os dedos pelos azulejos embaçados, desenha um avião.

Os cômodos são todos amplos, milimetricamente adaptados. Tudo pra evitar que Dona Yayá se machucasse. Ando pelo corredor. Passo por portas fechadas. Forço as entradas, uma delas se abre. Era a antiga sala de jantar. Sinto a solidão da senhora sentada à mesa. Murais pompeianos com ilustrações do fundo do mar cobrem as paredes. Musgos, plâncton, ondas espumosas envolvem a refeição deserta. Caminho pelos cantos. Tropeço em cadeiras imaginárias.

Desemboco num cômodo mais claro, os caixilhos das janelas dividem a lua em quadros. É o dormitório. Queriam Dona Yayá sempre à vista. Transformaram o saguão de entrada em quarto. Posso ver a cama no centro, as roupas. O armário de ferro aberto, a mulher escolhe vestidos. “Estou bonita? Essa roupa combina?”. Espelho-espelho-meu está mudo.

Daria um belo livro: Doces Lembranças de Dona Yayá (1887 – 1961): “a irmãzinha se foi aos três anos. Asfixia involuntária durante o sono. ‘A menina da pipoca’. Outra irmã, tétano aos 13. Crime de um espinho de roseira. A mãe se foi. O pai? Dois dias depois. Um sem saber do outro. Órfã antes dos 18. Restava o irmão Manuel, mas este quis conhecer Buenos Aires. Após uma crise, atirou-se do navio e se estourou em alto mar. Demência, dizem. Demência”.

A história macabra continua: “Dona Yayá começa distribuir suas joias pras amigas e empregadas. Sente-se perseguida, vai morrer. Corre o buchicho. A família estranha. Fica atenta. Dizem que berrava ser partidária dos Aliados na Primeira Guerra Mundial, que se feria com farpas e objetos e vivia repetindo: ‘Eu sou católica, apostólica, romana’”.

A família a leva ao manicômio em Juqueri, mas não querem deixá-la com os loucos baratos. Optam por adaptar a casa de Dona Yayá. Criam o primeiro hospício particular de São Paulo. Rua Major Diogo, 353. Vizinhos dizem que ela ainda assombra os jardins. Escutam gritos femininos à noite, veem um vulto estacado na varanda ou caminhando por estes corredores.

Subo as escadas circulares. Entro no solário. Ali Dona Yayá observava a vida. Pelos vidros, como um peixe. Quarenta anos enclausurada, fechada, janelas embaçadas. Senta-se à beira do jardim. A noite está clara, cobre seu corpo, desaparece na mancha como um móvel esquecido. É um dos lugares mais lindo da casa. Mas onde um jardim crescia, só vejo a terra escura, algumas raízes cortam as paredes como lagartas-de-fogo. Cercam-me. Uma porção de polegares toca as minhas costas. Vou à janela. Não consigo abri-la. Óbvio. Escuto uma batida seca. Desço as escadas. Saio pelo banheiro, deixo um graveto no vão da janela. Ligo o carro, acendo um baseado, preciso relaxar urgentemente. Já passa da meia-noite e meia.

♣♣♣♣♣♣♣♣♣♣

Esfriou. A chuva nunca para. Estou morrendo de dor de cabeça. Chego ao escritório às dez da noite. As armas estão desmontadas pela mesa. Canos, guarda-matos, cabos, ferrolhos e carregadores rolando na madeira. Em um potinho ao lado, gatilhos separados por tamanho. Minha sócia deve estar limpando as ferramentas de trabalho. A descarga faz barulho. Suzana sai do banheiro, se assusta comigo. “Para com esse Activia…”, brinco. Ela ri, lembra-me o quanto sou detestável. Falamos da vida. Ajudo-a na limpeza. “Que aspecto, hein?”, diz.

Vamos à cozinha. Ligamos a tevê. Seriado das onze da noite. Malu Mader é a protagonista. Justiceira fajuta. Resolve os casos com o corpo. Gosto dela, apesar das sobrancelhas de taturana. Suzana ri comigo, emenda: “tipo o Monteiro Lobato”. Ela abre um vinho. Meu estômago embrulha. Fico na água mineral. Suzana vira uma tacinha, balança a cabeça. Olha pro alto, ri. Pergunto sobre seu último caso. “O Raul?”. “Não, anta, o sequestro”. “Ah, sim”.

Que foi chamada pra investigar o sumiço de um adolescente. Moleque de faculdade. Que a família não queria envolver a polícia. Seguiu o rastro deixado num telefonema, pegou informações ao fundo de uma ligação de ameaça. Caso bom, grana fácil. “Depois te mostro as roupas. Tinham mais garotos lá, uns 10, tudo novinho. É uma rede. Deixei a pista pra polícia, aquele seu amigo… Munhoz! É tenente?”, diz Suzana.

Digo que é subtenente. Pergunto sobre a minha parte no dinheiro. Amigas, amigas, negócios à parte. Meu celular toca. Número desconhecido. Coloco no ouvido, não digo nada. A mulher se identifica como Ruth. Minha espinha gela. Os flashbacks voltam em rajadas. A pressão cai. Suzana se assusta novamente. “Tudo bem?”. Peço pra me deixar sozinha. Ela me coloca sentada e sai. “Alô? Lilian? Alô?”. Desligo. Tento refazer meus passos da noite anterior enquanto giro na cadeira.

♣♣♣♣♣♣♣♣♣♣

Estou chapada. Paro no farol. Os cômodos da casa de Dona Yayá ainda giram minhas pálpebras, uma vertigem. Pego um atalho, não sei onde vai dar. Sensação estranha. Me perco, o carro em trancos desliza por ruas e vielas. Tudo parece igual. Mancha escura sem fim. Algo me chama. Paro em frente a um casarão. Chispas agitadas escapam pelas janelas. Caminho até a porta. Há um homem de terno, mascarado. Entro. Se paga apenas o que se consome.

É uma casa noturna decadente. Há candelabros, cortinas rasgadas, letreiros em neon pelas paredes em tijolos. Bizarro, mas excitante. Pego uma lata de cerveja, vou dando uns goles. Um fumódromo, espectros sentados. Cenas de um filme bordam as paredes. Atentos à película, um cara de moicano, uma mulher com maquiagem, olhos de panda, um magricela dorme. Pura treva. Acendo um cigarro, a fumaça entranha na luz do projetor, sobe pra capa do Zé do Caixão. Aos pés do Maldito, algumas virgens dançam, outras se drogam nuas.

Volto ao balcão. “Mais uma?” “Claro”. Escuto a música, gosto da letra. “I’ll give you my watch for a fifth of Scotch” [vou te dar o meu relógio por um quinto de Scotch]. Peço uma dose pra mim. Só tem nacional? Desço duas com água. Gosto péssimo, sensação boa. Mais uma, pra me soltar. Agora desço as escadas com uma lata. Uma pista completamente escura, flashes brancos de luz a cada meio segundo.

Silhuetas dançantes, montes delas, piscam, se multiplicam. Pessoas encaram paredes. Dois passos pra trás, dois pra frente. Dança existencialista. Levo uns empurrões. Acho um espaço. O som me treme os ossos, linhas de baixo grave se expandem, barulhos de cacos de vidro quebrando misturam-se aos riffs de guitarra.

Uma sombra à minha frente quer dançar. Danço melhor. Sai cabisbaixa. Outra. Movimenta-se bem, não acompanho. Leva-me nos braços, me ensina. Sinto seu corpo ao meu. Empurro. Gosto do cheiro. Vai e volta. Os braços repudiam, o resto todo quer.

Viro metade da lata e taco. Ela me puxa pra fora da pista. Aos poucos vai ganhando forma. Alta, cabelo nos ombros, paletó de veludo embala o corpo magro. Não é nada demais, não é nada mal: ponto certo. Sentamos no sofá de uma espécie de lounge. A luz roxa nos desfigura. Outro beijo, dois.

Ela vai pagar cerveja. Retorna, me ajeito ao seu lado, tiro suas mãos dos meus joelhos, puxo papo. Qual é o seu nome? O beijo antes do nome. Ruth, “a rutilante”. Não diz o que faz, é misteriosa. Estou bêbada, falo demais. Invento histórias. Jogo o jogo. Sou secretária executiva bilíngue. Ela duvida. Advogada? Nem morta. Ela se anima, quer mais, elogia minhas pernas. Cruzo-as. Acabamos a noite na minha casa.

♣♣♣♣♣♣♣♣♣♣

Certas pessoas parecem carregar uma maldição eterna sobre os ombros. Não sei se Dona Yayá era louca, mas, se era, alguém tentou deixá-la mais ainda, pra que sucumbisse rápido, morresse de vez. Mas quem? Penso nas possibilidades, mas, afinal, ela foi a última dos Mello Freire. Enterrou a família inteira numa espécie de vingança inerte. O dinheiro foi doado por completo pra Universidade São Paulo. Fosse hoje, seria algo em torno de 100 milhões de reais.

Penso na cidade como uma cobiça gigante. Os arranha-céus manipulando, ansiando os milhões de Dona Yayá. Enviam-lhe cartas de ameaça, homens rondam o cotidiano da pobre mulher, amedrontam-na durante a noite, morcegos batem asas espreitando atrás de persianas. Pílulas homeopáticas de insanidade.

Pesquisei a árvore genealógica da família. Tinham por costume “cruzar” membros da própria casta, algo bem típico nos brasões tradicionais. Mas não consigo ver um motivo determinante para a demência de Dona Yayá. Talvez as mortes sequenciais, a pressão da herança, a solidão. Fico com uma explicação que li há pouco: “talvez tenha sido considerada louca pelo simples fato de ter anseios inadequados aos padrões de seu tempo”.

Nem sequer marido teve, rejeitava todos os pretendentes, dizendo que eram meros interesseiros. Amou? Sim. Não morreu sem amar. Um pioneiro da aviação chamado Edu Chaves, mas não foi correspondida. Até tentou aprender pilotar, queria lhe chamar a atenção. Ficava nos arredores do aeroporto, sentia o vento dos teco-tecos lhe repuxando os cabelos, o barulho ensurdecedor dos motores nas pistas de pouso. Nada conseguiu, no entanto. A obsessão é algo que destrói.

Me lembro do cartunista Robert Graysmith. Um magrelo nerd que decifrava os códigos do assassino Zodíaco. As narinas sugando uma carreira de letras, jornais e cartas do psicopata fantasiado. Me sinto presa como ele, arruinada. Estou na direção da Rua Sete de Abril, primeira moradia de Dona Yayá.

Entro num boteco, peço uma dose de uísque barato. O mundo nega meu quinhão de Scotch. Alguns punks no chão vendem artesanato. Há lojas de 1,99, departamentos, livrarias, uma sex shop que aluga filmes pornôs e funciona como lan-house. A putaria do planeta inteiro em 20 metros quadrados do centro de São Paulo. Chego ao meu destino: Sete de Abril, 37.

A parte de baixo da casa foi transformada em um pequeno restaurante. Caixas de fruta amontoadas no pilar. Ao lado, a escadaria principal. Um aviso acima: “Academia e Internet”. Dona Yayá revira-se no caixão. Passos os olhos pelas pichações, pelos panfletos mal colados nas paredes. Um prédio brota das estruturas do primeiro andar. Subo as escadas, há subdivisões pra todos os lados, um labirinto comercial. Entro no elevador, o botão do primeiro andar está coberto por fita isolante. Puxo, aperto. Aos trancos, o elevador para. As portas se abrem, revelam uma barreira de concreto e ferros sobressalientes. Não consigo passar, soco a parede, raspo a mão, praguejo. Preciso de mais um copo.

♣♣♣♣♣♣♣♣♣♣

Estou sentada há uma hora nesse boteco “limpinho”. Entro na terceira dose, quando uma mulher para do outro lado do balcão. Seus cabelos são crespos, sua pele é fina, marcada pelo tempo. Ela sorri para o portuga e, assim como eu, também pede uma. Vira rápido, bate o copo, respinga. As vestes são estranhas, uma saia longa e suja, raspando pelo chão. Um mendigo entra no bar vendendo flores, ela compra duas rosas, coloca uma dentro do copo. Joga a outra na minha direção. Pego ainda no ar. É Dona Yayá.

Sai sem pagar, corre pela rua, seu vestido esvoaçando acima do calçamento em forma de mapas da cidade. O bigode corre atrás. “Volta aqui, olha o calote!”. Yayá vira, saca uma arma estranha, o portuga se ajoelha. “Não, por favor, tenho três filhos”. Parece o cano quatro bocas de uma pepper-box. Não consigo acreditar.

Entra nas lojinhas de quinquilharias, destrói produtos no chão. Esbarra nas pessoas, derrubando-as, chuta caixas de fruta, lixeiras, atira a esmo. A fumaça acompanha seu vulto. O povo corre, baratas tontas entre as galerias e marquises. Entre um gole e outro de uma garrafa, ri desgovernada. Yayá parece num acerto de contas com a cidade.

Há diversos postos policiais espalhados, logo vão chegar. Yayá atira para o alto, chuta a cabeça de um mendigo. “Porcos! Porcos!”. Dança levantando a saia nas escadas do Theatro Municipal. Passa os dedos na virilha, faz uma banana, cospe na cara de turistas. Corre, atravessa ruas, é atropelada, levanta-se, blasfema, nada abala. Entra nas Casas Bahia e joga eletrônicos no chão. Maltrapilhos pegam produtos e saem correndo. Os homens chegam.

Tento chegar perto dela. Dona Yayá está parada, observa um artista de rua que manuseia uma caveirinha, toca uma bateria. Bate palmas, joga moedas douradas ao títere macabro. Para. Frente às escadarias de uma estação de metrô desativada que lembra a entrada do inferno. Consigo me aproximar. “Yayá!”, grito. Ela me olha, esconde a boca de riso. Faz um sinal para que eu chegue perto. “Adorei você!”, diz debochada. Seu rosto se transfigura. É Ruth. É Yayá. É Ruth. Yayá e Ruth descem a escada aos portões infernais.

O movimento aumenta. São seis da tarde, o populacho grita mais do que o normal. “Essa filha da puta doida está lá embaixo”. “Mata essa doente mental! Mata!”. Yayá deixou o asfalto em banho vermelho, vítimas se arrastam, pessoas escondem-se dentro de lojas enquanto pedintes gritam coisas desconexas. Alguns aproveitam para cometer pequenos furtos. Um mendigo pedala uma bicicletinha de criança.

A polícia cerca as escadarias da estação inativa, começa a descer com cuidado. Degrau por degrau. “Nós vamos atirar! Joga a arma!”. Escuto a pepper-box estourando, ela acerta alguns policiais, gritos e sangue. Não enxergo direito, a multidão de cabeças cresce. Chega a tropa de choque. Desce as escadas, atira em sequência na direção de Yayá.

Súbito, ânimos se acalmam. Os fardados sobem confusos. Tiram os capacetes. Passam a mão na cabeça, olhos semicerrados, encaram-se perplexos. A imprensa não perdeu tempo. Escuto um policial falando. “Eu não sei, ela passou pelos ferros, de algum jeito entrou nas galerias do metrô”, diz um deles. Os populares começam a comemorar a morte de Dona Yayá, a multidão sem rosto se forma, celebra unida sua vitória nas bordas subterrâneas.

Já passam das oito da noite e nada. Desistem de encontrá-la. “Deixa essa retardada se foder aí dentro”. Acaba o buchicho. Homens e mulheres conversam e fazem piadas. Um deles gira o indicador em volta da têmpora em sentido horário. “Doidona!”. A jovem gargalha. Acham que ainda podem pegar o caminho de casa. Um cheiro de flato paira no ar. Perdidos em sua chacota, não percebem nada. Vejo Yayá camuflada na multidão, vira mais um gole. Brindamos ao longe, ela levanta a garrafa, eu ergo meu palito de fósforo. Acendo um cigarro. A cidade inteira explode pelo gás do próprio rabo.

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23 comentários em “Desatinos de um noir invertido (Fernando Abreu)

  1. Delane Teodora de Oliveira Leonardo
    24 de fevereiro de 2014

    Narrativa incrível! Senti-me, por vezes, a própria narradora. Ao entrar no casarão, tateei os espaços e me confrontei com o fantasma da mulher aprisionada em sua própria existência. Outras vezes, deixei de ver o mundo apenas com os olhos e me entreguei a uma profusão de sinestesia que me levou ao essencial, acredito. Não sei…. mas pareceu-me que as duas personagens femininas conectaram-se por partilharem a inquietude dos que vivem à margem. E observaram-se silenciosamente, de alguma forma, cúmplices.

  2. Pedro Luna Coelho Façanha
    6 de dezembro de 2013

    Outro que li na pressa por causa do tempo, prometo que depois vou reler. Achei a história muito interessante, lembra um filme mesmo, principalmente o final. Curti a menção ao Robert Graysmith.

    ”A cidade inteira explode pelo gás do próprio rabo.” rs..é isso aí.

  3. Alana das Fadas
    4 de dezembro de 2013

    Achei incrível, mas ouso dizer que o autor ou autora é cria do cinema. Dá pra notar em cada ato, em cada forma: é como ler vendo fotografias. Até pelo sentido que muitos citaram, de não ser possível encaixar um sentido final, dá pra ver que o autor tem um quê de roteirista! Daria, com certeza, um ótimo curta metragem, seria incrível. Mas como texto deixou a desejar em alguns pontos, pela própria essência das artes… De qualquer forma, parabéns!!!

  4. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    Wow, não sei nem por onde começar. Muitos aspectos magníficos! O domínio da linguagem, que muda completamente de estilo estético a depender da situação. A história em si é fascinante, rica em detalhes e dá pra perceber que houve um bom grau de pesquisa.

    SUGESTÕES

    A cada corte de cena, sugiro dar um jeito de encaixar algum adjetivo flexionado no feminino o mais cedo possível, para indicar que se trata ou que continua a se tratar de uma narradora.

    TRECHO FAVORITO

    “Uma sombra à minha frente quer dançar. Danço melhor. Sai cabisbaixa. Outra. Movimenta-se bem, não acompanho. Leva-me nos braços, me ensina. Sinto seu corpo ao meu. Empurro. Gosto do cheiro. Vai e volta. Os braços repudiam, o resto todo quer.”

  5. Masaki
    3 de dezembro de 2013

    Excelente conto! Parece-me um roteiro. Tudo bem elaborado e estruturado. As personagens são o ponto alto da trama. Elas parecem sair da história e ter vida própria. As diversas referências também merecem destaque. Parabéns!

  6. Alexandre Santangelo
    3 de dezembro de 2013

    Belissimo conto! Poderia facilmente virar um roteiro. Brilhante. Parabéns.

  7. Felipe Falconeri
    24 de novembro de 2013

    O conto tem uma escrita excelente. O autor demonstra um domínio técnico impressionante. Cada “ato” foi escrito de maneira muito rica, envolvendo facilmente o leitor. As descrições, a construção do perfil psicológico da protagonista, sua relação obsessiva com a figura da Dona Yayá. Tudo muito bem construído, tudo muito bem engendrado.

    O problema – e pode ser um problema apenas para mim – é quando se juntam todas as partes. O conto tem uma narrativa surreal, o que por si só não é um defeito. Ao contrário, pode ser uma grande qualidade. Mas só vejo sentido em algo surreal quando seus elementos simbólicos conseguem nos trazer de volta à realidade. O texto, ainda que extremamente bem escrito, não me disse nada. Não consegui entender exatamente o sentido da história, não consegui encontrar pontos concretos onde me apoiar para traçar paralelos entre a loucura do texto e a realidade. E ainda que eu consiga admirar cada peça de um quebra-cabeça individualmente, nada é mais frustrante do que não formar figura alguma depois de montá-lo. O surreal pelo surreal me soa vazio, fútil. Um exercício egocêntrico.

    Talvez eu tenha falhado como leitor. Talvez os elementos que remetem à realidade estejam aí e o conto realmente queira dizer alguma coisa. É possível. Mas, mesmo relendo o texto, ele me deixa a sensação de ser uma escultura de ouro posta no fundo do mar: absolutamente lindo. E absolutamente vazio.

  8. Agenor Batista Jr.
    23 de novembro de 2013

    Gostei mais pela metralhadora giratória expelindo palavras e frases em profusão com uma narrativa pra lá de ágil e interessante. Gostei especialmente de duas frases citadas nos comentários: “Espelho-espelho-meu está mudo.” e “A cidade inteira explode pelo gás do próprio rabo.”. Parabéns!

  9. Di Benedetto
    21 de novembro de 2013

    Preciso ler esse conto com mais calma depois. Essa escolha de tempo verbal costumo achar meio cansativa e evito, mas isso é mais pessoal e, por outro lado, achei a história bem criativa e inspirada. =)

  10. Abílio Junior
    20 de novembro de 2013

    Infelizmente a escrita rápida não conseguiu me prender à leitura, mas isso é coisa minha. O texto está muito bem escrito e trabalhado. Parabéns.

  11. rubemcabral
    19 de novembro de 2013

    Gostei bastante; há algumas construções preciosas, doidice, o ritmo é muito frenético. A protagonista mulher foi realmente uma boa sacada. A reclamar somente mais elementos noir no conto…

    Muito bom!

  12. Sérgio Ferrari
    18 de novembro de 2013

    Gostei demais. Muito ótimo. Parabéns. E incrementar com fatos reais, trazendo a tona essa história tão pouco conhecida, olha, foi de mestre.
    Quem quiser ler mais de yaya:

    http://www.piratininga.org/dona_yaya/dona_yaya.htm

  13. fernandoabreude88
    15 de novembro de 2013

    Gosto bastante dessa história secundária que permeia o conto, o mistério de Dona Yayá delineando uma segunda narrativa, a personagem feminina de caráter duvidoso e o final, que me lembrou muito um noir chamando A Caixa de Pandora, de 29.

  14. piscies
    14 de novembro de 2013

    Que conto louco! Que escrita maravilhosa! Eu suspeito que terei que reler mais umas duas vezes para entender direitinho, mas de qualquer forma sua escrita é demais. Eu geralmente não gosto de frases curtas como as suas, e até soltei um suspiro quando comecei a ler o conto. Algo do tipo “ai ai, isso vai ser cansativo”.

    Mas você conseguiu usar esse estilo de forma esplêndida! Fui lendo e lendo e lendo e quando vi, tinha terminado. Me amarro em ler coisas assim.

    Parabéns!

  15. Jefferson Lemos
    13 de novembro de 2013

    Achei o conto muito bem escrito e detalhado, apesar do tipo de escrita não me agradar.
    De qualquer forma, foi um baita conto, e o autor está de parabéns!

  16. Frank
    12 de novembro de 2013

    Muito doido e muito bem escrito! Um conto para ler, reler e tornar a ler e quem sabe vislumbrar como o autor(a) criou tudo isso! Parabéns!

  17. Thata Pereira
    12 de novembro de 2013

    Bem escrito, apensar que não arrisquei comentar quando o li pela primeira vez. Relendo com calma tive a mesma sensação de filme que já comentaram. A narração permite enxergarmos tudo com muita clareza e gosto disso.

    A frase “Espelho-espelho-meu está mudo.” ficou na minha cabeça desde a primeira vez que li o conto.

  18. charlesdias
    11 de novembro de 2013

    Não gosto do estilo da escrita, acho cansativo. De qualquer forma o conto está bem escrito. Creio que estaria mais adequado ao tema “fantasmas” … mas creio que não se enquadra no tema “noir”.

  19. Marcellus
    10 de novembro de 2013

    Senhor, o que foi esse conto? Me atropelou como uma caminhão de frutas e ainda estou estirado na rua, tentando me recuperar…

    Gosto de narrativas mais lineares, cartesianas, mas não há como negar que foi muito bem escrito. Noir ou não, é outra discussão.

  20. Leonardo Stockler M. Monney
    10 de novembro de 2013

    O conto é realmente muito bem escrito. Gostei muito das frases curtas. Dá uma certa agilidade e tensão pro conto. Muito bem ambientado mesmo. Gostei particularmente da maneira como o narrador conta a história da Dona Yayá e vai acrescentando detalhes de sua história. Gostei particularmente do formato do conto: primeira parte mais descritiva pra uma cena de ação que ocupa a segunda metade. Muito bom!

  21. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    9 de novembro de 2013

    Gostei muito do começo, da ambientação detalhada sem ser cansativa. Como o Ricardo comentou, o conto lembra um filme e por isso mesmo foi fácil acompanhar as imagens descritas. A narrativa foi realizada com primazia. Adorei a frase final: “A cidade inteira explode pelo gás do próprio rabo.” Parabéns.

  22. Ricardo Gnecco Falco
    9 de novembro de 2013

    Praticamente, um filme. Daqueles experimentais e com toques que ousadamente misturam Kubrick com Wilder. Não é o meu estilo predileto, mas o texto ficou muito bem trabalhado.
    Vale a leitura!

  23. Gustavo Araujo
    9 de novembro de 2013

    Cara, esse conto é MUITO bom. A primeira parte merce figurar em um futuro “greatest hits” do blog. Sou suspeito para falar porque me amarro nessa coisa de casas antigas e, de preferência, abandonadas: o encontro de quem a descobre com os fantasmas que a habitam por meio do contato com objetos, com os cômodos vazios. Isso ficou muito bem descrito e, tenho que admitir, não ficou devendo nada ao que já li com essa temática. Sério mesmo, ficou tão bom quanto o NIccolò Ammanitti em “Eu Não Tenho Medo”.

    Mas o conto é bom não apenas por causa do início. O desenvolvimento também é sensacional. E nisso eu tenho que parabenizar quem escreveu porque narrar no presente do indicativo, em primeira pessoa, é algo para poucos. As viagens da protagonista, sua índole sarcástica, suas piadas, a loucura que a permeia, o mistério de Dona Yayá, enfim, creio que tudo isso foi trabalhado de modo bastante eficiente.

    Aliás, fazer do narrador uma mulher foi uma sacada de mestre, já que 99% dos contos sobre noir têm protagonistas homens. E o legal foi ver como a psicologia dela foi bem trabalhada, seus medos, anseios e desejos subliminares.

    Enfim, para mim, um conto fantástico, no melhor sentido da expressão.

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Publicado às 8 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .