EntreContos

Detox Literário.

Assassinatos na Noite de Natal (Jowilton Amaral)

A chuva caia fina e constante quando o meu telefone celular tocou. A cabeça do imbecil estava sob o meu joelho, imprensada entre a minha articulação e uma poça d’água no calçamento em frente ao barraco que ele se escondia. Peguei o telefone no bolso de meu casaco de couro. O sacana tentou escapar assim que sentiu a descompressão em sua cara. Rapidamente passei o aparelho para a mão esquerda e com a direita apertei seus bagos, enquanto esmagava com mais força sua fuça contra o chão. Ele gemeu. “Diga”; “Plínio, onde você está?”, “Estou numa festa aqui na Maloca.” Maloca era um lugar barra pesada. “Tá fazendo o que aí, porra?”, “Festinha, meu irmão, tá rolando a maior festinha aqui.”, O verme em baixo de mim tentou se mexer de novo, apertei com mais intensidade suas bolas, ele gritou. “Huuu!”; “O que foi isso?”. “Nada não, é que a festa tá animada. O que aconteceu?”, “Um assassinato de uma família inteira. Dá uma chegada até aqui.”; “Beleza, passa o endereço.” Desliguei o telefone, depositei todo o meu peso, que não era pouco, na cabeça do meliante antes de me levantar. Ele grunhiu. “Levanta, Caveira, deixa de frescura”. Caveira levantou com dificuldade e meu olhou com ódio. Sua testa estava esfolada e escorria sangue de seu nariz. Ele estava meio curvado e não conseguia respirar direito em decorrência da patolada. “Cadê a parada?”, perguntei. Ele enfiou sua mão no bolso de trás e retirou um saco de lixo marrom, todo enrolado e me entregou. Abri o plástico e contei cinquenta papelotes de cocaína, tirei cinco e devolvi o resto. “Dez por cento é meu, você sabe disso, nós temos um acordo, caralho! Homens de verdade não quebram acordos! Você é um homem ou um rato?”.  Ele não me respondeu, apenas cuspiu sangue no chão. “Agora cai fora daqui que eu tenho que trabalhar. Alguém tem que trabalhar nessa porra.”.

O Caveira é um fuleiro, um branquelo esquelético com cara de doente terminal, que conheci quando trabalhava na Entorpecentes, agora trabalho para a Homicídios, ele tem aproximadamente trinta anos, vende drogas, faz pequenos assaltos e me serve como informante, além de ter que me passar dez por cento de tudo que ele comercializa, sejam drogas ou objetos furtados, não em dinheiro e sim em produto, desta forma mantenho ele longe das grades. Grana nunca foi importante pra mim. Uso as drogas e mobílio minha casa com o que ele rouba, ou presenteio alguém em datas especiais, ou faço caridade com a muamba.

Entrei no carro, peguei uma capa de CD, despejei um papelote todo e cheirei. Liguei o som. Botei pra tocar uma canção bem deprê da Ângela Rô Rô, a voz rouca dela sussurrou no carro: “São nossos os nossos enganos, os danos que danam em nós, os erros que erramos unidos, pagamos com a vida a sós…”. Eu tava numa dor de cotovelo do caralho. Sou um cara durão, contudo, romântico pra cacete.

Cheguei ao endereço do homicídio, um bairro de bacana cheio de famílias decadentes. Avistei o Rafael, e fui até ele. Quando ele me viu, veio me abraçar e desejou Feliz Natal. O Rafael é meu camarada das antigas, um bom amigo, seu único defeito é ser certinho demais, se é que isso seja defeito. Era meu superior na polícia. Olhou-me de forma divertida, me viu bicudo e falou: “A festinha tava boa, hein?”. Sorri, sem responder. “Como estão as coisas?”; ele perguntou. “Tudo na mesma”. “E a Luciana?”; funguei e disse: “Parece estar bem, me ligou ontem pedindo o divórcio.”, “E a Priscila?”, “Vou encontrá-la amanhã. O que aconteceu aqui?”, respondi emendando com outra pergunta para encerrar o papo. “Venha ver com seus próprios olhos.”, Rafael falou com cara de mistério.

A casa era grande e decrépita. A sala de jantar parecia um matadouro de bois, tinha sangue por todos os lados. Dois corpos estavam emborcados, com as gargantas cortadas, em cima de uma mesa repleta de comida, outros dois estavam caídos no chão. Um deles perto da porta que levava a cozinha, cheio de ferimentos pérfuro-cortantes na cabeça e no tórax. O outro estava estendido no piso do jardim de inverno, também com lesões na cabeça e no tórax. “Sinistro”, falei. “Realmente”, concordou Rafael. “Só pode ter sido vingança, quem fez isso estava com muita raiva dessa família.”; concluí. “Sem dúvida, não levou nada, só entrou aqui para matar essas pessoas.”; falou Rafael. “Acharam a arma do crime? Quem são eles?”; “Encontramos a arma sim, estava em cima da mesa, tudo indica que foi com ela, uma faca grande de cortar carne, a perícia já recolheu. O chefe da família é o Coimbra, o que está deitado no jardim de inverno, era um figurão que já foi muito rico. Era péssimo com números e torrou tudo que herdou. Hoje em dia ganhava algum dando aulas particulares de inglês. A mulher dele é a senhora caída na entrada da cozinha, não trabalhava fora, vendia artesanatos que ela mesma confeccionava. A garota e o homem, os que estão mortos na mesa, são seus filhos. A menina era estudante de Odontologia, o jovem homem não fazia nada, largou a faculdade, o emprego e usava drogas, encontramos maconha em seu quarto, uma quantidade considerável, eu acho que ele estava traficando. A menina tinha dezenove anos e o marmanjo vinte e nove”. ”Hum, drogas é?” falei pensativo; “É, pensei nisso também, mas foge um pouco da execução por dívida de drogas, se fosse isso eles dariam um tiro na cabeça de cada um e pronto, ou só matariam o devedor, e não precisaria ser dentro de casa. Não perderiam tempo matando desta forma, contudo, investigaremos todas as possibilidades.”; “Você tem razão. Pode ser gente conhecida. Tem algum sinal de arrombamento?”; “Não, nenhum”. “Então, isto é importante. Alguma testemunha?”; “Sim, a vizinha, foi ela quem descobriu os corpos e nos ligou, disse que ouviu barulhos e veio averiguar o que estava ocorrendo, encontrou a porta aberta e foi entrando até se deparar com a cena. Ela está na casa dela sendo ouvida.”. “Sei. Quero falar com ela.”; “Ok, mas só amanhã, ela está muito abalada, e você tá com uma cara de quem não dorme há muito tempo, vá descansar, amanhã conversamos.”.

Antes de ir pra casa passei num bar e bebi quatro doses de uísque e usei mais dois papelotes de pó. Fiquei trincado. Desviei o caminho e passei na minha antiga casa, que agora era de Luciana. O carro do noivo dela estava lá. Não tem nem um ano que nos separamos. E ela já vai se casar de novo.

Cheguei ao meu prédio quase cinco da manhã. Liguei a vitrola, e tirei a roupa na sala mesmo, era o único cômodo da casa que tinha mobília, até o guarda-roupa estava lá. Vesti o pijama. O velho sofá-cama destoava com a enorme televisão de LED novinha que peguei do Caveira. Olhei-me no espelho grande que eu tinha no canto da sala. Para meus quarenta e cinco anos, até que eu não estava mal. Eu tinha poucas rugas, a bolsa d’água em baixo do meu olho direito era o que mais me incomodava no momento, dos cabelos grisalhos eu gostava, a barba mal feita completava o charme, a barriga estava avolumando-se, embora o resto do corpo ainda se mantivesse firme como uma rocha, e os meus quase um metro e noventa ajudavam a assustar os bandidos e atraiam muitos olhares femininos. A voz melodiosa do Cartola dançava pelo ambiente: “Tudo de alegrias e tristeza eu conheci, coisas do amor e do sofrer eu já senti, nada me transforma a alegria de viver…”. “Dor de corno é foda”, resmunguei.

No outro dia fui almoçar com Priscila, minha filha. Os restaurantes estavam todos lotados. “Ninguém mais almoça em casa no dia de Natal?” perguntei-me. Demoramos a arrumar uma mesa no Chinês, mas, valeu a pena, a comida estava muito boa e a tarde passou rápida e agradável. Priscila ficou exultante com o iphone que eu a presenteei, disse a ela que era importado, comprado na loja Caveira’s Gifts.

Assim que deixei Priscila em casa liguei para o Rafael. “E aí, posso ir falar com a vizinha.”; “Hoje não, só amanhã, falei com ela mais cedo, ela alegou indisposição, marcamos para amanhã à uma hora da tarde na casa dela.”; “Beleza.”; “Qualquer novidade te ligo ainda hoje.”; “Tá bom.”. Desliguei.

Resolvi ficar em casa e pesquisar na internet sobre as vitimas. Passei quase duas horas conectado. Consegui descobrir que o filho do Coimbra tinha perdido alguns centímetros de sua perna em consequência de um grave acidente de carro há quinze anos, não achei mais nenhuma informação relevante a respeito da família. Só algumas fotos de jornal do acidente que vitimou fatalmente três pessoas. Abri a geladeira e vi que não tinha nada para comer, em compensação tinha uma garrafa de Casillero Del Diablo. Resolvi abri-lo. Um bom vinho combina mais com um baseado do que com pó. Apertei um fininho e fiquei fumando e bebendo. Adormeci e acordei algumas horas mais tarde com uma fome fodida. Vesti-me e desci para uma barraquinha de cachorro quente que tinha em baixo do meu prédio. Eles vendiam um muito bom, feito com uma lingüiça fininha e comprida ao invés da clássica salsicha. Comi dois. Liguei para o celular de Luciana enquanto lanchava, ela não atendeu. Quando estava voltando pra casa Rafael me ligou. “Diga”; “Venha pra delegacia agora”; “Chego já.”. Desliguei. Eram nove horas da noite.

“Então, novidades?”; perguntei. “Temos um suspeito. Um ex-jardineiro da casa chamado Valmir. Não tem passagens pela polícia, o cara está limpo. Uma vizinha disse que escutou, sem querer, uma discussão de Valmir com o seu Coimbra. Ela estava no ateliê da dona da casa pra fazer uma encomenda, quando escutou uma gritaria no escritório ao lado. Ela disse que o rapaz, o Valmir, saiu fazendo ameaças.”; “Que tipo de ameaças?”; “Coisas como ‘Isso não vai ficar assim’, ‘Vocês vão se arrepender’, essas coisas. Eles deviam o salário dele há dois anos.”. “Hum, dinheiro é uma merda, é por isso que eu não gosto dele. As piores atrocidades acontecem por causa desta merda de dinheiro. Tem o endereço dele?”; “Sim, temos.”; “Vou lá agora fazer uma visitinha de Natal.”; “Legal, o bom é que ele não vai desconfiar de nada, você com essa camisa vermelha, essa barba e essa pança, ele vai pensar que é o Papai Noel.”. Rafael falou e caiu na gargalhada. Não me dignei a responder. Este era outro defeito de meu amigo, ele se achava engraçado.

Eu estava relaxado demais para ir atrás de um possível assassino. O vinho e o fumo me deixaram negligente. Procurei no porta-luvas as petecas que me restaram, ainda tinham duas. Peguei uma, a capa do Cd, uma caneta bic sem a carga e dei um teco. As ideias ficaram mais iluminadas e ligeiras. Coloquei Nelson Gonçalves no som e aumentei o volume no máximo, a poderosa voz dele estrondou em meus ouvidos: “Deixe que ela se vá, não lhe diga que não, que não. Deixe que ela se vá, procurar outro amor em vão. E se um dia ela cansar, e pensar na maldade que fez…”. Peguei o telefone e disquei para Luciana, ela não atendeu. “Ah, caralho, por que não me atende, Luciana?”. Choraminguei.

Cheguei ao endereço do Valmir, era um bairro afastado de classe baixa. Parei o carro na esquina, desci e fui andando, olhando o número das casas. Tava um friozinho gostoso. Acendi um careta, e continuei a busca. Mais a frente eu avistei um homem saindo de dentro de uma casa em reforma, segurando um saco de lixo. Reconheci que era quem eu procurava, tinha visto uma foto dele no meu celular. Era um cara bem apessoado, diria mesmo, boa pinta. Este negócio de redes sócias tem suas vantagens, todo mundo expõe suas fotos nestas merdas. “Ô Valmir”, chamei. Ele se virou assustado, me olhou por alguns segundos e voltou correndo pra dentro da casa. Corri atrás dele, entrei a mil dentro do barraco, esbarrando em tudo, tava uma bagunça aquilo ali. Acho que o cara tava de mudança, o alcancei quando ele tentava escapulir, pulando o muro para o quintal do vizinho. Antes que ele conseguisse, puxei-o pelos fundilhos, ele se virou para mim, deixou cair o saco e puxou uma peixeira. “Ah, caralho, abaixa essa porra, meu irmão, eu só quero conversar” Pedi. Ele não me ouviu e tentou me furar, tirei minha pistola e apontei pra cara dele. Ele gelou. “Baixa essa porra, vamos, não quero te matar, rapá.”. Ele baixou. “Chuta pra cá”. Ele chutou. “Vira pra parede.”. Ele virou. Empurrei-o contra o muro e arrastei seu rosto na superfície caraquenta. Ele gritou. Baculejei o sacana, não tinha nenhuma outra arma. Falei no ouvido dele: “Nunca mais aponta nada pra mim, seu filho da puta, nem mesmo o seu dedo.”. Dei um soco em suas costelas. Ele caiu gemendo. “Levanta, caralho.”. Ele levantou. Senta ali. Apontei com a pistola para uma pilha de tijolos no chão. Ele sentou. “Por que correu?”; “Pensei que fosse bandido, doutor.”; “Não sou doutor. Vou direto ao assunto, foi você quem matou a família Coimbra?”. “Não matei ninguém não, doutor, não sei do que o senhor está falando não.”. “Ah, não fode minha paciência, Valmir. Olha aqui pra mim, eu sou puta velha nesse serviço, porra. Não ta vendo meus peitos moles? Desembucha e não me enrola.”. “Sei de nada não, doutor.”; ele falava e olhava aflito para o saco de lixo. Percebi e perguntei: “Tá escondendo o que neste saco?”; falei ao mesmo tempo em que pegava o saco e o abria. Ele começou a chorar. Dentro do saco estavam uma calça e uma camisa manchadas de sangue. “Caso resolvido.”; pensei. Ele resmungava: “Ah, doutor, minha vida é uma merda…”; “A vida de tudo mundo é uma merda, meu chapa, isto não é desculpa pra matar.”; “Porra doutor, eles me deviam muita grana, e eu estou desempregado e devendo a todo mundo, então aceitei a proposta que me fizeram e matei os filhos da puta.”; “Que você disse? Você foi contratado para matar os Coimbra?”; “Sim, eu fui.”; “Por quem, caralho!”. Ele de repente começou a sorrir, um sorriso de escárnio. “Tá rindo por que, seu mer…”.

Despertei um tempo depois, eu estava caído no chão, minha cabeça estrondava de dor. Passei a mão na nuca e senti um calombo, minha mão veio melada de sangue. “Caralho, me acertaram de jeito!”; praguejei. Meu celular tocava, era o Rafael. “Diga”; “Tá onde, porra? Estou te ligando tem meia-hora.”; “Chego já aí.”.

Na delegacia contei o que descobri ao Rafael. O saco com a roupa ensanguentada tinha sumido, lógico. “Porra, então o cara foi contratado para matar a família?”; ”Isso mesmo”; respondi. Ficamos discutindo o caso até o amanhecer, quando Rafael recebeu uma ligação. “Acharam um corpo jogado no mangue, parece ser o nosso homem.”, disse Rafael. Fomos ao local e era ele mesmo. “Caralho!”; resmunguei. Ele não tinha nenhuma marca de violência, a não ser arranhões no rosto, feitos quando arrastei sua cara na parede.  No IML o legista encontrou uma pequena perfuração de agulha no pescoço do cadáver. “Tudo indica que ele foi envenenado.”; o legista disse. “Quanto tempo para ter certeza e saber a substância tóxica que o matou?”; perguntei. “Três dias.”; ”Vê se consegue a resposta hoje ainda.”; “Aí fica difícil”; “Faz um esforço.”. Fui para o encontro com a vizinha.

O portão estava aberto, entrei e toquei a campainha, uma menina abriu a porta. “Bom dia, preciso falar com sua mãe.”. A menina riu e disse: “Vai ficar difícil, minha mãe morreu há muito tempo.”. “Quem é a responsável pela casa?”; perguntei. “Eu mesma.”; Respondeu a garota. “Quantos anos você tem, menina?”; “Vinte e dois”; “Então foi você quem achou os corpos dos Coimbra. Caramba, você parece ter quinze anos.”. “Obrigada.”.

Ela tinha cara de anjo. Era loira, olhos azuis brilhantes e pele de bumbum de neném. A casa era enorme e ricamente mobiliada. “Mora sozinha aqui?”; “Sim.”; “Faz o que dá vida?”; “Sou estudante de Medicina Veterinária.” “E de quem é esta casa?”; “Minha.”. “Comprou?”. “Sim.”; ela percebeu minha admiração e emendou: “Sou muita rica, herança de família, herdei muito dinheiro dos meus pais, você veio aqui para saber sobre o assassinato ou de mim?”; ela perguntou com sua carinha de querubim, embora com firmeza na voz. Eu já tinha visto aquele rosto em algum lugar, só não lembrava a onde, talvez fosse uma amiga de minha filha. Ela falou da cena horrível que se deparou. Que não conhecia nenhum Valdir e que não sabia de nenhuma briga entre o jardineiro e seu Coimbra. Conhecia a família por que ela e Letícia, a estudante de Odontologia, frequentavam a mesma universidade. Despedi-me dela. Antes de sair perguntei: “Você por acaso conhece uma menina chamada Priscila? Ela tem dezenove anos.”; Ela pensou um pouco e disse que não.

No outro dia de manhã o perito ligou me informando que o que tinha matado Valmir era um medicamento usado em cavalos, que aplicado em humanos era fatal. “Estoura o coração”; falou. “Esse remédio é facilmente encontrado em lojas de agropecuária e de produtos veterinários”; ele disse. Tive um estalo. Voltei ao site que falava sobre o acidente de carro da família Coimbra. O acidente aconteceu na rodovia que levava a Jurema, cidade litorânea, distante trinta quilômetros daqui da capital. Vi todas as fotos do acidente, foi então que reconheci a garotinha que chorava no túmulo dos pais e do irmão mais velho. Era ela mesma, Ângela Figueroa. A data era de vinte e seis de dezembro de 1998. O acidente aconteceu no Natal daquele ano.

Liguei para o Rafael: “Já sei quem foi a mandante, foi a vizinha com cara de anjo.”. “Quê”; Raul indagou com surpresa. “Encontre-me na casa dela agora, estou indo pra lá, chego em dez minutos.”; eu disse.

Tocamos o interfone. “Quem é?”; ouvimos a voz dela. “Polícia”, eu disse. “Um momento”. Muitos minutos depois o portão abriu. Quando entramos Ângela esperava na porta. Algumas malas estavam arrumadas ao seu lado. Ele iria viajar. Rafael me olhava com uma cara desconfiada, eu tinha dito a ele para confiar em mim e ficar calado.

Assim que entrei eu anunciei: “Ângela Figueroa você está presa pelo assassinato da família Coimbra.”; “O quê? Você só pode estar maluco!”; ela disse indignada. “Não adianta negar. Sei que foi o Coimbra o responsável pelo acidente que matou seus pais e seu irmão, quando você tinha sete anos. Sei que você é de Jurema, local onde aconteceu o acidente.”; Rafael me olhava assustado. “Cara, que maluquice é essa?”; ele sussurrou. Não o respondi e continuei. “Valmir morreu envenenado com um medicamento para cavalo encontrado somente em clínicas veterinárias. Você faz medicina veterinária, não é mesmo”; ela não respondeu. Eu continuei: “E o mais importante de tudo, encontramos suas digitais ao lado do corpo de Valmir.”. Isso era mentira, mas, ela não sabia. Ela começou a chorar e se aproximou de mim, achei que ela fosse me abraçar. Ao invés disso ela tentou me furar com uma seringa que escondia no bolso de seu casaco. Consegui me defender e acertei um soco nela. Ela caiu desmaiada. Tenho um reflexo muito rápido, foi por isso que Luciana me deixou, ela quis me agredir durante uma discussão e eu a soquei.

Na delegacia ela confessou tudo; friamente.  Falou que passou muito anos planejando como iria se vingar, já que a justiça nada fez com os assassinos de sua família. “Nem condenados eles foram. O imbecil do Coimbra estava bêbado. Descobri onde eles moravam, comprei a casa vizinha depois de muitos anos de espera, e quando escutei a discussão do Valdir com eles, convidei-o para entrar, viramos amantes e eu o convenci, usando meu dinheiro e o meu corpo, a matá-los de forma cruel e dolorosa. Decidi que tinha que ser no Natal, mesma data que meus pais morreram. Parecia perfeito, se eu não tivesse inventado de ir ver os corpos e ligado pra vocês, nunca desconfiariam de mim, mas eu tinha que ver o sangue daqueles canalhas escorrendo.”; “Mas, nós descobrimos o Valdir, ele iria abrir a boca.”; eu disse. “Quando você chegou correndo atrás dele, eu estava lá e me escondi, fui eu quem acertou sua cabeça, eu ia matar o Valdir depois que ele se livrasse das roupas, mas, você atrapalhou tudo, seu idiota.”.  Depois do depoimento ela foi encaminhada para o xadrez, no entanto, em menos de um dia, conseguiu um Habeas Corpus e responderá em liberdade. Ela é muito rica.

Saí da delegacia, abri o último papelote que me restava, esparramei na capa de CD e cheirei. Coloquei Antônio Marcos para tocar: “Esta é, a última canção, que eu faço pra você. Já cansei de viver iludido, só pensando em você…”. liguei para Luciana. Ela não me atendeu. “Ah, Luciana, quanta saudade.”

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48 comentários em “Assassinatos na Noite de Natal (Jowilton Amaral)

  1. Alana das Fadas
    4 de dezembro de 2013

    Parabéns, ótimo texto! Só tem um defeito: a vilã não me convenceu muito, rsrsrsrs!
    A última frase foi ótima, casou-se bastante com o texto!
    Abraço!

  2. Andrey Coutinho
    23 de novembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    Tom muito inusitado, protagonista interessantíssimo. Mesmo tratando de um tema “sério”, o desenvolvimento foi engraçado. Fiquei com um sorriso na boca em vários momentos.

    SUGESTÕES

    Alguns trechos estão bem melhor descritos e desenvolvidos que outros. É como se de repente batesse uma pressa no narrador para explicar alguns acontecimentos. Repensaria algumas partes desnecessariamente expositivas (como quando ele fala que agora está na Entorpecentes). Algumas informações podem ser evidenciadas sutilmente ao longo do texto. A confissão final foi um pouco redundante, tendo em vista as descobertas anunciadas pelo policial. O encontro com a vizinha poderia ter sido dividido em duas partes, uma na qual ela parece inocente, no início, e uma na qual ela já aparenta mais culpa, perto do final. Do jeito que está, nem deu tempo para o leitor tentar descobrir o assassino. Isso não seria um problema, se a descrição do caso e o desenrolar da trama não seguissem a estrutura clássica de mistério policial, que tradicionalmente investe nesse estímulo a tentar desvendar o assassino.

    TRECHO FAVORITO

    “Este era outro defeito de meu amigo, ele se achava engraçado.”

  3. Felipe Falconeri
    22 de novembro de 2013

    A narrativa parece de alguém com vocabulário ruim contando uma história oralmente e de forma apressada.

    A história é fraca, o protagonista não convence e discurso final da vilã parece saído de um episódio do Scooby Doo.

    Muito ruim.

    • Eliot Ness
      23 de novembro de 2013

      Meu desenho animado predileto. Obrigado.

  4. Abílio Junior
    20 de novembro de 2013

    Bom, na MINHA opinião o diálogo em aspas combinado com parágrafos gigantes prejudicou o entendimento e travou a leitura. Você poderia diminuir mais esses parágrafos, fragmentando tudo de maneira que o leitor possa se identificar com o que está acontecendo em determinado momento. Outro ponto que me chamou a atenção foi a questão de enrolar um pouco, na maioria dos contos é mais do que necessários fazer descrições, mas talvez neste conto fosse mais importante ir direto ao ponto. E é claro, fazer uma revisão para alguns erros de português e digitação. Mas não desista, você tem potencial!

  5. Di Benedetto
    20 de novembro de 2013

    Ahhh, o texto tá bom. Diálogo entre aspas o Rubem Fonseca e uma pá de outros autores também utilizam. Não acho que isso tenha sido tão mal empregado não. Fez falta mesmo foi uma estrutura de parágrafos, como algumas pessoas comentaram.

    Em questão de temática também aderiu como uma luva.

    Agora, enquanto história, achei mais do mesmo (dentro do gênero policial) e um pouco esticada. Solte mais a criatividade e vá direto ao ponto. =)

    Mas é isso aí. Às vezes, temos que ir praticando com histórias simples, antes de sair pirando a cabeça. Continue escrevendo!

    Abraço.

  6. Gunther Schmidt de Miranda
    19 de novembro de 2013

    Não gostei dos diálogos, da linguagem utilizada… Mas sou leitor, não avaliador. Valeu…

  7. Agenor Batista Jr.
    18 de novembro de 2013

    Não sou julgador, mas leitor. Entendi sua proposta e me agradaram as frases de efeito, inclusive os dálogos da forma física como foram colocados: entre aspas. No entanto, apesar do elogio geral pelo encaixe no gênero proposto pelo Desafio, não senti assim. Mas a unanimidade deve valer alguma coisa senão Nelson Rodrigues não seria tão ferino. Bom texto, algumas revisões necessárias e um final quase que previsível. No todo, uma boa leitura.

  8. rubemcabral
    18 de novembro de 2013

    Gostei do conto, realmente reúne muitos elementos do estilo noir (só faltou talvez uma atmosfera mais deprê). De inicio a cena do crime me lembrou o “Feliz Ano Novo” do Rubem Fonseca, pensei até que o conto pudesse ser uma homenagem ou continuação do famoso conto do meu xará, porém depois vi que era diferente. Achei a narração consistente, embora precise de um tanto de revisão.

    Como a história é narrada pelo personagem, dá pra se perdoar inclusive algumas pequenas falhas de Português, feito “No outro dia de manhã o perito ligou me informando que o que tinha matado Valmir era um…” (“fora”, não “era” – pois é passado do passado).

    No mais, os pequenos clichês das expressões do narrador até enriqueceram o texto, novamente, pelo autor ter escolhido narrador-personagem. Pessoas comuns usam expressões comuns… Dá até mais veracidade ao relato. As letras de músicas da MPB deram uma cor bacana também…

    Só achei que ficou meio feia a já citada confusão com o nome do jardineiro.

    De resto, nada a reclamar. Até a solução fácil não ficou ruim (em verdade eu suspeitei do acidente envolvendo os Coimbra desde a citação do mesmo).

    Parabéns!

    • Eliot Ness
      18 de novembro de 2013

      Obrigado Rubem Cabral. Eu sou fã de Rebem Fonseca, li praticamente tudo que ele escreveu, e já fiz uma homenagem a ele escrevendo um conto continuando o conto “O Cobrador”. Tem razão quanto ao nome do jardineiro, ficou feio mesmo, só percebi depois que um outro leitor me alertou. Deveria ter sido menos ansioso, e esperado mais para postar o texto, e ter revisado com a calma e os cuidados necessários. Abraços.

  9. Sérgio Ferrari
    18 de novembro de 2013

    Caveira / Alguém tem que trabalhar nessa porra.”. / “Dor de corno é foda”
    Tava um friozinho gostoso.
    Era um cara bem apessoado, diria mesmo, boa pinta.
    entrei a mil dentro do barraco
    pele de bumbum de neném
    carinha de querubim, embora com firmeza na voz
    vizinha com cara de anjo (ou querubim ???)

    Descritivas sensacionais durante todo o conto, só que não. Seria muito bom pra vc reescrever este conto como modo de melhorar a escrita.

    Quantos “Tava” um autor pode usar em um conto? Quantos ele quiser. Funciona? Não.

    “Parecia perfeito, se eu não tivesse inventado de ir ver os corpos e ligado pra vocês, nunca desconfiariam de mim, mas eu tinha que…” (Tipo se a turma do Scooby-Doo não tivesse aparecido) hehehehehe

    Sabe quando temos que contar uma história rapidamente pra um colega no ponto de ônibus, antes do ônibus chegar? Pois é….este conto é isso.

    • Eliot Ness
      18 de novembro de 2013

      Obrigado Sérgio Ferrari pelos comentários. Sabe muito. Vou levar comigo, pra sempre, sua tão modesta opinião… Abraços.

  10. fernandoabreude88
    15 de novembro de 2013

    O conto é bom. A jornada do investigador sem caráter torna a trama bacana. Isso, na verdade, é uma das características mais legais do noir, todo mundo é sujo, não sobra pra ninguém. A trama está bem organizadinha, tudo batendo e tal. Outra coisa, a revelação final é bacana, gostei do “assassino”, mas achei ele tão legal, que senti falta de uma descrição mais apurada de sua psicologia.

  11. vitorts
    11 de novembro de 2013

    Gostei muito do conto! A narrativa nervosa, os palavrões bem colocados, o protagonista anti-herói e os diálogos frenéticos. Até agora, dos que li, o que manteve-se mais fiel ao noir.

    Achei que as citações musicais também deram um caldo bacana para a atmosfera do conto. Leria facilmente se tivesse umas boas páginas a mais.

    Parabéns pelo texto.

  12. Marcelo Porto
    11 de novembro de 2013

    Muito bom!

    O caráter do protagonista é o melhor da história. O estilo dos diálogos lembra o Daniel Galera em Barba Ensopada de Sangue, o que para mim complica o entendimento da narrativa. Prefiro do jeito tradicional.

    Mas a história compensa qualquer deslize ou dificuldade. Parabéns, grande conto!

  13. marcopiscies
    11 de novembro de 2013

    A história é excelente, digna de um livro. O mistério foi bem trabalhado dentro do limite de palavras… e eu só imagino que, dada a liberdade devida, este conto se tornaria um excelente livro de suspense. Um parabéns especial pelo desenvolvimento do personagem e a ambientação Noir. Acho que dado o tempo necessário para lapidar este conto e fazer uma revisão adequada, dá até pra fazer um ebook e vender bastante. Sério!

    A escrita não está boa. Os diálogos entre aspas são frequentemente usados por diversos autores, mas nunca intercalados em parágrafos enormes como são feitos neste conto. Da forma como está, um diálogo atrás do outro, o conto ganha uma ritmo muito corrido, algo que não é característico do estilo Noir. O uso de palavrões está exagerado também, muitas vezes desnecessário. No caso deste conto, achei que os palavrões só foram bem colocados nos diálogos.

    Toda a escrita está muito corrida. Os eventos acontecem muito rapidamente, não dá nem tempo de aproveitar o clima de tensão que a história cria. É claro que isto é provavelmente devido à limitação de palavras, mas de qualquer forma fica o meu parecer.

    Uma dica: evite fazer a velha cena do personagem principal descrevendo a si mesmo enquanto se olha no espelho. Este é um dos clichês mais explorados da história!

    Por fim, detectei um certo plágio do roteiro da série americana “Revenge” na história da sua vilã, mas isto pode ser a minha mania de leitor rabugento, rs.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Cara, ta me acusando de plágio? Nunca vi na minha vida a citada série, e você tem que provar, meu caro, que meu conto é um plágio. E outra coisa, eu escrevo com eu quiser e seus comentários são arrogantes. Eu sempre descrevo meus personagens e sempre vou descrevê-los, pouco me importando com clichês.

      • Eliot Ness
        11 de novembro de 2013

        Não existe nada mais clichê do que jogar sujo numa disputa, pensa nisso aí.

      • vitorts
        11 de novembro de 2013

        Ei, cara, pegue leve! Se tratando de um desafio, nada mais comum do que pessoas gostarem ou não de algum aspecto do seu texto. Aliás, esse é o ponto chave dessa proposta, a interação e o crescimento mútuo dos autores.

        Além do mais, não acho que o Piscies foi rude, ainda mais tendo começado com aquele simpático “A história é excelente, digna de um livro.”.

        É isso, parceiro. Se tivesse uma cerveja, ofereceria. Como não tenho, só posso aconselhá-lo a relaxar e aproveitar o jogo. 😉

      • Ricardo Gnecco Falco
        19 de novembro de 2013

        Assino embaixo do Vitor…
        O que menos importa aqui é ganhar o Desafio. Vence quem conseguir absorver ao máximo os feedbacks aqui existentes (pois o público leitor daqui é, em sua grande maioria, de escritores); estes sim, são o verdadeiro prêmio desta “disputa”!
        Pega leve, parceiro… 😉
        Relaxa e aproveita a interação!
        Abrax!

        Paz e Bem!

  14. Leonardo Stockler M. Monney
    11 de novembro de 2013

    Ao contrário do pessoal, eu gostei dos diálogos em aspas. Dá a impressão de que é tudo lembrança. O conto vale a pena pelo detalhamento do personagem principal: as ironias, as músicas de corno, o estilão dele. Também lembra bastante o caso Suzanne von Richtofen, haha. Podia até ter citado!

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Leonardo.

  15. Masaki
    10 de novembro de 2013

    A condução dos diálogos me fizeram vislumbrar toda a história bem detalhadamente na mente. Gostei também do fato dela ser ambientada em nossa realidade. Enfim… O autor está de parabéns.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Masaki.

  16. Leandro B.
    9 de novembro de 2013

    ” Olha aqui pra mim, eu sou puta velha nesse serviço, porra. Não ta vendo meus peitos moles? ”
    Hahaha

    Acho que os amigos já apontaram os principais pontos a serem trabalhados no conto. Reforço que também não gostei muito do diálogo entre aspas, acho que ele funciona melhor em conversas curtas. Além disso, achei o final resolvido não apenas de maneira fácil, mas um pouco evidente também. Creio que seja consequência da limitação de palavras. Aliás, achei o encontro com a filha um tanto quanto desnecessário, poderia ter tirado algumas palavras dali para jogar na investigação.

    Me atraiu bastante a atmosfera e a ironia forte do policial. Ri bastante com a frase que destaquei acima. É um bom conto. Parabéns.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Leandro B.

  17. Pedro Luna Coelho Façanha
    8 de novembro de 2013

    Gostei. Deu para ler de boa. Realmente, o mistério de resolveu fácil demais, mas também atribuo isso a o limite do concurso. Diálogos nesse estilo não ficam bacanas no mesmo parágrafo. Ah, tem que se decidir se o nome do cara é Valmir ou Valdir..rs

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado pelas palavras, você tem razão, depois que você disse sobre Valmir e Valdir, fui reler e vi que realmente, no final eu escrevi Valdir e não Valmir, o nome do jardineiro é Valmir, hehehe. Eu podia alegar que o personagem narrador estava sempre doidão e por isso errava o nome propostalmente, não é o caso, foi vacilo mesmo.

  18. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    7 de novembro de 2013

    Gostei também. Ajudou a ter uma visão melhor do ar noir. Os diálogos assim entre aspas me confundem um pouco. Caracterização bem executada, alguns errinhos, mas creio que mais de digitação do que de ortografia. Leitura rápida, estilo bem apresentado. Parabéns.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Claudia Roberta

  19. Marcellus
    7 de novembro de 2013

    Agora sim, um conto ‘noir’ de raiz, da gema… ou quase, já que tem um tempero nacional.

    Apenas dois problemas, que não tiram, nem de longe, os méritos do texto: a falta de revisão e a facilidade com que a trama foi descoberta. Tirando isso, uma ótima história, parabéns!

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Valeu Marcellus.

  20. Charles Dias
    7 de novembro de 2013

    O primeiro conto realmente noir que foi postado no desafio até o momento … e um noir com traços nacionais e passado nos dias atuais … muito bom. Faltou uma boa revisão e cuidado com dois furo no enredo (da origem do produto usado para matar o jardineiro e as digitais que magicamente foram desbertaas junto ao seu corpo). No geral é um conto muito bom que poderia até ser desenvolvido num romance tipo “coletânea de casos”. Gostei.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Muito obrigado pelo comentário. Quanto aos furos, no conto eu falo que o que matou Valdir foi um remédio usado em cavalos. E as digitais encontradas no corpo, não existem realmente, eu falo isso no conto, foi uma estratégia do detetive para pressionar a menina.

  21. Bia Machado
    7 de novembro de 2013

    Gostei da construção do personagem, do clima dado ao conto com as músicas, a descrição dos ambientes, isso tudo me ajudou a levar a leitura do conto até o final, criei simpatia pelo policial e seus dramas.

    Quanto à estrutura da narrativa com os diálogos entre aspas, acho que até me acostumei com isso, mas prefiro quando eles estão separados, em linhas diferentes, Assim, da forma como foi deixado no texto, posso dizer que me atrapalharam um pouco, me cansaram um pouco. E em vários pontos há a necessidade de revisar, a princípio parece que o autor digitou de forma rápida, e algumas coisas passaram batido, mas não comprometem a leitura. Parabéns!

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Bia Machado.

  22. Frank
    7 de novembro de 2013

    Hahahaha…eita policial polêmico. Um ótimo conto! Não me incomodou os diálogos entre aspas, pois foram muito bem “posicionados” e não dá para confundir quem diz o quê. As músicas e a fossa são um charme à parte; me diverti vendo um sujeito tão “marrento” naquela lamúria toda…rs. Minha única crítica é sobre o tratamento dado ao pobre Caveira (fiquei com pena dele)…hahaha. Um fornecedor deveria ser tratado com mais carinho. No mais, realmente é até o momento o mais “noir” dos contos noir! Parabéns!

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Valeu Frank. Muito obrigado.

  23. Thata Pereira
    7 de novembro de 2013

    Adorei o conto! Elementos do Noir foram apresentados, gostei do personagem principal, das músicas citadas (que o recordam da ex, acredito) . Fiquei esperando um surto caso ela atendesse o telefone, o que não aconteceu e gostei disso.

    Como já mencionado aqui, também não sou fã de diálogos entre aspas. Para mim é confuso, mas pode ser apenas falta de costume: por não gostar, sou receosa e não leio. É uma questão de estilo e quem opta precisa usá-la muito bem, para não confundir o leitor. Para mim, foram bem utilizadas.

    Parabéns pelo conto!

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Thata Pereira.

  24. selma
    7 de novembro de 2013

    bem, quem sou eu para discordar dos colegas. porque não gosto desse genero, fica dificil apreciar, mas aceito os comentarios de quem entende. parabens então.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Olá Selma, se não tem nada de interessante para dizer, é melhor não comentar.

  25. Gustavo Araujo
    7 de novembro de 2013

    Creio que se trata do texto, até o momento, que melhor trabalhou os elementos do noir. Há atmosfera pesada, o policial sarcástico – ao mesmo tempo durão e cheio de defeitos – a mulher fatal e, claro, um mistério bacana que conduz a narrativa. Gostei muito do contexto, do envolvimento proporcionado pelo conto. O modo como o protagonista narra suas agruras, a menção às músicas de ícones da nossa antiga MPB, a auto-piedade intrínseca, os vícios, tudo isso impele a leitura adiante, sem sobressaltos, de forma natural.

    Como pontos a serem melhorados, eu apontaria a maneira como os diálogos foram descritos. Não se trata de um defeito, mas de um estilo adotado pelo autor. Já li outros contos assim, mas sinceramente acho um pouco confuso. De todo modo, pode ser apenas birra de minha parte, rs.

    Outra coisa que não gostei muito foi do “mistério” em si. Tudo se resolveu muito rápido e fácil. A culpa por isso não é do autor, mas da limitação imposta pelo desafio. Estou certo de que a história se desenvolveria mais a contento se não houvesse esse limite de 3500 palavras.

    De qualquer maneira, o conto está ótimo. Muito bom mesmo. O autor, percebe-se, é alguém que gosta de escrever nesse estilo. Domina a arte, está em terreno conhecido. Ganhamos nós! Parabéns.

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Gustavo Araújo, na verdade me empolguei na caracterização do detetive e quando percebi faltavam poucas palavras para concluir o conto, você tem toda razão.

  26. Ricardo Gnecco Falco
    7 de novembro de 2013

    Gostei. Ficou com a característica bem única do estilo Noir. Talvez, o que melhor possa se encaixar ao estilo, dentre os textos até o momento apresentados. Rápido, intenso, sujo e malicioso. Um trabalho muito bem executado.
    Parabéns ao autor!
    😉

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Obrigado Ricardo Gnecco Falco.

  27. Jefferson Lemos
    7 de novembro de 2013

    Gostei. Acho que é um dos que mais se enquadrou no tema, até o momento. Junto com Ardor e Dor.
    A narrativa ficou bem apressada, mas os fatos vieram claramente na minha cabeça e fui de um fôlego só.
    Só não acho legal o diálogo dessa forma. Embola e atrapalha a leitura.
    No mais, foi um bom conto. Parabéns ao autor!

    • Eliot Ness
      11 de novembro de 2013

      Valeu Jefferson Lemos.

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Publicado às 7 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .