EntreContos

Detox Literário.

Homicídios Manchados de Rosa (Thais Pereira)

Sentei-me na cadeira, a fim de ver se era confortável. Deveria, pois minha necessidade era de estar atento a todas as respostas que receberia. Crimes como esses não acontecem por aqui. Cinco homens mortos por ingestão de veneno. Suspeitos: as cinco esposas. Não consigo evitar rir todas as vezes que penso nessa possibilidade. Não seria possível, elas são… Delicadas demais para isso.

Estava sossegado em minha casa, após cortar a lenha para preparar o jantar quando o oficial do rei bateu na porta. Você deve estar se perguntando quem sou e por qual motivo fui designado a interrogar cinco mulheres que saboreiam a dor do luto. Bem, eu sou o caçador. Sim, o mesmo que tirou da barriga do lobo a vovó da Chapeuzinho Vermelho e foi encarregado a levar o coração de Branca de Neve para a Rainha Má. Sou boa gente e por esse motivo fui contratado para descobrir quem foi o assassino dos príncipes dos principais contos de fadas – já que, por alguma falha, não criaram detetives para nenhuma dessas histórias.

***

Este conto faz parte da coletânea “Devaneios Improváveis“, Primeira Antologia EntreContos, cujo download gratuito pode ser feito AQUI.

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55 comentários em “Homicídios Manchados de Rosa (Thais Pereira)

  1. Pedro Luna Coelho Façanha
    5 de dezembro de 2013

    Gostei do texto, mas tenho que dizer que para esse desafio, não achei tão legal essas misturadas com contos de fadas. No entanto, o texto não deixa de ter o seu valor como conto. Gostei do sistema de interrogatórios e certamente é uma história que poderia ser esticada se fosse possível no limite do concurso. rs..parabéns. Está bem escrito.

    • Thata Pereira
      6 de dezembro de 2013

      Ahh, mas foi o que eu achei mais legal! :/ rs’ Noir é um tema muito “adulto”, adoro essa mistura entre o adulto e o infantil.

      Mas tudo bem, obrigada pelo comentário e elogios.

  2. Frank
    5 de dezembro de 2013

    Adorei o conto de fadas e o interrogatório (onde descobria segredos de cada princesa…rs)…a última princesa também era 10; o detetive-caçador preso a seu coração incorrigível é um charme à parte. Muito bom!

    • Thata Pereira
      6 de dezembro de 2013

      Obrigada pelo comentário e elogios Frank! Fico feliz que tenha gostado!

  3. Leandro B.
    5 de dezembro de 2013

    Bem, vou ser contra a maioria: Achei o interrogatório muito interessante. Fui criando expectativas sobre as próximas suspeitas e como elas seriam abordadas. Fui fisgado já ali. Gostei também do final. O problema é que um final assim deveria trazer consequências. Ficamos na esperança de ler continuações mas elas raramente acontecem :/

    Ótima história. Parabéns.

    • Celine
      5 de dezembro de 2013

      Leandro, muito obrigado (a) pelo comentário!

      Sabe que me afeiçoei tanto a Annelise que pensei em escrever um conto que se passasse antes desse. Narrado pelo escritor que ela inspirou e deixando transparecer todo o afoitamento que sentimos — ou que eu sinto — para dar vida a algum personagem. Não sei se um dia acontecerá, mas quem sabe… Quando a uma continuação, já não sei. Mas a primeira pessoa que leu o conto me disse que gostaria muito que ela e o caçador de apaixonassem. Sim, meloso demais, mas ele é um personagem tão solitário, né? Você teve a mesma impressão?

      Abraços!!

      • Leandro B.
        7 de dezembro de 2013

        Eu, na verdade, esperaria algo diferente. Uma paixão entre ambos me parece o caminho mais comum a seguir. O desenvolvimento de um amor e, consequentemente, de um final feliz, me pareceriam contraditórias com o que você criou aqui.

        Ou não hehe

        Dependeria muito de como você conduzisse a coisa toda. Este conto abre muitas possibilidades para continuações. De todo modo, espero ler alguma =)

      • Thata Pereira
        9 de dezembro de 2013

        Obrigada pela opinião, Leandro!

  4. Marcelo Porto
    4 de dezembro de 2013

    Que grande ideia, gostei muito!

    A abordagem dos contos de fadas e dos personagens abandonados ficou bem legal, a escrita também é excelente, o texto flui sem contratempos.

    Mesmo sabendo que o caçador é um cara bonzinho, achei que os interrogatórios foram muito superficiais passando um certo desleixo, ou talvez falta de experiência do personagem, que como ele mesmo afirma, não é um detetive.

    Um bom conto, vale a leitura.

    • Celine
      4 de dezembro de 2013

      Obrigado(a) pelo comentário e elogios Marcelo!

      Gosto dessas análises “ou talvez falta de experiência do personagem, que como ele mesmo afirma, não é um detetive”.

      Abraços!!

  5. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    Proposta bacana, extremamente criativa e muito bem executada. Muito gostoso de ler do começo ao fim.

    SUGESTÕES

    O título é até legal, mas não achei que combinou muito com a história. Por um lado foi até bom, porque as referências a contos de fadas me pegaram de surpresa. Apesar disso, acho que dá pra pensar em outro título que se encaixe melhor na história, mas que não entregue o conteúdo do texto.

    TRECHO FAVORITO

    “Pertenço ao Reino das histórias abandonadas. Àquelas que foram abortadas pelos autores, sem fim, sem meio. Ou que muitas vezes só ficaram no pensamento.”

    • Celine
      4 de dezembro de 2013

      Andrey, obrigado(a) pelo comentário.

      Quanto ao título, como já comentei abaixo, caso o conto não fosse meu eu teria receio de ler. Apesar disso, gosto dele. Não procurei pensar em outro. Quem sabe…

      Abraços!!

  6. Alexandre Santangelo
    3 de dezembro de 2013

    Bom conto! Merecia uma revisão, mas gostei muito. É o segundo que leio que mistura elementos dessa natureza. E isso realmente não é fácil e mrerece consideração. Parabéns.

    • Celine
      4 de dezembro de 2013

      Alexandre Obrigado(a) pela leitura e comentário!

  7. fernandoabreude88
    1 de dezembro de 2013

    Achei uma das idéias mais criativas do desafio. A primeira parte está cansativa, achei os interrogatórios tediosos, repetitivos. Por que não colocar o Soneca num pau-de-arara, meter uma luz na cara do Gastão? Sugestões. A parte mais interessante é a revwlação, onde o texto pega um rumo interessante, mas a condescendência do caçador ao final estraga novamente. Não gostei.

    • Celine
      2 de dezembro de 2013

      Fernando, obrigado(a) pelo comentário!
      Sim, eu também sinto a parte dos interrogatórios cansativas. É algo que pretendo melhorar nesse conto.

      Já o final, para mim está perfeito! Qual seria a graça de Annelise ser julgada pelo que cometeu? Isso tiraria a principal característica do caçador.

      Abraços!

  8. Felipe Falconeri
    1 de dezembro de 2013

    Bacana a ideia de misturar noir com contos de fadas. Mas acho que o conto ficou devendo na ambientação. Como não existem descrições do cenário, a atmosfera noir não se fez presente. Esse conto poderia se passar, por exemplo, no colorido mundo de Shrek. Só que com assassinatos, rs.

    Gostei das característica particulares que você deu às princesas. A insônia da Bela Adormecida foi uma sacada excelente. A vergonha da Rapunzel pelos seus escassos cabelos também. Só achei estranha a maneira como os anões foram tratados, como “pestinhas” que a Branca de Neve tomava conta. Pô, os anões eram adultos! E era até velhos inclusive, com exceção do Dunga. E também não entendi o lance dos sapatos machucarem os pés da Cinderela.

    A ideia de bolar uma princesa de um conto inacabado, que fica vagando sem uma história para chamar de sua foi muito boa. Sem dúvidas Annelise é o ponto alto do conto. Ótima sacada metalinguística. Interessantes também suas característica e hábitos modernos.

    O final é meio insosso, mas faz é compatível com a personalidade do Caçador.

    Tem um ou outro errinho pelo texto, mas nada que uma revisão mais apurada não lime.

    É isso. Bom conto. Gostaria de vê-lo com um pouco mais de desenvolvimento, tudo acontece muito rápido. Mas entendo que o limite de palavras tenha sua parcela de culpa nisso.

    • Celine
      2 de dezembro de 2013

      Felipe, obrigado(a) pelo comentário.

      A intenção era pegar as principais características das princesas e transformar em algo incomodo. Como no caso o sapato de cristal. Já os anões, bem, isso é verdade. Mas não podemos negar que Branca meio que vira “mãe” deles em seu conto de fada. Pelo menos, é a impressão que trago desde criança.

      Valeu pelo comentário e observações.

  9. rubemcabral
    29 de novembro de 2013

    Divertido, diferente, boa a subversão do tema. A escrita precisa de alguns pequenos acertos, embora tenham sido poucos os erros. O mistério se resolveu fácil, mas foi boa a sacada das histórias inacabadas. Há alguns elementos noir, porém bem que poderiam ter sido mais, não? Achei que o cigarro do caçador quebrou um pouco do encanto da ambientação, trocaria por um cachimbo, por exemplo.

    • Celine
      2 de dezembro de 2013

      Rubem, muito obrigado(a) pelo comentário!
      Adorei a observação sobre o cigarro/ cachimbo. Foi realmente algo que não pensei.

      Abraços!

  10. charlesdias
    29 de novembro de 2013

    Interessante a ideia, mas o conto precisa ser refinado, melhor elaborado, para realmente ficar bom. O final está sem graça, precisa ser repensado. Divertido, instigante … mas de noir não tem nada.

    • Celine
      29 de novembro de 2013

      Olá Charles Dias, obrigado(a) pelo comentário!
      A única coisa que penso que poderia ter elaborado melhor seria os interrogatórios. Mas o conto esticaria muito, fazendo com que o limite fosse ultrapassado e tendo que cortar partes importantes. Então resolvi focar mesmo em Annelise.
      Sei que esse final pode desagradar muitas pessoas, mas para mim está perfeito! Como disse em outro comentário: se não fosse assim, o caçador não seria o mesmo da minha infância. Será que tudo na vida deve terminar impactante? Isso para mim é sem graça…
      Abraços!

  11. Masaki
    28 de novembro de 2013

    Celine, em primeiro lugar… parabéns por este brilhante conto! Quando gostamos tanto de uma história, o comentário passa a ser informal. Temos a necessidade de ter intimidade com o autor. Adorei sua mistura de noir/conto de fadas. Você foi extremamente inteligente em não se concentrar na morte de apenas um suspeito. E o mais interessante… Usando-se de histórias que todos nós já conhecemos, ou deveríamos, o que me deixou com mais vontade ainda de ler. A trama está totalmente interligada; o protagonista transborda personalidade e as princesas idem. E por último, ao contrário do demais, apreciei muito sua escrita. Está entre os meus favoritos! Parabéns!

    • Celine
      28 de novembro de 2013

      Masaki, obrigado(a) pelo comentário que alegrou meu dia. Ele fez com que eu sentisse vontade de reler o conto, o que raramente acontece.
      O prazer de trabalhar com Contos de Fadas compensa todo o clichê e é algo que gosto muito.

      Muito obrigado(a), mais uma vez!

  12. marcellus
    25 de novembro de 2013

    Um conto bem inspirado e divertido, com ótimas sacadas. os pequenos erros não chegam a incomodar. Parabéns à autora.

    • Celine
      25 de novembro de 2013

      Muito obrigada, Marcellus!

  13. Felipe Holloway
    24 de novembro de 2013

    A premissa do texto, apesar de não exatamente original, é daquelas que saem na frente quanto a despertar a simpatia do leitor, que, por já conhecer os contos que servem de base à história, tenta antecipar de que forma os pormenores de cada trama/personagem influirão na construção do amálgama.

    A escolha do caçador como detetive é perfeita. É o personagem de moral mais oscilatória (mediante suborno ou súbita compaixão, por exemplo) dos contos de fadas, possuindo um equivalente em praticamente todas elas. Seu texto tem um páthos muito cativante, enfim.

    Senti falta de um aproveitamento mais orgânico das características de cada princesa (ou do aprofundamento de tópicos que no original eram apenas pincelados), e mesmo do caçador, durante o interrogatório; talvez pelo limite do desafio. O que não me impede de reconhecer sacadas realmente excelentes, como o mau humor derivado da insônia perpétua de Bela Adormecida, e a inveja que algumas princesas nutrem umas das outras, seja por terem histórias menos conhecidas, seja por falta de “filhos” etc. Correndo o risco de ceder ao lugar-comum psicológico do personagem mais emblemático desse tema, creio que um pouco mais de cinismo não teria feito mal ao detetive.

    Ainda sobre essa primeira parte, seu caráter algo simplista dialoga bastante bem com a estrutura daquele tipo de história. O intento “moralizante” impedia que se pudesse explorar nuances mais sutis do modo de ser dos personagens, cada um tinha um papel comportamental muito bem definido dentro da narrativa, que se prestava, então, a avaliar, estendendo-se à sociedade fora da literatura, qual desses valores seria sempre recompensado (lealdade, honestidade, humildade…) e qual seria invariavelmente punido (inveja, ganância, crueldade etc.). A aparição de Annelise é uma quebra bem-vinda dessa atmosfera, que já se insinua com a visita à Rapunzel, cuja “eternização” estética, como uma personagem literária, me fez aventar a hipótese de que seu autor a criara para que alguém que ele amava — uma filha, provavelmente –, e que estava doente, se sentisse melhor com sua própria aparência sem cabelos, depois de sessões de quimioterapia ou algo assim. Fiquei me perguntando, sobretudo depois do desabafo da Annelise, até que ponto alguém que distribui “imortalidades” é responsável pelos sentimentos dos seres a quem concede tal dádiva, uma vez que seu próprio senso de “responsabilidade” cessa com a morte?

    A princesa assassina é o melhor exemplo disso. É a única protagonista incompleta, mas de longe a mais completa em termos de humanidade. Ter-se auto-delineado fez um bem danado para a psicologia dela, pelo menos aos olhos de leitores amorais, como eu, haha. Não culpo o caçador por tê-la deixado ir, claro. Até porque esse gesto funciona como a redenção perfeita de sua unidimensão anterior, nos contos clássicos.

    Parabéns à autora. =)

    • Felipe Holloway
      24 de novembro de 2013

      Ah, sim, e como bônus correlato, deixo uma croniqueta igualmente revisionista do grande Verissimo, haha

      Todos conhecem a clássica história de Branca de Neve e os Sete Anões. De como a madrasta perguntou ao espelho mágico se existia no mundo alguém mais bonita do que ela e o espelho respondeu: “você quer em ordem alfabética?”. De como a madrasta resolveu se vingar, mandando matar sua filha de criação, Branca de Neve. De como o caçador encarregado de matar Branca de Neve ficou com pena dela e, num gesto profundamente humanitário, perguntou: “quanto você me dá para eu deixar você fugir?”. De como Branca de Neve fugiu pela floresta e descobriu uma casinha com sete caminhas, sete cadeirinhas, sete escovinhas de dente e chegou a uma conclusão surpreendente: “Aqui deve morar um gigante com hábitos estranhos”. Mas os sete anõezinhos chegaram do trabalho – eram lenhadores e estavam derrubando arbustos – e adotaram Branca de Neve.

      Ao contrário do que se comenta, nunca houve nada entre eles. Uma noite um dos anõezinhos se embriagou e invadiu o quarto de Branca de Neve, mas ela o jogou pela janela. Depois dessa noite Branca de Neve comprou um pequinês para manter os anõezinhos à distância. A madrasta descobriu que Branca de Neve ainda vivia e, disfarçada de bruxa, foi à casinha oferecer uma maçã envenenada a Branca de Neve, que morreu. Mais tarde, um Príncipe encantado despertou Branca de Neve da morte com um beijo e os dois se casaram. Anos depois, algo desencantada com o Príncipe, Branca de Neve daria sua opinião sobre o marido: “Gostei mais da maçã.”

      Mas existem outras versões da mesma história. Por exemplo: Branca de Neve e os Sete Pecados Capitais.

      Branca de Neve devia levar uma cesta com pastéis para sua vovozinha que morava numa casa de chocolate. No caminho encontrou os sete pecados capitais, de chapeuzinhos vermelhos. A Inveja, de olho na cesta de Branca, tenta convencer os outros a atacarem a menina. A Gula adere ao plano assim que fica sabendo dos pastéis. A Luxúria acha a Branca jeitosinha e também concorda. A Ira, que está sempre querendo briga, quer atacar logo. Mas a Soberba, por não querer se rebaixar a tanto, e a Preguiça, por preguiça, não concordam. Branca de Neve entrega sua cesta às assaltantes e estas, para conterem a Luxúria e a Ira, que não querem os pastéis, querem a Branca, entregam a cesta para a Avareza segurar e é claro que nunca mais a conseguem de volta. Enquanto isso, na sua casa de chocolate, a vovozinha entretém o Lobo Mau com bolachinhas, absinto e trechos de uma edição de De Sade para Velhinhas na frente do fogo, servidos por Joãozinho e Mariazinha. Batem na porta e é um Príncipe anão.

      Outra versão é a da Branca de Neve e os Sete Samurais.

      Estamos no Japão durante a dinastia Ping. Uma guerra feudal sacode o país. Depois, vão ver, não é uma guerra feudal, é um terremoto.

      Cai a dinastia Ping.

      Branca de Neve chega ao castelo de Toshiro Mifune, interpretado por Toshiro Mifune. Ele é o líder de seis samurais, todos interpretados por Toshiro Mifune, mas um é transistorizado. Os sete samurais adotam Branca de Neve e a proíbem de ir ao baile do clube onde o Príncipe Yamaha escolherá uma esposa. Branca de Neve, ajudada por uma fada madrinha (Toshiro Mifune), acabará indo ao baile montada numa abóbora puxada por seis ratos (a varinha mágica, fabricada em Hong Kong, não funcionou). Quando dá o terremoto da meia-noite, Branca de Neve sai correndo do palácio, mas deixa cair sua botina na escadaria. Ao ver o tamanho do sapato, o príncipe desilude-se e tenta o suicídio com uma maçã envenenada, mas não consegue segurá-la com os pauzinhos e desiste.

      A dinastia Ping se levanta.

    • Celine
      25 de novembro de 2013

      Felipe, obrigado (a) pelo comentário.

      Só tenho uma pequena correção para fazer: A Rapunzel não perde todo o cabelo em seu conto infantil. A bruxa da sua história só corta em um tamanho que impede que o Príncipe suba em sua torre escalando seus cabelos. Quanto ao fato de ela estar perdendo os fios, quando escrevi o conto imaginei que anos após a bruxa subir até a torre pelos seus cabelos poderiam ter enfraquecido a raiz, causando a queda.

      A intenção foi mostrar as princesas em situações de fraqueza, por conta dessa perfeição focada nos efeitos morais da história, como você disse. Gosto de contos de fadas, mas gosto de ver as coisas além do “Felizes para Sempre”.

      E quando ao explorar mais a primeira parte do conto, com as reações do caçador e maior aproveitamento das características das princesas, acredito que o foco do conto é a chegada de Annelise. Que ela deve chamar mais a atenção do que qualquer um deles. Como respondi para o Gustavo: isso foi algo involuntário que gostei muito, pois nos mostra que podemos deixar passar histórias muito boas, quando “abortamos” personagens, lugares, trechos…

      Abraços!

  14. Thata Pereira
    22 de novembro de 2013

    Gosto muito desse envolvimento dos contos de fadas. Alguns erros poderiam ter sido concertados em uma revisão mais atenciosa. Sempre imaginei os contos de fadas no “além dos felizes para sempre” e ter essa visão “nada feliz” do futuro das princesas foi engraçado.

    Gostei do final. Pegar essa referência do caçador no conto da Branca de Neve foi interessante.
    Estou querendo “desengavetar” meus personagens, depois de ler esse conto rs’ Boa sorte!

    • Celine
      22 de novembro de 2013

      Thata, obrigado (a) pelo comentário.
      Sempre pensei que todas essas princesas não teriam motivo nenhum para viverem felizes para sempre, por isso, gosto muito de brincar com contos de fada, mesmo sendo algo tão clichê.

      Como disse em outro comentário, caso não fosse esse o final, não seria o caçador da minha infância. Desengavete!

  15. Gustavo Araujo
    21 de novembro de 2013

    É o segundo conto noir-com-conto-de-fadas que leio hoje. Assim como o anterior, este também é muito bom. Aqui, contudo, a abordagem é mais direta, às claras. Confesso que achei o começo um pouco arrastado. Quando o protagonista disse: “tenho X princesas para interrogar”, pensei que o conto ficaria nisso – até me perguntei como o autor finalizaria a história a partir de abordagens simples dessa forma. Até que apareceu Annelise. Cara, tudo mudou. O conto ganhou um fôlego extraordinário. A personagem foi de longe a melhor – aquela cuja construção, cujos dilemas me fizeram pensar “caramba, é bem isso mesmo”. Personagens literários têm vida própria. Quem escreve sabe muito bem disso. O fato é que Annelise me cativou muito mais do que as outras princesas. E que bom que você, autor, soube dar vida a ela, contando a nós a sua história. Muito bom!

    • Celine
      22 de novembro de 2013

      Obrigado(a) pelo comentário Gustavo!

      Pois é, sinto que devo convidar o autor do outro conto para tomar um café qualquer dia… Temos ideias muito parecidas. Quando escrevi, o começo também me incomodou e isso foi estranho, pois as pessoas consideram o início dos meus contos o ponto forte, perdendo o ritmo no fim. Acredito eu, que isso foi algo bom, só preciso juntar as duas situações em uma só agora. rs

      Acredito também que Annelise devesse mesmo ter esse papel: voltar para si todas as luzes, toda a atenção. Para mostrar para nós, autores, que deixamos muitas histórias boas passarem desapercebidas, que devemos desengavetar nossos sonhos… Vai saber em qual mundo elas tentam sobreviver, não é? Abraços!

  16. Agenor Batista Jr.
    21 de novembro de 2013

    Uma boa sacada esta de se inspirar em contos de fadas para uma investigação de assassinatos. Alguns pequenos tropeços não chegam a prejudicar o todo bem bem-humorado e com base consistente. Parabéns!

    • Celine
      22 de novembro de 2013

      Agenor Batista, muito obrigado(a) pelo comentário.
      Adorei ter escrito esse conto e as pessoas terem gostado dessa mistura me deixa bastante feliz. Ahh, esses tropeços… eles não me soltam! rs

      Abraços!

  17. Di Benedetto
    20 de novembro de 2013

    Achei a história o argumento desse conto *muito* bons. A narrativa e a escrita ainda precisam dar uma amadurecida (de maneira geral). Mas nada que uma revisão/edição/reescrita atenciosa por parte da autora não resolvam 😉

    Parabéns!

    • Celine
      21 de novembro de 2013

      Di Benedetto, obrigado(a) pelos elogios e comentários.

      Acredito que o amadurecimento seja algo constante. Ainda preciso desenvolver muita coisa e sempre buscarei esse amadurecimento.

      Valeu!

  18. espirrodabrisa
    20 de novembro de 2013

    A ideia e a maneira que você escolheu para contá-la são tão boas que os pequenos erros passam despercebidos. Lembrou-me aquele filme “Deu a louca na Chapeuzinho” (o nome em português é horrível. É um dos contos mais interessantes que li até agora justamente porque escolheu tencionar as fronteiras do gênero, sem essa de mulheres misteriosas, detetives embriagados, e bares tocando jazz. Uma espécie de noir colorido, como diz o nome. Posso dizer que não gostei muito do final, apesar de também ser uma ideia bem bolada. Questão de gosto mesmo. Ademais, está excelente. Parabéns!

    • Celine
      20 de novembro de 2013

      Muito obrigado(a) pelo comentário!

      A Chapeuzinho também tem um conto super popular, que apenas foi citado nesse, pois estou trabalhando em um conto especial para ela. Foi daí que tive a inspiração para esse conto — as outras princesas devem ter sentido inveja.

      Esses errinhos me mataram quando reli o conto postado, mas acontece, infelizmente. Fiquei receosa ao dar esse final para o conto, mas se não fosse assim, ele não seria o caçador dos contos da minha infância.

  19. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    20 de novembro de 2013

    Gostei do conto, do teor criativo de mesclar contos de fadas com a atmosfera noir. Conto muito bem escrito, com lances bem humorados. Príncipes assassinados e princesas sobrecarregadas com as suas características principais. Ficou divertido. A ideia final – de personagem esquecida numa gaveta – foi bem trabalhada. Ideias que deixamos para algum dia e esse dia nunca chega. Parabéns.

    • Celine
      20 de novembro de 2013

      Obrigado(a) pelo comentário, Cláudia!

      Esse sobrecarregamento é uma das coisas que mais gosto nesse conto, pois nunca me conformei com o fato de todos os contos de fada terminarem com Felizes para Sempre. Acho que isso, hoje, tem uma grande influência nos meus textos que, inconscientemente, tem finais tristes.

      O fim desse não é triste, mas o que está por trás dele é: imagine todas as princesas sem seus príncipes?

      Um dia chega, só não os deixe sozinhos nesse mundo 😉

  20. lu261292
    20 de novembro de 2013

    Valeu a leitura, achei o conto muito bem escrito e original.

    • Celine
      20 de novembro de 2013

      Muito obrigada pela atenção com meu conto Lu!

  21. Alana das Fadas
    20 de novembro de 2013

    Celine, tudo o que você escreve é fluido e fácil de ler, algo convidativo. A ideia é ótima! Obviamente foge do noir, mas isso é perfeito, um ponto a mais para o texto. Por mais que um noir se faça de clichês, gosto de fugir do lugar comum, não curto muito essa praia de padrões… Rsrsrsrs!
    Linda, você como sempre arrasando!
    Mais algo antes do conclusivo ponto final (ou exclamação?). Você sabe: essa temática do personagem abortado é algo extremamente recorrente nos meus textos, então eu senti um pouco como mãe do filho sósia, ou quem sabe uma guarda compartilhada?
    Brincadeiras à parte, parabéns. Beijos do tamanho do mundo!

    • Celine
      20 de novembro de 2013

      Alana das Fadas, sempre gentil e atenciosa.
      E por admirar tudo que você escreve — e a pessoa, antes de conhecer a escrita — seus pontos de vista sobre o que flui de mim são importantes para meu desenvolvimento pessoal e literário. Obrigada! Sim, ele foge do clichê do Noir, mas tendo que, tristemente, “abortar” outros contos que se enquadravam bem no tema, surgiu essa linda inspiração e não quis deixá-la passar.

      Verdade! Seu comentário me fez lembrar um “Doce Tango Argentino” 😉
      Compartilho essa guarda com você com o maior prazer!
      Beijos e obrigada pelo comentário!!

  22. Ricardo Gnecco Falco
    19 de novembro de 2013

    Vamos fazer uma brincadeira…? Imagine que hoje é quarta-feira. Quarta-feira de Cinzas. Pós-carnaval. As escolas todas já desfilaram e, agora, a atenção da nação inteira concentra-se na apuração dos jurados. A Globo transmitindo tudo ao vivo, à cores e em HD. A Band, a Rede TV, o SBT; rádios, internet, blogs…
    Eu sou um dos jurados.
    Lá vai:

    Execução… 9,5!

    Criatividade…. 10, nota 10!

    Originalidade… 10, nota 10!

    Fantasias… 10, nota 10!

    Enredo… 10, nota 10!

    …Total: 49,5.

    Restam os votos dos demais jurados! 🙂

    • Celine
      19 de novembro de 2013

      Ricardo, vou confessar que eu não iria responder todos os comentários agora, mas precisei vir aqui. Seu comentário me intrigou. Claro, foi uma injeção de estímulo e fiquei bastante contente. Obrigado(a).

      Entendo que deixei algumas coisas passarem na revisão do conto. O que me desagradou muito quando reli aqui, pois são perfeccionista. E por ser, gostaria de saber se foi isso que me fez perder 0,05 na execução!! Levei na brincadeira, é claro, mas ter esse Feedback seria muito interessante e me ajudaria muito como autor(a).

      Abraços!!

      • Celine
        19 de novembro de 2013

        pois sou perfeccionista*

      • Ricardo Gnecco Falco
        19 de novembro de 2013

        😉

    • Ricardo Gnecco Falco
      19 de novembro de 2013

      Celine, este quesito (execução) sofre com a chamada “inveja branca”. Sim, ela existe.
      Então, como não fui eu o autor deste maravilhoso texto (e, principalmente, o dono desta ideia genial que vc teve aqui), roubo-lhe (descaradamente) meio ponto.

      #simeuconfesso! 🙂

      PS: Desculpe-me, sou humano. E escritor.
      😛

      • Celine
        19 de novembro de 2013

        Completamente perdoado, Ricardo!

  23. Lorena Prado
    19 de novembro de 2013

    Fiquei indecisa sobre o título, mas resolvi ler com calma. Gostei muito da ideia, essa mistureba de conto de fadas com noir. O caçador muito atribulado entre suas missões nas histórias das princesas e o seu lado detetive. A caracterização das princesas ficou divertida. Dá para se divertir. Como já disse não sou uma expert nessa coisa de noir, então só encontrei mesmo o caçador-detetive e os crimes (pobres e chatos príncipes assassinados). As princesas seriam misteriosas?? Fatais? Mas a ideia da real assassina foi bacana. Quem não tem alguns personagens abandonados na gaveta dos textos inacabados? Vale a leitura.

    • Celine
      19 de novembro de 2013

      O título também me assustaria caso não fosse o(a) autor(a). Não pensei em uma mulher fatal quando escrevi o conto. Apenas deixei fluir, mas caso fosse ter que encarar alguma delas como sendo, diria que é Annelise.

      Obrigado(a), pelo comentário!

  24. Jefferson Lemos
    19 de novembro de 2013

    Ah, sei lá. D:
    Achei a escrita muito boa, e a ideia bem diferente, mas não me agradei com o conto. :/
    Espero que outras pessoas possam gostar, pois está muito bem escrito.
    Parabéns!

    • Celine
      19 de novembro de 2013

      Obrigado, Jefferson!
      É uma pena não ter gostado do conto, mas só de ter gostado da escrita me sinto feliz. Obrigado!

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Informação

Publicado às 19 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .