EntreContos

Detox Literário.

Direto Ao Ponto (Agenor Batista)

Dirigiu-se a passos lentos para o atracadouro. Não havia iluminação no caminho tornando mais visível o percurso até o barco. Nem mesmo o reflexo das luzes da cidade no céu clareava o que deveria ser perceptível aos olhos acostumados à escuridão. Um brilho tênue e amarelado na popa denunciava a localização da pequena baleeira onde embarcou. Desligou a bruxuleante lâmpada a fim de economizar energia da bateria para a partida do motor e foi ajeitando a carga já depositada e tralhas no pequeno convés de forma a não desequilibrar a embarcação. Estava preparado. Soltou as amarras e ligou o motor. A partida soou como um longo e dolorido gemido e a primeira explosão da máquina movida a gasolina produziu uma nuvem de fumaça ardente aos olhos, nariz, garganta e pulmões. Tossiu e maldisse: “Merda! Isto ainda vai me matar.” Virou o timão e apontou a embarcação para o meio do rio contra a correnteza: curso a montante. Acendeu as luzes de navegação. Verde à sua esquerda e vermelha no lado oposto como a sinalizar para quem vindo em sentido contrário que mantivesse a mão de direção.

Recostou-se no pequeno e elevado assento como se esperasse uma viagem longa e enfadonha.Já havia expelido a fumaça aspirada e podia, claro, agora acender um cigarro. A fumaça branca dançava à frente do seu olhar qual odalisca em meneios lentos e sensuais. Sentiu o prazer que o fumo lhe propiciava, relaxou e travou o leme porque o rio, naquele trecho, era uma grande avenida líquida, uma reta só, sem curvas por um tempo e distância consideráveis.

Nada a fazer a não ser ouvir o resfolegar do velho impulsor a matraquear o ar com seu som audível e traduzível como uma canção a lhe martelar a cabeça. Pegou-se a reminiscenciar já serrando os dentes em pressão contínua que lhe movimentava as bochechas com ondulações. “Não devia ter aceitado este trabalho” pensou quase em voz alta. “Mas preciso sobreviver”. O cigarro queimou-se por completo e, ainda em brasa, jogado na água, provocou um ruído característico de água na fervura. “Sei não. Carga sem documentação, não pode ser coisa que preste”. Deu de ombros como se a desdenhar de si mesmo e de suas preocupações. Navegar à noite, embora não fosse uma missão prazerosa também não lhe causava maiores desconfortos. Era um notívago, basicamente um ser noturno como os morcegos. Pegou-se sorrindo com a comparação.

A solidão, o escuro da noite e o modorrento navegar aguçavam sua curiosidade. Mas que diabos! Tinha ele também sua ética, seus procedimentos e o dever de servir bem: “Preciso comer!”.

Lembrou-se da noite anterior num bar sórdido junto ao cais onde, após um longo processo de ingestão alcóolica, conheceu uma mulher. Não uma mulher qualquer porque as quaisquer se aboletavam nos colos dos homens a fim de graças e, por disfarce, interessadas em seus dinheiros. Era uma dessas simples, desprovida de atrativos enfeites e redundantes efeitos usuais nas conquistas que eram seus ganha-pães. Pareceu-lhe uma desgarrada de algum lugar decente e isento de vícios. Sentou à sua mesa e timidamente puxou conversa: “Você é daqui? Paga-me um drinque?”. Levantou os olhos depositados já há algum tempo no próprio copo e sem ao menos olhar para figura feminina à sua frente fez um sinal para que a garçonete feia se aproximasse. “Um drinque para a moça”. Só então a fitou. Cabelos curtos, olhos escuros, boca em batom vermelho e um vestido já usado muitas vezes com um decote discreto e sem atrativos eróticos. Tinha ela a pele branca, de uma palidez láctea e uma aura misteriosa que o fez antever encrenca. Apresentaram-se apenas servindo-se dos primeiros nomes e, após duas bebidas fortes, ele a convidou para dançar.

Ao som arrastado de um piano decadente e desafinado deslizaram pelo salão quase deserto de duplas dançantes. Não houve encrenca, não houve amor nem maiores apresentações. Apenas uma cama, corpos nus se enroscando num bailado de prazer e gemidos. Ao fim da noite, ao amanhecer, se despediram e ele lhe fez um agrado em dinheiro que ela aceitou porque “Diabos! Preciso comer!”.

Despertou dos seus pensamentos com um ruído típico de motor a se aproximar pela frente. Divisou as luzes verde e vermelha e manteve sua rota. Por via das dúvidas, alcançou em baixo do painel uma arma de fogo. Ocultou-a entre as pernas e acendeu outro cigarro a fim de acalmar-se e dispersar a tensão criada por um encontro inesperado com o desconhecido. Estava só e estava escuro. Não podia distinguir a identidade do viajante contrário ou dos demais tripulantes, se existissem. A apreensão eriçou seus pelos dos braços: sinal de alerta! Só não entendia porque deveria estar se preocupando com o inusitado ou que poderia lhe acontecer de mal. Há muito já não se importava se a vida era boa ou má. Deixara esta ocupação diluir-se nas águas do rio onde, por certo, ela deveria estar.

Preparou-se qual caçador para ser abordado, retesou o corpo quase esquálido e segurou a arma com força até exagerada. Não pretendia usá-la, mas mesmo assim conferiu seu peso para certificar-se que estava carregada. Não iria, salvo encrenca maior, participar de um torneio de tiro. Não se achava em condições para uma troca de chumbo quente com quem quer que fosse seu oponente. O contrário aproximava-se num dançar leve sobre as águas, mais deslizante por estar a favor da corrente.

A tensão aumentando e o possível opositor aproximando-se mas mantendo-se a uma distância que a ele parecia segura ou sem ameaça iminente. Relaxou pela metade e aliviou a pressão das mãos sobre o revólver. Enfim, começaram a cruzar um pelo outro. Sob a luz tênue que iluminava porcamente a pequena cabine, avistou o piloto. Abeiravam-se afinal. Olhou para quem lhe parecia o único tripulante e, surpresa! Na sua inquestionável experiência de subir e descer o maldito rio nunca, mesmo, poderia ter passado por sua imaginação de homem solitário que quem deslumbrava era nada menos que a mulher à qual pagara bebidas, a mesma que teve nos braços a dançar em frouxo retraimento e feito sexo sem amor. Cruzaram os olhares e ela inerte e absorta tentando manter a direção da sua pequena embarcação com segurança e vigília atenta. Por um momento, quase sem percepção, seus olhares se cruzaram e ele sentiu que ela teve uma espécie de sobressalto ou surpresa pelo reencontro em um momento tão atípico e inusitado.

Passado o assombro inicial, passada a embarcação, “passado é passado”, pensou e interrogou-se: “O que faz uma mulher de aparência tão frágil dirigir um vil flutuante neste fim de mundo?”. Mas resignou-se de imediato. Lembrou-se de si mesmo e do que o levara até ali e não mais se ocupou do assunto ou do insólito evento. Afinal – “Maldita noite quente!” – não era da sua conta ou ocupação ter sentimentos em relação à vida alheia. Desligou-se e prosseguiu ouvindo o tatibitate do motor que reclamava também do calor. Verificou o nível da água no radiador. Reclamava de barriga cheia o chato que não lhe era muito simpático. Tratava-o como alguém já que por coisa não lhe faria bem por se tratar de um íntimo, um parceiro com quem podia conversar e falar à vontade por não ter que ouvir suas lamúrias e pesares Nem ele a si.

Prosseguiu em nado lento, mas constante. Aprendera que manter a calma era suficiente para não fazer bobagens e se enfiar em avenças sem juízo e sem sentenças. Guardou a arma, ainda insistentemente segura, no escaninho original. Não se justificara, afinal, tanta prevenção. Deu-se um tapa no pescoço tentando liquidar um mosquito que, naquelas coordenadas, eram tantos e até mortais. Pegou-se sorrindo ao lembrar-se que ainda poderia estar com a pistola na mão e imprecou: “A tempo, merda!”. Sentou-se, reclinou-se, e acendeu mais um cigarro. Lembrou-se de um filme de há muito tempo, “A Nau dos Insensatos”. Conformou-se. Afinal, ali e naquela hora sua nau só comportava um desajuizado: ele. Finalmente, a primeira curva do rio aproxima-se e, com ela, seu porto de destino.

Destravou o leme e assumiu o comando. Não entendia porque se sentia desconfortável ao chegar a cada termo. Não se dava bem com pessoas ou movimentação humana. Sentia o suor escorrendo pelo peito e costas, a molhar a camisa cáqui de dois bolsos e mangas longas. Soltou três botões e arregaçou as mangas para acima dos cotovelos. Curva chegando e a eterna prevenção: o que haveria após a dobradura do rio? Um espavento, um sobressalto? Nada? Como nada? Deveria haver pelo menos mais água corrente. A mesma água que o empurraria de volta à origem. Ao ponto de partida. Mas antes havia o ponto de destino que, salvo engano nas instruções recebidas, estava próximo. Logo após a curva, primeiro ancoradouro na margem esquerda. Não haveria erro.

Embicou na curva e prosseguiu subindo contra a correnteza até que viu o tablado de madeira à sua direita, na calmaria do amanhecer. Estava vazio de gente e de vidas. Preparou-se para atracar. Lançou os protetores do casco e avizinhou-se do ponto de desembarque. Encostou o pequeno paquete que balançou junto com o flutuante mas não houve desequilíbrio. Saltou com a corda na mão e enlaçou a estaca de amarração do pequeno cais. Como por encanto, de algum lugar, surgiu uma dupla de negros fortes talvez atraídos pela tosse do motor sendo desligado puxando um trole sobre rodas metálicas. Cumprimentaram-se com olhares e acenos de bom dia. O mais alto ensejou-lhe um tipo de continência e pulou para a cobertura do porão sem pedir autorização; e precisava? Estavam, por acaso, em uma região civilizada onde se necessitasse de formalidades? O novo tripulante compulsório iniciou o trabalho de estiva a passar os amarrados de carga ao outro sem conversas ou troca de ideias. Elegia o que deveria descarregar. A carga foi conferida como se bastasse a contagem e a memória da forma da pacoteira. O negro mais baixo enfiou a mão no bolso da calça, puxou um rolo de cédulas e entregou ao barqueiro o dinheiro devido pela missão cumprida e, sem se despedirem, pegaram o caminho de volta por aonde vieram puxando e empurrando o carro com a mercadoria ajeitada. Conferiu o pagamento. Estava tudo lá, como combinado. Enfiou parte num bolso da camisa, outra no cano da bota e a terceira quota no compartimento junto ao revólver. Seguro morreu de velho.

Desamarrou o barco, pulou para o deque, empurrou-o para fora, ou para dentro do rio, recolheu os protetores, ligou o motor, praguejou por conta da explosão e  fumaça a lhe ferir os sentidos, sentou e relaxou, acendeu um cigarro, fez a volta e assestou o barcote ao caminho de retorno. Sentiu fome. Dobrou a curvatura à esquerda, entrou na reta e travou o comando de direção. Desceu à pequena cabine, acendeu um fogareiro, preparou ovos com bacon – ovos em pó ninguém merece! – e numa caneca com água quente, preparou café solúvel. Cumpriu o ritual do desjejum já na proa sentado numa caixa de ferramentas observando o amanhecer. Dia claro, sol e calor: concluiu que, definitivamente, era um ser noturno. Solitário e da noite. Funcionava bem assim. Por que mudar? Suas chances continuavam parcas mais por desinteresse em cravar unhas em projetos que oportunidades tidas ou oferecidas. Dormitou e, num breve sonho, sobreveio a figura agradável da mulher solitária do bar. Deduziu que estavam no mesmo ramo de negócios. Os dela, talvez, não tão escusos quanto os dele. Subiam e desciam o rio; cada um com sua solidão e seus desígnios. Cada qual perdido no seu jeito e se ajeitando na melhor configuração possível. Coincidências. Despertou já com o sol alto. Estava chegando. Trocaria, como fazia há tempos, o dia pela noite, sua melhor companheira e guia com quem tudo dividia: Seus humores, suores, receios, devaneios, até a bebida. Pensar em nada, ouvir mais, falar menos. Distrair-se-ia vendo a fumaça do cigarro contorcer-se qual víbora prestes a lhe inocular a definitiva peçonha: esta sim a derradeira oferta da vida.  Voltava, descendo a correnteza do rio, ao ponto. Direto ao ponto de partida.

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24 comentários em “Direto Ao Ponto (Agenor Batista)

  1. dibenedetto
    5 de dezembro de 2013

    Quanto a escrita está excelente! Mas quanto a história faltou… conflito? Ou pelo menos algo que a tornasse mais interessante para mim.

    Não gosto muito de narrativas que ficam totalmente centradas nos pensamentos do protagonista, embora, é claro, isso seja apenas gosto pessoal 😉

  2. Alana das Fadas
    4 de dezembro de 2013

    Gostei da escrita, mas a sua execução não me comoveu. Achei monótono! De qualquer maneira, parabéns pelo talento.

  3. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    O tripé que sustenta esse conto é formado por: 1. Linguagem rica e poética, fluida e constante. 2. Rica exploração psicológica do personagem; e 3. Alto nível de detalhamento das cenas e ações, em especial no que diz respeito ao manejo da embarcação. Decerto que o tom e a proposta do texto não são para todos (quem estiver buscando grandes reviravoltas ou acontecimentos mirabolantes como na maior parte dos outros textos do concurso, vai ficar decepcionado), mas eu particularmente gosto muito de escritos nesse estilo.

    SUGESTÕES

    “Verde à sua esquerda e vermelha no lado oposto como a sinalizar para quem vindo em sentido contrário que mantivesse a mão de direção.” aqui era pra ser “viesse”, não? E só destaco isso porque não achei nenhum outro deslize gramatical, e por falta do que sugerir, já que o texto cumpriu muito bem o que veio a fazer.

    TRECHO FAVORITO

    “Ao som arrastado de um piano decadente e desafinado deslizaram pelo salão quase deserto de duplas dançantes. Não houve encrenca, não houve amor nem maiores apresentações. Apenas uma cama, corpos nus se enroscando num bailado de prazer e gemidos. Ao fim da noite, ao amanhecer, se despediram e ele lhe fez um agrado em dinheiro que ela aceitou porque ‘Diabos! Preciso comer!’.”

  4. Alexandre Santangelo
    3 de dezembro de 2013

    Bom conto, envolvente. Uma bela trama. Gostei.

  5. Leandro B.
    28 de novembro de 2013

    Outro texto em que é perceptível ter sido feito por um autor com bagagem. Ainda assim, não gostei do conto. A falta de acontecimentos tornou a leitura bem monótona para mim. Aparentemente não gosto deste tipo de relato. Felizmente da para perceber que esse é mais um gosto particular meu do que um demérito do conto.

  6. Felipe Falconeri
    27 de novembro de 2013

    Bom conto. Muito bem escrito, praticamente livre de erros, bom vocabulário. Só achei esquisita a forma como você inseriu os pensamentos. Parecem falas, quase como se dirigissem ao leitor. Também achei redundante você dizer que o cara era notívago e logo em seguida explicar que era um ser da noite.

    O enredo é um bocado monótono, não há uma história que leve do ponto A ao ponto B. Mas a construção do cenário e as divagações do personagem justificam a leitura.

    Não é um tipo de texto que me agrade, mas consigo reconhecer seu valor, suas qualidades.

    Pena que não se encaixe bem no tema do concurso.

    De qualquer forma, é um bom conto.

  7. Pedro Luna Coelho Façanha
    26 de novembro de 2013

    Eu acho que começou bem e depois decaiu um pouco, e aí comecei a me desinteressar. Fico meio sem jeito pra criticar (até porque faço isso porcamente.) porque não vi nada de ruim no conto, apenas não me empolguei com a história. Acho que poderia fragmentar os parágrafos para ajudar na leitura.

  8. fernandoabreude88
    25 de novembro de 2013

    Olha, esse conto não prendeu minha atenção. Acho que foi o excesso de frases longas no início, uma infinidade de adjetivos. Ficou cansativo. Mesmo depois, com a boa condução do protagonista, achei o texto com muita, mas muita ação. Acontece tanta coisa que fica difícil de não ver um certo exagero, dando a impressão de que nada realmente acontece. É intimista? Sim. Mas acho que o escritor deveria ter se aprofundado melhor nas cenas descritas, na relação com a mulher, parece tudo muito abrupto, acelerado, sem sabor.

  9. rubemcabral
    20 de novembro de 2013

    Vejamos, creio que eu conheça o autor do conto, considerando o vocabulário náutico embutido no texto. (Você tem barco?)

    Gostei muito do conto, está bem escrito e eu aprecio relatos intimistas. No entanto, minhas referências de “noir” são todas oriundas do cinema: Bogart, “Play it again, Sam”, fog, preto e branco, crime, investigação, chuva, tipos malditos, anti-heróis, falas “de efeito”, etc. Não espero encontrar todos clichês de filmes noir em textos, mas acabo por sempre buscar tais referências.

    Daí, perdoe minha ignorância, fora a melancolia e escuridão, vi pouco de “noir” no texto.

  10. Thata Pereira
    19 de novembro de 2013

    O conto está muito bem escrito, bom de ler, como já disseram. Mas a história em si não me envolveu. Li duas vezes para tentar tirar a má impressão, mas não deu. Não que eu não possa gostar de outras coisas que o autor (a) venha a escrever, pois vemos a capacidade. Espero ter a oportunidade de ler outro conto seu. 😉

  11. Frank
    14 de novembro de 2013

    Uma ótima leitura em função da excelente escrita. Viajei junto! Mas embora a leitura valha muito à pena realmente me parece não estar relacionada ao tema. Parabéns pela obra.

  12. Jefferson Lemos
    14 de novembro de 2013

    Compartilho da opinião do Ricardo Gnecco. O conto intimista não me agrada muito, porém está muito bem escrito e o autor merece os parabéns.

  13. Orion Scar
    14 de novembro de 2013

    Se quisermos que todos os contos sejam puros “noir” estaremos sempre comparando-os e confundindo-os com o cinema. Alguns levam em seu bojo apenas as convicções do autor a respeito da introspecção, solidão e o silêncio, este último apenas suspenso em raríssimas passagens. Quis o autor, enfim, normatizar o personagem principal com o estereótipo cultuado como “noir”. Não é próprio da cultura latino-americana o culto ao triste, misterioso e confuso. Não somos assim. Por isso tantos comentários a respeito da ausência do tema proposto que atingiu todos os contos já publicados aqui. Até mesmo Machado de Assis e Guimarães Rosa, autores intimistas por excelência, não foram classificados por estilo. Desculpem a prolixidade do comentário mas achei que devia dar o meu pitaco no tema.

  14. Gustavo Araujo
    13 de novembro de 2013

    Que viagem! Me senti ao lado do protagonista, como se fosse seu confidente. Gostei do conto, dessa coisa intimista – como bem observou o Rick – que permeia toda a narrativa. Não percebi nada de noir, é verdade, mas a leitura certamente vale a pena. A única coisa que me incomodou foi que o protagonista verbalizou demais seus pensamentos. Ninguém faz isso. Ninguém diz em voz alta “Merda. Isto ainda vai me matar”. No máximo a gente solta um palavrão e só. O que eu quero dizer é que talvez ficasse melhor se o próprio narrador explicasse o que o protagonista sentia. No caso que mencionei, a narração ficaria assim: “soltou um palavrão, acreditando que a fumaça ainda iria matá-lo.” Creio que ficaria mais natural.

    • Orion Scar
      19 de novembro de 2013

      Gustavo, a frase comentada é apelas ilustrativa da inconformidade do personagem, fumante desbragado, em achar que aquela fumaça do motor ainda iria matá-lo como se o cigarro fosse inerte. Só um chiste. Quanto à sua sugestão de texto me pareceu um pouco pretensiosa e com um certo ar professoral. Mas agradeço, de qualquer forma, seu interesse. Obrigado.

      • Gustavo Araujo
        19 de novembro de 2013

        Por favor, não entenda dessa forma. A intenção foi unicamente tornar claro o meu raciocínio, fugindo do “gostei/não gostei”. 😉

  15. marcellus
    13 de novembro de 2013

    Gostei do conto, leitura agradável, só uma frase um pouquinho confusa lá pelo meio. Mas não achei os elementos “noir”… E não estou sendo rabugento dessa vez…

  16. charlesdias
    13 de novembro de 2013

    Interessante … gostei da ego trip do personagem … mas de noir não tem nada, sorry.

  17. Masaki
    13 de novembro de 2013

    Densidade e profundidade… São adjetivos para este ótimo conto! A introspecção do protagonista foi na medida certa. A sagacidade de deixar o conto em aberto, ou então, sugerir finais diferentes, foi outro ponto positivo! Parabéns pelo texto.

  18. Evelyn Postali
    13 de novembro de 2013

    Uau… Muito denso? Não sei descrever o que eu sinto depois de ler esse conto. Muito bem escrito. Eu fiquei muito surpresa. Positivamente, é claro.

  19. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    12 de novembro de 2013

    Conto bem escrito com narrativa fluída . Não contém os diálogos que tanto amo, mas há pensamentos, um monólogo talvez ou diálogo interno. Ritmo arrastado, ao sabor da viagem lenta, salgada, direta ao ponto. Boa sorte!

  20. Fernanda
    11 de novembro de 2013

    Muito bom! Gostei bastante, sabe conduzir a narrativa de forma a prender o leitor! Parabéns

  21. selma
    11 de novembro de 2013

    dormi na viagem…

  22. Ricardo Gnecco Falco
    11 de novembro de 2013

    Um conto intimista. Fico sem jeito para comentar, pois sei que posso (e não devo) misturar um pouco do desconforto que sinto diante do tema com a qualidade e a boa execução de um trabalho muito bem escrito, imaginado e conduzido. Acho que faltou um pouco de naturalidade nos diálogos. Este é um daqueles casos em que a narrativa flui bem, mas a história (ou será apenas o estilo?) não me dá o tesão necessário para embarcar junto na trama.
    Se gostasse do tema/estilo, teria curtido bem mais, certamente. No mais, está bem escrito.
    É isso…
    😦

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Informação

Publicado às 11 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .