EntreContos

Detox Literário.

O Último Caso (Diego Luccas Barbosa)

NoirPhoto-Quer minha opinião verdadeira?
Smith assentiu.
-Você deveria se aposentar. – o psiquiatra abaixou os olhos para a prancheta sobre seu colo e continuou – Essa sua desconexão com a realidade e seu cansaço mental e físico, podem trazer muitas consequências, como por exemplo, depressão, ansiedade, entre outros distúrbios psicológicos que só agravariam com o tempo, ainda mais com seu tipo de trabalho.
O céu estava cinzento e pequenas gotículas de chuva batiam contra o vidro da janela.
-Vá para algum lugar com sol, vá relaxar! – continuou o psiquiatra encarando-o. – Antes que as coisas piorem para você.

Enquanto o elevador descia, Smith refletia sobre o que o médico havia dito. Ele tinha ciência que já estava em uma idade avançada, e seu cérebro não trabalhava com a mesma agilidade de antes, porém, o detetive não se via fazendo outra coisa. Na verdade, não via sentido em mais nada. Sua vida era sua profissão. Não da para dizer que ele amava o que fazia, pois ele não amava nada. Desde que Smith se conhecia por gente, seu lado misantrópico sempre foi um traço forte em sua personalidade.

Há pelo menos um mês, Smith vinha tendo os mesmos sonhos, confusos e distorcidos, como um enigma dinâmico. As imagens sempre estavam em movimento, nunca era possível focalizá-las e identificá-las e, na maioria das vezes, tudo se dissolvia na escuridão profunda. E era mais um desses estranhos sonhos que Smith estava tendo, no momento em que seu telefone emitira aquele toque estridente sobre o criado-mudo ao lado de sua cama. Com as pálpebras pesadas, antes de atender a ligação, ele olhara para o pequeno relógio redondo em cima do guarda-roupa de meia altura e, mal pode identificar que os ponteiros marcavam uma e dezessete da manhã.
O detetive atenderá e ficara mudo. Um costume comum entre profissionais dessa área.
-Smith? – uma voz sussurrada e grave disse seu nome de forma cautelosa.
-Sim – dissera ele com a voz embargada pelo sono.
-Detetive Smith?
-Sim! – com impaciência o detetive respirou fundo e esperou a resposta da voz vinda do telefone.
-O senhor tem disponibilidade para pegar um caso?
-De qual tipo? – o detetive levantou o tronco com dificuldade, sentou-se na cama e bocejou.
-Roubo.
-Seja mais especifico, por favor, com ess…
O homem interrompeu-o e disse.
-Roubo de obras de arte.
-Quem eu estou procurando?
-Um homem magro, de estatura média, usando uma roupa preta e mascara da mesma cor.
-Bela definição meu chapa – ele se alterou – esse cara poderia ser qualquer um…
O som do telefone fica abafado e a ligação cai, ou desligaram.
De repente uma frase passou pela sua mente como uma onda elétrica, “O detetive é você, idiota!”.
Quando pensou em dormir novamente, seu estomago emitira um ronco e ele achou melhor ir até a cozinha comer alguma coisa. Pondo os pés descalços no piso, um clarão, seguido de um estrondo de trovão fizera vibrar o vidro da janela, e o detetive havia ficado estático, sentindo uma onda de medo. Essas reações não ocorreram pelo trovão, mas sim pelo que vira brilhar no chão vindo da porta semiaberta em direção sua cama: Pegadas molhadas de tênis, que desapareciam de repente ao chegar ao pé do móvel. Rapidamente, vestindo apenas uma cueca branca, ele enfiara a mão embaixo de seu travesseiro e, sentiu-se aliviado ao encontrar sua arma ainda ali. Com uma agilidade de pistoleiro do velho-oeste, Smith verificou se ela estava carregada.
Com a luz de uma pequena lanterna, ele descobriu que as pegadas vinham da porta de entrada da casa, que dava acesso direto a cozinha, porém, não havia sinal nenhum de arrombamento, nem janela quebrada e, verificando a sala e o banheiro, percebeu que não havia sinais do intruso. Nenhum objeto fora roubado e as pegadas faziam apenas um caminho.
A fome passara, e depois de três horas com os olhos atentos e ouvidos aguçados para ouvir qualquer barulho fora do comum, além da arma em sua mão, como se fosse a extensão de seu braço, ele conseguiu dormir.

Na manhã seguinte, sobre a mesa da cozinha, estavam uma xícara de café fumegante, rosquinhas e vários jornais. Sentado em frente a mesa, o detetive Smith corria os olhos sobre os papeis e, tomava um gole da bebida e jogava uma rosquinha na boca. Ele estava trabalhando no caso, e isso o fazia sentir-se vivo.
O modo de Smith trabalhar era o seguinte: apenas dois contatos com o cliente, o primeiro, para dar detalhes do caso e, o segundo quando o caso fosse solucionado. O detetive acreditava que mais conversas além dessas, poderiam comprometer a solução do caso, devido a informações inúteis que os clientes passavam.
Há um mês, o jornal local relatava o que parecia ser o primeiro caso da serie de roubos a galerias e museus. A manchete dizia: “Mascarado entra no Museu da Arte durante a madrugada, e leva replica de Mona-Lisa.” Seguindo a ordem cronológica dos jornais, era notável a evolução do caso, como na edição da semana passada quando, os editores relembraram o grande roubo de Boston, no valor de 300 milhões de dólares, onde dois homens vestidos de policiais roubaram famosos quadros de Remebrandt.
Tudo indicava que o ladrão roubava por encomenda, pois, nem sempre ele levava a obra mais valiosa do local. O meliante era uma pessoa escorregadia, astuta, escapava das emboscadas mais elaboradas, como em uma ocasião retratada em um jornal de duas semanas atrás onde, os guardas noturnos foram substituídos por policiais, dentro e fora do local. Quando já davam por encerrado aquela ação militar, deram falta de uma das obras da galeria, e todos afirmavam não ter visto ninguém entrar ou sair dali. Smith sentiu seu coração acelerar, pois o cara era dos bons, e isso provavelmente iria dar um trabalho de verdade. Depois de muito tempo, ele estava na ativa novamente. Acendendo um cigarro e levando-o aos lábios, o detetive esboça um sorriso e inspira o odor do café fresco a sua frente.

A faixa plástica, que isolava o cenário do crime, rodeava toda a fachada do Museu em que dois quadros, estimados no valor de quinhentos mil cada um, foram roubados. Em frente a porta grande de madeira, um militar e um homem de sobretudo preto e chapéu da mesma cor conversavam, enquanto duas viaturas estacionavam próximo ao local, que já estava cercado de curiosos. Smith inclinou-se para passar por baixo da faixa e adentrar onde os dois homens conversavam. O homem de sobretudo desviou o olhar do bloco de anotações em suas mãos e encarou Smith com curiosidade.
-Detetive particular, Smith Cooper. – antes de o homem perguntar sua identidade, o detetive se apresenta e mostra seu distintivo. Smith se apresentara de um modo um tanto petulante, como quem diz “Fica tranquilo amigo, também sou autoridade”.
-Delegado Spencer, prazer senhor Smith – o delegado aparentava ter em torno de uns trinta e poucos anos. Sua pele lisa e sem pelos demonstrava sua preocupação com aparência, o que levou Smith a julga-lo como “mais um merda pretensioso com a porra de uma arma e um distintivo”. O detetive odiava trabalhar em casos no qual a segurança local estava envolvida, eles sempre conseguiam atrapalhar de algum modo ou queriam levar o crédito por qualquer descoberta relevante.
-Novo no caso, senhor? – o delegado esboçou um sorriso simpático para Smith, que retribui com um olhar de desprezo e uma resposta seca e objetiva.
-Aparentemente, sim. – emendou o detetive, pegando um bloco de notas e uma caneta do bolso da jaqueta – O que temos aqui?
O delegado enxergou a oportunidade de devolver o sarcasmo desferido por Smith.
-Me recuso a acreditar que o senhor veio até aqui sem saber do que se trata.
O detetive levantou os olhos do bloco de notas fuzilando Spencer com o olhar, porém o delegado já estava entretido com suas anotações e o relato do militar.
-Quando cheguei aqui, por volta das sete da manhã, percebi que a porta não fora forçada, porém, com uma investigação mais detalhada, vimos que a fechadura fora danificada por dentro. Um trabalho bem discreto.
-Quem fez o chamado?
-Ninguém. Eu e meu parceiro estávamos fazendo uma ronda no quarteirão quando vimos a porta semiaberta.
-E o que tem de estranho nisso? – Spencer o encara com curiosidade, parando a caneta a poucos centímetros da folha de papel.
-O horário de funcionamento tem inicio as dez da manhã.
Com um cumprimento de cabeça de ambos, o policial afastou-se.
-Desculpe senhor – disse o delegado guardando o bloco de notas e virando-se para Smith – esse depoimento era de extrema importância.
-Alguma descrição do sujeito? – O detetive pergunta de modo automático e arrogante.
-Magro, estatura mediana, vestindo roupas e mascara preta. Como relatado em todos os casos.
Após receber permissão de entrar na cena do crime, Smith foi direto até o local no qual o quadro fora roubado. Uma moldura côncava na parede. Ele percebeu fragmentos, que facilmente seriam confundidos com poeira, se não fosse o fato de que o quadro ali obstruía qualquer passagem. Vestindo luva, Smith passou levemente o dedo ali e virá que se tratava de cinzas de cigarro, que provavelmente o ladrão tentou limpar as pressas. Aquilo lhe parecia familiar. Para tirar a duvida, o detetive quebrou um cigarro ao meio sobre a luva esticada na moldura e viu que se tratavam da mesma marca que, até onde ele sabia, só podia ser encontrada em um bar na região, pois, aquela nicotina era tratada quimicamente com um produto diferente das demais marcas. Como ele sabia de tudo isso era simples, sua marca favorita e a única que ele fumava era justamente aquela.

-Velho Cooper! Cansou de ficar sóbrio? – o velho, com os botões da camisa branca a ponto de estourar, devido sua barriga volumosa, o cumprimenta com entusiasmo.
O detetive senta-se na cadeira em frente ao balcão e, com um ar melancólico, conta sobre sua consulta com o psiquiatra e o problema com estresse que vinha sofrendo, enquanto um Blues tocava no Jukebox no fundo do bar.
-Ah, corta essa! – o dono do bar diz enquanto enche um copo de uísque barato e empurra-o para o detetive. – O mundo é um estresse.
Smith hesita, encara o velho, e vira o copo de uma vez fazendo um careta enquanto o liquido desce pela sua garganta. Atrás dele, as mesas não estavam muito cheias, o movimento começa só na parte da noite.
-Burke, me responde uma coisa, além de mim, quem compra NicoNoir?
O velho encara-o sem entender e, depois de um tempo em silencio responde.
-Ninguém além de você usa esse veneno cara!
-Alguém anda usando.
-Quem?
-Eu esperava que você me diria isso. – o detetive olha ao redor para as pessoas conversando nas mesas e continua – Você tem certeza?
Foi rápido, mas para Smith, o suficiente para perceber. A pupila de Burke dilatou-se e sua voz deu uma leve tremida quando ele respondeu afirmando com a cabeça.
-Sim amigo!
O detetive sabia que não adiantaria tentar arrancar nenhuma informação naquele momento, por isso, antes de sair, pediu um maço de NicoNoir, colocou-o no bolso e saiu pela porta, protegendo com as mãos, os olhos da chuva fina que caia.
Smith parou embaixo do toldo de uma loja de conveniência a alguns metros do Bar do Burke e fez algumas anotações em seu bloco de notas: Burke ficara nervoso ao ser questionado sobre o outro possível comprador de NicoNoir(quatro restantes).

Havia passado mais de uma semana e nenhum novo roubo fora registrado. Museus e Galerias de Arte estavam com a segurança reforçada, talvez por isso o ladrão havia dado um tempo nas atividades. Smith vinha trabalhando no caso com maior atenção. Ele fazia visitas frequentes aos possíveis alvos locais e observava e anotava detalhes sobre cada obra; seu valor, localidade dentro do estabelecimento e quão dificultoso seria para ser roubada.
Smith sabia que seria muito difícil pegar o meliante a não ser em flagrante, por isso, ele começou a tomar remédios para ficar acordado a madrugada inteira, dormindo apenas quatro horas por dia, durante a manhã. Esse hiato nos roubos fora frustrante para ele. Por isso decidira procurar Spencer, a contra gosto claro, porém, não havia outra maneira de obter novas informações se não com outra pessoa que estava trabalhando no caso.
-Senhor Smith, a que devo a honra? – Spencer dissera isso com certo tom de ironia em seu entusiasmo. – Sente-se.
-Como anda o caso das obras de arte? – Smith pergunta com cara de poucos amigos e apoia os cotovelos na mesa ao sentar-se.
-Ah! – um sorriso irrompe em seus lábios – Já o pegamos! – O detetive se sobressalta da cadeira e Spencer continua – Mulher, magra, estatura median…
-Como vocês a pegaram!? – Smith não conseguia conformar-se com isso e interrompeu o delegado abruptamente. O sentimento de derrota o atingiu como uma onda.
-Flagrante! Ela estava saindo do Museu da Rua Doze com um quadro não muito valoroso, mas ainda era um roubo. – Spencer cruza os braços sobre os papeis em sua mesa. – Pode descansar agora detetive.
-Acharam as obras roubadas? – Smith pergunta levantando-se da cadeira.
-Estamos trabalhando nisso! – Spencer diz com um sorriso estampado no rosto, como quem diz “Isso não é mais problema seu, não se preocupe.”.

O detetive voltou para casa, desolado, e sentindo-se um completo fracassado. O primeiro caso depois de tanto tempo, e a resolução lhe escapa dessa maneira. Isso era inadmissível. E como sempre fazia quando se sentia para baixo, entrava em um bar de quinta categoria, sujo, fedendo a urina e fumaça de cigarro, com mesas e cadeiras corroídas por traças e com o dono parecendo uma múmia de tão velho e magro. Ao vislumbrar o senhor, Smith sentiu como se olhasse para seu eu futuro; um pobre coitado, com a pele do rosto murcha e cheio de olheiras, mal conseguindo falar pelo uso excessivo do cigarro e, sem nada na vida. Pelo menos aquele velho tinha o bar, já Smith seria apenas um pobre coitado que morreria sozinho em sua casa e só seria descoberto quando o cadáver começa-se entrar em estado de decomposição e o cheiro ficar insuportável.
Naquela noite, sentado no fundo escuro do bar vazio, ele ficara muito bêbado, a ponto de não lembrar-se como havia chegado em casa, porém, antes de perder a consciência, entre um copo e outro, percebia que algo naquela historia não fazia sentido. Como um ladrão tão ágil e perspicaz seria pego daquela maneira tão fácil. O meliante mais parecia uma sombra que aparecia e desaparecia onde queria sem ninguém perceber. Não fazia sentido. Não poderia ser aquela garota. No máximo ela era um bode-expiatório para livrar a barra do verdadeiro ladrão.
Ao acordar com o colarinho da camisa branca todo vomitado e as calças manchadas de urina, ele ainda ouvia Muddy Waters ecoando em sua mente.
O detetive sentia sua cabeça latejar com tanta força que era como se um martelo batesse nela sem parar. Lutando contra essa ressaca, Smith tomou um banho gelado e foi até a delegacia. Ele tinha que falar com a garota do roubo.

Ela ficara nervosa ao vê-lo entrar, porém, Smith não entendeu por que.
A única iluminação da sala era uma lâmpada pendurada por um fio verde, bem acima do centro da mesa de madeira.
-Para quem você trabalha? – O detetive fora direto ao ponto.
-Não posso dizer… – ela gaguejou e olhou para ele como se implora-se por algo. Um olhar curioso e confuso ao mesmo tempo.
-Seu nome? – Smith nem questionou a resposta negativa dela.
-Alice. – A garota não o encarava mais. Ela escondia seu rosto delicado e a boca de lábios finos e rosados, em meio aos seus cabelos louros.
-Onde estão os quadros roubados? – Nesse momento ela levantou os olhos arregalados e o encarou como se ele tivesse dito algo absurdo. Depois de alguns segundos ela disse, olhando para a mesa.
-Não direi nada sem a presença do meu advogado.
Antes de sair, Smith encarou-a mais uma vez e ficou intrigado com aquele olhar e, sentiu uma espécie de dejavu, porém, percebera que não conseguiria obter nenhuma informação dela e que não teria sentido continuar ali. Não teria sentido mais continuar no caso.

Haviam passado alguns dias desde sua conversa com Alice, e ele decidira se aposentar, não do modo convencional. Smith não via sentido em continuar vivendo se não fosse para solucionar casos, mas ele não era o mesmo de antes. Em uma espécie de despedida da vida, Smith fora até Burke, o dono do bar, e ficou sabendo, através de conversas alheias dos clientes, que os roubos voltaram a acontecer. Isso despertara um tanto sua curiosidade, já que a garota estava presa e, ao que tudo indicava, ela era a ladra, porém decidiu não dar importância a isso, até ele perceber algo estranho.
Quando Burke retirou o recipiente onde os maços de NicoNoir ficavam guardado, o detetive percebera que tinham apenas três. Ele enfiou a mão no bolso da jaqueta e, pegando o bloco de notas, viu sua anotação sobre a quantidade que havia antes.
-Pra quem você vendeu esses maços além de mim, porra? – Smith pega Burke pelo colarinho com os dentes cerrados como um cão raivoso.
-Que porra é essa Cooper? – o velho olha Smith assustado e confuso.
-Me fala! Pra quem? – um copo de uísque escorregou do balcão quando Smith puxou Burke para frente e, todos os clientes se calaram ao mesmo tempo e ficaram observando assustados os dois homens.
-Mas que porra você esta fazendo Smith? – o olhar confuso e a voz amedrontada de Burke deram lugar a um tom furioso e sussurrado. Aquele olhar, o mesmo de Alice ao ser questionada sobre o paradeiro dos quadros. – Não sei que merda esta acontecendo com você, mas cai fora daqui, depois nos falamos!

Smith sentia que era a hora de fazer algo. Agir por conta própria e imediatamente. A única maneira de pegar o ladrão, era em flagrante, e isso ele já sabia. O detetive vestiu uma blusa preta e uma calça da mesma cor, colocando a pistola .22 carregada no cós da calça. Dirigiu-se até o Museu de Arte no qual acreditava ser o próximo roubo e, quando eram por volta das dez da noite e o expediente estava sendo encerrado, Smith esgueirou-se por entre os seguranças, conseguindo permanecer dentro do Museu, após o encerramento das atividades. Furtividade que o surpreendeu. O tempo todo, ele permanecera imóvel, na escuridão, com os ouvidos atentos para qualquer sinal do ladrão. Por algum motivo ele sabia que o alvo seria aquele estabelecimento naquela noite, e estava certo. De repente seu ouvido capitara passos cautelosos em meio ao salão oval e totalmente mergulhado em um breu completo. A mão de Smith deslizou até a coronha da arma, ele tremia de excitação. Os passos começaram a ficar rápidos, como se soubesse bem onde queria chegar. O detetive levantou-se e apanhou a pistola. Contra a janela no alto do salão, a chuva batia com força e, o clarão do relâmpago seguido de um forte estrondo entregara a localidade do meliante a Smith; ele estava em pé, com uma pequena navalha na borda de um dos quadros, e outro já preso em suas costas por uma corda atravessando suas costas e tórax na diagonal. O detetive sentiu um calor forte e suas mãos começaram a suar, mas ele sabia que o momento era aquele. Com um movimento veloz, ele avançou contra o ladrão e pulou em suas costas como um gato. No escuro, a navalha rodopiou no piso e fez um barulho metálico. O ladrão havia conseguido se virar e Smith caíra de joelhos sobre seu peito. Sem hesitar o detetive enfiou o cano da arma por entre os dentes do individuo no momento em que as luzes acenderam abruptamente e as portas abriram-se com três seguranças e o delegado Spencer entrando rapidamente.
-Smith? – o delegado dissera com um tom surpreso.
Nesse momento o detetive tentou pronunciar alguma frase, como “Eu peguei ele, idiota!”, porém sentiu que tinha um objeto comprido impedindo-o de movimentar a boca e um gosto metálico na língua. Quando olhou para o reflexo no chão de piso amarelo e lustroso, uma torrente de informações invadira sua mente e um quebra-cabeça montou-se em uma velocidade incrível; as pegadas molhadas em seu quarto, o cliente que não se identificou nem entrou em contato novamente, os maços de NicoNoir do Bar do Burke e os sonhos. Talvez o psiquiatra tivesse razão, ele deveria se aposentar, ou pelo menos devia ter feito isso enquanto podia. Refletido no chão estava Smith, agachado, com sua arma na própria boca e um quadro preso às costas. Ele era seu cliente, o próprio ladrão e o detetive. O sentimento de solidão lhe acertou como um soco no estomago.

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19 comentários em “O Último Caso (Diego Luccas Barbosa)

  1. Leandro B.
    7 de dezembro de 2013

    O texto precisa de alguma revisão. O que mais me incomodou foram algumas vírgulas usadas em ocasiões estranhas e uma mistura de tempos verbais. A história, em si, não me cativou muito, ainda que a ideia cliente, detetive e criminoso em um único sujeito tenha sido interessante. Como mencionaram, parece que o autor largou o texto depois de um tempo :/

  2. Pedro Luna Coelho Façanha
    6 de dezembro de 2013

    Pô, gostei muito do personagem Smith, e da linguagem pesada em algumas partes. Mas não me empolguei com a trama, apesar de achar bem interessante, só acho que não foi bem desenvolvida.

    ”Ele era seu cliente, o próprio ladrão e o detetive.” Gostei dessa frase.

  3. Frank
    5 de dezembro de 2013

    Gostei bastante do começo e depois fui “esfriando”. A ideia é interessante, mas o texto precisa ser revisado.

  4. Andrey Coutinho
    3 de dezembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    O final me pegou de surpresa.

    SUGESTÕES

    A pontuação, acentuação, gramática e formatação estão precisando de muitos ajustes. Seria interessante colocar algum background que explicasse porque o personagem, no seu surto, iria logo atrás de especificamente roubar quadros.

    TRECHO FAVORITO

    “Refletido no chão estava Smith, agachado, com sua arma na própria boca e um quadro preso às costas.”

  5. Marcellus
    3 de dezembro de 2013

    Mais um texto que promete, desde que seja feita uma profunda revisão. Muito profunda. “Remebrandt”?

  6. Alana das Fadas
    2 de dezembro de 2013

    Gostei bastante! Precisa de uma revisão, mas a ideia em si é bem interessante, o que rendeu bons pontos para o autor!

  7. fernandoabreude88
    2 de dezembro de 2013

    Endossando o coro do pessoal que falou que o conto precisa ser revisado com calma. Encontrei diversos furos narrativos, frases mal colocadas, vírgulas que truncam o texto. Não gostei.

  8. Felipe Falconeri
    30 de novembro de 2013

    Cara, esse conto precisa de muita, mas muuuuuuuuuuuuita revisão. O texto é apinhado de variação temporal, repetições, falta de acentos e até adjetivos usados de forma incorreta (valoroso não é o mesmo que valioso). E em alguns momentos você usa “-se” ao invés de “sse”. No diálogo entre o detetive e Alice, por exemplo, tem um “implora-se ” quando o certo seria “implorasse”. Eu já nem me surpreenderia se você escrevesse o nome da garota como Ali-se.

    São muitos erros grosseiros, que saltam aos olhos. Até usando o corretor do Word dava para evitar alguns. Um texto mal escrito dessa maneira atrapalha a leitura e até desmotiva o leitor.

    O enredo também tem algumas passagens que não fazem sentido. Uma marca de cigarros vendida num único bar? E consumida apenas por uma pessoa? Então o cara é o único cliente da marca? E por mais que a nicotina recebesse um trato químico diferenciado, reconhecê-la apenas pelas cinzas foi muito forçado.

    A ideia do final não é ruim, mas seria interessante se houvesse mais elementos durante o conto que a sustentasse.

    O autor até demonstra algum potencial imaginativo. Mas é preciso ter mais calma, construir a história de maneira mais coesa e, sobretudo, revisar bastante. Da maneira que está, o conto é bem ruim.

  9. rubemcabral
    29 de novembro de 2013

    O enredo não “colou” para mim. Uma marca de cigarro só vendida em um bar da cidade e identificável através das cinzas pq a nicotina receberia um tratamento químico especial (alguém fumou alguma coisa e não foi legal, rs)? Smith normalmente é sobrenome e não nome, achei isso estranho tbm.

    A ideia por trás do conto não é muito ruim, embora não nova, mas acho que você teria que ter investido mais no psicológico do Smith para justificar o final tão doido.

    O texto não está muito bem escrito, há muitos erros, principalmente conjugações verbais estranhas e muita repetição do nome do protagonista.

  10. Agenor Batista Jr.
    27 de novembro de 2013

    Mais um enredo interessante que se perdeu no excesso de cuidados. Os erros gramaticais atrapalharam um pouco minha avaliação mas me detenho apenas no desenvolvimento da trama que se revela no cativante final e que poderia ser acrescido de outros detalhes para que não ocorresse de forma tão abrupta. Uma boa revisão ajudaria bastante.

  11. J. Peppers
    26 de novembro de 2013

    Boa noite Thata Pereira, fico feliz por você ter gostado da ideia do conto. Achei que seria interessante deixar algumas pontas soltas na historia, para ficar na imaginação dos leitores, como o contato de Smith e Alice, já citado por você, e Burke também, que de fato é parte importante, porém não consegui, infelizmente, explorar esses pontos de maneira satisfatória.
    Me interessei bastante por esse livro do Sidney Sheldon que você citou, acho fascinante quando uma historia explora o lado psicológico.

  12. Thata Pereira
    22 de novembro de 2013

    Gostei muito, muito mesmo da ideia do final, mas acredito que possa ser melhor trabalhada. Também fiquei pensando: como Alice não reconheceu Smith? Como se dava o contato dos dois? O conto me lembrou um livro do Sidney Sheldon que se chama “Conte-me Seus Sonhos”, que fala sobre essa dupla personalidade que algumas pessoas podem adquirir por estresse ou traumas.

  13. J. Peppers
    18 de novembro de 2013

    Boa noite,
    Agradeço a todos pelas criticas construtivas e, com certeza as levarei para meu próximo conto, afim de melhorar a escrita e fluidez da historia, além de trabalhar melhor a ideia antes de conclui-la.

  14. Ricardo Gnecco Falco
    18 de novembro de 2013

    Interessante a prolixidade em meio a um texto ainda carente de fluidez. Fiquei com a impressão de que o autor teve a primeira ideia e, depois de começar a escrever a história, decidiu verter para algo que ainda não tinha bem formado em mente. O resultado foi um conto fragmentado e copioso, muito embora o autor demonstre domínio da Língua.
    Não achei ruim, ruim… Mas sim que o autor seja capaz de mais, muito mais!
    🙂

  15. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    18 de novembro de 2013

    Como outros aqui apontaram, o começo foi bem-vindo, anima a leitura, promete uma história bem interessante. Depois, parece que o autor se cansou do enredo antes mesmo do leitor. Largou mão, descambou para os erros, relaxou e desistiu da coerência. O final não ficou ruim. Tem como melhorar muito e apresentar um ótimo conto. Questão de tempo e empenho. Boa sorte.

  16. Masaki
    17 de novembro de 2013

    A trama é bastante interessante, entretanto o que fez a leitura ficar cansativa foram os diversos erros no texto. Vírgulas desnecessárias, tempos verbais errados e o uso de expressões como, por exemplo, “onde” no lugar de “em que” tiraram o brilho desta potencial história. Uma boa revisão irá ajudar eliminar estas “barreiras” da leitura. Contudo, parabéns ao autor por proporcionar um conto diferente. Aguardo o seu próximo trabalho.

  17. Jefferson Lemos
    17 de novembro de 2013

    O começo achei bem legal, mas depois fui desanimando e cheguei cansado no fim. O texto necessita de revisão e isso é um dos fatores que tornam a leitura cansativa.
    A história pode ser promissora, mas precisa ser melhor trabalhada.

  18. Gustavo Araujo
    17 de novembro de 2013

    O início é bastante promissor. Até a metade, li entusiasmado, pensando que enfim alguém estava conseguindo encaixar uma boa história no limite de 3500 palavras. Só que então a coisa desandou. Chego a pensar que a metade final foi escrita por outra pessoa. Ficou apressado demais, com um furo gigante na narrativa – para que serviu o encontro com a moça loura na delegacia? Por que ela “não podia dizer quem a contratou?”. E com que facilidade Smith “adivinhou” o próximo museu a ser roubado? É… fiquei decepcionado, apesar do final ter sido bom. No final, eu daria nota 5 para este conto. Se não houvesse tantos erros de gramática, eu até aumentaria para 6.

  19. charlesdias
    16 de novembro de 2013

    Um enredo bem diferente, devo confessar. Pena que o primeiro parágrafo entrega o final. Notei alguns furos e incongruências, além da necessidade de uma boa revisão. De qualquer forma rendeu uma leitura agradável.

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Publicado às 16 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .