EntreContos

Detox Literário.

A Mulher Falsa (Bia Machado)

O último gole da noite de um uísque barato. Lembrou-se daquele papel há dias amassado dentro do bolso do casaco. Por algum motivo, não o tinha jogado fora. Na verdade, não tinha sido o primeiro que recebera, com a mesma mensagem estranha: “Prometa-me que vai confiar em mim quando nos encontrarmos.” Dessa vez, porém, havia um complemento: “Na próxima terça-feira, no Billy’s, no horário de sempre. L.”.

E como ele, Michael Pyne, poderia cumprir uma promessa esquisita como aquela, sem saber por quê? Bem, fosse o que fosse, é claro que ele não deixaria de estar naquela noite no Billy’s. Não tinha nada a perder, a não ser o uísque. A quem o dono do bar queria enganar, chamando aquilo de “legítimo”? A voz da lindíssima Betty Davis, contudo, compensava a bebida que descia queimando. Gostava também do som que Humprey Bogart conseguia tirar daquele trompete, acompanhando o incrível desempenho de Marlon Brando ao piano.

– Toque de novo, Brando! – pediu um velho que parecia estar já desmaiado depois da bebedeira, mas que acordou de repente, fazendo o pedido em uma voz grogue. Brando atendeu, ficando só no palco, enquanto Betty, Bogart e os outros músicos iam para trás das cortinas descansar um pouco, coisa que o pianista não era acostumado a fazer.

– Ei, Mike – chamou uma voz, em meio à fumaça do ambiente. – Como vai?

Michael olhou para o rosto da jovem ruiva que o observava, com um leve sorriso nos lábios.

– Sou eu, L. Ou melhor, Lili Stanwick.

O detetive não esboçou nenhuma reação. Analisava a moça com a sensação mais estranha de déjà vu que tivera em sua vida. Ou a única até aquele momento em sua vida, para falar a verdade.

– Acho que não a conheço, moça.

– Não, não ainda. Mas eu já o conheço, e muito bem por sinal.

– O que quer? – Mike não estava gostando nem um pouco daquela sensação incômoda que não passava.

– Posso me sentar? – Diante do consentimento do detetive, Lili ocupou a cadeira vazia, finalmente percebendo-se menor do que o detetive negro de quase 1.80m.  – Sei que parece estranho o pedido que fiz nos bilhetes, sei também que o que vou lhe contar agora vai soar um tanto insano, mas acredite, é real e eu posso provar.

– Garota, o que tem de bonita, tem de estranha. É tudo muito simples: se eu não acreditar em você, vou embora. Não aguento mais nem um copo dessa porcaria por essa noite.

– Estou aqui para impedir que me mate.

Dessa vez, o detetive não conseguiu deixar de esboçar um sorriso, algo incomum para ele, sempre tão fechado.

– Ora, e por que eu a mataria?

– Por um erro, acredite em mim, você me matará. Tudo já foi escrito. É o que pretendo impedir.

– Quer fazer o favor de…

Lili abriu a bolsa que segurava e tirou de dentro uma folha de papel dobrada, entregando-a a Mike, que pensou alguns instantes antes de pegá-la. Quando finalmente a abriu, viu que era uma página de livro. O título era “O Autor”, havia uma fotografia de um homem desconhecido logo abaixo e, depois disso, um texto curto:

“Phil Marlowe nasceu em Nova York, em 1954, filho de escritores. Antes dos vinte, já publicara seu primeiro romance policial. Desde então não parou mais, não chegando nem mesmo a se formar em Direito. Já escreveu 48 romances – dentre estes, 15 roteirizados para o cinema – protagonizados pelo detetive Mike Pyne, consagrando-se como o ‘Rei do Noir’. A Mulher Falsa é um dos romances mais famosos de Marlowe, agora editado pela Holmes Publishing, em edição totalmente revisada.”

A Mulher Falsa, veja só! Foi dessa forma que ele se dirigiu a mim, no livro! Eu não merecia! – Lili pegou o uísque oferecido pelo garçom que passara ao lado da mesa e deu um grande gole, sem nem mesmo tossir, tal era a indignação que aparentava estar sentindo.

– Mas que loucura é essa? Eu, personagem de livro? Nunca ouvi falar de nenhum Phil Marlowe! – parecia que Pyne ainda não tinha entendido o que lera naquelas poucas linhas. Aliás, como entender algo tão estranho como o que estava escrito naquele papel?

– Eu disse que pareceria insano, sem sentido algum, mas é essa a verdade. Eu, você, a cantora, os músicos, o dono desse lugar… Somos todos personagens desse cara aí. Fazemos parte dessas histórias que ele escreve e…

– Como acha que vou acreditar?

– …nesse livro ele teve a coragem de me matar! Eu, que nos últimos dezesseis livros…

– Você acha que realmente vou acreditar nisso?

– …fui a melhor secretária, a melhor parceira! – Lili estava quase gritando. – Mas sabe por que ele me matou, sabe?

– Realmente, está fora de si! – Pyne acendeu o cigarro e achou que não adiantaria pará-la. A louca queria desabafar, ao que parecia.

– Ele me criou à imagem e semelhança de sua ex-esposa, Laura Marlowe. Finalmente você cederia à ideia de ter uma secretária e me contrataria. E nós nos apaixonaríamos.

– Não me faça rir! – o detetive ensaiou o riso, mas colocou novamente o cigarro na boca, começando a ter pena de Lili. Não deixou de pensar, porém, que a jovem era interessante. “É uma pena, bonita, porém louca”. Lili, no entanto, não conseguia parar.

– Sim, nós nos apaixonamos e fomos, por dezesseis livros, uma dupla infalível. Mas aí Laura traiu Marlowe, divorciou-se dele. E o que ele fez? Matou-me, por pura vingança, no décimo sétimo livro em que participamos juntos. Foi isso, esse escritor de araque não aguentou a traição da mulher e descarregou em mim todo o ódio que era capaz. E da pior forma possível! Fez com que você ficasse cego de ciúme, que criasse fantasias a meu respeito, suspeitando de que eu tinha um caso com o Delegado Jameson e por isso…

– Delegado Jameson? Agora entendi tudo! Com licença, Srta. Stanwick – Pyne levantou-se, dirigindo-se ao balcão para pagar a conta, tendo Lili em seu encalço, que não parava de falar. Mas não, ele não ouviria mais uma palavra sequer da boca daquela ruivinha louca. E ela vinha lhe falar sobre aquele delegado de merda? O homem que tinha sido o responsável por ele ter sido expulso da polícia? Pyne tinha mais o que fazer!

– Mike, por favor! Eu nunca tive nada com qualquer pessoa, além de você. Era apenas isso que queria que soubesse. Que não tive culpa. E sei que você também não, afinal, somos apenas criaturas daquela mente diabólica!

– Billy, a conta. Fique com o troco, por favor. Até a próxima – Pyne não dava tempo para que o dono do bar dissesse nada, pois do que ele menos precisava era do humor forçado do homem gorducho, uma boa pessoa, aliás, mas desde que não abrisse a boca por mais de um minuto. Caminhou para a saída com Lili ainda atrás dele, dessa vez em silêncio.

Na rua, Mike andou alguns passos e se virou, já impaciente.

– Vá embora! Ok, quer que eu a desculpe? Está desculpada! Agora vá procurar o que fazer, em vez de tentar me convencer dessas loucuras todas que parecem saídas da boca de uma louca de pedra!

– Ora, seu… seu… – Lili proibiu uma lágrima de cair, com toda a violência com que alguém seria capaz de realizar aquela ação, procurando mostrar toda a indignação que sentia. Saiu correndo, sem nem ver para onde, o que fez com que não percebesse o carro vindo em sua direção, atingindo-a e fazendo com que fosse jogada no asfalto, para surpresa de Pyne, que não percebera o que acontecera em segundos por dar-se conta de que tinha a página rasgada do livro em suas mãos, sem compreender quando é que a moça devolvera a folha a ele sem que o detetive percebesse. Com o choque do corpo no asfalto ele correu até Lili, que tinha os olhos abertos, porém estáticos.

– Droga, garota, que loucura toda foi essa?

– Foi ele… Foi Marlowe. No fim, ele tem o controle de tud…

Lili estava morta. Mike fechou os olhos verdes da jovem, sentindo uma coisa estranha no peito. “Foi Marlowe”, ela dissera. Será possível que até na hora da morte ela propalasse coisas tão inimagináveis?

Súbito, ouviu o som de uma gargalhada em meio ao vazio da rua naquele começo de madrugada. Olhou para dentro do carro que tinha atropelado Lili, mas não havia ninguém no interior.

E a gargalhada parecia só aumentar, seguida de uma voz dizendo coisas que ele não conseguia identificar. Foi quando pegou novamente a biografia do escritor e percebeu que o texto não terminava ali. Havia mais uma parte no verso:

“Em A Mulher Falsa, o autor nos brinda com uma história atípica, onde o detetive será perseguido por uma mulher que diz ser Lili Stanwick, vinda do futuro para contar-lhe sobre uma morte iminente, tentando fazer com que Mike acredite que…”

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64 comentários em “A Mulher Falsa (Bia Machado)

  1. Alana das Fadas
    4 de dezembro de 2013

    Gostei muitíssimo da ideia! Uma das melhores desse desafio, sem sombras de dúvidas… Contudo, fiquei com a impressão de um texto meio apressado, feito no calor do momento para não deixar a ideia fugir…

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Quase acertou, Alana! Na verdade escrevi porque a ideia surgiu e não tinha intenção de usá-la aqui, estava planejando um outro conto, mas acabei escrevendo por diversão mesmo, apenas por escrever. Nem revisei, e até sabia que o final apressado seria muito, muito notado, mas deu medo de começar a escrever mais, mais e acabar sofrendo com o limite de palavras… Então acho que escrevi, na verdade, para me “livrar” da ideia, ao menos nesse momento, rs. Obrigada pela leitura! 😉

  2. Pedro Luna Coelho Façanha
    3 de dezembro de 2013

    Apesar da sensação de já ter visto isso antes, o texto ficou bacana. Gostei do personagem do detetive, incrédulo diante da loucura da mulher..kkk.

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Ah, verdade, eu concordo um pouco com aquele dito “Na vida nada se cria, tudo se copia”, o negócio é copiar com o seu “toque pessoal”. Obrigada pela leitura! 😉

  3. Masaki
    3 de dezembro de 2013

    Gostei muito deste conto! Ele me passou a ideia daquele filme: “O Show de Truman”. História bem escrita, direta e com excelente cadência. Os personagens são carismáticos e o cenário bem ao estilo Noir. Minha única observação vem para que os momentos finais fossem um pouco mais trabalhados. Deu a sensação de “pressa”. Parabéns ao autor! Valeu a leitura.

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Adoro “O Show de Truman”. É um dos meus preferidos! Pode deixar que vou mexer nesse conto, inclusive no final. “Os personagens são carismáticos” foi equivalente a um mantra, rs, adorei! Melhor coisa é criar personagens! =)

  4. vitorts
    26 de novembro de 2013

    Que sincronicidade! Esse texto lembrou-me muito algo que li há pouco tempo; um trecho do Sincronicídio, do Fábio Shiva, publicado pela Caligo, onde o protagonista-detetive é impelido a crer por uma femme fatale que a realidade em que vivem é um livro.

    Gostei da narração e do desenvolvimento. Penso que daria para ser mais longo. Parabéns pelo texto.

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      O senhor desconfiou que eu fosse a autora, por isso citou o Sincris e a Caligo? =P Aliás, é verdade, né? No livro do Fabio tem esse lance também! Ah, eu curto muito isso, essa coisa de personagens que descobrem que estão dentro de livro, vide “Cartas Oblíquas”, rs.

  5. Felipe Falconeri
    23 de novembro de 2013

    A ideia é boa, mas o texto deixa a impressão que foi escrito de forma apressada. Em alguns momentos o autor parece escrever simplesmente como se estivesse narrando a história oralmente, mais preocupado em contá-la de uma vez do que com a forma como ela seria contada. Isso empobreceu um pouco o texto, a escrita ficou fraca.

    Não sei se minha impressão está correta, mas se estiver, aconselho ao autor a ir com menos sede ao pote. Dar mais atenção à forma, ao texto em si, à criação de seu próprio estilo. Literatura é a arte de se trabalhar com a palavra.

    Mas reitero que gostei da ideia. E a leitura fluiu bem, foi agradável. Só não curti os nomes dos atores na banda, me pareceu meio gratuito.

    No frigir dos ovos, é um conto razoável.

    Abs.

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Obrigada, Falconeri. Como eu confessei nos comentários abaixo, escrevi apenas para me livrar da ideia, rs. Mas gostei do que escrevi, pretendo mais pra frente melhorar esses pontos destacados, pois para o desafio ele acabou vindo como um rascunho, mesmo, tinha a intenção de escrever outra coisa, mas nessa correria de novembro, acabou não dando certo…

  6. Andrey Coutinho
    23 de novembro de 2013

    Nesse desafio, resolvi adotar um novo estilo de feedback para os autores. Estou usando uma estrutura padronizada para todos os comentários (“PONTO FORTE” / “SUGESTÕES” / “TRECHO FAVORITO”). Escolhi usar esse estilo para deixar cada comentário o mais útil possível para o próprio autor, que é quem tem maior interesse no feedback em relação à sua obra. Levo em mente que o propósito do desafio é propriamente o aprendizado e o crescimento dos autores, e é isso que busco potencializar com os comentários.

    Além disso, coloquei como regra pessoal não ler nenhum comentário antes de tecer os meus, pra tentar dar uma opinião sincera e imediata da minha leitura em si, sem me deixar influenciar pelas demais perspectivas.

    Dito isso, vamos aos comentários.

    PONTO FORTE

    A história é excelente, uma execução muito bacana do plot-device do personagem ficcional consciente da quarta parede. Vocabulário e construções impecáveis e bastante diretas.

    SUGESTÕES

    Penso em sugerir que o conto fosse um pouco mais reflexivo ou contemplativo do próprio conteúdo, do ponto de vista emocional ou até filosófico, mas ao mesmo tempo sinto que isso poderia tirar o seu status de “curto, eficiente, direto ao ponto”.

    TRECHO FAVORITO

    “Em A Mulher Falsa, o autor nos brinda com uma história atípica, onde o detetive será perseguido por uma mulher que diz ser Lili Stanwick, vinda do futuro para contar-lhe sobre uma morte iminente, tentando fazer com que Mike acredite que…”

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Obrigada, Andrey, pelo comentário! Quanto à sua sugestão, pretendo mexer nele sim, para resolver os pontos que o pessoal destacou, só fazendo ele ficar mais longo mesmo. Confesso que não quis essa tarefa para esse momento, deixei para outra oportunidade, espero que ela venha! =)

  7. Abílio Junior
    20 de novembro de 2013

    Não tenho nada para acrescentar do que os colegas já falaram. O conto foi bem escrito, as citações foram uma boa sacada e o tamanha e enredo do conto impressionam, maaas o desfecho ficou muito abrupto, poderia ser melhor trabalhado. Mas isso não tira muitos pontos do autor.

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Com certeza, um final apressado. Apressado no sentido de “deixa eu escrever dessa forma, porque se começar a colocar muita coisa nessa parte, tô achando que isso não vai ter fim”, rs. Obrigada!

  8. Gunther Schmidt de Miranda
    19 de novembro de 2013

    Um bom texto, mas acho que logo no início ele “telegrafou” o final…

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Olá, Gunther, obrigada pela leitura. Engraçada a sensação que teve com a leitura. Garanto que não foi minha intenção telegrafar nada, rs, apenas escrevi da forma como imaginei a situação acontecendo…

  9. rubemcabral
    19 de novembro de 2013

    Gostei da metalinguagem, do ambiente e da citação dos atores famosos. A narração foi boa, os diálogos ágeis. Realmente o final poderia ser um pouco retrabalhado. De qq forma, muito bacana a cena do autor gargalhando (invisível)! Sehr gut!

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Valeu, Rubem! Esse foi um exemplo de conto que escrevi apenas para me livrar da ideia, daí o final corrido: literalmente medo de começar a dar pano pra manga e… Quase que não envio, mas ainda bem que decidi enviar… A ideia que tinha era outra, mas infelizmente não deu certo. Só que gostei desse texto que escrevi e acho que, mais pra frente, vou mexer nele e esticar um pouco… Veremos! 😉

  10. Agenor Batista Jr.
    18 de novembro de 2013

    Gostei mais da parte dos atores-músicos. Um belo exercício do absurdo. Ionesco gostaria também. Gargalhei ao ler “A voz da lindíssima Betty Davis, contudo, compensava a bebida que descia queimando.” o que valeu, para mim, a leitura até o fim apressado. Uma boa leitura que, se não cem por cento, pelo menos atento ao clima “noir” proposto. Parabésn!

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Obrigada pelo comentário, Agenor. Não está cem por cento mesmo, talvez uns… sessenta por cento? rs… 😉

  11. Sérgio Ferrari
    18 de novembro de 2013

    Não gostei da muleta do conto, que é o livro-referencia + o autor famoso. O final é legal, contudo. Enfim… regular. 😉

    • Bia Machado
      6 de dezembro de 2013

      Beleza, Sérgio, eu confesso que já adoro essas coisas, hahahaha

  12. fernandoabreude88
    15 de novembro de 2013

    É um noir, isso não se nega. O problema é que a atmosfera do texto não prendeu minha atenção, exceto em alguns dos diálogos reveladores da trama. O autor já dá a dica no começo, quando a mulher revela o destino do cara, acho que isso não foi bacana, pois vamos ao final do texto já sabendo o que vai acontecer. Se ela não tivesse feito a revelação, o conto teria mais efeito.

    • P. Marlowe
      15 de novembro de 2013

      Valeu a leitura, Fernando! Quanto à revelação inicial, acho que tinha que ser assim, pois o centro do conto não era ela, a revelação era apenas o fator desencadeador da ação que se deu depois. É isso!

  13. piscies
    13 de novembro de 2013

    Show. De. Bola!

    Conto muito legal e interessante. Me amarro em ideais loucas como esta! O quê de realidade emprestado à trama também é muito legal. É quase um metaconto, rs rs rs.

    Não tenho muitas críticas. Assim como a maioria, achei o final muito corrido. Tirando isto, sua escrita é maravilhosa e sua imaginação, sem fronteiras!

    Parabéns!

    • P. Marlowe
      15 de novembro de 2013

      Valeu, Piscies! Pode deixar que logo, com mais tranquilidade, vou dar atenção a esse final, do jeito como estou querendo! 😉

  14. felippekatan
    12 de novembro de 2013

    Um dos melhores contos que li aqui.. Me lembrou de uma ideia que alguém jogou no twitter e eu não fazia ideia de como colocar no papel. Obrigado =D Me lembrou, também, da Torre Negra, do Stephen King, nesse toque da realidade com a fantasia ou o contrário ou algo que não tem muito a ver com isso..

    O texto ficou muito interessante, difícil de largar haha

    O final eu achei engraçado pois a sinopse do livro é, na verdade, a do conto. Aí o livro seria o conto então entra numa recursividade maneira lol

    Não dá pra perceber uma “viagem no tempo”, na minha opinião, porque ninguém faz essa viagem após a própria morte, né? hahaha

    Ou seja: muito bom mesmo. Tanto que até vim comentar =D

    • P. Marlowe
      15 de novembro de 2013

      Opa, valeu Felippe! Bom saber que o conto “te pegou”! Fiquei curioso agora com relação a essa série do King!

  15. Leonardo Stockler M. Monney
    11 de novembro de 2013

    Parece algo que o Borges teria escrito (tipo aquele que o cara não sabe se existe ou se é um personagem do Shakespeare). Sou um adepto dessa literatura que mistura ficção com realidade, desde que bem feita. O autor escolheu uma boa forma de conduzir a história: os diálogos. São ágeis e prendem a atenção. A ambientação é a ideal. Mas é impossível terminar a leitura sem a sensação de que faltou algo. E não digo que faltaram explicações, porque não sou daqueles que querem tudo mastigadinho. Quem sabe talvez inserir um ou outro personagem, uma terceira cena, um parágrafo com as explicações do próprio personagem principal, com ele oferecendo a sua explicação pra aquilo tudo? De qualquer forma, é um bom conto! Parabéns.

    • P. Marlowe
      15 de novembro de 2013

      Cara, te entendo perfeitamente, haha. Seria bom inserir outras coisas, sim. Mas isso dá pano pra manga e eu queria evitar ao máximo o que acontece comigo quase sempre: escrevo mais do que o limite me permite, hehe. Então preferi deixar assim mesmo, ao menos para o desafio. Depois trabalho nele, escrevendo sem a imposição do limite. Valeu! 😉

  16. Leandro B.
    9 de novembro de 2013

    O que posso dizer? Não vou dar conselho algum sobre final. Esse é um conto que merece continuações e não esperaria nada menos do que isso rs

    O que posso dizer? Está entre os meus favoritos até agora. A forma como se utilizou dos elementos de Noir ficou muitíssimo bacana.

    • P. Marlowe
      15 de novembro de 2013

      E aí, Leandro, tudo certo? Valeu pela leitura e pode ter certeza de que o conto terá uma versão maior e mais elaborada! 😉

  17. Marcellus
    8 de novembro de 2013

    Gostei do conto e, ao contrário de alguns, não acho ruim a suposta “mistura” de gêneros e desafios. Pelo contrário!

    O final foi muito abrupto, simplista. O leitor esperava mais. E as citações me incomodaram um pouco, pela falta de sutileza. Mas no geral está de parabéns!

    • P. Marlowe
      8 de novembro de 2013

      Valeu pela leitura, Marcellus! Anotei aqui a dica a respeito do final, que assumo que deixei corrido mesmo, e quanto às citações, como assim, falta de sutileza? Depois, se puder, me explique, ok? 😉

      • Marcellus
        10 de novembro de 2013

        Não me entenda mal, achei bem bacana a ideia de homenagear artistas consagrados. O problema é justamente esse: como são consagrados, conhecidos, dá um “nó no cérebro” colocá-los em citações tão consagradas quanto. Mais ou menos como escrever: “Comprou hastes flexíveis para higiene dos ouvidos. Gillette eram suas preferidas.”.

        Talvez ficasse melhor algo do tipo: “…acompanhando o incrível desempenho do pianista, um sujeito chamado Samuel, com ares de Marlon Brando…”.

        Enfim, foi algo que me incomodou um pouco, mas nada que tirasse o brilho geral do conto.

    • P. Marlowe
      15 de novembro de 2013

      Marcellus, quanto aos nomes, fica tranquilo, que foi algo sem intenção, e nomes em um conto a gente muda, sem problema algum. Para falar a verdade, não costumo escrever contos ambientados “fora do Brasil”, e na hora não tinha ideia de que nome poderia ficar bom, aí coloquei os que me vieram à mente, e eu tinha acabado de assistir a uns filmes antigos, hehe. Mas a dica valeu!

  18. Ricardo Gnecco Falco
    8 de novembro de 2013

    Gostei da história. Ficou bem caracterizado no gênero e apenas o final achei um pouquinho rápido demais. Daria para trabalhar melhor a cena do atropelamento e a explicação final sobre a onipotência do autor.
    Um bom conto! Parabéns!

    Ass: “o leitor”.
    😉

    • P. Marlowe
      8 de novembro de 2013

      Opa, Ricardo, valeu por ter gostado da história. Anotados aqui os toques sobre o final. Ficou muito rápido mesmo, mas assumo que deixei assim mesmo, apenas por não querer continuar naquele momento, temendo ficar repetitivo. Foi um texto escrito bem rápido, e postei aqui apenas pela participação, pretendo mexer nesses pontos que ficaram mais “obscuros” pra mim mais adiante, com mais calma. Gracias, “leitor”! 😉

  19. dibenedetto
    7 de novembro de 2013

    PS: Qual o problema de ter viagem no tempo? Mesmo se fosse uma viagem no tempo literal (Não é. É pura metalinguagem. Só uma história que o escritor dentro do conto estava escrevendo) não vejo o que isso pode ter de ruim.

    Pelo que eu entendi da proposta do desafio no Facebook, histórias também podem ter elementos de ficção científica ou fantásticos. Só tem que estar dentro dessa vibe/ gênero. 😉

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Obrigado pela defesa, Dibenedetto, é isso mesmo que você falou!

  20. dibenedetto
    7 de novembro de 2013

    Ahhhh, ficou muito legal! =P

    Tem todos os elementos noir sim, gente. Mas usados num texto mais bem-humorado. No começo, também me incomodei com os nomes dos personagens, porque achei que eram referências muito jogadas e quase parei de ler (único “defeito” relevante na minha opinião)

    Mas tudo isso faz sentido no final.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Escrevi de forma tão sem esperar o que ia dar, confesso, que fui colocando os nomes conforme ia pensando neles. Achei legal brincar assim. =)

  21. Claudia Roberta Angst - C.R.Angst
    7 de novembro de 2013

    Li fácil. A presença de diálogos sempre agiliza a leitura e prende minha atenção. Logo de início, já percebi a referência aos astros de cinema criando o clima de filme noir. O final ficou um tanto apressado, mas achei o conto bem interessante. Parabéns.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Valeu pela leitura! Te confesso que o final ficou apressado quase de propósito: comecei a escrever o conto por brincadeira, aí não sabia como terminar, e tudo o que eu pensava parecia ser complicado demais, destoando do restante… Mas vou revê-lo depois, com mais calma.

  22. charlesdias
    7 de novembro de 2013

    Interessante o conto, sem dúvida com elementos noir, mas está mais para viagem no tempo (tema do desafio de outubro) que para noir mesmo.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Se tem elementos noir, pode participar do concurso de noir, não pode? E a “viagem” no conto não é uma “viagem no tempo”. Valeu a leitura!

  23. Jowilton Amaral da Costa
    7 de novembro de 2013

    Um conto bem legal. Referências interessantes, lembrou um pouco o filme Casablanca e Roger Rabbit. Interessante a inclusão do fantástico misturado ao Noir. Penso que os diálogos poderiam ser melhor trabalhados, ter dado uma maior força ao conto. Parabéns. Abraços.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Opa, valeu pela dica sobre os diálogos, concordo. É que escrevi sem pensar, confesso, veio a ideia e escrevi “de primeira”, em coisa de duas horas. Só por diversão, mesmo. Ou, talvez, para tirar a ideia da cabeça, que não me deixava sossegado. 😉

  24. Gustavo Araujo
    7 de novembro de 2013

    Gosto desses contos que trazem à vida a realidade só existente nas páginas dos livros, emprestando vontade própria aos personagens. Bacana mesmo. É essa a linha seguida neste texto bastante criativo. O noir, aqui, não é o mote principal, mas mero acessório de algo maior: a possibilidade de o protagonista compreender e mudar um destino que já está traçado, ou melhor, que já está inevitavelmente escrito. Não se trata, a meu ver, de viagem no tempo, mas de uma viagem melhor, empreendida em universo que nos é mais familiar, o literário.

    De todo modo, a ambientação ficou excelente, com destaque para o trio musical. Aliás, tive que reler, pois achei, num primeiro momento, que o autor teria se equivocado. Só então percebi a jogada, a homenagem a alguns dos ícones do cinema noir, Bogart, Brando e Bette Davis.

    Só achei o fim abrupto demais. Faltou um pouco mais de drama. Senti que os personagens poderiam ter sido melhor trabalhados – e até havia espaço para isso, já que o conto ficou bem longe do limite imposto pelo desafio.

    Uma leitura agradável, em todo caso. Parabéns de verdade.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      E eu fiquei com medo demais desse final, medo de exagerar no drama, hehehehe… Medo de começar a dar mais pano para a manga, e a coisa virar uma bola de neve. E como a intenção foi “exorcizar” a ideia, que não me dava sossego, optei por deixar assim mesmo, mas vou rever essa parte depois. Valeu pela leitura e as dicas!

  25. Frank
    7 de novembro de 2013

    Ah, essas Moiras são cruéis…
    Gostei da luta ancestral contra aquilo que foi tecido para nós. Nada pode superar isso em termos de pessimismo ou fatalidade (eis o clima). Um texto excelente e um detetive no espectro extremo ao do conto “Assassinatos na noite de Nata” demonstrando que dá para criar o clima noir seja com um fanfarrão (o anterior) ou com um cara mais (taciturno e introvertido – aliás, combina mais com a fatalidade embutida). Também não entendi o episódio como uma viagem no tempo. Enfim, um belo texto com uma argumentação que pode ainda render muito mais coisas boas. Parabéns.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Valeu, Frank! Acertou, não é viagem no tempo, não no stricto sensu! 🙂 Escrevi só para participar mesmo, pelo prazer de escrever, de dar vida a personagens, com certeza mais pra frente eu vejo como melhorar, aproveitando as dicas aqui do concurso. Abraço!

  26. Bia Machado
    7 de novembro de 2013

    Gostei da narrativa, e acho que dá para colocar mais coisa, sim. O texto ficou despretensioso, mas não deixei de gostar por isso, parece que o autor escreveu a coisa fácil, e deixou algumas coisas de fora, para um momento melhor, talvez? Ao contrário do pessoal, entendi que não foi uma viagem no tempo o que aconteceu, mas sim outra, bem mais estranha, que não vou colocar aqui para não estragar a surpresa de quem for ler. Digo isso porque já usei esse tipo de “viagem” em um conto meu. Por isso acho que o conto dá uma novela, por exemplo, e valeu a leitura. É isso! 😉

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Ahhhh, pegou o sentido do despretensioso! 😉

  27. Thata Pereira
    7 de novembro de 2013

    “Desce uma verdade forte e um coração apertado, porque esse uísque ta fraco.”
    – Flávio Cardoso

    Concordo com o Jefferson, esperei mais. Gostei do clima que foi criado. Esse tema está rendendo citações de boas músicas e artistas…

    Mas a mistura com viagem no tempo não me agrada. Dá a impressão que o autor não teve tempo de participar do desafio anterior e utilizou do conto para esse mês. Apenas um ponto de vista pessoal. Gostei da história. Ah, o título me incomodou no começo, já que é a primeira coisa que nos é apresentado. Só que depois que li o nome do livro, não me incomodei mais. Até passei a gostar. Um ótimo conto para ser trabalhado! 😉

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Retirando a impressão, não foi nada disso. A ideia me veio ontem, de repente, deu vontade de escrever e escrevi, em coisa de duas horas. Coisa bem tranquila mesmo, só pelo prazer de escrever, de participar do desafio e de dar vida a novos personagens! Fui criando a trama conforme fui escrevendo, só tinha a ideia principal (que não tem nada a ver com viagem no tempo, e sim um personagem que viaja de um livro para outro para tentar impedir o que você deve ter lido no texto). Até o nome do conto, só veio quando pensei no nome do livro dentro da história, aí achei que servia. Foi muito bom de escrevê-lo e, com certeza, trabalharei nele posteriormente. Valeu a leitura!

      • Thata Pereira
        8 de novembro de 2013

        P. Marlowe, na verdade, é isso mesmo que importa. Escrever pela vontade, pelo prazer. Foi uma impressão, mas gostei do conto! Essa ideia de viajar entre um livro e outro é muito, muito interessante! 😉

    • Thata Pereira
      8 de novembro de 2013

      Nossa, precisei vir me retratar: então, em uma primeira leitura eu não havia entendido muito bem sobre a viagem no tempo, confesso. Mas agora, lendo novamente, vi que entendi a história de uma forma completamente diferente! Perdoe minha desatenção!

      É uma ótima história!!

      • P. Marlowe
        15 de novembro de 2013

        Valeu, Thata! 😉

  28. Jefferson Lemos
    7 de novembro de 2013

    O conto é muito bom, mas na minha opinião ele rende algo mais. Assim já ficou bem legal, mas uma encorpada vai deixá-lo mais completo.
    Achei bem diferente. Consegui observar alguns elementos Noir, e achei a suposta “Viagem no Tempo” muito interessante!
    É bom ver que o pessoal vem mantendo o nível nesse desafio.
    Parabéns ao autor!

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Ah, valeu, Jefferson! Sim, vou seguir seu conselho e dar essa “encorpada” nele depois, pois escrevi sem elaborar muito, apenas por diversão. Foi muito bom escrevê-lo! 😉

  29. selma
    7 de novembro de 2013

    achei a ideia muito interessante. ia parar de ler, mas entendi a trama e prossegui. tem uma pontinha de viagem no tempo, ein! parabens.

    • P. Marlowe
      7 de novembro de 2013

      Bacana, Selma, que bom que não parou, que continuou pra curtir essa minha doideira! Um abraço! 🙂

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Publicado às 7 de novembro de 2013 por em Noir e marcado .