EntreContos

Literatura que desafia.

Paralisia (Gustavo Araujo)

Com os olhos ainda fechados, Ricardo ouviu a filha Beatriz. A menina chorava ao longe, um lamento profundo, sentido, os soluços compassados em um ritmo cansado. Ele conhecia bem aquele pranto. Podia imaginar a pequena despertando de um pesadelo, enxugando as lágrimas com as costas das mãos pequeninas, o nariz fungando. Como sempre, seu ímpeto foi correr até onde ela estava, reconfortá-la, protegê-la do quer que fosse. Ele a tomaria nos braços e assopraria em seus ouvidos uma velha cantiga:

Como pode o peixe vivo
Viver fora d’água fria?

Beatriz se acalmaria e com um gracejo envergonhado se aninharia em seu colo e voltaria a dormir.

Mas, não agora.

Alguma coisa impedia Ricardo de levantar. Por mais que tentasse, era impossível se mexer. Ainda que retesasse os músculos com toda a força que tinha, não conseguia mover um nervo sequer. Nada. Nem mesmo os olhos era capaz de abrir. Estranhamente, porém, sua audição estava perfeita. Ouvia não só o choro incontido da filha, mas tudo o que se passava ao redor. Se prestasse atenção, divisaria lamúrias, conversas sussurradas e até o discreto choque de talheres e copos.

Também havia o cheiro, o odor enjoado de flores, intensificado pelo fato de ele não poder enxergar. Dizem que na falta de um dos sentidos, os outros são potencializados para compensar a deficiência. Naquele momento, ele desejou que isso não fosse verdade.

Inesperadamente, uma voz conhecida chegou a seus ouvidos, como um murmúrio longínquo. “Obrigada…”, dizia. Ricardo reconheceu o timbre e a entonação embargada. Sua esposa, Isabel. “Claro… Eu sei… É verdade… Tão jovem, tão cheio de vida.”

Ainda confuso, percebeu que alguém lhe tocava as mãos pressionando levemente seu peito. “Como isso foi acontecer, meu filho?” Era quase um cochicho, mas Ricardo pôde distinguir perfeitamente seu pai. “A vida toda pela frente e agora…”

“Calma, meu velho, sejamos fortes…”, interrompeu a mãe, com aquela entonação de quem não tem outra escolha senão se conformar. “Não podemos entender a vontade de Deus… Nosso filho sempre foi um exemplo de saúde… Não fumava, não bebia… O que se há de fazer?”

A litania foi desaparecendo até se tornar um fiapo e sumir, ante à inutilidade de se buscar uma resposta. Então seu pai arrematou, com aquela precisão que sempre lhe fora peculiar: “Permitir que um filho morra antes dos pais é uma crueldade imensa.”

Em um átimo, Ricardo compreendeu tudo. Estava em seu próprio velório, deitado em um caixão com a família ao redor, chorando em vigília tendo-o como morto. Mesmo paralisado e sem conseguir enxergar, podia visualizar a esposa, seus pais e talvez alguns amigos, derramando lágrimas pelos últimos instantes ao seu lado. E até Beatriz estava ali. Até Beatriz, que pecado…

Podia apostar que estavam na capela do cemitério municipal. Aquele local frio, úmido e mal iluminado em que ele estivera algumas vezes, acompanhando os funerais de velhos parentes. Era tradição enterrar os membros da família naquela necrópole imensa e decadente, com suas vielas estreitas, onde túmulos e jazigos se espremiam disputando espaços com estátuas de anjos inconsoláveis.

Mas eu não morri… Eu estou aqui, vivo…

“Como foi?”, alguém perguntou.

“Coração…” respondeu Isabel, a voz fatigada. “Pelo menos foi o que o médico disse. Só sei que hoje pela manhã ele não se mexia mais…”

Coração? Como… Meu coração está batendo! Eu…

“Você deve estar exausta. Já são mais de treze horas aqui…”

Um instante de silêncio. Tudo o que Ricardo pôde reconhecer foi o soluçar de Isabel.

“Desculpe…” – prossegui a pessoa. “Eu não devida ter falado nisso…”

“Vai terminar logo”, disse Isabel, como quem tenta parecer mais forte. Como quem precisa parecer mais forte.

Há quantas horas estavam ali? Treze? Foi isso o que disseram? Quanto tempo ainda tinham? Quanto tempo ele ainda tinha? Não iria demorar muito até que alguém desse a ordem para fechar o caixão. O sentimento de urgência invadiu suas entranhas, mas nem mesmo assim conseguiu se mexer. No entanto, uma coisa era certa: se não conseguisse recuperar algum movimento, se não conseguisse emitir um sinal mínimo de que ainda estava consciente, seria sepultado vivo. Agonizaria até morrer de verdade, sem ar. Pior seria se conseguisse se recobrar os movimentos quando já estivesse dentro do túmulo. Seu desespero seria ainda maior. Incapaz de sair, emitiria gritos que jamais seriam ouvidos.

“Ei, amigo velho… Rick…” – sussurrou alguém, arrancando-lhe de sua tortura silenciosa. A voz era de Fabiano, o velho Bibinho, que um dia fora seu melhor amigo. “Quanto tempo sem nos vermos, hein?”

Oito anos? Nove?

“Ficamos sempre combinando um encontro, como se diz por aí, um dia desses…”

Sem querer, Ricardo viu-se diante do amigo, aos nove anos de idade. Iriam participar de um passeio ciclístico. Organizaram-se como se fosse uma competição séria, com suas bicicletas paramentadas com números que eles próprios desenharam em papel sulfite. Quando sua mãe ralhou dizendo “vocês nem conhecem o percurso”, eles simplesmente deram de ombros e combinaram entre si que ficariam a uma distância pequena do primeiro colocado, para ter certeza de que estariam no caminho certo. Pouco antes do fim, quando a linha de chagada já pudesse ser vista, ultrapassariam o sujeito para serem consagrados como os mais jovens campeões da história de qualquer torneio sobre duas rodas.

Pensar nisso agora, na situação em que estava, fez Ricardo experimentar um gosto amargo. Não só pela infância irremediavelmente limitada a recordações, não só pelo fato de, quem sabe, jamais voltar a ver Bibinho, mas principalmente por perceber como a vida adulta pode envenenar amizades ternas com interesses mesquinhos. Arrependeu-se do dia em que decidiu aceitar uma sociedade com Fabiano em um negócio de serigrafia. Perderam dinheiro e a confiança um no outro. Ainda ouvia seu pai dizer; “Quer acabar com um bom amigo? É só tentar ganhar dinheiro junto com ele.”

O que houve com a gente, Bibinho?

Instantes depois, Fabiano partiu, dizendo “Fica com Deus, meu irmãozinho. Encontro você do outro lado.”

Cara, eu não vou morrer. Não é a minha hora.

Tratou de raciocinar. Provavelmente tinha sido vítima de uma espécie de catalepsia durante o sono. Ficara paralisado, inconsciente, o corpo enrijecido, tal qual um cadáver. Mas, se havia despertado, ainda que somente por dentro, era porque estava se recuperando. Sim, era isso. A recuperação era só questão de tempo. Em breve conseguiria se mexer. Tinha que ser otimista. Todos se espantariam quando ele se levantasse do caixão, triunfante. Levariam um susto danado, é verdade, daqueles que ninguém jamais esquece, mas ficariam aliviados. Falariam do ocorrido por anos a fio. O morto que se levantou.

“Pode ser?”, perguntou alguém próximo, com a entonação típica de quem está trabalhando e tem pressa.

“Cinco minutos? Pode ser?” – retrucou Isabel, visivelmente contrariada.

Cinco minutos? Cinco minutos para quê?

Percebeu então que duas mãos envolveram as suas. Reconheceu os dedos magros, as juntas ossudas. A aliança dela enroscando na dele.

“Meu amor…” – sussurrou ela, reprimindo as lágrimas. “Nós íamos ficar velhinhos juntos, esqueceu?”

Ricardo sentiu as costas de suas mãos molhadas e a respiração da esposa sobre elas. “A gente tinha um plano, lembra?”

Sim, o plano. Quando perceberam que iriam passar o resto de suas vidas juntos, doze anos antes, quando eram pouco mais do que adolescentes, Ricardo e Isabel firmaram um pacto. Ao raiar da velhice – não tão avançada a ponto de obrigá-los a usarem fraldas – iriam até a beira de um vulcão e mergulhariam lá do alto, de mãos dadas, para o mar incandescente de lava borbulhante, pondo um fim romântico, digno e instantâneo às suas vidas. Sem dores, sem saudades. Não suportariam viver um sem o outro. Tinham que morrer juntos. Exatamente juntos.

“Eu amo você… Eu…”

Eu também te amo, Belinha. Eu vou sair daqui! Eu vou. Ainda vamos fazer muitas coisas juntos. Nossa história só acaba na Costa Rica, ou no Havaí, ou onde quer que exista um vulcão…

Concentrou-se ao máximo para mover um dedo pelo menos, mas seu corpo teimava em não responder.

Isto é surreal… Eu não vou morrer. Não hoje, não hoje.

Súbito, sentiu o ar mais denso, pesado e úmido. O som ao redor ficou abafado e o odor nauseante das flores tornou-se insuportável.

O caixão. Fecharam o caixão.

Dominou o desespero crescente. Sufocaria ali mesmo? Perderia a consciência antes mesmo de chegar ao túmulo?

Não, não…

Foi quando se acendeu uma fagulha de esperança, traduzida em um formigamento no pé esquerdo.

Meu Deus, eu estou despertando. Eu estou me mexendo! Alguém abra essa tampa, pelo amor de Deus…

Ouviu quando depositaram o esquife sobre um carrinho. Conseguiu visualizar a cena. O féretro encimado por diversas coroas de flores, com dizeres do tipo “saudades eternas”, iniciando sua marcha fúnebre da capela ao jazigo da família. Tentou lembrar do trajeto, do tempo que levaria até lá. Dez minutos? Quinze, talvez? Quantas vezes já estivera naquele cemitério? Se fosse contar desde o primeiro, quando o avô morreu, já passavam de dez. Em meio ao silêncio, o ranger monótono das rodas foi substituído pelo som de um violão e uma voz carregada de tristeza.

“Segura na mão de Deus…

Segura na mão de Deus…”

Ah, essa música não! Não vou segurar nada! Não é a minha hora!

Percebia agora, nitidamente, que conseguia mover os dedos do pé. Sentia a pressão das flores – claro, estava sem sapatos.

Eu vou sair daqui, eu vou…

O mausoléu da família se situava na porção sul do cemitério, o que tornava mais penosa e sofrida a caminhada por quem acompanhava o séquito. Ricardo entretanto estava agradecendo ao avô por ter adquirido o terreno em uma quadra tão longínqua. Cada segundo agora era precioso. Já sentia o balançar do carrinho. Definitivamente estava se recuperando, ainda que não conseguisse enxergar. Sentiu-se enjoado com as mudanças de direção, ora para a esquerda, ora para a direita, mas viu nisso um bom sinal.

Vamos lá, pezinhos…

O cortejo então parou. Ricardo lembrou-se do local. Era uma construção que se destacava das demais por lembrar uma casa pequena, todavia com teto baixo. “Mortos não ficam de pé”, disse seu pai, certa vez, quando Ricardo, menino, mostrou-se curioso a esse respeito. Havia uma estátua de mármore – um anjo com uma expressão dura – guardando a entrada brandindo uma espada. Dentro do jazigo havia uma espécie de antessala, onde eram colocados vasos de flores e bilhetes de saudades. Logo à frente, gavetas de mármore com puxadores falsos, feitos de bronze, enfeitavam os túmulos. Sobre elas, fotos esmaecidas revelavam os ocupantes, suas datas de nascimento e morte.

Na cova mais profunda repousava o avô. Sua imagem sorridente junto ao epitáfio lembrava um ator de novela. Nem parecia que tinha sido consumido pelo câncer vinte anos antes. Logo acima estava a avó, que partira desta vida tão velha quanto uma pessoa pode chegar a ser, com o rosto tomado por rugas, as costas arqueadas pela artrite e as carótidas entupidas pela simples negação dela própria, nos últimos anos de vida, em adotar uma dieta saudável. “Para quê?”, costumava reagir quando alguém lhe sugeria comer frutas e salada ao invés de doces e carne gorda. “Meu marido já se foi. O que me segura aqui? Acha que ficar velho é bom? Pelo menos no fim da vida quero ter um pouco de prazer”.

No caixão fechado, Ricardo conseguiu mexer a mão direita, o suficiente para levantá-la a alguns centímetros. O esforço o exauriu. Sentiu o suor brotando da testa e escorrendo por trás das orelhas, empapando a gola da camisa.

A janela do caixão! Ninguém vai olhar para a janela do caixão?

Logo, percebeu que o esquife fora erguido. Instantes depois, escutou o caixão deslizar no cimento. Estava dentro do túmulo. Nesse momento conseguiu abrir os olhos. Piscou longamente e divisou uma réstia de luz insinuando-se pela abertura onde havia sido colocado. Em poucos segundos conseguiu enxergar a textura do interior do túmulo. Meu Deus, como fazia calor. Já era capaz de erguer o braço, quase tocava a tampa. Então ouviu alguém dizer, a entonação impregnada de conformismo:

“Nosso querido Ricardo foi chamado por Deus…”

Não, eu não fui! Pare de falar! Alguém me ajude…

“Não nos cabe aqui questionar as decisões do Criador, mas aceitá-las com resignação, sabendo que isso foi, de alguma maneira, o melhor para o nosso amado amigo, pai, marido…”

Eu questiono os desígnios! Não acredito nisso! Não vou ficar aqui!

“O Senhor é meu Pastor

Nada me Faltará.”

Não…

“Deitar-me faz em verdes pastos
Guia-me mansamente por água tranquilas.”

Força, seu idiota! Saia deste caixão maldito!

Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte,
Não temeria mal algum,
Porque tu estás comigo.”

Não vou andar por vale nenhum… Não agora…

Conseguiu tocar a tampa do esquife por dentro. E com ambas as mãos. Há esperança, há esperança!

Por que esse caixão não abre? Para que trancá-lo afinal de contas? Alguém tem medo que o morto fuja?

Seus braços pesavam uma tonelada, latejavam de dor, como se tivessem sido espremidos por um torniquete.

“Quer falar alguma coisa, querida?”

Apesar da urgência, Ricardo se deteve, como se pressentisse o que iria acontecer. O coração contraiu-se em uma dor apertada. Depois de um instante, surgiu a voz pequena, fraca, tal como um passarinho.

“Papai…”, começou a dizer, engolindo o soluço. “Eu… Eu… Espero que o senhor chegue logo no céu… Eu tenho certeza de que o vovô e a vovó vão cuidar bem do senhor… E… Não, espera, espera!”

Alguém tossiu nervosamente e então Beatriz prosseguiu:

“Eu só queria dizer uma última coisa…”

O silêncio foi tão grande que uma vida inteira poderia ter se passado. Ricardo não ousava se mexer.

“Como pode o peixe vivo viver fora d’água fria?

Como poderei viver,
Como poderei viver?
Sem a tua, sem a tua companhia?”

Espere minha filha! Eu vou sair daqui! Eu vou, juro que vou…

Conseguiu dobrar os joelhos. Talvez, se ajudasse com as pernas conseguisse forçar a tampa. Ainda tinha tempo, disse a si mesmo. Forçou coração, nervos, músculos, tudo o que podia. Percebeu, porém, quando a tênue luminosidade do túmulo começou a se esvair.

Oh, Deus, o coveiro…

Num átimo desesperado, viu-se esmurrando a tampa do caixão, os dedos das mãos se esfolando. A imagem do sujeito logo em frente, colocando os tijolos um a um, pacientemente, vinha carregada de terror e de esperança. Ele poderia ouvi-lo.

Tentou falar. Tentou liberar voz, gritar, mas tudo o que ouviu de si mesmo foi um guincho agudo e patético, coberto pelo chapiscar do cimento, espalhado com uma espátula velha, de cabo enferrujado, pronto para selar seu destino.

Espere, não… Espere…

……………………………………………………………………………..

Este conto foi escrito por Gustavo Araujo para o Desafio Literário de Setembro de 2013.

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43 comentários em “Paralisia (Gustavo Araujo)

  1. vitorts
    29 de setembro de 2013

    Senti-me agoniado do início ao fim. Conto muito bem escrito. Quando vi, já estava no final. Parabéns pelo texto.

  2. Felipe Holloway
    29 de setembro de 2013

    Lá pelo meio do conto, eu pressentia que esse seria um daqueles textos cujas muitas qualidades empalidecem os poucos defeitos. E não me enganei completamente. A única coisa que não foi possível empalidecer ao ponto da irrelevância foi a questão da simplicidade final do argumento. Num conto sobre enterro prematuro, há que se incrementar a condição angustiante com algo além da curiosidade sobre se o personagem conseguirá ou não sair daquela situação. No conto do Poe, o fator surpresa foi o beliche sem colchão. Noutro, creio que do Moacyr Scliar, cujo título esqueci, um personagem aparentemente cataléptico é salvo de ser eviscerado na mesa de necropsia ao escutar os flertes de cunho sexual trocados entre o médico legista e uma estagiária, e ter uma ereção. Claro que a comicidade não era o foco do seu conto, mas, tendo em vista que a resposta para a pergunta sobre se o personagem se salva ou não era “não” desde o início, senti falta de um elemento que ampliasse esse terror, fazendo-o ecoar na mente do leitor. Como, por exemplo, o de o personagem chegar à conclusão de que ele de fato “já estava morto”, e de que a existência post-mortem, afinal, não extinguia a consciência nem a liberava da jurisdição do corpo, apenas eliminava completamente a possibilidade de atuar sobre ele. Etc.

    Bom conto.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      As palavras do campeão merecem sempre uma atenção especial. Minha intenção foi fazer um conto fechado – em todos os sentidos da expressão – sem dar margem a muitas divagações. Queria criar uma atmosfera claustrofóbica e por isso senti que incrementos paralelos poderiam tirar o foco do leitor daquilo que realmente interessava. Para mim, o fato de o sujeito estar prestes a ser sepultado vivo (ou morto?) já seria terrível suficiente para criar essa angústia. Mas, pelo jeito, não foi, rs. Tampouco tentei me basear no Poe e muito menos no Scliar, cujos contos sequer li, mas hoje em dia é difícil ser original, não é verdade? Por outro lado, não sei se a resposta à pergunta essencial do conto era “não” desde o início. Para falar a verdade, eu só me decidi pelo destino do protagonista enquanto escrevia as últimas linhas. Confesso que cheguei a pensar num final como você sugeriu – tipo já-estou-morto-mas-acho-que-estou-vivo – mas enquanto escrevia considerei que talvez isso soasse previsível demais, de modo que acabei optando pelo fim abrupto, como quem sela uma porta e deixa quem está do outro lado sozinho com o seus desespero. De qualquer maneira, meu amigo, agradeço os minutos que vc dedicou para ler o que eu escrevi, mesmo não sabendo que o conto era meu. Obrigado mesmo. Abraços!

  3. Fernando Abreu
    28 de setembro de 2013

    Está bem escrito, tem o tom necessário para um conto de cemitérios e uma morbidez pesada que nos leva até o final com a curiosidade de um leitor de uma seção obituários de jornal. Não sei precisar, mas há alguma coisa que me incomodou no texto, acho que é o desencadeamento das ações.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Obrigado pela leitura, Fernando. E obrigado também pela observação quanto ao seu desconforto acerca desse aspecto do texto.

  4. Diogo Bernadelli
    28 de setembro de 2013

    Se fosse o excerto de uma história maior, a previsibilidade se justificaria. De toda maneira, embora ignore um fator-surpresa, este texto é um dos mais bem escritos e integra o hall dos melhores do concurso. Você sabe que o sujeito não tem escapatória, você sabe que qualquer esforço da sua parte não resultará em nada, você também sabe uma porção de outras coisas, todavia o autor mantém a condução do veículo em um ritmo que o obriga a acompanhar a viagem até o fim.

    “Como pode o peixe vivo viver fora d’água fria?

    Como poderei viver,
    Como poderei viver?
    Sem a tua, sem a tua companhia?”

    A propósito… isso foi golpe baixo, hahahaha!

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu, Diogo!
      O versinho funciona melhor com quem tem filhos, rs.
      Obrigado pela leitura e pelas palavras.
      Abraços.

  5. Leandro Barreiros
    26 de setembro de 2013

    Já definiram muito bem: angustiante.

    Parabéns para quem escreveu. Eu raramente torço por um final feliz e quando a filha tomou a palavra tive alguma esperança de que aconteceria. Ai de mim!

    Gostei bastante.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu, Leandro!
      Obrigado pela leitura e pelas palavras de incentivo.
      Grande abraço.
      P.S. No próximo desafio quero ver seu nome 🙂

  6. Maria Inês Menezes
    26 de setembro de 2013

    Envolvente! Uma mistura de temas musicais que deu uma aliviada na angústia da leituta. Muito bom!!

  7. Marjory Tolentino
    25 de setembro de 2013

    Juro que do início ao meio do conto eu ri. Ri muito, depois foi me dando uma angustia, uma coisa ruim… Deu vontade de gritar pelo personagem. Adorei o conto. Um dos melhores!

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Obrigado, Marjory.
      Pena você não ter votado, hahaha
      Valeu mesmo pelas palavras.
      Um abraço e até a próxima!

  8. Inês Montenegro
    25 de setembro de 2013

    Uma ideia simples, mas bem executada. O conto mantém o interesse e a angústia do leitor, sublinhada pelo conhecimento de que de facto houve situações destas no passado, e quem sabe também não haverá no presente (pelo menos com menor regularidade, ou assim gostamos de pensar).
    Com excepção de vírgulas a mais e um ou outro erro de digitação, a narração não tem nada que se lhe aponte.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Obrigado, Inês, pelas palavras oportunas e francas.
      Espero que você possa participar dos próximos desafios.
      Um abraço.

  9. Thais Lemes Pereira (@ThataLPereira)
    25 de setembro de 2013

    Que agonia! Leio contos desse tipo e fico o resto do dia revivendo os sentimentos. Isso é para mim algo muito interessante. Adorei. Parabéns!

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu, Thais.
      Espero que vc não tenha tido pesadelos.
      Obrigado pelas palavras.
      Um abraço.

      • Thata Pereira
        30 de setembro de 2013

        Ah, ainda fosse! Pesadelos são ótimas fontes de inspiração! Já estou me preparando psicologicamente para o próximo desafio! Abraços!!

  10. Rubem Cabral
    24 de setembro de 2013

    Bem escrito e tenso, muito tenso. No entanto, achei a história previsível e simples tbm.
    Gostaria de mais detalhes, talvez através de flashbacks, etc. Daria mais densidade ao texto.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Definitivamente, eu preciso pensar em algo menos previsível, hahaha. Pelo menos consegui gerar um pouco de tensão.
      Agora, é interessante esse lance de acrescentar flashbacks – tem gente que não curtiu as divagações e tem gente que achou pouco, rs.
      De todo modo, agradeço a leitura, meu amigo.
      Um abraço.

  11. Bia Machado
    24 de setembro de 2013

    Que angústia senti lendo esse texto! E está de parabéns por isso! Nem queira saber meu desespero durante a leitura, rs… Fiquei com muitas dúvidas durante a leitura: morreu mesmo? Não morreu, o coitado? Será que no final vai tudo acabar bem? Esse é realmente um triste fim, ainda mais com todas as percepções que ele sentia enquanto estava ali… Achei algumas falas meio “insossas”, não sei… E ri muito com a música escolhida para a hora derradeira, rssss… Parabéns!

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu pelas observações, Bia.
      Preciso melhorar o tempero das falas, então.
      Obrigado pela leitura!
      Um abraço.

  12. Marcelo Porto
    23 de setembro de 2013

    Denso. Mas sem surpresas. A história é angustiante e a narrativa é muito boa, consegue capturar o leitor.

    Não esperava um final feliz (torcia, mas não esperava), me senti um pouco decepcionado por não haver uma reviravolta, algo que piorasse (ainda mais) a situação do narrador.

    É um grande conto.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu, Marcelo.
      Da próxima vez, vou pensar em algo menos provável, mas igualmente denso.
      Obrigado pelo comentário.
      Um abraço.

  13. Emerson Braga
    23 de setembro de 2013

    sombrio e envolvente. Gostei.

  14. Sandra
    22 de setembro de 2013

    Que tortura! Que vontade de tirá-lo daquela urna… Pensei até que ele fosse passar direto pelo caixão e se perceber com um fantasma… Terno, claustofóbico, tenso. Quanto à forma, harmônico, coeso, gramaticalmente perfeito… Gostoso de ler. O dito “redondinho”…

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu, Sandra.
      Obrigado pelas palavras. Fico contente que vc tenha gostado.
      Um abraço.

  15. José Geraldo Gouvea (@jggouvea)
    22 de setembro de 2013

    Nítida influência do “Enterro Prematuro” do Poe, mas temperada com reminiscências familiares que dão ao texto uma identidade própria. Até agora o melhor que li. Nem tem muito o que dizer sobre esse texto.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Apesar de curto (para os seus padrões, JG), vou pedir para transcreverem o comentário nos meus assentamentos funcionais. Obrigado.

  16. Martha Angelo
    22 de setembro de 2013

    Um dos meus preferidos até agora! Prendeu minha atenção até a última palavra, a presença da família tornou tudo mais dramático, o efeito da menina cantando para o pai intensificou o clímax! Lembrei do Poe e do King! Parabéns!

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Valeu, Martha.
      Que legal que vc gostou.
      Obrigado pela leitura.
      Um abraço.

  17. feliper.
    22 de setembro de 2013

    No caixão ele está agonizando, isso traria a sensação angustiante do conto. A família aparece nos diálogos e torna a posição do morto algo corriqueiro, levando a história em outra direção. Li altos e baixos. O texto gramaticalmente correto, mas senti a falta de algum elemento.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Obrigado pelas observações, Rodrigues. Realmente, é difícil contentar todo mundo. O Rubem, p.ex, sentiu falta de mais flashbacks, assim como o Holloway. Vc já os considerou excessivos. Meu Deus, para onde eu corro, hahaha.
      Valeu pela leitura, meu amigo.
      Um abraço.

  18. Claudia Roberta Angst
    21 de setembro de 2013

    Também me lembrei dos contos de Edgar Allan Poe. Dá uma angústia, mas ao mesmo tempo um prazer de continuar lendo o desenrolar da história.

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Obrigado, Claudia. Que bom que vc gostou.
      Um abraço.
      P.S. Por favor, diga quem é Capitu!

  19. piscies
    21 de setembro de 2013

    Eita! Conto a lá Edgar Allan Poe! Me prendeu do inicio ao fim! Também fiquei pensando se o cara estava mesmo morto ou não, meu coração pesado torcendo para ele conseguir sair. Muito bem escrito, muito bem escrito mesmo. Excelente conto !

  20. selma
    20 de setembro de 2013

    gostei, fiquei presa, torcendo para ele conseguir sair! era real, estava mesmo morto? muito bem escrito! parabens!

    • Gustavo Araujo
      30 de setembro de 2013

      Obrigado pela leitura, Selma.
      Fico feliz com as suas palavras.
      Um abraço.

  21. Reury Bacurau
    20 de setembro de 2013

    Bem escrito e interessante. Fica a dúvida sobre ser real o que sentia o personagem ou não.

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Publicado às 19 de setembro de 2013 por em Cemitérios e marcado .