EntreContos

Detox Literário.

Jornada de Arte (Gustavo Araujo)

screamGuilherme era um menino de oito anos. Como todo garoto nessa idade, ele não tinha medo de nada. Ou quase nada.

Certa vez, decidiu que iria dar a volta no quarteirão com sua bicicleta. Sem perguntar a ninguém, foi lá e fez. Ele tinha, então, seis anos.

Em outra ocasião, resolveu que iria a pé até a casa onde vovô e vovó moravam. De novo, foi até lá sem comunicar a quem quer que fosse. Vovô e vovó levaram o maior susto, mas Guilherme achou o máximo a sua façanha. O problema foi que mamãe descobriu, como não podia ser diferente, e acabou ficando furiosa. Colocou o menino de castigo no quarto, sem televisão, sem videogame, sem nada.

— É para você pensar bem no que fez! — disse ela, fechando a porta.

Guilherme sentou-se na cama. Recostou-se na parede e encolheu as pernas, abraçando-as até que os joelhos encostassem em seu queixo.  “Que droga…”, pensou, contrariado. “O vovô e a vovó nem moram TÃO longe”. Olhava em volta, deixando-se divagar, enquanto mastigava sua frustração. “Da próxima vez eu VOU e VOLTO! E a mamãe nem vai ficar sabendo!”, prometeu a si mesmo, soltando o ar de suas bochechas, já entediado.

No quarto de Guilherme havia uma cama, onde ele dormia todas as noites – com exceção daquelas em que havia tempestades –, além de uma cômoda, onde eram guardadas as suas roupas. Tinha também um armário, onde papai guardava seus casacos e ternos, e uma escrivaninha, onde o menino fazia a lição de casa.  Ao lado da cama havia um baú, agora trancado, com brinquedos e revistas em quadrinhos inacessíveis. Guilherme quase podia escutá-los, suplicando para brincarem, o que só fazia aumentar seu sentimento de derrota.

Bufou novamente.

— Duas horas de castigo… Isso é MUITO tempo! — disse em voz alta, protestando para quem quisesse ouvir.

Quando se deu por vencido, começou a roer as unhas, em protesto, porque sabia que mamãe não gostava daquilo. Então olhou, quase sem querer, para o quadro acima da cômoda. Assim como outros em casa, também aquele tinha sido pintado por mamãe. Era só o que ela fazia. Pintar quadros. Que coisa mais aborrecida, pensava Guilherme.

Era um desenho de um grupo de garotos que empinavam pipas. Sobre eles, um céu alaranjado indicava um fim de tarde de sol. Ao fundo podia-se ver um bosque verdinho e também um rio, mas podia ser o mar também. Havia três meninos, mas Guilherme podia jurar que antes eram quatro. Tudo bem… Provavelmente, ele nunca tinha prestado muita atenção no quadro mesmo.

Os garotos, mais ou menos da sua idade, pareciam se divertir a valer. Guilherme sentiu inveja deles. “Ah, esses meninos sim, sabem o que é bom na vida”, pensou, sem deixar de roer as unhas, ainda com as pernas encolhidas. “Podem ir e vir quando querem. Nem sonham o que é castigo.”

Algum tempo depois, ninguém sabe dizer quanto, Guilherme, acordou. Tinha caído de sono sem querer. Mas, ao abrir os olhos, percebeu que não estava mais em seu quarto. O céu era alaranjado, o mais bonito que já tinha visto. Notou que um garoto de branco o fitava com atenção. Atrás, pôde perceber que outros dois travavam um duelo com suas pipas.

Guilherme sentou-se, não querendo acreditar no que tinha acabado de acontecer e, enquanto coçava os olhos, ouviu o menino perguntar: — Ei, você! Como é o seu nome?

— Meu nome é Guilherme… — respondeu, um pouco desconfiado, já emendando suas próprias perguntas. — Onde eu estou? Quem são vocês?

— Ora… Você sabe onde está — disse o garoto, com o ar mais natural do mundo. — Você está no quadro, onde mais? Não era isso que você queria? Brincar conosco?

— Sim, mas…

— Eu sou Eduardo. Aqueles são Piero e Felipe — apontou o garoto para os outros dois.

— Sempre achei que vocês eram quatro — disse Guilherme, levantando-se, afinal, batendo na própria roupa para tirar a poeira.

— Éramos quatro, sim, para falar a verdade — replicou Eduardo. Ele era mais baixo que Guilherme e tinha o rosto muito magro. — Havia também o Vicente, só que…

— Ele desapareceu na floresta — interrompeu Piero, se aproximando com a pipa debaixo do braço. Tinha os cabelos compridos. Talvez compridos demais para um menino, pensou Guilherme. — Um dia, a pipa dele caiu lá perto. Ele então foi buscar, só que nunca mais voltou…

— Por isso você não vê mais os quatro de nós brincando no quadro — completou Felipe, que tinha um grande nariz reto e mais ou menos a mesma altura que Guilherme.

— E por que vocês não foram atrás dele? — perguntou.

— Porque temos medo — respondeu Eduardo, um pouco envergonhado.

— Dizem que um homem velho e sem orelha mora por lá… Que ele rapta as crianças que encontra e as leva para sempre. Dizem que ele as obriga a montar pipas sem parar — explicou Piero, com o vento espalhando sua cabeleira.

— Ora, isso é bobagem — indignou-se Guilherme, levando as mãos à cintura. Ele se julgava muito corajoso. — Pois EU vou até lá, saber o que aconteceu de verdade com o amigo de vocês, como é mesmo o nome dele?

— É Vicente — repetiu Felipe. — Mas se eu fosse você, pensaria duas vezes antes de ir.

— Não seja medroso — retorquiu Guilherme.

— Aqui ninguém é medroso — interveio Piero. — Só não queremos desaparecer do quadro para sempre, como o coitado do Vicente.

— Pois eu não tenho esse problema — disse Guilherme, pondo-se a marchar em direção à floresta.

— Espere — disse uma voz. Quando Guilherme voltou-se, viu que era Eduardo, com seu rosto encovado que lhe dava uma aparência triste. — Vou com você.

Piero e Felipe ficaram assistindo enquanto os dois meninos se afastavam para a floresta, sob o céu alaranjado mais bonito do mundo.

Quando chegaram à floresta, Guilherme sentiu um arrepio na espinha. Calma, disse a si mesmo… Aquilo era um sonho. Nada mais. Com certeza ele estava dormindo, seguro em seu quarto. Nada podia acontecer com ele. Era só dar vazão ao sonho e descobrir o que tinha ocorrido com Vicente.

Eduardo aproximou-se dele enquanto árvores enormes se erguiam diante de seu olhos, como soldados mal-humorados. Mas logo os meninos chegaram a uma clareira. Bem, não era exatamente uma clareira. A partir dali a floresta parecia terminar. Não havia mais árvores, nem arbustos. Nem nada verde. O céu mesmo tinha agora uma nova cor, um azul claro, quase branco. À direita, ao longe, recifes encontravam o mar, mas era à esquerda, um pouco mais perto deles, que estava o que mais chamava a atenção. Em uma espécie de mesa de barro, um galho de árvore branco e seco trazia dobrado sobre si um relógio enorme. Isso mesmo, o relógio estava dobrado, como se fosse feito de pano, pendurado no galho como uma camisa velha. Na mesa, logo abaixo, outro relógio vinha caindo, flácido, sobre a beirada. Havia uma mosca sobre ele. Ao seu lado, repousava um relógio de bolso virado para baixo, com inúmeras formigas lhe atacando. No chão, um último relógio jazia escorrendo sobre uma pedra branca.

— Que são esses relógios? — perguntou, incrédulo, Guilherme.

Antes que Eduardo pudesse responder, uma voz vindo de trás, saindo das árvores, começou a falar: — São um sinal de como o tempo não corre aqui.

Era Felipe, o garoto narigudo, acompanhado por Piero.

— É sempre a mesma hora — continuou o menino. — Não importa o que aconteça. Repare como os ponteiros não se mexem, apesar do barulho do tique-taque. Aqui neste mundo, são sempre seis horas.

— Seis horas da manhã ou seis horas da tarde? — indagou Guilherme.

— Que diferença faz? — retrucou Piero, com um sorriso.

— Que bom que vocês vieram — disse Eduardo, com indisfarçável felicidade, não ligando muito para as explicações. Seu sorriso parecia rasgar-lhe o rosto, de orelha a orelha.

— Não podíamos deixar vocês procurarem Vicente sozinhos — justificou Felipe. — Afinal, ele é nosso amigo também.

— Bem, vamos andando, então — sugeriu Guilherme, ainda maravilhado com os relógios moles, que pareciam derreter diante de seus olhos.

Mais adiante, avistaram uma moça.

— Talvez ela saiba alguma coisa sobre Vicente e o velho sem orelha — apostou Piero, o garoto de cabelos compridos.

— Ei, moça! — gritou Eduardo, correndo na direção dela.

A mulher estava sentada em uma cadeira, no topo de uma pequena elevação. Vestia uma roupa marrom e tinha os cabelos escuros e lisos. Sobre a cabeça, usava um véu quase transparente. Suas mãos estavam cruzadas e sua postura era perfeita. O olhar, fixo no horizonte, era ao mesmo tempo distante e convidativo.

Os meninos subiram até ela e perceberam que dali tinham uma visão privilegiada da paisagem. Podiam enxergar montanhas, caminhos tortuosos, pontes e até o mar!

— Desculpe-nos, senhora, por interromper sua contemplação — atalhou Piero. — Queríamos saber se já ouviu falar do velho sem orelha.

A moça olhou para os quatro meninos diante dela. Sem alterar a expressão, devolveu a pergunta, com um sorriso enigmático que, para falar a verdade, nem parecia um sorriso: — Por que vocês o procuram?

— Ele raptou nosso amigo Vicente! — disse Eduardo com a maior convicção do mundo. — E agora nós vamos salvá-lo.

Bambini coraggiosi! — disse a mulher, com um sotaque engraçado, que os meninos não conheciam.

— E então, madame? — interrompeu Guilherme, já impaciente. — A senhora sabe que caminho devemos tomar?

A mulher suspirou, talvez um pouco contrariada com a falta de modos de Guilherme. Fitou o horizonte e, depois de uma eternidade, disse finalmente: — Sigam na direção daquela plantação de trigo.

Forçando a vista, eles enxergaram o trigal, amarelo como ouro, com corvos dando rasantes.

— Vamos lá, pessoal! — conclamou Felipe. — Não há tempo a perder.

— Obrigado, senhora! — disse Piero, fascinado com a beleza e com o ar doce e sereno daquela mulher.

Começaram a descer rumo ao vale. Passavam por uma plantação de girassóis.

— Vai ser muito fácil resgatar o amigo de vocês — comemorou Guilherme.

— Não faça festa antes da hora — sugeriu Felipe — nuca se sabe o que pode acontecer.

— Confiem em mim — disse Guilherme. Em breve vocês quatro voltarão a empinar pipa no quadro do meu quarto.

Quando se aproximavam de uma das pontes, o céu começou a ficar vermelho. Línguas de fogo pareciam fazer o firmamento dançar. O rio, antes cristalino, tornou-se azul escuro e furioso. Uma ventania anunciava a tempestade que chegava. Era a única coisa que deixava Guilherme com medo. Trovões surgiram e a ponte começou a sacudir. Assustados, os meninos se agarraram ao corrimão. Tudo começou a girar, num balé frenético em que o céu parecia derreter e a água a avançar sobre tudo.

— Deve ser por sua causa, Guilherme! — disse Piero, com a voz mais alta que podia. Segurava o corrimão com força e seus cabelos açoitavam o rosto.

— Sim! — completou Felipe. — Você não pertence a este lugar! Está na cara que isso tudo é para te expulsar daqui.

Angustiado, Guilherme não sabia o que dizer. Foi tomado por uma sensação de vazio, ansiedade e aflição. Não conseguia falar, tal a agonia. Apenas se agarrava à madeira, para não ser levado pelo vendaval. O céu parecia furioso agora e ele mal podia se aguentar. Exausto, enfim, foi vencido. A última coisa que viu foi Eduardo, com as mãos coladas ao rosto magro, os olhos arregalados, soltando um grito agudo e pavoroso.

Acordou em seu quarto. Estivera sonhando, disse a si mesmo. “Só pode ter sido um sonho. Muito real, mas um sonho apenas”, tentou se convencer. Estava suado, mas de certa forma aliviado por estar num local seguro.

Então, olhou para o quadro. Não havia qualquer garoto agora. Só o céu alaranjado, com o bosque ao fundo e o rio que podia ser o mar. Sem demora, saltou da cama, abriu a porta e correu para o quarto de mamãe. Ela estava pintando e ficou surpresa com a entrada do menino.

— O que é isso, Guilherme? Já de volta para o castigo!

— Mãe, por favor, pinte um quadro para mim! — suplicou o garoto, com a voz trêmula de urgência. — Um quadro onde apareça uma plantação de trigo. Com corvos voando! Por favor!

— Era só o que me faltava! — indignou-se mamãe. — Não esqueci o que você fez, mocinho.

— Ah, mãe, por favor! Pinte o quadro, sim?

— Nada disso, Guilherme. Você vai voltar para o quarto agora mesmo.

— Mas mamãe… Mãezinha querida…

Vencida pelo cansaço, ela fez uma proposta: — Não vou pintar o quadro, mas se você voltar para o castigo, te empresto um livro com uma porção de quadros pintados. Se você tiver sorte, pode ser que encontre algum como o que procura.

De volta ao quarto, Guilherme abriu o livro, grosso como uma lista telefônica. Passava as páginas com fúria, prestando atenção às obras. Muitas delas com cores vibrantes e outras que lhe pareciam vagamente familiares. Por fim, encontrou o que procurava: um quadro onde havia um trigal com corvos. Ele aproximou seus olhos da gravura e se concentrou o máximo que pôde. “Volte! Volte!” dizia a si mesmo. Mas nada aconteceu. Contrariado, tentou mais um pouco, até ser vencido pelo cansaço. E, novamente, caiu no sono.

Quando acordou estava diante do trigal. “Deu certo!”, pensou e saiu em busca de alguma pista do velho sem orelha. Caminhou um pouco até que avistou uma cabana. Perto havia um homem. Não era velho, então não representava perigo. Podia dar alguma informação.

— Ei, senhor, com licença! — Disse Guilherme, aproximando-se. O homem tinha a barba e os cabelos ruivos. Usava um chapéu para se proteger do sol.

— Sim, pois não? — respondeu de modo bastante educado, tirando o chapéu.

Nisso, Guilherme percebeu, horrorizado: o homem não tinha uma das orelhas.

— Quem é você? — gritou, fazendo cara feia, tentando disfarçar o medo. — Onde estão meus amigos Felipe, Piero e Eduardo? O que você fez com Vicente?

— Calma, garoto. Uma coisa de cada vez — disse o homem. — Para começar, EU sou Vicente.

Guilherme ficou estupefato. Aquilo era inacreditável. Vicente devia ser uma criança, como ele.

— Quanto aos seus amigos — prosseguiu o homem —, por favor, peço que me acompanhe até ali.

Entraram no casebre. Era um lugar muito simples. As paredes eram azuis. Havia uma cama pequena, de madeira, com um cobertor vermelho, além de duas cadeiras de palha e uma mesinha. Uma toalha jazia dependurada, além de casacos velhos. Quadros enfeitavam a parede, mas dava para ver que era um lugar triste.

— Há muito tempo não os vejo — disse, fitando o vazio, enquanto se sentava. Seus olhos eram azuis e distantes. — Costumávamos soltar pipas, sabe? Mas um dia eu me cansei e fugi. O tempo passou e eu nunca mais tive coragem de voltar e encontrá-los. Criei essa lenda para que ninguém viesse me procurar. Acho que meus amigos nunca precisaram de mim, na realidade.

— Ah, mas eles precisam sim! — interrompeu Guilherme. — E precisam agora, pois estão no maior apuro!

Dizendo isso, pegou o homem pela mão e sairam novamente. Analisando o horizonte, Guilherme apontou: — Por ali! Em direção à tempestade!

Chegaram de volta à ponte e o cenário continuava o mesmo. Os garotos ainda estavam lá. Eduardo gritava enquanto Piero e Felipe se agarravam ao corrimão. Guilherme sentiu a espinha se arrepiar uma vez mais. Nessa hora, olhou para Vicente, como quem procura amparo. O homem ruivo, então, tirou um pincel do bolso de sua camisa e começou a alterar o céu. Suas pinceladas pareciam golpes de espada, certeiros, impressionantes.

Transformou o vermelho do céu em azul e o encheu de estrelas em espiral, acalmando o vento. No alto, pintou a lua, amarela, brilhante, linda. Ao fundo, onde estava o mar, colocou casas iluminadas, aconchegantes. Um outro cenário, uma outra vida.

Os meninos se soltaram e antes que qualquer explicação pudesse ser dada, Vicente voltou a ser criança. Eles se abraçaram enquanto Guilherme assistia à cena, ainda incrédulo. Que mundo estranho esse dos quadros, pensou consigo.

— Eu sabia que podíamos contar com você Guilherme — disse Felipe, que com seu nariz grande parecia ainda mais orgulhoso.

— Foi por isso que te trouxemos do seu mundo — completou Piero, completamente despenteado.

— Você foi a nossa salvação — disse Eduardo, já recuperado, estendendo-lhe a mão. Agora tudo pode voltar ao normal.

Enquanto se cumprimentavam e comemoravam, Vicente abraçou Guilherme.

— Obrigado por me fazer voltar — disse ele, que agora era apenas um garoto ruivo, cheio de sardas. — Eu podia usar a mágica só uma vez, assim como eles, quando te trouxeram.

Guilherme acordou uma vez mais em seu quarto, ainda debruçado sobre o livro que mamãe lhe dera. Lentamente olhou para cima e viu, enfim, que tudo tinha dado certo. Ou quase.

No quadro, havia quatro garotos, felizes da vida, empinando pipa. Só que em vez de um céu alaranjado, emoldurava-lhes uma noite de luar.

Guilherme saiu do quarto e foi beijar mamãe. Um castigo daqueles merecia um beijo bem estalado.

………………………………………………………………………………………

Este conto foi escrito por Gustavo Araujo sob o pseudônimo “Guilherme Hopper” para o Desafio Literário sobre “Viagens no Tempo”

25 comentários em “Jornada de Arte (Gustavo Araujo)

  1. Bia Machado
    29 de outubro de 2013

    Eu gostei, bastante mesmo! Como professora de alunos de 7, 8 anos, tenho certeza de que eles gostariam de ler essa aventura do menino Guilherme… E como torci para ele conseguir ajudar os outros guris! Muito legal a homenagem a Van Gogh. Enfim, um texto encantador. Parabéns!

  2. Felipe Holloway
    29 de outubro de 2013

    Qualquer crítica minha a esse texto pode ser considerada um tipo de inveja criativa com uma boa margem de acerto. Isto porque em todas as vezes que tentei escrever para um público mais infantil, fui acusado de tudo, menos de ter sido bem-sucedido. Inclusive pelas crianças. Mesmo assim, acredito, justamente pela fé e admiração que tenho neste e por este conto, que seja importante enumerar suas duas maiores (talvez únicas) fraquezas: o princípio, que, realmente, como disse o JG, tem um quê telegráfico que pode afastar muitos leitores (além de ser complacente com reducionismos etários do tipo “como todo garoto de nove anos…”); e o finzinho (não exatamente a cena do beijo, que ficou bem bonitinha), que se dispõe a resolver um pequeno porém duradouro conflito de forma simplória demais até para os padrões da literatura infantil. Não usei o Word para contar as palavras, mas acredito que esta última deficiência possa se dever à premência dos 3500 termos .

    No entanto, como já disse, o conto é muito belo. Os passeios pelos quadros lembraram-me de uma cena d’O Mundo de Sofia, e a homenagem a obras e pintores (grande Vicente!) são é tão singela quanto a memória de uma manhã de verão soltando pipa em companhia dos amigos.

    Parabéns, muchacho ou muchacha. =)

  3. selma
    29 de outubro de 2013

    boa ideia, bom conto.

  4. Juliano Gadêlha
    26 de outubro de 2013

    Muito bom, adorei a viagem pelos quadros. Todo a narrativa é muito interessante, só o final merecia ser um pouco melhor trabalhado, achei um pouco piegas demais. A leitura é muito agradável, e é claro que tem toda essa atmosfera infantil, mas creio que pessoas de todas as idades que apreciam um bom texto saberão apreciar este aqui. Curiosidade: essa arte antes do texto (o garoto Eduardo em “O Grito”) é sua? Parabéns pelo trabalho.

    • Guilherme Hopper
      27 de outubro de 2013

      Oi, Juliano. A arte não é minha, não. Mas fico contente por você ter gostado do conto. Um abraço.

  5. Andrey Coutinho
    25 de outubro de 2013

    Que historinha cativante e divertida! 🙂 A ideia de viajar pelos quadros é sensacional. O desenvolvimento me deixou na expectativa de uma reviravolta que nunca veio, mas acho que isso foi mais devido ao meu condicionamento de leitor do que por culpa do texto propriamente. Na minha opinião, esse é um daqueles contos que merecem estar numa coletânea estilo “Para Gostar de Ler”. Bastante convidativo para crianças e com um certo sentimento nostálgico para adultos. Recomendo.

  6. José Geraldo Gouvêa
    23 de outubro de 2013

    Não consegui ir muito longe na leitura por causa da linguagem telegráfica e sem estilo, com muita repetição de vocabulário. Acredito que isto possa se referir a uma tentativa de escrever para um público infantil, mas, nesse caso, o texto está longo demais. Ou melhor, está longo demais para um público que precisaria de parágrafos curtos, vocabulário exíguo e frases sempre na ordem direta.

    Não vejo mérito literário na linguagem, e isto me broxou para o resto do texto.

  7. Gina Eugênia Girão
    23 de outubro de 2013

    Achei muito interessante a forma como o autor (ou a autora) deste texto usou a tal da ‘viagem no tempo’: quem a fez não foi a personagem principal do conto, mas o ‘velho’ – que era menino que virou velho que virou menino -, a personagem sobre a qual versa o conto paralelo (e que acontece no ‘quadro’). O céu enluarado do quadro, ao final, foi emblemático! Parabéns pela ideia! O que não me convenceu: crianças de 8 anos geralmente não dialogam com as características imprimidas no texto. As ‘licenças’ gramaticais podem ficar por conta da linguagem coloquial, acho…

  8. fernandoabreude88
    23 de outubro de 2013

    Pena. Esse conto é tão bonito, queria que fosse maior, mas ele acaba na medida certa. Tem uma aura infantil que o embala, essas referências à arte visual são muito bacanas e nos fazem sentir bem. Complicado o negócio da temática do mês, mesmo. Mas eu votaria, rã!

  9. Sérgio Ferrari
    23 de outubro de 2013

    Muito bom. Uma pena que não dá pra entrar no meu critério pessoal e portanto ser um dos meus votos, por motivos óbvios, né. Em todo caso, parabéns. No futuro, prenda-se mais ao tema. Não da pra dizer q ele não é importante.

  10. patriciario
    22 de outubro de 2013

    Me surpreendeu pela simplicidade. A boa descrição dos cenários e principalmente da personalidade do menino fez com que eu ficasse imaginando o conto durante dias, já que foram os elementos visuais que deram realmente vida a narrativa. O primeiro que li, e até o momento o melhor.

  11. Elton Menezes
    22 de outubro de 2013

    Sobre a história… Um belo conto de teor infantil, que abusa de fantasia para nos mostrar a história do menino que desafia um mundo de sonhos e artes. Houve porém certo grau de fuga ao tema já que a viagem ao tempo sequer é falada, exceto o envelhecimento do garoto diante dos outros que não chega a ser explicado. Num texto infantil isso se torna supérfluo, mas para o concurso era importante. Até porque, se o tempo não passava, como o garoto envelheceu?
    Sobre a técnica… Gostei muito do texto, com um narrador onisciente mergulhado na infantilização do texto. Mas há de se ter o cuidado de não tornar as palavras redundantes e mastigadas demais. Isso ocorre em especial no parágrafo que descreve o quarto: a cama onde dorme, o armário inde guarda a roupa… Ortografia está perfeitinha. O texto é gostoso de ler e parece tão colorido quanto se propõe.
    Sobre o título… É um gancho legal, mas não me soa um título apropriado para uma história infantil, ainda mais quando o texto é mais pueril.

  12. Thata Pereira
    21 de outubro de 2013

    Que delícia!! Tenho paixão por histórias assim. Eu sinto vontade de escrever um livro infantil, mas ainda não tentei. Acho admirável quem faz, pois sinto que eu teria dificuldades, principalmente com os diálogos que foi o que mais me chamou atenção nessa história. Encantada!

  13. bellatrizfernandes
    20 de outubro de 2013

    A única palavra que tenho para descrever é “delicioso”. Simples em todos os sentidos. Fácil de ler, fácil de entender, gostoso de acompanhar, personagens cativantes. Um dos melhores!

  14. Sandra
    18 de outubro de 2013

    Imagético, saboroso… Uma viagem, embora não seja no tempo (ou talvez não tenha captado), que vale cada linha. Adoro histórias infantis e creio que para chegar nesse estágio de simplicidade é preciso muita capacidade.

  15. Rodrigues
    16 de outubro de 2013

    Texto leve, organizado e ótimo para ler. Foi legal ir passando os olhos pela história, pescando as referências das obras (acho que boiei em algumas), torcendo pelo garoto. Daria um bom livro infantil ilustrado. Bacana, só não achei a viagem ao passado ou ao futuro. Parece que tudo acontece em um universo paralelo, na imaginação do garoto.

    • Ricardo
      18 de outubro de 2013

      Daria um livro infantil ilustrado MARAVILHOSO, Rodrigues! Pois, nesta obra, o menino-autor faz arte com duas “artes”: Literatura e, exatamente, Pintura.
      🙂

  16. mportonet
    16 de outubro de 2013

    Muito bom!

    Não sei se a moderação o aceitará no tema do desafio, mas vale cada letra.

    Gostei muito.

    Parabéns ao autor.

  17. Frank
    16 de outubro de 2013

    Hahaha…adorei! O que mais gostei até agora! Amo ler e escrever histórias infantis e essa conseguiu ser bacana e fazer referências ótimas à arte! Não sei muito quanto à viagem no tempo (se atende aos critérios), mas curti mesmo. Uma leitura fácil e saborosa. Meus parabéns!

  18. C.R.Angst
    15 de outubro de 2013

    Achei interessante o jogo de imagens, brincadeira com os quadros. Narrativa leve e infantil. Agradável leitura.

  19. rubemcabral
    14 de outubro de 2013

    Bonito o passeio do menino por várias pinturas famosas e o encontro com Van Gogh (ou os Van Gogh’s). Só não achei o conto exatamente aderente ao tema do desafio…

  20. Gustavo Araujo
    14 de outubro de 2013

    Um conto direcionado ao público infantil. Não estou certo de que há público para algo assim neste Desafio, mas de todo modo, achei válido. Talvez a narrativa esteja um pouco apressada, mas a premissa é interessante. Daria um excelente livro ilustrado, com toda certeza 🙂

  21. Ricardo
    13 de outubro de 2013

    É…
    Não me vem outra cena a não ser a deste autor passando em um coffeeshop de alguma sstraat estreita de Amsterdam, comprando uns space cakes e pirulitos silvestres e partindo para uma longa tarde de visitação ao Van Gogh Museum… rs!
    Gostei da viagem! Só me preocupa é não saber a idade do menino-autor, e se a mesma lhe permitiria desfrutar de todas estas guloseimas locais… Mas, enfim, valeu a pena pelo conto à lá Irmãos Grimm, ou melhor, Irmãos Grito!
    🙂
    Parabéns pela obra! Mamãe vai ficar orgulhosa!
    Ah… E ouvi dizer que açucar ajuda, viu…? 😉
    Bom retorno!

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Informação

Publicado às 13 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .