EntreContos

Detox Literário.

Resolver seu problema é uma questão de tempo para nós (Bia Machado)

conto-viagemNem dez da manhã ainda e ele já perdera a conta de quantas vezes praguejara: “Merda de vida!”

E era o dia do seu aniversário.

Era provável que quando voltasse do trabalho, esgotado e procurando o sofá e os óculos 3D – um dia ainda conseguiria comprar algo mais moderno, um dia… –, Mariellen avisaria que tinha chamado amigos e família para “um bolinho só, apenas para a data não passar em branco”. Um bolinho daqueles da padaria da esquina, com apenas duas cerejas em cima, as quais não lhe caberiam, pois “deixa para as crianças, querido, você nem gosta disso”, podia ouvir a voz da esposa, já esganiçada de tanto gritar com o casal de gêmeos que ela não abrira mão de ter, apenas porque “se a cota é de dois filhos, por que ter apenas um? São a melhor coisa da vida…”

Não conhecia pessoa mais antiquada que Mariellen. Quando se casaram, aquilo era uma qualidade. As moças andavam tão andrógenas demais, com esquisitices demais, não queriam casar ou, quando queriam, procuravam o serviço do governo disponível para tal finalidade, fazendo com que encontrassem o par perfeito, tornando tudo tão frio, tão… Ele queria algo à moda antiga, e Mariellen se mostrara como tal. Pena que ela levava a coisa a sério demais. Já tinha virado maldição.

Pensando novamente no bolo e nas duas cerejas, lembrou-se de que fazia muito tempo que não sentia o gosto de uma, ou de metade de uma. Para ser mais exato, desde que as crianças nasceram, há onze anos.

– 8 –

Naquele dia trabalhou da forma como sempre fez: por obrigação. A única coisa diferente foram os tapinhas e mais tapinhas nas costas – acompanhados de “parabéns, Silva… parabéns, Silva”, de gente e de androides que se achavam íntimos demais para tal gesto. Já não bastava seu superior ser uma dessas máquinas nojentas? Se pudesse, ele mesmo as desmontaria, peça por peça. Imaginou o chefe deitado em uma mesa e ele desmontando seus dispositivos, um a um, enquanto o androide indefeso agia tal qual seu antepassado criado por Kubrick: “Vamos conversar…”

Recebeu uma mensagem logo depois do almoço: “Waguinho, passo aí pra te pegar e a gente tomar umas! Kaio.”

Kaio? Por um momento a memória falhou. Foi aos poucos se lembrando a quem aquele nome estava relacionado: seu primo. Como poderia ter se esquecido dele? A impressão que tinha era a de não vê-lo há anos, tantos que a imagem do rosto do outro não chegava a se formar completamente. E acabou passando o resto da tarde tentando construí-la. O máximo de que conseguia se lembrar era de um Kaio menino, de seus oito anos.

Nem passou por sua cabeça recusar. Esperou pelo primo, estava mesmo precisando transgredir as regras. Não queria mais um aniversário com bolo da padaria da esquina e sem poder comer as cerejas. As cerejas do seu bolo. Que viesse o Kaio, mesmo sem um rosto definido.

Quando finalmente o expediente terminou, Silva transferia os últimos arquivos para a rede de backup quando seu chefe deixou um dispositivo em sua mesa de trabalho, apenas comunicando: “Este dispositivo não foi codificado corretamente, Silva. Refaça-o, temos que criptografá-lo ainda hoje.”

“Ainda hoje? Eu já estava indo embora… Esse processo leva horas.”

“Ouviu bem, Silva. Ainda hoje. Estarei em minha sala, caso tenha dúvida”, disse isso e foi em direção ao elevador, pois um de seus comandos era o que deixava bem claro que a última palavra era a dele, o que lhe dava aquela segurança, sentida de forma tão irritante por Silva, que quase gritou “Que merda de vida!” pela décima quinta vez, ou décima sexta, naquele dia. Foi tomado por um desespero que não sabia como conseguiria controlar.

Tomado de fúria, decidiu que daquela vez ele não faria o que lhe fora mandado fazer. Iria embora, sim, que se danasse o dispositivo, ele não ligava a mínima. Sairia, sim, e esperaria pelo primo na frente do prédio. No dia seguinte resolveria aquilo. Lapsos de memória estavam tão em moda como doença corporativa, ainda mais em meio aos executivos de grandes empresas, como a que ele trabalhava – bem, ele não era um executivo, apenas um analista de dispositivos, mas tentaria da mesma forma. Nem mesmo levou a pasta, agiu como se fosse comprar algo para comer e voltar para fazer o trabalho após o expediente.

– 8 –

Fazia cinco minutos que aguardava, olhando para seu comunicador à espera de alguma mensagem nova, quando ouviu alguém gritar de um carro, um veículo de última geração, dos mais caros quanto poderiam ser aquelas máquinas que faziam tudo quase que por si mesmas, não poluíam e podiam até voar, fugindo do trânsito caótico de São Paulo.

“Aqui, Waguinho! Sobe aí!”

Antes de fazer o que Kaio pedira, observou bem o rosto do homem que o chamava como se ainda fossem crianças. Nesse momento, sentiu como se todas as lembranças voltassem, de uma vez só. O que estava acontecendo com ele? Fosse o que fosse, estava contente em poder rever o primo.

“Vai subir ou não, cara? Vamos, ‘Seu’ Wagner! Tá precisando comemorar seu aniversário, não é isso?”

“É, estou mesmo”, foi tudo o que Silva conseguiu balbuciar. E entrou no veículo. Em pouco tempo chegavam a um dos prédios mais luxuosos da cidade, onde só morava quem podia pagar por tanto espaço, e espaço era algo que custava uma fortuna naqueles tempos.

“Quem mora aqui?”, perguntou Silva, não querendo acreditar na resposta que desconfiava que receberia.

“Eu. Ficou surpreso, não ficou? É, eu entendo. E você logo vai entender também.”

Sim, ele precisava de explicações. Kaio morava na cobertura do prédio. Uma cobertura onde o apartamento de Silva caberia dezenas e dezenas de vezes, nem adiantava calcular quantas. Foram para o jardim, na parte externa, cada um com uma garrafa de cerveja, ocupando duas espreguiçadeiras. Tomaram uns goles em silêncio. Silva tinha muitas perguntas, todas as possíveis. O que acontecera com seu primo?

“Não, eu não consegui isso tudo aqui traficando, ou roubando.”

“Se você diz… Eu realmente não consigo me lembrar de você nesses últimos anos. Você esteve em outra cidade e só está voltando agora?”

Kaio negou, explicando: “Eu sempre estive aqui. E agora que tenho dinheiro, vou contar como consegui isso tudo. Já adianto que parece fantasia, ficção das mais loucas. Mas não é. Eu sou a prova disso. E quero te ajudar a ter tudo isso aqui também.”

Silva ouviu as palavras do primo. Umas coisas loucas, como uma organização que recebia dinheiro, muito dinheiro, para mudar o passado da pessoa, com a intenção de fazer com que algo acontecesse diferente do que tinha acontecido na realidade.

“Tá brincando comigo, não tá? Tá cheirando o quê, me diz?”

“Nada, não tô cheirando nada, Waguinho. Até semana passada eu era um balconista de drive thru, lembra? Ah, claro, você não vai lembrar, mas você passava sempre por lá pra tomar umas escondido da Mariellen.”

“Por que eu não lembraria, se fosse a verdade?”, Silva o desafiou.

“Porque esse passado foi modificado, não existe mais. Agora é como se eu tivesse sido rico sempre. Essa é a verdade agora.”

“E como é que você se lembra?”

“Um efeito colateral. Não há como saber se a pessoa vai se lembrar ou não. Ela pode se esquecer de tudo. Não foi o que aconteceu comigo. Lembro de cada parte da minha vida antiga e miserável, a outra vida.”

“É, eu era muito pobre. A gente logo perdeu o contato, porque vocês não queriam nem saber da vergonha que era ter a gente como parente…”, lembrou Silva, tentando esquecer-se do pai contrabandista e da mãe viciada, peregrinando de clínica em clínica, humilhando-se para receber assistência do governo, para si e para seu filho.

Kaio puxou um cigarro enquanto ouvia uma máquina avisá-lo de que já fumara mais do que seu pulmão podia suportar.

“Waguinho, isso tudo foi criado a partir das modificações no meu passado, feitas pela Time Game…”

Time o quê?”

Time Game. É o nome da organização. E eu te trouxe aqui hoje porque agora posso te ajudar. Posso pagar sua reconfiguração temporal…”

“Reconfiguração temporal? Puta que pariu, Kaio, como é que eu posso acreditar nisso tudo, hein?”

“É só ir até lá, ver como a coisa funciona. Como eu ia mentir sobre uma coisa dessas? Vamos fazer o seguinte: amanhã você nem vai trabalhar, eu levo você lá para uma entrevista.”

“A essa hora, eu já devo estar despedido. E milhares querendo ocupar meu lugar e ganhar a porcaria que eu ganho”, explicou Silva.

“Pois a gente fecha da seguinte forma: se for tudo enganação, contrato você. Vai trabalhar pra mim.”

Silva deu de ombros. Aquilo tudo tinha lhe dado uma grande dor de cabeça.

“Acho que bebi demais, nem percebi que já mandei quase dois litros pra dentro…”

“Essa não é a verdade, primo. A gente bebia mais que isso toda semana. Você reclamava das brigas com a Mariellen por causa disso.”

Ficaram em silêncio, cada um com suas lembranças, ou memórias distorcidas. Kaio já tinha percebido que, de alguma forma, as mudanças em seu passado tinham afetado um bocado a vida do Silva, pois se na vida em que tinham crescido juntos os dois sempre davam um jeito de apoiar um ao outro, sendo tão parecidos, naquela situação nova aquilo não acontecia. Pelo visto, Silva deixara de ser Waguinho lá, na infância. Nunca mais ninguém o tratara daquela forma.

Naquela noite, ou madrugada, quando Kaio o deixou em casa, Mariellen já tinha preparado sua cama no sofá. Era ali que ele dormiria aquela noite, depois de ter deixado a todos esperando, nem adiantava discutir. Antes de se deitar, abriu a geladeira para tomar uma água e encontrou o bolo, quase intacto. Nem um pedaço tinha sido comido, a não ser uma cereja. A outra estava lá. Ele apenas passou o dedo no glacê e o experimentou, um gesto automático, sem conseguir sentir gosto algum. A cereja, porém, ficou lá. Ele não a merecia, afinal.

– 8 –

No dia seguinte, Mariellen não lhe dirigiu a palavra mais do que o necessário e isso somente depois dos gêmeos já terem saído para a aula.

“Ligaram do departamento pessoal da empresa, pedindo explicações do seu sumiço.”

“Estou vendo outro trabalho. Acho que não volto mais pra lá. A entrevista do outro foi ontem.”

“Deve ser algo importante, para deixar toda a sua família e amigos esperando, bem no seu aniversário.”

“É, acho que sim. Terei certeza disso hoje ainda. Tenho que voltar lá para mais uma entrevista, depois posso contar melhor, me desculpe.”

O olhar dela já dizia que as desculpas demorariam a ser aceitas. Apesar de achar toda aquela loucura do Kaio muito surreal, ele torcia para que fosse verdade, para que aquele dia sumisse, que sua vida fosse outra, onde daria menos explicações. Tudo aquilo estava errado demais.

– 8 –

O prédio onde funcionava a tal Time Game ficava bem no centro, era um dos mais altos na principal avenida de prédios comerciais. “Fica no 108° andar. Vou ficar esperando com o carro na plataforma do 90° andar. Te deixo lá e você sobe até a empresa sozinho.”

Diante da segurança do primo, Silva começou a desconfiar que aquela história de mudança de passado era mesmo verdadeira. E acreditou mais ainda quando se viu na sala de espera de uma sala completamente branca, onde uma recepcionista ginoide, dessas dos modelos mais econômicos, o atendera pedindo que “aguardasse um momentinho”.

Talvez tenha esperado quase uma hora. Estaria sendo observado? Talvez houvesse uma câmera embutida na ginoide. Assim que chegara, ela lhe pedira o cartão de identificação, registrando seu nome completo e seu número de RG. Com aqueles dados, poderiam saber qualquer coisa sobre ele, até as informações profissionais, ou tipo sanguíneo. Talvez o estivessem analisando, antes de fazerem contato.

“O senhor pode entrar agora”, a voz metálica da recepcionista o tirou das divagações e ele se apressou em cumprir a ordem, entrando pela única porta que existia além da principal.

Na outra sala havia apenas uma mesa retangular, duas cadeiras e uma tela, onde algumas imagens geométricas se formavam, transformando-se em outras, de tempo em tempo.

“Sente-se, Sr. Wagner Silva”, pediu uma voz que parecia vindo do aparelho. “Responda normalmente às nossas perguntas, poderemos ouvi-lo perfeitamente, não se preocupe.”

“Hã… Certo. Obrigado”, respondeu sentando-se na cadeira que ficava bem em frente à tela.

“Bem, Sr. Silva, tudo o que poderíamos saber do senhor já temos em nossos arquivos. No seu cartão de identificação consta, inclusive, que foi demitido ontem da empresa onde trabalhava.”

Silva sentiu raiva. Quanta agilidade! Ainda não tinha sido comunicado de nada! Os bastardos tinham agido rápido demais! Talvez fosse melhor assim.

“Certamente está aqui por alguma indicação”, a voz continuou. “Nossa organização não divulga o trabalho realizado. Na verdade, escolhemos nossos clientes em potencial. De outra forma, o senhor só poderia ter vindo por indicação de alguém que já fez uso de nossos serviços e ainda se lembra disso. Mais especificamente, o Sr. Kaio Alfredo Gianinni, seu primo.”

“Sim, foi ele quem me convenceu a vir até aqui e…”

“Explicando nosso trabalho, Sr. Silva, o que podemos dizer é que trabalhamos para algumas Organizações que precisam de nossos serviços, e para clientes em potencial, ou indicados. Ter vindo aqui convencido por um parente não o qualifica, mas o que pudemos perceber por seus registros é que o senhor tem motivos suficientes para querer mudar sua realidade atual, não é mesmo?”

Silva apenas concordou com a cabeça.

“Agora falta a sua versão para nos convencer totalmente de que poderemos trabalhar juntos.”

Talvez ele tivesse demorado vários minutos, ou talvez tivesse respondido instantaneamente, o fato é que não se lembrava desse detalhe.

“Quero ser rico, quero não ter nunca mais que me preocupar com dinheiro. Minha vida sempre foi sem perspectiva. Faço o mesmo trabalho há doze anos. Sou casado há doze anos. Cada dia percebo mais ainda que meu casamento tomou um rumo não desejado. Sou uma porcaria de pai há onze anos, talvez porque eu não quisesse mesmo ter filho algum. Não gosto das minhas origens, dos meus pais, fracos e limitados. Acho que são esses os motivos.”

A voz demorou certo tempo para responder.

“Bem, caso o senhor resolva mesmo contratar nossos serviços, não haverá como voltar ao presente como ele é hoje após o início do trabalho. Adiantamos que, no caso do motivo ser financeiro, não podemos prever o grau dos riscos dessa mudança. Algumas modificações possuem grau menor de risco, bem menor. Mas no seu caso, pelo que já apuramos, teremos que iniciar as mudanças ainda em sua infância, e talvez antes dela, e depois analisar o que ocorreu e fazer as correções necessárias no que tiver sido gerado, mas preferimos acertar logo na primeira incursão, pois uma modificação ocorrida põe em risco esse nosso presente atual, onde o senhor nos procurou. Consegue compreender?”

“Sim… Acho que sim.”

“Não pode apenas achar que sim. Precisa ter certeza, Sr. Silva. Então, a partir de agora, o senhor é quem define o tempo. Nossa secretária enviará ao seu correio eletrônico uma proposta contendo o valor que cobraremos por nossos serviços e os dados para realização da transferência. Feito isso, bastará apenas que nos responda, por meio eletrônico mesmo, enviando um arquivo com sua assinatura digital, comprovando que pagou de livre e espontânea vontade pelo trabalho, assumindo todos os riscos provenientes dele. Por enquanto, não temos mais nada a tratar, Sr. Silva. Tenha um ótimo dia.”

– 8 –

Ele já tinha lido o conteúdo todo da mensagem vezes e vezes seguidas, em silêncio, quando Kaio resolveu falar.

“Não se preocupe com o valor, ele tinha que ser alto mesmo, mas tenho certeza de que vai valer a pena.”

O valor era maior do que ele ganharia em dois anos de trabalho.

“Como você conseguiu pagar isso, Kaio, na época?”

“Vendi um carro que não era meu, e não entreguei a mercadoria. Transferi a grana direto para a Time Game e não me preocupei em ser detido. Afinal, dormiria em uma cela e acordaria em uma vida nova, onde nada daquilo mais existiria.”

“É tão rápido assim?”

“No meu caso foi sim. Eu percebi as alterações no tempo antes mesmo disso.”

“Como?”

“Oscilações de energia que não cessavam, a realidade à minha volta às vezes se desfigurava… É um troço foda, cara, mas não me arrependo não. Como me arrependeria, se agora tenho tudo o que preciso?”

“Essa é a questão: arrependimento. Tenho medo de me arrepender. Hoje daria tudo para mudar a minha vida… Não sei, não sei mesmo, cara…”

“Só poderá se arrepender se conseguir se lembrar de tudo o que aconteceu. Mas acho que terá mais arrependimento ainda se não fizer. Eu não tinha mulher e filhos como você, mas serão mudanças que afetarão de forma boa todos que estiverem à sua volta, tenho certeza disso. Bem, quando se decidir, se você se decidir por tentar, é só avisar, primo. Qualquer coisa, já sabe: vamos trabalhar juntos. Pode tranquilizar a Mariellen quanto a isso.”

– 8 –

Quatro dias depois, ele ainda pensava no que realmente deveria fazer. Tinha aberto o arquivo todos os dias e lido, tentando prever quais seriam as mudanças, ou dizer a si mesmo que devia se esquecer de tudo, que não precisava mais tomar aquela decisão, agora que seu primo estava rico e poderia trabalhar com ele, em condições melhores, um salário melhor… Pensava nos filhos. E se, de alguma forma, eles saíssem prejudicados com aquilo tudo? Até mesmo Mariellen, não queria que nada lhe acontecesse, se isso fosse necessário para alcançar seus objetivos preferia deixar tudo como estava.

Foi a esposa, no entanto, que fez com que ele tomasse a decisão de uma vez por todas. No quinto dia, acordou de manhã e deu de cara com a esposa e os gêmeos sentados na sala, ao lado de várias malas.

“Estou rescindindo nosso contrato de relacionamento, Wagner. Vamos para a casa da minha mãe, depois trataremos dos detalhes com relação a nossos filhos. Acho que é o melhor a fazer, você e eu sabemos disso.”

Ele se sentiu um lixo. A mulher fizera o que ele não tivera coragem de fazer: ir embora. E agira de uma forma estranha, como se estivesse cansada dele, da sua falta de ânimo, de suas reclamações e sua falta de iniciativa.

De certa forma, ele também estava.

Passou uma mensagem para Kaio: “Faça a transferência para a Time Game, por favor. E me deseje sorte.”

Logo o primo respondeu, avisando que estava tudo certo. Transferiu a declaração com a assinatura digital, com uma ressalva de que não aceitaria as mudanças que pudessem incorrer em prejuízo para sua esposa ou seus filhos. Estava quase certo, porém, de que aquela cláusula não significava muita coisa. Apenas faria com que sua consciência ficasse um pouco mais tranquila, enquanto ela pudesse estar, enquanto se lembrasse disso. A empresa respondeu, não alegando objeções. É claro que não iriam se opor a algo tão… incerto.

Foi até a cozinha e abriu a geladeira. Ainda havia um pedaço de bolo guardado. E uma cereja.

“Agora dane-se tudo, está feito”, pensou, comendo-a. Depois se deitou, com a intenção de levantar dali apenas em outra realidade.

Em outra vida.

– 8 –

Um barulho que não cessava. Um apito ao longe, repetindo de tempos em tempos. Um gosto estranho na boca, provocado por um objeto que não conseguia definir o que era. Quis se virar, não conseguiu. Uma fraqueza como jamais sentira impedia-o de sequer levantar um braço para verificar o que tinha entre os lábios. Com muito esforço abriu os olhos.

Viu os rostos de Kaio e Mariellen. Seu irmão e sua cunhada o fitavam, silenciosos.

“Espere aí… Ele não é meu irmão… Ela era… Era a minha mulher… Era?”

“Cara, sinto muito. Muito mesmo”, falou Kaio. “Se pudesse, daria todo o dinheiro da nossa família pra você não ter que passar por isso…”

Diante do esforço de Wagner em falar, sem sucesso, Mariellen pousou a mão no rosto dele.

“Tudo bem, Wagner, não se canse… Esteja certo de que sairá logo daqui, com todos os movimentos perfeitos… Ainda precisa ensinar seus sobrinhos a esquiar, lembra?”

“É, e o champanhe mais caro estará guardado pra quando você puder tirar esse tubo aí da boca.”

Wagner olhou os dois, atônito, os pensamentos voltando a se organizar. Aquele agora era o seu presente, a nova realidade. Ele era o tio de seus filhos. As lembranças lhe diziam que tinha sido adotado, quando criança, pelos pais de Kaio, cresceram como irmãos. Não se casara. Tinha dinheiro, fama e sucesso como piloto de Fórmula 21. Teve todas as mulheres que quis. Viajara por muitos países. Fora feliz, até sofrer o acidente de carro, bêbado, jogando com a própria sorte.

Aquilo não podia ser verdade.

“Waguinho, o que foi?… Enfermeiro! Enfermeiro! Rápido, por favor… O coração dele… parou de bater?

…………………………………………………………………..

Este conto foi escrito por Bia Machado sob o pseudônimo “Danton Clarke” para o Desafio Literário sobre “Viagens no Tempo”

Anúncios

52 comentários em “Resolver seu problema é uma questão de tempo para nós (Bia Machado)

  1. Bia Machado
    30 de outubro de 2013

    Primeiro, muito obrigada aos que comentaram o conto. Eu tinha outras ideias para o concurso. Mas resolvi participar com esse por um motivo: ele é um romance, ainda não terminado, que tenho guardado aqui no meu HD. Alguns capítulos prontos, estrutura completa, mas sem final. Não resisti à tentação de fazer um conto dele, postar aqui, para ver o que me diziam da ideia. No caso, ainda não tinha um final para o romance. E ainda não tenho, pois é claro que não usarei o mesmo final que usei aqui. E que só usei como recurso para não passar o limite de palavras (eram mais de 4000, aí fui diminuindo, diminuindo o que deu…), mas tirar mais do que tirei não dava…
    Eu nunca assisti ao “O Vingador do Futuro”. Mas li há uns três anos o conto que deu origem ao filme: “Podemos recordar para você por um preço razoável”, algo assim. Achei ótimo, é um dos meus preferidos do Dick, rivalizando com “A Terceira Variedade”. Sim, ele foi uma das minhas bases para o texto, e além dele, também usei como suporte um conto de S. King, onde um homem procura uma empresa que promete fazer com que ele pare de fumar a qualquer custo. A qualquer custo MESMO, rs… Bem, é isso. Cada comentário teve imenso valor, em sua maioria. Até mesmo porque esse romance inacabado estava guardado aqui há mais de dois anos! A partir dos comentários defini várias mudanças já, agora é continuar trabalhando pra finalizar da forma como pensei… Ou melhor! 😉

    • Ricardo Gnecco Falco
      30 de outubro de 2013

      Maravilha, Bia! Muito bom podermos contar com estes feedbacks, né não? Boa sorte na finalização do romance!
      E parabéns pela obra! 🙂

      • Bia Machado
        30 de outubro de 2013

        Obrigada, Rick! ah, agora me lembrei de algo que queria te perguntar: você achou que os diálogos ficaram “masculinos o suficiente”? Tenho essa neura quando escrevo fala de personagem homem, rssss…

      • Ricardo Gnecco Falco
        30 de outubro de 2013

        Bia, se eu te falar que aqui no Rio “cara” é usado tanto por e para homens quanto mulheres você pode até estranhar… O que mais me passou o gênero das falas foi a rapidez das cenas; a “desnecessidade” de maiores detalhes e, claro, um palavrãozinho aqui outro ali também ajudaram um pouco. Mas está tudo bem verossímil.
        O mais engraçado de tudo que achei foi o fato de nós dois termos meio que “roubado” um pouquinho no concurso (rs!), pois meu “conto” também foi uma “pequena adaptação” de um romance que escrevi e, confesso, buscava obter o feedback à respeito da forma atemporal utilizada nele. 😛
        Sobre o comentário dos nomes, eu tenho mesmo uma coisa com eles… Por ser músico, sempre busco fonemas que tragam (pelo menos para mim) algumas das características psicológicas das personagens. Sou muito ligado nisso. Mas não é nada que desabone a construção de um texto devido aos fonemas dos nomes das personagens… rs! Eu é que sou meio doido, mesmo…! 🙂
        Abrax!

      • Bia Machado
        30 de outubro de 2013

        Ah, eu falo muito “cara” também, rs. Mas estava falando mais era nessa questão que você comentou, como um todo, juntando tudo isso e jogando no liquidificador, rs… Sério que aprontamos a mesma coisa? hheheheh, depois vou lá reler o seu conto! 😉

      • Ricardo Gnecco Falco
        30 de outubro de 2013

        😛

  2. Juliano Gadêlha
    25 de outubro de 2013

    Gostei bastante do texto, a história me lembrou um pouco “O Vingador do Futuro”. Uma leve escorregada na escrita como já foi apontado aqui, mas no resto o texto foi muito bem redigido. Para mim, a narrativa vai melhorando, e o final me surpreendeu. Eu só optaria por terminar o texto em “O coração dele…”. Pensei também que a trama poderia ser mais intrigante se ele descobrisse que o primo sacaneaou a vida dele. Mas o conto ficou muito bom mesmo, parabéns!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Juliano, muito obrigada por seu comentário! Fiz uma resposta geral aqui mesmo, explicando sobre o processo de criação do conto, se quiser ler… Quanto ao primo dele sacanear com o Wagner, infelizmente não dá… Há dois anos vejo os dois como amigos-irmãos… o.O

  3. fernandoabreude88
    24 de outubro de 2013

    Gostei da história toda, o personagem é engraçado e odioso ao mesmo tempo, gosto de autores que criam protagonistas assim. História mirabolante, me lembrou um filme em que uma empresa fabricava a vida da pessoa, não era bem isso, mas era por aí. Algo me desagradou ali pelas últimas linhas, mas não vem ao caso. Bom conto.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      É por aí, Fernando, rs… Sim, o final foi só pra encerrar ali mesmo, deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…

  4. Andrey Coutinho
    23 de outubro de 2013

    É um conto repleto de informação. Os detalhes sobre o futuro, androides, os laços familiares de Wagner, a história de vida de Kaio… A história como um todo está ótima, apesar de aparentemente sofrer com as limitações impostas pelo desafio. Com certeza o autor tem capacidade de desenvolver em cima dessa versão do texto e transformá-lo numa narrativa longa fascinante. De qualquer forma, aprovado!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      É o que estou fazendo, Andrey, obrigada por seu comentário. Sobre a narrativa longa, deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…

  5. Sérgio Ferrari
    23 de outubro de 2013

    Caramba…. muitos elogios sobre a escrita a galera fez. Tudo bem, vou ser do contra agora. Muita repetição de palavras, os três primeiros parágrafos foram sofríveis… As moças andavam tão (+) andrógenas demais(+), com esquisitices demais(+), não queriam casar ou, quando queriam, procuravam o serviço do governo disponível para tal finalidade, fazendo com que encontrassem o par perfeito, tornando tudo tão frio, tão… Ele queria algo à moda antiga, e Mariellen se mostrara como tal. Pena que ela levava a coisa a sério demais(+).

    Os nomes dos personagens escolhidos a dedo, dedo podre. Silva, Wagninho, Mariellen… tipo, destoa…destoa, destoa de toda a referencia cinematográfica que no caso achei bem chata e despropositada. A construção da escrita também uma coisa bem louca, né….tipo:

    Tinha aberto o arquivo todos os dias e lido, tentando prever quais seriam as mudanças, ou dizer a si mesmo que devia se esquecer de tudo, que não precisava mais tomar aquela decisão, agora que seu primo estava rico e poderia trabalhar com ele, em condições melhores, um salário melhor… Pensava nos filhos. UFFF UFFF UFFF ÔAaa rsrsrs Vamos respirar e jogar menos reticências. Isso foi recorrente ao longo do conto.

    No fim das contas…a ideia não foi boa.

    É um concurso, torço pelo melhor sempre. … melhor sorte no futuro!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Oi, Sérgio, obrigada pelos comentários. Quanto aos “demais”, os dois primeiros foram propositais, era esse efeito que eu queria mesmo. O terceiro passou batido, mas já retirei do texto depois do seu aviso. Quanto aos nomes, qual o problema? Não é Wagninho, é Waguinho, um primo chama o outro pelo apelido, há algum problema nisso? Acho mais do que normal. Só o primo o chama assim, apesar de terem crescido. Silva é um sobrenome como outro qualquer. Mariellen é comum e era isso o que eu queria: nomes bem comuns. Mas… coisa mais simples é mudar nomes em um editor de texto. Explicando minha “construção de escrita bem louca”: desespero para fazer caber em 3500 palavras algo que está maior do que isso.

  6. Elton Menezes
    22 de outubro de 2013

    Sobre a história… Achei espetacular toda a criação. Um verdadeiro jogo com o tema, com uma construção incrível, em crescendo, que vem alimentando nosso imaginário. Como seria bom poder reconstruir e desconstruir assim, certo? Claro que não! Justamente por isso o resultado da história é algo mais desastroso do que o imaginado. Eu previa que algo ruim viria… Mas fiquei me perguntando se não haveria uma cobrança maior, no futuro, sobre quem mudasse a própria vida. Mais do que as ironias do destino, quem é responsável pelo Time Game deve ganhar algo ainda maior que não foi dito no texto… A alma, talvez?
    Sobre a técnica… Um texto muitíssimo bem escrito, com um narrador onisciente maravilhoso, que tem uma opinião sarcástica sobre tudo e nos brinda com lirismo na hora certa e agilidade quando necessário. Ortografia limpíssima.
    Sobre o título… Acho que ficaria perfeito e no ponto se fosse apenas “Resolver Seu Problema É Uma Questão de Tempo”, porque soaria totalmente dúbio e irônico.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada pelos comentários, Elton. Sobre os reais propósitos da Time Game, só posso dizer que no romance (deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…) é uma “empresa de fachada”, quase um divertimento para o seu dono. Que não é desse mundo, rs. Ah, sobre o título, esse “para nós” eu ainda acho necessário, para dar o tom comercial de uma empresa… Exemplo, agora que tenho uma editora e eu sou a dona e única funcionária, rsss… Ainda assim me refiro à editora como se fossem muitos… Em correspondências, por exemplo: “Somos uma editora etc. etc…”, ou algo do tipo “A Caligo é uma editora…” É isso…

  7. Gina Eugênia Girão
    22 de outubro de 2013

    Adiantando-me (como tive vontade de fazer na leitura deste conto, o tempo todo): só não gostei do final – a morte do Silva é saída fácil, soou meio moralista. O início me convidou (isso é danado de importante) e o estilo – apesar dos muitos diálogos – me convenceu a ficar mais, a despeito da antipatia pela personagem principal – humano e falho, espelho de todos nós (aviso que ‘saquei’ a armação do primo quase de saída, mas é porque sou desconfiada, sim). Parabéns!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      É, o pior é que eu gosto desse Silva assim mesmo, cheio de falhas, rs… Mas essa de “armação do primo” que você disse, eu não entendi, rs… Sobre o final, deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto. E muito obrigada por comentar! 😉

  8. José Geraldo Gouvêa
    20 de outubro de 2013

    Apesar de uma inspiração um tanto óbvia em “Total Recall”, o texto consegue ser criativo porque manipula bem as suas referências, que parecem incluir “O Céu Pode Esperar” e, talvez, “Freejack”. É uma pena que seja um texto tão carregado de referências cinematográficas, em vez de literárias.

    Porém não é comprometido em momento algum por erros de linguagem ou falhas de desenvolvimento. O autor demonstrou segurança e conseguiu conduzir a história até o fim, aproveitando todo o espaço disponível (3498 palavras, incluindo o título, 3500 incluindo o pseudônimo!!).

    Esta segurança, aliada à credibilidade do personagem, compensa a trama fantástica, mas isso não devo criticar, pois a culpa é minha se detesto o tema “Viagem no Tempo”.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Nossa, assisti uma vez a “O Céu Pode Esperar”, quando era criança… “Freejack”, nunca, assim como “Total Recall”. Minhas referências são literárias mesmo. Deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto… No mais, muito obrigada! 😉

  9. bellatrizfernandes
    19 de outubro de 2013

    É sempre perigoso brincar com o tempo, mas parece que ninguém nunca aprende! Gostei do conto, apesar do protagonista me parecer um pouco radical demais.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada por comentar, Bellatriz! 😉 Deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…

  10. Claudia Roberta Angst (C.R.Angst)
    17 de outubro de 2013

    Realmente, o protagonista não inspira muita compaixão, então o leitor não se decepciona com o seu final. Aliás, torce por isso. Apesar de longo, o conto é de fácil leitura pois a narrativa prende a atenção.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada pela leitura e comentário, Claudia! Deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…

  11. dibenedetto
    15 de outubro de 2013

    Não tenho o que dizer quanto ao texto em si: bem escrito. E o Philip K. Dick deve ter sido influência mesmo, tanto na história quanto no título.

    Mas pô, uma empresa que tem mesmo esse tipo de poder sobre o tempo, ia ganhar grana de um jeito tão ordinário? Hehe. E o final ficou apressado.

    No mais, curti. Parabéns.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      É, Dibenedetto, não imagina o quanto me ajudou com esse questionamento seu. Esse conto está sendo escrito em forma de romance, e um dos meus problemas era justificar isso… E quando fiquei pensando no que perguntou, acho que consegui uma saída… Que não poderei contar, claro! =P E o final foi feito para o conto, o do romance será outro, claro. 😉

  12. TONINHO LIMA
    14 de outubro de 2013

    Gosto de personagens odiosos e mesquinhos. Talvez por isso fui até o final do conto, com curiosidade e um certo envolvimento com a trama. Um conto que valeu a pena ler. Valeu.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada, Toninho! 😉 Deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…

  13. Frank
    14 de outubro de 2013

    Gostei bastante da narrativa! Coitado do looser do Wagninho…rs. Muito bacana!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      😉

  14. Rodrigues Araujo
    11 de outubro de 2013

    O estilo é o ponto forte deste conto. É simplesmente fácil de ler, e cada linha te deixa ansioso para saber a próxima e a próxima, me peguei querendo descer com rapidez, pulando até algumas passagens.. rs. Bom enredo, dotado de humor e certa dose de ironia, personagens perdedores e, por isso, cativantes, algumas cervejas e por aí vai… Apesar disso, não gostei do final trágico, que destoa de toda a verve satírica do começo.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Bem, o final não ficou como eu queria, mas na verdade foi feito para o conto, para caber no limite, rs. Esse texto está sendo escrito em forma de romance, e não será esse o final, garanto! Obrigada pelo comentário! ;D

  15. rubemcabral
    10 de outubro de 2013

    Gostei bastante da trama bolada, achei a escrita também fluida. Esperava, no entanto, mais história depois da modificação temporal. Então, o final me decepcionou, pois foi meio apressado, talvez pela já citada limitação de palavras.

    Não me incomodei pelo Wagner soar simpático ou não. Achei ele bem construído e humano (com mais falhas do que qualidades).

    Ah, gostei do título também. Lembrou-me os títulos do Philip K. Dick.

    Bom conto!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Bingo, Rubem! E quanto ao final, foi o que consegui pra caber no limite, mas no caso do romance – é, esse conto é um recorte de um romance que estou escrevendo! – o final é outro. Que ainda não sei qual é, hahahha, mas suspeito um pouquinho… Deixei uma resposta geral aqui nesse tópico, se puder ler, explico melhor por que resolvi participar com esse conto…

  16. Inês Montenegro
    9 de outubro de 2013

    Wagner não é “likable” para o leitor, pelo que o final não incomoda muito, além de ser previsível. No entanto, gostei da abordagem do tema, o conto encontra-se bem estruturado e a narração também é aprazível.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada por seu comentário. O Wagner é um coitado mesmo. Dá dó dele, rs.

  17. Gustavo Araujo
    9 de outubro de 2013

    Gostei da história. É uma trama bastante criativa, bem bolada mesmo, ainda que seja possível adivinhar-se o final. Percebi que em alguns trechos o autor “correu” um pouco com a narração – seguramente tentando fugir da limitação de 3500 palavras. Realmente, é difícil fazer um conto com tantos detalhes caber nesse máximo. Se fosse realmente possível a modificação do passado, teríamos um número infinito de universos, cada qual com suas possibilidades, relações e tudo mais é aí que reside a mágica da história. Há, alias, cientistas que defendem teorias a esse respeito. Bacana mesmo a história.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Valeu, Gustavo! 😉

  18. Gilnei
    8 de outubro de 2013

    Trama muito bem bolada e descrita.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada, Gilnei.

  19. mportonet
    7 de outubro de 2013

    Me lembrei da Rekall do Vingador do Futuro.

    A trama em si tem muito potencial, mas a narrativa está arrastada e coalhada de furos (comum em quase todas as histórias de viagem no tempo), por causa do excesso de diálogos expositivos que tentam explicar muito.

    Outro fator que me incomodou foi o protagonista, o cara é um fracassado e merece isso. Não gosta dos filhos (está subentendido que pensou num aborto), não suporta a mulher e é um Zé Ninguém na empresa.

    Em nenhum momento o texto me fez ficar do lado dele, pelo contrário. Fiquei o tempo inteiro buscando algo para gostar do cara e não consegui captar nada que me fizesse torcer por ele, o que me tornou indiferente ao seu destino.

    Faltou trabalhar melhor as motivações e os personagens, isso pra mim impactou negativamente na trama.

    • Elton Menezes
      22 de outubro de 2013

      Pois achei o protagonista fantástico. Extremamente anti-herói, realista e atual, não busca o apoio do leitor. Soa mais como um “serei bom pra você, leitor, quando minha vida mudar”. Acho que coube perfeitamente.
      MINHA OPINIÃO! hahahaaaha

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Bem, essas pessoas fracassadas, que não gostam da vida e são um zero à esquerda existem. Gosto de personagens nesse estilo, até me divirto escrevendo sobre eles… Sobre a narrativa estar coalhada de furos, agradeço se me apontar esses furos. Esse texto é um recorte de um romance que estou escrevendo, esses apontamentos seriam de grande valia, apesar de eu lhe assegurar que para o conto suprimi muitas coisas, é claro, tentando organizar da forma como dava em 3500 palavras…
      E só para finalizar, nunca assisti ao filme “O Vingador do Futuro”, mas li o conto que o originou, do Dick, é um dos meus preferidos. E obrigada por seus comentários.

  20. Gostei muito dessa parte: “Ele apenas passou o dedo no glacê e o experimentou, um gesto automático, sem conseguir sentir gosto algum. A cereja, porém, ficou lá. Ele não a merecia, afinal.”

    Adorei o conto! É claro que no meio fica óbvio que algo ruim irá acontecer ao Wagner, mas não me incomodei com isso. Um dos meus preferidos até agora.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada, Thais, pela leitura. 😉

  21. Bia Machado
    7 de outubro de 2013

    Que tamanhão esse conto! Comecei a ler com medo, mas nem senti. Gostei, gostei muito da leitura. Como disseram, poderia até serem acrescentadas mais coisas, tem muita coisa boa aí! Quanto aos nomes, achei engraçados, rs.

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      E olha que eu não menti, hahahaha!

  22. Ricardo
    7 de outubro de 2013

    Tirando o nome escolhido das personagens (não sei se o autor buscou alguma referência externa), gostei muito do estilo de narração empregado neste conto. O autor poderia, facilmente, transformá-lo em algo mais extenso, pois a sensação que fica é exatamente aquele (bom) desejo de “quero mais”. Muito bem escrito, diálogos verossímeis e domínio de prosa. Parabéns pela obra!
    Recomendo a leitura!
    🙂

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Sobre os nomes… Complicado, porque eu os chamo assim há dois anos! rsss… Sobre esse “algo mais extenso”, deixei um comentário geral aqui no tópico, se tiver interesse em ler, explico melhor! Muito obrigada! ;D

  23. selma
    6 de outubro de 2013

    muito bom! ideia bem trabalhada, historia que envolve; não gosto de palavrões no meio, mas tento relevar; já havia previsto que o tal waguinho iria se dar mal, mas achei que acabou muito depressa. gostaria de mais tempo para chegar ao final. parabens! ah, por favor, não use esse termo:”nuca gostei”…é feio!

    • Bia Machado
      30 de outubro de 2013

      Obrigada pela leitura, Selma! E valeu pela observação do “nunca…”, tinha passado batido.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 6 de outubro de 2013 por em Viagem no Tempo e marcado .