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Literatura que desafia.

A Partida – Clássico (Franz Kafka)

kafka

Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria. O criado não me entendeu.

Fui pessoalmente à estrebaria, selei o cavalo e montei-o. Ouvi soar à distância uma trompa, perguntei-lhe o que aquilo significava. Ele não sabia de nada e não havia escutado nada. Perto do portão ele me deteve e perguntou:

– Para onde cavalga senhor?

– Não sei direito – eu disse –, só sei que é para fora daqui, fora daqui. Fora daqui sem parar; só assim posso alcançar meu objetivo.

– Conhece então o seu objetivo? – perguntou ele.

– Sim – respondi – Eu já disse: “fora-daqui”, é esse o meu objetivo.

– O senhor não leva provisões disse ele.

– Não preciso de nenhuma – disse eu. – A viagem é tão longa que tenho de morrer de fome se não receber nada no caminho. Nenhuma provisão pode me salvar. Por sorte esta viagem é realmente imensa.

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13 comentários em “A Partida – Clássico (Franz Kafka)

  1. Ottla Franziska
    11 de novembro de 2016

    Tenho aqui uma tradução que me aparenta ser melhor que a tradução que foi publicada.

    A Partida, Franz Kafka;

    Eu ordenei que meu cavalo fosse tirado do estábulo. O servo não me entendeu. Eu fui por conta própria ao estábulo, selei meu cavalo e o montei. Ouvi na distância uma trombeta soar e perguntei a ele o que aquilo significava. Ele não sabia de nada e não tinha ouvido nada. No portão ele me parou e me perguntou:

    – Para cavalga, senhor?
    – Não sei direito – eu disse – Só sei que para fora daqui. Fora daqui. Fora daqui sem parar. Só assim eu posso alcançar meu objetivo.
    – Conhece então o seu objetivo?
    – Sim – respondi – eu já disse: fora daqui, esse é o meu objetivo.
    – Você não está levando nenhuma provisão de comida – ele disse.
    – Eu não preciso de nenhuma. – eu disse. – A viagem é tão longa que eu devo morrer de fome se não receber nada no meio do caminho. Nenhuma provisão pode me salvar. Por sorte é mesmo uma viagem verdadeiramente imensa.

  2. Leda Spenassatto
    13 de janeiro de 2016

    “Ordenei que tirassem meu cavalo da estrebaria” Fui pessoalmente a estrebaria.
    Ficou um quê de onde estavam patrão e subordinado, ao mesmo tempo. que a conversa parecia na cozinha, no entanto, o subordinado já estaria na estrebaria e ao mesmo tempo no portão. Ficou faltando alguma coisa.
    Boa Sorte!

  3. Piscies
    13 de janeiro de 2016

    A mensagem do conto é bem bonita. A saída da zona de conforto; do status quo. A não conformidade com o presente; a vontade de mudar. A necessidade de simplesmente começar a mudança, sem pensar em planejamentos, sem levar muito tempo. A necessidade de ser ajudado no caminho, significando que não podemos atingir muitos objetivos sozinhos.

    A escrita não está muito agradável mas não sei se é problema da tradução. Li o conto em inglês e a escrita não parece muito melhor. Infelizmente, não entendo alemão para apreciar Kafka na sua forma original.

  4. Eduardo Selga
    12 de janeiro de 2016

    Acredito que esteja faltando a parte final.

  5. Karla Kélvia
    12 de janeiro de 2016

    Kafka genial

  6. Fabio Baptista
    12 de janeiro de 2016

    Putz… acho (e espero) que teremos melhores microcontos aqui na quinta-feira. kkkkkkk

  7. Davenir Viganon
    12 de janeiro de 2016

    “Não vamos colocar meta. Vamos deixar a meta aberta, mas quando atingirmos a meta, vamos dobrar a meta”

    Só consegui lembrar dessa frase… hehehehe

    • Thata Pereira
      13 de janeiro de 2016

      Só consegui pensar nisso também! (rs)

  8. Ricardo Labuto Gondim
    12 de janeiro de 2016

    Magistral.

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Publicado às 12 de janeiro de 2016 por em Clássicos e marcado .