EntreContos

Detox Literário.

O Vaso Milenar (Marco Piscies)

Marcus fechou o livro e respirou fundo, navegando pela sensação que o assomava sempre que terminava uma leitura. Levou algum tempo até que se levantasse da poltrona e pusesse o livro de volta na estante, onde ficaria pela eternidade. Aos poucos voltava à realidade, lembrando-se de onde estava. Ao seu redor e acima, uma miríade incontável de livros seguia em um espiral que subia os trinta e cinco andares da torre. Uma pessoa levaria o tempo de uma vida para terminar de ler mesmo os livros de um só andar. Ainda assim, conforme caminhava pelas estantes, Marcus reconhecia-os quase todos, tendo lido um sim, um não. Passara tanto tempo naquele lugar que saberia responder onde estava qualquer escrito, perguntassem por título ou por autor.

Súbito, os pensamentos que tentava evitar voltaram a assaltar sua mente. A leitura o ajudava a fugir daquele tipo de reflexão, mas o efeito parecia durar apenas enquanto estava imerso nas páginas de um livro. Agora, a agonia que sentia voltava. Tentou desfazer os pensamentos que se formavam e a primeira coisa que lhe veio à mente foi uma boa refeição, algo que não fazia há dias. Pôs-se a caminhar até a despensa, sem pensar direito na rota que traçaria até lá.

O Vaso ficava no corredor que ligava a despensa e a cozinha com a biblioteca e a sala de estar.

Quando alcançou a interseção os olhos dançaram até ele e os pés interromperam a caminhada inconscientemente. Estava a poucos passos de distância. A luz do sol refletia pela torre inteira através de espelhos para encontrar aquela saleta e iluminar com toda a força a beleza de sua porcelana. O Vaso não era grande. Poderia abraçá-lo sem esforço. Tinha duas alças laterais e era de um tom creme que, sob a luz constante do sol, lembrava o ouro embaçado da coroa de um rei. Na superfície constavam desenhos em baixo relevo: histórias do tempo e do lugar em que foi manufaturado. Falavam de seu criador, e também de quem o levara até ali. Acima de tudo, porém, as gravuras falavam sobre o seu conteúdo.

Sem notar, Marcus deu um passo em sua direção.

O Vaso tinha uma tampa. Era simples e parecia fácil de abrir. Fora ele quem o tampou; disso ele lembrava. A tampa agora o convidava. Marcus queria sair dali; queria deixar o vaso livre novamente. 

Mas era ele, afinal, quem queria abrir O Vaso? Ou era o artefato quem o compelia com pensamentos de uma liberdade falsa?

Notou que estava a meio caminho de cometer um erro. Resolveu sair dali em um rompante.

A refeição funcionou. Dormir também funcionou. Ler mais livros, tomar um bom banho quente na cisterna; observar o exterior da torre através dos vitrais intransponíveis. Tudo isso funcionava por algum tempo. No fim, porém, seus pensamentos sempre voltavam aos mesmos lugares: à solidão de estar ali; à saudade de tudo o que o mundo poderia oferecer; às possibilidades que jamais conseguiu explorar.

Tudo se resumia ao maldito Vaso.

Levou mais três anos – o que eram três quando se tinha dois mil? – para tomar a derradeira decisão. Certo dia acordou e sequer calçou as sandálias. Andou em uma rota retilínea – quase robótica – até O Vaso e, antes que se arrependesse, abriu-o.

 

 

Perdida em memórias, Pâmela desfrutava de um jantar quase perfeito. O sabor tinha um tom divino, algo que não experimentava há eras. Seu quarto no hotel era uma cobertura diante da Avenida Atlântica; estadia que custava mais do que muitos não ganhariam em um ano. Estava sentada do lado de fora, aproveitando a carícia do vento e a visão privilegiada da baía. As vestes de seda caíam perfeitas sobre a pele, os pés estavam esticados sobre um escabelo tão aconchegante quanto a poltrona onde se sentava. De fato, se havia algo que a incomodava e que tornava a noite um pouco aquém da perfeição era o maldito calor.

Sentia falta do clima mais ameno da Macedônia, ou até mesmo da neve do Monte Olimpo, a qual gostava de sentir com os pés desnudos. Tinha saudades do som aconchegante do crepitar de uma lareira e do conforto das roupas grossas de pele animal. Mas aquela era outra época; uma em que ainda usava o seu primeiro nome e quando sua personalidade era tão diferente de hoje quanto o mundo inteiro havia mudado desde então. O aprendizado e a evolução de seu caráter foram tão drásticos que sequer sabia se o que sentia era saudade ou a simples admiração por uma pessoa que não ela mesma.

Apesar da dificuldade para adaptar-se ao clima, estava gostando de sua estadia na América Latina. O nome “Pâmela” soava bem, diferente de alguns que teve de assumir na Europa. Não sabia por que havia adiado uma viagem pelo mundo por tanto tempo. Enquanto levava mais uma garfada à boca e se deliciava com a comida impecável, perguntava-se para onde iria depois. Estava indecisa entre Argentina e Chile, mas havia uma constante que atrapalhava os seus planos.

Sete anos.

Tudo ficará melhor, ela travava uma conversa consigo mesma, queria que eles ainda estivessem vivos para presenciar o que tanto negaram que aconteceria. Queria que vissem com os próprios olhos a “que tudo tira” tornar-se a “que tudo presenteia”.

“A salvadora da humanidade.”

Pâmela sorriu com aquele título autoconferido. Apenas os deuses – eles mesmos duvidosos daquela empreitada – a veriam triunfar. A certeza de que Zeus se contorcia de raiva no Olimpo já era mais do que suficiente para fazer toda aquela espera valer a pena. 

Como de praxe, porém, com a sua incômoda tendência ao azar, ouviu duas batidas na porta de seu quarto enquanto ainda sorria com o vislumbre do próprio triunfo.

– Sim?

– Sou eu, Madame – era a voz grave de Cedálion, seu companheiro há eras, falando no grego antigo como sempre.

– Entre – ela respondeu na mesma língua.

A porta quase não fez som ao abrir. Pâmela ouviu os passos de Cedálion atravessando a sala de estar e alcançando o piso de madeira da ampla sacada.

– Está quente, Madame. Não gostaria de entrar para o ar-condicionado?

– Você quer mesmo que eu te lembre que odeio essa coisa?

Ela pôde sentir o sorriso do companheiro às suas costas mesmo sem fitá-lo.

– O que o traz aqui a esta hora, Cedálion?

– A senhora tem uma visita.

Pâmela precisou de um segundo para processar a informação. Ela não recebia visitas. Nunca.

– Não entendo…

– É Marcus, minha senhora.

Ela o encarou com olhos incrédulos.

– Você deve ter confundido com alguém.

– Tenho certeza de que é ele.

Cedálion mantinha seu costumeiro semblante impassível, o sorriso uma lembrança distante. Pâmela afundou o corpo na poltrona, sem querer acreditar no que ouvia, mas com a plena certeza de que Cedálion jamais mentiria sobre aquilo. Já não queria olhar para o companheiro; na verdade, não queria a companhia de ninguém.

Sete anos. Sete malditos anos.

– Sabe, Cedálion, às vezes eu esqueço que você está aqui não por mim, mas por eles.

– A madame sabe que isto não é verdade. Os deuses não precisam de olhos para vigiá-la.

Mas precisam de alguém ao meu lado para manter constante a humilhação, ela pensou. Como não recebia sua resposta Cedálion pigarreou, ao que ela suspirou.

– Mande-o entrar.

– Agora mesmo.

Poucos minutos depois surgia diante dela um Marcus confuso e de passos desconfiados. Cada metro conquistado era acompanhado por olhares para todas as direções. Ele pareceu demorar para entender que deveria se sentar; na verdade, demorou mesmo para reconhecê-la. Quando o fez, os olhos se abriram em certo espanto e começou a falar em latim – língua que ela não ouvia há séculos.

– Pandora?

Ela não pôde recebê-lo com a costumeira polidez. Se abrisse a boca, tinha medo de devorá-lo vivo. Fuzilava-o com olhos de fogo, algo que Marcus parecia ignorar, tão vislumbrado estava com os arredores. O homem continuou a tagarelar sem notar a situação na qual se encontrava.

– Dois mil anos fazem tudo mudar… não é? Estas luzes são… cegantes.

Pandora levou algum tempo para se recompor.

– Você se acostuma. O que esperava? Carroças, esterco e latrinas ao céu aberto?

Marcus finalmente entendeu que havia feito algo de muito errado quando notou o tom de voz de Pandora.

– Você mencionou que eu poderia sair após mil anos… – ele se apressou em lembrá-la.

– Sim, mencionei.

– Esperei que algo acontecesse após o primeiro milênio, mas nada aconteceu. Eu não queria mesmo sair. No início achei que aquele era o lugar perfeito para se viver para sempre, por isso fiquei mais tempo. Mas enfim, estou aqui.

O homem ainda desviava o olhar quando algo que não conhecia vinha ao campo de visão.

– Então… onde está a recompensa a mim prometida? – ele emendou.

– Não haverá recompensa, Marcus.

– Eu não entendo.

– Você passou novecentos e noventa e três anos lá.

– Isto é impossível! Com certeza passei mais de dois mil anos na torre…

– Como sabe disso?

– Eu contei… – mas a voz do homem já não era segura.

– Como? Não havia dia nem noite. Não haviam relógios.

– Eu dormi… – Marcus se perdia nas palavras.

– Você não precisava dormir. Dormia por quê assim desejava, mas não por que necessitava.

– Mas… a sensação…

– É algo arbitrário – ela o interrompeu – algo subjetivo. A mente é facilmente manipulável. Você falhou comigo, Marcus. Falhou com toda a humanidade. Faltaram-lhe sete anos.

Àquilo o homem não tinha resposta, então calou-se, mergulhando em um profundo silêncio. Pandora estapeou a mesa em um rompante, fazendo prato e talheres tilintarem.

– Sete anos! Sua cria de…

Ela queria estrangulá-lo mas conseguiu reunir forças para se conter. Voltou a sentar. Seguiu-se um silêncio pontuado apenas pelo vento que uivava pelas portas de vidro. Nenhum dos dois ousava olhar nos olhos de seu interlocutor. Por fim, após toda a informação ter afundado em seu entendimento, Marcus indagou:

– O que vai acontecer agora?

– Cedálion o acompanhará até a saída.

– Mas…

– Se eu ouvir mais uma palavra vinda de você, eu o jogarei daqui de cima. Agora saia!

Cedálion pôs uma mão sobre o ombro do romano. Marcus dirigiu um último olhar a Pandora, mas ela sequer se dignava a encará-lo novamente. A testa enrugada da mulher, porém, era sinal claro de que a ira se mantinha e sua última frase não era um blefe. Tentando manter consigo o resquício de honra que ainda havia nele, Marcus livrou-se da mão de Cedálion, levantou-se e foi ele mesmo até a saída.

Apenas quando ouviu o som da porta no batente foi que Cedálion puxou uma cadeira para se sentar ao lado de Pandora. Não olhou para ela; ao invés disso, aproveitou o peso do momento para refletir e, como sua senhora fazia anteriormente, aproveitar a brisa do mar e a vista da Cidade Maravilhosa.

– Ele não vai aguentar um mês aí fora – comentou o companheiro D’aquela que Tudo Tira.

– Não sei. Talvez ele dê a sorte de alguém que realmente saiba latim encontrá-lo tagarelando pelas ruas e revelá-lo como um grande fenômeno ou coisa parecida.

– Isto não vai acontecer.

– Da forma como eu carrego azar para tudo o que toco? Provavelmente não. É de supor ele morrerá nas ruas, um pedinte considerado louco e roubado de tudo o que um dia teve.

– Ele teve muito mais do que a maioria. Viveu o tempo de muitas vidas. Não creio que tenha do que reclamar.

Pandora não o respondeu, mergulhando em um novo silêncio perturbador. Amaldiçoava em pensamentos, vez após vez, o conhecimento de Zeus sobre a própria criação. Ainda lembrava de quando foi até Ele, aflita, pedindo uma chance para redimir o próprio erro. As memórias eram claras como as do dia anterior. Ela se ajoelhou, após dias com a mente tão atribulada que sequer desejava se alimentar. Exigiu justiça. Exigiu a oportunidade de desfazer o que fora senão uma tramoia do Deus Pai, usando como argumento o fato de ela ter sido apenas uma ferramenta de vingança, mas que toda a aflição do mundo agora pesava em seus ombros. Atena compadecia-se dela. Afrodite também. Exceto alguns casos específicos, as mulheres do Olimpo tinham o conveniente costume de unir-se, especialmente quando o objetivo em comum era desafiar o próprio pai.

A resposta que Pandora obteve foi rápida e veio junto a um sorriso do qual ela deveria ter desconfiado.

O vaso só pode ser aberto por uma mulher, e só pode ser fechado por um homem – Zeus esclareceu – Todos os males que dele saíram voltarão a ele após mil anos em que permanecer fechado. Na primeira hora do primeiro dia após o milésimo ano, todos os males do mundo serão revogados. Não haverá mais sofrimento, fome ou guerra. Sua sina, então, estará cumprida e você, por fim, estará livre.

Pandora lembrava de ter sorrido naquele momento. Estava feliz em simplesmente ter uma chance. Os detalhes que foram explicados a ela em seguida pareciam apenas aquilo: detalhes. Não sabia que tornariam a tarefa digna de um dos trabalhos de Hércules:

O homem que fechar o vaso deve permanecer dentro da torre, sozinho, até que os mil anos se passem;

Se o vaso for aberto antes do tempo determinado, todo o tempo em que permaneceu fechado será perdido;

O homem que permanecer dentro da torre não poderá saber da passagem do tempo de nenhuma forma; ele também não envelhecerá, nem sentirá a vontade de dormir ou de se alimentar;

Por fim, Pandora, você ficará condenada a viver até que a tarefa seja cumprida, preparando a torre para a estadia do escolhido como desejar antes de convidá-lo a entrar.

Na sacada, Cedálion partilhava com ela o silêncio.

– É a quinta vez que você senta ao meu lado após um momento como este – ela quebrou o silêncio em um súbito raciocínio – e nunca sequer disse “eu avisei”.

– A senhora não acredita quando digo que estou ao seu lado, não importa quantos séculos se passem – e, após uma longa pausa, emendou – creio que, como você, eu também acredito nos homens.

– Você não acha que os deuses estão caçoando de nós? Não acha que Zeus sabia muito bem da própria criação para deixar que eu sequer tentasse isso?

– Faltaram sete anos para Marcus, senhora. Enquanto a senhora tem a tendência de achar que eles estão festejando e rindo de nossa situação em algum lugar do Olimpo, eu gosto de pensar que Zeus acaba de sentar em seu trono e secar uma gota de suor que aos poucos se formava em sua testa há algumas dezenas de anos. Gosto de imaginar que, neste exato momento, ele teme por quanto tempo o próximo que a senhora escolher poderá permanecer na torre.

Pandora voltou a sorrir. Sim, imaginar o Deus Pai sentado em seu trono aliviado por ter ganho mais mil anos de espera era ruim mas, ao mesmo tempo, reconfortante. Quase cômico, ela diria. Se ainda vivesse em sua vida anterior ela gargalharia, mas a Pandora mais velha tinha prioridades claras diante de si. Tinha que começar a trabalhar para encontrar o seu próximo candidato.

Ainda havia esperança.

19 comentários em “O Vaso Milenar (Marco Piscies)

  1. Leandro Soares Barreiros
    29 de março de 2019

    A narrativa começa com um homem solitário em uma torre. Há certa indecisão no personagem sobre abrir ou não um vaso. Com o desenrolar da história, descobrimos que o vaso é na verdade a caixa aberta por pandora e que ela tenta reverter o mal que causou à humanidade escolhendo um homem para vencer um desafio proposto por Zeus.

    A história está muito bem escrita, estabelecendo mistérios no início sem cometer o erro de explicar tudo o que se passa. Tanto a história de Marcus quanto a de Pandora funcionam bem de maneira isolada, podendo ser entendidos mesmo como pequenos contos em si.

    A única coisa que me incomodou um pouco foi Marcus ser retratado na segunda parte como simplesmente um peão sem muita personalidade. Seria legal tê-lo visto amargurar a sua falha, não tanto pela falta de recompensa, mas por ter falhado com a humanidade. Uma preocupação legítima com o próximo passo de Pandora para salvar o mundo poderia colocar uma camada mais interessante na personalidade do personagem.

    Mas uma história muito boa, de todo modo, com elementos mitológicos bem pontuados e um controle da narrativa muito eficiente. De mim, recebe nota máxima.

  2. RenataRothstein
    28 de março de 2019

    Conto de fantasia em que um mortal é escolhido pela imortal Pandora para manter o jarro que a libertaria.
    Gostei do seu conto, a mitologia me fascina.
    Marcus perdeu sua chance, Pandora precisaria de mais alguns milênios. ..mas seria mesmo tão ruim a vida que estava levando? rs só uma observação.
    Bom e direto. Muito bem.
    Parabéns e boa sorte!

  3. Priscila Pereira
    26 de março de 2019

    O Vaso Milenar (Hefesto)

    Sinopse: Um homem está preso em uma torre, tendo aparentemente todos os livros já escritos no mundo para ler. Um vaso está lá com ele, tampado. Um dia ele abre o vaso. Pandora está no Rio de Janeiro esperando os sete anos que faltam para que todo o mal da humanidade seja revogado. O homem que abriu o vaso chega até ela e ela fica muito decepcionada com ele. Mas logo já vai preparar o vaso para outra tentativa.

    Olá autor(a)!

    Um ótimo conto o seu, parabéns! Muito bem escrito, história muito interessante, Uma releitura da caixa de Pandora, muito bom!! Confesso que a ideia da torre cheia de livros fez meus olhos brilharem… rsrsrsr seríamos presas fáceis da Pandora… Apesar de ser uma releitura, achei bastante original, não esperava isso em um desafio de fantasia.

  4. Fabio D'Oliveira
    24 de março de 2019

    O corpo é a beleza, a forma, o mensurável, o moldável. A alma é a sensibilidade, os sentimentos, as ideias, as máscaras. O espírito é a essência, o imutável, o destino, a musa. E com esses elementos, junto com meu ego, analiso esse texto, humildemente. Não sou dono da verdade, apenas um leitor. Posso causar dor, posso causar alegria, como todo ser humano.

    – Resumo: Pandora nasceu condenada ao sofrimento. Zeladora da caixa detentora de todo os males do mundo, que era, na verdade, um vaso, ela foi criada quase perfeita, com exceção de uma coisa: curiosidade. Zeus sabia que ela iria liberar o mal. E fez isso pensando logo na punição de um pecado cometido pela humanidade, por causa de Prometheus e seu ousado roubo da chama do Monte Olimpo. A história acompanha Marcus, um homem que observa e cuida desse jarro. Ele vive numa torre, sem perceber o passar do tempo, sem precisar dormir ou comer. Por fim, acreditando estar preso há dois mil anos naquele lugar, ele decide abrir o vaso. Pâmela, que é a Pandora da lenda, está no seu apartamento de luxo na cidade do Rio de Janeiro, quando recebe a visita de Marcus. Ele falhou em sua missão. Após abrir a “caixa”, Pandora foi implorar pelo perdão de Zeus e buscar alguma forma de reparação pelo mal que cometeu ao mundo humano. Ele então propõe o seguinte: o vaso deve ser fechado por um homem que deverá permanecer mil anos com ele, numa torre, sem sentir o tempo passar, e somente depois desse tempo deverá abrir o vaso; assim, a humanidade estará livre dos males. Pandora fica furiosa com o fracasso de Marcus. Mas pensa, por fim, que chegou muito perto dessa vez. Faltaram apenas sete anos. Assim acaba a história, com Pâmela se preparando para buscar um novo candidato e pronta para continuar sua longa caminhada.

    – Corpo: O texto é delicioso. Foi como comer num bom restaurante: desceu tranquilo e completamente agradável. A primeira parte do conto, para mim, foi impecável. As cenas seguintes não me impressionaram tanto, mas ainda assim mantiveram um nível elevado de qualidade. Pandora me pareceu uma mulher mal humorada e cansada, características críveis de acordo com sua situação. Poderia apenas colocar um indicador maior na transição de atos, como um asterisco centralizado, pois isso facilita a transição da leitura. Do jeito que ficou, deu uma breve travada na leitura, mas nada demais. Fora isso, está de parabéns, arrasou na parte estrutural do conto!

    – Alma: É uma boa releitura. Uma das coisas que gosto de estudar é filosofia, então já estou bem familiarizado com o mito da Pandora. Você trouxe um ar bem interessante para ele. Na verdade, daria um ótimo livro filosófico. Senti falta de apenas uma coisa: a esperança. Na lenda, é contado que o único mal que fica na caixa de Pandora é a esperança, que é vista como algo ruim por criar ilusões do futuro para o ser humano. Isso poderia ter sido abordado na parte de Marcus, talvez descrevendo melhor como ele lidava com uma influência dessa natureza na torre. Falar um pouco sobre seu passado. Defendo essa ideia pelo seguinte: a cena da Pandora não é tão legal assim. É um ato extremamente explicativo. Não existe aproximação nenhuma com os personagens. Seria interessante, de fato, conhecer um pouco mais de Marcus, de seu passado, seus anseios e como ele lidava com suas esperanças do passado. Imagina que a esposa dele foi assassinada e Pandora prometeu trazê-la de volta ao completar sua tarefa. Ele esbarrando com a imagem dela, tentando-o a abrir o vaso para encontrá-la logo, dizendo que os mil anos já passaram. Isso iria criar um clima de suspense muito maior, pois ficaríamos nos perguntando sobre o que estava realmente acontecendo, quem era ele, quem tinha prometido trazer a esposa de Marcus de volta (claro que não iria revelar a Pandora de início, né), etc, etc. Faltou certa profundidade nos personagens, infelizmente. Dei apenas uma sugestão, mas dava pra fazer muitas coisas interessantes nesse cenário. Algo misterioso à la Solaris, hahaha, só que numa torre mágica e antiga. Ah, acredito que encontrei uma incoerência na história. Você disse que Marcus era romano. Mas o Império Romano acabou por volta de 500 d.c., sobrando apenas Constantinopla, que se tornou o Império Bizantino. É mencionado um ar-condicionado. A primeira versão apareceu em meados de 1900. Ou seja, Marcus deveria ter vivido no período de 900 d.c., checando a linha temporal da história, quando Roma Antiga já não existia mais. Seria muito mais coerente chamá-lo de bizantino, pois facilita a associação do leitor com o império correto. Historicamente, sim, ele pode ser considerado um romano oriental, pois o império ficou conhecido inicialmente assim, mas isso ajuda a confundir o leitor. Sem falar que a língua oficial do Império Bizantino era o Grego, não o Latim, reforçando ainda mais a ideia que houve uma falta de pesquisa por sua parte. Isso é só um detalhe, fácil de consertar, mas serve como aprendizado para evitar cometer erros bobos dessa natureza. O conto é bom, a releitura também, mas queria que o foco fosse Marcus.

    – Espírito: Fantasia. Uma releitura, novamente, da mitologia grega. Não sou muito fã disso, mas não ficou ruim, dessa vez. Acontece que essa mitologia já foi explorada demais e tá muito saturada. Por que não pegamos uma mitologia africana pra explorar? Talvez por comodismo, não sei… Enfim…

    – Conceito: Ouro!

    • Fabio D'Oliveira
      24 de março de 2019

      Errata: É mencionado um ar-condicionado. A primeira versão apareceu em meados de 1900. Ou seja, Marcus deveria ter vivido, NO MÍNIMO, no período de 900 d.c. até 1450 d.c., checando a linha temporal da história, quando Roma Antiga já não existia mais.

  5. Pedro Paulo
    22 de março de 2019

    RESUMO: Inspirado no mito da Caixa de Pandora, o conto trata dessa mesma deusa, cujo desafio atribuído é manter a caixa fechada por mil anos, por intermédio de um homem escolhido entre os mortais. Este é Marcus, que por 993 anos vinha mantendo o vaso fechado até ser seduzido pelo artefato, abrindo e libertando os males guardados ali dentro. O reencontro de Marcus e Pandora é azedo, dado que o pobre homem imaginava ter completado o desafio. Após dispensá-lo, Pandora e seu acompanhante já pensam no próximo ousado a enfrentar a prova.

    COMENTÁRIO: É uma atualização interessante do mito grego, em que um dos méritos é a organização da narrativa de maneira a não revelar logo de cara do que se tratava. Dessa maneira, a leitura ficou mais gostosa e a fantasia, tal fez o vaso a Marcus, seduziu o leitor a descobri-la. Uma boa demonstração dessa estratégia é a alternância de perspectivas, pois começamos com Marcus sem saber quem ele é e qual é a sua missão, a alternância para “Pâmela” não respondendo e intrigando ainda mais.

    Em suma, a escrita é acertada, “na medida”, o aproveitamento da mitologia grega para abordar o tema de fantasia foi inteligente e o autor mostrou controle sobre a narrativa.

    Boa sorte!

  6. Tiago Volpato
    22 de março de 2019

    Resumão:

    Um camarada está trancado em uma torre por toda a eternidade, lá tem livro pra caramba, mas ele já leu todos então só lhe resta o tédio. E abrir um vaso. Ele tenta resistir, mas não por muito tempo.
    Ele aparece em um hotel bacanudo e puxa um papo com Pandora. O esquema é que se ele fechar o vaso de pandora, e ficar lá dentro por mil anos, todos os males que foram soltos na terra irão embora, trazendo a tão sonhada paz. O cara saiu faltando 7 anos, então que continue o caos. Valeu irmão, obrigado por me deixar nessa desgraça!

    Considerações:

    Gostei do conto, foi muito bem escrito, agradável de ler e com um história bem interessante. Gostei de como você pegou a história de pandora e fez um adendo, é bem numa pegada de Deuses Americanos.
    O texto é bem redondinho e bem construído. Ele atingiu o ápice e acertou em cheio o desafio tá no meu top 5.

  7. MARIANA CAROLO SENANDES
    21 de março de 2019

    Resumo: temos aqui uma espécie de spinoff do mito de pandora. O que aconteceu após ela abrir a caixa, ou vaso, e a punição recebida pela mesma – esperar que os outros façam algo por ela.

    Um conto honesto, de escrita fluída. Redondo, como a silhueta do vaso que está na imagem. É uma boa ideia, que funcionou e atende ao tema fantasia.
    Gostei do cuidado de explicar o nome “Pâmela” e como ela estaria no Brasil. A personagem foi bem construída, o cansaço e a crença dela nos homens, apesar de tudo… Já Cedálion, o criado, escorregou um pouco para o clichê, mas nada prejudicial.
    Não é um conto alegre, mas o final foi bonito e esperançoso. Fez jus ao mito que homenageia. Alias, o vaso ter sido aberto por essas bandas explicaria muita coisa. Parabéns pelo competente texto!

  8. Fheluany Nogueira
    18 de março de 2019

    Interessante releitura do mito de Pandora. Ela vive, bem adaptada ao mundo atual e deixara Marcus (um romano) como guardião do vaso dos males, por mil anos. Tempo vencido, os males espalhados seriam recolhidos e Pandora seria a salvadora da humanidade. Mas, sem perceber, Marcus o reabre sete anos antes. Procura por “Pâmela”, que raivosa o abandona a sabor da nova cultura e é acalmada pelo servo que lhe mostra que sempre resta a esperança.
    De certa forma, lembrei-me do filme antigo “A Caixa de Pandora” (1929) que se passa na cidade de Berlim, na década de 1920 e nos conta a história de Lulu. A protagonista é uma moça alegre e sensual e que trata os homens conforme seus caprichos.
    Premissa bem explorada ao reconhecer a influência do mito na modernidade e expressões derivadas como: “ser picado pela curiosidade”, “caixa dos horrores”, “A esperança é a última que morre”. Se não é novidade, está com roupagem nova. O autor parece brincar com os personagens e deixar para revelar tudo no epílogo, em que ocorre uma espécie de ironia e conotação política: “imaginar o Deus Pai sentado em seu trono aliviado por ter ganho mais mil anos de espera era ruim mas, ao mesmo tempo, reconfortante. Quase cômico, ela diria. Se ainda vivesse em sua vida anterior ela gargalharia, mas a Pandora mais velha tinha prioridades claras diante de si. Tinha que começar a trabalhar para encontrar o seu próximo candidato” e sempre resta a esperança.
    Quanto à técnica, o texto está bem escrito, os diálogos estão bastante críveis, estilo e assunto bem amarrados. A passagem do tempo foi bem desenvolvida. É um conto forte e intrigante, com ritmo, evoluindo em direção à revelação final. Boa estrutura, objetividade e dramaticidade.
    Parabéns pelo trabalho. Boa sorte na Liga. Abraço.

  9. Gustavo Araujo
    18 de março de 2019

    Resumo: Marcus foi condenado a guardar um vaso por mil anos; de outro lado, Pandora se vincula a essa maldição, com a condição de que, se não aberto o tal vaso no prazo estabelecido, ela estará livre. Só que no fim, o velho Marcus sucumbe à curiosidade e abre o vaso quando faltam sete anos para fechar o milênio.

    Impressões: O conto tem uma ideia bastante inteligente e instigante. Não sei até que ponto tudo é criação do autor, mas a mim pareceu algo muito bem bolado – essa história do vaso, o período em que ele deve ficar fechado sob pena de zerar o prazo e recomeçar a contagem. Pelo que entendi, a ideia era gerar angústia, saber se Marcus resistiria à tentação de abri-lo.

    Ocorre que a maneira como os acontecimentos foram colocados terminou por comprometer a construção de um clímax que deixasse o leitor grudado. Talvez com a cena de Pandora abrindo o conto, entremeando com a rotina sufocante de Marcus, revelando aos poucos a maldição do vaso, a narrativa despertaria aquele desejo frenético de leitura, obrigando o leitor a devorar o conto com avidez. Não sei se me faço entender, mas é que a condução linear da trama acabou tirando um pouco do impacto. É um conto muito inteligente, repito, mas creio que poderia ter sido melhor explorado, melhor contado, gerando mais empatia, com um clímax mais definido.

    De toda forma, não dá para negar que está bem escrito e que o autor conhece bem o universo explorado. Destaco aqui os diálogos que envolvem Pandora: muito bem executados.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  10. Jorge Santos
    17 de março de 2019

    Resumo: Marcus cumpre dois mil anos de pena imposta por Pandora. Por fim vai até ao vaso e abre a tampa.
    Comentário: conto de fusão de mitologia grega com elementos romanos. Pelo meio vemos também alguns elementos da actualidade, como sejam as palavras robótica e ar condicionado. No fundo fica uma mistura pouco homogénea, que não consegue manter o interesse. Encontrei alguns erros de português que poderiam ter passado pelo crivo de uma revisão mais apurada.

  11. Luis Guilherme Banzi Florido
    14 de março de 2019

    Boa tarrrde! Td bem?

    Resumo:

    A Deusa grega pandora escolhe Marcus para tentar cumprir o desafio de Zeus: caso um homem seja capaz de permanecer mil mil anos preso numa torre, para apenas depois desse período, abrir O Vaso, todo o sofrimento se emancipará do mundo. O homem falha por 7 anos, mas a deusa termina a história com a esperança de que o próximo conseguirá.

    Comentario:

    Achei um conto interessante. Não entendo muito de mitologia grega, então não sei dizer se você inventou a história, ou fez uma releitura de algum mito pré existente. De qualquer forma, foi competente na escrita. O conto é interessante e me deixou curioso durante toda a leitura.

    Porém, devo dizer que achei que careceu de algum conflito ou clímax, que conduzisse a algum desfecho mais marcante. Fiquei com a impressão de que você apenas transmitiu um fato, narrou o acontecimento, sem construir alguma tensão que valorizasse o final, sabe?

    Devo dizer, porém, que os últimos parágrafos foram bem bons. O conto é eficaz em construir os personagens, me deixando com a impressão de que zeus é um mala, e me fazendo torcer contra ele. Então, devo dizer que também senti um certo prazer em imaginar o medo que ele sentiu heheheh.

    A escrita é segura e gramaticalmente não deixa a desejar. Os diálogos também são bons.

    Enfim, é um conto interessante e de boa leitura, mas que, pra mim, poderia ser melhor caso o leitor se separasse com um dilema ou confronto final. Como ficou, me pareceu apenas um relato de um acontecimento, sem grandes emoções final.

    Ainda assim, um bom trabalho. Parabéns e boa sorte!

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de março de 2019

    O Vaso Milenar (Hefesto)

    Resumo:

    “O vaso só pode ser aberto por uma mulher, e só pode ser fechado por um homem – Zeus esclareceu – Todos os males que dele saíram voltarão a ele após mil anos em que permanecer fechado. Na primeira hora do primeiro dia após o milésimo ano, todos os males do mundo serão revogados. Não haverá mais sofrimento, fome ou guerra. Sua sina, então, estará cumprida e você, por fim, estará livre.”
    A história é a luta para cumprir o desígnio de Zeus, a imposição que foi colocada a Pandora. E milênios se passaram sem que ela se livrasse da “culpa” que carregava sobre os ombros. Em Marcus, último candidato por ela escolhido, estava a esperança de que a missão seria cumprida, de que ela ficaria LIVRE. Mas, por descuido (será?), ele abriu o “Vaso Milenar” (o que não poderia ter feito), e ainda com uma antecedência de sete anos… Agora, cabe a Pandora buscar um novo “pretendente”.

    Comentário:

    Hefesto, deus do fogo, também filho de Zeus… Narrando o drama da “irmã”?!
    Bela fantasia que leva o leitor, como por encanto, do presente ao “passado”, uma viagem fantástica. Pode até ser que o corpo continue no lugar, mas o espírito levita… Um texto bem estruturado, com poucos deslizes de escrita, uma lenda vista de maneira caleidoscópica. Pâmela, Marcus, Pandora, Zeus, Cedálion (ah, Cedálion!), Afrodite, Atena, Hefesto, um imbróglio tão bem costurado que prende o leitor. A narrativa é bem lógica, a estrutura do conto é muito interessante. A persistência faz o desfecho.

    Parabéns pelo trabalho, boa sorte no desafio!

    Abraços…

  13. Fernando Cyrino
    4 de março de 2019

    Caro, Hefesto, deus mitológico também. Pandora deixa preso, por mil anos, em uma torre altíssima seu escolhido. Somente quando passasse os mil anos ele poderia sair, mas Marcus, um romano (ao contrário dela, grega), sem ter a noção clara do tempo, abre o vaso (a caixa de Pandora) faltando sete anos para que fosse cumprido seu tempo naquele prédio. E ele vai em busca de Pandora para receber dela a recompensa, mas aí fica sabendo que fora derrotado pela sensação dos anos que haviam se passado. Enquanto ele imaginava terem se passado dois mil anos, eles haviam sido menos um pouco que a meta, novecentos e noventa e três anos. E assim é abandonado nas ruas do Rio de Janeiro a falar latim, enquanto a sua deusa e senhora deveria partir em busca de encontrar um novo morador para a torre de livros. Você me traz uma fantasia bem interessante a partir dos mitos gregos. Bacana isto. Usa bem o idioma, no entanto sinto que precisa tomar cuidado com repetições de palavras. Por exemplo, você usa quatro vezes a palavra livro somente no primeiro parágrafo. Marcus, na Avenida Atlântica, está vislumbrado com os arredores. Creio que aqui a palavra mais correta fosse deslumbrado. A técnica literária é interessante, você apresenta na narrativa um bom domínio dela. Senti algumas dificuldades com a trama. Acho que ficaram algumas pontas meio soltas. Vou te dar dois exemplos: se ele havia lido um livro sim, outro não, como haveria de saber onde poderia ser encontrado qualquer escrito? Você me diz também que os livros estavam em toda a torre. Assim, achei um tanto estranho você me contar da “biblioteca”. Ela não seria todo o edifício? Sim, poderia haver uma biblioteca dentro da imensa biblioteca, mas nesse caso deveria, na minha opinião, ter me contado este fato. Meu abraço.

  14. Rafael Penha
    3 de março de 2019

    RESUMO: Por séculos Marcus vive numa torre rodeado de livros e ansioso para abrir um vaso misterioso. Finalmente, a curiosidade o vence e Marcus o abre, impedindo que os males soltos no mundo desde os tempos mitológicos retornem à sua prisão na caixa de Pandora. Enquanto isso, a própria Pandora aproveita a vida pelo mundo até descobrir que o guardião a quem deixou o vaso contou o prazo de forma errada e o abriu antes da hora.

    COMENTÁRIO: Uma boa releitura da mitologia da Caixa de Pandora. Não percebi nenhum erro de gramática e a narrativa se desenrola de forma fácil e fluída. A história é bem contada, mas não tem um enredo empolgante. Na minha opinião, o cenário foi mais descrito do que os personagens. Marcus, Pandora e Cedálion mereciam mais desenvolvimento. A forma como houve o erro na contagem de tempo me pareceu um pouco rasa. Poderia haver uma forma mais interessante de chegar a essa conclusão.
    Apesar das ressalvas que apontei, gostei do conto!
    Um abraço!

  15. Givago Domingues Thimoti
    2 de março de 2019

    Caro(a) autor(a),

    Desejo, primeiramente, uma boa primeira rodada da Liga Entrecontos a você! Ao participar de um desafio como esse, é necessária muita coragem, já que receberá alguns tapas ardidos. Por isso, meus parabéns!

    Meu objetivo ao fazer o comentário de teu conto é fundamentar minha nota, além de apontar pontos nos quais precisam ser trabalhados, para melhorar sua escrita. Por isso, tentarei ser o mais claro possível.

    Obviamente, peço desculpas de forma maneira antecipada por quaisquer criticas que lhe pareçam exageradas ou descabidas de fundamento. Nessa avaliação, expresso somente minha opinião de um leitor/escritor iniciante, tentando melhorar, assim como você.

    PS:Meus apontamentos no quesito “gramática” podem estar errados, considerando que também não sou um expert na área.
    RESUMO: “O Vaso Milenar” aborda a história de Pandora, uma mulher que caiu numa armadilha de Zeus, sendo ela responsável por liberar todas as desgraças pelo mundo (Violência, Fome, Miséria…). Há uma alteração na lenda original para adaptar a história. Pandora deve escolher um homem para morar dentro do vaso por 1000 anos. Se tiver sucesso, Zeus retiraria todas as desgraças.

    IMPRESSÃO PESSOAL: Gostei do conto, embora o(a) autor(a) tenha usado uma moral diferente do ensinamento fornecido pela lenda original. Acho que a narrativa trouxe consigo uma nova mensagem, importante no contexto mundial em que vivemos. É necessário manter as esperanças que dias melhores virão.
    ENREDO: Quanto ao enredo, achei bom. Entretanto, há um furo, pelo menos no meu ponto de vista. De acordo com a lenda original, a única coisa que não saiu do vaso endereçado por Zeus para punir Pandora seria a Esperança. Marcus, um romano escolhido por Pandora para ser o responsável por permanecer dentro da caixa estava sozinho…
    Cadê a Esperança?
    Exceto por esse furo, achei um enredo bom, que fluí bem e conquista a atenção do leitor
    GRAMÁTICA: Não encontrei erros gramaticais.
    PONTOS POSITIVOS
    • Mesmo com o furo no enredo, achei que foi uma boa utilização de uma lenda, especialmente por conta da nova moral.
    • O(A) autor(a) conseguiu ser bem fiel aos personagens históricos
    • Leitura fluída, que prende a atenção
    PONTOS NEGATIVOS
    • O furo na história. Se não fosse esse detalhe, acho que teria ganhado um 5.

  16. Antonio Stegues Batista
    27 de fevereiro de 2019

    O Vaso Milenar- conta a história dos deuses do Olimpo, Zeus que castiga a humanidade com as pragas encerradas num vaso, que um homem tem que fechar e manter fechado por mil anos. Mas, ele abre antes do tempo e vai ao encontro de Pandora, que está condenada a viver até que a tarefa esteja cumprida.

    Quem não conhece o mito grego dos deuses do Olimpo, não vai entender esse conto, ou talvez entenda, ou não sabe que é uma adaptação. Achei que há alguns trechos absurdos e outros confusos. Pandora está condenada a viver até que a tarefa esteja concluída e depois? Ela morre? O homem é preso na torre, ele abre o vaso antes do tempo e vai procurar Pandora na cidade maravilhosa (Rio de Janeiro?), para buscar a recompensa. Como ele sabia que ela estava lá? Bem, isso não importa, porém, se o homem não tivesse aberto o vaso, a história seria outra, não é mesmo? Esse é o motivo do conto. Embora o texto esteja muito bem escrito, achei o argumento fraco, sem grandes e impressionantes revelações. Acho que a adaptação do mito grego para a nossa Era deveria ter sido mais empolgante, mais inventiva, condizente com o progresso tecnológico. Mas gostei da escrita, muito bom vocabulário. Boa sorte no próximo Tema.

  17. Matheus Pacheco
    24 de fevereiro de 2019

    RESUMO: Conto de Fantasia baseado na mitologia Grega, contando o drama de “Marcus” o novo guardião da caixa de Pandora, de maneira que o contato e a tentação de abrir a caixa e liberar a esperança, ainda contando esta como uma coisa maldosa aos homens.
    Comentário: Eu gostei bastante da primeira parte que mostra as tentativas do personagem de resistir as tenções e a curiosidade de abrir a caixa, mais desandou um pouco na segunda parte com essa trama de misturar certas ideias com a personagem de Pandora.
    Um Bom Conto e um abraço.

  18. Angelo Rodrigues
    21 de fevereiro de 2019

    Caro Hefesto,

    Resumo:
    conto sobre o mito de Pandora, primeira mulher que existiu, criada por Hefesto e Atena, com auxílio dos deuses, sob o comando de Zeus, aqui cambiado entre dois mundos diferentes: a torre colossal e a Cidade Maravilhosa.

    Avaliação:
    gostei do conto, pra começar a dizer algo.
    Gosto de contos que falam sobre contos (ou histórias, ou mitos, como se fosse uma viagem continuada). Essa transmutação, entretanto, quase sempre tem um problema: exige do leitor um conhecimento que pode estar além do que realmente está disponível a ele durante a leitura, deixando uma impressão de que ele, o leitor, não está a se inteirar completamente do que está à sua frente, a ler.
    Nesse conto, isso, não foi diferente. O nome Pandora só aparece na posição 1265 de 2480 palavras, quando diz:
    “– Pandora?
    Ela não pôde recebê-lo com a costumeira…”, e segue o texto.

    O autor, talvez, buscando um certo distanciamento irrevelável, substitui a clássica Caixa pelo Vaso, tornando nebulosa a chegada até ela, Pandora.

    Isso, entretanto, não o coloca o texto numa posição ruim. O conto é bom e bem estruturado, embora, creio, não penso ser muito produtiva a criação de, de certa forma, alguns enigmas, como a questão dos sete anos, que pode deixar o leitor meio que perdido sem identificar com rapidez o seu significado. Depois, mas só depois, isso fica claro.
    Todos os contos que trabalham com passeios no Tempo, com seus twists-vórtices-temporais, tendem a produzir um redemoinho na cabeça do leitor, e isso também não foi diferente no conto. Talvez melhorar um pouco essas passagens espaço-tempo.

    Nomes, nomes, nomes. Tenho verdadeiro cuidado com nomes, e toda vez que vejo um personagem chamado Beto, tenho um desgostoso arrepio. Afinal, qual a profundidade de um Beto (não os Betos humanos, que esses têm lá as suas profundidades, mas os Betos das literaturas)? Quando me deparei com um Marcus, fiquei meio desconfortado, mas a coisa caminhou em direção a ser ele um grego das antigas e o nome se encaixou… mais ou menos. Com Zeus, Hefestos, Cedálion, Pandora, talvez coubesse a Marcus, algo mais profundo, que o colocasse no imaginário com um característico nome que o pusesse soberano em uma torre do conhecimento e não na praia de Copacabana.
    Há no conto alguns trechos em itálico que, parecendo citações, não dizem ao que vieram, sua origem, ainda que componham bem o texto.
    Um belo conto, embora a estruturação da trama tenha caminhado em direção a outro dom de Pandora, deixando-a mais com a Paciência do que com a Esperança.
    Nada no conto dificulta a leitura – salvo a possibilidade de não conhecer em maiores detalhes o mito de Pandora –, quando flui sem dificuldade.
    Parabéns e boa sorte na Liga!!

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Informação

Publicado às 17 de fevereiro de 2019 por em Liga 2019 - Rodada 1, Série A e marcado .