EntreContos

Literatura que desafia.

Interior – Poesia (Gardel Dias)

praca

Eu me lembro da serração do interior que vejo tão rápida
quando ali passo na estrada lisa e azulada.

É o pé da serra feito uma espessa listra esverdeada que passa
suspensa bem em cima de minha cabeça.

É a reta longa, é na curva perigosa das cidades do interior e que não
é tão interior assim.

Uma boa lembrança – o sino da igreja, da cantiga na radiadora pela
manhã cedo.

Era pela manhã que ouvia, como despertador, a música da igreja,
religiosamente todas as manhãs.

É morada antiga, são as lembranças da década passada nessas cidades do Maciço de Baturité,
da linha de ferro, do trem que demorava, do tempo quente num sol de meio dia e do banho no rio.

Ficávamos à  toa no meio do dia, o sol fervendo nossas cabeças, ali víamos o trem cargueiro
passar, caminhávamos na trilha em busca do trem.

Era o pé da Serra e o vento frio, são boas as memórias da infância quando ainda nem sabia pensar.

Era o verde da serra em perí­odo curto de neblina, era a curva perigosa que fazia vítima alguém descuidado.

Era o ônibus que passava, a gente o notava vindo à curva da Casa Branca – que não existi mais e
era o horário e a partida.

Era uma leitura musical e instrumentos, caminhada da igreja, depois os dobrados e depois o lanche.

Era a biblioteca pouco visitada – os livros pouco lidos e que um dia tomei um pra mim,
era o horário da escola numa carona qualquer.

Era de tudo um pouco, a tv na praça e com notícias de mortes, era o futebol na praça,
era uma conversa na praça, quase tudo sabíamos na praça: coisa de cidade pequena.

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2 comentários em “Interior – Poesia (Gardel Dias)

  1. Brian Oliveira Lancaster
    16 de fevereiro de 2017

    Gostei. Dá uma sensação nostálgica, de tardes ao Sol, sem preocupações. Como sugestão de sonoridade, a repetição de palavras seguidas (igreja no início e praça ao final) me deslocaram um pouco da leitura.

  2. Antonio Stegues Batista
    11 de fevereiro de 2017

    Linda poesia! Me fez lembrar o meu tempo de criança, quando ia pescar no rio e subir nas arvores para pegar fruta, goiaba, laranja e do cavalinho de pau que meu avô fez! Boas recordações, Gardel!

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Publicado às 11 de fevereiro de 2017 por em Poesias e marcado .