EntreContos

Literatura que desafia.

Perseguição (Miquéias Dell’Orti)

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Corro pela rua sem olhar para trás. Dobro à direita, pelo beco. Escuro, é claro. Sem saída, é claro. Ouço passos. Rápidos, pesados. Vejo um muro. Lixo. Nenhuma escada.

Vozes agora. Tento subir pela cerca. Alto demais. Caio. Uma sombra surge e eu me espremo contra a parede desejando me fundir a ela. O monstro carrega um cabo com um laço na ponta.

Avanço. Em vão. O laço envolve meu pescoço. O monstro me ergue, me agarra e retorna pelo beco. Ele me arremessa dentro do furgão e reconheço, com horror, o nome escrito na lateral do veículo: Zoonoses.

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93 comentários em “Perseguição (Miquéias Dell’Orti)

  1. seventeendifusion
    31 de janeiro de 2017

    Vários becos depois… Parabéns, Mike!

  2. Cristiano
    30 de janeiro de 2017

    Parabéns menino, muito boa!

  3. Miquéias Dell'Orti
    30 de janeiro de 2017

    Queria agradecer a todos pelos comentários e críticas (mesmo aquelas em que me chamam de burro). Foi um exercício e tanto esse desafio. É muito bom ver a percepção dos leitores diante do que você escreve.

    Comentar todos os outros foi um exercício melhor ainda. Faz a gente perceber que não tem essa de ler superficialmente quando você aspira escrever algo decente. Ou você lê analiticamente e entende a essência da história para tecer críticas realmente construtivas ou acaba falando merda (como eu mesmo fiz em alguns comentários).

    Mais uma vez, muito obrigado a todos que gostaram e desgostaram.

    • Miquéias Dell'Orti
      30 de janeiro de 2017

      Peço perdão, também, se “descurti” seu comentário. Fiz isso pelo celular e não deu muito certo. Considere um “descurti” como “curti pra c@$#&#”.

  4. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Marley, boa sacada! Não era um bicho, era um homem! Um monstro, neste caso. Me lembrou o conto do Bandeira. Parabéns!

  5. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Conseguiu me enganar até o final e acabou que gostei da surpresa, era um cachorro afinal. Ótima leitura.
    Bom desaafio!

  6. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Haha mais um conto que gostei bastante, muito bom, ainda mais com o pseudônimo participando do conto. Boa sorte!

  7. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    É uma temática que mexe comigo, uma cachorreira de primeira.
    O texto é bem discorrido, limpo, com frases curtas, informativas, que me levaram a imagem da fuga do cão.
    Mas, ó, Marley, o título matou o final! Que pena!
    Boa sorte!

  8. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Cena bem descrita. Fui enganada até o final e gostei da surpresa.
    Bom desafio.

  9. Victória
    27 de janeiro de 2017

    Marley, agora tudo faz sentido! Parecia um conto de suspense e perseguição “normal” (por normal, digo protagonizado por um humano hehe) e me incomodei ao ver um elemento “sobrenatural”, no caso o monstro… No final, o monstro era um homem e o protagonista, um cachorro! Achei um texto bem escrito, que funcionaria como suspense e ganhou pontos pelo final surpreendente (talvez o pseudônimo tenha entregue a surpresa, mas só me liguei no final hehe). Parabéns!

  10. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Pra mim, Marley sempre será nome de cachorro (acho que por isso já imaginava a natureza do personagem desde o início, mas é tudo viagem minha, o pseudônimo ficou ótimo kk)
    Você soube conduzir muito bem o texto de modo a situar o leitor no contexto da ação, parabéns.
    Boa sorte!

  11. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Olha, a narrativa é muito competente, as descrições da fuga são bem feitas.
    O que pesou pra mim é que não ocorreu o impacto da descoberta do narrador, vez que aqui no E.C já tivemos ao menos dois contos usando essa perceptiva. Óbvio que o autor não tem qualquer obrigação em relação a esse fato, mas quando você lê uma versão menor de algo que já viu em tamanho bem maior, surge aquele gostinho de decepção.
    De qualquer modo, está bem escrito e tem bom ritmo.
    Parabéns e boa sorte.

  12. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    Gostei do estilo apresentado no início, com frases curtas, pontos aqui e ali, simulando a pressa e a urgência da fuga. Já sabia que era um cachorro por causa do pseudônimo, e gostei mais assim, pois desde o início já li vendo um cachorro fazer tudo aquilo. Funcionou e deu pena quando ele é capturado. Achei bom, no geral.

  13. Fil Felix
    25 de janeiro de 2017

    Estilo de narrar os eventos bem interessante, gosto dessas descrições rápidas, quase sem fôlego pra continuar. Deu uma identidade ao conto e nos coloca dentro da pele do protagonista, no caso o cão. Só achei o final meio ruim por entregar demais. Quando coloca o laço em seu pescoço, já fica no ar que se trata de um animal ou algo assim. Jogar no caminhão também dá indícios. Colocar a “Zoonose” tira todo o trabalho do leitor de tentar interpretar o que leu.

  14. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Oi, Marley,

    Seu conto é de terror, ao menos para mim, que amo cães e os resgato sempre que consigo.

    Quanto ao desenvolvimento da história, gostei muito da estrutura. Já imaginava o desfecho, devido ao pseudônimo escolhido, mas isso não atrapalhou em nada.

    Um trabalho claramente pensado.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  15. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    não gostei muito do final, mas mostras que sabes escrever e tens alguma originalidade na trama que apresentas, embora não inteiramente convincente

  16. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Marley,

    É um bom conto. Bem escrito e com um final com relativo impacto.
    Boa obra.
    No entanto, achei que a maneira como a narrativa foi conduzida (sem cadência por conta dos pontos) jogou contra.

    De toda a maneira, lhe deixo os parabéns.

  17. Jowilton Amaral da Costa
    25 de janeiro de 2017

    Um conto médio. Não achei a narrativa truncada, achei foi que a escolha das palavras para se fazer a narrativa não foi boa, tirou a força do conto. A ideia é boa, mas, poderia ter sido melhor executada, já que há uma boa surpresa no final. Boa sorte.

  18. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Animal sendo perseguido, a descoberta só no fim. Um conto que mesmo trazendo um desfecho surpresa, não chega a mexer com o leitor. Eu confesso que achei a narrativa bem truncada, mas a ideia, é boa. Fiquei curioso em saber qual seria esse animal. Enfim, um conto divertido.

  19. Srgio Ferrari
    25 de janeiro de 2017

    A arte de cagar com uma surpresa quando se tem uma coceira urgente de se mostrar com um pseudônimo entreguista. Olha….burrice, desculpe….PRA QUE MARLEY, bebê? Matou o micro…..

  20. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Muita angústia no início, curti. Apesar do pseudônimo, só tive certeza do personagem ser um cão quando você citou o laço. O final com a citação da palavra zoonoses acredito ter sido desnecessário. Talvez um outro final, com alguma surpresa… Fora isso, ótimo texto, parabéns.

  21. angst447
    25 de janeiro de 2017

    Poderia ter economizado explicações no final, já que dá para perceber que se trata de um cão sendo perseguido. Depois de laçado e preso no furgão, que duvida teríamos? Algumas, talvez, mas isso seria bom.
    Bem construído, o conto traz frases curtas, o que me agrada bastante. Limpeza de raciocínio e um bom ritmo quase de suspense.
    Boa sorte!

  22. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    A angústia e sensação de perseguição, sugerida desde a pontuação até a escolha das palavras, faz desse conto um exemplo ótimo de narrativa ofegante, no bom sentido. A meu ver, a reviravolta final fica antecipada pela frase “O monstro carrega um cabo com um laço na ponta.” Talvez a informação pudesse ser apresentada de forma não tão antecipada. Mas é um conto muito bom. Parabéns!

  23. Renato Silva
    24 de janeiro de 2017

    Gostei muito do seu microconto. Lembrou muito um conto que escrevi para o desafio Cotidiano. Se tiver interesse: https://entrecontos.com/2015/09/12/nao-confie-neles-a-paradiso/

    Eu adoro animais e sempre me revoltou muito o modo como as prefeituras lidavam com seus cães abandonados, que enviavam as tais “carrocinhas” para capturarem os cães e estes eram enviados para o CCZ, onde eram ASSASSINADOS. Não vejo muita diferença nesses lugares e os antigos campos de concentração nazistas e soviéticos. Se não me engano, alguns desses cães eram (ou ainda são…) enviados para as faculdades de medicina para serem vivissectados, um destino ainda mais cruel do que a “eutanásia” que sofriam nestes centros.

    Eu sempre entendi que não pode ser boa uma pessoa que é má com os animais. Tive algumas experiências desagradáveis com essa gente e isso só reforçou o que eu já pensava delas. Certa vez, eu estava conversando com um colega de escola, enquanto esperava o ônibus, quando senti uma forte pancada nas costas que quase me jogou no chão. Quando me virei, vi um sujeito grande, usando um uniforme branco e encardido, perseguindo um cachorro. Ele não pediu desculpas e não estava preocupado com ninguém à sua frente. Ele tinha um cambão nas mãos e parecia se divertir com aquilo; ele realmente parecia ter prazer naquele trabalho terrível.

    O teu conto mexeu comigo, pois lembro de tudo isso, mas também por lembrar do meu próprio conto. Ao escrevê-lo, senti todas essas coisas ruins, como se eu realmente estivesse vivendo tudo aquilo.

    Como muitos disseram, você “pecou” no pseudônimo. A minha sorte é que eu nem tinha visto, por isso foi impactante o final, quando me dei conta de que era um cão pego pela carrocinha. Não, saber que o perseguido era um cachorro não me fez respirar aliviado. Na verdade, me senti ainda mais angustiado. Um homem pode ser perseguido por “n” motivos; para que eu sinta empatia por ele, precisaria saber qual era esse motivo. Um cão perseguido pela carrocinha é sempre inocente, assim como um judeu perseguido por um soldado nazista ou um negro perseguido por um capitão do mato.

    Eu também achei um pouco desnecessário falar em carrocinha. Bastava uma breve descrição do veículo. O cão alfabetizado pode ter tirado um pouco do drama, da tensão naquele momento.

    Sobre o uso da palavra “monstro”, foi algo bem feliz. Essa gente que se diverte capturando cães, que deposita neles a culpa pelas doenças e problemas sociais, não presta. É um trabalho que desumaniza ou feito para quem não tem senso de humanidade. Não dá para trabalhar nisso sendo uma pessoa piedosa.

    Para o pobre cachorro, seu perseguidor não passa de um monstro, aquele que o está condenando à morte iminente (que também poderá ocorrer numa mesa de vivissecção). Para um cão, ser perseguido por um “carroceiro” não é diferente de ser um judeu e ser perseguido por um soldado da SS.

    As frases curtas marcaram bem a narrativa, transmitindo toda a tensão ao leitor. Com alguma revisão, ficará perfeito. Parabéns e boa sorte.

    • Miquéias Dell'Orti
      30 de janeiro de 2017

      E ae Renato, tudo bem cara?

      Meu, muito obrigado pelo seu comentário. Eu li seu texto e, particularmente, o achei ótimo. Também vi uma grande semelhança em uma das ideias centrais do conto.

      Como eu falei lá nos bastidores, minha avó me contou essa história da carrocinha pegar os cães pra fazer sabão e desde aquele dia eu fiquei meio traumatizado com a coisa porque tenho um apego muito forte com esses animais.

      Existem pessoas sem sensibilidade alguma que não vêem problema com isso, com o abandono, com a agressão e com a morte desses bichinhos e compartilho com você a opinião de que pessoas que se divertem ou compactuam com ações iguais a essa são fracas de caráter e ínfimas em bondade.

      De novo, obrigado de verdade pelo seu comentário e adorei seu texto. Infelizmente não vou conseguir responder todo mundo, mas depois de tudo o que você escreveu o seu era uma obrigação minha. 🙂

      Até mais.

  24. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Gostei bastante da ação do ponto de vista do cão. Da forma que ele vê o humano como um monstro. Muito bom mesmo. Não tenho muito mais a acrescentar. Tem sua força mesmo com o pseudônimo revelando boa parte da surpresa que aconteceria mais pro fim.

    Parabéns.

    Abraços.

  25. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    A narrativa é ótima e a gente chega a torcer pelo personagem perseguido. Entretanto, o pseudônimo escolhido puxa da memória aquele famoso cachorro, o que estragou a surpresa, pois logo de cara imaginei que era um animal sendo perseguido. Uma pena, o conto seria muio mais impactante com esta revelação acontecendo naturalmente. Mesmo assim, é um excelente conto!

  26. catarinacunha2015
    23 de janeiro de 2017

    MERGULHO cheio de ação e construído para mexer com a gente. Mas por que o autor precisou explicar o conto? A zoonose me deu fastio. Esse pseudônimo entregou ser o personagem um cachorro, do contrário seria IMPACTO certeiro. Pô, estava tão legal, instigante e inteligente. Aí vem a mosquinha professoral e arranca a magia da interpretação. Leitor gosta de achar que é inteligente.

  27. Wender Lemes
    23 de janeiro de 2017

    Olá! Pobre animal, aprendeu tarde demais que nunca se deve correr para o beco escuro sem saída. Há um jogo de “esconde e revela” desde o começo. Não se diz em nenhum momento se tratar de um cão, mas também não se nega essa possibilidade – aliás, o pseudônimo e a carrocinha até reforçam essa interpretação. Conseguiu me passar a agonia do bichinho com maestria.
    Parabéns e boa sorte.

  28. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Pobre cão! A narrativa foi bem construída e um susto inicial se transforma em risada. Gostei, parabéns.

  29. Cilas Medi
    23 de janeiro de 2017

    Um cão em apuros, cheio de terror da carrocinha. Um bom conto, com surpresa final. Boa sorte!

  30. Thayná Afonso
    22 de janeiro de 2017

    O começo do conto me deixou um pouco tensa, tenho pesadelos recorrentes onde sou perseguida por “uma sombra”, então foi fácil conseguir me envolver. Gostei bastante do conto, parabéns!

  31. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Ritmo perfeito do início ao fim, quebras e pontuação irretocáveis. Muito bem construído, o que era uma coisa acaba se revelando outra, e, ao terminarmos, fica ainda a divertida surpresa de termos sido conduzidos por um narrador inesperado. O clima de suspense vai sendo mantido quase até o final, só fiquei pensando que você talvez pudesse sustentá-lo por mais tempo se excluísse a frase ” O monstro carrega um cabo com um laço na ponta” e se, no último parágrafo, trocasse “O laço envolve meu pescoço” por “Um laço envolve meu pescoço” … Sem contar que evitaria a repetição de “laço” em duas frases tão próximas…

  32. Givago Domingues Thimoti
    22 de janeiro de 2017

    A história é boa, assim como a forma de escrever, mas, eu não curti muito.
    Acho que poderia ter sido melhor.
    Boa sorte!

  33. Eduardo Selga
    21 de janeiro de 2017

    O cachorro é o narrador, mas isso não cria suficiente atmosfera insólita que justifique o fato de ele também ser leitor, porque a entidade “narrador” é algo incorpóreo, mesmo que saibamos tratar-se de alguém ou um animal, mas a leitura nos é algo bem palpável. Para encaixar-se bem no conto, ele teria de ser abertamente fantástico, desde o início.

  34. Bia Machado
    21 de janeiro de 2017

    Ah, que pena, começou bom, sabia que se tratava de um cão, mas por que esse final, tão pouco sutil? Em um conto fantástico ok, o cãozinho sabe ler, mas pra mim não houve suspensão de descrença suficiente para aceitar isso. Uma boa leitura, apesar disso.

  35. Douglas Moreira Costa
    20 de janeiro de 2017

    O conto cria imagens realmente bastante tensas, nos deixa apreensivos com o acontecimentos que acontecem seguidamente e as imagens disparadas à nossa mente. A narração invoca diversas sensações e precipitações acerca do que há de acontecer e do porquê aquilo acontece. É intenso! E o final? Ah! Me surpreendeu bastante. uma surpresa boa, que quebra todas as expectativas e nos traz uma imagem triste sobre uma coisa tão comum.
    É um bom conto, parabéns.

  36. Leandro B.
    20 de janeiro de 2017

    Achei a forma do conto bastante competente. Escrever pausadamente pode dar muito errado, mas não foi o caso aqui. A pontuação ajuda na correlação do pensamento com a ação.

    Dei um sorriso com o final do conto (acho que foi o único que não fez a relação), mas em contrapartida o final absorveu um pouco do drama.

    Um dos pontos fortes foi o pov irônico/desesperado do animal, como se soubesse estar preso dentro de uma história de terror.

    Enfim, gostei mais pela forma do que pelo impacto do final.

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .