EntreContos

Literatura que desafia.

Não confie neles! (Renato Silva)

San Telmo neighborhood. Buenos Aires, Argentina. / Bairro de San Telmo. Buenos Aires, Argentina.

Um bairro antigo e decadente, imediações do centro. Há certa tranquilidade em viver aqui. As ruas são calmas e arborizadas. Nas ruas estreitas de paralelepípedos circulam poucos carros. O fluxo foi desviado para uma larga via expressa, situada na área mais baixa, fazendo parte do centro atual. O local tem muitos comércios, alguns tradicionais e outros modernos, que escolheram o bairro devido ao seu charme interiorano e tranquilo.

Na avenida principal do bairro, muitas pessoas aguardam pelo ônibus. São dezessete horas e o sol apresenta aquele brilho gostoso, que anuncia o finzinho da tarde e nos convida para um café com bolachas amanteigadas. Na calçada estreita, em frente a uma escola estadual, várias pessoas fazem fila no ponto. Todo mundo quer ir embora logo.

Ataulfo vem correndo pela calçada, passa pelas pessoas em alta velocidade, mas sem esbarrar nelas. Logo atrás, vem um sujeito corpulento, peludo, barrigudo (cuja pança é maior que a camisa branca e encardida que usa) e cabeçudo; pisando forte e torto pela calçada, tendo em suas mãos um cambão.

— Sai da frente! Sai da frente! – grita o brutucu, enquanto passa esbarrando em quase todas as pessoas que fazem fila no ponto de ônibus.

Um adolescente magrelo curte sua música favorita no discman, quando sente uma forte pancada nas costas e vai ao chão. Com incrível habilidade, consegue cair, rolar no asfalto, mas sem soltar seu tão estimado aparelhinho (pelo qual entregou jornais um mês inteiro para conseguir comprar). Só após constatar que o discman está intacto, ele percebe a criatura que o atropelou e nem parou para pedir desculpas.

O animal continua correndo até dobrar à direita, ainda atrás de Ataulfo. A rua não tem saída e termina duzentos metros à frente. Árvores de caules grossos e copas frondosas fecham as calçadas estreitas, suas raízes brotam pelas guias. Ataulfo está cercado, não tem para onde correr. Ele se encolhe e abaixa as orelhas. Falta-lhe instinto suficiente para atacar o seu algoz.

O homem continua correndo na direção de Ataulfo e fica em posição de captura. Ele aperta os dentes, louco de vontade de segurar o pobre cão pelo pescoço e arrastá-lo até o seu veículo. “Falta apenas este maldito cão para eu terminar meu serviço por hoje.”

Há menos de dez metros de Ataulfo, algo passa por entre as pernas do homem, que vai ao chão violentamente. Ele bate a boca, sofrendo alguns cortes internos e quebrando um dente.

Vendo o homem no chão, Ataulfo toma fôlego e sai correndo.

— Maldito vira-lata… – diz o homem, cuspindo sangue, enquanto se levanta. – Não vou embora até te pegar, desgraçado!

O cão se afasta o máximo possível do local, mas logo esquece o que estava fazendo e resolve descansar numa construção abandonada algumas quadras à frente. Ele tem sede, procura qualquer poça d’água para aliviar a secura na garganta. A tensão secou-lhe a boca e um pouco de água lhe faria muito bem.

— Você quer água? Vem comigo. – uma voz familiar se dirige a Ataulfo.

Ataulfo encontrou água fresca num grande e velho balde, do outro lado da propriedade. Uma bondosa moradora daquela rua tinha por hábito alimentar os animais de rua com ração e água fresca, deixados na calçada de sua casa e na construção abandonada próxima à sua residência.

— Cara, quantas vezes tenho que te dizer para tomar cuidado com os humanos? Não confie neles! – diz um gato magro, de pelagem preta no dorso, patas e cara brancas, com exceção da manchinha preta ao redor do olho esquerdo.

— Eu estava atento, não tinha percebido o cheiro daquele homem. Hoje estava diferente.

— Os humanos conseguem disfarçar e mudar seu cheiro quando querem. Eles são muito bons nisso. – diz o esperto Linaldo, sem sair de cima do muro onde descansa.

— Eu não entendo… porque aquele homem tenta me pegar? Não lembro de ter feito nada para que ele me perseguisse. – lamenta o inocente e jovem cão.

— Ai, ai… você é muito bobinho, meu caro. Os homens não precisam de motivos para nos fazer mal. O velho Mathias nunca gostou deles.

Mathias é o gato de rua mais velho do bairro. Por não saber ou não querer dizer, estima-se que tenha mais de doze anos, talvez treze ou mesmo catorze; todos esses anos vividos nas ruas. Sobreviver por tanto tempo, correndo de um lado para outro, enfrentando cães e gatos de outros bairros, além dos hostis seres humanos; chegar aos dez anos o torna lendário. Sua longa vida e experiência tornou o mais sábio dos gatos daquela região. Linaldo tem-no como um guru.

— Mathias conta que esses homens de branco levam os cães para um lugar horrível. Lá sofrem as piores torturas possíveis, para depois serem mortos de modo ainda mais terrível. Parece que os cães são desmanchados e viram produtos usados pelos humanos. Eles só conseguem construir tanta coisa a partir dos outros animais que matam e retalham; pelo menos é isso que diz o velho Mathias. “Não confie neles!”, é o que ele sempre diz. E eu não confio.

Após mais um tempo de conversa – na verdade, um breve monólogo felino sobre o quanto os humanos são perigosos e traiçoeiros – os amigos se despedem. Enquanto a noite está apenas começando para Linaldo, Ataulfo pretende apenas realizar sua última refeição antes de encostar em seu costumeiro beco.

O cão realiza o mesmo trajeto de sempre naquele horário. Sua boca saliva enquanto caminha pela ruazinha dos restaurantes. Ele já foi insultado, perseguido e chutado na maioria dos estabelecimentos onde tentou ganhar uma refeição; mas há um lugar especial, onde ele sempre é bem tratado em consegue comer.

Romildo é um jovem nordestino que toca sua pequena pizzaria no ponto menos iluminado e valorizado da rua. Trabalha com sua esposa e dois filhos pré-adolescentes, oferecendo um bom atendimento. Ele tem uma clientela fiel.

— Pai! Pai! – entra gritando um menino magrinho de aproximadamente doze anos, nos fundos da pizzaria, onde seu pai prepara a massa. – O Ataulfo tá lá fora.

— Filho, junta aquelas sobras em cima de pia e leva pra ele do outro lado da rua, embaixo da árvore. – fala Romildo, sem perder o foco na massa de sua próxima obra de arte.

O menino juntou vários pedaço de massa com queijo, catupiry, tomate, presunto, lombo canadense, bacon, champignon e azeitonas. Colocou tudo sobre uma caixa de pizza usada e levou para fora.

Ataulfo, ao ver o menino, começa a abanar o rabo e a salivar ainda mais. Não importa o que vem, ele sempre gosta; mesmo quando há somente pedaços de massa para comer (o que é raro), ele fica satisfeito.

O cão come tranquilo e não percebe qualquer aproximação. Enquanto engole mais um bocado de pizza, suas vias são bloqueadas repentinamente. Algo comprime-lhe e garganta com violência e isso o deixa desesperado. Ele não sabe o que é, mas precisa sair daquilo imediatamente e correr. É o que mais quer no momento. Enquanto se debate, pedaços mal mastigados de pizza saem de sua boca. Ele começa a perder a audição, os sentidos em geral. Sente-se sufocado. Seus olhos parecem que vão saltar. Continua se debatendo e usando toda a força que tem para escapar. Um forte pancada na coxa direita o faz cair, mas ele ainda insiste em fugir.

— Cachorro desgraçado! – disse enquanto chutava a pata de Ataulfo. – Agora eu te levo, você não vai escapar!

O agente do centro de zoonoses não irá desistir até capturar Ataulfo. Ele está obcecado em levar o cão, que o fez perder um dente. Sua boca ainda dói. Ver o cão comendo o deixou ainda mais furioso.

Várias pessoas estão na porta da pizzaria; algumas se mostram indignadas com tamanha estupidez, mas há quem esteja achando engraçado. No entanto, qualquer pessoa é capaz de dizer ou fazer algo. Aquele homem, enforcando um dócil cachorro, não parece ser um tipo que usa muito a razão.

Toda a ação é muito rápida, pois desta vez o agente estava com um colega que o ajudou a arrastar Ataulfo para uma kombi branca; não era o veículo utilizado normalmente pelos agentes do centro de zoonoses.

“Agora é o meu fim”, pensa Ataulfo, ao lembrar-se das palavras de seu amigo Linaldo. Ninguém para ajudá-lo naquele momento, mesmo com tanta gente na rua.

Romildo está tão absorto em seu trabalho e não percebe o que ocorre neste momento lá fora.

— Romildo, corre aqui! Grita sua esposa. – Estão levando o Ataulfo embora!

O pequeno e atarracado retirante corre, gritando:

— Ei! Aonde pensam que vão? Deixem o meu cachorro aqui! – no entanto, os homens estão dentro da kombi e ignoram qualquer apelo, saindo em disparada.

Romildo fica profundamente triste. Ele resolve fechar a pizzaria mais cedo, apenas servindo o restante dos clientes.

— Ainda bem que o dono daquela churrascaria nos avisou do sarnento, senão eu não o teria achado. – disse o brutucu ao seu colega motorista.

— O único daquela rua que trata dos cães vadios é aquele paraíba da pizzaria.

— Se eu pudesse, laçava ele também e levava pra morrer na câmara.

Os dois homens gargalham.

Ataulfo não entende o que dizem aqueles homens, mas sabe que eles não são bons. O cão está amedrontado e agora começa a sentir mais a pancada que recebeu na coxa direita.

Linaldo é um grande amigo, pensa Ataulfo. Os homens são sempre mal intencionados. Ninguém o ajudou naquele momento. Onde estava o pequeno e ágil Linaldo para derrubar aquele monstro novamente?

A kombi chega ao Centro de Controle de Zoonoses do município. Ataulfo sente um cheiro horrível lá dentro. “Que cheiro é esse?”, pensa… mas logo conclui, “É o cheiro da morte!”

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18 comentários em “Não confie neles! (Renato Silva)

  1. Pedro Luna
    30 de setembro de 2015

    Porra, isso não se faz. Conto de sofrimento com cachorro? Kkkk… golpe baixo. Gostei, não teve um apelo muito forte (com exceção do natural” pena do animal”), mas quero muito saber o que vai acontecer com o pobre cão. A escrita é positiva, também.

  2. Ricardo Gnecco Falco
    30 de setembro de 2015

    Muito legal o conto partir da perspectiva canina (e felina) para narrar uma história que, infelizmente, é muito mais real do que fictícia.
    Está bem escrito (alguns poucos errinhos só que passaram na revisão, principalmente trocas de “lertas”) e possui um ritmo certeiro.
    Aguardemos a parte final desta saga de Ataulfo! 🙂
    Boa sorte!
    Paz e Bem!

  3. vitormcleite
    29 de setembro de 2015

    pareceu-me haver uma confusão entre há e sem h, e algumas frases parecem ter algum problema de construção e que me perturbaram um pouco na leitura. Tem criatividade mas foi difícil o enredo agarrar-me. Vamos ver se a 2ª parte me entusiasma mais.

  4. Wilson Barros Júnior
    29 de setembro de 2015

    Excelente análise do comportamento dos animais, perfeitamente representada quando “O cão se afasta o máximo possível do local, mas logo esquece o que estava fazendo e resolve descansar numa construção abandonada algumas quadras à frente.”. Muito interessante o diálogo realizado do ponto de vista animal. O estilo é envolvente, muito realista, e a representação da maldade humana é nítida, elaborada com cores vivas. Quero muito ver o final do conto, parabéns.

  5. rsollberg
    29 de setembro de 2015

    Caro (a), A Paradiso.

    Gostei, o conto tem bom ritmo e é fácil de ser lido. Bem descritivo no início para situar o leitor e depois fica mais ágil com a jornada de Ataulfo.

    Com força de fábula tem um pouco de a “revolução dos bichos”, que acabou de fazer aniversário, especialmente na parte onde cita o velho Mathias (Major) “não confia neles”, que é uma variação de “”Quatro pernas bom, duas pernas ruim”. Não sei se foi de propósito, mas também percebi a referencia ao “a Dama e o vagabundo”, quando Ataulfo ganha uma quentinha do filho do Romildo.

    O conto tem um bom gancho. Estou torcendo muito para o Ataulfo!
    E por falar em Ataulfo, acho que o nome poderia ser suprimido em algumas partes, a repetição não chegou a causar desconforto, mas deu uma atrapalhada na leitura.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte no desafio.

  6. Lilian Lima
    29 de setembro de 2015

    Conto lúdico abordando a questão animal e a do preconceito com retirantes nordestinos. Acho que esta metáfora é o ponto forte do conto por ser impactante e que não deixa de ser uma realidade.

  7. Davenir Viganon
    29 de setembro de 2015

    Bem criativa ideia dos cães vendo os humanos como monstros, fugiu do infantil, mostrou o lado sério e urbano de dar vozes aos animais. Só senti aquela falta de conclusão para a história, só vi o gancho. Gostei.

  8. Fil Felix
    25 de setembro de 2015

    Esse é um dos contos que, sozinho, possui um final não tão animador :/ Mas que com uma segunda parte pode se tornar algo totalmente diferente.

    Gostei da história pelo ponto de vista do cachorro, sempre bom ler contos assim. A leitura também está agradável, tirando alguns errinhos e os nomes… Ataulfo? Que raios de nome, acho que nem sei pronunciar! Brutucu? De onde vim conheço por brucutu ou burucutu, por isso achei estranho o.O

    O que mais me chamou a atenção foi o gato em cima do muro, algo bem Alice, que demonstrou ser o único ser que entende a situação. Quando comenta sobre os humanos, de como constroem suas coisas em cima dos animais, achei muito bom!

  9. Jefferson Lemos
    25 de setembro de 2015

    Olá, autor (a)!

    Pois bem. O seu conto tem uma história bacana, mas que ao meu ver, foi prejudicada pelos cães e gatos falantes. Essa coisa de cão e gato que falam não é muito minha praia. Eu não gosto de nada do tipo.

    A narração não é ruim, mas não tem nenhum momento de brilho. Alguma frase marcante ou passagem que tire o fôlego. Os diálogos soaram pouco naturais também. Só gostei da fala em que o garoto diz que o Ataulfo está lá fora.

    De qualquer forma, parabéns pela obra!
    Boa sorte!

  10. G. S. Willy
    23 de setembro de 2015

    O conto escrito no tempo presente e com tantas frases curtas e diretas me incomodou ao longo de toda a leitura. Acho que o autor poderia ter dado melhor tratamento ao texto, lincando uma ação a outra, sem necessidade de tantos pontos finais. Me pareceu estar lendo uma lista de ações que acontecem ao longo da história, e não uma história em si.

    Acho também que o autor poderia revisar as falas dos personagens, deixar menos formal e mais próximo com a realidade de quem se fala.

  11. Maurem Kayna
    22 de setembro de 2015

    impossível não desejar os piores infortúnios para o fdp que pegou Ataulfo; a esperança é que uma segunda etapa do conto traga, não sigo final feliz, que não é necessariamente a melhor solução para um texto, mas um complemento qualquer que me arranque dessa cena do ataque ao animal.

  12. Evandro Furtado
    22 de setembro de 2015

    Tema – 10/10 – adequou-se à proposta;
    Recursos Linguísticos – 9/10 – alguns probleminhas com a ortografia, nada que uma boa revisão não resolva;
    História – 10/10 – boa ideia, excelente execução;
    Personagens – 10/10 – muito bem delineados e cativantes;
    Entretenimento – 9/10 – houve um momento em que dei uma viajada, mas na maior parte me prendeu;
    Estética – 10/10 – cara, por que ninguém fez nada, por quê? Tô com um ódio mortal desse gordo banguela.

  13. Leonardo Jardim
    21 de setembro de 2015

    Não confie neles (A. Paradiso)

    ♒ Trama: (2/5) se desenvolveu de forma até interessante, mas não gostei do final. Analisando somente este conto, o final ficou triste sem ser emocionante. Quando o protagonista morre no final, devemos pelo menos entender o motivo de tal morte, torcer contra ela e não apenas observar incrédulos. Sei que o desafio prevê uma continuação e talvez nela o cachorro se salve, mas a primeira parte é um conto que deve se sustentar de forma isolada. É assim que eu estou analisando nesse desafio: um conto inteiro e não metade dele.

    ✍ Técnica: (2/5) descreve bem e as imagens são nítidas, mas ainda carece de um cuidado na pontuação (ver abaixo). O conto com verbos no presente também me incomodou. Acredito que o autor tem talento, mas precise de um pouco mais de estudo e/ou treino.

    ➵ Tema: (2/2) cotidiano de um cachorro (✔).

    ☀ Criatividade: (1/3) fiquei com a impressão de ter visto esta história em algum lugar (ou vários, talvez).

    ☯ Emoção/Impacto: (2/5) o conto precisava passar emoção para funcionar, mas não funcionou comigo. É difícil trabalhar isso, mas acho que faltou alguma reflexão ou coisa do tipo para que eu sentisse a perda do pequeno cão. Do jeito que foi escrito, ficou um pouco forçado, como que feito apenas para emocionar. E olha que chorei sem parar ao fim de Marley e Eu 😥

    ➩ Nota: 5,5

    Problemas de pontuação:
    ● Eles são muito bons nisso *sem ponto* – diz o esperto Linaldo, sem sair de cima do muro onde descansa.
    ● Não lembro de ter feito nada para que ele me perseguisse *sem ponto* – lamenta o inocente e jovem cão.
    ● as há um lugar especial *sem vírgula* onde ele sempre é bem tratado *e* consegue comer.
    ● ho, junta aquelas sobras em cima de pia e leva pra ele do outro lado da rua, embaixo da árvore *sem pontos* – fala Romildo
    ● Ainda bem que o dono daquela churrascaria nos avisou do sarnento, senão eu não o teria achado *sem ponto* – disse o brutucu ao seu colega motorista

    Um artigo meu sobre pontuação no diálogo: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

  14. Antonio Stegues Batista
    16 de setembro de 2015

    Comecei a ler pensando que Ataúlfo era uma pessoa, pois até então, eu não sabia que o que o homem tinha nas mãos era um aparelho para capturar cães, cambão, ( pedaço de pau que se prendem bestas). Ataúlfo é um cachorro e ele é ajudado na sua fuga por outros animais. Só que, esses animais falam!Então o conto é um fantasia? Até que é válido o cotidiano visto pela ótica dos animais, no caso, Ataúlfo, um cachorro. A narrativa está boa, mas há um erro grosseiro na palavra brutucu. O certo é: Brucutu, substantivo masculino; homem feio, grande.

  15. Brian Oliveira Lancaster
    15 de setembro de 2015

    EGUA (Essência, Gosto, Unidade, Adequação)
    E: Curioso e inusitado. Um cotidiano bem diferente. – 8,0.
    G: O texto tem um tom bastante leve, quase no estilo conto de fadas, mas que consegue prender a atenção. Ponto por mostrar um lado diferente do comum. Não gosto muito de narração no tempo presente, mas aqui foi bem suave. Não sei exatamente o objetivo do autor, mas os animais conversando no final destoaram um pouco da premissa da introdução. Mesmo assim, gostei da leveza. – 8,0.
    U: Errinhos simples, que uma boa revisão dará conta (como na frase “onde ele sempre é bem tratado em consegue comer.” – faltou um conectivo aqui). No geral, flui bem. – 7,0.
    A: Retrata de forma diferente, apesar de o tom lúdico tomar conta no final. O gancho está bem específico. – 8,0.
    [7,8]

  16. Claudia Roberta Angst
    14 de setembro de 2015

    Cotidiano de cachorro. O pessoal gosta mesmo disso aqui, não? Achei que ficou com uma pegada de conto infanto-juvenil. Seria uma boa estória para se narrar com uma cantiga de ninar ao fundo.
    Está bem escrito, sem erros aparentes. Só fiquei em dúvida com um detalhe: como sabiam que o nome do cachorro era Ataulfo? Quem batizou o bichinho?
    A cumplicidade com o amigo gato Linaldo também deu um toque de fofura ao conto. Só fiquei com pena do cão por não ter ficado com a família do Romildo. Bom, mas isso pode mudar na segunda parte, né? Aguardemos! 🙂

  17. Fabio D'Oliveira
    13 de setembro de 2015

    ☬ Não confie neles!
    ☫ A. Paradiso

    ஒ Físico: Admiro autores que optam pela narrativa no presente. É um desafio e tanto. E o impacto causado ao leitor é certamente positivo quando empregado de forma correta. O autor teve bastante sucesso nessa parte. O conto está bem escrito, nota-se que o escritor tem grande domínio da língua portuguesa, e o texto permeia simplicidade. Há certa pureza no texto. Mas não há beleza. Falta algo na leitura. Talvez o conto seja singelo demais. O caminho do meio é sempre o mais certeiro.

    ண Intelecto: A estória, assim como o estilo do autor, esbanja simplicidade e pureza. Isso é ótimo. É bonita, mas não atraente o bastante para conquistar leitores mais maduros. Os personagens ficaram bem caricatos e o protagonista, o bom cachorro, um tanto sem graça. Devido ao tamanho do texto, isso não é ruim. Mas dificulta a aproximação do leitor. Sem delongas, poderia dizer que o conto está bem construído, mas o autor precisa se focar mais nos personagens, principalmente no protagonista.

    ஜ Alma: O texto fala sobre o cotidiano de um pobre vira-lata. No entanto, não consegui captar por completo aquela velha sensação da rotina. Aquela monotonia tão gostosa para alguns e tão odiada por outros. Está dentro do tema, mas de forma rasa. Além disso, acredito que a primeira parte deveria se sustentar sozinha. O texto não teve final. Simplesmente parou. E isso é ruim, pois é broxante. Pelo que entendi na proposta, o desafio era fazer um conto completo e depois fazer um complementar. Bem, a abordagem geralmente é livre, mas cada leitor analisa de uma forma. É assim que estou fazendo.

    ௰ Egocentrismo: Gostei da pureza do texto. E da simplicidade do autor. Mas a falta de profundidade na situação não me agradou. O final brusco foi como um soco na minha cara…

    Ω Final: um conto que simboliza a pureza dos animais e o autor representa isso com simplicidade. Admirável! A falta de aprofundamento da estória é uma das poucas falhas do texto. O cotidiano está presente, de forma rasa, mas o final inexistente prejudica o resultado final.

    ௫ Nota: 6.

  18. piscies
    12 de setembro de 2015

    Legal! Comecei achando que seria a história de meninos jogando bola (influenciado pela imagem), então achei que fosse a história de um menino específico fugindo de um troglodita… então achei que seria a história do menino do discman… mas era, na verdade, a história de um cachorro! A narrativa do cotidiano aqui foi tão interessante que não notei que era uma narrativa… e a transição entre narrativa inicial e narrativa focada no personagem principal foi tão tranquila que eu também não sei ao certo onde termina uma e começa outra.

    Bem legal!

    A escrita está com pouquíssimas falhas. Achei ela bem simples, mas acredito que isto também pode ser visto como uma vantagem do texto, ao invés de desvantagem.

    Parabéns!

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Publicado às 12 de setembro de 2015 por em Cotidiano Veríssimo e marcado .