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Literatura que desafia.

Votos Eternos (Ceres Marcon)

votos

O sorriso trêmulo delatava o nervosismo, quando o branco atravessou a porta da igreja e espalhou-se sobre a nave central escondendo o tapete vermelho que se alongava desde a entrada até a ponta de seus sapatos lustros.

A Ave Maria preencheu o espaço e sufocou os sussurros dos convidados, enquanto ele caminhava ao encontro da criatura diáfana, tão indeciso quanto no dia em que fez o pedido e ela, com olhos marejados, aceitou.

Não ouviu o sermão do padre e, na hora de dizer o sim, as pernas o levaram de volta para casa.

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88 comentários em “Votos Eternos (Ceres Marcon)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Eita, mas não é que o noivo rapou fora mesmo? rsrs.
    Atual, bacana, leve. Boa sorte!

  2. Roselaine Hahn
    27 de janeiro de 2017

    Com esse pseudônimo, não tive como não pensar no Bentinho de Capitu; ótima narrativa; li alguns comentários confundindo a entrada da noiva como se fosse a do noivo. Na minha leitura “quando o branco atravessou a porta da igreja”, e encontrou os sapatos no altar, ficou claro que foi a noiva que entrou na igreja, ou seja, como manda o figurino. Apenas mudaria a palavra “delatava” o nervosismo, por “denunciava” o nervosismo, na minha opinião manteria o vigor do parágrafo. Só esse tantinho, nada mais. Parabéns!

  3. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Um peso (votos eternos) e a recusa (o alívio). Se estava indeciso não deveria ter pedido a menina em casório, meu chapa, rs. Mas também não existiria esta bela história! O ambiente bem delineado, envolvido em lirismo descrevendo o peso de uma angústia que destruía o sagrado: “A Ave Maria preencheu o espaço e sufocou os sussurros dos convidados,”, o sermão que evaporou dos sentidos e a razão arrancando-lhe do destino que ele escolhera, por algum motivo que desconhecemos.
    Graças às suas pernas (as dele), ele seguiria seu caminho…
    Ótimo conto!
    Boa sorte!

  4. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Realmente, é melhor que o noivo desista do que ter um relacionamento ruim. Gostei do conto. Parabéns e boa sorte!

  5. Pedro Luna
    27 de janeiro de 2017

    Putz, não consegui gostar da história. Digo, noivo ou noiva que foge já entrou na lista de acontecimentos que nem me surpreendem mais. Por isso o final do conto não me despertou sentimentos. Mas é bem escrito, só não fui na onda da trama mesmo.

  6. Lídia
    27 de janeiro de 2017

    Meu sonho é ser convidada para um casamento assim! kkk
    Graças a Deus que o noivo desistiu, pq logo já se vê que essa incerteza ia causar um relacionamento complicado…
    É uma temática simples, cotidiana, mas não vejo isso como algo negativo.Quanto aos períodos longos, creio que demonstram o estado de espírito do personagem.
    Boa Sorte!

  7. Simoni Dário
    26 de janeiro de 2017

    Nervosismo ou dificuldades emocionais? Peninha da noiva, mas ás vezes a ficha cai um pouco tarde demais.
    Bom desafio.

  8. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    No meu entendimento, um conto bastante simples, que o autor parece reconhecer quando adota o estilo das frases longas para o leitor absorver em um folego só. Nesse sentido, o estilo, ao contrário do personagem, casou com a história.
    Não há muito inovação, mas é competente no que se propõe.
    De qualquer modo, parabéns e boa sorte

  9. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    O conto é bem escrito. Mas, desde o começo dá pra saber que não vai haver casamento. E o conto termina exatamente com a desistência do noivo. Ao menos foi assim que eu entendi. E, para mim, falo apenas de mim, um micro conto tem que tem impacto ou uma grande surpresa.Oque não ocorreu aqui.

  10. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá, Bentinho,

    Tudo bem?

    Bela homenagem à Machado de Assis e seu universo. Gostei.

    O texto é ótimo, o desenvolvimento da narrativa cativa e as imagens construídas são perfeitas.

    O final fica meio no ar e faz pensar. Ele caminhou para casa com ou sem ela? Imaginei que seria sem, mas o título leva a crer que eles se casaram, além de “Bentinho”, ao menos o de Machado, ser um apaixonado incorrigível.

    Boa sorte no desfio e parabéns por seu trabalho.

    Beijos

    Paula Giannini

  11. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    surpreendente a reviravolta do final que deixa o leitor surpreso e com um leve sorriso, pela situação e pela surpresa. Muitos parabéns

  12. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Bem escrito, com uma trama simples mas que consegue abordar uma questão do cotiano de uma forma muito interessante. A indecisão e o peso de nossas escolhas é a chave da representação do personagem. Gostei, um conto na média.

  13. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Eu já imaginava um final assim, ainda mais quando citou que ele ainda estava indeciso. Mais a estruturação do texto foi muito boa. Um final que costuma acontecer mas que encaixou bem no conto. Boa sorte no desafio.

  14. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Bonito e simples. Um final sem muitas surpresas, mas que só fui entender após a terceira leitura. Gostei. Corretinho.

    Só faltava dizer que a noiva chamava Capitolina e esse noivo fugiu, após sonhar que de sua cabeça brotaram grossos galhos de queratina.

    Boa sorte

  15. Victória
    25 de janeiro de 2017

    Achei divertido! O texto é muito bem escrito, a narrativa leve e a ideia, apesar de manjada, inova por ser o noivo a fugir – curioso como nós achamos isso curioso, por sinal. Parabéns!

  16. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Estranho que no ritual do altar, é a noiva que se aproxima, e não o noivo que caminha em sua direção. E a gente fica imaginando a cena dele, com as pernas bambas de indecisão, voltando para casa. Daí já tinha decidido, não é mesmo? Acho que faltou um episódio que explicasse qual seria a outra alternativa dele. Boa sorte no desafio.

  17. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    Muito bem escrito, isso é fato. Quanto ao enredo, é diferente. Não foi a noiva que fugiu, e a forma como apresentou a recusa dele me agradou bastante. Pude visualizar toda uma cena, a igreja rodando em sua cabeça, as pessoas, os burburinhos, as luzes, a noiva: TUDO pressionando o rapaz, o impelindo ao sim, as expectativas. E então as pernas marchando pela rua, sozinho, com muito ainda acontecendo na cabeça, mas dessa vez ele está livre.
    Eu gostei MUITO do texto. Meus parabéns.

  18. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Então, Bentinho…

    Seu conto é bom, mas num certamente onde alguns saíram dessa coisa linear, o seu foi ofuscado. O momento do clímax já se fazia deduzir, e isso me roubou a surpresa, o espanto, e mesmo invertendo os papeis, porque geralmente é a noiva que fica indecisa, nervosa… não me surpreendeu nem despertou sentimentos.

  19. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Pensei que o conto iria fechar com um final feliz e deixar o leitor com cara de paisagem, mas gostei da surpresa. Deu um gostinho de ironia em relação ao resto do texto, num tom mais sóbrio. Boas descrições, ótimas palavras e cenas (como falar da nave da Igreja). Bom conto.

  20. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    hehehehe muito bom, gostei. Daqueles finais clássicos (coloque fuga de casamento como MANJADO), mas, estranhamente, ainda funcionam. Funcionou com este.

  21. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá. O sobressalto aqui fica na rejeição inesperada, uma vez que o próprio protagonista havia pedido a moça em casamento. A narrativa é superficialmente simples, mas feita de uma perspectiva diferente, estranha aos olhos, inserindo algumas palavras pouco usuais para quebrar o efeito de simplicidade. Gosto desse tipo de jogada, estende a surpresa além da trama.
    Parabéns e boa sorte.

  22. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    Está muito bem escrito. Cria as cenas de forma vívida.
    Mas senti falta de ritmo e um final mais interessante. O noivo foge por que estava nervoso? Fica um pouco sem graça, como história. Sobre o ritmo, é por causa das frases longas. Eu não curto, a menos que sirva pra criar um ritmo, normalmente logo depois de uma série de frases curtas. Esse foi o principal incomodo, o final fraco podia ser ofuscado pela forma.

    Boa sorte.

    Abraços.

  23. Gustavo Aquino Dos Reis
    24 de janeiro de 2017

    Bentinho,

    que conto bem escrito.

    Gostei demais.

    Irretocável.

    Parabéns.

  24. angst447
    24 de janeiro de 2017

    Olhei a imagem escolhida, li o título, senti um clima de romantismo juvenil, ar de primavera espalhando-se pelas poucas linhas. No entanto, o conto pareceu-me esticado nas pontas, talvez devido às frases longas.Sempre prefiro orações mais curtas, que possam causar impacto sem verbalizar demais.
    O noivo, nervoso e indeciso (mas que escolha errada da mocinha,hein?), foge na última hora dos votos eternos. Mas por que eternos? Já que é só até que a morte os separe?
    Agora, reparando no seu pseudônimo, pensei se seria sua intenção apresentar um Bentinho, nervoso e tímido, desistindo de sua Capitu antes que fosse tarde demais.
    Boa sorte!

  25. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO singelo em uma cena simples. A construção é competente, mas a trama deixou a desejar. O final abrupto não gerou o IMPACTO pretendido. Beleza previsível.

  26. Andreza Araujo
    23 de janeiro de 2017

    Interessante notar que o noivo não teve um arrependimento de última hora, como na verdade ele sempre foi indeciso na questão do casamento. E isto reafirma sua história. De outro modo, acho que ficaria muito clichê. Muito bem escrito! Só senti falta de mais vírgulas na primeira parte do conto. Abraços!

  27. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Despretensioso e muito legal. Apesar de ter sentido raiva desse noivo indeciso, a história trata um episódio complicado com frescor. Gostei, vai para a lista!

  28. Marco Aurélio Saraiva
    23 de janeiro de 2017

    Nunca é fácil proferir os “Votos Eternos”, não é?

    Achei o conto muito bem escrito, narrando bem o nervosismo de um noivo indeciso. A linguagem rebuscada não atrapalhou, mas achei que o primeiro parágrafo foi muito comprido, forçando-me a relê-lo para entender tudo o que ele expressava.

    De resto, foi um micro conto legal de ler, mas que narra uma cena um tanto já comum no “olho da mente” da maioria dos leitores.

  29. Fabio Baptista
    22 de janeiro de 2017

    Fiquei com impressão de que a linguagem empregada não combinou muito com o tom do conto. Foi rebuscada em excesso (sem contar o primeiro parágrafo de tirar o fôlego… por falta de vírgula) e acabou ofuscando o tom de humor sutil que o conto poderia ter com essa fuga do altar.

    Abraço!

  30. Miquéias Dell'Orti
    22 de janeiro de 2017

    Olá,

    Clara cena de desistência do casório. Muito bem ambientada e com um final que, apesar de clichê, teve sua inovação. Legal que o ato quase se constitui, ele quase vai… mas por algum motivo nebuloso, retorna para casa sem dizer o esperado sim. É o que deixa abertura para a imaginação do leitor.
    Parabéns.

  31. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    Perfeito. Fugir do sufoco do casamento é ou deveria ser a atitude da maioria que não está preparada para exercer uma vida de abnegação, restrição e dependência. Um conto para o sarcasmo, explorando essa situação de uma maneira divertida. Foge mesmo. Parabéns!

  32. Thayná Afonso
    22 de janeiro de 2017

    O final me fez sorrir, acho que teria feito o mesmo que ele. Votos eternos? Assustador demais para mim, difícil tomar uma decisão dessas. Parabéns pelo trabalho!

  33. juliana calafange da costa ribeiro
    22 de janeiro de 2017

    Bem estruturado, o narrador é forte, o texto, muito bem escrito, é ao mesmo tempo poético (“o branco atravessou a porta da igreja e espalhou-se sobre a nave central escondendo o tapete vermelho”, “A Ave Maria preencheu o espaço e sufocou os sussurros dos convidados”) e bem humorado. Eu, particularmente, compartilho da premissa q o casamento pode ser mesmo algo apavorante, ainda mais se for encarado como “eterno”. Rsrs. Muito bom trabalho, parabéns!

  34. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Delícia de texto! Vai escorregando, escorregando, parece colher de mel. Fora um “lustroso” que virou “lustro”, talvez uma pontuação mais criativa trouxesse mais dramaticidade e um ritmo mais original…Mas deu pra ver o cuidado do autor na escolha do título, da ilustração, dos termos usados para criar imagens impecáveis. Apenas sendo chatinha: o noivo não “caminha” ao encontro da noiva; ela é que caminha ao encontro do pai ou seu substituto que, por sua vez, a entrega ao noivo…

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Informação

Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .