EntreContos

Detox Literário.

Depois que você se foi (Rubem Cabral)

leticia

Então, você foi embora…

Mas não a dor, ela não. Ao invés, enterrou raízes, e tomou forma, e se encorpou com o correr dos dias, e se tornou parte integrante de mim. Cresceu a ponto de ganhar um peso pétreo, que me prostra à cama quase todo o tempo, presa, como um inseto sob um sapato, que, se não chega a esmagá-lo, também não lhe permite escapatória.

Para seu reconhecimento, querida, permita-me comentar que sua ausência prontamente se manifestou e começou a se acumular em todos os cantos dos cômodos da casa, sedimentando-se aos pouquinhos, precipitando em montes frios de poeira, teias, solidão e sombras. Eu até tenho medo de sair daqui do seu lado. Algo de ruim certamente vai acabar sendo gestado, enquanto os tais montes crescem, agora alimentados por mim.

(Lá fora nossos bichos choramingam de fome e as plantas clamam por água, na sala, a secretária pode já ter esgotado sua capacidade de gravar mensagens. Logo alguém baterá à porta, desconfiado por nosso sumiço. Quatro dias).

Os ecos, os ecos nasceram quase que no mesmo instante, no Dia Triste, assim como o silêncio ensurdecedor, que me faz escutar o bombear do sangue, pulsando em minhas têmporas, e cada inspiração que soa sufocada, entrecortada. Estou no fundo e nunca alcanço à superfície a tempo de me salvar.

Mas, merda, pra quê se enganar? Não há salvação, nunca houve, não para gente como nós. Malfadadas desde o princípio, celeradas, condenadas pela sociedade, rejeitadas pela maioria dos membros de nossas próprias famílias. Nós duas de Áries: eu, ainda com ascendente no mesmo signo e Dragão no horóscopo chinês. Fogo e fogo, e mais fogo. O que poderíamos esperar?

Sim, naturalmente, eu chorei e fui muito além. Você já pranteou alguma vez, meu amor, até a fonte parecer secar? Já descamou ao redor dos olhos, com a pele charqueada pelo fluxo sem fim dos córregos de sal? Sentiu os globos vermelhos, vermelhos e inflamados, como que roçando em vidro moído dentro das próprias órbitas? Claro que eu me arrependi de tudo, tenha tido toda culpa ou não, embora isso já não venha ao caso. Em verdade, agora eu me submeteria, de peito aberto, à humilhação mais abjeta – elenque você qualquer uma. Confessaria um rosário de crimes não cometidos e pagaria por eles, com gosto, se eu tivesse a certeza de seu retorno, perdoando-me, ou até mesmo não. Eu, eu só não posso mais suportar sua falta, a extinção de seu ser, de seu amor tão delicado e discreto, escondido em mil gestos do dia-a-dia. A ideia do nunca mais, de que acabou e de que não há retorno, que nosso casamento é um maldito fóssil exposto no museu do mundo, ela é muito dura de se encarar.

“Para sempre” sempre me pareceu tempo demais.

Em minha mente eu revejo o filme de nossas vidas, quadro a quadro, e vivencio mil futuros do pretérito. Se, se… Existe palavra que cause mais frustação? Se eu fosse menos controladora e impulsiva, se você fosse menos orgulhosa ou mais dócil, se eu não houvesse checado seus e-mails e o histórico de ligações, se não houvesse dito então certas palavras-de-ponta-de-faca, se você não vomitasse em troca frases do mais puro fel. Poderíamos ter sido felizes.

Contudo, foram quase vinte e um anos juntas, unha-e-carne, uma inalando o hálito da outra. O que, diabos, queríamos? As noites insones e insanas de amor dos primeiros meses, quando éramos tão jovens, mal saídas da adolescência? Ainda cartinhas perfumadas com corações cor-de-rosa e caligrafia redonda? Dez, quinze ligações por dia, desgastando a frase “eu te amo” a ponto de esgarçá-la feito couro de tambor-surdo? Cheguei a aprender a dizer “eu te amo” em uns vinte idiomas, para parar de gastar a expressão, lembra?

O tempo, nós, nós sempre tendemos a estragar tudo, dado o devido tempo. Nossos cães levados e desobedientes por excesso de mimos, nossas plantas espalhadas nos quintais vizinhos, feito erva daninha. Plantamos tempestades e colhemos furacões. Essas éramos nós.

E fomos mesmo quase sempre assim; cheias de defeitos e, creia-me: são estes que se destacaram e pioram com o marchar inexorável do passado ao futuro. Dentro de uns dez anos, não mais nos suportaríamos, não? Seríamos só motivo de irritação mútua, cada ato, cada palavra (dita ou não, não importa: o que vale é a intenção), apenas causa de ódio, ressentimento, de picuinhas sem fim. E, ao mesmo tempo, estaríamos tenazmente costuradas uma à outra: por medo da solidão, por hábito, por inercia. Não nos moveríamos da prisão que criamos juntas, tijolo por tijolo. Paralíticas, deixaríamos nos levar pela corrente, singraríamos por nossa via-crúcis de carneiros cabisbaixos, até o abatedouro, até o mais amargo fim, quando talvez então – somente então – recordaríamos docemente de alguma parte boa de nossas histórias; da xícara de chá ou colher de xarope no meio da noite, do acalento gentil após um pesadelo, do esquentar os pés que teimavam ficar frios mesmo sob dois cobertores. De eu sempre tratar bem a bruxa da sua mãe, que nunca me aceitou, ou respeitou.

Se pensarmos bem, amor, se pesarmos os prós e contras, a vítima sou eu, pois fiquei aqui, para trás, para sofrer. Pra você foram só poucos minutos, surpreendida no meio da noite por um travesseiro grande, que eu comprara especialmente para o último ato de nossa tragicomédia. Um pouco de pressão sobre o rosto, e você, que, afinal, nunca teve muito fôlego mesmo por causa da bronquite alérgica, logo ficou serena, com expressão de quem ainda confortável dormisse um sonho feliz. Passei a noite abraçada a ti, lembra-te? E, no dia seguinte, o seu cadáver morno e sem máculas me nutriu com falsas esperanças que tudo fora tão-somente um sonho mau.

E, veja, aqui estou: com seu corpo começando a inchar sobre a cama e eu, nua diante do espelho, alisando a minha barriga redonda feito um melão, prenhe depois de finalmente termos convencido aquele modelo ex-namorado de seu irmão mais novo a nos ceder material. Se for menino será Pedro, menina, Marina, ou Letícia, se for trans a gente ajuda a trocar o nome mais tarde. Acho que foi o que combinamos, não foi?

Se fosse menino… Quero dizer. Não, não planejo abortar, eu sou contra, sempre fui. Mas acho que, com quatro meses, se a mãe corta os pulsos, se enforca ou toma uma overdose de calmantes, que o bebê não tenha muita chance por conta própria, não?

Dizem que vai ao Inferno quem se mata, e que tipo Inferno esperará aquela que matou quem mais amava, se suicida, e leva consigo a vida de um inocente, de um anjinho antes aninhado no ventre com infinita ternura? Deve haver – seguramente – algum círculo interno mais nefasto no submundo dos submundos, um de castigos inomináveis, para tipos como eu; gente que tem tanta vergonha de suas ações que apenas pedirá por mais chibata, sem ousar um dia expiar toda a culpa.

Foi bem mais fácil fazer contigo, acredite. Não pensei durante o ato: apenas não cedi, mantive-me forte, sempre fui a mais forte. Você chorava, abafada e surpresa, e eu berrava em minha mente, tão alto que demorei a notar que você já havia partido há pelo menos dez minutos quando finalmente parei. Ao chegar minha vez, no entanto, eu hesito. Não por covardia, você me conhece bem. Mas como garantir que vou conseguir, que não vou apenas piorar minha situação?

Como ter a certeza que não acordarei entubada num quarto de hospital, com um policial armado à porta, e a sua família e a opinião pública, prontas pra me linchar? “O Monstro do Sítio de Vargem Grande” estampado na primeira página dos jornais pinga-sangue. Quem terá empatia então por mim, recém-incluída na tão impopular classe dos monstros? Quem entenderá seus motivos? É tão fácil julgar.

Talvez a solução do meu dilema esteja na precaução, no excesso. Se algo falhar, seria improvável que outra coisa o faça simultaneamente, pois seria muita sacanagem do Murphy. Tomar seis caixas dalgum tarja-preta com uma garrafa-reservada-para-ocasiões-especiais do nosso melhor tinto, e mergulhar na banheira, grogue, já com os pulsos roletados, tudo junto, só para garantir. Poderia também misturar sal à água e improvisar aquele esquema dos filmes de horror, com um secador de cabelo ligado, embora eu morra de medo de levar choque, mas não morra de morrer.

O quê? Hã? Vo… Você… Resolveu finalmente falar comigo? Ah, pensei, pensei que ficaria de birra por pelo menos uma semana, como de costume. Quer que eu espere? Você então ficará? Até o neném nascer? Jura?! Eu, eu não tenho palavras. Me desculpa, minha culpa… Eu…

Sim, droga, eu sei, ser prática: botar a cabeça pra funcionar. Começar pelo começo: sair do quarto, dar de comer aos bichos antes que os pobrezinhos devorem uns aos outros, molhar as plantas, dar um jeito no seu corpo e relatar à polícia sobre o seu desaparecimento.

Não! Que ideia horrível! Esquartejar e queimar os pedaços no quintal hoje à noite, junto com o lixo, folhas e galhos! Passar os ossos que restarem no moedor de cana e espalhar depois o pó na horta? Não! Temos que pensar em alguma alternativa. Eu não seria capaz… Hã, sim, talvez você tenha razão, senão apanharei tanto na cadeia que perderei o bebê. O que for preciso… Só permaneça ao meu lado!

Perdoa-me por ter despejado tanto veneno, tanta tagarelice amargurada, ter te alugado o ouvido com minha chatice sem fim. Só saiba, meu amor, só entenda de uma vez por todas, que eu fiz o que fiz porque – para não gastar mais àquela nossa frase – je t’aime et je t’aimerai toujours. Pra sempre, querida.

28 comentários em “Depois que você se foi (Rubem Cabral)

  1. tamarapadilha
    12 de julho de 2014

    Uau. Chegando ao fim da leitura dos contos aqui postados não imaginava que encontraria um conto tão bom como esse.
    Fui cativada por ele desde o início, provavelmente pela ótima escrita, poética, intensa. E logo em seguida veio o fantástico enredo também. Essa loucura, essa intensidade, o bebê por vir e a frase final… Sem comentários, parabéns.
    As frases que mais me chamaram atenção foram

    “A ideia do nunca mais, de que acabou e de que não há retorno”

    “O tempo, nós, nós sempre tendemos a estragar tudo, dado o devido tempo.”

    Boa sorte

  2. Rodrigues
    11 de julho de 2014

    Pô, eu achei o conto bem sincero, dá pra ver que a pessoa que escreveu está ali, colocando os sentimentos de coisas que passou, mas achei que algumas frases estão floreadas demais. É coisa de estilo, mas eu não gosto. Quando entra a parte reveladora, na qual a morbidez do conto aparece, achei que esse peso (meio sádico, até) não combinou com as imagens criadas no começo, parece que do nada o autor pensa: “porra, agora vou dar um pesada de mão, chocar o leitor”, algo do tipo.

  3. Bia Machado
    10 de julho de 2014

    Pétrya definiu bem: poético e caótico. Uma ótima narrativa, que está muito boa da forma como está e que, se quisesse (mas só se quisesse mesmo) poderia ser esticada para uma história bem mais longa. Li na época em que foi postado e hoje, um bom tempo depois, ainda conseguia me lembrar desse texto. Parabéns!

  4. Cristiane
    2 de julho de 2014

    Gostei muito do texto, da forma como nos apresenta a história e os prováveis motivos. Uma mente doentia divagando sobre seu crime. Muito, muito bom.

    Parabéns!!!

  5. felipeholloway2
    1 de julho de 2014

    A estrutura do diálogo semi-epistolar com um personagem ausente me fez lembrar de dois contos: Apelo, do Dalton Trevisan (http://www.releituras.com/daltontrevisan_apelo.asp), e E Se Fosse um Jardim, do Emerson Braga, postado aqui mesmo no Entrecontos no primeiro desafio temático (https://entrecontos.com/2013/09/05/e-se-fosse-um-jardim-emerson-braga/). Foi uma associação bastante bem-vinda, já que gosto do primeiro e considero o segundo uma pequena obra-prima.

    O autor demonstra notável maturidade no domínio da técnica e ao infundir delicadeza no trato narrativo. Delicadeza que, apesar de às vezes flertar com o piegas, se destaca por não soar artificial. As pequenas vicissitudes do casal são transmitidas num crescendo que nos permite acompanhar de forma natural a escala de degradação que culminou no crime passional. O maior pecado do texto talvez seja não ancorar o recurso expositivo numa necessidade da trama, havendo informações que, por serem compartilhadas por ambas as personagens, não seria preciso apresentar.

  6. JC Lemos
    30 de junho de 2014

    Gostei muito!

    Esse conto não tem um trato linguístico, ou um enredo que costuma chamar minha atenção, mas por algum motivo (talvez pela narrativa e pelas palavras tão bem escolhidas, que deram vida ao conto) eu gostei bastante.
    Nesses últimos dias o trabalho tem drenado toda a minha atenção e percepção, mas consegui ler o texto com toda concentração. Talvez tenha sido o que mais me agradou até o momento.

    Parabéns pelo trabalho e boa sorte!

  7. Thata Pereira
    30 de junho de 2014

    O conto tem uma coisa que me desagrada muito: comecei a ler pensando que o personagem principal era homem. Demorou muito para eu perceber que era uma mulher. Quando percebi quebrou o ritmo.
    Escrever contos nesse estilo é um desafio tremendo, ao meu ver, porque o personagem central precisa ser muito bem caracterizado, precisa convencer o leitor. Infelizmente, não senti tanta firmeza assim :/ Talvez a indicação logo no começo, mesmo que sutil, que se tratava de duas mulheres me faria olhar de uma outra forma.
    Boa sorte!!

    • Letícia Marina
      1 de julho de 2014

      Thata, talvez tenha faltado um pouco de atenção. No segundo parágrafo já se sabe que o narrador é mulher: “presa”. No terceiro, que ela fala de outra mulher: “querida”.

      Então, você foi embora…

      Mas não a dor, ela não. Ao invés, enterrou raízes, e tomou forma, e se encorpou com o correr dos dias, e se tornou parte integrante de mim. Cresceu a ponto de ganhar um peso pétreo, que me prostra à cama quase todo o tempo, presa, como um inseto sob um sapato, que, se não chega a esmagá-lo, também não lhe permite escapatória.

      Para seu reconhecimento, querida,[…]
      Abraços.

      • Thata Pereira
        1 de julho de 2014

        Letícia, obrigada! No segundo parágrafo foi ok, mas a palavra “presa” realmente me passou desapercebida. Vou terminar de ler o conto que estou lendo e vou fazer a leitura novamente 😉

      • Thata Pereira
        1 de julho de 2014

        Bom, vamos lá: resolvi reler o texto levando em consideração que, por uma falta de atenção, o que me desagradou na leitura causou um efeito dominó.
        O conto é realmente muito bem escrito e como todos os monólogos tem construções muito bonitas. Primeiro, ela não me pareceu louca (no final, talvez, mas nem tanto). Ela também não me pareceu nenhum pouco arrependida. O relato me pareceu de uma pessoa completamente ciente e feliz por ter feito o que fez (sinistro!) rs’ Será que ela já possuía esse instinto assassino? Pareceu-me alguém bipolar, encarado dessa forma achei bastante interessante.

        Adorei a última frase.

        Boa Sorte!!

  8. rsollberg
    28 de junho de 2014

    Narrativa impecável.
    Palavras escolhidas de maneira magistral, ótimo de se ler.

    Adoro esses traços de insanidade, essa loucura que possui certa lógica para o personagem. (e pq não para todos?)

    Achei deveras ritmado apesar da linguagem diferenciada.

    Curti muito este parágrafo:
    “Talvez a solução do meu dilema esteja na precaução, no excesso. Se algo falhar, seria improvável que outra coisa o faça simultaneamente, pois seria muita sacanagem do Murphy. Tomar seis caixas dalgum tarja-preta com uma garrafa-reservada-para-ocasiões-especiais do nosso melhor tinto, e mergulhar na banheira, grogue, já com os pulsos roletados, tudo junto, só para garantir. Poderia também misturar sal à água e improvisar aquele esquema dos filmes de horror, com um secador de cabelo ligado, embora eu morra de medo de levar choque, mas não morra de morrer.” (que loucura deliciosa, o final do trecho tem uma loucura tragicômica que me fez lembrar Woody Allen)

    O final não surpreende (nem acho que tenha essa pretensão) mas ainda assim é muito bom!

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  9. rubemcabral
    27 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: a narração diferenciada (diálogo ou monólogo?), a poesia de algumas construções, a tensão, a verossimilhança da relação, a subversão do formato clássico de conto.

    Pontos fracos: o formato ousado, que soa como monólogo, pode não ser do agrado de muitos.

    Sugestões de melhoria: não tenho sugestões, pois gostei muito do texto (cheguei a ficar com um nó na garganta, enquanto lia).

    Conclusão: ótimo conto!

  10. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Um conto interessante, uma boa leitura! Lamento ser lacônico, mas não tenho sugestões, pelo menos no momento. 🙂

  11. Anorkinda Neide
    15 de junho de 2014

    Ahhh.. gostei não.
    O tema do assassino com o corpo da pessoa amada é um tanto batido.
    Não gostei da história em si… casamento desgastado, mas elas decidiram por uma gravidez? e principalmente num casamento desgastado, crises de ciúmes não são tão fortes.
    Acho que falta um pouco de conhecimento de vida para adequar as ideias à vida psicológica do ser humano.
    Enfim, boa sorte, vc tem talento pra escrita, só nao gostei da historia mesmo.
    Abraço

  12. Edivana
    15 de junho de 2014

    Olá,
    É um monólogo muito bem escrito, um tema que está aí para volver os preconceitos; e um assassinato de amor (?). Mas tenho que confessar, só fui realmente gostar do texto nos últimos 4 parágrafos, foi aí que me prendeu, e pena, acabou. Parabéns.

  13. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Gostei. Gosto de monólogos e o seu está muito bem trabalhado.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    10 de junho de 2014

    Não me cativou por completo, mas gostei do tom “Ser ou não ser…” que exalta o sentimento por trás das ações. Muito bem escrito, com palavras de pouco uso, mas que chamam a atenção.

  15. Claudia Roberta Angst
    8 de junho de 2014

    Nossa, conto forte, alimentado por uma seiva poética de muita qualidade. Palavras bem empregadas criando uma narrativa cativante. Melancolia, poesia, terror, tudo junto desnorteando o leitor. E isso é bom, puxar o leitor para fora da sua zona de conforto.
    Medo – “Nós duas de Áries: eu, ainda com ascendente no mesmo signo e Dragão no horóscopo chinês” – pois também sou de Áries e Dragão no horóscopo chinês.rsrsrs
    Boa sorte!

  16. Jefferson Reis
    8 de junho de 2014

    Fazia um tempo que eu não lia algo assim.
    Gostei muito do conto, que, renegando a estrutura “apresentação, desenvolvimento, clímax e desfecho”, opta por um monólogo assustador.
    As palavras, muito bem encaixadas pelo(a) autor(a), despertaram em mim uma amargura melancólica; e as cenas foram tão bem descritas que o sítio, palco do assassinato, se desenhou de forma mágica em minha mente.

    Parabéns!

  17. Pétrya Bischoff
    7 de junho de 2014

    Gostei muito, tudo poético e caótico. Esse amor incondicional, onde o assassínio justifica-se pelo próprio amor. Tenho um conto muito semelhante, só não tão lírico e envolvente. Parabéns e boa sorte 😉

  18. mariasantino1
    6 de junho de 2014

    Eu não entendo muita coisa da sociedade, sobretudo, de modernices (limitações minhas mesmo). Mas eu gostei da leitura, gostei das imagens e da atmosfera que mescla o denso e o suave. Você conduz bem sua trama e o revelar é sem pressa. Isso para mim é louvável.
    .
    A personagem me assustou muuuiiito (isso é bom). Gostei dessa frase: …nosso casamento é um maldito fóssil exposto no museu do mundo. A mente humana é um labirinto, não é mesmo? E tudo que flerta com o LOUCO, me agrada.
    .
    Abraços e Boa sorte.

  19. Adriane Dias Bueno
    5 de junho de 2014

    Por uma questão de gosto pessoal não me identifiquei: matar por amor? Não consegui entender se ela fez isso por estar cansado do preconceito, ou porque estava com algum problema mental. Não acredito que é preferível matar e morrer porque a sociedade não concorda com um estilo de vida e por estar cansado(a) disso ou por que a relação se desgastou. Embora bem escrito, ficou igual a diversos outros textos literários do tipo.
    Desejo sucesso, entretanto.

    • Letícia Marina
      6 de junho de 2014

      Olá, Adriane. Obrigada por comentar o conto.

      Só para esclarecer, pois a informação pode ter passado despercebida: a relação das duas estava certamente desgastada, mas o gatilho que resultou no assassinato foi uma possível traição da falecida, a qual foi seguida de uma grande briga:

      “se eu não houvesse checado seus e-mails e o histórico de ligações, se não houvesse dito então certas palavras-de-ponta-de-faca, se você não vomitasse em troca frases do mais puro fel”.

      Outra vez, obrigada!

      • Adriane Dias Bueno
        14 de junho de 2014

        Agradeço o esclarecimento, Letícia Marina. Mas mesmo assim, matar por ser traído ou traída? Sim, eu sei que isso acontece e na literatura não é diferente, mas eu me ‘revoltei’ (rsrsrsrs) justamente porque ela mata e justifica essa atitude com a traição, como ocorria antigamente, quando alguns homens matavam as esposas ou namoradas, após serem traídos, para defender a honra, os sentimentos pisoteados. Mas essa ‘revolta’ é uma opinião baseada em minha opinião de leitora, que não concorda com isso. Eu preferiria acreditar que ela matou por ter um problema mental.
        Mas, enfim, não devo ter me identificado por causa disso. Agradeço o retorno e continuo dizendo que é muito bem escrito, mas…acho que tu me entendeu.
        Abraço.

  20. Rafael Magiolino
    5 de junho de 2014

    O conto não me agradou muito, mas teve muitos pontos positivos.

    Bem escrito, a poesia é visível em cada frase, mas textos em forma de monólogo não me atraem. De qualquer forma, meus parabéns, pois você conseguiu agradar aos outros colegas.

    Abraço!

  21. Eduardo Selga
    4 de junho de 2014

    Não há muito a falar, dada a inegável qualidade literária do texto. Isso me deixa muito contente, como se eu encontrasse um irmão numa floresta na qual se encontram mais ou menos as mesmas plantas. Felizmente, o conto se coloca na contramão dos textos muito preocupados em retratar e descrever, em “fisgar o leitor” por meio de variações de uma fórmula mais ou menos fixa, na qual se sobrevaloriza o enredo em detrimento do processo de construção textual.

    É uma narrativa poética, com uso de imagens originais, como comparar a expressão “eu te amo” a um tambor cujo couro está muito esgarçado. Mas também há o lugar-comum ( “[…] se você não vomitasse em troca frases do mais PURO FEL”).

    O conto é uma bela demonstração de que regras “sagradas” da construção textual podem e devem ser quebradas, desde que a quebra seja feita com competência e função estética. Digo isso porque não há, a rigor, um ponto de tensão, contudo isso não tira o brilho do texto. Por quê? É o universo interior da personagem, composto por emoções extremadas ao ponto da loucura, o que importa, e ele fica o tempo todo manifesto. A personagem é uma fratura exposta, na verdade.

    Essa loucura é fundamental (“O quê? Hã? Vo… Você… Resolveu finalmente falar comigo?”), pois fica felizmente sem resposta uma questão: é uma loucura decorrente do amor ou preexistia ao assassinato? Se for, estranho amor esse que faz matar, não é mesmo? Não, em absoluto: a passionalidade é assim.

    O que é outro ponto interessante, pois há um certo pensamento clichê em partes do meio social que supõe que a relação amorosa homossexual é uma espécie “amor perfeito”, por serem indivíduos que biologicamente pertencem ao mesmo gênero. É claro, não é assim, humanos que somos, diferente que somos.

    Parabéns!

  22. Letícia Zampiêr
    4 de junho de 2014

    Texto simplesmente incrível! Gosto muito desse estilo mais poético, mais de monologo mesmo.
    Seu trabalho com a escolha das palavras é notável.
    Confesso que às vezes me perdia no que a personagem queria dizer, mas logo depois ela continuava o raciocínio e eu conseguia entender.
    Brilhante!

  23. Fabio Baptista
    4 de junho de 2014

    Muito bom!

    Bem escrito ao extremo, com palavras que parecem ter sido escolhidas a dedo para compor cada frase. Encontrei apenas duas coisas que entendi como problemas de revisão:
    – que tipo Inferno (faltou um “de”)
    – entenderá seus motivos (acredito que era “meus”)

    Detalhes absolutamente irrelevantes para a apreciação desse belo monólogo.

    Confesso que o ritmo cadenciado e o tom poético/melancólico me desestimulou um pouco no começo, mas a qualidade da escrita conseguiu segurar o texto até a história começar a “esquentar”.

    Parabéns!

    Abraço.

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Publicado às 4 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .