EntreContos

Detox Literário.

A Casa dos Espelhos (Letícia Soares)

Segurei o portão de ferro forjado, demorando mais do que o necessário, fazendo mais força do que deveria, só sentindo o frio que passava para minha pele. Finalmente dei um passo e entrei no famigerado terreno. O jardim estava mal cuidado, como se alguém não passasse por lá há anos. O caminho até a porta estava tomado pelo mato e era difícil andar sem tropeçar.

Logo que se subia as escadas da frente, tornava-se visível uma imponente placa de bronze com informações como a data de construção da casa, nome de sua dona, reformas mais importantes e etc. Tomei um momento para ler mais uma vez aquelas informações. Respirei fundo, duas vezes, e abri a porta da frente com a chave que levava no pescoço.

O hall de entrada estava escuro, mal conseguia ver onde pisava. Mas conhecia aqueles corredores, sabia aonde chegar. Na primeira sala, logo à direita, se encontrava uma menininha, sete anos no máximo, brincando com uma enorme variedade de bonecas. Sua pele era extremamente clara e os cachos castanhos desciam pelas costas. Entrei na sala devagar, para não assustá-la.

– Estava esperando por você. – disse ela sem tirar os olhos da boneca que ela penteava;

– Por mim?

– Claro. Faz tempo que você não nos visita…

– …

– Sente-se. – ela finalmente tirou os olhos de sua tarefa e olhou para mim. Eu reconheceria aqueles grandes olhos marrons em qualquer lugar. – Pegue uma boneca.

Sentei-me ao seu lado e comecei a pentear uma boneca, como ela.

– O que aconteceu? – ela perguntou, depois de algum tempo de silêncio.

– Como assim?

– Eu não imaginava que você seria assim. – ela disse apontando para mim.

– Muita coisa aconteceu.

– O que?

– Mais coisas do que uma criança de sete anos pode entender.

– Eu sei mais do que você pensa… Mas você sabe disso.

Parei por um minuto antes de responder.

– Muitas escolhas acabaram me levando a um lugar que não era tão bom assim. Acabou que eu não soube lidar direito com isso.

– Você faria diferente?

Olhei para ela, passei a mão por seus cabelos, e com uma lágrima escorrendo pela bochecha respondi com toda a certeza.

– Não.

Pulando no meu pescoço, ela sussurrou:

– Você é feliz?

– Sou. Não se preocupe.

Ela me soltou e pegou a boneca.

– Você tem outras pessoas pra ver.

Levantei e fui em direção à porta. Parei antes de sair e olhei para trás. Lá estava ela, novamente concentrada nos cabelos de sua boneca, escondendo toda a sabedoria que a infância pode guardar.

Segui em frente pelo corredor. A próxima porta se abria logo à esquerda e estava só encostada. Era um quarto relativamente escuro cuja única luz provinha de uma janela na parede oposta, mas esta estava bloqueada por uma cortina espessa. Uma garota estava deitada na cama, com o chão a sua volta repleto de cartas, fotos e cadernos. Ela estava virada de costas para a porta e quando entrei, ela se levantou.

– Olá.

Caminhei e me sentei junto a ela na cama. Seu cabelo descia liso até a cintura, a cor era um pouco diferente do que eu recordava, mas aqueles olhos eram os mesmos.

– Como você está? – perguntei.

– Você sabe… – ela disse revirando os olhos. – Tem alguma notícia dele?

– Você sabe que eu tenho. Eu sempre tenho.

Ela abaixou a cabeça e riu baixinho, pois sabia do que eu estava falando. Se eu não procurasse sobre ele, o destino faria seu serviço de me deixar saber.

– Um dia vai parar de doer? – ela me perguntou cabisbaixa, pressionando as mãos contra o peito.

– Sim. – eu sorri. – Depois vai começar a doer por outras coisas. E essas também vão acabar melhorando.

Olhei para as cartas e fotos no chão.

– Você sabe que ficar olhando para isso só piora tudo, né? – disse olhando fundo em seus olhos. – É impossível esquecer. Mas vai chegar um tempo em que você praticamente não vai pensar mais nele. Talvez uma ou duas vezes no mês ou só quando encontrar algum dos amigos dele. Você vai jogar fora as fotos e vai guardar as cartas e esquecer onde. Os anos vão passar e tudo vai se tornar um passado distante.

– Você promete?

– Eu prometo. – uma lágrima desceu. – Mas eu não posso mentir. Nós sabemos o que acabou de acontecer e isso vai repercutir muito ainda, principalmente aqui.

Toquei o lado esquerdo de seu peito.

– Mas melhora? – ela insistiu.

– Melhora. Isso eu te garanto.

Ela enxugou uma lágrima e deu um sorriso triste.

– É tudo o que eu preciso saber. Agora você precisa seguir em frente.

Antes de seguir eu segurei seu braço e disse séria:

– Não se esqueça, é aqui que tudo começa. Você vai precisar saber disso no futuro.

Levantei e segui em frente. A próxima porta também era à esquerda, mas estava fechada. Bati e entrei. O quarto não tinha janelas, era iluminado por um único abajur. As paredes eram pintadas de preto e havia livros por todas as partes. Os únicos móveis eram uma poltrona, ao lado do abajur, e uma mesinha, repleta de caixas de remédios.

Uma menina estava sentada na poltrona. Seus cabelos eram cumpridos, levemente vermelhos e ondulados. Os óculos escondiam os olhos, dificultando distinguir sua expressão. Ela tinha um livro nas mãos e parecia altamente concentrada.

– Fique a vontade. – ela disse fechando o livro. – Acho que não preciso me apresentar, não é?

Sorri um pouco sem graça. A diferença da menininha da primeira sala para essa era tão gritante que era difícil acreditar que elas eram a mesma pessoa. Essa tinha olheiras roxas de baixo dos olhos, um pouco escondidas pelos óculos. Os olhos estavam vermelhos e inchados, um pouco sonolentos, como se ela tivesse acabado de ter uma crise de choro.

– Você não vai falar nada? – ela perguntou um tanto agressiva. Eu esperava esse encontro, mas não tinha a menor ideia de como seria.

– Acho que me despedi de você há tão pouco tempo… Fica difícil saber o que falar.

– Você saiu daqui, – ela disse apontando para si mesma. – a mais tempo do que você imagina. – ela fez uma pausa e continuou. – Eu preciso perguntar uma coisa… Vale a pena?

– O que?

– Tudo isso! O mundo, a vida…?

– Vale. – disse com toda a convicção.

– O que te fez mudar de ideia?

– Nenhum evento específico… Eu não acordei um dia e decidi que tudo estava bem. Eu mudei, as circunstâncias mudaram, a vida mudou. Nada na vida é estático e essa é a coisa mais importante que você vai aprender. Isso e que nem todas as pessoas do universo são imbecis.

– Eu vou fazer amigos?

– Muitos! Alguns vão embora logo e sim, você vai sofrer. Mas logo você vai conhecer novas pessoas e a vida vai continuar… Muito em breve você vai decidir que não quer mais ser espectadora da sua própria vida e a partir daí as coisas vão melhorar muito.

– Você faz parecer facílimo.

– Eu sei que não é. Você ainda vai chorar muito ainda, vai ser obrigada a se descobrir como pessoa, vai ter crises várias vezes, vai ter medo de piorar… Até que um dia você vai abrir os olhos e descobrir que gosta que quem vê no espelho, que não quer mais usar a gilete, que as crises quase não existem mais e que você está simplesmente feliz.

– Feliz?

– Sim, feliz.

Ela sorriu, o melhor que pode.

– Acho que você precisa seguir agora.

– Tem mais alguém que eu precise ver?

– Só mais uma pessoa.

Um pouco confusa deixei o quarto. A porta restante era a última do corredor, de frente para mim. Entrei e, à principio, estava absolutamente escuro. Então, uma luz iluminou o quarto, mostrando que ele era todo revestido de espelhos. Desde as paredes, até o chão e o teto. Devagar me aproximei do espelho que estava a minha frente, notando que a imagem não se movia junto comigo, como deveria fazer. Ele só ficava lá, parada, a minha espera. Quando cheguei próxima o suficiente, ela começou a falar.

– Olá. É a nossa vez de conversar.

– Mas, com quem eu estou falando? – eu perguntei confusa.

– Eu sou você, bobinha. – ela fez um gesto de desdém com a mão. – Hoje, agora.

– Tudo bem… – eu disse bem devagar, tentando assimilar.

– Vamos ser diretas e francas, por que assim poupamos tempo para as duas. – ela disse me indagando com a cabeça. Depois que assenti, ela continuou – Porque todo esse medo?

– Medo? Eu não t…

– Hã-hã… Diretas e francas.

– Eu não sei. Acho que tenho medo de perder o que eu tenho.

– E o que é que é que você tem de tão importante que não pode perder?

– Minha sanidade. Você viu ela? – eu disse apontando para trás, indicando o quarto de que eu acabara de sair. – Eu não quero voltar a ser ela…

– Você não vê? Não tem como você voltar. – Ela parou, tomou folego e continuou. – Acho que você não está entendendo. Mesmo que aconteça o pior com você, que tudo volte e que você fique doente de novo. Olhe para quem você é agora, e lembre-se de quem você era. São pessoas completamente diferentes. Olhe para quem você é!

Ela fazia movimentos frenéticos em direção a todos os espelhos a nossa volta. Encarei por um momento meu reflexo e vi que ela estava certa… Eu sabia quem eu era, o que eu deveria ser e por mais que algumas coisas ainda tivessem de ser ajustadas, eu estava infinitamente melhor. Eu estava bem pela primeira vez em muito tempo.

– Fora que, de que adianta ter toda essa sanidade e não viver para aproveita-la?

Olhei para o chão. Mas o meu reflexo me encarava de volta, então voltei meus olhos para ela.

– Você sabe que eu estou certa.

– Mas ainda assim é difícil…

– Eu sei, querida, eu sou você.

– O que eu faço?

– Viva! Agora!

Quando ela disse isso me virei e sai correndo. Voei pelo corredor e quando cheguei do lado de fora a claridade me cegou. Fechei os olhos para me acostumar, mas ao abrir, me encontrava em um consultório, com alguém me encarando.

– E então? – a terapeuta perguntou.

– Eu entendi. Eu finalmente entendi.

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27 comentários em “A Casa dos Espelhos (Letícia Soares)

  1. felipeholloway2
    12 de julho de 2014

    Bom, a escrita em si tem poucos deslizes, mas o mote perde força pelo tom autoajudesco (quase no sentido literal do termo autoajuda). Lembrei-me, por exemplo, de As cinco pessoas que você encontra no céu. No geral, achei fraco.

  2. tamarapadilha
    12 de julho de 2014

    Engraçado que aqui no desafio entramos em contradição. Critiquei alguns contos por terem um lado muito reflexivo, e ao mesmo tempo cheguei aqui e adorei esse… Não consegui descobrir que era ela que estava revisitando suas fases até ela estar de frente ao espelho, acho que foi lentidão de minha parte.
    Realmente o fim ficou um pouco fraco, mas não sei se eu faria diferente. Despertaram minha atenção principalmente as frases:

    Os anos vão passar e tudo vai se tornar m passado distante.

    – Mas melhora? – ela insistiu.
    – Melhora. Isso eu te garanto.

    Boa sorte.

  3. Bia Machado
    10 de julho de 2014

    Pensei que seria um conto de terror, sei lá por qual motivo. Não me cativou muito, talvez por isso o tenha achado arrastado. Também não me agradaram os diálogos, achei as falas meio sem-vida. E o final não me agradou muito, embora eu sempre diga que o autor é que deve saber como conduzir, mas no meu caso não funcionou, desculpa. Boa sorte pra você!

  4. Cristiane
    4 de julho de 2014

    Gostei dos encontros da personagem consigo mesma em várias fases da vida, através deles podemos perceber algumas características da personagem, imaginar alguns acontecimentos em sua vida, nada muito definido e isso nos dá a oportunidade de viajar na imaginação. O final me surpreendeu!
    Parabéns e boa sorte no desafio!

  5. rsollberg
    2 de julho de 2014

    A narrativa é muito boa, nem um pouco cansativa. A estória é bem interessante, essa imersão em nós mesmos, confrontando todos os nossos “eus”.

    Os diálogos são bem ágeis e conseguimos notar a diferença de tons da “mesma” personagem.

    O final não me surpreendeu tanto, acho que esperava algo mais fantástico ou fatalista. Cest la vie…

    Um bom conto.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  6. JC Lemos
    30 de junho de 2014

    Achei que pareceu um pouco de auto-ajuda também…
    Não é o estilo de texto que procuro ler, mas foi bem agradável. Assim como outro conto que li aqui, esse me remeteu ao Gaiman também. Talvez seja eu que esteja propício a ver o estilo de Gaiman nos textos que estou lendo. rs

    No geral, gostei da narrativa. Foi simples, direta, e com construções boas no decorrer da estória.

    Bom conto!
    Parabéns e boa sorte!

  7. Thata Pereira
    30 de junho de 2014

    Eu estava gostando muito do conto, até o final. As duas últimas frases me decepcionaram muito. Eu gosto que quebrar o texto mostrando que algum personagem está em um consultório médico/psicológico, mas para mim que já passei por uma experiência bem parecida (digo até que me olhei no espelho lendo), não funcionou. O encanto quebrou com o final, porque o conto é leve até as duas últimas linhas, quando li senti um peso enorme na narração.

    Mesmo assim, percebi no autor(a) uma visão muito apurada sobre a vida: percebemos o quanto o sofrimento passado foi passageiro, mas temos medo que o vivido no presente não passe. Sinceramente, considero esse o mal mais perigoso do nosso tempo. Principalmente por ser o problema mais negado entre as pessoas… mas deixa eu parar por aqui, porque tenho umas ideias muito caducas diante de tudo que foi apresentado no conto. rsrs’ Gostei muitíssimo!!

    Boa sorte!!

  8. rubemcabral
    27 de junho de 2014

    Resolvi adotar algum critério de avaliação, visto que costumo ser meio caótico para comentar.

    Pontos fortes: mote interessante, bons diálogos, bom desenvolvimento de personagem..

    Pontos fracos: faltou um tantinho de revisão, o texto resvala em “autoajuda” ou ficção espírita, a ambientação poderia ter sido mais esmiuçada.

    Sugestões de melhoria: revisar, descrever um tanto mais,

    Conclusão: bom conto!

  9. Tiago Quintana
    23 de junho de 2014

    Bom conto. Gostei especialmente dos diálogos, achei-os bem construídos e razoavelmente críveis, dado o contexto. Sugiro apenas um pouco mais de atenção às normas de formatação – diálogos não devem ter ponto antes da travessão, por exemplo.

    • Tiago Quintana
      23 de junho de 2014

      DO travessão, desculpe.

  10. Tom Lima
    15 de junho de 2014

    Muito interessante.
    Gosto particularmente da frase: “de que adianta ter toda essa sanidade e não viver para aproveita-la?”

    Foi muito gostoso de ler, fluiu bem e prendeu a atenção. O autor tem bom domínio da técnica e eu gostaria de ler mais material dele ou dela.

    Mas parece que o conto não atingiu a profundidade que se propôs ao trata de um tema tão intimista e pessoal. Noto isso principalmente nos diálogos.

    Um conto bom que pode se tornar excelente.

    Parabéns!

  11. Anorkinda Neide
    15 de junho de 2014

    Ah… outro conto que eu gostaria de gostar, mas nao gostei.. rsrsrs
    O final me frustrou muito… eu pensava que a moça havia morrido, suicidio, de repente. Acho q ficaria mais significativo assim, embora fatídico.
    Gostei da simbologia das janelas… em cada quarto, elas diminuíam, até nao ter mais janela, significando a introspecção da personagem, se fechando com o passar do tempo.
    ao menos, assim entendi.
    Mas como já foi dito, as crianças nao estao bem definidas em suas fases de vida e mais, eu preferiria que elas, as crianças, lhe ensinassem algo e não a adulta lhes passando conselhos.
    O quarto dos espelhos é o ponto alto e me tocou profundamente a simbologia de nao ter para onde olhar senao para si mesmo.
    Mas o diálogo ali, achei fraco, auto-ajuda realmente, mas uma auto-ajuda rasa, que seria o ápice do conto, com um final redentor, mas não pega o leitor com a euforia que o(A) autor(A) pretendia.

    A narrativa também, achei que foi um relato do q a protagonista visualizava, mas sem um trato literário no texto.
    Bem, é isso ae.
    Abraço

    • Anorkinda Neide
      15 de junho de 2014

      ahhh.. como outro comentario ae, eu tb pensei em fantasmas no incio, acho q por isso eu pensei na morte da protagonista.

  12. Swylmar Ferreira
    15 de junho de 2014

    Gostei!
    Um conto introspectivo e denso onde o personagem revisita sua vida em diversos momentos. Bom enredo e boa narrativa.
    Parabéns pelo conto

  13. Brian Oliveira Lancaster
    15 de junho de 2014

    Gostei. Começar direto em um evento é uma boa jogada. O tom intimista prende a atenção. Lá pelo meio já entendi o que estava acontecendo, mas isso fez entender melhor o ponto de vista da narradora.

  14. Edivana
    15 de junho de 2014

    Bom dia,
    Não deixo de admirar a trama que você desenvolveu, mas achei que não ficou bem executada. Logo no final do diálogo com a criança imaginei que poderia ser um encontro com ela mesma. Senti que faltou profundidade nos diálogos, emoção. Boa sorte!

  15. Thiago Tenório Albuquerque
    12 de junho de 2014

    Não consegui me identificar com o texto. Ele é interessante, mas não me atingiu, questão de gosto pessoal mesmo.
    Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio.

  16. mariasantino1
    8 de junho de 2014

    Olá!
    .
    Um texto bastante intimista, cheio de imagens. Gostei do refletir diante do espelho.
    .
    Alguns deslizes que pede uma revisão mais apurada, e também vi o uso incorreto da crase (à principio).
    .
    Abraço e Boa Sorte.

  17. Jefferson Reis
    8 de junho de 2014

    Não senti muito de “autoajuda”, como alguns comentaram.

    Não sei se é um conto autobiográfico, como é o caso de um que escrevi, muito parecido com esse, chamado “Aquele sou eu, no canto” (caso tenha interesse e queira comparar nossas narrativas, ele está em meu blog).

    No geral, gostei.

    Mas quero ressaltar algo comentado por Eduardo Selga, que é a semelhança entre as três fases da personagem. A criança deveria ser mais infantil. E eu, como leitor, esperava que as fases fossem apresentadas seguindo a ordem cronológica, da mais nova para a mais velha: menininha, pré-adolescente, adolescente, depois os espelhos.

    Fiquei frustrado por ter aparecido a pré-adolescente depois da adolescente.

    E, é claro, a casa poderia ter sido melhor aproveitada e descrita.

    Sua ideia é boa e pode ser ainda mais trabalhada.

    • Tom Lima
      15 de junho de 2014

      Acho que é ao contrário do esperado (menininha, pré-adolescente, adolescente) pois as memórias mais recentes estariam mais superficiais, mais próximas da entrada. Só acho… 🙂

    • L. Lispector
      13 de julho de 2014

      A adolescente aparece depois. O que acontece é que ela tem um relacionamento relativamente nova. Pense nas idades como 13 e depois 17 anos, ou algo assim.

  18. Pétrya Bischoff
    7 de junho de 2014

    Gostei do medo de perder a sanidade -presente em mim-, e de voltar a momentos passados/pesados. No entanto, o eixo condutor não me envolveu, e o desfecho de análise não me agradou. Certamente outros poderão apreciar melhor, boa sorte 😉

  19. Eduardo Selga
    6 de junho de 2014

    Parece-me que o texto pretendeu a ambientação do insólito, ao instalar a protagonista com diversas fases e faces dela mesma numa casa com ares de abandono. Entretanto, o resultado não logrou pleno êxito.

    Contribuiu para isso, principalmente, o fato de a narradora-personagem ter em suas enunciações um tom didático. Na verdade, lembra um pouco o romance de tese, no qual o autor organiza o enredo de modo a convencer o leitor desta ou daquela ideia. Claro, toda prosa ficcional pretende aliciar o leitor, convencê-lo de algo (racional ou não), mas os instrumentos para isso não devem ser evidentes, pois uma das graças da literatura é essa sedução subliminar. Por isso, acredito tenha faltado sutileza na construção textual.

    Outro fator determinante foi a pouca diferenciação física e psicológica entre as versões da protagonista que participam do enredo. Todas parecem uma mesma adolescente. A primeira, por exemplo, teoricamente uma menina, da infância só tem as bonecas, pois sua grande maturidade é desproporcional. Provavelmente foi de propósito, na intenção de, talvez, causar um estranhamento no leitor. Mas em todas “fases” a personagem mostra o mesmo nível de maturidade. No encontro com a terceira, por exemplo, mesmo a narradora dizendo que “era difícil acreditar que elas eram a mesma pessoa” (comparando com a menina do início), não convence. Exatamente por essa nivelação emocional entre elas.

    Por conta desses entraves, dois grandes símbolos deixaram de ser melhor explorados no conto: a casa ( o universo interior da pessoa) e o espelho (a voz da consciência). O uso deles foi muito corriqueiro, sem produzir de fato o insólito que, parece-me, foi na intenção autoral.

    • Eduardo Selga
      6 de junho de 2014

      Corrigindo as duas últimas linhas: […] o insólito que, parece-me, foi A intenção autoral.*

  20. Claudia Roberta Angst
    6 de junho de 2014

    O tema é interessante. No começo, achei que se tratava de fantasmas, mas não é o caso. Alguns deslizes escaparam da revisão. O final ficou meio aguado, apagado , faltou uma pitada de algo. No geral, achei bacana. Boa sorte!

  21. Adriane Dias Bueno
    5 de junho de 2014

    Com certeza o conto nos ajuda a pensar em coisas que precisamos lembrar a nós muitas vezes, nesse mundo onde a sanidade e a insanidade não possuem um limite definido. Bem escrito, mas atente para: cabelos ‘compridos’ (substantivo advindo de comprimento), não ‘cumpridos” (verbo cumprir ou relativo a cumprimento de cumprimentar); fôlego ainda leva acento, por ser proparoxítona. Ainda há alguns outros errinhos de acentuação que, no futuro, podem ser corrigidos.
    Na questão criatividade, embora um texto bonito, pareceu muito “auto-ajuda”, nada contra, mas é um pouco mais do mesmo, por isso não me identifiquei muito.
    Mesmo assim, desejo sucesso.

  22. Fabio Baptista
    4 de junho de 2014

    O texto me causou uma sensação de “estranheza”… no bom sentido.

    Me senti imerso num sonho, algo meio tétrico. Pensei que seria uma história de terror, mas mesmo quando percebi que não era bem isso, o sentimento estranho continuou.

    Algumas repetições de palavras (“ela” e “boneca”, por exemplo) me incomodaram, mas nada demais.

    Não me agradou em cheio, acredito que pelo tom meio “auto-ajuda” que senti em algumas partes. O final também poderia ser melhor trabalhado… foi surpreendente, mas não uma surpresa boa.

    Um bom conto, no entanto.

    Abraço!

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Publicado às 4 de junho de 2014 por em Tema Livre e marcado .
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