EntreContos

Detox Literário.

Não, não e não!! (Limítrofe)

Um deus de longos dedos e olhos fatais sempre protegeu os pais em prejuízo dos filhos, ao lado dos mais fortes, todo-poderoso, acompanhado de uma legião de monstros e assombrações. 

Por maldade, ou não, o pai lhe deu o nome. 

 A cada chamada (na escola), aguardava as gargalhadas. Ajeitava os óculos e examinava o caderno, em busca de um apontamento mal elaborado, tentando se concentrar na leitura. Não, não e não!! Não tinha nada a fazer. Enfrentava a zombaria. Sempre sozinha. Cada vez mais, esgueirando-se, escondendo-se como se culpa tivesse.

Nem um apelido sequer. A menina era obrigada ao estigma, como uma sombra disforme a segui-la. Riam dela. Riam do nome. Quando olhava para a professora em busca de apoio, ela virava o rosto — ar de riso.

Antes de ir para as aulas de balé, tinha de fazer um coque. Colocava em frente da pia do banheiro um banquinho onde subia para poder se olhar no espelho. Passava gel no cabelo, esticando-o para trás, fazia um rabo de cavalo, que enroscava até formar um coque, enfiava com cuidado exatamente quinze grampos, a rede e um laço de fita. Pegava na gaveta um espelho de mão para espiar o coque de diferentes ângulos. O medo era que a professora a chamasse para arrumar o cabelo. PELO NOME. 

Olhava-se de novo no espelho e indagava se aquela que via era a mesma que sentia. Na esperança de obter uma resposta, puxava o cabelo com força excessiva…

Era a única que não ria quando diziam seu nome — chorava, chorava como se chora diante do inevitável. Não, não e não!!

O irmão, Sérgio (nome de gente), para ela, era uma barata. Um daqueles insetos sujos, capazes de passar por qualquer buraco. Ele exibia um olhar torto, sempre acompanhado de resmungos. Acusava-a de carregar o nome como quem usava um casaco velho. Com vergonha. 

Ele nunca lhe fez um gesto agressivo, jamais lhe encostou um dedo, mas a torturava com palavras. Uma vez, ele bateu a porta da cozinha com tanta força que a parede balançou. Repetia seu nome e gargalhava. A garota caiu na provocação. Sem aviso, jogou-lhe um garfo no rosto. Ele sentiu as pontas espetarem os lábios inferiores. Por instinto, fechou a boca. O garfo ficou preso, uma flecha balançando no centro do alvo. Ela recebeu castigo e as afrontas continuaram. Não havia comunicação possível entre os dois — os fones nos ouvidos, disparavam punk-rock a milhões de decibéis.

Mas, foi Sérgio quem, na época da faculdade, a instruiu. Explicou-lhe que juridicamente era possível a troca de nomes, desde que houvesse uma razão que justificasse.

Ela iluminou-se. Não podia haver justificativa melhor do que ter a vida anulada por conta do nome, escolha do pai. Ninguém mais do que ela teria tal direito: poderia, então, mostrar-se; e, sentiu o mundo se abrindo.

No dia da audiência, compareceu limpa, lavada, inexpressiva. O juiz balançou a mão na frente do seu rosto e lhe perguntou o nome. Ela o disse, esperando que fosse a última vez. O meritíssimo estourou numa gargalhada. (“O desejo de vingança é inato em todos nós”, ela havia lido isso em algum lugar. De fato, existiam poucas pessoas incapazes de se vingar. Vinha a reação após a desfeita. À ofensa correspondia uma defesa.) Só isso. 

A vingança não ajudava a esquecer a desconsideração, nem a apagá-la. Apenas dava a sensação de restabelecer um pouco de justiça. Mas o conceito de justiça também era, sempre e de todo modo, pessoal.

Não, não e não!!

 SURTOU… desfechou a bolsa com toda força. Ela bateu de novo, de novo e de novo. O juiz era só espanto: a cabeleira emaranhada, sangue borbulhando no nariz, na boca.  

O tique-taque dos segundos lhe ecoou dentro da cabeça. Ela se forçou a correr e correr. Guiou pelas ruas e enquanto avaliava como os fatos se desenrolaram.

Em casa, ofegante por causa do esforço, tratou de se aliviar. Tirou os sapatos e chutou-os de lado. Depois, os óculos de sol e, da bolsa tirou o celular, a carteira, uma caneta, as chaves da casa. Uma sacolinha com dobradiças e parafusos — encomenda de Sérgio. Foi depositando tudo na mesa da sala. Quando se preparava para retirar a fita do Senhor do Bonfim do braço esquerdo, notou que o tampo da mesa se remexia, como areia movediça. Os objetos… desaparecendo. Engolidos… 

Um transtorno! Teria que enfrentar chateação e burocracia para providenciar a segunda via dos documentos. Fazer novas chaves. Criou coragem e meteu a mão naquela abertura. Vasculhou o vácuo na esperança de resgatar os pertences. 

Meu Deus!! Foi, ela própria, sugada para dentro do buraco dimensional. Em instantes precipitou no abismo do desconhecido. Não, não e não!!

Onde estava? Seu alarme instintivo tocou, os nervos se agitaram como um curto-circuito, enquanto girava o corpo, e via o mundo virado de cabeça para baixo. 

Como pode ser idiota a ponto de cair numa armadilha? Sentiu que a raiva tomou conta dela e que depois, pouco a pouco, se transformou numa sensação mais líquida: autopiedade. Não bastava ter um nome daqueles?

Na cabeça, golpes martelavam sem parar. Tremia. Frio? Sentia picadas de milhares de moscas dentro dos pulmões. Mal respirava. E, não conseguia sair do lugar. As moscas se moveram para dentro das pernas.  Doíam de uma dor, quase como se estivessem sendo arrancadas. 

Fechou os olhos e os abriu em seguida. Outra vez. E outra. Não via nada. (Estariam abertos mesmo?)

Sim: uma lâmina de luz embaixo, à direita. Foi então que viu as chaves, a pulseira, a carteira e outras coisas que reconhecia serem suas e havia muito as perdera. Outra vez, fechou e reabriu os olhos: lá estavam, mesmo, seus pertences, flutuando no plasma, como ela:

O caderno-diário comprado de uma lojinha sem graça. Ainda não sabia se tornaria a escrever nele, mas estava contente por tê-lo encontrado. Deu uma olhadela para o despertador, velho e barulhento — tac, tac, tac… sem tic. A mochila roxa, como o caderno. A calça de moletom com elástico, um casaco molambento, camiseta meio descosturada, sandálias — tudo roxo, a sua cor.

O abajur da mesinha de cabeceira passou por ela. Horrível, ROSA com uma cúpula de plumas sintéticas. 

Ali estavam todos os objetos do cotidiano que misteriosamente desapareciam. Não só os objetos, mas pedaços da vida. Assim, quem sabe, poderia encontrar também um nome decente… Uma sensação de alegria a invadiu. (E, esquecia-se de um possível destino: cair por toda a eternidade naquele fosso sem fim.)

Ao menos, se a viessem prender por causa da agressão ao juiz, nunca a encontrariam. 

Não, não e não!! Não era apenas o nome que a incomodava… Saudades, sentia, ainda que não recordasse como era não ter esse buraco que se cavou nela com o passar do tempo. Tentava parar de pensar. Contudo, o seu ponto fraco era ficar parafusando:

Havia a torneira de água quente. Um barulho cortante atravessava os canos, quando a abria. Havia uma forma de evitar: bastava abrir a torneira da água fria primeiro, e depois fazer a quente escorrer aos poucos. Todos da casa faziam assim. Tinha tentado, mas o barulho varava as paredes, seguido pelas batidas em ritmo enfurecido, cada vez mais rápido, no mesmo instante em que a abria. Ela a fechava o mais depressa possível e saía correndo. O resultado era que ou tomava banhos frios ou aproveitava a água suja, mas ainda morna, deixada na banheira. Um inferno.

O encanamento era uma ameaça concreta. Mas o homem das sombras pertencia ao reino dos mortos, e não se deixava tratar da mesma forma. Podia estar no armário, na escada e até mesmo embaixo da cama ou no banheiro. Os pesadelos eram verdadeiros! E, um inferno também.

E a menina-moça dentro de si, escondida num canto dela mesma, as mãos ainda segurando forte a boneca, Marina (lindo nome!). 

Quem sempre a incomodou era a vizinha, Cecília (nome inveja). Às vezes, sua memória fotográfica era irritante, mas na maior parte das vezes era tremendamente útil, em particular quando chegava a época das provas de fim de semestre. 

O amigo do irmão, jeans justo, os olhos imensos e arredios que a fixavam sem compromisso. Ela, decidida a prestar atenção nele, começou a vê-lo, ver mesmo, não apenas olhar. Reparava nos movimentos, no nariz fino, nos lábios… Caio (nome feliz).

De repente ela amava. Caio a sua frente… Separados de tudo. A foto: um sorriso que ela não era capaz de reconhecer mais como seu. O queixo levemente inclinado para cima e os olhos quase fechados, num relance de alegria.

O que uma mulher não faz por um homem quando está apaixonada? A pergunta vinha lhe batendo na cabeça. E quando a paixão é correspondida, melhor. Porém o assunto veio à baila:

— Meu nome o intimida?

— Mais ou menos assim.

Então, a melhor aposta foi jogar duro. Não, não e não!! 

Assim, os momentos se tornavam cada vez mais agitados. Turbulentas vozes vinham da cova da sua alma. Ela se jogava ao chão e esperneava. Será que foram assim todos os dias e ela nunca percebera? Aquilo era a sua vida passando pelo limbo, enquanto ela era como uma toalha perdida em mãos perdidas. (Havia tempos mantinha aquela rotina e, agora, acabara engolida.)

— Ei, você!!!

Ela estacou de súbito. No meio da linfa, ela se sentiu distinguida.  Chamaram-na e não foi pelo nome. 

Estacada, pela primeira vez, ela enxergou sua condição de um ângulo diferente. Reparou nas cicatrizes no braço direito e nos pulsos. Aceitou-as ao invés de repeli-las. Elas estabeleciam uma junção, uma união profunda consigo mesma. Não havia estorvo.

— Ei, você!!!!! — ouviu novamente. Dessa vez se virou. Não tinha mais como escapar. Observou à volta. 

Inconsciente, tomou o sentido contrário ao fluxo, abrindo com dificuldade um espaço para si. Queria encontrar quem a chamara. Mas não havia ninguém. Ou…?

Um flash iluminou o espaço! Uma miragem? Um anjo mergulhado contra a corrente? 

— Não, não pode ser um anjo, eu não acredito em anjos. (Via-se também refletida no plasma e aquilo deu-lhe a certeza de que continuava viva. No fundo, eram apenas sensações. Mas, de todo modo, eram delas.)

Rumores, de início distantes, ficaram mais próximos. O tilintar de uma colher. Alguém tossia: era a vida. Continuava a tremer, agora de medo. Abriu os olhos, o plasma pareceu se mover, foi se abrindo. O maldito nome repetido, repetido. E ela se descobria tesa, muda. 

De repente a voz familiar:

— O que está fazendo debaixo da mesa? 

— Hã. Hã-hã. (Voltou porque voltar era o imprescindível e assim o queria demonstrar. Ligeira, esconde-escondendo. Mordeu a parte de dentro da bochecha. Ela nunca contaria os detalhes para ele. Tinha certeza de que o irmão não desejava ouvi-los.) 

— Converse comigo — ele pediu e a abraçou. (Um dia, quem sabe, ela entenderia por que um simples abraço a feria mais que uma punhalada.)

— Procurava minha carteira — gritou. Mas saiu um fio rouco e desafinado, o som de um instrumento de sopro que tivesse ficado muito tempo embaixo d’água. Sacudiu a cabeça para afastar ideias que considerava estúpidas. E, contou o acontecido no fórum.

— Não se preocupe. Vou dar um jeito nisso — o irmão falou com falsa naturalidade (demais para se assimilar). Apertou o pulso dela com força e a obrigou a se erguer:

— Tudo é possível.

— Mas pouco provável — fraca demais para replicar. 

— Tomou seu remédio? — (Ela não poderia nunca explicar como uma tão pequena cápsula podia iluminar com tamanha intensidade baça. Era engoli-la que ia se formando uma torrente, sempre alimentada, engrossada.) 

— Não, não!

— Preocupo o tempo todo pensando que se você beber algo, comer algo ou se mover do jeito errado, terá um ataque. (Ele não oferecia palavras poéticas sobre os mistérios da vida ou conselhos para consertar o problema.)

Ela tomou banho e vestiu o pijama roxo. Sozinha no quarto ajeitou os travesseiros e ficou ali sentada, olhando para o vazio. (Pessoas, que tomam tantos comprimidos quanto ela, costumam fazer isso.) 

Revirou que revirou na cama. Acordou cedinho, um pouco nervosa. O corpo, pesado demais. Uma relação estranha com a casa vazia: às vezes, transmitindo-lhe liberdade, outras, uma sensação sutil de angústia, como se estivesse prestes a perder tudo o que tinha. 

Incapaz de preencher as expressões: um sorriso, um olhar de surpresa, outro de dúvida, ou de questionamento, a cara de curiosidade, de encorajamento, de deleite, não pôde conter as lágrimas. Havia um ponto em que o corpo se esgotava, quando os músculos e nervos não tinham mais nada a dar, quando só o que restava era brio, a recusa em ceder. E era assim que se sentia.

Por quanto tempo essa sensação perduraria? Não havia saída, cercada por todos os lados: pelo hoje, pelo começo e pelo fim. Esse jeito atrapalhado com que ela levava a vida. Até agora…

Não, não e não!!

A cabeça cheia de imagens se concentrava, em particular, no anjo no bálsamo.   

SIM. Ela entendeu. Soube que seus pensamentos estavam sendo limitados por muros. E, descobriu um jeito de consertar tudo sozinha. 

Rasgou fotos e documentos, quebrou o celular. Escondeu a face. Em fúria defendeu o direito de estar só. Deveria se esquecer de si mesma. ANÔNIMA.

E, vagou por aí e por aqui. sem dinheiro, sem amigos, sem esperança, sem nada.

Ela ia desfazendo seus anéis, desarmando o bote, até que restou apenas um corpo aos pedaços. Vozes a povoaram. Nas arestas das esquinas, os infortúnios. Cacos de telhas no rosto. Besouros nas cavidades do nariz. Espinhos, fogo e fezes. 

Foi enterrada como indigente. Sem identidade, sem lápide e sem nome…

Enfim, descansou em paz.

27 comentários em “Não, não e não!! (Limítrofe)

  1. gisellefiorinibohn
    30 de novembro de 2020

    Garota com nome constrangedor entra em uma espiral de paranoia que a leva à loucura e, por último, à morte como indigente.
    Gostei de muitas coisas neste conto: a ideia do nome embaraçoso que se torna um peso a se carregar vida afora é sensacional. O fato do nome não ser revelado foi outro toque de gênio. O desfecho também foi incrível: a redenção da morte anônima. Amei tudo isso!
    Também não gostei de várias coisas, mas, antes, tenho que revelar que tenho um certo TOC na literatura. Uma das minhas birras é pontos múltiplos (!!, ???), outra é parênteses (que ironia, estou usando agora, mas aqui não é literatura!), outra é trechos com letras maiúsculas pra criar ênfase (SURTOU), outra é reticências em excesso, outra é trechos em itálico pra distinguir pensamentos em primeira pessoa na narração em terceira, outra ainda é vírgula que trava a leitura. Infelizmente, seu conto tinha tudo isso. Mas, repito, isso não significa de modo algum que seu trabalho não seja excelente; são apenas escolhas estilísticas e há, inclusive, muitos escritores talentosíssimos que as fazem também, mas eu não os leio hahaha…
    Quero deixar claro que gostei muito, muito mesmo deste conto. Desculpe se falei alguma besteira!
    Boa sorte no desafio!

  2. Marco Aurélio Saraiva
    26 de novembro de 2020

    RESUMO: A personagem principal tem um nome que a fez sofrer por todo o início da vida e que jamais conseguiu resolver. Isso a levou a problemas psicológicos graves que culminaram em uma vida miserável e indigente.

    Este conto ressoa com muitos dos meus pensamentos. Eu costumava andar por ruas e mais ruas do Rio de Janeiro o tempo todo por trabalhar lá e passar lá a maior parte dos meus dias. Onde você for, tem mendigos. Muitos mendigos são loucos. Andam por aí falando nada com nada, resmungando sozinhos, dançando, rindo. Perto da minha casa tinha um mendigo que carregava uma boneca de plástico e às vezes fazia indecências com ela à plena luz do dia. Eu sempre me perguntei quais eram as histórias destas pessoas. Como chegaram ali, sabe? Será que sempre foram loucas? Será que a família desistiu de tentar ajudar e deixaram que vivessem na rua, assim, largados à própria sorte?
    No seu conto descobrimos a história de uma destas indigentes. A personagem tinha tudo para ter uma vida comum e feliz, mas por causa de um nome infeliz dado pelo pai e pela negligência de todos ao redor, seguiu um caminho diferente. No fim, queria ser anônima. No fim, abraçou a loucura e viveu nas ruas como pedinte. É horrível, mas acredito que muitos dos mendigos nas ruas deste Brasil têm histórias parecidas: potenciais incríveis desperdiçados pela negligência.

    Seu conto é bem escrito. Seu estilo é único. A leitura do conto é conversativa, com o narrador praticamente trocando ideias com o leitor como em uma conversa de bar. Foi uma leitura interessante.

  3. Amanda Gomez
    25 de novembro de 2020

    Resumo📝 Menina sofre bullying a vida toda por causa do seu nome. Depois de perder as esperanças de resolver essa questão legalmente se entrega a loucura, passa a viver nas ruas e é enterrada como indigente.
    Gostei 😃👍 Não contar o nome dela foi um acerto. Dificilmente seria algo que superasse a imaginação ( como já disseram) gostei da história e a construção dela, da pra ver pouco a pouco uma condição provavelmente pré disposta a loucura se formar na personalidade da menina. O abuso vem de dentro da própria família, ela estava cercada dificilmente conseguiria fugir. Paralelo a isso fico imaginando se essa questão do nome não é só na cabeça dela, se era um nome comum e ela imaginou diferente. Da pra pensar várias possibilidades mesmo. O ápice do conto e justamente o final, em que ela em condição de rua se torna ninguém e quando morta isso só se confirma, achei uma sacada excelente e muito inteligente. É triste, mas tem uma poesia embutida aí. Gostei, parabéns!
    Não gostei 😐👎 O texto se estendeu demais, acho. Digo, acho que se fosse mais ágil o resultado teria sido melhor, pelo menos nas parte do delírio eu fiquei um pouco cansada de acompanhar.
    O conto em emoji : 👤

  4. Leda Spenassatto
    25 de novembro de 2020

    Resumo:
    Uma menina que carrega o nome dado por seu pai como um estigma que lhe envergonha e lhe causa sérios problemas sociais.
    Comentário:
    Legal seu conto, a ficção relatando a realidade. A infeliz escolha do pai da personagem, faz com que ela carregue seu nome como um peso, motivo de chacota e bulim. Ela sofre sem o apoio do irmão, Sérgio. Seu sofrimento desencadeia transtornos de personalidade.
    O desfecho justifica o nome que a menina não aceitava, porém ficou muito explícito. Poderia ser um pouco mais abrange.
    Não sei se vais me entender. Gosto de finais abertos . Porém, isso é um probleminha meu não seu.
    Um montão de sucesso.

  5. Paula Giannini
    24 de novembro de 2020

    Olá, Contista,
    Tudo bem?
    Resumo – Um nome mal escolhido prejudicando toda uma vida.
    Minhas Impressões:
    Um conto que contempla um ciclo perfeito. Aqui, o(a) autor(a) nos apresenta a premissa, desenvolve a trama e entrega o desfecho com uma coerência ímpar e muito bem executada, além de bela.
    Interessante notar que, ao não revelar o nome da personagem, o(a) escritor(a) utiliza uma técnica muito inteligente e bastante usada, por exemplo, em textos de terror. O monstro mais feio é, justamente, aquele que não é descrito, mas sim, imaginado pelo leitor. Assim, para esta leitora aqui, ficou a impressão de que “Não, não e não” seria o nome da protagonista não só pela maneira como o conto está organizado, com o jargão se repetindo a cada momento de revolta por ter ouvido o próprio nome, como pela sonoridade que este repetir-se causa. Mais uma vez, muito bem executado.
    A história prende o leitor do início ao fim. O desfecho, porém, é a cereja do bolo. O que para muitos é um terrível drama, ser enterrado como desconhecido, para a personagem criada é a redenção, ainda que ironicamente tardia.
    Parabéns pelo ótimo conto.
    Como digo a todos por aqui, se erro em minhas impressões, apenas desconsidere.
    Desejo grande sorte no desafio.
    Beijos
    Paula Giannini

  6. Elisa Ribeiro
    24 de novembro de 2020

    O drama de uma personagem cujo sofrimento psicológico tem como causa o nome risível escolhido por seu pai.
    Gostei do seu argumento, o nome, essa alcunha aleatória que todos recebemos dos pais sem possibilidade de escolha como causa de dor e sofrimento psicológico na personagem. Confesso, entretanto, que enquanto lia fiquei me questionando se tal conflito seria suficiente para desencadear tamanho trauma. Isso me levou a pensar que talvez o argumento funcionasse melhor em uma narrativa menos realista, mais alegórica e fantástica. Mas isso, caro autor, é só chatice de entrecontista.
    Achei a narrativa excelente, acompanhamos a trajetória da personagem em uma cadência sem tropeços ou sobressaltos, construções sintáticas que não entediam nem desafiam além da conta, parágrafos curtos, linguagem que em nenhum momento soa afetada. Eu diria que foi a narrativa que mais me agradou até o momento. Nada notei que tenha escapado a revisão.
    A cena do surto da personagem diante do juiz, achei excelente. A ressalva seria a longa sequência em que o surto se desdobra, que me pareceu exageradamente longa, em desequilíbrio temporal, se é que isso existe e que me faço entender, com a fase anterior do texto. Por um momento fiquei pensando em um autor que, empolgado com a própria criação, acabou estendendo a cena além do que seria conveniente ao texto. Mas logo outra impressão me veio. A de que o autor tentou fazer caber as outras dimensões do trauma da menina ( a história da banheira, do homem das sombras, do amigo do irmão, e tal), para além do nome esquisito, ele próprio, o autor, refletindo que somente um nome infeliz é insuficiente para tanta dor. Talvez uma escolha diferente, a diluição de alguns episódios em outros pontos do conto, funcionasse melhor, fiquei pensando. Mas de qualquer forma, foi a sua escolha, e ela não tira o brilho do texto, antes, impõe a assinatura da autora.
    Por fim, acho que o desfecho que você acrescentou ao conto se estendeu por demais e acabou por provocar em mim o mesmo efeito, só que invertido, da cena do surto: certo desequilíbrio de tempo narrativo, nesse caso, acontecimentos demais resumidos em poucas linhas. Como leitora, preferia um final bem mais aberto, sem tantas explicações sobre o futuro nada surpreendente da personagem.
    O que gostei: a forma sutil como você recheou de humanidade o irmão da protagonista.
    O que não gostei: todas as ressalvas que fiz acima refletem apenas o meu imenso gosto em ler o seu conto. Ou seja, o que não gostei foi de sentir certa invejinha de seu texto excelente. Brincadeira, é sempre uma felicidade encontrar uma escrita segura e cheia de personalidade como a sua.
    Parabéns pelo excelente trabalho.
    Desejo sorte no desafio. Abraço.

  7. angst447
    21 de novembro de 2020

    RESUMO
    Protagonista sofre a vida inteira por causa do seu nome de batismo que lhe traz situações de humilhação. Quando finalmente pensa que irá resolver seu problema, surta e larga tudo. Vai se desfazendo de tudo, de si mesma, e acaba enterrada como indigente e anonima, sem o nome que tanto a envergonhou e causou a sua loucura.
    AVALIAÇÃO
    Conto bem escrito de acordo com uma ótima premissa. A protagonista é muito bem caracterizada assim como a ambientação. O fluxo de leitura oscila um pouco, pois em algumas passagens o ritmo ralenta um tico, mas em outras desliza facilmente. No geral, senti compaixão pela moça de nome-que-não-se-deve-pronunciar, pela humilhação sofrida desde cedo apenas por causa de uma escolha do pai. Será que o nome era assim tão ridículo? A ponto de um juiz não conseguir se controlar e rir da coitada?
    Há algum significado de roxo ser a cor preferida da protagonista?
    1) Para o ser humano, o roxo é cor mais difícil de se enxergar; = e ninguém a enxergava porque o nome já era uma barreira na sua apresentação?
    2) Tem sido utilizada no tratamento de distúrbios mentais porque estimula a área do cérebro de resolução de problemas, ajuda a equilibrar a mente e a transformar as obsessões e medos; = era isso que ela buscava?
    3) Associada À criatividade;
    4) É calmante e está ligado à intuição e espiritualidade;
    5) Dizem que as pessoas criativas e excêntricas são atraídas justamente por esse tom, por ele ser tão original;
    (fonte:https://followthecolours.com.br/gotas-de-cor/roxo-50-curiosidades-que-voce-nao-sabia-sobre-cor/ )
    O desfecho dado À trama ficou muito bom, embora seja frustrante para o leitor não descobrir o nome da protagonista. Melhor assim, manter o mistério e deixar que o anonimato abrace a coitada na sua última jornada.
    Boa sorte e que seu nome não desapareça neste desafio.

  8. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Um dia dei formação a uma mulher que se chamava Belinha. Contou a história na aula: ela tinha nascido em França e quando o pai a foi registar perguntaram-me pelo nome da criança, o pai não percebeu. Depois repetiram: “como é que a chamam em casa?”, ao que ele respondeu pelo diminutivo de Isabel. E foi assim que ficou “Belinha”. Lembrei-me disso ao ler o seu conto, que achei confuso. Nele, uma mulher chamada Não, não e não acaba por suicidar-se e é enterrada como Anónima, que sempre é um nome decente.
    Achei que o conto está excessivamente confuso, sem se evidenciar o objectivo do autor ou autora. Até o resumo é uma suposição.

  9. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Limítrofe.

    Conto sobre a relação conturbada entre uma mulher e seu próprio nome. Graças ao nome, ela cresce em meio a situações constrangedoras, extremas, que a levam à loucura. Em uma tentativa de eliminar o nome de sua vida vai viver nas ruas, de forma anônima e, quando morre, é enterrada como indigente.

    Trata-se de um ótimo conto. Muito bom mesmo. Um dos que mais gostei até o momento. Achei que o método narrativo, com essa alternância entre a voz do narrador e os fluxos de pensamento da personagem (também narrados na terceira pessoa), criou um panorama que descreve bem a situação mental delicada pelo qual passa a personagem e permite que o próprio leitor chegue à conclusão de que ela está louca, ou a caminho de ficar. A relação dela com os objetos, como o diário, o remédio, a água, ambientam perfeitamente todo o cenário.

    Também gostei muito do enredo. A relação dela com o nome ser o motivo pelo qual ela vai ficando perturbada é algo muito original. E permite algumas outras interpretações. O nome não é nato, mas é algo que carrega desde que se conhece por gente, dado por seus pais (o pai, no caso). Há um paralelo aí com a loucura, que pode ser hereditária, e que também pode ter sido lhe passada pelo pai. E o final é totalmente condizente com o conto. Sem nos revelar qual é o nome (uma vez que o nome pode ser absolutamente simbólico, ele realmente não é necessário e revela-lo teria deposto contra o conto), a personagem encontra a paz que sempre buscou no anonimato.

    Acho que a única coisa que tenho a comentar como negativo é a dificuldade que tive para comentá-lo. Tenho que admitir que foi difícil. Li e reli alguns trechos mais de uma vez tentando buscar os detalhes que sentia que iam ficando para trás. Mas é um ponto negativo meu, não do conto. O conto é isento de críticas.

    É isso, boa sorte no desafio!

  10. antoniosbatista
    19 de novembro de 2020

    Resumo: Por causa do seu nome de batismo, garota entra em depressão e acaba louca.
    Comentário: Gostei do argumento, da ideia. A escrita, o modo de dizer as coisas, a narrativa não é ruim, porém há muitas repetições sobre um mesmo detalhe, a mesma ação. Quando há muita divagação, a leitura se torna chata, aborrecida, pois não chega a lugar nenhum. Há que evitar encher o conto de palavras e não dizer o que interessa. Um conto para ser bom, não necessita ser longo. Poucas palavras podem dizer tudo com a mesma eficiência. A evolução da personagem de menina para a fase adulta, não foi descrita com clareza, não percebi isso. Uma hora ela está pegando o banquinho para se olhar no espelho, por ser criança e logo em seguida está no fórum para trocar de nome. Faltou uma descrição mais detalhada sobre esse ponto. Você focou mais na evolução do distúrbio psicológico da garota e pouco na sua evolução biológica/temporal dos fatos. O conto precisa de uma boa lapidação para ficar melhor do que já é. Boa sorte.

  11. Leandro Rodrigues dos Santos
    17 de novembro de 2020

    Menina perde seu nome, portanto sua identidade.
    Tecnicamente, se interessada, observe as repetições de ‘como’ (sugiro a substituição por tal qual, feito…) e ‘que’ (por gerúndios, virgulas), e de algumas palavras por sinônimos, há muitas repetições. Erros em colocação pronominal, principalmente ênclise em infinitivo, gerúndio e oração coordenada.
    Um ponto a destacar-se é a manutenção do nome no obscurantismo.

  12. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: A protagonista se sente amaldiçoada com o seu nome, acumulando uma série de constrangimentos devido à forma como se chama. Quando enfim chega o momento de alterar a tão terrível denominação, surta, voltando para a casa, onde se perde em um limbo que a permite se virar sobre si própria. É, por pouco, resgata pelo irmão, mas a verdadeira salvação foi quando se desapegou de tudo que tinha, inclusive da própria identidade, enfim, separada da maldição. Separada de si, separada do nome.

    COMENTÁRIO: A premissa é mesmo interessante e a construção da narrativa foi, no geral, bem pensada. O início nos dá recortes da vida da personagem, permitindo entrever as dificuldades que enfrenta ao lidar com o estigma de seu misterioso nome (os outros entrecontistas já pontuaram, mas repito que a escolha de não revelá-lo foi acertada). Ao mesmo tempo em que vemos o amadurecimento da personagem, também vemos o seu gradual desmoronamento, consolidado na audiência com o surto. Para mim, este foi o ponto alto do conto. De certa forma, o que sucede é o desdobramento da epifania da protagonista, absorvida por um limbo em que a narrativa envereda para o fantástico. Enquanto é outra maneira interessante de explorar a psique traumatizada da personagem, a maneira como foi escrito acabou me afastando da leitura. Anteriormente, problemas com vírgulas e colocações pronominais já tinham aparecido, do que tomei nota; aqui, o problema principal foi uma certa falta de objetividade, a qual atende ao caráter abstrato desse momento da trama, mas que por vezes não realmente acrescenta à estória, como o parágrafo voltado à água da torneira ou a repentina menção ao amigo do irmão… embora sejam elementos que compõem o cotidiano da personagem, flutuante em seu limbo existencial, a maneira como foram trazidos para a narrativa não me pareceram agregar. A repetição do “não, não e não” titular também me pareceu excessiva, mesmo problema dos recorrentes parêntesis, que passaram a soar invasivos. Com o tempo passado no limbo, sobrou pouco tempo para o final, que foi coerente, mas, pela rapidez com a qual foi narrado, perdeu um pouco do impacto.

    Boa sorte.

  13. Ana Maria Monteiro
    16 de novembro de 2020

    Olá, Autor:
    Resumo: a protagonista é uma pessoa que imputa ao nome que lhe foi dado pelo pai (e a mãe, onde está?) a culpa por todo o seu imenso infortúnio – que é imensamente grande, pelo menos na sua imaginação. Após anos de angústia e vendo frustrada a sua tentativa de muar de nome, perde o juízo de vez e sai de casa, anónima, assim vivendo o resto dos seus dias até que, já morta, é sepultada sem nome e, enfim, descansa em paz.
    Comentário: A mãe é uma ausência neste conto, uma ausência demasiado óbvia para que conseguisse ignorá-la. Decidi então, numa segunda leitura, reconstruir a história na minha cabeça e dar um nome à personagem para conseguir comentar: será Tiip. TIIP porquê? Porque TIIC (transtorno de identidade e integridade corporal) é o nome dado à doença rara caracterizada pelo facto de o paciente não conseguir identificar um dos membros como sendo tão seu quanto os outros e só consegue sentir-se bem consigo cortando esse bocado que lhe “sobra, está a mais”. Assim, TIIP, será o transtorno de identidade e integridade pessoal. E, por comodidade pessoal, vou retirar-lhe um I e o seu nome será “Tip”.
    Bem, Tip, cujo nome, muito sabiamente, não chega a ser desvendado, é uma doente mental. O seu problema materializa-se nome que lhe foi dado pelo pai. Sabendo nós que o nome costuma ser dado pelos pais e que todos nós nascemos de uma mãe, atrevo-me a arriscar que a mãe de Tip morreu de parto e que seu irmão, Sérgio, seja, tal como parece, mais velho que Tip.
    É possível e provável, nesta minha construção pessoal do conto, que TIP tenha nascido já mentalmente propensa à doença mental, que a mãe tenha morrido no parto e que o pai lhe tenha dado um nome que ela sempre detestou, até porque se detesta a si mesma e se culpa pela morte da mãe.
    É também possível e provável que esse nome (quase juro que o autor não lhe escolheu nome nenhum, depois me dirá) fosse bastante fora do vulgar, mas, seja como for, Tip é doente mental (talvez esquizofrénica, já que a doença que lhe inventei não existe – por enquanto) e sente que todos gozam com o seu nome. Ela odeia o nome, é provável que sofra de bullying, seja pelo seu nome, seja pela forma como reage ao escutá-lo e esse fator irá piorar muito o seu quadro clínico.
    O conto diz-nos que toma medicação regular e que o seu irmão Sérgio é alguém que tenta ajudá-la, inclusivamente a mudar de nome (a esperança é a última a morrer e Sérgio deseja que essa mudança possa ajudar a irmã). Pode ser que a audiência tenha sucedido, pode ser que tenha sido imaginado por Tip. Num caso ou noutro foi a gota de água que fez transbordar o copo.
    Tip tem visões (genial esse mergulho que remete diretamente a Alice, mas essa parte está um pouco confusa), sente-se cercada. Não fisicamente, mas uma vez mais pela identidade que lhe é dada pelo nome, “pelo hoje, pelo começo e pelo fim”, Não tem saída possível e decide apartar-se de tudo quanto a liga a si, pois só assim poderá libertar-se do nome.
    O comentário vai excessivamente longo e posso ter “viajado” sem qualquer sentido, mas quem lê (e eu li) faz do que lê algo seu, alternativamente não faz nada. Eu fiz a minha história com a sua, espero ter acertado (ao menos em parte), mas se não acertei foi o que li e foi o que você me deu.
    Não encontrei falhas dignas de reporte, você escreveu um excelente conto.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  14. Jefferson Lemos
    14 de novembro de 2020

    Resumo: a história da vida de uma personagem que sofre por conta de seu nome, que não é dito no conto, e acaba tendo surtos engatilhados por esse motivo. Da vida à morte, um retrato da negligência e como ela afeta a vida de muitos.
    Olá, caro(a) autor(a).
    Gostei do seu conto. Sua história foi muito boa, o recurso do nome ser o motivo do surto e em momento algum sabermos o nome, foi muito bom. A narrativa foi se desenvolvendo bem e eu li sem muitos problemas. O que me incomodou um pouco foram as viagens mentais da personagem, acho que poderiam ser mais direcionadas como na segunda metade, que usou do recurso do flashback, falando de acontecimentos passados na vida da personagem. A cena dela batendo no juíz foi muito boa, e apesar de parecer meio fora da realidade, encaixou bem no conto que já mostrou um tom “absurdo” desde o início.
    Você tem uma escrita muito boa, agradável e conseguiu criar uma atmosfera angustiante ao redor da trama. Mais um dos grandes desse desafio!
    Parabéns e boa sorte!

  15. Anna
    13 de novembro de 2020

    Resumo : Uma mulher acaba morrendo em situação de rua. Tudo isso pelo fato de não aceitar seu nome esquisito. A protagonista cria várias paranoias que giram em torno de seu nome e acaba por ficar louca.
    Comentário : Amei o conto.Na minha opinião a protagonista já possuía tendência de enlouquecer e se não fosse pelo nome outro fato teria lhe levado a loucura. O conto mostra o perigo das crenças negativas, a protagonista se considerava dona do pior nome do mundo e isso a destruiu.

  16. Fabio Monteiro
    13 de novembro de 2020

    Resumo: Crise de identidade, causada pelo nome incomum dado a personagem. O desespero é tanto que a personagem surta enquanto busca resolver seu problema.

    Parece algo bobo, sem muito sentido, surtar por causa de um nome. Quem nunca viu uma cena assim?
    Na escola, no trabalho, na rua, na vizinhança. O bulling causa um transtorno mental altamente destrutivo, capaz de levar o individuo a surtos dos mais variados. Alguns se tornam depressivos, outros agressivos. Alguns perdem a capacidade de amar pela forma como a situação vai ganhando forma.

    Gostei de ver retratado no conto estas questões.

    Nesta narrativa a personagem se perde por completo. Para ela, viver as margens da sociedade teve mais sentido do que estar dentro dela.

    Sem falar nas questões familiares. Tudo muito caótico na vida desta moça.

    Boa Sorte autor(a)

  17. Fheluany Nogueira
    12 de novembro de 2020

    A protagonista tem problemas de identidade (o nome é um símbolo), de relacionamentos na família e na escola, é violenta. A audiência para a troca de nome é o estopim para surtos de loucura. Foge de casa, torna-se moradora de rua e, ironicamente, é enterrada como desconhecida.

    O nome é um elemento de individualização da pessoa na sociedade. É um direito de personalidade, algo íntimo. O nome é uma etiqueta carregada por toda a vida. Há muitas dicas durante o texto para que o leitor perceba que a jovem era mentalmente perturbada: o caso da torneira, a briga com o irmão… O nome é apenas mais um item que remete à personalidade dela.

    Texto criativo e interessante, bem escrito, com estilo ágil. As marcações em itálico e entre parênteses lhe conferem um ar de modernidade. O realismo fantástico condiz bem com o tema da loucura e o desfecho foi de um sarcasmo inteligente. Não apresentar o nome foi um recurso bem pensado.

    Bom trabalho. Sorte no desafio. Um abraço.

  18. Fernanda Caleffi Barbetta
    9 de novembro de 2020

    Resumo
    Garota com nome estranho vira piada e acaba desenvolvendo problemas sociais e psicológico por conta disso. Acaba decidindo tornar-se uma indigente, sem identidade.

    Comentário
    Gostei do seu texto. Ideia bastante criativa e interessante. Ter deixado para falar o nome apenas no final foi uma bela sacada porque manteve a minha atenção e curiosidade até o fim. Pelo menos, pelo que eu entendi, o nome dela é Anônima… será que entendi errado?
    Muito legal o final, onde ela acaba tornando-se de verdade uma anônima e encontrando a paz, enfim. Muito bem sacado esse seu desfecho.
    Entendi que as partes em itálico são referentes ao pensamento dela, beleza, pode ter ajudado na compreensão do enredo, mas não gostei muito das informações entre parênteses… uma intromissão desnecessária do narrador, que acaba quebrando a leitura. Poderia ter colocado como um pensamento dela também, em itálico. É uma sugestão.
    Poucos deslizes gramaticais. Citaria apenas Molambento – mulambento
    “Preocupo o tempo todo pensando!”

  19. Misael Pulhes
    8 de novembro de 2020

    Olá, “Limítrofe”.

    Resumo: garota de nome vergonhoso (que não nos é apresentado) sofre com essa imposição “identitária” e, na ânsia de trocar de nome, lida com o caos de sua mente.

    Comentários: poxa, eu gostei muito. O texto é bem escrito e a virada pra parte fantástica (meio Alice no País…) condiz muito com a estrutura e conteúdo do conto. Até a linguagem muda. Muito competente.

    Alguma lapidação e corte de excessos poderia ser feito ali no meio, talvez. A forma como lidou com o tema NOME, e o desfecho são pontos altíssimos da obra, que elevam-na a uma das boas criações desse certame. Eu diria que tem boas chances, hein?! Parabéns e boa sorte!!

  20. Priscila Pereira
    7 de novembro de 2020

    Resumo: Mulher surta em uma audiência de troca de nome e não consegue mais sair do surto, acaba morrendo e é enterrada como indigente.

    Olá, Limítrofe!
    Eu gostei do seu conto. Fiquei curiosa com o nome da protagonista, mas sua decisão de não revela-lo foi muito acertada, nenhum nome seria tão horrível como os da nossa imaginação. Então, o conto é bem escrito, bem revisado, a parte que mostra a loucura dela ficou bem interessante e fácil de acompanhar, deu pra visualizar bem a cena. Acho que o nome sozinho não foi o problema, ela com certeza já tinha propensão para a loucura, o nome só deu o último empurrão. Nesse conto vemos a fragilidade de uma mente onde o nome desencadeia um grave problema mental. O final foi triste mas sugere que a protagonista conseguiu o queria, usou o pouco de sanidade que lhe restava para bolar um plano que proporcionasse o fim que ela desejava. Foi uma vitória.
    Parabéns pelo conto e boa sorte!
    Até mais!

  21. Bianca Cidreira Cammarota
    7 de novembro de 2020

    O conto relata a trajetória da protagonista em uma vida à sombra de seu próprio nome indesejado, gatilho para seus surtos psicóticos.

    Limítrofe, seu conto é impactante, voraz e angustiante, já que passa, com maestria, o mundo caótico da protagonista. O nome tão repulsivo foi deixado oculto porque, ao meu ver, apesar de ele estar em evidência, era o menos importante, no fim das contas. Ele não era a causa em si da insanidade, apenas chamava a si todo desequilíbrio da personagem desde sempre existente.

    A alternância caótica de cenários e pensamentos estão em sincronia com o estado da personagem e não poderia ser de outra forma, pois é por ela que a história é contada. Admiro sua capacidade de nos fornecer um fluxo discernível de entendimento através de uma pessoa desequilibrada. As imagens são nítidas e nos puxam para elas.

    Tenho só apenas duas observações a fazer:

    1. Algumas inserções (“intromissões” na própria personagem em seus delírios) pareceram quebrar o ritmo mas não tiraram o brilho da história.

    2.Creio ter compreendido a intenção do parágrafo de abertura, porém, ao meu ver, ele ficou muito rebuscado. Ou poderia ser reformulado ou apenas retirado.

    O conto é muito bom!! Transmite a loucura, a agonia, o impasse e a resolução da personagem. Não é fácil realizar tal proeza com alguém em plena tempestade consigo mesmo (protagonista) e você conseguiu muito bem!

    Meus sinceros parabéns! Boa sorte!

  22. Gabriela
    6 de novembro de 2020

    Resumo: um texto muito bem escrito. Um conto baseado em algo comum, do cotidiano, que a autora soube explorar muito bem. Parabéns!

  23. Flávio dos Santos
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    Protagonista frustada com seu nome.

    Comentários:
    Nesse conto vemos como um nome pode fazer com a pessoa. No caso da personagem, ela é frustada e tem várias problemas pessoais.

  24. Angelo Rodrigues
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    Garota cresce frustrada com o nome que lhe foi dado. Ao longo dos anos, sofrendo as dificuldades que a isso atribuiu, acaba entrando em parafuso, despedaça-se e é enterrada como indigente e… sem nome.

    Comentários:
    Conto bem legal. Com boa condução, iniciando com um conceito de que há a preferência dos deuses pelos mais aptos ou fortes, e transporta isso aos pais.

    Há uma mágoa, nem tanto incomum, caracterizada pelos danos que os pais – talvez involuntários – podem causar aos filhos com suas esquisitices. O nome é uma delas.

    Há uma série de passagens muito boas, e uma delas é quando a garota se remete ao redemoinho que se forma em sua mesa. Como Alice, ela é remetida ao mundo que fica do outro lado – do espelho ou da toca do coelho – quando encontra objetos perdidos. Uma boa transição simbólica na direção de suas perdas, talvez da identidade que não era verdadeiramente sua, cristalizada no nome que não aceitava.

    No que diz respeito ao nome, achei interessante a frustração que o autor resolveu entregar ao leitor quando, criando uma enorme expectativa de que em algum momento ele fosse revelado, nos ocultou até o final do conto, não o revelando. A virada em direção a denominá-la como alguém que morre como desconhecida, foi bem legal, mantendo a incógnita.

    Embora o conto esteja bem legal, achei um pouco forte que o que nos foi relatado pudesse gerar o estado de doença a que chegou a nossa protagonista. Entendo, é literatura, é arte e ofício, é aceitável a viagem da moça. Mas senti falta de um efetivo conflito que a levasse a isso – não apenas o nome que tinha -, imaginando a desproporção de sua atitude frente ao juiz, justo aquele que poderia livrá-la de tanto desespero.

    Boa sorte no desafio.

  25. Anderson Do Prado Silva
    5 de novembro de 2020

    Resumo:

    Mulher enlouquece em razão de um nome inusitado.

    Comentário:

    O universo jurídico aparece de forma competente, não se revelando alienador.

    A transição do realismo para o realismo mágico foi curiosa e tornou o texto bastante interessante.

    O parágrafo onde se concentra o desfecho (“Ela ia desfazendo…”) foi executado com maestria.

    Algumas poucas frases poderiam ter sido escritas com mais clareza.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei, e boa sorte no desafio!

  26. Thiago de Castro
    5 de novembro de 2020

    Resumo: Garota carrega uma série de traumas e insatisfações por causa do nome escolhido pelos pais, o que se torna o estopim de sua loucura. É um conto sobre identidade e insanidade.

    Comentário:

    Olá, Limítrofe! Gostei da ideia do conto, de partir do nome, daquilo que nos é imposto antes mesmo de nascermos, uma marca que carregamos para o resto da vida, estranha num primeiro momento, até o nosso pleno reconhecimento como sujeito. O nome pode vir com traumas, projeções maternas e paternas (o nome em homenagem ao avô, o “junior” em homenagem ao pai), enfim, está dado, geralmente, antes mesmo de sermos.

    Explorar a loucura numa longa história de ojeriza ao próprio nome foi um caminho interessante, e você desenvolve a protagonista, da infância até a vida adulta, muito bem. O limite do certame te favoreceu em boa parte do texto, pois vamos nos enveredando na angústia da personagem, sua relação com outras crianças, o medo nas aulas, a forma como lida com o irmão, tudo isso dá caldo para a história que contou.

    Existe uma virada no momento que o juiz se nega a fazer a alteração, e aí senti que o ritmo ficou mais devagar e um pouco cansativo, apesar de compreender a necessidade que você achou de contar esse mergulhar na própria consciência, no passado, para preparar o desfecho do conto. Apesar de algumas repetições sobre a personagem que já tinham sido exploradas, entendo que foi uma forma de aprofundar o surto.

    Quanto ao final, também achei coerente com toda a construção que você fez, e o fato dela encontrar a verdadeira “paz eterna” quando se despiu de toda e qualquer singularidade, foi bastante melancólica, mas ao mesmo tempo reconfortante. Havia outro caminho para essa inominada?

    Duas coisas que gostaria de pontuar:

    1)Algumas explicações nos parênteses poderiam ter sido retiradas, pois após uma boa construção do estado emocional da personagem, você insere uma observação desnecessária para a narrativa.

    2) Vi uma série de comentários aqui no EC sobre a necessidade de um primeiro parágrafo que arrebate o leitor e o prenda nos primeiros segundos de leitura. Não sei se concordo totalmente com a colocação, mas no seu caso, achei a abertura com a analogia dos deuses mais confusa do que chamativa. Quero enfatizar que essa é a minha opinião, e somente minha, mas se excluísse o primeiro parágrafo e iniciasse conto com “Por maldade, ou não, o pai lhe deu o nome.”, jogaria o conflito com muito mais força diretamente na cara do leitor.

    O saldo geral é bom! Gostei mesmo e espero que tenha uma boa nota no desafio!

    Boa sorte!

  27. Lara
    5 de novembro de 2020

    Resumo : Um garota possui um nome estranho é vive em função de odiar o nome, parece até que tem paranoia em relação ao nome. Tenta mudar de nome mas acaba batendo no juiz que ela pensa estar mangando dela. No final acaba virando mendiga e morrendo como indigente.
    Comentário : Gostei do conto. Achei legal o fato de um problema aparentemente pequeno gerar tantos problemas, mas na vida é assim, problemas pequenos para uns podem ser grandes para outros.

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Informação

Publicado em 5 de novembro de 2020 por em Loucura.