EntreContos

Detox Literário.

Caleidoscópio (Dawid Brewster)

— Abre a boca, Ricardinho. Abre. Aaaaaaaa. Assim ó, aaaaaaa. 

Diante da boca cerrada, que desviava com agilidade do aviãozinho imaginário, ela jogou a colher na mesa e papinha pastosa no próprio cabelo. Rangeu os pés da cadeira no chão, em uma tentativa afobada de se levantar sem afastar-se da mesa o suficiente.

— Volta aqui, Dorotéia, onde você vai?

— Vou sumir, quero sumir… —Bateu as junções dos dedos na parede, cada sílaba um soco. — Que ro su mir quan do es se me ni no não co me.

— Vai machucar a mão, senta aqui. Ele vai comer.

— Não vai comer, Roberto. 

— Vai. Ele vai.

— Não vai. É todo dia a mesma coisa. A mesmíssima coisa. Todo santo dia.

— Tá bom, Dorotéia. — Bateu a palma da mão em cima da mesa, deslocando em milímetros o pote de geleia. — Ele não vai comer. Não vai comer messssmo. 

Dorotéia, que limpava o cabelo de papinha com o pano de prato, parou e ficou olhando para o marido que finalmente concordava com ela, apesar de seu tom ser de inegável discordância.

— Sabe por que ele não vai comer? — Mais um tapão na mesa e o pratinho de porcelana balançou. Dorotéia também.

Roberto levantou-se e deu alguns passos em direção à cadeirinha de alimentação. O rosto contorcido. Aproximou-se da criança e colocou a mão pesada sobre sua cabeça de cachinhos dourados. — Não vai comer, Dorotéia. O Ricardinho não vai comer. Nem hoje. — A voz ganhando volume. Entrelaçou os dedos nos cabelos do menino. — Nem nunca! Ergueu-o pela cabeça, tirando-o da cadeirinha com inesperada facilidade. E arremessou-o ao chão.

Dorotéia acompanhava os movimentos do marido, mas seu corpo era incapaz de qualquer ação. As únicas coisas que se moviam eram os olhos, frenéticos, arregalados, quase deixando sua cabeça. 

— Sabe por que, mamãezinha querida? — Gritou, olhando para a esposa. — Porque ele é um boneco. Um bo ne co. Bo ne co.

Quando recobrou os movimentos, Dorotéia partiu para cima de Roberto, que àquela altura sapateava sobre a cabeça de Ricardinho. Com toda a energia acumulada durante a inércia involuntária, ela agarrou o braço do marido e cravou-lhe os dentes. A força foi tanta que ela saiu com um tufo de algodão e tecido na boca. A reação dele foi imediata. Encaixou os dedos da mão direita no olho esquerdo da esposa e puxou, quebrando, em um só golpe, toda a costura que prendia o botão azul celeste à sua cabeça almofadada. Não satisfeito, arrancou o outro. 

— Aiiiiiiiiii.

 

***

 

Ao ouvir o grito agudo, Fátima foi averiguar o que estava acontecendo.

— Destruindo seus brinquedos de novo, Maria Quitéria? — Abanou a cabeça em reprovação e apanhou a boneca como se segurasse um bebê machucado. — Por que tirou os olhos dela? Você gostava tanto. 

— Não foi por querer. Eles que brigaram. Brigam sempre. Sempre. E ele não queria comer — resmungou, pegando o boneco criança e atirando-o longe. 

— Ele come mais tarde. — Fátima ajeitou a boneca sobre a cama e bateu as palmas das mãos, uma na outra, como alguém prestes a fazer um convite irrecusável. — Vamos lá fora? Vamos? Podemos dar uma volta pelo jardim. O que acha?

— Não quero — recusou, fazendo bico e cruzando os braços.

— O que você quer então? — Esforçou-se para parecer calma, mas sua voz denunciava a paciência por um triz.

— O que eu quero você não vai me dar. Não vem me enganar. — Balançou os braços cruzados, batendo-os sobre a barriga,  

— Maria Quitéria, minha querida, você sabe que o que você quer não é possível, não é mesmo? — perguntou, enquanto de ajeitava no tapete, ao lado dela. — Nós já conversamos sobre isso.

— Mas eu quero. Eu quero, eu quero, eu quero. 

— Outra coisa, me peça outra coisa. Brigadeiro, quer brigadeiro?

Maria Quitéria ergueu o rosto, e seus olhos estavam tão cheios de entusiasmo que Fátima não foi capaz de prever os berros que vieram a seguir. 

— Eu quero o meu marido. Tá ouvindo? Meu marido! — A voz engrossando a cada palavra. O ódio se estampando em seu rosto.  

Fátima foi se levantando em uma espécie de câmera lenta apressada, já mirando a saída do quarto, mas Maria Quitéria foi mais rápida e agarrou seus cabelos antes que ela terminasse de esticar os joelhos.

— Socorro! Socorro! Enferme…

Como se já estivesse ali na porta, Matias entrou imediatamente.

— Fátima! 

— Me ajuda, ela teve outro ataque. 

— Acalme-se.

— Para, sua louca. Largaaaaa. Larga meu cabeeeeelo. 

Dando passos no mesmo lugar, ele esticou os braços à frente do corpo e foi se aproximando um pouquinho e se afastando mais um tanto, desviando dos chutes e cotoveladas. — Acalme-se. Acalme-se. 

— Tira ela, tira ela. Aiiiiiii. 

Diante da gritaria, a doutora Clarice foi até o quarto. 

— O que está acontecendo aqui?

— Ela teve outro ataque, doutora. Não se acalma. 

— Tá bom, tudo bem.

— Vou trazer o calmante — disse Matias, já ganhando o corredor. 

Com destreza invejável, a médica conseguiu agarrar um dos braços da paciente. 

—Você precisa parar de se debater. 

— Me ajuda doutora. Ela é forte. 

— Olha pra mim, olha pra mim. 

— Largaaaaa.

— Fátima, olha pra mim. Acalme-se. 

Quando enfim, os quatro olhos se cruzaram, a doutora baixou a voz e falou como se explicasse algo muito complicado a uma criança: 

— Não tem ninguém mais aqui. Você está vendo? Só eu e você. 

Fátima examinou o quarto como se nunca tivesse estado ali. 

— Está tudo bem, Fátima. Tudo bem. Venha, vamos para o seu quarto. Este é do Matias. Vamos.

28 comentários em “Caleidoscópio (Dawid Brewster)

  1. Fil Felix
    26 de novembro de 2020

    Boa noite!

    Os delírios de Fátima, paciente que sofre com delírios.

    O conto tem uma sacada e um desenvolvimento muito bons. Ele leva o leitor por vários caminhos, nos enganando e surpreendendo em cada parte. As descrições e os diálogos estão bons (apesar de não curtir tanto esse formato de diálogo, mais estilizado) e conseguem ambientar bem toda a cena, mesmo sendo curto. A esposa, o marido e o bebê não são reais, a mulher que brinca com eles não é real, o enfermeiro não é real, vamos entrando dentro desse looping infinito de delírios da protagonista, que também incorpora outra personagem. Nesse sentido, o título também foi bastante feliz. No geral, um conto curto, uma leitura rápida e bastante divertida, que confronta e faz o leitor pensar, mas de uma boa maneira, sem ser pedante ou complexo demais! Gostaria, inclusive, de ler algo mais aprofundado sobre a mente de Fatima!

  2. Leda Spenassatto
    25 de novembro de 2020

    Resumo:
    Entre loucuras e dissociaçoes, Fátima grita por socorro e tenta se proteger das suas próprias agressões.

    Resumo:
    Gostei do seu conto, foi bem bolado. Tem um que de mistério que me levou, despertou a minha intuição para seguir ao desfecho, que , apesar de fechado não tirou o brilho do texto.
    Gostei muito de ter lido o Caledoscopio, com ele descobri o meu lado quase, muito ou totalmente louco. Me identifiquei com a Fátima 😞

    Parabéns e sucessos de montão!

    • Leda
      25 de novembro de 2020

      Caleidoscópio, corrigindo.

  3. Paula Giannini
    24 de novembro de 2020

    Olá, Contista,

    Tudo bem?

    Resumo – Múltiplas personalidade na cabeça de portador da Síndrome Dissociativa.

    Minhas Impressões:

    O início deste conto me impressionou. Com habilidade ímpar, o(a) autor(a) apresenta ao leitor uma mãe com seu filho, manipulando as informações a ponto de criar em quem lê o pensamento: o pai vai matar o bebê, para, em seguida, surpreender a audiência com a cena da boneca. Não satisfeito(a), no entanto, o(a) escritor não para por aí e segue nocauteando seu leitor em uma técnica que não chega a ser um looping, visto que não retorna ao ponto inicial, mas que dá essa impressão circular e, por que não, caleidoscópica.

    Interessante notar que, aqui, o autor tem como aliado(a) a velocidade com que os acontecimentos são apresentados ao leitor. Surpresa atrás de surpresa, a técnica é arriscada, pois exige atenção (ou seja, demanda trabalho do leitor), e, digna de um desafio literário.

    O título é perfeito. E, arrisco dizer, se aqui estivéssemos em um desafio de minicontos, encerrando o trabalho na cena da boneca, o(a) autor(a) nocautearia a todos.

    Parabéns pelo belo trabalho.

    Como digo por aqui. Se minhas impressões não estiverem de acordo com seu trabalho, desconsidere-as.

    Desejo muita sorte no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  4. Elisa Ribeiro
    24 de novembro de 2020

    Paciente se debate em enfrentamentos com suas múltiplas personalidades.
    Um conto bastante performático em que o autor se distrai em confundir o leitor com reviravoltas que se sobrepõem sucessivamente do primeiro parágrafo ao ponto final do conto.
    A primeira parte realmente surpreende e provoca fortes emoções no leitor. Na segunda parte, tanto pelo efeito, digamos, amortecedor da primeira parte como pela situação em si, o entusiasmo diminui e o impacto segue decrescendo a cada reviravolta. Pelo menos foi isso o que senti enquanto lia. Daí que o emocional do leitor termina, digamos, em uma depressão após um começo de pico.
    Dentro do que se propõe, o texto me pareceu bem revisado, registrei apenas um engano em: perguntou, enquanto de (se) ajeitava no tapete, ao lado dela.
    O que gostei: achei sua brincadeira muito bem arquitetada.
    O que não gostei: os maneirismos usados no diálogo simulando a fala não funcionaram muito bem na minha leitura.
    O conto é muito divertido. Rendeu um ótimo momento aqui no desafio.
    Desejo sorte. Um abraço.

  5. Leandro Rodrigues dos Santos
    22 de novembro de 2020

    Relata-se, ao que parece, desdobramentos de uma mente em tratamento que sofre de transtornos de personalidade. Em transe busca fragmentos de sua realidade (a qual a fez entrar em transe), perscrutando-os para explicar suas fuga do mundo real. Não entrarei em detalhes da trama, pois não imergi.
    Destaco o uso de quebras da linguagem, como separação das palavras nos diálogos, extensão das vogais, que foram pontuais ao discurso, é positivo o uso.
    Tecnicamente tem erros de colocação pronominal (aconselho, se disposto, a ver regras do uso da ênclise – próclise, elas se confundem no texto), e também, se permite, algumas substituições do uso do ‘se’, ‘como’, ‘mas’ e ‘e’, pois, como o texto é curto há abundância dos mesmos e cansa na leitura ver os mesmos conectivos (sugiro uso de vírgula, gerúndio, sinônimos).

  6. Jorge Santos
    21 de novembro de 2020

    Olá. Achei que este seu conto deveria ter outro nome. Sugeria “Matrioska”, porque é precisamente isso que ele é: camadas sobre camadas de loucura, realidades alternativas, visões. Todo o texto é feito para provocar o leitor, o que me fez prender definitivamente. Há pequenas migalhas que quebram a linearidade do texto, que narra a história de uma senhora com problemas mentais que imagina uma menina que brincar com uma casa de bonecas, imaginando uma discussão familiar violenta onde um casal luta porque a esposa pensa que a bebé é real. Ufa… cansei de fazer o resumo, mas não de ler o seu conto, que está absolutamente perfeito. Parabéns.

  7. Andre Brizola
    21 de novembro de 2020

    Olá, Dawid.

    Conto sobre Roberto e Dorotéia, que brigam por um filho, Ricardinho, imaginário. E de repente o conto é sobre Maria Quitéria, que imagina os três personagens anteriores, e sobre Fátima. E, de repente, é sobre como Fátima imagina tudo isso em uma clínica, acompanhada pela doutora Clarice.

    Acho que o grande ponto forte do conto é sua cadeia de desenvolvimento. Embora curtas, as cenas se desenvolvem plenamente e nos é permitido captar todo o desenrolar do enredo, até o ápice na descoberta de que Fátima é a verdadeira personagem do conto, lidando com outras personalidades. Algo meio A Origem, mas ao invés de sonho dentro de sonho, temos delírio dentro de delírio. Bem interessante.

    Até pelo tamanho do conto temos um texto extremamente ágil. A opção por diálogos curtos acelera demais a leitura, o que é bom. Mas acho que isso pode fazer com que alguns leitores cheguem ao final do conto sem entender plenamente o que aconteceu, exigindo uma segunda leitura. Não é um problema, mas talvez uma quebra no ritmo contribuísse para condensar melhor os detalhes.

    Meu único senão aqui é com relação à forma dos diálogos. Realmente não sou fã do estilo utilizado. Tomo como exemplos “— Socorro! Socorro! Enferme…” e “— Para, sua louca. Largaaaaa. Larga meu cabeeeeelo”. No primeiro temos as exclamações, que servem para demonstrar a urgência das falas da personagem, e a palavra cortada ao meio para indicar ação de outro. Já na segunda não temos mais exclamações e “sua louca” surge fria, em comparação aos “socorros”. Em seguida “largaaaaa” e “cabeeeeelo” aparecem com vogais extras substituindo as exclamações. Essa inconstância aparece em outros momentos do conto e, sinceramente, isso depõe contra a leitura. Não é problema optar por variedade nas construções. Mas deve-se entender que o leitor vai traduzir essa variância de acordo com suas próprias as expectativas, experiências e conhecimento.

    Um bom conto, no geral, perfeito no enredo, mas a minha opinião é a de que ele merecia uma revisão na forma.

    É isso. Boa sorte no desafio!

  8. antoniosbatista
    20 de novembro de 2020

    Resumo: Paciente de um hospital psiquiátrico, vive várias realidades mentais ao mesmo tempo.
    Comentário: A loucura multifacetada no caleidoscópio mental, ou, fragmentos de realidade imaginados por uma mente danificada. O título combina bem com a situação. Achei um bom argumento, original, interessante, bem escrito. Ótimo recurso deixar as explicações para o final, revelando a verdadeira Realidade. Histórias sobre a mente humana e seu funcionamento, nunca se esgotam. Me lembrou o filme de M. Nigth Shyamalan, Fragmentado. Boa sorte

  9. Amanda Gomez
    19 de novembro de 2020

    Resumo📝 Surtos caleidoscópios de uma paciente internada em um hospital psiquiatrico. Aparentemente a mulher tem várias personalidades.

    Gostei 😃👍 Caramba, que doideira! Kk. Confesso que fiquei muito tensa na cena inicial, não tava acreditando que realmente aquela cena horrível de agressão a um bebê estava mesmo acontecendo. Quando as imagens mudaram me peguei sorrindo da ” trolagem” e foi assim até o fim, um ritmo frenético em que o leitor se sente perdido e ao mesmo tempo gostando de se perder. É um texto ousado, não vou dizer que entendi tudo que foi apresentado aqui, principalmente a parte de decifrar quem é só “eu” correto da personagem. Achei engraçado imaginar essa rotina dentro do hospital…uma louca vizinha de outro louco, que acha ela louca. Enfim… acho que o objetivo do autor foi alcançado.

    Não gostei 😐👎 Da incômoda sensação de não saber se eu entendi ou não o texto. E só me basear nas impressões e não no conteúdo em si. O texto é confuso, mas entendi e aceito que ele precisa ser assim.

    O conto em um emoji : 😳😵🤯🥴

  10. Giselle F. Bohn
    19 de novembro de 2020

    Uma louca, que na verdade era delírio de outra louca, que no final era delírio de outra louca ainda.
    Que conto legal, putz! “Caleidoscópio” é o nome perfeito: quando a gente acha que viu uma imagem, o texto vira e aparece outra, e aí de novo! Perfeito! Gostei demais, é o tipo de conto que tem tudo o que eu aprecio: agilidade na narrativa, uma situação que não é o que parece, personagens vívidos, zero enrolação. Feito com muita competência, sem dúvida! Enfim, não tenho muito mais o que dizer, além de “adorei”!
    Parabéns pela criatividade! Boa sorte!

  11. Ana Maria Monteiro
    17 de novembro de 2020

    Olá, Autor.

    Resumo: Um conto dividido em duas partes: na primeira temos uma cena familiar relativamente comum que, a final, vem a revelar-se como um surto psicótico dentro da cabeça de uma mulher internada; na segunda, a personalidade da doente desdobra-se em duas e finalmente ela é sedada a mando da médica e mandada para o seu quarto.

    Comentário: o conto está bem construído e é um verdadeiro caleidoscópio – um objeto que nos proporciona uma nova visão a cada movimento, aqui isso verifica-se a cada parágrafo.
    Primeiro temos uma família que afinal é de bonecos, depois temos a menina que afinal é uma mulher, depois temos uma médica que é a verdadeira mulher que está internada, em seguida um enfermeiro que talvez seja um doente e por fim a própria médica, sendo que é possível que nada disto tenha sucedido e tudo se passe apenas na cabeça da doente.

    Que enredo! Caleidoscópico.

    Gostei mais da primeira parte que da segunda, talvez por ser mais tranquila e não tanto pelo texto. Talvez que a maior arte neste conto se encontre precisamente nessa espiral em que o autor nos envolve e que nos vai sugando para o olho do furação, numa espiral inquietante.
    O seu trabalho está muito bem conseguido e atende totalmente ao tema.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

  12. opedropaulo
    17 de novembro de 2020

    RESUMO: Ricardinho está na cabeça de Dototéia, que é casada com Roberto, mas que está na cabeça de Maria Quitéria que, por sua vez, habita os devaneios de Fátima, a qual, junto de Matias, é tratada pela doutora Clarice… eu acho.

    COMENTÁRIO: Utilizando-se principalmente de diálogos, a escrita é ágil ao nos situar entre as ações dos vários personagens que vão se sucedendo nessa intricada narrativa. Mais para o final, a profusão de nomes despista, mas vejo nisso antes uma intencionalidade do que uma confusão do próprio autor, querendo enlouquecer o leitor entre a enxurrada de loucura que vai passando de personagem a personagem, inclusive nos deixando inseguros a cada novo nome que aparece. Inclusive, estava para apontar “mais um conto que na verdade se passa em maior parte na cabeça do personagem”, mas fui surpreendido com o que é quase uma sátira dessa premissa. Apesar da boa execução, arrisca pouco ao se ater à ideia principal, sem se aprofundar em um enredo de maior complexidade. Sei que não foi sua intenção, mas em um certame, há de se valorizar quem vai além. Estando em um desafio de ampla concorrência, enquanto leio percebo que terei que voltar às notas para submetê-las a um novo critério que excede os textos, comparando-os entre si.

    Boa sorte.

  13. Jefferson Lemos
    16 de novembro de 2020

    Resumo: a história de uma personagem, que no final já não é mais a personagem e se chama Fátima. Eu fiquei meio perdido em quem era quem.
    Olá, caro autor.
    Apesar de ter ficado um pouco confuso, eu gostei da história. Gostei de como você criou seus diálogos, as situações absurdas, o conto todo meio louco com essa coisa de “quem é quem?”. Muito legal mesmo.
    Quanto à escrita, achei boa. Algumas revisões só pra melhorar a dinâmica, acertar pequenos erros, mas nada demais. No geral seu conto me agradou, tem uma história um pouco confusa mas bem contada e personagens bem interessantes. O final eu achei que poderia ser um pouco mais impactante, mas ainda assim foi bacana. É um conto legal e de leitura bem ágil.
    Parabéns e boa sorte!

  14. Anna
    13 de novembro de 2020

    Resumo : O conto é sobre uma paciente de uma clínica psiquiátrica. A paciente possui vários bonecos e briga com todos eles. No final a médica vem para lhe acalmar.
    Comentário : Amei o conto. A paciente e seus bonecos parecem refletir uma sociedade doente, que não dá atenção para pessoas em crises. A paciente é extremamente solitária e encontra em seus bonecos interação humana, mas parece que a paciente não interage bem nem com os bonecos, eles também parecem egoístas e maldosos.

  15. Fabio Monteiro
    13 de novembro de 2020

    Resumo: Cenas colapsadas de uma mente altamente psicótica. Surtos frequentes que surgem aleatoriamente na vida da personagem. Seu descontrole mental é tanto que ela chega a acreditar viver num mundo de fantasias.

    Amei a primeira parte. A cena do boneco recusando o alimento causou uma tensão inesperada. Acreditei ser uma criança. De inicio pensei que ia ver o tal pai surtar. Se tornar agressivo e matar a criança. Fiquei aflito.
    Criamos ideias quando vamos desenvolvendo a leitura.
    Me surpreender foi bom por que saiu do que eu esperava.

    A personagem é bem louca. Isso é bom para o E.C.. Encaixou muito bem na temática.

    As vezes me pergunto: De onde os autores tiram essas ideias? Teu conto é muito bom.

    Lhe desejo Boa Sorte.

  16. Fheluany Nogueira
    12 de novembro de 2020

    A protagonista sofre de alucinações que se encadeiam, a ponto de o leitor não ter certeza de que a médica não é a doente.
    Título adequado e sugestivo: caleidoscópio é metáfora perfeita da alma, objeto que ensina muito a quem procura autoconhecimento. Continhas coloridas, refletidas em espelho, que sempre em movimento, criam uma miríade de possibilidades — assim é a loucura, constituídas por várias demãos até alcançar o ponto de onde não há mais volta.
    Gostei da narrativa; fluida, curiosa e instigante.
    Sorte no desafio. Um abraço.

  17. Josemar Ferreira
    10 de novembro de 2020

    O conto representa bem a ideia dos efeitos de um caleidoscópio. Gostei muito da desenvoltura e de como as cenas se desmancham ao surgimento de novas cenas. O início do conto pode ter sido uma realidade na vida da paciente que, acabou por descompor a sua consciência em surtos psicológicos.
    Gratidão por nos brindar com esse conto.
    Boa sorte no desafio.

  18. Misael Pulhes
    8 de novembro de 2020

    Olá, “Dawid Brewster”.

    Resumo: uma filho que não come a comida, um casal que briga, uma moça que estraga os brinquedos, uma paciente louca… histórias dentro de histórias durante um surto psíquico da paciente Fátima.

    Comentários: a estrutura, a forma é ousada e me agrada demais. É um conto dentro de um conto dentro de outro conto, que, por fim, está num outro conto. Isso é bonito. O autor escreve bem, mas senti falta de alguma precisão maior nas imagens, talvez, a fim de deixar mais claro os momentos de intersecção entre uma história e a história “acima”, que a engloba…

    Me lembrou “A ORIGEM”, aliás.

    Boníssima ideia, que talvez exija um cuidado um pouquinho maior pra ficar brilhante.

    Parabéns e boa sorte!!

  19. Luiz haiml
    6 de novembro de 2020

    Ufa atordoante muito legal

  20. Flávio dos Santos
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    Loucura interna que se te torna parte do mundo da pessoa.

    Comentários:
    O conto parece se passar em uma instituição para tratamentos mentais.
    Aqui vemos como a loucura é construída de camadas até chegar num ponto onde a pessoa não consegue diferenciar o real do psicológico.

  21. Claudia Roberta Angst
    5 de novembro de 2020

    RESUMO
    Fátima cria em sua cabeça um surto psicótico dentro de outro surto, sendo difícil precisar quem é o verdadeiro maluco na história toda.

    AVALIAÇÃO
    Conto surpreendente, pois a linha tênue entre a “normalidade” e a “insanidade” logo é desfeita, mas na verdade esse é outro subterfúgio que engana o leitor. As descrições e diálogos são muito bem construídos e contribuem para que o enredo se desenrole sem perder o ritmo ou o tom de suspense.
    O(A) autor(a) soube explorar a trama sem se estender em demasia. Manteve os vários focos costurados, prendendo a atenção do leitor. O final é bem impactante e surpreendente. Um caleidoscópio de verdade, reunindo os fragmentos da mente humana, cada hora produzindo um desenho (ou enredo) novo.
    Boa sorte e que o colorido fragmentado serja só de alergia.

  22. Angelo Rodrigues
    5 de novembro de 2020

    Resumo:
    Uma sucessão de eventos que se vão desdobrando, passo a passo, revelando uma loucura dentro da outra.

    Comentários:
    O primeiro quadro mostra uma família que, em princípio, mostra-se comum, com mãe, pai e filho. No desenrolar da ação, percebe-se que os três são bonecos de pano. Uma construção legal, bem arrumada, embora no penúltimo parágrafo “Quando recobrou os movimentos…” fiquei um pouco confuso com as transições, as que levavam ao ápice do conto, quando também o marido se revela um boneco: ‘…a força foi tanta que saiu [a esposa] com um tufo de algodão e tecido na boca…’.
    O segundo quadro revela que a cena ocorrida no primeiro, era uma representação teatral da criança que dominava seus bonecos.

    Bem, não era uma criança. Era um adulto em um hospital psiquiátrico(?), onde Fátima, sem ainda ter uma função no conto, se revela a verdadeira doente, que tem um delírio dentro de um delírio.

    O conto se constrói como se fosse montando envelopes dentro de envelopes, como… matrioskas, que se revelam à medida que o texto vai se desenvolvendo.

    Bem interessante.

    Uma história simples de simulacros que se vão revelando em camadas durante a leitura, ao infinito, onde, talvez, se pudesse descobrir que também a doutora Clarice, uma paciente, se imagina doutora que cuida de uma paciente que se imagina enfermeira que cuida de uma mulher que imagina ter bonecos…

    Quem seria efetivamente a paciente? Quantos personagens existiriam nesta história? Talvez apenas um, aquele que a tudo isso imagina.

    Anéis dentro de anéis. Caleidóscópio.

    Boa sorte no desafio.

  23. Bianca Cidreira Cammarota
    5 de novembro de 2020

    O conto versa sobre a insanidade de interna em um provável sanatório, demonstrando gradativamente as várias camadas expressas pela loucura.

    Conto excelente em sua proposta, estilo e premissa. Seu enredo é o próprio caleidoscópio, pois, a depender do ângulo que se olhe, a realidade parece diversa, embora seja apenas uma.

    O que não é dito, tanto em informação quanto na descrição do ambiente são armas poderosas para nos pegar na surpresa de cada reviravolta. Entre tantos sustos que tive foi a constatação que Maria Quitéria era uma adulta e não uma criança !

    O seu “time” foi perfeito nas reviravoltas, bem como no tamanho do texto em seu conto. Redondo, fechado, realizado.

    Gostei muito do seu conto!

    Meus parabéns, autor(a) habilidoso(a)!

  24. Anderson Do Prado Silva
    5 de novembro de 2020

    Resumo:

    Loucos se sucedem para confundir o leitor.

    Comentário:

    Conto executado com competência com o objetivo de confundir o leitor. O escritor é preciso e, com isso, não desperdiça palavras: usa o que precisa para produzir o efeito que pretende.

    As sucessivas viradas deliciam, surpreendem e desconcertam.

    Título plenamente justificado e excelente representação pictórica.

    Não me deparei com erros gramaticais que pudessem ser percebidos por um leigo como eu, apenas fiquei na dúvida se não deveria haver uma vírgula entre “marido” e “que” em “olhando para o marido que finalmente”.

    Parabéns pelo texto, do qual gostei, e boa sorte no desafio!

  25. Thiago de Castro
    5 de novembro de 2020

    Resumo: Afundada na própria loucura, uma sucessão de histórias acontecem dentro da cabeça de Fátima. Construído por camadas, os cenários da história se alteram a cada nova revelação.

    Comentário:

    Um conto caleidoscópico, não? Apesar de ser o pseudônimo de outro autor do desafio, acho que “Matrioska” também funcionaria aqui! As história foram se regredindo, regredindo, até chegar na sua origem que é o distúrbio de Fátima no sanatório. A maneira como você conduziu, naturalizando cada uma das situações e depois rompendo a ilusão com a inserção de um novo cenário, personagem e situação foi muito boa em criar uma sensação de confusão no leitor, mas não uma confusão caótica, mas orquestrada e sagaz. Por isso o acerto na escolha do título, a cada virada, uma nova realidade que se altera, e se altera, e se altera até chegarmos a conclusão do texto. Os diálogos são bons e fazem o conto correr. Além disso, o fato de ser uma história curta, não faz com que nos sintamos frustrados com tantas reviravoltas.

    Curti!

    Parabéns pelo texto e boa sorte no desafio, me senti num trecho de Black Mirror.

    • Thiago de Castro
      5 de novembro de 2020

      * leia-se “histórias”.

  26. Lara
    5 de novembro de 2020

    Resumo : Uma paciente com transtorno grave fantasia diversas situações. Pensa ter marido e cuida de bonecos como se fossem filhos. No final tem um surto e acaba no final encarando a realidade de ser só.
    Comentário : Amei o conto por ser curto, gosto de contos rápidos. Consegui entrar no mundo da protagonista. Boa sorte no desafio.

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Publicado em 5 de novembro de 2020 por em Loucura.