EntreContos

Detox Literário.

Elvis Não Morreu (Iolanda Pinheiro)

Na primeira vez em que o vi eu tinha apenas oito anos e corria em ziguezague tentando escapar das pedras que passavam zunindo por mim. Em 1957 eu morava na zona rural de uma cidade pequena e precisava andar bastante para vencer o trajeto entre o grupo escolar e o sítio onde morava com meu pai.

Naquele dia, assim como em muitos outros, eu percorria esta distância como um velocista, correndo para fugir de um menino chamado Patrick e dos seus comparsas.

Não era sempre que vinham atrás de mim, e, quando vinham, geralmente desistiam logo de me caçar antes do meio do trajeto, mas desta vez parecia que estavam determinados a me arrancar uns dentes sem anestesia.

Para dificultar o intento dos meus perseguidores, saí da rodovia e disparei pela mata, sumindo na vegetação espessa da margem do caminho. O capim arranhava minhas pernas e os galhos enganchavam na minha pasta colegial, mas ainda resistia em mim a patética esperança de escapar ileso. Podia ouvir os gritos dos meninos, o som das plantas batendo em suas pernas enquanto corriam. Virei a cabeça para vê-los e acabei tropeçando em uma raiz saltada, coberta pela gramínea. Já ia me levantar para voltar a correr quando ouvi uma voz me chamando.

– Ei menino, fica aí mesmo… não faça nada, eles não vão te ver.

Olhei em volta e não vi ninguém. Então me agachei e controlei minha vontade de correr. Fiquei ali parado com a respiração suspensa e os olhos fechados, imaginando que aquele seria o último dia da minha vida.

Os garotos logo me alcançaram, mas, como se de fato não me enxergassem, passaram direto e continuaram correndo e gritando ameaças. Deixei que se afastassem até uma distância segura e me virei na direção de onde a voz havia vindo.

– Onde está você?

A moita de capim se moveu ao meu lado e de dentro dela saiu um cachorro grande e amarelo. Fiquei olhando para o cão esperando que o dono surgisse atrás dele, mas meus pensamentos foram cortados pela mesma voz que havia falado comigo.

– Por favor, não grite.

– Você fala?

Era o tipo de pergunta que não precisava de resposta. Ainda assim, talvez sensibilizado pela minha perplexidade, foi me explicando tudo sobre o seu planeta, a missão que o trouxera aqui e de como acabara ficando perdido na Terra. Deixado para trás pelos de sua espécie. Falava estas coisas às vezes animado e noutras triste. Devia sentir saudade.

Elvis. Esse era o nome que ele havia escolhido para si mesmo. Era fã do cantor e me contou que assistia, sempre que dava, os shows que passavam na televisão. Perguntei quem era o seu dono e ele me lançou um olhar decepcionado.

– Não tenho donos.  

Senti-me mal diante da minha pergunta. Aquele não era um cachorro qualquer, mas um visitante intergaláctico em missão ao nosso planeta. Eu precisava me acostumar a esta realidade não para cometer outras gafes.

Enquanto andávamos Elvis me perguntou se na minha casa havia televisão. A pergunta foi feita com alguma relutância pois eu não o havia convidado ainda para ficar lá, e Elvis conhecia bem as regras de etiqueta.

– Tem sim, fica na sala. Respondi rápido para diminuir o seu constrangimento.

Ele olhou para mim, sorrindo. Imaginei que planejava encontrar uma casa onde pudesse ver o seu xará famoso na TV. Eu já não me importava mais com nada. Que ele falasse, que ele sorrisse, ou que me deixasse invisível… Nunca tinha tido um bichinho, e aquele seria todo meu. Fiz o trajeto para casa saltitando de felicidade e acenando para todos que conhecia para que vissem meu cão.

Quando chegamos em casa, papai estava na garagem deitado embaixo do Buick Electra do meu professor de história. Havia outros carros sob as árvores esperando conserto. Meu pai era o melhor mecânico da cidade, só não tinha mais clientes por causa da história da minha mãe.

Avisei que havia chegado e que trazia um amigo. Queria mostrar o Elvis para ele e dar risadas com a cara que ia fazer quando o cachorro começasse a falar. Mas no momento em que papai se levantou limpando a graxa do rosto com uma estopa, o meu novo amigo tinha desaparecido. Devia estar fazendo o truque da invisibilidade novamente, pensei.

Procurei Elvis por toda parte, mas ele só foi reaparecer quando ligamos a televisão depois da sopa. Não ficou no tapete sob os meus pés como seria o esperado para um cachorro comum, mas sentou muito empertigado na poltrona que mamãe costumava usar e começou a diminuir enquanto sua pele fazia ondulações assustadoras. Quando o processo de transformação terminou ele havia virado um “hamster” cinza claro e foi se alojar no meu colo. Então dormiu.

Aquilo tudo aconteceu com papai sentado conosco na sala. Desde a chegada do Elvis à poltrona, passando pela sua estranha mutação, meu pai não deixou um segundo de assistir a um programa de perguntas e respostas que ele adorava. No último ano não conversávamos muito, e era raro vê-lo interessado em qualquer coisa que não fosse motores de carros, então eu o deixei lá, fazendo o que gostava. No dia seguinte eu o apresentaria ao meu novo amigo.

Quando acordei, Elvis estava pousado na janela. Soube que era ele porque o pequeno pássaro me deu bom dia. Perguntei se ele podia me transformar também. Ele fez sim com a cabecinha azul. Cheguei ao parapeito da janela e fechei meus olhos esperando o milagre. Quando os abri continuava apenas um menino, mas Elvis estava diferente. Sua densidade havia diminuído drasticamente, tanto que era possível enxergar as coisas através do seu corpo.

– Estou há muito tempo aqui, garoto. Meus poderes estão enfraquecendo. Chegou a hora de voltar para casa.

Naquele dia ele ficou muito fraco pela tentativa em me transformar também. Coloquei seu levíssimo corpo de passarinho numa caixa acolchoada e deixei que dormisse o dia inteiro.

Pensei o resto do dia em minha mãe. A hora em que mais sentia falta dela era quando ia dormir. Ela sempre vinha ao meu quarto para me cobrir com um lençol cheiroso, me beijar e fazer comigo a oração do anjo da guarda. Dizia que se nunca mais abrisse os olhos o anjo me levaria voando até o céu. Mas uma noite eu fechei os olhos e quando acordei soube que ela havia partido.

Nunca tinha visto o meu pai chorar até aquele momento. Alguns vizinhos se espalhavam pelos nossos cômodos. O carro novo havia sumido também, assim como as roupas dela. Demorei a entender toda aquela confusão e por qual motivo as pessoas falavam sobre o homem do banco. Eu olhava para o armário aberto com um lado todo vazio e pensava se havia feito alguma coisa errada para que aquilo acontecesse.

Era jovem demais para saber que minha mãe havia fugido com o seu amante, o pai do Patrick, mas senti na carne os efeitos desta decisão. As surras na escola, o desprezo das pessoas pelo meu pai, os carros esvaziando no pátio, o dinheiro mais curto. Mas nenhuma destas coisas me fazia ficar com raiva dela, eu só queria que ela voltasse para nós.

Na noite em que jogaram pedras nas janelas de nossa casa, papai começou a formular planos para irmos embora. Eu não queria ir, mesmo com a situação que estávamos vivendo, pensava estar em nosso sítio para receber mamãe se ela voltasse. Mas às vezes sonhava com uma casa nova com quintal, onde pudéssemos viver sem passado e sem pedras. Contei os planos de meu pai para o Elvis. Meu amigo apenas me olhava, calado e paciente, sem querer atrapalhar todo aquele fluxo de entusiasmo pueril.

– Não posso ir com vocês.

– Por que? Papai não se importa. Você vai gostar, Elvis.

– No dia em que a nave partiu eu estava na mata onde você me encontrou.  

Então ele se calou e olhou para o céu, e naquele olhar expressou a imensidão de sua saudade. Também me calei pela falta de qualquer argumento. O céu para ele era como a minha mãe para mim, não podia pedir que ele fosse conosco.

A cada dia que passava eu via o meu amigo ficar mais fraco, ainda assim ele fazia questão de me acompanhar pela floresta até um ponto bem perto da escola, quase no mesmo lugar onde nos vimos pela primeira vez, e depois ficava esperando, pacientemente, que a minha aula terminasse para que voltássemos ao sítio.

A vida seguia calma. Elvis se aproximou de papai, mas nunca usou nenhum de seus superpoderes para impressioná-lo. Ao contrário, agia como se fosse um cachorro absolutamente comum, e até permitia que papai passasse os pés no pelo de suas costas quando se deitava na frente do sofá da sala. Aprendeu a gostar dos programas de perguntas e respostas, mesmo ficando um pouco frustrado por saber quase todas e não poder responder.

As pessoas pareciam ter começado a esquecer da traição da minha mãe, e até chegavam mais carros para meu pai consertar, as coisas se ajustavam e papai falava cada vez menos em ir embora. No domingo, quando chegamos da missa, Elvis mal podia se conter para falar comigo. Pediu que eu o acompanhasse até os fundos da casa e apontou para uma estrela exatamente igual a todas as outras. Fiquei lá olhando sem entender até que ele me explicou:

– Olha, George! Ali! E tentava fazer um triângulo com suas patinhas felpudas. – Ali está a minha nave, olha! Estão voltando!

Eu continuava sem conseguir distinguir a nave dele no meio da miríade de estrelas que cobria o céu como um bordado brilhante. Mas isso pouco importava, Elvis estava radiante e sua alegria me fazia sorrir.

Poucos dias depois, assim que terminei a lição da escola, Elvis veio me avisar que estava tudo combinado. Havia feito contato com os tripulantes da nave e viriam busca-lo no dia seguinte.

– Mas, já? Perguntei um tanto aflito com a iminente partida do meu melhor amigo. Pensava que, afinal, este dia jamais iria chegar.

– Nossa tecnologia é muito mais avançada do que a do seu plan… Não chegou a completar a frase pois percebeu que estava sendo rude. Sorri para mostrar que não havia me chateado.

No dia seguinte fizemos como o habitual: fui à escola e na hora da saída andei até o lugar marcado para o encontro dele. Ia tão distraído pelas emoções que não percebi que estava sendo seguido. Mal havia sentado ao seu lado num galho caído e os garotos apareceram nos cercando. Não acreditei que via a minha frente aquela cara feia do Patrick e seus amigos idiotas. Elvis se levantou imediatamente, rosnando.

– Então é com este vira lata que você tem andado? E a vadia da tua mãe, tem notícia dela?

– Pergunta para o teu pai, Patrick!

Patrick era um menino covarde. Era muito mais velho que eu e só andava em bando para não dar chance de defesa às suas vítimas. Eu olhava ao meu redor tentando me preparar para o iminente ataque. A raiva me fazia tremer. Sabia que ia apanhar muito, mas a adrenalina me deixava corajoso. Parti para cima de um deles que não esperava a minha atitude. Segurei o garoto pelos ombros e dei uma joelhada bem no meio de suas pernas. Os outros demoraram alguns segundos olhando para o amigo rolando de dor no chão, mas antes que eu pudesse fugir, dois deles me agarraram puxando meus braços para trás.

Foi tudo muito rápido. Patrick foi para cima de mim, mas não teve a chance de me socar na barriga, Elvis saltou sobre o menino derrubando-o no chão e apertando os dentes em sua garganta.

Eu me debatia enquanto os meninos me seguravam, e sem que eu pudesse fazer nada vi quando um deles deu um chute na cabeça do meu cachorro.

Aproveitando a fraqueza momentânea de Elvis, um deles tirou o suspensório da calça e enlaçou o pescoço do cão, usando o elástico como uma coleira. Levei vários socos naquele dia. Murros, chutes, pés pisando o meu rosto, mas nada doeu tanto quanto ver aqueles monstros arrastando Elvis para trás das árvores e ouvir seus ganidos enquanto estraçalhavam seus ossos.

Antes de desaparecer arrastado pelos meninos ele virou o rosto em minha direção e sussurrou uma frase que só eu entendi.

– Vai ficar tudo bem.

Mas ele e eu sabíamos que não ia ficar. Havia aflição naqueles grandes olhos cor de mel, havia frustração por não poder fazer nada, e o desespero de estar tão perto de voltar para sua casa e ver toda a sua esperança ser destruída por aqueles moleques cretinos e sem serventia alguma para o universo.

Apaguei por algumas horas. Quando acordei já era o começo da noite. Mesmo cheio de dor procurei Elvis no local onde o haviam levado, chorando e gritando o seu nome, mas sem ter uma lanterna ou alguém para ajudar, não tive nenhum sucesso. Fui andando devagar até chegar em casa e cair sobre os degraus da porta da frente.

Passei vários dias no hospital. Pedi ao meu pai para que fosse procurar o nosso cão. Ele e alguns vizinhos fizeram várias buscas, mas ninguém encontrou seu corpo. De certa forma isso me dava alguma esperança. Pensava que talvez tivesse sido resgatado pelos seres do planeta dele, ou que tivesse conseguido se transformar em um bicho pequeno antes que o tivessem matado.

A polícia entrou na história e os meninos sumiram para evitar que fossem mandados para alguma instituição correcional.

Nunca mais vi Patrick ou seus amigos, e também nunca deixei de pensar em Elvis e na possibilidade de um dia reencontrá-lo. No fim daquele ano meu pai finalmente cumpriu sua palavra e nos mudamos para uma cidade grande.

Mamãe e o homem com quem fugiu não voltaram mais para a nossa cidade, mas acabamos sabendo onde estavam morando, e que eles tinham tido uma filha. Ela nunca me procurou e eu resolvi seguir a minha vida apesar desta saudade.

Não segui os passos do meu pai: fiz faculdade, terminei jornalismo e dava aulas na universidade pública da cidade onde morava. Geralmente às sextas eu saía com os outros professores para beber nos bares do centro. Estava no estacionamento me preparando para ir ao encontro deles quando senti alguém perto de mim.

Era um cachorro, não qualquer cachorro. Um grande e amarelo com ar de nobreza e uma cicatriz bem marcada na cabeça. Ficamos nos olhando por um tempo sem nada falar. Em todos aqueles anos vi muitos grandes cães amarelos e nos olhos de cada um deles não encontrei o brilho que distinguia o meu de todos os outros. Entrei no meu carro, abri a porta do lado do passageiro e bati a mão de leve no banco. O cão pulou com toda confiança no assento ao lado do meu. Fechei o carro e partimos.

– Porque demorou tanto, Elvis?

Ele olhou para mim e sorriu. Teríamos muito tempo para conversar.

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103 comentários em “Elvis Não Morreu (Iolanda Pinheiro)

  1. Fil Felix
    30 de dezembro de 2017

    É um conto que foge do comum em se tratando do tema nesse desafio, dando poderes ao cachorro, uma versão do super Krypto, em vez de um humano. Gostei bastante disso, além da escrita estar muito boa, fluida e sem entraves. Tudo é bem narrado, desde o encontro dos dois até a batalha com os outros garotos. Mas, em relação a história, acho que ficou num plano mais comum de ação, inclusive o final, apostando no cachorro apanhando pra causar certa emoção e depois em seu retorno. Nesse sentido, senti falta de algo mais experimental. Um ponto alto é que o título combinou perfeitamente, brincando com a ideia do Elvis (que há dúvidas se morreu ou não).

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Ah, que pena. Esperei muito pelo seu comentário e no fim vc nem curtiu. Feliz ano novo.

  2. Edinaldo Garcia
    30 de dezembro de 2017

    Elvis Não Morreu (Henri du Cavagnac)

    Trama: Garoto conhece um amigo de outro mundo que o ajuda a superar os problemas da vida.

    Impressões: Um conto com cara de filme sessão da tarde. Isso é ruim? De maneira nenhuma. Eu adoro. Os personagens carismáticos, o drama bem trabalhado. Achei estranho a mãe fugir com o pai do menino que o perseguia. Como assim?

    Linguagem e escrita: É boa. Vi um erro de concordância e uma acentuação. Nada que tire o brilho, o ritmo bom da leitura. Uma leitura que daria para ler horas e horas sem se cansar.

    Veredito: Conto muito bom.

    • Henri Bolado
      30 de dezembro de 2017

      O Patrick passou a bater no George depois que o pai dele fugiu com a mãe do George. E não vejo nenhuma estranheza neste fato, quando uma pessoa escolhe fugir com a outra, inclusive abandonando o próprio filho, a decisão é tão forte que ela mal pensa em mais nada. Obrigado pelo comentário e feliz ano novo.

  3. Daniel Reis
    30 de dezembro de 2017

    13. Elvis não morreu (Henri du Cavagnac):
    Que história maluca, parceiro! Esse cachorro mutante (como poder da PREMISSA) chamou muito a atenção, e prendeu o leitor até o final. Mas um aspecto da TÉCNICA que me chamou a atenção foi “esconder” o tema (a saudade de um amigo de infância) dentro de uma alegoria. Só por isso, esse conto já merece a menção honrosa nesse desafio. Quanto ao APRIMORAMENTO, eu acho que algumas pontas na chegada do “mutante” na casa poderiam ser mais amarradas, mas nada que prejudique o todo. Parabéns!

    • Henri Explicativo.
      30 de dezembro de 2017

      Se eu estiver certo sobre a autoria de alguns contos, acho que o seu tá no meu top 1.

  4. Felipe Rodrigues
    29 de dezembro de 2017

    Gostei bastante desse conto. A percepção do garoto em uma estrada solitária, desde a infância até se ver adulto, foi bastante lírica no que se refere ao encadeamento de elementos fantásticos aos fatos corriqueiros. Sem muito embellezze, o texto emula um pequeno road movie pueril onde seguimos o movimento aleatório deste garoto e mais, aleatoriedade da vida parece resumida em suas ações. Começo com tônica na infância e resumo final na vida adulta sem grandes gritos ou acontecimentos marcantes, o texto simples, direto e triste me pegou. Claro que dá pra cortar muita gordura aí e deixar o conto mais compacto, vê lá.

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Obrigado pelo comentário e feliz ano novo.

  5. Ana Maria Monteiro
    29 de dezembro de 2017

    Olá, Henri. Tudo bem? Desejo que esteja a viver um excelente período de festas.
    Começo por lhe apresentar a minha definição de conto: como lhe advém do próprio nome, em primeiro lugar um conto, conta, conta uma história, um momento, o que seja, mas destina-se a entreter e, eventualmente, a fazer pensar – ou não, pode ser simples entretenimento, não pode é ser outra coisa que não algo que conta.
    De igual forma deve prender a atenção, interessar, ser claro e agradar ao receptor. Este último factor é extremamente relativo na escrita onde, contrariamente ao que sucede com a oralidade, em que podemos adequar ao ouvinte o que contamos, ao escrever vamos ser lidos por pessoas que gostam e por outras que não gostam.
    Então, tentarei não levar em conta o aspecto de me agradar ou não.
    Ainda para este desafio, e porque no Entrecontos se trata disso mesmo, considero, além do já referido, a adequação ao tema e também (porque estamos a ser avaliados por colegas e entre iguais e que por isso mesmo são muito mais exigentes do que enquanto apenas simples leitores que todos somos) o cuidado e brio demonstrados pelo autor, fazendo uma revisão mínima do seu trabalho.
    A nota final procurará espelhar a minha percepção de todos os factores que nomeei.

    Olhe, logo a abrir, gostei imenso do seu conto. Ele tem cor, tem alma, tem emoção, tem enredo, tem um final feliz. Está muito bem escrito, adequado ao tema, bem revisto (não passou quase nada), simples, tudo de bom. Francamente, desculpe o desabafo, não entendo alguns colegas aqui. Explico: em contos confusos, não demonstram dúvidas nenhumas e depois, chegam a um conto como este, claro como água, e ficam baralhados! Não entendo. Percebi perfeitamente que o cão era extraterrestre e tinha superpoderes (eventualmente normais no mundo dele, mas não no nosso) que incluíam adoptar a forma que entendesse a qualquer momento, ele leva o tempo todo a fazer isso! Passa mais tempo na pele de cão? Pudera! Os humanos, quando gostam de animais, tratam-nos superbem. Tomara eu ser cão em certos momentos e perante tanta gente (até comigo, às vezes). Percebi tudo de fio a pavio, não há zonas sombra ou dúbias. Você sabe contar histórias. Parabéns e boa sorte no desafio.
    Feliz 2018!

    • Henri Explicativo.
      29 de dezembro de 2017

      Um comentário que me deixou muito feliz. Só não o respondi de pronto porque estava em reunião, depois fui almoçar e depois fui fazer compras para a ceia do ano novo. Gratíssimo. 🙂

  6. Bia Machado
    29 de dezembro de 2017

    – Enredo: 1/1 – Muito bacana o conto! O comecinho me trouxe também Forest Gump à lembrança, o menino tentando escapar dos garotos. É um texto que emociona em vários momentos e muito gostoso de ler. Sou mais fã de gatos, mas quem não queria um Elvis assim, tão fofo?
    – Ritmo: 1/1 – Lido de uma vez, sem fugas. Não senti o tamanho do texto, embora tenha uma leve desconfiança de que o texto ficou no limite. Mas eu bem queria mais.
    – Personagens: 1/1 – Uma dupla que deu certo. Parabéns pela criação deles, me conquistaram desde o primeiro parágrafo.
    – Emoção: 1/1 – Só posso dizer que valeu a pena deixá-lo para ler agora, no finalzinho. Fechei o desafio com chave de ouro.
    – Adequação ao tema: 0,5/0,5 – Sim, adequado e de forma criativa.
    – Gramática: 0,5/0,5 – Algumas coisas a revisar (uso dos porquês, pontuação), mas nada que tenham me incomodado.

    Dica não, uma nota: Se o conto se passasse no Brasil, seria Raulzito em vez de Elvis? Aí ele cantaria: “Ô, seu moço, do disco-voador, me leve pra você, pra onde você for… ô, seu moço, mas não me deixe aqui, enquanto eu sei que tem tanta estrela por aí!” 😉

    Frase destaque: “Aquele não era um cachorro qualquer, mas um visitante intergaláctico em missão ao nosso planeta.”

    Obs.: A somatória dos pontos colocados aqui pode não indicar a nota final, visto que após ler tudo, farei uma ponderação entre todos os contos lidos, podendo aumentar ou diminuir essa nota final por conta de estabelecer uma sequência coerente, comparando todos os contos.

    • Henri Explicativo.
      29 de dezembro de 2017

      O conto tem várias referências: Forest Gump, O Pequeno Príncipe, Pop Art, ET, o Extraterrestre, o cantor Elvis Presley (claro), o filme Conta Comigo, e dois cachorros reais. Quando revelarem as autorias, para quem se interessar, eu conto a história dos cães que inspiraram o Elvis. Bom dia.

      • Bianca Machado
        29 de dezembro de 2017

        Muito bacana! Eu não saio procurando referências nos contos, só me veio o Forest à lembrança mesmo, talvez por eu ter comentado isso um tempinho antes em outro conto. Mas quero saber dessa história dos cães, sim!

  7. Pedro Luna
    28 de dezembro de 2017

    Gostei do texto. É um conto dramático, com as manobras certas para emocionar. Estou meio desgostoso de tantos contos assim no desafio mas garanto a você que não vai interferir na avaliação e nota. É só que ultimamente venho preferindo coisas diferentes ao caminho das pedras.

    Enfim, isso não vem ao caso. Aqui um detalhe fez toda a diferença: a mãe do rapaz fugiu com um cara. Te juro que se ela tivesse morrido, eu não teria gostado do conto. Seria mais do mesmo. Mas aqui, esse detalhe, por menor que pareça, faz o conto ganhar muito. O personagem sofre com isso, mesmo que ainda não entenda, e isso abre espaço para pensamentos do leitor, em relação as escolhas na vida, abandono de pessoas. Enfim.

    O cachorro-alien é bem bacana. Ele tem uma boa personalidade, não é melosão. Tem um ar sábio, mas também inocente. Curti sua construção. Em relação ao fim, eu preferia que ele não tivesse aparecido nunca mais. Mas do jeito que está é legal também.

    Bom conto. Gostei.

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Valeu, cara. Capricha no cinco.

  8. Ana Carolina Machado
    27 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei o conto muito bom. Gostei principalmente do cachorro, acho que o principal poder que ele tinha,além do poder de falar e dos outros apresentados, era a empatia, tipo ele viu o menino precisando de ajuda e o ajudou logo no primeiro momento quando ele fugia dos meninos que queriam o agredir. Acho que é isso que falta em muitos casos de bullying, alguém que olhe e ajude que não fique apenas olhando. Aquela cena em que começam a agredir o Elvis me deu uma tristeza, estava torcendo para que ele não morresse, ele estava tão perto de voltar para a casa dele e era esse fato que deixava tudo ainda mais triste. Mas ainda bem que no fim o Elvis não morreu e eles tiveram aquele reencontro super fofo no final. Acho que o cachorro e o menino serão amigos para toda vida. Ele deve ter voltado para a terra exatamente para o visitar, ver se ele estava bem. Cachorros desse mundo ou aliens nunca abandonam os seus amigos. Como já disseram em um dos comentários anteriores cachorros como o Elvis não devem morrer. Parabéns pelo conto. Boa sorte no desafio!

    • Henri Explicativo.
      27 de dezembro de 2017

      🙂 Gosto de Você!

  9. eduardoselga
    25 de dezembro de 2017

    Caro(a) autor(a).
    Antes de tudo, interpretações do literário são versões acerca do texto, não necessariamente verdades. Além disso, o fato de não haver a intenção de construir essa ou aquela imagem no conto não significa a inexistência dela.

    Neste desafio, mais do que em muitos outros, há alguns contos com uma linguagem tipicamente infanto-juvenil. Dentre esses, “Elvis não morreu” me parece, até agora, o mais bem elaborado. Seu núcleo dramático não é, como costuma ser nesses casos, a ação juvenil – embora ela exista, no final – e sim a emoção que, felizmente, não descamba em nenhum momento para o piegas. Encontrar a medida certa do elemento emocional em texto infanto-juvenil para mim é uma grande qualidade.

    Em “[…] me contou que assistia, sempre que dava, os shows […]”, ASSISTIR é usado no sentido de ser espectador, por isso seu complemento é AOS SHOWS.

    Em “Senti-me mal diante da minha pergunta”, parece-me haver uma incongruência. A reação do personagem, entendo eu, se dá em função da resposta de Elvis, se tomamos a frase em seu contexto.

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Agradeço o elaborado comentário.

  10. Higor Benízio
    25 de dezembro de 2017

    Bacana, o texto cumpre com o dever de entreter de um jeito bem responsável, talvez algum acontecimento mais elaborado daria mais brilho ao trabalho, mas não chega a atrapalhar muito. Elvis podia ser um pouco mais explorado também, seria bom vê-lo falando mais.

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Obrigado, Higor. Feliz 2018

  11. Fernando Cyrino.
    22 de dezembro de 2017

    Há exatos três dias a nossa cadela Vicky morreu e então me vem você com este conto. Maldade das grandes, senhor Henri. Um conto gostoso demais de se ler. Um ser que vem do espaço (?) para se tornar amigo do menino que sofre os ataques da turma do mal da sua escola. Você escreve muito bem e me cativou demais com a sua história. Senti nela um gosto infanto-juvenil que não considero como crítica, mas como uma maneira de trazer saborosas lembranças aos leitores mais adultos e mesmo mais maduros, como é o meu caso. Cá com os meus botões me peguei pensando em algumas coisas: 1 – se acaso Elvis havia mesmo sido resgatado naquele dia do massacre, ou se ele havia se ocultado, se transmutado em um outro ser, escapando assim da sanha assassina do Patrick e seus asseclas. Ou, como acho que deve ter acontecido, ele apanhou demais, tal qual boi na horta? 2 – seria Elvis o dono dos superpoderes, ou eles seriam os do garoto que conseguia ver no cão as condições para se “empoderar” diante das dificuldades trazidas pela vida desgraçada na cidade pequena? Acho que estou mais para esta hipótese e, já que o texto passa a ser de propriedade do leitor, quero considerar assim o final da sua narrativa. Mesmo que o senhor ache que não esteja valendo. Kkkk abraços de parabéns.

    • Henri Explicativo.
      23 de dezembro de 2017

      Como você mesmo falou, nobre literato, quando a obra ganha mundo perde o dono original, mas posso dar a versão que imaginei, se for do seu agrado.

      Quando criei Elvis eu o pensei como um alienígena que havia sido deixado pelos de seu planeta e que havia se transmutado em cão e outros bichos para se disfarçar. A invisibilidade seria para sair das encrencas grandes.

      Ele foi resgatado no dia em que apanhou dos moleques e ficou anos no planeta dele. Voltou depois e foi procurar o garoto que agora era um homem. Como era de outro planeta ele não sentia o tempo como nós. Já estou pensando em escrever um romance a partir deste conto e aí responder cada pergunta que foi formulada aqui. Fica com Deus, Fernando. Boa noite.

      • Fernando Cyrino.
        28 de dezembro de 2017

        obrigado por me passar a “versão oficial”. Fica com Deus também. Ele é sempre bom.
        ps. e para com isto de nobre literato. Senão fico achando que tem ironia nisso. hehehe.

  12. Rafael Penha
    22 de dezembro de 2017

    Olá Henri,

    Seu conto me parece uma história de criança, divertida, melancólica e bem escrita.

    1- Tema: De fato, não sei se se adequa ao tema. É um cão alienígena que é capaz de se metamorfosear. Ele faz o menino ficar invisível, mas não explica como. Então fico na dúvida.

    2- Gramática: Muito boa. Não percebi nenhum erro que me agredisse.

    3- Estilo – A história e pareceu a principio como contada pelos olhos de uma criança, até eu ver que é um adulto. Isso me fez considerar algumas incongruências que havia relevado por ser uma criança.

    4- Roteiro; Narrativa – O começo me parece bem detalhado, mas o final é contado muito rápido, como se o autor não tivesse o espaço que queria. Notei algumas incongruências na narrativa, tais como deixar o garoto invisível do nada, o pai não perceber o cachorro e depois ter o cão em casa naturalmente, as crianças ” supostamente” matarem o cão tão facilmente… Mas é uma história, a meu ver, mais infantil, então algumas coisas podem ser relevadas. A leitura anda bem e os pontos são bem definidos de alegres e tristes. O cão estar morrendo por estar longe de casa foi incongruente com o fim, onde anos depois, ele ainda está na Terra e vivo.

    Resumo: Há uma série de pequenas incongruências que me atrapalharam, mas o conto me lembrou muito o ET; uma história infantil, com leveza, magia e amor.

    Grande abraço!

  13. Andre Brizola
    21 de dezembro de 2017

    Salve, Henri!

    Conto muito bem feito para atingir em cheio na parte mais emotiva do leitor. Devo dizer que, até mesmo eu, que não costumo ser atingido por tal temática, acabei ficando meio chocado com a frase “ouvir seus ganidos enquanto estraçalhavam seus ossos”. Foi duro de ler isso, de fato. Se a intenção era era, parabéns, você obteve sucesso!
    O texto é impecável, e isso ajuda muito no intento de criar a empatia com os personagens. Devo dizer que funcionou melhor pra mim no caso de Elvis, pois não consegui encontrar em George nenhuma característica tão digna de nota. A história do garoto acabou dando uma colorida no conto, mas não acrescentou muito à relação dele com o alienígena.
    Na minha concepção, Elvis é o personagem principal do conto, dono dos superpoderes e o objetivo de George estar contando sua história. Gostaria de ter lido mais sobre ele.
    Mas as críticas são apenas detalhes. O conto é muito bom e, como disse antes, conseguiu de mim uma reação que raramente acontece.

    É isso! Boa sorte no desafio!

    • Henri Explicativo.
      21 de dezembro de 2017

      Elvis existe. São dois cães. Depois do desafio eu te conto.

  14. Jorge Santos
    21 de dezembro de 2017

    O ambiente deste conto fez-me lembrar a série Stranger Things. Tem um bom ritmo e prende a atenção. No entanto, pareceu-me excessivamente simples, orientado para um público infantil – à excepção da passagem da surra do cão, que tem uma carga emotiva fortíssima. Não gostei do final. Embora esteja em consonância com o resto do conto, preferia uma surpresa maior ou algum tipo de contrariedade maior. Creio que o conto teria a ganhar se o final não tivesse tanta previsibilidade. De resto, era o que suspeitava: o Elvis era um extraterrestre… 🙂

  15. Thata Pereira
    21 de dezembro de 2017

    Eu gostei do conto logo pelo título ❤ Assim como o cãozinho, adoro Elvis. Adorei o conto, o que não me impede de ficar questionando algumas coisas.

    A primeira, se Elvis conseguiu ou não voltar para casa. Imaginei que não, uma vez que tantos anos se passaram desde que ele conheceu nosso planeta. Contudo, se ele não conseguiu voltar para o planeta dele, por qual motivo não procurou George antes? Portanto, acredito que ele voltou e depois retornou ao nosso planeta. O que me ajudou a chegar nessa conclusão é o quanto estava ficando fraco e, depois de tantos anos sem retornar para sua terra, sabe-se lá o que poderia ter acontecido com ele.

    Segundo, estranhei o preconceito das pessoas quanto ao pai separado. Não digo que não é real, apenas que nunca observei isso. É algo que vou passar a olhar com mais dedicação.

    O ponto forte para mim, que eu amei, foi o passar do tempo (e nem é porque George é meu colega de profissão rs'), mas porque achei delicioso o reencontro ter acontecido anos depois.

    Boa sorte!!

    • Henri Explicativo.
      21 de dezembro de 2017

      Olá, boneca!

      Muito bom ver você participando novamente do EntreContos.

      Bem. Elvis era mesmo um alienígena que usava a forma de cachorro e outras para se misturar com os humanos mas passando despercebido. Ele conseguiu voltar para o planeta dele, a missão na Terra já havia acabado mas ele quis voltar e reencontrar o George.

      O preconceito das pessoa com o pai do George foi muito por conta da passividade dele diante dos fatos. O conto se passa nos anos 50 e esperavam alguma atitude mais machista. De mais a mais ela foi embora com o homem mais influente da cidade, o dono do banco, pai de uma família importante. O Patrick era filho deste homem, por isso ele era tão perseguido pelo menino.

      Espero ter ajudado a esclarecer as suas dúvidas.

  16. Marco Aurélio Saraiva
    21 de dezembro de 2017

    =====TRAMA=====

    Uma história um tanto subjetiva. Elvis poderia ser qualquer coisa desde apenas um cão comum com características inventadas pela criatividade do narrador, até um real alienígena com poderes sobrenaturais. Apesar do conto meio que tender à interpretação primeira, onde tudo ocorre, na verdade, na cabeça do narrador, gosto quando há mais espaço para a imaginação do leitor.

    A história é bem direta. Há a construção do personagem principal e de Elvis, então um desenvolvimento de afeto entre eles, para culminar em um clímax bem definido e um final que fecha com chave de ouro. Foi uma história empolgante. Gostei =)

    O final (além de fazer a ligação incrível com o título, rs rs rs) dá a entender que Elvis era, na verdade, um amigo imaginário do narrador. Como se a mente dele houvesse criado a imagem de Elvis novamente para aliviá-lo das saudades. É difícil pensar em outra solução, na verdade: fosse mesmo Elvis, o cachorro, ele estaria muito velho ou provavelmente já teria falecido com a idade. Fosse Elvis, o alienígena, não faria sentido ele ter ficado ausente por tantos anos ou não ter sido resgatado por seus amigos extraterrestres.

    =====TÉCNICA=====

    Você escreve bem, com um domínio claro do seu português e construções bem pensadas. A leitura flui muito bem, apesar de alguns erros de digitação aqui e ali, mas nada muito fora do padrão.

    Uma boa leitura!

    • Henri Explicativo.
      21 de dezembro de 2017

      Olá, Marco Aurélio. Lendo o seu comentário deu para perceber que você não leu os demais comentários e, muito menos, as minhas respostas. O Elvis era mesmo um alienígena, foi resgatado pelos seus pares no dia do espancamento. Demorou a voltar porque viagens espaciais são longas, demandam muito tempo. Elvis não envelheceu porque não era cachorro, era um alien, e aliens tem suas maneiras de envelhecer ou de simplesmente não envelhecer, tudo é possível.

      Estou falando tudo isso mas acho muito bacana quando o leitor cria a sua própria versão das coisas, isso me mostra que acertei na margem para interpretação que deixei para a solução do conto. Então pode ter a sua própria teoria sobre Elvis. E boa sorte no desafio.

      • Marco Aurélio Saraiva
        23 de dezembro de 2017

        É, o conto é bem aberto a interpretações mesmo. Mas num bom sentido: são interpretações que conversam entre si, e todas te fazem pensar um pouco.

        Obrigado pelas explicações! =)

        PS: é eu não tenho o costume de ler os outros comentários. Só leio quando tenho alguma dúvida muito séria sobre a história e procuro ver se alguém teve alguma visão diferente da minha. Aqui, como eu não tinha “dúvidas” mas sim “interpretações”, não me esforcei em ler o resto dos comentários da galera =)

  17. Gustavo Araujo
    20 de dezembro de 2017

    Muito bacana o texto. É leve, simples, fácil de ler. A temática flerta com o universo infanto-juvenil, mas é daqueles que caem bem mesmo para o público adulto. Quem não se identifica com George quando ele foge dos valentões da escola, e quem não fica apreensivo e aflito pelo que fazem com ele e com Elvis no ápice da história? A trama envolve porque trata de temas universais como a amizade e a lealdade – esta quase sempre ligada na relação que temos com nossos animais de estimação. Por isso não há como não torcer por George e pelo seu fiel amigo, cuja prova maior de dedicação se traduz na luta encarniçada com Patrick e seus puxa-sacos. Isso, pelo que entendi, fez Elvis perder a carona na nave que regressava para buscá-lo, provavelmente porque viajou no tempo e reencontrou George já adulto, agora um jornalista. Talvez seja isso, talvez não, mas o fato é que as inúmeras possibilidades de interpretação só tornam o conto mais interessante, eis que permitem a cada leitor completar as lacunas a seu modo. No final, tudo fica bem. Um arremate feliz para uma história que se lê com um sorriso no rosto. Parabéns pelo trabalho e boa sorte no desafio!

    • Henri Explicativo.
      21 de dezembro de 2017

      Só não coloco um coraçãozinho aqui depois deste comentário tão supimpa, porque isso não é coisa para cabra macho, como eu. Valeu, chefia!

  18. Hércules Barbosa
    20 de dezembro de 2017

    Saudações

    Humanizar, ou melhor, incorporar características humanas em um ser intergalático em forma de cachorro- que se transforma em qualquer animal do planeta Terra- foi muito oportuno. Muitas vezes, em especial nos dias que vivemos, parecem que os animais nos compreendem melhor do que muitos da nossa espécie.
    O animal, já debilitado pelo tempo longo que passou fora de seu planeta, ajuda tanto o garoto e atual jornalista quanto a seu pai a superarem o trauma da perda da mãe, que preferiu largar a família para viver um novo amor; atitude também tomada pelo pai de Patrick, desafeto do protagonista humano.
    A beleza ou, como se dizia em outros tempos, o “barato” da literatura é que ela nos permite criar situações, ambientes e pessoas e damos os destinos que nós, criadores, entendemos ser mais adequados. Foi o que eu li neste conto resgatando a mágica simbiose entre ser humano e animal, temperada pela representação que Elvis atingiu e transcendeu as fronteiras do seu país e da sua vida.
    O tema Bullying aparece abordado de acordo com a época na qual o conto é ambientado e mostra que Patrick, também sentido pela atitude do pai em tê-lo abandonado, reage de forma violenta não aceitando tamanha frustração.
    Cachorros como Elvis não devem morrer

    Sucesso e parabéns pelo trabalho

    • Henri Explicativo.
      20 de dezembro de 2017

      Adorei o seu comentário. Você leu as emoções e impressões que eu quis passar.

  19. João Freitas
    20 de dezembro de 2017

    Olá. 🙂

    Golpe baixo, usar um cachorro! 🙂
    Gostei muito do conto, escrita fluída, história tocante. É fácil simpatizarmo-nos com os personagens principais. Se eu mudasse algo na história seria o final, não demasiado óbvio e “feel good”.
    Eu daria somente um sinal subtil de que Elvis estaria bem e isso deixaria o personagem principal feliz, mesmo sem o seu regresso. Apenas uma sugestão.

    Parabéns pelo conto!

    • Henri Explicativo.
      20 de dezembro de 2017

      Agradeço. =)

  20. Leo Jardim
    18 de dezembro de 2017

    # Elvis Não Morreu (Henri du Cavagnac)

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫):

    – é uma trama simples, mas bastante bonita
    – o menino narrador é fofo e convincente, o que é muito bom, pois não é fácil criar um narrador infantil
    – gostei também do background do menino, a questão da mãe e do pai, mas gostaria de ver um melhor desenvolvimento do pai
    – o desenvolvimento é um pouco corrido e a cena do espancamento ficou exagerada para bullying de crianças
    – não gostei tanto do fim: por que demorou tanto para o cachorro procurar o menino? Por que ele não foi embora?
    – enfim, ficaram muitas pontas abertas depois da cena do bullying

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫):

    – como já comentei, achei muito eficiente a narração infantil
    – a técnica, por isso, é bem simples, sem grandes floreios, mas bastante eficiente
    – Enquanto andávamos *vírgula* Elvis me perguntou
    – sugestão para facilitar a compreensão do diálogo: separar o personagem e o narrador: – Tem sim, fica na sala. *travessão* Respondi rápido

    💡 Criatividade (⭐▫▫):

    – o elemento-base do conto (o cachorro alienígena falante) é comum na cultura pop
    – bullying e encrenqueiros estão começando a saturar

    🎯 Tema (⭐⭐):

    – cachorro alienígena com poderes de metamorfose e invisibilidade

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫):

    – contos com crianças e cachorros são sempre fofos e este faz isso bem
    – o texto, porém, não encerrou tão bem e isso reduziu um pouco o impacto
    – apesar do final, gostei bastante

    OBS.: sobre pontuação no diálogo, recomendo a leitura de um artigo que escrevi: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/5330279

    • Henri Explicativo.
      18 de dezembro de 2017

      Olá, olá, olá, querido!

      Vc acredita que eu escrevi exatamente 2500 palavras? Pois é, meu filho, não cabia mais nada nesta bagaça, mas o conto daria um livro.

      Os personagens importantes eram só o Elvis e o George, então o pai era quase menos que um coadjuvante, mais para figurante.

      Elvis demorou a voltar porque ele tinha sido resgatado pelos outros “Elvianos” lá do planeta dele no dia do espancamento.

      “Elvianos” foi brincadeira, tá? Eles não se chamavam assim, e eu não posso revelar como eles se chamavam para não iniciados.

      Bullying não tem limite, meu caro. Tem gente que mata fazendo bullying. Vai de um simples empurrão a um espancamento fatal.

      Não conheço um conto que seja absolutamente original, todo mundo já escreveu sobre tudo, infelizmente.

      Que bom que gostou!

      Abração.

  21. Renata Rothstein
    18 de dezembro de 2017

    Oi, Henri!
    Então, primeiramente, obrigada pelo conto maravilhoso que vc escreveu e publicou aqui pra gente 🙂
    Em segundo lugar, estou aqui chorando, e já esperava por isso, qdo comecei a ler e vi a amizade do extraterrestere que podia assumir formas, e assumiu de primeira a forma da coisinha mais fofa e amada desse nosso mundo, que é o cachorro.
    Toda a história de abandono do menino George, seu envolvimento com Elvis e a carência suprida por este, o aprendizado e crescimento do menino com toda a situação, tudo encaixa perfeitamente.
    Não sei se viajei, mas o final meio que me lembrou ET, com o menino na bike levando o Etzinho para o bosque – e para a salvação.
    As semelhanças param por aqui, porém.
    Meninos malvados espancam George e Elvis, e aqui eu chorei, chorei muito, pra mim Elvis tinha mesmo morrido (e quem sabe, não morreu mesmo e ressurgiu, depois de muito tempo ( com a cicatriz apenas para ser identificado? Quem sabe….).
    Só achei que Elvis demorou muito para reaparecer, mas aí também pode ter sido proveitoso para George, o aprendizado de viver com esperança….
    Muito bom conto, sem erros, ao contrário, muito primoroso, meus muitos parabéns!

    • Henri Explicativo.
      18 de dezembro de 2017

      Gosto muito de você, sabia?

      Menina, adorei o seu comentário. Tão doce, tão emocionado, tão sua cara.
      Acho que escrevi este conto para gente assim como você. Gente que consegue uma imersão tão perfeita na história que sente até o que o autor (eu) sentiu ao escrever. Chorei também.

      O Elvis não morreu. O Elvis foi salvo pelos seres do planeta dele, foi levado de volta para sua casa porque estava muito fraco e voltou de pois de uma longa viagem do planeta dele até o nosso. Ele queria ficar com o menino, então fez este sacrifício. Ficar longe de casa, da família, da segurança por causa do George.

      Um abraço bem grande e boa sorte no desafio.

      • Renata Rothstein
        18 de dezembro de 2017

        Oi, Henri! Eu que agradeço por tão belo conto….e aqui já cheia de suspeitas de sua verdadeira identidade, hein rsrs. Meu obrigada por desejar boa sorte, estou precisando muito nesse desafio ai ai rs ❤ Parabéns de novo!

  22. iolandinhapinheiro
    17 de dezembro de 2017

    Olá, Henri.

    Vou te confessar uma coisa. Estava evitando ler o seu conto, sabe? Esses textos que envolvem maus tratos a animais mexem muito comigo. Assim quando vejo manchetes, vídeos e coisas relativas a este tema eu nem abro o arquivo.

    Aqui, infelizmente, foi inevitável. Afinal o seu conto faz parte do concurso e eu me vi na obrigação de ler.

    Como eu previa, seu conto me fez chorar. Não faz muito tempo que eu perdi meu cãozinho e não me recuperei (acho que jamais conseguirei) desta dor. Ainda que tenha me feito lembrar de dias tristíssimos, eu achei seu conto lindo. Vc escreve de modo envolvente, direto, simples e bonito. Gosto disso de não forçar metáforas elegantes para o conto parecer rico. Dentro da simplicidade do texto, eu encontrei a beleza.

    Parabéns. Agradeço pelas emoções que me proporcionou.

    Um grande abraço.

    Iolanda.

    • Henri Explicativo.
      17 de dezembro de 2017

      Fica assim não. Depois que terminar o desafio a gente conversa, tá?

  23. Sigridi Borges
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Henri!
    Gostei muito do seu conto. Fiquei presa do início ao fim.
    Sei que uma animalzinho sempre é um ponto positivo.
    Claro que, nesse caso, todo o seu talento na escrita foi o que mais me tocou.
    A ideia de fazer com que Elvis se tornasse invisível e também se transformasse em outro animal foi uma ideia genial.
    Fiquei chocada quanto aos maus tratos com Elvis. Quase chorei.
    Parabéns!
    Gostei muito do final também.
    Obrigada por escrever.

    • Henri Explicativo.
      16 de dezembro de 2017

      Que comentário lindo! Feliz aqui!

  24. Mariana
    16 de dezembro de 2017

    Cachorrinhos são um golpe baixo, ainda mais simpáticos como o Elvis. Um conto com a pegada Conta comigo do Stephen King, aliás, as crianças estão dominando no desafio. A fluidez da escrita é elogiável, a empatia criada também. Gostaria foi saber mais sobre a mãe e os motivos do abandono, bem como sobre os verdadeiros sentimentos do protagonista em relação ao caso, autor tem material para um segundo conto. Parabéns e boa sorte no desafio

    • Henri Explicativo.
      16 de dezembro de 2017

      Olá, Mariana. A ideia era falar mais sobre o romance da mãe, a fuga com o cara mais rico da cidade (pai do Patrick) e falar sobre o alienígena, que assumiria a forma verdadeira. Infelizmente eu não tive como aprofundar estas vertentes do conto dentro do limite de 2500 palavras. Eu, inclusive, usei exatamente 2.500 palavras. Mas eu gostei da sua sugestão. O conto merece crescer. Abraços e obrigado pelo comentário.

  25. Fheluany Nogueira
    16 de dezembro de 2017

    Superpoder: O menino teve o poder de conquistar a amizade do cão-alien e este tinha o dom da invisibilidade e transformação.

    Enredo e criatividade: Sabor sessão da tarde, uma história repleta de ternura, com cão e criança, indicada para qualquer idade. Os subtemas do bullying, abandono da mãe geram solidariedade do leitor. Como não conquistar? O nome do alien foi boa sacada e pode usar como título a famosa frase. O regresso de Elvis foi outra sacada interessante porque mostra gratidão e sinceridade tocando ainda mais a sensibilidade do leitor.

    Estilo e linguagem se casam com o assunto, em abordagem fácil, agradável e ritmo fluente. Diálogos naturais. Pequenos deslizes gramaticais na pontuação e um excesso de informação não prejudicaram a leitura e o entendimento do texto.

    Apreciação:
    Parabéns pelo trabalho! Gostei da ideia e da execução. Abraços.

    • Henri Explicativo.
      16 de dezembro de 2017

      Fátima. =)

  26. Givago Domingues Thimoti
    15 de dezembro de 2017

    Olá, Henri

    Tudo bem?

    Cachorros são seres magníficos, “fofíneos”. Quem teve ou tem sabe do que estou falando.

    Gostei da história. Foi simples e tocante. A leitura foi rápida e envolvente.

    A única questão negativa que encontrei foi alguns erros gramaticais. Em minha opinião, faltou algumas vírgulas em vários pontos do texto.

    Parabéns pelo texto e boa sorte!

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Obrigado, Givago.

  27. angst447
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Henri, tudo bem?
    Um conto fofinho/chub que poupa as criancinhas e o cãozinho (era o Elvis mesmo no final, né?). Como não amar?
    O tema proposto pelo desafio foi abordado com sutileza de um filme da sessão da tarde. O conto tem até o poder de arrancar lágrimas dos mais sensíveis, mas não de mim, né ..sniff…rs
    A leitura flui sem problemas, do começo ao fim, mantendo um ritmo agradável. O abandono da mãe nem precisava de maiores explicações. Só dizer que ela se foi e pronto. Aí a raiva do povo poderia ter sido provocada pela suspeita de maus tratos sofridos pela mulher e que o responsável pelo seu sumiço era o pai do menino.
    Faltaram algumas vírgulas e pelo menos um acento (busca-lo > buscá-lo), mas nada grave.
    Boa sorte!

    • Henri Explicativo.
      15 de dezembro de 2017

      =) Era o Elvis mesmo no final.

  28. Estela Goulart
    14 de dezembro de 2017

    Olá, Henri. Antes de mais nada, confesso que chorei. Sei que parece meio besta, mas desde quando li a introdução e associei com a imagem percebi que esse conto me conquistaria, afinal amo animais. E o enredo não decepcionou, embora faltasse mais explicações sobre o Elvis.. Ah! Ele deve ser muito demaaaaais! Sério.. Pena que tinha limite de palavras. Enfim.. eu amei. A escrita flui, não tem tantos erros, se adequa ao tema. Parabéns e boa sorte.

    • Henri Explicativo.
      15 de dezembro de 2017

      Os cachorros que inspiraram o Elvis fariam você chorar muito mais.

  29. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Poxa, que história bacana!

    A relação do menino com o alienígena (que não era um cão, obviamente) acabou por ser uma história sobre amizade bastante bonita.

    Os diálogos estão bem construídos… na verdade, a narrativa como um todo está muito bem construída. Não há pontas soltas, a escrita é ótima, o ritmo nos faz terminar rápido, e com um sorriso no rosto, afinal.

    No fim, Elvis salvou o garoto se sacrificando (ou não? Não consegui chegar a uma conclusão sobre isso) e voltou anos depois para visitá-lo. Enfim, tentando não ser clichê, mas já sendo, uma amizade que ultrapassa as fronteiras do universo 🙂

    Parabéns pelo ótimo trabalho!

    • Henri Explicativo
      14 de dezembro de 2017

      Acertou tudo, Miquéias! Elvis se sacrificou, mas ele sabia que os companheiros de seu planeta o restaurariam. Ele voltou muitos anos depois para rever o menino, que agora era um homem. Havia uma sintonia forte entre os dois por isso ele só manifestava seus poderes na frente de George, e também se ele fizesse isso na frente de todos descobririam que ele era um alienígena. Adorei este seu comentário. Abraços!

  30. Catarina
    13 de dezembro de 2017

    Henri, você resolveu fazer dupla com o seu vizinho Foster? Dois contos ternurinha de mãos dadas. E ambos cheios de clichês e muito piegas, mas também muito bons. São até parecidos.

    “Elvis não morreu, voltou pra casa” (última cena de MIB) e “ET, minha casa” (fala principal do extraterrestre dedudo e simpático do Spielberg); estas frases ficaram na minha cabeça o tempo todo em que lia o conto e acho que foi proposital: mensagem subliminar das boas.

    Criança + cão + fantasia = felicidade e sucesso no EC, embora eu ache que deu uma encerada desnecessária na trama, poderia ser mais ágil.

    Por favor, Henri Explicativo, não precisa explicar.

  31. Luis Guilherme
    12 de dezembro de 2017

    Ola, amigo, td bem??

    Qur conto bonito! Retrata muito bem a amizade sincera que é possível se criar entre homem e cao. Eu, apaixonado porr cachorros, logo me envolvi e identifiquei com a relacao de carinho e cumplicidade da dupla. Entendi sua história mais como uma metáfora doq como um conto de superpoder (o que nao descaracteriza o tema de forma alguma).

    Me pareceu uma bela metafora da amizade.

    Fiquei o tempo todo na duvida se tudo aquilo acontecia ou era fruto da imaginação do garoto. Ainda bem que nao era; acho q ficou melhor assim.

    A cena da briga me causou mto mal estar! Sou sensivel aos maus tratos a animais! hahaha

    Ainda bem q ele sobreviveu, e o fim acaboy sendo bem legal.

    Parabens e boa sorte!

    • Luis Guilherme
      12 de dezembro de 2017

      6ah, acabei de perceber q o titulo faz todo sentido no fim.. hahahaha mto bom!!

    • Henri Explicativo.
      12 de dezembro de 2017

      Era essa reação que eu queria ver. A de uma pessoa que gosta tanto de cachorros como eu gosto. Valeu, cara. Somos amigos!

  32. Amanda Gomez
    12 de dezembro de 2017

    Olá! 🐕

    Pra seu alívio, em nenhum momento Achei que o cachorro fosse fruto da imaginação do menino, Isso seria frustante e diminuiria consideravelmente a parte mais interessante do conto.

    Eu gostei muito da história, você narrou tudo muito bem, sem entraves, particularmente lembrei do filme Up!

    A história do cachorro falante alienígena estava tão boa que no decorrer do texto eu fiquei meio frustrada por esse não ser o foco principal, e sim os problemas familiares do menino, carregando uma história que não acrescenta muito , como o abandono da mãe o preconceito da vizinhança e etc, qualé, é um cachorro alienígena falante!!! É Claro que queremos saber muito mais sobre ele ( pelo menos eu)

    Aceitando que essa parte mágica seria mais uma forma de levar o crescimento do personagem que qualquer outra coisa, desencanei e passei a prestar mais atenção nisso. A construção do enredo, o carisma do menino, a presença tímida do pai e o abuso dos garotos perseguidores foram muito bem contados, as emoções foram trabalhadas com competência.

    Quando vejo que tem um cachorro na historia a gente já imagina que será algo pra cair algumas lágrimas, na parte do ” levar pra moita é quebrar os ossos” ( não exatamente com essas palavras, eu fiquei preocupada que você tivesse estragado o texto só pra causar comoção no leitor, mas você se saiu bem.

    Tenho ressalvas quanto a esse final… E a falta de resposta, mesmo a gente imagina o que aconteceu, talvez tenha demorado tempo demais e agora é um momento na vida do personagem que não há mais necessidade…ou não…
    É um belíssimo conto, divertido e carismático.

    Parabéns, boa sorte no desafio.

    • Henri Explicativo.
      12 de dezembro de 2017

      Oi, Amanda. Muito feliz com o seu comentário. As meninas do Entrecontos nunca me decepcionam. Olha, eu só queria saber como vc coloca este gatinho amarelo no texto, rs. Beijão e vamos para a frente.

      • Amanda Gomez
        12 de dezembro de 2017

        Magina! Você fez um ótimo trabalho.

        Bah, na verdade é uma cachorrinho em homenagem ao Elvis rsrs. Tô respondendo pelo celular, então tem como colocar emotions! 🐩

      • Henri Explicativo
        12 de dezembro de 2017

        Vou tentar: 🐕. Olha!!! Deu certo!!!

  33. Rubem Cabral
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Henri.

    Gostei do conto: o texto é muito simpático e terno. Em termos de estilo é simples, mas tem narrador-personagem, o que o justifica. Há alguns clichês e pequenas falhas (Elvis já se apresentou como “Elvis” no dia em que eles se encontraram e acabara de ser abandonado por sua nave, mas já era fã de Elvis a ponto de adotar o nome, por exemplo), mas o todo é muito bom.

    Resumindo o enredo: menino que sofria bullying encontrou cachorro que era um alienígena nos anos 50 nos USA (?) e se tornaram grandes amigos.

    Abraços e boa sorte no desafio.

    • Henri Explicativo.
      11 de dezembro de 2017

      Leia novamente, por favor. O alienígena (cachorro e outras formas era apenas um disfarce) havia chegado há vários anos à terra. Leia estes trechos, por gentileza: “Elvis. Esse era o nome que ele havia escolhido para si mesmo. Era fã do cantor e me contou que assistia, sempre que dava, os shows que passavam na televisão” , “– Estou há muito tempo aqui, garoto. Meus poderes estão enfraquecendo. Chegou a hora de voltar para casa.” Em muitos anos que alguém passa em um lugar é perfeitamente natural que essa pessoa se habitue com os costumes e gostos locais. Sabe, na pressa de ler muitos textos às vezes acontece de se ler sem atenção para alguns trechos e encontrar falhas que não existem. O pior é que não sei se vai ler a minha resposta e talvez acabe avaliando o texto considerando um problema que o conto não tem. É frustrante isso.

      • Rubem Cabral
        11 de dezembro de 2017

        Olá, Henri.

        É verdade, o Elvis já poderia ter estado na Terra por algum tempo. É que li sobre o abandono dele por seus companheiros justo no dia em que ele encontrou o menino, e associei que talvez – feito no filme “E.T.” – seus companheiros teriam fugido com pressa, para evitar o contato com os humanos, deixando então o Elvis para trás.

        Acho que numa versão estendida do conto você poderia detalhar o pq dos outros alienígenas terem deixado Elvis para trás.

        Abraços.

      • Henri Explicativo.
        11 de dezembro de 2017

        Errata: Onde se lê “O alienígena (cachorro e outras formas era apenas um disfarce)” leia-se “O alienígena (cachorro e outras formas ERAM apenas disfarces)”.

  34. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de dezembro de 2017

    Texto lindo, envolvente. Enredo inocente que até mesmo o abandono da mãe é descrito com suavidade. Bonita a comparação da saudade que sentia da mãe com a saudade que o alienígena sentia dos seus. A amizade é tratada e contada de maneira encantadora.
    A narrativa proporciona uma leitura fluente, leve. É um conto bem estruturado, mesclado com a realidade difícil da vida do menino com a “verdade” fantasiosa do amigo alienígena. Tocante.

    Parabéns, Henri du Cavagnac!

    Boa sorte!

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Valeu, Regininha.

  35. Paula Giannini
    10 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    O que escreverei aqui é a minha leitura sobre o seu texto. Combinemos, então, que após escrito, o texto não seja mais do(a) autor(a), mas do leitor e sua imaginação. Só assim, afinal, a obra se completa. Você não acha?
    Bem, vamos lá. Claro que li os comentários e suas respostas, gosto de fazer isso, assim aprendo mais e mais. Então, já sei que para o(a) autor(a) o cachorro e seus superpoderes interplanetários eram de fato reais. Uma obra de FC, digamos assim. Não entendo bem essas divisões de gêneros e muitas vezes não concordo com elas.

    Para mim, como leitora, porém, a história foi um pouquinho além. Li seu conto imaginando que todos os poderes e dons do cão seriam, não imaginação do(a) escritor(a), mas sim do personagem. Explico-me. Para mim, sim o cão era real. Mas não, ele não possuía superpoderes, exceto na imaginação de seu amigo menino. Para a criança, tudo o quanto ocorre com o cão é uma maneira infantil, lúdica e muito bela de encarar o mundo com seus problemas e desilusões, bem como com o abandono. Assim, seu cão, para ele, é mais que especial. Ele surge das estrelas, encolhe quando deita em seu colo para ver TV, aguarda pelo resgate (nada mais pertinente para um cão abandonado na rua e de fato resgatado pelo rapazinho), assim como é levado para longe pelos meninos do bullying e reencontrado anos mais tarde, com a velha e boa fidelidade canina agindo para que o cachorro entrasse imediatamente no carro. O que colaborou para minha interpretação, foi o fato de Elvis não mostrar seus poderes diante do pai.

    Gosto a interpretação acima e creio que ela não elimine a de que os poderes fossem reais. Visto que o eram, na imaginação da criança.
    Quanto ao preconceito sofrido por pai e filho, entendi perfeitamente. Realmente, as pessoas se afastam quando não estamos passando por boas fases na vida e vice-versa, não é?

    Aqui também vejo um belo conto de formação para jovens e novos leitores. Uma ótima porta de entrada para quem quer se apaixonar pela leitura, como já disse em outro comentário por aqui.

    Parabéns.

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

    • Henri Explicativo.
      10 de dezembro de 2017

      O leitor pode ter a interpretação que quiser, claro. E se para vc ficou mais interessante assim, então que seja assim. Beijos, Paula.

  36. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Lembrei do filme ET.
    Um bom texto que fala da amizade entre um menino e um ser de outro planeta.
    Gostei, só achei que o cão foi uma presa muito fácil para os meninos espancadores. Porque ele não usou de seus poderes para se defender e proteger o menino?
    Eu cortaria tudo que fosse relacionado a mãe do menino, ela foi embora e ponto. (mas isso sou eu, né. O conto é seu e você escreve o que quiser).
    Parabéns e obrigada por escrever.

    • Henri Explicativo.
      9 de dezembro de 2017

      Não sei se vc vai ler minha resposta, mas ele fala no texto que estava perdendo os poderes porque estava há muito tempo na terra.

  37. juliana calafange da costa ribeiro
    9 de dezembro de 2017

    Conto belo, bem escrito e emocionante. Segue com maestria a ‘trajetória do heroi’, mantendo o leitor preso à história até o fim.
    Eu sou apegadíssima aos animais e foi bem difícil ler a parte do clímax, quando os garotos maus maltratam o cão. Então torci – como todos, imagino – para este final redentor que vc criou: que Elvis não tivesse morrido (com ou sem trocadilho, tanto faz).
    Sem falar q muitas vezes eu me sinto como esse cachorro: tendo sido esquecida aqui pela nave-mãe, torcendo pra que ela volte pra me buscar um dia. Rsrs A esperança é a última q morre.
    Só notei um pequeno erro de revisão, logo no início:
    “Eu precisava me acostumar a esta realidade não para cometer outras gafes.” – Acho q as palavras ‘não’ e ‘para’ estão de lugar trocado, não?
    No mais, um conto muito bom, parabéns, Henri!

    • Henri Explicativo.
      9 de dezembro de 2017

      Agradeço, Juliana. Também amo muito os animais e chorei escrevendo a parte da “morte” de Elvis.

  38. Antonio Stegues Batista
    9 de dezembro de 2017

    Gostei do conto.Tem alguns probleminhas sem muita gravidade. Na frase: “viver sem passado e pedras”, acho que você queria escrever perdas, não é? A história de um cachorro alienígena, que tem o superpoder de se transformar em outros animais. Fico imaginando, como seres como cães, podem manipular elementos para criar uma civilização com aquelas patas de dedos curtos? O bicho Homem tem cinco dedos longos, se não tivesse não poderia segurar um martelo, por exemplo, para fazer uma roda, primeiro mecanismo que deu início ao progresso da Humanidade, metaforicamente falando, é claro! Mas como em ficção tudo é possível e permitido, inclusive cães alienígenas, acho que Elvis usou outro de seus superpoderes, a força da mente para construir uma astronave e visitar a Terra. Boa sorte.

    • Henri Explicativo.
      9 de dezembro de 2017

      O Elvis não era um cão no planeta dele. Ele era um cão aqui no nosso planeta. Ele usou estas formas de animais para se misturar. Um animal não precisa ter documentos, um animal pode transitar onde quer sem explicar nada. Entendeu? Ele tinha a forma dele de ET, mas não a usava na Terra. Já pensou se ele chegasse aqui com a aparência dele real? Espero ter ajudado.

  39. Pedro Paulo
    9 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Este é um belo conto sobre amizade. O autor soube desenvolver uma relação de lealdade e carinho entre o protagonista e Elvis, com a escrita em primeira pessoa favorecendo o conto ao nos imergir na psique de um rapazinho de oito anos, que confronta a violência e o abandono de forma inocente, mas astuta. Ao mesmo tempo, parabenizo por demonstrar um bom controle de informações, desenvolvendo a amizade entre menino e alienígena e depois nos esclarecendo do contexto em que o garoto se encontra, a situação em sua casa, o abandono pela mãe e a motivação da perseguição que sofre. Mergulhado em tanto sofrimento, a amizade entre ele e Elvis ficou ainda mais preponderante na história, pois deixou de ser só uma relação entre os dois para ser o refúgio para duas personagens abandonadas.

    A temática do superpoder está bem integrada ao conto, representada na personagem do Elvis e no contexto de ficção científica que é trazido com as menções pertinentes ao planeta distante e à nave dele. Talvez coubesse um aprofundamento melhor nesse sentido. Realmente dá para ter noção das saudades que ele sente do seu planeta, principalmente no trecho “o céu para ele era como a minha mãe para mim”, mas, ainda assim, fico pensando se não seria interessante ter incluído um monólogo de Elvis explicando do que ele sentia falta, exatamente, dando mais substância à sua natureza alienígena.

    Há dois diálogos em que o travessão poderia ter separado a fala de ação e um momento em que o protagonista se refere a Elvis como “meu cachorro”, o que estranhei por ter para mim que a relação deles não era nesse sentido. O final também pareceu um pouco apressado, com o grande pulo da infância à fase adulta e à docência universitária, cortando um pouco clima e deixando meio óbvio que o autor queria chegar de um ponto a outro, no caso, o reencontro dos dois. Ainda assim, houve mesmo um impacto com os dois se revendo, algo que se deve à importância mútua, pré-estabelecida ao longo do conto.

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Feliz 2018, Pedro.

  40. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2017

    Super poder: ficar invisível e mudar de forma.

    Oi Henri, eu gostei do seu conto! Uma estoria muito fofa, com o protagonista bem desenvolvido, o cãozinho alienígena também é bem desenhado. O título foi uma boa sacada e também um spoiler né. Foi bem gostoso ler seu conto, a estória é delicada e juvenil, muito bem escrita, e o melhor foi o final feliz!! Parabéns e boa sorte!!

    • Henri Explicativo.
      8 de dezembro de 2017

      Priscila você é uma leitora atenta que percebeu tudo. Boa sorte neste desafio.

  41. paulolus
    8 de dezembro de 2017

    É um conto bonitinho, suave e de fácil entendimento, mas para por aí. Não me convenceu. Como história é um tanto fantasioso. As situações são sobrepostas com muita facilidade. Não há um mínimo de sentido verossímil. Entretanto, bem escrito, sem percalços gramaticais.

    • Evelyn Postali
      9 de dezembro de 2017

      Ué… Mas superpoderes não são coisas fantasiosas? Não era esse o propósito? Qual é o superpoder que faz realmente sentido se pensarmos em termos humanos? Acho que você não pegou o espírito da coisa.

      • Henri Explicativo.
        9 de dezembro de 2017

        Uma pena mesmo é aqui não ter o recurso da carinha dando gargalhadas. Quando terminar este desafio quero fazer amizade e vou dar um abraço em vc, Evelyn.

  42. Bianca Amaro
    6 de dezembro de 2017

    Olá! Tudo bem? Parabéns pelo texto.
    Foi um bom texto. Bonitinho, um bom uso da gramática e a amizade entre Elvis e o menino é bem legal. Me lembrou um pouco o filme E.T – O Extraterrestre. Bem legal.
    Mas eu achei que foi meio exagerado a quantidade enorme de ódio que as pessoas tinham contra o garoto e seu pai. final, quem traiu foi a mãe, não é? As pessoas não deveriam odiar a mãe? Por que descontar tudo no pai e no filho? Afinal, eles foram somente vítimas, não é mesmo? Talvez provocar essa irritação foi o propósito. O leitor normalmente sente mais, digamos, amor pelo personagem quando ele sofre de injustiças. Provavelmente essa foi a estratégia usada. E eu nem tenho que dizer que conseguiu fazer com que gostemos mais do personagem, rs.
    O título combinou com o texto, apesar de dar um spoiler do final. A imagem combinou perfeitamente também.
    Sua narração foi boa também, envolvente.
    Novamente, parabéns pela sua história, e boa sorte!

    • Henri Sem Cavanhaque - 2018
      30 de dezembro de 2017

      Agradecido, Bianca.

  43. Evelyn Postali
    6 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Pela foto, já pensei: esse é um conto que vai me fazer chorar com certeza. Não que eu não goste de me emocionar, de me lavar em lágrimas com um texto, ou de perder o fôlego com risadas, mas normalmente nos envolvemos e valorizamos a emoção, esquecendo-nos da construção, de como tudo foi organizado para chegar ao final. E não deu outra. Eu me emocionei. Mas não foi só a emoção. Foi porque o texto é primoroso. Ele pega a gente de mansinho e vai nos levando para o final sem que queiramos fugir. Gostei de tudo nele. Gostei de como você me fez deslizar pelas palavras e chegar ao final sorrindo, porque é um final feliz a seu modo, meio agridoce, mas é mais feliz do que triste. Afinal, o alienígena voltou e puderam encontrar-se novamente, apesar de eu pensar na partida como se fosse para sempre. Eu ia escrever que tem uns clichês aí, bem disfarçados, mas fazer o quê? Não dá para ser 100% inédito nesse mundo onde já se escreveu de tudo. Personagens bem construídos, poucos e precisos diálogos. Queria muito esse superpoder do alienígena. Fato.
    Boa sorte no desafio!

    • Henri Explicativo.
      6 de dezembro de 2017

      Sorrindo fiquei eu com este comentário lindo. Você não apenas leu o meu conto, você me leu. Meus pensamentos, minhas dores, meus lutos. Obrigado, Evelyn.

      • Evelyn Postali
        7 de dezembro de 2017

        Caro(a) Autor(a),
        De nada!
        Eu esqueci de dizer que também gostei desse conto porque é uma ficção científica, né? E eu tenho uma certa queda por isso.

      • Evelyn Postali
        7 de dezembro de 2017

        Esqueci de acrescentar…
        Você poderia ter feito o personagem apenas como um amigo imaginário, fugindo da FC, mas não ia funcionar bem nessa história. O alienígena alavancou outras relações na leitura.

  44. Angelo Rodrigues
    6 de dezembro de 2017

    Caro Henri du Cavagnac,

    há alguns dias precisei, num conto meu, falar de barbas e descobri Henri du Cavagnac, o general de Napoleão que deu nome ao atual cavanhaque. A despeito de o termo vir do francês, somos o único país do mundo que chamamos o cavanhaque de… cavanhaque. De onde você desenterrou essa figura?

    Bem, mas vamos ao conto.
    Gostei do seu conto.
    Bem escrito, como o conto anterior (O Livro da Salvação), é um texto feito para emocionar, embora não apele em demasia.

    Tem um fino caráter psicanalítico do menino que, perdendo a mãe, fia-se no amigo imaginário como forma de compensação. Após as coisas voltarem ao equilíbrio, o amigo imaginário está pronto para desaparecer, que é o que acontece.
    Nesse ponto há uma “chave” emocional curiosa: sem mais nem menos, já superadas as dificuldades, o amigo imaginário retorna.

    Fiquei me perguntando o porquê de ele haver retornado e não encontrei um motivo. Como finalização para o conto, talvez tenha ficado bom, embora sob o ponto de vista dos arquétipos humanos, ele não devesse aparecer nunca mais, pois a vida ganhou um rumo onde o amigo imaginário havia se tornado prescindível.

    E a nave para resgatá-lo? Não veio? Por que o menino, agora homem, precisou do amigo imaginário?
    Bem, mas o conto é seu.

    Encontrei algumas frases que achei que mereceriam alguns retorques, embora não estejam erradas. Reporto duas:
    “… não faça nada, eles não vão te ver.”
    Por que o menino não poderia fazer alguma coisa, dado que não poderia ser visto? Imaginei que apenas dizer que eles – os vilões – não pudessem ver o menino bastaria.
    “… de onde a voz havia vindo.” Uma frase com cacofonia que talvez pudesse ser alterada para “… de onde vinha aquela voz.”

    A questão da presença do superpoder me pareceu limítrofe.

    O texto está bastante legal.
    Boa sorte.

    • Henri Explicativo.
      6 de dezembro de 2017

      Henri de Cavagnac era o pseudônimo de um amigo jornalista (já falecido) quando ele escrevia sobre suas desventuras familiares numa matéria domingueira. Quis homenageá-lo. Ao que me parece todas as pessoas que lerem este conto acharão, equivocadamente, que o nosso cão Elvis era um ser imaginado pelo George. Achei que com as transformações do alienígena que ocorriam conforme suas necessidades (emocionais e físicas) já conferissem a ele um identidade real, mas até agora cada um dos comentaristas pensou a mesma coisa. Mea culpa. Elvis era um extraterrestre, não existia apenas na imaginação do garoto, se fosse um amigo imaginário não poderia ter sido espancado pelos meninos (reais) que perseguiam o protagonista. No conto os meninos atacam os dois no dia em que a nave viria resgatar Elvis, então depois que os meninos foram embora ele foi levado para o seu planeta e ficou lá por muitos anos, e depois resolveu voltar para a Terra para rever George. Simples assim. Na hora que ele falou para o menino não fazer nada, era para que o menino não continuasse correndo, o que seria desnecessário, uma vez que o cão o havia tornado invisível. O superpoder não é limítrofe. O cão não é imaginário. Espero ter respondido às questões levantadas.

  45. Fabio Baptista
    6 de dezembro de 2017

    Um conto simpático, gostoso de ler. Lembrou um pouco o clima do excelente “Pop-Art” de Joe Hill – a inocência da infância misturada com os problemas da entrada na adolescência, a ambientação interiorana, a amizade inesperada com uma criatura fantástica (lá o menino balão, aqui o cachorro falante).

    Ao ver a imagem, já pensei que o conto era daqueles de fazer chorar e com isso sempre me vem o receio de que o autor exagere no drama, pesando a mão para tentar despertar emoções. Felizmente isso não chegou a acontecer, mas, em compensação, alguns pontos acabaram prejudicando o texto.

    Há excesso de informações e eventos para um espaço tão curto. Uma história mais direta ao ponto funcionaria melhor. Por exemplo, o cachorro diminuir não teve qualquer função para a história. Tive até que ler de novo para assimilar as aspas e concluir que ele não havia de fato se transformado num hamster. A traição/abandono da mãe também não funcionou muito bem… achei um pouco estranha a reação das pessoas da cidade a esse evento, fazendo parecer que o marido e os filhos eram culpados. Seria melhor (minha opinião só, é claro) ter “matado” a mulher e pular toda essa parte, focando mais nos problemas do garoto com os valentões até o combate derradeiro.

    O reencontro de finalzinho Disney já era esperado, mas gostei.

    Abraço!

    • Henri Explicativo.
      6 de dezembro de 2017

      Você não sabe como as pessoas ignorantes odeiam os homens traídos. Como não podiam se vingar da esposa, perseguiam a família.

      • Henri Explicativo.
        6 de dezembro de 2017

        O cachorro não era imaginário ¬¬, as transformações eram reais.

  46. Olisomar Pires
    6 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: escrita leve, fluida e bem conduzida. Uma boa estória, sem dúvida.

    Pontos negativos: não atende ao tema do desafio, em minha concepção do que seriam “superpoderes”. Elvis pode ser a representação psicológica do garoto em função do medo e abandono sofrido. Um cão normal. Um garoto com problemas.

    Impressões pessoais: um bom conto, bem emotivo e com todas as nuances que muitos apreciam (criança, cachorro, dor). O autor está de parabéns pelo belo texto.

    Sugestões pertinentes: Se o garoto tivesse dado uma surra nos meninos, talvez ficasse caracterizado a transmissão ou mesmo a existência de poderes .

    E assim por diante: adotei como regra nesse desafio e outros, enquadrar todos os contos que por ventura não se integrassem ao tema na mesma nota, independente da qualidade da escrita ou do enredo. O texto está muito bom e foi um prazer sua leitura, parab[ens pela bela construção.

    • Henri Explicativo.
      6 de dezembro de 2017

      Boa tarde, Olisomar. Nem era a minha intenção responder aos comentários feitos pelos leitores mas me vi na obrigação em relação ao seu. Ao contrário do que você interpretou, o cachorro era um alienígena sim, e tinha superpoderes sim. Não conseguiu se defender do ataque das crianças porque estava extremamente fraco na ocasião da surra. O tempo em que esteve ausente e não envelheceu, foi o tempo que passou no planeta de origem. Faça o obséquio de não enquadrar o meu conto nos contos de poderes imaginados. Estes eram reais. Agradeço pelos elogios à escrita.

      • Olisomar Pires
        6 de dezembro de 2017

        Olá, Henri. Grato pela explicação.

        Você há de convir que o texto permite a interpretação que segui, certo?

        Entretanto, também permite a que você explicita, se fizermos um esforço.

        Assim, vou considerar sua defesa procedente, pois alienígenas são bem vindos na literatura de ficção. E em todo caso, “in dubio, pro reo”

        Boa sorte !

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Publicado às 6 de dezembro de 2017 por em Superpoderes e marcado .