EntreContos

Detox Literário.

Asas (Mulher Maravilha)

Quando ele chegou, mudou completamente a minha vida. Nunca fui do tipo ‘Poliana’, que acha que filho é solução para os problemas, para a solidão. Mas me surpreendi, porque o que senti quando coloquei meu menino pela primeira vez no colo, foi uma sensação que não existe igual no mundo. Aquele pedacinho de carne, todo melecado de placenta e sangue, era a coisa mais mágica que já tinha me acontecido. Foi uma sensação de força, de poder, eu me senti a Mulher Maravilha!

De alguma forma, ele me amadureceu sem que me desse conta. Antes eu achava que era uma pessoa madura, mas foi através dele que me senti mulher, adulta, pela primeira vez na vida. Me senti responsável. E tinha que ser, aquele serzinho precisava de mim pra tudo. Eu faria qualquer coisa por ele, morreria e mataria por ele. O amor maior do mundo, amor que move montanhas, que encara qualquer obstáculo, que suporta um peso que antes parecia insustentável.

Com a chegada dele, veio também alegria de viver – acho que já tinha até me esquecido disso – de acordar de manhã e ter aquela pessoinha por perto, sorrindo pra mim, pintando o sete, espalhando felicidade pela casa. Eu devia quase tudo a esse menino.

Meu pequeno grande herói foi crescendo depressa.

Rápido como o Flash, ele já corria pela sala, saltava sobre o sofá, depois por cima da mesinha de centro. Meu coração vinha na boca, tinha certeza que se espatifaria no tampo de vidro, mas não. O danado caía em cima da poltrona, do outro lado da mesinha. Parecia que podia voar aquele garoto! E, antes que eu pudesse segurá-lo, ele desembestava pelo corredor e se perdia no meio dos brinquedos espalhados pelo quarto.

Uma vez, as visitas na sala tomando um café, de repente estava o maluquinho trepado numa das prateleiras mais altas da estante. Como ele foi parar ali e a gente nem viu?

– Mãe, eu sou o Homem Aranha! – Disse ele, um sorriso enorme na cara, já pulando pra prateleira de cima.

– Desce daí, menino! Tenha modos! – Eu morria de vergonha, as visitas sempre faziam cara de reprovação. – Você ainda cai daí e se machuca!

– O Homem Aranha não cai nunca! – e ele saltou lá de cima, passou correndo pela sala, atirando um esguicho de teia imaginária sobre as visitas e desapareceu no corredor.

– Alguém aceita mais um pouco de café? – minha cara vermelha como uma pimenta. Mas por dentro eu ria, orgulhosa.

Meu heroizinho sempre teve superpoderes. Quando era menor, encarava as noites de tempestade fantasiado de Thor, o Senhor dos Trovões. Ele ficava na janela, olhando os clarões no céu, tremendo igual vara verde. A cada trovoada, segurava mais forte a grade da janela. E repetia baixinho, como um mantra:

– Eu sou Thor – o Deus do Tovão e não tenho medo!

Era a coisa mais fofa do mundo!

Ele sempre foi muito criativo. Um dia, a minha caixa de costura desapareceu. Fiquei doida procurando, precisava consertar uma roupa e tinha pressa. Como não achava em lugar nenhum, fui procurar no quarto do moleque. E lá estava ela, bem no meio do quarto, aberta, com meus botões, elásticos, linhas e – pior – agulhas e alfinetes, tudo espalhado pelo chão. Fiquei louca de ódio. Quantas vezes eu já falei que não é pra mexer nessa caixa? É perigoso! Já estava indo atrás do pestinha, determinada a deixá-lo de castigo dessa vez.

Mas eis que ele me surge, com a fantasia de Batman que a avó deu no Natal, e um Cinto de Utilidades, confeccionado por ele mesmo, com as coisas da minha caixa de costura: um elástico amarrado na cintura, cheio de penduricalhos costurados à mão – dedais, botões, prendedores, um rolo de barbante que ele podia puxar para “amarrar os criminosos”.

– Fui eu mesmo que fiz! – dizia ele, orgulhoso. – Agora os bandidos vão ver só uma coisa!

E eu não consegui brigar com ele por causa da caixa de costura. Será que alguém me entende? Será que só eu enxergava todo o potencial daquela criança? Não sei se é isso que chamam de superdotado, mas com certeza meu mini Batman era uma criança iluminada. Ou será que isso é só o coração de mãe?

Meu pequeno herói sempre foi assim. Aventureiro, inventivo. Tirando algumas ocasiões – como essa da caixa de costura – ele na verdade nunca me deu trabalho. Nem pra comer. Eu sempre ouvia as outras mães reclamando que seus filhos não comiam isso ou aquilo, mas o meu pequeno comia tudo e de tudo! Para se manter forte como o Hulk. Depois do almoço ele sempre checava sua força diante do espelho, exibindo seu bíceps e fazendo cara de mau.

E fazia essa mesma cara quando se aborrecia com alguma coisa.

– Mãe, não me deixa brabo que eu me transformo em Hulk!

Quem ia querer isso, não é mesmo?

Naquele dia, era domingo e eu me deixei dormir até mais tarde. Acordei perto das dez com a campainha tocando. Era o porteiro, acompanhado da síndica. Olhando a cara dos dois eu já imaginei – o que será que esse garoto aprontou dessa vez?

Mas essa vez não foi igual às outras. Lá embaixo, sob o olhar desesperado de todos, estava meu pequeno Super-Homem, de bruços, os bracinhos esticados pra frente, a capa vermelha lhe cobrindo as costas. Se não fosse a enorme mancha de sangue no asfalto embaixo dele, eu poderia jurar que estava voando, à procura de sua Lois Lane…

Tinha pulado do pequeno vão da área de serviço, que estava em obras e temporariamente sem a grade de proteção. Eu tinha pedido tanto pra ele não entrar ali. Mas certamente meu Super-Homem viu alguém em apuros que precisava de sua ajuda. Ele era assim, generoso…

Hoje sinto sua presença, mesmo sem vê-lo. Tal qual o Homem Invisível, sei que ele vive por aqui, ao meu redor, zelando por mim. Meu pequeno Super-Anjo.

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29 comentários em “Asas (Mulher Maravilha)

  1. Estela Goulart
    18 de dezembro de 2017

    Olá, Mulher Maravilha. Seguinte, desde a introdução e com o decorrer do texto senti, sim, uma vontade de especificar o quanto o menino era especial para sua mãe. Isso, sem dúvida, não é discutível. Porém, senti a falta de um maior “sentimento”. Como assim? A leitura foi bem casual, e até fiquei em choque quando o menino morreu. Ele era mesmo adorável. Por mais que não tenha percebido o fim trágico, ainda sim é uma boa história e sem muitos erros. Só faltou mais sentimento. Boa sorte e parabéns.

  2. Gustavo Araujo
    17 de dezembro de 2017

    Um enredo aparentemente simples, mas de difícil execução. Digo isso porque fiquei com a impressão de que o autor, desde o início, sabia onde queria chegar (a morte do menino), e construiu o enredo todo em função desse desfecho. A imitação dos super-heróis, um a um, todos se sucedendo, até sobrar apenas o super homem, momento em que o menino se lança no vazio. Olha, eu sei que vai parecer antipático o que eu vou dizer, mas achei um tanto artificial essa construção, talvez porque soe telegráfica demais (já nos permite saber o final mesmo no início), talvez pelo tom casual como a personagem-narradora nos passa a história. Creio que faltou um tantinho a mais de mergulho na personalidade dos protagonistas, algo que permitisse ao leitor sentir-se cativado pela trama. Enfim, é um conto bem escrito, não há dúvida, mas que a meu ver falha no quesito envolvimento. É isso. Boa sorte no desafio.

  3. Edinaldo Garcia
    16 de dezembro de 2017

    Asas (Mulher Maravilha)

    Trama: Mãe descreve uma rápida biografia do filho. Bem, foi assim que eu interpretei.

    Impressões: Estou morrendo de vontade de saber quem é o autor/autora para lhe dar umas broncas. Oh, sacanagem o final. Você nos faz apaixonar pelo garoto e aí, beng!! Brincadeira. É uma excelente crônica, muito bem escrita, muito bem feita, emocionante, saiu até um suor de macho dos meus olhos aqui. Ainda mais em tempos em que almejam destruir os alicerces da família. Sou casado, mas ainda não sou pai, deu até vontade de ter um filho. Rsrsrs. O superpoder está lá, de maneira alegórica.

    Linguagem é escrita: Muito boa, dinâmica, fluida, as imagens das traquinagens do garotinho saltam aos olhos.

    Pessoinha – pessoazinha. Sei que pessoinha já caiu no consenso popular com o significado de pessoa pequenina, mas o dicionário ainda diz outra coisa: 1. Pessoinha: Pessoa de pouca importância, vil, maldosa, fútil, ridícula, medíocre, de comportamento, caráter ou índole duvidosa. Tem sentido semântico depreciativo o sufixo (-inha) agregado a palavra que caracterize o ser humano. Aqui não se enquadra o sentido afetivo do sufixo (-inha) pois o substantivo feminino “pessoa” caracteriza ambos os sexos.

    Nada que tire o brilho da obra.

    Veredito: Uma excelente crônica. Se eu ainda lecionasse levaria este texto para sala de aula.

  4. Fheluany Nogueira
    16 de dezembro de 2017

    Superpoder: A mãe suporta a dor pela perda do filho como uma Mulher Maravilha e a criança vive e morre como heróis de quadrinhos — metáforas para superpoderes.

    Enredo e criatividade: Texto confessional, aparentemente simples, mas repleto de angústia, de busca pela expurgação da culpa. Sensível e eficaz. O tom melancólico desde a introdução preparou o leitor para o forte impacto final.

    O foco de primeira pessoa e a linguagem concisa, próxima da fala, em tom de intimidade conferem credibilidade e verossimilhança à trama e justificam pequenas falhas gramaticais.

    Gostei muito da ideia e de execução. Parabéns pela participação com este trabalho muito bom! Abraços.

  5. Givago Domingues Thimoti
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Mulher-Maravilha!

    Tudo bem?

    Um dia desses, estava lendo um livro chamado “O Curso do Amor” do Alain de Botton. Em um capítulo em especial, sobre paternidade, o filósofo escreve que o amor que uma mãe/um pai nutre por sua cria é a forma de amor mais puro que existe, já que amam sem querer nada em troca.

    O início da sua história foi, para mim, o melhor exemplo dessa “tese” do Alain.

    Achei a escrita boa, com alguns erros – é verdade -, mas nada que tire a beleza e a simplicidade do texto.

    Para mim, o texto aborda dois super-poderes; a imaginação e ingenuidade de uma criança e o amor de uma mãe.

    Parabéns e boa sorte!

    PS: Recomendo esse livro. Caso fique curiosa, aqui vai um link que explica um pouco do livro.

    https://www.skoob.com.br/livro/691893ED694838#

  6. Catarina
    14 de dezembro de 2017

    Um conto de falsa simplicidade. Na verdade bastante complexo. Logo no começo temos a sensação de que uma tragédia se aproxima e vamos pensando “Não, seria muito óbvio”; e foi. Mas nas entrelinhas vemos a necessidade da mãe de trabalhar a culpa, justificar os riscos, mitigar, barganhar consigo mesma seus fantasmas, castigo e redenção. Um personagem preso no passado.

  7. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,

    Eu acredito que o amor de uma mãe ao filho é o maior poder que existe, você não concorda?

    Gostei bastante da sua história. É leve, rápida. Parece até um relato real, algo que aconteceu na sua vida e que ficou marcado por bons momentos…. pelo menos até o desfecho trágico do menino…. coitado 😦

    Você armou bem o terreno para dar essa porrada na gente, hein? Muito bom. Gostei do impacto (quer dizer, foi horrível, mas acho que essa era a intenção rsrs).

    Um ótimo conto. Parabéns pelo trabalho!

  8. Andre Brizola
    13 de dezembro de 2017

    Salve, Mulher Maravilha!

    É difícil comentar o seu conto sob o ponto de vista de alguém que não compartilha de diversas experiências de pais e mães, pois não sou, nem pai nem mãe. Consigo enxergar a qualidade do texto e toda a carga emotiva inserida em cada parágrafo. Mas não consigo me conectar com a mãe personagem, nem enxergar no filho o garoto heroico que ela descreve.
    A adequação ao tema é um tópico meio subjetivo. Acredito que a partir do momento que a mãe atribui ao filho e suas peripécias uma espécie de superpoder, existente ou não, a adequação existe.
    Sendo bastante frio no meu comentário (e eu peço desculpas antecipadas), o conto não difere muito de uma conversa com uma mãe coruja, que quer contar aos amigos, colegas, vizinhos, desconhecidos no supermercado, o quanto seu filho é esperto, inteligente e sapeca. Acho que é pouco material para um conto, sobretudo se o leitor (no caso eu) não costuma ser tocado pelo assunto. Se o garoto fosse um pouquinho mais Tom Sawyer…
    Como pontos positivos destaco o texto impecável e as associações aos heróis dos quadrinhos, que funcionaram como um lembrete constante do desafio. E a coragem de acabar com a morte do garoto.
    Perdão pelas críticas. Realmente não é eu tipo de conto.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  9. Luis Guilherme
    13 de dezembro de 2017

    Olá, amigo (a), tudo bem?

    Bom, fiquei meio dividido quanto ao conto.

    O problema maior pra mim é que não achei que se encaixe tão bem no tema proposto.

    Mas vamos por partes:

    Primeiro: gostei bastante! Apesar de o desfecho não ser inesperado, o texto é carregado com uma carga emotiva que garantiu o impacto da cena final. A mãe conta a história toda com uma certa melancolia que já prepara para o final trágico. Ou seja, a tragédia não veio do nada, mas foi construída ao longo do texto. Muito bem!

    Porém, não posso deixar de dizer que não acho que a adequação ao tema tenha sido boa o suficiente. Acho que só citar super-heróis, e a ideia do menino de ser um, não teve força o suficiente pra sustentar o tema.

    Veja: não é um problema do conto, que é bem bom, mas sim um problema de adequação ao tema. Não que isso vá tirar muitos pontos, mas afeta um pouquinho o resultado final.

    Ainda assim, parabéns, bom trabalho! Boa sorte!

  10. Ana Carolina Machado
    11 de dezembro de 2017

    Oiii. Achei o conto muito bom. Sentimental na medida certa. Desde o começo tive a sensação que ia acabar de forma triste, pois a mãe parecia contar tudo em tom de saudade. Fiquei triste com o final, apesar de sentir que o final seria triste torcia para que no fim o garoto ficasse bem. Foi muito bonito ver como a mãe via o filho como um herói, a forma cheia de amor que ela se referia até mesmo as travessuras dele. Aos olhos dela o filho tinha diversos superpoderes e habilidades únicas. Ser mãe é um dom e toda mãe tem o superpoder de ver o filho de uma forma única e especial, como ela o via. Aos olhos dela o menino morreu como o herói que sempre foi. Parabéns pelo conto. Abraços.

  11. Rubem Cabral
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Mulher Maravilha.

    Eu gostei do conto: mulher descobre-se mais madura e forte com a maternidade e seu filho é visto através dos seus olhos de mãe como uma amálgama de super-heróis dos quadrinhos.

    Acho que a abordagem ao tema do desafio foi correta. Não está escrito em lugar algum que os superpoderes não poderiam ser metafóricos.

    O início e o meio do conto são bem bonitos, mas eu gostaria de mais desenvolvimento e enredo. O que acontece no final é comum, pq as crianças vivem a fantasia intensamente, mas é um pouco esperado.

    As comparações e alusões aos super-heróis famosos foram boas. A escrita foi simples e competente.

    Boa sorte no desafio e abraços!

  12. Pedro Paulo
    11 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    É um conto agridoce, no qual o uso da primeira pessoa caiu muito bem. Embora a narradora seja também uma personagem, a história não é sobre ela, é sobre o seu filho. Isto deu liberdade à autora para poder escrever sobre as peripécias da criança enquanto exaltando o seu caráter, permitindo uma perspectiva em que fique valorado o poder da imaginação e a importância das figuras dos heróis na infância. É muito bonito e a autora soube trazer esses sentimentos no conto. Outro ponto positivo é que isso demonstra o amor materno, dando um plano de fundo importante ao impacto pretendido no final.

    Apesar das qualidades que listei acima, o conto não tem tanta força dentro da temática proposta no desafio, mesmo que um dos acontecimentos centrais tenha relação indireta com superpoderes e super-heróis sejam constantemente mencionados e aludidos ao rapazinho. O conto tem sim um final, mas a leitura foi feita esperando aquele momento de contextualização (a mãe nos apresentando ao menino peralta) se encerrar para dar lugar a um desenvolvimento maior da narrativa, com algum avanço que a ligasse mais diretamente a superpoderes. Assim sendo, o final veio de forma meio abrupta. Foi impactante, mas ainda repentino, pois quando esperávamos que algo fosse acontecer, acabou. Ainda assim, é um ótimo conto, tocante e sincero.

  13. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de dezembro de 2017

    Li e reli o texto com muito cuidado. Como nos comentários que vi, não encontrei o superpoder retratado na figura da mãe. Vi o superpoder no filho, na certeza que ele concebeu de ser um super-herói. Ele agia como tal. Vivia no mundo da fantasia. O texto é um relato apaixonante do comportamento da mãe, com o amor derramado que possui, vendo encanto nas menores travessuras do filho. É o natural, o normal da vida. Acontece que a criança incorporou o personagem de super-herói e, inocentemente, atirou-se no ar, confiando que tudo seria como o desfecho visto no filme. Infelizmente, não somos imortais.
    Conto bem escrito, bem estruturado. Texto forte, marcado por dor, por culpa.
    Parabéns, Mulher Maravilha!
    Boa sorte!

  14. Antonio Stegues Batista
    10 de dezembro de 2017

    Um drama, sem dúvida. Tragédia! Historia de um menino que, imitando o Super Homem pulou do prédio. Um conto sobre tragédia familiar, muito sério, me parece que ficou meio deslocado entre outros com subtemas desligados da realidade. Não que o texto seja ruim como literatura, apenas me deixou desconfortado pelo final triste, baseado na vida real.

  15. Fabio Baptista
    10 de dezembro de 2017

    É uma história cheia de açúcar, com um final muito triste.

    Eu não curti muito, faltou um bocado de trama aí. Só a narração das peripécias do garoto sob o olhar da mãe coruja não foram o bastante para formar um enredo.

    As várias referências aos heróis foram boas, mas não foram o suficiente para enquadrar o conto no tema.

    Gostei da coragem de não poupar as criancinhas no final.

    Abração!

  16. Paula Giannini
    10 de dezembro de 2017

    Olá, Autor(a),

    Tudo bem?

    Imaginar a morte de um filho, para uma mãe, é algo quase impossível. Quando temos esse tipo de pensamento, imediatamente o afastamos apavoradas de tanta dor que isso pode carregar. Algo como que, se tivéssemos esse pensamento, de certa forma, pudéssemos atraí-lo para a realidade. É um pavor.

    Quando seu conto teve início, por algum motivo, logo imaginei o final. A morte da criança que cai da janela vestida de super-homem é, infelizmente, algo real em algumas ocasiões em nosso mundo. A morte do filho de Eric Clapton, já lembrada aqui por um dos colegas, é mundialmente conhecida. Uma dor com a qual todos nos solidarizamos às lágrimas, ao ouvir Tears In Heaven. Mas casos como o dos Nardoni, no Brasil, também não deixou de visitar meus pensamentos. Reais histórias de terror, não é?

    Sobre imaginar o final previamente, não imagine que eu o diga como ponto negativo. Não. Ao contrário. O leitor, como já disse aqui algumas vezes, “gosta de se sentir esperto” e dizer: eu sabia!

    No caso de seu conto, essa tal previsibilidade causou em mim um efeito de tensão. A cada nova linha, me vi pensando… Não, não, não… Não se jogue da janela, garotinho… E acho que esse tipo de efeito é mais do que esperado por um autor. Mexer com as emoções do leitor.

    O conto é curto, porém, na medida. Capacidade de concisão é um dom que não possuo e admiro.

    A narrativa é agradável e nos faz enxergar a mãe e seu cotidiano com esse menininho superespecial.

    Sobre o tema do certame, para mim, o conto aborda tanto o universo dos super-heróis e suas características, dentro do dia a dia de uma família, quanto coloca o maior de todos os poderes no centro da narrativa. O amor de mãe.

    Parabéns

    Desejo-lhe sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  17. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Bonito conto apesar de eu (eu somente eu) achar que não se enquadra no tema proposto.
    Achei essa parte “um elástico amarrado na cintura, cheio de penduricalhos costurados à mão” nada crível para uma criança. Nem adultos que nunca pegaram em agulhas e linhas conseguem costurar logo de cara. Apenas uma sugestão: ‘um elástico amarrado na cintura, cheio de penduricalhos presos por alfinetes’
    No mais o conto está perfeito.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  18. angst447
    9 de dezembro de 2017

    Olá! Já gostei do tamanho do conto que me fez pensar em ir direto ao ponto. Respeitou o tema proposto pelo desafio? Creio que sim, a mãe é uma heroína com todos os poderes que a maternidade lhe confere. E o pequeno, seu superpoderoso amor.
    Linguagem simples, clara, sem voltas desnecessárias. O conto lembrou-me mais um depoimento, um desabafo do que uma narrativa curta, mas está valendo.
    Lá pela metade do texto, já fiquei em alerta pois sabia que algo de ruim aconteceria com o garoto.
    Sei que falar sobre crianças, o amor entre pais e filhos, quase sempre nos leva ao uso de clichês como ” O amor maior do mundo, amor que move montanhas”, mas deveria tentar trocar uma palavra ou outra. No entanto, talvez tenha sido esta a sua intenção, tornar familiar ao leitor a relação descrita.
    Boa sorte!

  19. Sigridi Borges
    9 de dezembro de 2017

    Olá, Mulher Maravilha!
    Também vejo “mãe” como uma pessoa com vários superpoderes. Sim. Mãe que cuida, cria, educa… Essa sim. Não aquela que apenas pariu.
    Nada como poder acompanhar de perto um coração que lhe bate fora do peito, parafraseando diversos escritos que já acompanhei.
    Gostei do seu texto. Claro e bem escrito.
    Finais inesperados, como você bem colocou, nos faz refletir e aceitar as diferenças que nos fazem crescer como seres humanos.
    Penso ser mais uma crônica, mas não me cabe julgar. É só a opinião de uma leitora em potencial.
    Parabéns!

  20. paulolus
    8 de dezembro de 2017

    Belíssimo conto. Uma temática original. Narrativa bem desenvolvida, precisa e condizente com o tema superpoderes, vendo pelo prisma do real poder das coisas da vida, negando como superpoderes as fantasiosas historietas a serviço do entretenimento. Não há humor, mas uma forma graciosa de descrever situações, sem cair na graça pela graça. Uma escrita limpa e objetiva; e em concordância com a norma gramatical. O clímax final arrebatador, pondo os espíritos desprevenidos estupefatos pelo final pungente. Meu ponto final nesta breve análise crítica é: Excelente! Você tem muito que sobrevoar sobre os vastos campos da literatura, Mulher Maravilha! Parabéns e boa sorte. (Quero continuar acreditando que a poeta seja uma fingidora, que este recorte jamais tenha se passado no real).

  21. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2017

    Super poder: amor de mãe ❤

    Olá Mulher Maravilha! Seu conto deu um baque no meu coração…
    Ao meu ver está enquadrado muito bem no tema, afinal, não está nas regras que no conto alguém tem que ter um superpoder real.
    Você escreveu um conto que trata do maior poder do mundo, o amor de mãe, as travessuras de uma criança tão querida e especial… O final foi de cortar o coração, mas é a alma do conto, sem ele seria só uma confissão comum de uma mãe comum. Gostei muito do seu estilo de escrever, direto, sem entraves, simples e acima de tudo, bonito. Parabéns pelo conto e boa sorte!!

  22. Angelo Rodrigues
    8 de dezembro de 2017

    Cara Mulher Maravilha,

    Superpoder: confesso que não vi, não obstante saber que há um superpoder em toda mãe.

    Esse conto me remeteu a um conto do certame passado (Terror), escrito sob pseudônimo de Lolita, onde, uma história real sobre violência infantil (soubemos depois) foi tornada ficção aqui.

    Essa história, salvo pelo modo como foi escrita, repete-se e repete-se e repete-se, uma delas, talvez uma que tenha sido muito divulgada, foi a morte do filho do Eric Clapton, que, depois de uma bobeada dos pais, o menino Conor, de cinco anos, despencou de muitos andares em Manhattan. Mais tarde Eric escreveu a música Tears In Heaven (vale ouvir).

    Bem, voltando ao conto, fiquei um pouco paralisado para comentá-lo sob o risco de o mesmo não ser ficção, mas relato.

    Mas, tangente a tudo, achei-o bem escrito e bem humorado no relato das peripécias do menino e coisa e tal. Achei-o chocante demais, talvez pela inflexão repentina do relato, algo do tipo tudo vai bem e desanda em tragédia. Isso me arrepiou diante da possibilidade de ser uma história real, mas…

    Boa sorte com o conto, Mulher Maravilha.

  23. Olisomar Pires
    6 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: escrita tranquila no estilo confissão, um flash alongado sobre sentimento.

    Pontos negativos: não se adaptou ao tema, pelo menos no modo como vejo. Como disse em outro comentário, independente da qualidade da escrita, do enredo, da profundidade: os contos não inseridos no tema serão nivelados na questão da avaliação por notas.

    Impressões pessoais: o autor fez um bom trabalho comparando as “aventuras” infantis com super-heróis conhecidos, A empatia é instantânea. Conto muito sofrido para nós que temos filhos e os vemos como razão da nossa vida.

    Sugestões pertinentes: ressuscita o garoto e fica ótimo.

    E assim por diante: obrigado por nos fazer lembrar de que as pequenas travessuras dos nossos pimpolhos são muito sem importância diante do presente que Deus nos deu: eles mesmos, os filhos.

    • Mulher Maravilha
      7 de dezembro de 2017

      Caro leitor, obrigada pelo comentário. Vou discordar apenas em dois aspectos. O primeiro é sobre o tema. Tema é inspiração, não é um quesito de precisão, uma expressão literal. Então, não vejo como o texto não se enquadre no tema.
      O segundo ponto é sobre o final. Sei que é um final triste. Mas nem sempre as histórias têm que ter final feliz. Entendo o conforto e a redenção que o final feliz proporciona ao leitor. Mas às vezes o que queremos provocar é justamente o incômodo, é parte do trabalho. Então, acho que nesse aspecto meu conto funcionou com você. Eu não me sinto, como escritora, na obrigação de escrever finais felizes. Alguns dos filmes q eu mais gosto não tem finais felizes, nem seguem exatamente a ‘trajetória do herói’. E a vida é assim também.
      O mais bacana da literatura é justamente essa enorme diversidade entre autores, estilos, leitores. Cada um tem as suas preferências, seus registros pessoais, emocionais. E nenhum autor tem o poder de agradar todos os leitores. Assim como nenhuma mãe tem superpoderes para evitar, muitas vezes, a morte de um filho. Nem eu, que sou a Mulher Maravilha!
      Enfim, valeu pela troca, q é isso o que mais importa! 😉

      • Olisomar Pires
        7 de dezembro de 2017

        Olá, autor,

        A sugestão sobre ressuscitar o garoto era uma brincadeira e não exigência de um final feliz, mas para o necessário enquadramento no tema.

  24. Evelyn Postali
    6 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Eu comecei a ler e sabe aquela sensação de que vai ter final infeliz? Pois é. Bem essa e foi tiro e queda. Mas o conto me fez mais rir do que chorar. Porque você escreveu com a leveza da infância, ou de como ela deveria ser, carregada de super-heróis e aventuras em terras estranhas e fantasiosas onde o final é sempre o melhor e feliz. Enfim… Gostei da escrita, da personagem e de como a trama foi acontecendo. Um conto muito bem escrito. Começo meio e fim.
    Boa sorte no desafio!

  25. Bianca Amaro
    6 de dezembro de 2017

    Olá, tudo bem? Parabéns pela sua história.
    Foi realmente muito bonita, mostrando como é o amor de uma mãe. Foi bem bonitinho, e o jeito que encaixou o texto com o tema superpoderes foi muito legal.
    Mostra o que acontece quando uma mulher que gosta de super heróis tem filhos. Isso foi legal.
    Mas, sinceramente, por que o garoto tinha que morrer? Eu sei que é para mostrar como é a perda de um filho para a mãe e tudo mais, mas, por que?! Ainda o menino ter morrido dessa maneira, foi muito ruim.
    Não sei se é para mostrar que a mãe talvez deveria explicar que o filho não tinha super poderes e coisas do tipo, ou se era simplesmente para dar uma emoção ao texto.
    Emocionante, porém não gostei desse final. Muito triste para o meu gosto (me perdoe se isso está ficando muito repetitivo). Mas tenho que admitir que cumpriu o papel de emocionar o leitor.
    Enfim, é uma boa história, e parabenizo você por ter escrito ela.
    Boa sorte!

  26. Mariana
    6 de dezembro de 2017

    É um texto muito bonito, com cara de crônica. Como mãe, eu fiquei lendo e pensando sobre a criação que damos para os nossos filhos – eu sou bem diferente dessa mãe, mas cada um, cada um. O final é triste e cumpre o papel de emocionar, apesar de ter sentido ele como abrupto. Na verdade, a dor de perder um filho é algo que não gosto nem de pensar.

    • Mariana
      6 de dezembro de 2017

      Ah, a questão da temática foi indireta, mas dentro do que foi proposto.

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Publicado em 6 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.