EntreContos

Detox Literário.

Vicentão, o Semideus (Zé Venâncio)

Vicentão, caboclo indecifrável, estava velho. Cansado, agigantado. A voz grossa soava quase ininteligível, era um sussurro entrecortado por pigarros e tosse. Mas as filas continuavam, desmedidas. Ainda penaria por vários anos. Não compreendia se a missão era benção ou castigo. E não podia parar. Enquanto acordasse, enquanto entendesse o dia e a noite, seria o estandarte de fé, a crença, o fiapo de esperança daquela gente. Sabia da sentença. Ninguém, mais que ele, conhecia a pesada realidade. A verdade pura, sem cisma.

Havia tanto tempo desde o começo de tudo. Só os velhos moradores testemunharam. Do dia para a noite, ele apareceu por aquelas bandas vindo não se sabe de onde. Era fala corrente de que descera lá das terras de Lampião, mas ninguém afirmava. Precisava ter peito para cravar isso.

Ainda era homem novo, encorpado, de pele muito escura, com pesadas roupas recendendo a suor que, em segundos, impregnavam o recinto. Fedentina avinagrada. Mãos imundas, unhas de pontas amareladas. Boca negra sempre a mascar fumo-de-rolo. Olhos esbugalhados, de um verde fogueado, que pareciam penetrar nos pensamentos daqueles que os fitavam, ainda que quase encobertos pelo largo e ensebado chapéu. Razão pela qual, ninguém do povoado o encarava. Era olhar e baixar os olhos.

Malocou-se na beira do riacho, do lado da estrada. Abrigo de pau trançado, folhas de bacuri, tudo amarrado com cipó. E tinha Jurema, amigada. Moça sacudida, de longos cabelos negros e de feitio arisco. Pouco era vista. Nunca se afastava do trecho.

Vicentão só aparecia na currutela quando precisava de arroz, feijão ou cachaça. As misturas da comida ele tirava do rio, do mato. Estranho era que ele não trabalhava. Ninguém compreendia como conseguia viver sem ganhar. E não era por falta de serviço! Ali no povoado havia muito serviço nas roças. O pagamento era tacanho, mas chegava.

Desde que o estranho homem imbicara por ali, tudo foi mudando. A vida já não era a mesma. De início, todos tentavam ignorar. Nada de fazer qualquer ligação das diferenças entre antes e depois do aparecimento de Vicentão. Ninguém queria pensar nisso. A prudência mandava afastar tal pensamento. Era certo que as portas das casas já não ficavam escancaradas, os portões viviam trancados, as noites passaram a ser temidas. Coisas estranhas, que só eram percebidas de dia, aconteciam à noite.

Com o decorrer do tempo, o coveiro percebeu um aumento acentuado no número de corpos que enterrava. Quase sempre mortes violentas, sem explicação convincente. Quedas de cavalo, enforcamentos, corpos encontrados em lagoas, acidentes com facão, com foices. Assim morreram muitos sitiantes, pequenos agricultores.

E Vicentão continuava vivendo à beira do riacho. Vida de bicho. Engordava a olhos vistos, estava enorme. Em poucos anos, podia-se notar que ganhara o dobro do peso. E tornou-se pai de três bruguelos, tudo macho.

De repente, sem alarde, passou a viver num pedaço de terra que lhe foi cedido por um grande proprietário de terras. Ganhou casa, móveis, horta, porcos, galinhas… Uma vida de gente. Jurema cuidava da lida, plantava, e o excedente era vendido no povoado, por Vicentão. Usava uma carroça que gemia pela estrada. Dava dó do pobre animal a puxar todo aquele peso.

Além de vender seus produtos, passou a fazer orações em voz alta. Passava pelas ruelas a dizer boas novas, invocando as graças de Deus e dos santos da arcada celestial. E aquilo foi virando costume. Os menos afortunados, os mais desavisados, aqueles que se sentiam fragilizados e esquecidos pela salvação, encontraram sintonia nas palavras ditas por aquele vozeirão. Aproximavam-se e pediam uma reza, uma orientação, uma benzida. E, como tudo que afaga a esperança dá um sopro de vida, os moradores, enlevados, afirmavam que o filho havia reagido à doença, que a tosse havia cessado, que o ânimo havia arribado. Enfim, as rezas foram se avolumando. O povoado todo aguardava ansiosamente a chegada do Vicentão verdureiro.

As mortes diminuíram assustadoramente. Não pelas bênçãos recebidas do estranho homem. Antes disso. Mas ninguém tocava no assunto. As cismas não foram esquecidas, foram guardadas. Quem ousaria dizer numa prosa que desconfiavam que houvesse, por ali, um matador de aluguel?! Estava bom daquela maneira, não importavam as circunstâncias. Ao coveiro sobrava mais tempo de cuidar de outros afazeres. Modorrento, até cochilava nas tardes mornas.

Ao mesmo tempo em que ocorria a ascensão da fama de benzedor, Vicentão ia ganhando peso. Ganhara um corpo tão assustador, tão desproporcional que já não conseguia andar. Os joelhos não suportavam o peso, os pés inchados, esparramados, não coordenavam a caminhada. E, assim, também o serviço de vender a produção ficou a cargo de Jurema e dos meninos.

Vicentão já não arredava pé do sítio. Aliás, quase não arredava pé da imensa cadeira. E a casa passou a ser destino de procissões de fiéis. Filas diárias. Bastava raiar o dia, os crédulos iam chegando. Traziam doentes, crianças, pertences. Comum era o benzedor fazer uma oração tendo em mãos uma camisa, uma calça, uma veste do doente. Na ausência, o pedido de cura era endereçado ao dono daquela peça. O segredo era, depois, vestir o enfermo com aquela roupa, sem que fosse lavada.

A figura do benzedor, envolto em roupas brancas, com o peito coberto por profusos colares, quase estático na penumbra daquela sala toda enfeitada com flores de crepom, de imagens e quadros de santos, de velas acesas, era o retrato de uma entidade. Impossível mensurar a importância daquele homem na vida dos peregrinos. Sagrado. Divindade. Nunca era questionado. Os incautos o veneravam.  Os incrédulos ficavam calados, simples assim. Era um respeito velado.

Muitas vezes, era visto como o próprio Deus a distribuir curas e milagres. Não era o intercessor, era o Rei. E as súplicas eram segredadas, os louvores eram cantados, a esperança, que transcendia a razão na presença Dele, era aspirada.

O povoado criou fama. Passou a ser lembrado na região toda, nas cidades grandes. As caravanas chegavam aos montes. A peregrinação trouxe vantagem aos moradores, a vida melhorou muito. O povoado estava vistoso, cheio de vida. Havia serviço de rádio, fábrica de vela, os moradores estavam até confabulando sobre abrir uma gráfica. Os santinhos encomendados nas cidades grandes saíam a preço muito alto, o lucro era pouco.

E chegou o serviço dos Correios. Dos bancos. E começou o asfalto. Brotaram novos empreendimentos, pousadas, bares, restaurantes. O povoado virou uma cidade. O progresso, conduzido por aquele forasteiro misterioso, foi galopante e atravessou décadas.

Vicentão, caboclo indecifrável, estava velho. Cansado, agigantado. A voz grossa soava quase ininteligível, era um sussurro entrecortado por pigarros e tosse. Mas as filas continuavam, desmedidas. Ainda penaria por vários anos. Não compreendia se a missão era benção ou castigo. E não podia parar. Enquanto acordasse, enquanto entendesse o dia e a noite, seria o estandarte de fé, a crença, o fiapo de esperança daquela gente. Sabia da sentença. Ninguém, mais que ele, conhecia a pesada realidade. A verdade pura, sem cisma.

E como penou. A jornada tornara-se arrastada e, caprichosamente, sugava dele cada fagulha de ânimo que brotava nem sabia de onde. Verdadeiro calvário.

E num começar de dia, igual a tantos que passara por ali, com os olhos cansados mirando a interminável fila de inocentes, Vicentão dobrou-se diante da vida. Uma vertigem, uma tremura esquisita, queimação insuportável no peito. A sororoca foi curta. Sem tumulto, sem sobressalto — partiu. A notícia saiu porta afora e todos se puseram de joelhos. Sem alarido, serenos.

Jurema, a eterna amigada, sabia dos desejos do benzedor. A cama de casal fora levada para os fundos da casa, colocada na sombra da figueira. Ali ele seria velado e ali seria enterrado. De início, todos ficaram apavorados com o carregamento do corpo até lá. Como levar aquele despropósito de corpo até o terreiro, e como enterrá-lo?!

Todos os homens se apresentaram e ficaram planejando a remoção. Quem seguraria os braços, as pernas, os pés, a cabeça. O corpo! Era uma multidão girando em torno do defunto tentando achar a jeito mais acurado para o carregamento. E o susto foi geral. Na primeira tentativa perceberam que o corpo era leve feito paina. Não exigia força alguma para levantá-lo. Ficaram calados durante todo o trajeto até à figueira. Arranjado o corpo sobre a cama, todos rezaram em silêncio. Até na hora da morte, Vicentão tirava cartas da manga. Era criador de cismas. Soube, como ninguém, brincar com a vida. Ou com a morte. Ou com a fé.

Sepultado ali mesmo, sem qualquer estorvo, fez do túmulo o seu santuário. Santuário do corpo. A alma? Sabe-se lá por onde anda… Os moradores antigos até têm cisma, mas ninguém tem peito para cravar.

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19 comentários em “Vicentão, o Semideus (Zé Venâncio)

  1. Juliana Calafange
    16 de dezembro de 2017

    Adorei o conto! O universo é muito bem pintado, o leitor embarca na trama sem nenhum entrave. A linguagem ajuda a criar o ambiente e o conceito do conto. Essa aura de dúvida, se é santo ou charlatão, permeia toda a trama e vai até o fim, deixando o final aberto, na medida certa.
    Em alguns momentos, o autor repete trechos, propositalmente. É uma técnica arriscada, porém foi muito bem usada aqui, nos momentos certos da trama, para dar ênfase à condição do personagem e movimentar a história através do tempo, mantendo o leitor atento ao texto.
    Muito bom, parabéns!

  2. Fheluany Nogueira
    16 de dezembro de 2017

    Superpoder: Curas ou absorção para si dos males (que engordavam Vicentão)?

    Enredo e criatividade: Um matador que se torna um benzedor; se a ideia não é nova, ao menos, recebeu uma roupagem diferente. Não existe um conflito, propriamente dito, toda a história se desenvolve em torno de descrições, cenas sobre o protagonista, que é muito bem construído. O desfecho é aberto sugerindo que o personagem era só esperto com cartas na manga. Não entendi porque ele tão gordo, ficou leve para o enterro; talvez fosse esse o superpoder.

    Estilo e linguagem bem amarrados ao assunto e ao ambiente, com um regionalismo leve. Texto bem escrito e fluido, leitura agradável.

    Parabéns pela participação! Abraços.

  3. Givago Domingues Thimoti
    16 de dezembro de 2017

    Olá, Zé!

    Tudo bem?

    Infelizmente, não curti muito o conto. A história de redenção é, em si, boa. Entretanto, achei a linguagem truncada e pesada. Não vi nenhum erro gramatical, o que é muito bom.

    Confesso que fiquei com a impressão que faltou algo a mais nessa história.

    Boa sorte no Desafio!

  4. Catarina
    14 de dezembro de 2017

    Um superpoder do sertão nordestino. Lembrei-me da frase “O cabra inventa dificuldade para vender facilidade”. O que mais gostei no conto foi a cisma subtendida, como uma névoa sobrevoando a trama. O vocabulário não é para qualquer um, manteve a cadência das expressões sem perder velocidade.

  5. Miquéias Dell'Orti
    13 de dezembro de 2017

    Oi,
    Um belo conto, sem dúvidas. Vicentão é um ótimo personagem, bem construído e com um arco bem feito.

    Gostei muito do seu estilo, com os trejeitos nordestinos (pelo menos, achei assim) casando certinho com a ambientação da história.

    Adorei o final. Fica aquela sensação de que Vicentão pode até não ter poder nenhum, mas é um cabra esperto e que tem suas cartas na manga.

    Parabéns pelo trabalho!

  6. Andre Brizola
    13 de dezembro de 2017

    Salve, Zé!

    Eu gostei muito do conto. Vicentão é um personagem que me pareceu ao mesmo tempo um assassino introvertido e um benzedor carismático. Dentro da mesma pessoa. E, como a narração é toda centrada nele, achei muito interessante como isso vem à tona, com sua vida sendo contada em detalhes, e ainda assim ele se mantendo um caboclo indecifrável.
    O texto é muito acima da média, rico e complexo com toda a regionalidade da narração. Mas ainda assim muito fluido e ágil. É o tipo perfeito de texto para um conto curto, fornece requinte sem enrosco.
    O único senão aqui é a adequação ao tema do desafio. Não entendi bem qual era a ideia do superpoder, se eram as curas puras e simples, ou se era uma espécie de absorção para si dos males dos enfermos. De qualquer maneira, pela forma como a estória foi contada, só pensamos no superpoder porque está num desafio com esse tema. De outra forma acredito que ninguém faria a associação.

    É isso! Boa sorte no desafio!

  7. Luis Guilherme
    13 de dezembro de 2017

    Boa tarrrde, amigo! Tudo bem, por ai?

    O conto é muito bom! Especialmente a escrita, que é envolvente. Você tem um domínio incrível da linguagem, e conseguiu empregar a linguagem regional de forma profissional. Não ficou forçado, não ficou deslocado. O enredo é muito bom. Toda a construção da historia ficou boa. A mudança de vida do homem, de assassino de aluguel para uma especie de salvador que se sacrifica pelo povo, foi bem feita. No começo, ele enche o cemiterio, mas no fim, esvazia.. hahaha muito bom.

    Porém (sempre tem um, né?), achei que a adequação ao tema ficou um pouco abaixo do esperado. Penso em superpoder como algo que distingue a pessoa de todo o restante. Curandeiros existem vários pelo Brasil, não chega a ser nada “super”.

    Isso não chega a atrapalhar o conto, que é muito bom. Mas como estamos num desafio temático, não acho que seria justo não levar em consideração.

    Enfim, é um ótimo conto, que ganha com a qualidade técnica do autor, mas que deixa a desejar na questão do tema.

    Parabéns e boa sorte!

  8. Felipe Rodrigues Araujo
    13 de dezembro de 2017

    Bom conto, eu não tinha feito a ligação do protagonista com um “matador de aluguel” até ler os comentários e, mesmo sem ter percebido isso, achei um bom conto. Foi narrado de forma bastante direta, sem floreios e fazendo uso de descrições certeiras. Vicentão me pareceu, em um primeiro momento, um ser místico, uma espécie de alegoria que representa a decadência e o progresso de uma cidade, um símbolo, até mesmo, de todo um povo.

  9. Pedro Paulo
    12 de dezembro de 2017

    Olá, entrecontista. Para este desafio me importa que o autor consiga escrever uma boa história enquanto adequada ao tema do certame. Significa dizer que, para além de estar dentro do tema, o conto tem que ser escrito em amplo domínio da língua portuguesa e em uma boa condução da narrativa. Espero que o meu comentário sirva como uma crítica construtiva. Boa sorte!

    Fiquei impressionado com a capacidade do autor de aproveitar o seu vocabulário. A escrita é muito boa e o autor se provou capaz de trazer à mente do leitor as imagens que pretende – uma habilidade que não é para muitos e algo com o que tenho dificuldade. O conto foi escrito com uma atenção à imagem de Vincentão e o que a personagem significa para a cidade, de modo que houve todo um trabalho para criar uma aura de mistério e, por seguinte, de divindade, em torno do homem. Quando o autor nos descreve Vincentão como “o retrato de uma entidade” ou define o seu lugar como um “calvário”, sucede muito bem em criar essa imagem se utilizando de poucas palavras, sem descrições longas e glamourosas.

    Ao mesmo tempo, há a trama que se desenvolve, que é onde colocarei minha crítica mais contundente. O título do conto é “Vincentão, o semideus” e sim, a história gira em torno dele, mas a perspectiva que o autor toma é a da cidade, na expectativa e medo que acompanham a chegada do “caboclo”. Desse modo, Vincentão fica relegado ao plano de fundo da história, como a motivação das coisas que acontecem, primeiro do medo, depois da veneração e, enfim, do progresso da cidade. O parágrafo que inicia a história remete diretamente à sina da personagem, mas no momento em que passamos a ler sobre a sua história, o foco do autor passou a ser as impressões da cidade sobre o sujeito. E, como já pontuei, o autor soube muito bem criar as auras de mistério e deidade justamente por se aproveitar desse ponto de vista.

    Espero não ser entendido mal, pois eu sou totalmente contra a ideia de que todo conto tem que ser “redondo”. Eu não preciso saber qual foi a natureza exata das mortes que sucederam a chegada de Vincentão, se elas têm relação com o seu poder ou com o grande fazendeiro que lhe cedeu terras. O que eu gostaria de ter visto é um pouco mais da perspectiva do caboclo a respeito dessas coisas e das outras que aconteceram. Só há dois parágrafos que remetem ao seu ponto de vista e, ironicamente, os dois são repetidos. Sim, ele sabe qual é a própria missão, de onde ela vem e até onde ela vai, mas o leitor acaba sem nenhum sinal do que significa, nem para especulação. Como o conto propõe que a centralidade esteja nessa personagem – e aqui houve um empenho muito bem colocado para nos intrigar a respeito dele –, fiquei esperando para saber mais sobre quem ele é e acho que o autor acabou perdendo um pouco do foco. Ao mesmo tempo, isso afeta o conto dentro do desafio, pois a temática de superpoderes fica um pouco nebulosa aqui. A figura do curandeiro é antiga e se forma no seio da religiosidade popular, um elemento social que se assemelha muito a Vincentão, de modo que ficamos sem saber (justamente porque não conhecemos a natureza de suas ações) se ele é apenas um curandeiro ou se acumula algum poder em si.

  10. Rubem Cabral
    11 de dezembro de 2017

    Olá, Zé Venâncio.

    Gostei muito do conto, em especial da narração, do bom uso do linguajar do interior, mas não a ponto de tornar o texto de difícil compreensão.

    O enredo é singular: matador de aluguel, depois de uma vida “pecaminosa”, descobre na fé e no poder de curar sua rendenção, e morre de alma leve, trazendo o progresso à cidade que inicialmente fora seu covil.

    Parabéns pelo ótimo conto e boa sorte no desafio!

  11. Antonio Stegues Batista
    10 de dezembro de 2017

    Achei a escrita muito boa, as frases com a linguagem do interior nordestino, se assim posso dizer. A narração começa mostrando Vicentão, uma figura interessante, depois dá uma guinada e fala em mortes misteriosas, que o povo acha, causadas por um matador. Seria Vicentão? No momento seguinte ele se torna curandeiro, fica gordo como um boi e depois morre.Será que ele tinha alma?E os superpoderes?Vicentão de matador virou santo? O que era Vicentão, então? Me parece que Vicentão tomou um caminho diferente daquele imaginado pelo autor. Seria esse os superpoderes do Vicentão?

  12. Regina Ruth Rincon Caires
    10 de dezembro de 2017

    Outro texto que entra na discussão do enquadramento no tema do desafio. Para não ter que escrever tudo de novo, vou copiar e colar, aqui, parte do comentário que fiz no conto “O Livro da Salvação”.
    SUPERPODER= além do humano, além do natural.
    Assim sendo, uma força misteriosa, mística, vindo de uma divindade, da natureza cósmica, da crença, da fé, do além, de onde quer que seja, dá para aquele que a consegue, uma dádiva do superpoder.
    Neste conto, vejo um “curandeiro”. Se ele é charlatão ou não, não sei. Sei que pessoas acreditaram no “superpoder” de cura, no misticismo, num ser especial enviado para amenizar as dores, os males do corpo e da mente. É pura fé. Nenhuma cura é cientificamente comprovada. O “curandeiro”, para os “peregrinos”, traz uma força etérea, além do humano.
    Enfim, é uma narrativa que fala do imponderável, é um texto denso, crivado de descrições. Propicia uma leitura sem entraves.
    Parabéns, Zé Venâncio!
    Boa sorte!

  13. Neusa Maria Fontolan
    9 de dezembro de 2017

    Não vi ligação com o tema proposto apesar de ser um bom texto e muito bem conduzido. A linguagem que usou ficou ótima.
    Temos aqui a história de um suposto matador de aluguel que sem nenhuma explicação um dia começou a rezar em voz alta.
    O povo, sempre carente de milagres, o colocou em um pedestal. Era o santo da cidade.
    Esperava mais no final, talvez uma confissão ou um pensamento de Vincentão.
    Parabéns e obrigada por escrever.

  14. paulolus
    9 de dezembro de 2017

    O velho tema dos “Roques Santeiros” e “Padinhos Ciços” das crenças populares. Um conto simples e muito bem construído. Uma narrativa fluente e agradável de ser lida. Sem problemas gramaticais. Bem criativo a ideia do parágrafo repetido. Um final que surpreende, embora um tanto sem muito porquê, visto esses tipos, em verdade, não passarem de grandes charlatões. Ou talvez, por isso mesmo, serem eles todos ocos. Nada ter de real. Nem por fora, nem por dentro. Muito valeu como denúncia desses embusteiros que se utiliza da boa-fé de alguém, geralmente, fingindo atributos e qualidades que não possui, para obter dessas pessoas quaisquer vantagens, ganhos, lucros etc.; impostor. Muito bom conto.

  15. Priscila Pereira
    8 de dezembro de 2017

    Super poder: transformar um povoado em uma cidade.

    Olá Zé, seu conto fala de um homem que soube aproveitar da crendice e do medo de uma população inculta. O texto dá a entender que ele chegou e com ele muitas mortes (seria um assassino? Agoureiro?) Não sabemos se as curas eram reais, mas, mesmo assim o homem ficou muito famoso, fez o povoado crescer e prosperar, no final, não sabemos como o corpo dele, tão pesado, ficou tão leve, dá uma dica que talvez ele tivesse realce algum poder, mas deixa muito no ar…
    A escrita é interessante e fluída, tem uma regionalidade gostosa de ler. Parabéns e boa sorte!!

  16. Angelo Rodrigues
    8 de dezembro de 2017

    Caro Zé Venâncio,

    superpoder: confesso que não vi, salvo aquele de enganar ou do autoengano, ambos bastante comuns quando o assunto é crença ou fé.

    Texto muito bem escrito, me lembrou um pouco os textos de Sérgio Faraco, mais para o Norte que para o Sul. Gosto dessa maneira de escrever e de contar uma história.

    A história curta não permite o aprofundamento nos personagens. Isso não é mal, dado que é natural à proposta do texto.
    Uma história bem contada que repete a estética do engano ou do autoengano, como já disse. Coisas das crenças e das religiões.

    Em princípio fiquei na expectativa do fato de que você mantinha Vicentão engordando. Não sabia o motivo, que se revela ao final, onde seu corpo pesa tanto quanto a paina – a pluma das paineiras da minha infância. Isso se mostrou uma boa chave construtiva para o conto e um ponto forte na construção da verossimilhança necessária. Parabéns.

    Conheci caras como Vicentão na vida real. Havia um em meu bairro que tinha uma reza que seduzia as mulheres e todas elas fugiam dele com medo de serem seduzidas num piscar de olhos se ouvissem suas rezas. Ninguém sabia que reza era, o que dizia, os efeitos reais de ouvi-la, mas pelo sim pelo não, as mulheres corriam do cara. Fiz um conto sobre isso há alguns anos.

    Parabéns pelo conto e boa sorte.

  17. Bianca Amaro
    7 de dezembro de 2017

    Oi, tudo bem? Parabéns pelo seu texto.
    Foi legal mostrar como o personagem principal, que era um matador de aluguel, acabou se rendendo e virando um religioso.
    A linguagem foi boa, narrando muito bem as cenas.
    Outra coisa que achei muito interessante foi mostrar a frase, ou melhor, o parágrafo, que iniciou o texto no meio, sendo explicado corretamente. Ficou legal, gosto muito quando fazem isso.
    Quanto a gramática, não achei erros.
    A imagem combinou muito bem com o texto, era exatamente como eu imaginei o personagem, quando velho.
    Meus parabéns e boa sorte!

  18. Olisomar Pires
    7 de dezembro de 2017

    Pontos positivos: escrita muito boa, nível excelente. Ambientação de forma natural. Personagem bem criado.

    Pontos negativos: a estória fica sem dizer muita coisa, é totalmente aberta, apesar de muito bem conduzida. E claro, não atende ao tema do desafio (do que eu penso ser o tema)

    Impressões pessoais; lembrei do Roque Santeiro.

    Sugestões pertinentes: uma confissão do personagem sobre o que fazia, sobre seu poder, dita à meia-noite antes da morte seria interessante.

    E assim por diante: um bom texto e bastante belo dentro do universo que cria e que poderia facilmente ser aproveitado numa obra maior onde Vincentão fosse um coadjuvante.

  19. Evelyn Postali
    6 de dezembro de 2017

    Caro(a) Autor(a),
    Será que Vicentão tinha mesmo superpoder? Ou será que era só um matador de aluguel arrependido da lida? Talvez ele tivesse se dado por vencido e tomado a palavra santa como caminho para a redenção. O final foi muito inesperado. Gostei disso. E eu gostei da linguagem que você usou. Fluiu feito água de rio. Cheguei ao final vislumbrando todas as cenas. Estão todas muito bem escritas. Não vi erros, nem de escrita, nem de nada.
    Boa sorte no desafio.

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Publicado em 6 de dezembro de 2017 por em Superpoderes.