EntreContos

Literatura que desafia.

Por favor, me deixe longe do Top 10 (Vitor de Lerbo)

Existe um site chamado Couchsurfing. Nele, pessoas de diversas partes do mundo oferecem suas próprias casas para que outras pessoas cadastradas na plataforma possam se hospedar ali gratuitamente, por um tempo. Antes que você pense que está lendo um texto patrocinado pelo Couchsurfing, já vou dizendo que sim, a ideia do site é ótima; mas ele pode ser perigoso.

Em 2013, acionei o site porque ia assistir ao Rock in Rio e precisava de um lugar para ficar de sexta a domingo, que era quando voltaria a São Paulo. Fiquei na casa do Joílson, que é taxista e trabalha à noite e de madrugada. Como passei os dias inteiros fazendo programas criativos como tirar fotos de braços abertos em frente ao Cristo Redentor ou tentar, sem sucesso, tirar uma foto sem a presença de outros turistas visionários como eu na Escadaria Selarón, eu não encontrei o Joílson uma única vez. Ou seja, ele foi o anfitrião perfeito.

Corta para 2017. O Joílson saiu de férias, queria conhecer São Paulo e me perguntou se poderia ficar hospedado na minha casa. Aceitei sem hesitar.

Talvez para tentar tirar a má impressão de ter vomitado no meu sofá, ter quebrado o lustre da sala e de ter dado em cima da minha namorada – fato que eu perdoei porque ele apresentou um ótimo argumento, dizendo que não fazia ideia de que ela era minha namorada, pois nunca tinha visto um cara estranho como eu com uma mulher linda como ela -, o Joílson me chamou pra tomar uma cerveja na Paulista.

Fomos no Zoio. Só então, com cervejas e cigarros na mesa, eu pude conhecer um pouco mais o Joílson e sua certeira crítica literária.

– Aí, eu li umas paradas que você escreveu e postou no Face. Seus “textos” – ele deu bastante ênfase às aspas na palavra “textos”.

– E aí, o que você achou?

– Na moral, falta alma, mermãozinho. Alma!

– Zoio, me traz uma Seleta, por favor. Uma não, três. – Acendi um cigarro após fazer o pedido e respirei fundo. – Falta alma?

– Hoje em dia geral não quer saber mais de regrinha de gramática não, brother. O que importa é surpreender! Fico bolado sempre que tô lendo suas paradas, parece que tô lendo bula de remédio!

As três doses de Seleta chegaram e repousaram sobre a mesa por aproximadamente 2,3 segundos antes de serem tragadas por mim. O Zoio pode até ter a cerveja mais quente de São Paulo, mas o atendimento é rápido!

– Puxa, muito obrigado pelo conselho. Vou tentar te agradar mais no próximo texto. Mas só pra eu conhecer seu estilo literário, o que você tem lido ultimamente?

– Coé, mermão! Ler eu não leio muito não, mas o problema de vocês escritores 0800 é bem esse: vocês ficam presos na frente do note sendo que as ideias tão tudo nas ruas, brother. E ninguém entende mais de rua que um taxista carioca!

– Entendi. Por que eu nunca vi um texto seu, então?

– Porque a comunicação aqui é visual, sacou? Me põe numa mesa de bar com cerveja que qualquer história que eu contar vai ser mais sinistra que as tuas.

Foi nesse momento que a ideia me surgiu.

– Interessante essa comparação, Joílson. Você acha mesmo que uma história sua seria atraente?

Ele gargalhou.

– Acho? Eu tenho certeza, mermão. Uma quinta-feira normal pra mim já é mais interessante que qualquer trip que tu faça pra Europa. Porque eu tô ali, tô com o povo, tô ouvindo a voz que tu nem sabe que existe!

– Olha só, eu não duvido de você. E concordo, um escritor que não tenha vivência vai escrever textos tão ralos quanto o resto de cabelo que você tem na cabeça. Mas pra comprovar se você tá certo ou não, só tem um jeito.

– Eu sou careca por opção, mas manda!

– Eu participo de um site para escritores. Sempre rolam desafios literários, e todo mundo pode inscrever seus contos. O próximo desafio tem a temática comédia, mas, até agora, não tive nenhuma ideia.

Ele riu de novo.

– Mas é claro que tu não teve ideia nenhuma! Tu é mais sem graça que dançar forró com a própria avó!

– …Enfim, sua chance tá aqui. Me conta uma história engraçada, eu a inscrevo no site, e aí a gente vê.

– Já é! Mas como é que é, tem quantos gatos pingados por lá? Geral comenta mesmo? Metem o pau ou elogiam? Porque se te elogiam, aí já dá pra ver que rola um mal gosto.

– Tem bastante gente e muito texto bom. A maioria comenta dando dicas de como evoluir, mesmo quando não gosta do conto. Só um ou outro que se sente o Machado de Assis numa sala cheia de Nicholas Sparks, mas é normal. E quanto ao mal gosto, minha melhor posição por lá foi um Top 15, então não tenho muita moral mesmo.

– Top 15? Então é o seguinte: eu te conto uma história, tu publica nesse site e garanto que dessa vez tu pega Top 10. No mínimo!

Foi minha vez de gargalhar alto.

– Fechado. Mas essa aposta tem que valer algo.

– Claro! O quê?

– Se a sua história ficar fora do Top 10, você nunca mais se hospeda na minha casa.

Ele ficou claramente perturbado com a minha proposta.

– Então quer dizer que tu não curte minha presença, mermãozinho? Tá fodido então, minha história vai pegar Top 10 e o que eu quero é colar na tua casa a qualquer momento, sem precisar nem avisar. Fechou ou vai pular fora?

Admito que hesitei, mas apertei a mão gigante estendida à minha frente.

– Fechado.

– Mas tem uma coisa; pode sacar o gravador do celular que tu vai escrever minha história do jeito que eu contar, não é pra encher com as suas patifarias, não!

 

***********

 

Era uma quinta-feira, umas duas da manhã, e eu tava de ronda ali pela minha região, que sempre dá umas corridas massas. Passei do lado de uma igreja e achei meio sinistro que um velho vestido de padre deu sinal, mas parei e ele entrou no táxi.

– Aí, onde é essa festa à fantasia aí?

– Isso não é uma fantasia.

– Foi mal, seu padre.

– Arcebispo.

– Foi mal, seu padre Arcebispo. Tá indo pra onde?

Ele fez uma cara de quem lambeu pilha vencida, pegou o celular e falou o endereço. Um endereço que, por coincidência, eu conheço.

– Caraca, se tu quer dá uma beliscada, pelo menos vai num pico mais barato, nesse aí elas metem a faca!

Ele ficou meio pálido.  

– Eu não estou indo a esse antro de perdição para me divertir. Fui informado que um padre da minha arquidiocese está lá nesse momento, e pretendo pegar o pecador com as calças curtas.

– Ah, tu tá de sacanagem! Quero ver esse padre de calças curtas também, partiu!

Já sai cantando pneu pro bordel, e isso que nem ia consumir nada! No caminho, resolvi aproveitar meu cliente.

– Aí seu padre Arcebispo, me diz uma coisa. Faz uma cara que não apareço na Igreja, e já que tu tá aqui, posso fazer umas confissões?

Ele bufou.

– Não, a Igreja não permite.

– Coé, é por isso que um monte de gente não tem mais religião, tem que se modernizar! Tem que meter umas missas por Skype, fazer promoção de vinho. Marketing! Imagina quantos fiéis não iam gostar à beça de uma confissão delivery? Ia fazer mais sucesso que a porra do UberEATS!

Como tu sabe, meu poder de argumentação é muito alto, e ele concordou.

– Diga.

– Então, a real é que eu fiz umas merdas por aí, mas nada na má intenção. Só vendi uns negocinhos, levei e trouxe outros, sacomé.

O velho ficou mais pálido ainda.

– E aí, me perdoa?

– Claro, está perdoado, meu filho.

– Pera lá, e a penitência? Sem penitência, não tem perdão.

– Voto de silêncio, meu filho. Fique quieto até chegarmos lá que tu será absolvido!

– Irado!

Eu obedeci o cara. Na hora que chegamos, estacionei e ele já me estendeu a grana.

– Que nada, seu padre Arcebispo. Tô entrando junto!

– Por quê?

– Tu conhece aquela piada dos dois padres no puteiro?

– Não.

– Nem eu, por isso eu vou entrar também!

Ele percebeu que não ia adiantar argumentar e a gente foi entrando.

– Oi, Joílson! – a Cristal gritou lá do palco, deve ter me confundido com alguém.

– Ah, seu padre Arcebispo, se eu ficar quieto mais dois minutos tu me perdoa por outro pecado?

– Tu não pecou do carro até aqui, meu filho.

– Na moral, eu dei uma voltinha a mais contigo só pra corrida ficar mais cara. Força do hábito, não foi por mal!

Ele nem respondeu e já foi logo falando com o segurança.

– Mauro, meu filho. Onde ele está?

– Por aqui, arcebispo.

Subimos as escadas e eu já saquei o celular pra filmar a cena e jogar no Whats.

Quando o Mauro abriu a porta do quarto 107, o velho quase caiu pra trás. Lá dentro tava a Jhennyfer e a Nina se pegando forte na cama, e um cara de camisa social sentado na cadeira, só olhando!

As moças se assustaram e correram pro banheiro. O velho foi direto no padre.

– Tu será excomungado, padre João! Isso é um absurdo! Um homem de fé como você nesse antro, fazendo parte de tudo isso aqui, isso é uma blasfêmia!

O padre continuou sentado, tranquilão.

– Senhor arcebispo, eu posso explicar. Estou aqui por um ato de fé.

– Ato de fé???

– Isso mesmo. Eu tenho tido algumas dúvidas sobre a minha capacidade de me manter fiel ao voto de castidade, como tenho certeza de que o senhor já teve também. Somos apenas humanos. Então a saída que encontrei para minha curiosidade e tensão foi vir aqui uma vez por semana e apenas assistir a essas mulheres.

– Uma vez por semana?

– Sim. Eu venho aqui, sento nessa cadeira, pago para que elas se divirtam e vou embora. São pecados menores que previnem pecados maiores. E eu posso te garantir: me sinto muito mais calmo e focado nos meus estudos desde que comecei a fazer isso!

O velho tava meio zonzo e sentou na cadeira do lado do padre.

– Isso é demais pra mim. Todos nós sofremos com esse voto, claro, mas essa maneira de aliviar a tensão…

– Ô, seu padre Arcebispo – eu percebi que era minha hora –, só tem um jeito de descobrir se o que o padre tá falando é real. Jhennyfer, Nina, voltem aqui! Fecha a porta aí, Mauro.

Todo mundo me obedeceu.

– Agora assiste as moças aí, seu padre Arcebispo. Se o senhor sair daqui mais tranquilo, é porque o padre tá falando a verdade!

E foi assim que eu ajudei a comunidade!

 

***********

 

Minha cerveja já era alvo dos Aedes Aegypti que rondavam o local, pelo tempo que meu copo estava parado. Fiquei tão imerso na história do Joílson que até me esqueci do álcool. Desgraçado.

– Mas e aí, o que o arcebispo disse?

Ele se levantou.

– Isso, mermão, se chama deixar o público curioso! Mas já que tu vai bancar minha hospedagem por aqui nas minhas próximas viagens, eu te conto; tu tá olhando pro motorista exclusivo dos padres daquela igreja, porque, sacomé, não ia pegar bem muita gente sabendo que seis padres vão pro puteiro toda quinta-feira!

Ele se levantou, bebeu a cerveja do meu copo e começou a se dirigir ao metrô Brigadeiro.

– Agora boa noite, tô indo encontrar uma gata do Tinder que vai me agradecer muito mais pelas minhas histórias!

 

Creio que agora, caro ou cara EntreContista, você tenha entendido o título do meu conto. Eu suplico: por favor, se não for oferecer sua casa ao Joílson, me deixe bem longe do Top 10!

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44 comentários em “Por favor, me deixe longe do Top 10 (Vitor de Lerbo)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    31 de agosto de 2017

    Meu deus que genial! Parabéns! Muita criatividade, hahahahah! Você escreve muito bem, inclusive com as manias da fala errada carioca. Que estilo gostoso de ler! Como você, no conto, não vi o tempo passar: fiquei imerso na história do Joílson de tal forma que, quando ela chegou no fim, me senti acordando.

    Não vi erros na leitura. Como falei ali em cima, não avistei erros no seu texto. Não é o primeiro conto que leio neste certame que faz uma “metalinguagem”, mas a sua está muito bem feita. Tem críticas… assim como tem muito humor, e até críticas a você mesmo. Como costumo falar, o seu conto é tão bom, que não tenho muito o que falar dele sem parecer estar puxando o seu saco!

    Conto muito bem bolado. Um dos melhores que li! Este desafio está demais. E você vai levar um 10… foi mal! Espero não atrapalhar os seus planos de não chegar no top 10!

  2. Pedro Luna
    31 de agosto de 2017

    Esses textos que quebram a parede e ainda tratam do desafio em si tem sempre grandes chances de ficarem forçados. Esse ficou um pouco, mas o conto tem seu charme e diverte. O personagem taxista caminhou entre o forçado caricato e o real, algumas tiradas dele funcionaram, outras não. Me irritou um pouco a necessidade de parecer engraçado, mas também gostei do tom de malandragem que ele imprime. É interessante como ele surge como coadjuvante, mas toma o controle da história.

    A história dos padres não é propriamente hilária, mas o seu tom absurdo e irônico casou bem com o resto do conto.

    A escrita é ótima e os diálogos ficaram super naturais. É um texto que diverte e passa sem problemas. Uma leitura rápida, mas que marca por esse personagem super caricato, mas que fica na cabeça.

  3. Rsollberg
    29 de agosto de 2017

    Hahahah

    Fala Tim!

    Sinto desapontar o narrador, mas acho que vai rolar um top 10 aqui.
    Joílson é bom de conselho, escritor tem que ir pra rua mesmo, observar tudo é primordiall!!!

    O texto é muito original, sua estrutura é agradável, convida sempre o leitor a seguir adiante. Concordei muito com isso, muito bom “Só um ou outro que se sente o Machado de Assis numa sala cheia de Nicholas Sparks, mas é normal”
    Outro ponto forte do conto é a linguagem empregada, atual, e que combina com as referências. A historia de Joilson e os padres no puteiro também é sensacional, vale o por si só o top.

    Os diálogos foram bem aproveitados, deram rapidez e ritmo, esse é um belo exemplo:

    “– Tu conhece aquela piada dos dois padres no puteiro?

    – Não.

    – Nem eu, por isso eu vou entrar também!. ”

    Por fim, é perceptível que o narrador sabe dialogar bem com o leitor, criando uma atmosfera de “e ai?”

    Parabéns

  4. Lucas Maziero
    28 de agosto de 2017

    Opinião geral: Puxa vida, gostei bastante! Sério, eu queria que o conto se prolongasse, que tivesse mais para se ler, de tão envolvente.

    Gramática: Muito bem escrito. Nada mais a dizer sobre esse ponto.

    Narrativa: Estilo com alma, como disse o Joílson. A narração onisciente está muito bem executada, assim como as vozes dos personagens. Ficou muito bem caracterizados, aqui realmente dá para enxergar personagens distintos.

    Criatividade: Ótima criatividade. Achei a ideia original, empolgante. Um metaconto, se posso me expressar assim. No fim, o personagem sem nome acabou se dando bem e mal, pois ganhou uma história e de lambuja vai ter que aguentar a visita por mais um tempo de seu amigo taxista (hehehe).

    Comédia: Bem humorado! Não é preciso dizer mais nada. O conto cumpriu perfeitamente com seu objetivo e em minha opinião ficou em harmonia com o tema.

    Parabéns!

  5. Eduardo Selga
    28 de agosto de 2017

    A linguagem utilizada na narrativa é bem trabalhada. Notam-se muito evidentemente dois modos de uso da palavra: o primeiro personagem-narrador, que se supõe ter instrução mais elevada que o taxista, usa a norma culta (não confundir com a norma padrão), e um tom menos intimista; o taxista, que a partir de certo ponto passa a exercer a função de segundo narrador, usa a norma popular, recheada de termos não dicionarizados, além de ser a própria expressão da intimidade. A convivência das duas normas, sem rusgas, se deve a um elemento bem curioso: na verdade, o escritor e o taxista são dois personagens que guardam em si uma mesma persona. É como se o taxista fosse a versão “escrachada” do escritor, e este fosse o taxista numa embalagem um pouco mais formal. Tanto são versões diferentes de um mesmo modo de estar no mundo que um pede ajuda ao outro e o outro não se furta a isso. Não há uma antítese na essência deles, apenas na aparência. E essa aparência, diga-se, está bem construída.

    Na verdade, são poucos os escritores que conseguem arquitetar personagens diametralmente opostos. Seria interessante observar isso, inclusive em nossos próprios textos. Muitos de nossos personagens são remontagens de uma mesma persona. Mais difícil ainda, acredito, são os narradores radicalmente diferentes. Voltando a nós mesmos: nossos narradores não são quase sempre os mesmos, com variações mínimas e circunstanciais?

    Não é tão simples usar ambas as normas num mesmo texto, como talvez possa parecer. É comum haver uma tendência ao exagero, ao estereótipo, quando tipos populares são retratados por um narrador que usa um registro linguístico diferente desses tipos populares.

    Esse defeito não se mostra no texto. A fala do taxista não descamba para o exagero caricatural que eu percebi nalguns contos que, nesse desafio, pretenderam representar a fala popular.

    Talvez isso tenha acontecido pelo seguinte: ao contrário de muitos desses outros contos, não se pretendeu ridicularizar o modo de ser do taxista e sua fala malandra. O cômico, no texto, não está aí, e sim no inusitado da cena envolvendo o padre e o arcebispo, bem como a situação posteriormente criada.

    O padre assistindo à cena de lesbianismo surpreende. É que nosso imaginário está povoado com duas situações, quando o assunto é o exercício da sexualidade entre os sacerdotes da Igreja Católica: a pedofilia e/ou a homossexualidade masculina. O voyeurismo (o padre assistindo à cena de lesbianismo) passa longe do nosso pensamento mais imediato.

    A cena tem o seu tanto de inverossimilhança, mas não atrapalha em nada a narrativa, porque temos dois narradores e o que narra a estória do padre (o taxista) pode perfeitamente estar mentindo para o primeiro, pois há um interesse em jogo: ao taxista interessa que a trama seja impactante, por isso, ao seu modo de entender, aumenta as chances de vitória e, por via de consequência, a possibilidade de ele, taxista, hospedar-se graça.

    O fato de possivelmente tratar-se de uma mentira faz com que se instale de modo mais ou menos implícito a possibilidade do inverossímil. Como uma estória de pescador. Por isso o inverossímil não é obstáculo, mesmo porque o cômico costuma ser povoado por esse elemento.

    Os personagens acabam por assumir valores simbólicos. O escritor representa aqueles autores que ainda se preocupam com a correção gramatical, com as regras da escrita e praticam a literatura com certa despreocupação quanto à recepção do texto pelo leitor; o taxista, por seu lado, representa um tipo de autor hoje muito comum, o que entende a literatura como mercado, livro como produto e leitor como cliente.

    O conto faz menção a dois fatores do “mundo real” da produção ficcional e que, a depender muito do leitor, pode ser visto como crítica ou aplauso: a desimportância da gramática frente à “mensagem” e o “surpreendedorismo”, ou seja, a obseção, vista como regra fixa e inabalável, de que o conto precisa ser uma cartola de mágico, de onde saem as coisas mais inusitadas. É como se o leitor fosse uma plateia circense, meio abobada, que pagou pelo ingresso e por isso faz questão de rir de qualquer coisa, até de fratura exposta. Não importa tanto a coerência textual, o importante é que haja uma surpresinha ao fim.

    Duas das razões dessa busca um tanto insana podemos encontrar na espetacularização promovida pela indústria cultural (particularmente no caso da cultura pop), em que tudo deve resumir-se a um show divertido, e na morte do narrador tradicional, aquele cuja motivação em narrar era a estória em si mesma, pois sabia haver quem lesse ou ouvisse com atenção sem precisar de subterfúgios.

    Por que o texto, hoje, precisa “nos fisgar”? Por que é preciso “comprar a ideia do texto”? Não há nada de errado com essa lógica de mercado aplicada à leitura? O ato de ler ficção, em si mesmo, não deveria ser motivação bastante para irmos do início ao fim de uma narrativa?

    Quanto ao menosprezo pela gramática, certa vez alguém comentou lá no Facebook algo assim: “para que tanta preocupação com isso, se os revisores estão aí para isso mesmo?”. É… Para que tanta preocupação em interpretar bem um texto literário canônico, se já existem interpretações prontas na internet?

    Há uma passagem no conto que considero confusa. O arcebispo pergunta ao segurança onde está Mauro, ao que ele responde “por aqui, arcebispo”. Adiante, temos a informação que “Mauro abriu a porta do quarto 107”. Mauro é o segurança? Se não for, então quem abriu a porta? Ou seja, quem é Mauro? O padre não é, ele se chama João. Na hipótese de Mauro ser o segurança, a expressão “Mauro, meu filho” ganha outra dimensão: seria um modo de iniciar a conversa, e “onde ele está”, na continuação, implica que o segurança já sabe do que se trata. Não é impossível, pois adiante ele diz: “por aqui, arcebispo”, evidenciando saber de quem se trata. A roupa indicaria a condição do religioso? Assim como o taxista confundiu com vestimentas de padre, seria mais fácil um segurança não saber a diferença.

    • Vitor De Lerbo
      6 de setembro de 2017

      Primeiramente, muitíssimo obrigado pelo comentário detalhado sobre o texto. Certos elementos eram ocultos mesmo a mim, escritor da obra. E a dissertação sobre os “tipos de escritores” e o mercado literário atual foi uma pequena aula.

      Em relação à passagem que você citou: Mauro é, de fato, o segurança do bordel, e conhece tanto o Padre João quanto o Arcebispo porque frequenta, há anos, as missas de domingo na Arquidiocese comandada pelo Arcebispo. Sua mãe ainda mora na região, na casa em que ele cresceu. Foi Mauro quem avisou o Arcebispo da presença do Padre João no bordel. Isso só não havia acontecido nas semanas anteriores porque Mauro estava de férias.

      Abraços!

  6. Rubem Cabral
    28 de agosto de 2017

    Olá, E.U. Tim Ploro.

    Gostei do conto. O taxista é realmente um personagem muito sólido e a transcrição do falar “malandro carioca” foi bastante bom. O enredo é divertido, a ideia de um transporte semanal de padres a um bordel, para continuarem no caminho da virtude, é ousada. O insólito ou o ridículo costumam marcar presença em comédias, e aqui não foi diferente (o que foi bom).

    Quanto à escrita, o texto está bastante correto. Só vi “mal gosto” 2x, lembre-se: bom x mau / bem x mal.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  7. Jorge Santos
    27 de agosto de 2017

    Caro autor, da minha parte leva um 8. Gostei da criatividade, de ser um entrecontista a narrar a história. O conto tem uma linha narrativa secundária, alguma comédia, mas sabe a pouco.

  8. Juliana Calafange
    26 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Eu nem sei como é que vc chegou até aqui, já que implorou tanto pra te eliminarem na primeira fase. Mas, já que vc insiste… rs
    Olha, eu não gostei do conto. Não vou dar uma de carioca melindrada e dizer que vc usou de pejorativismo com os taxistas do Rio… Nem vou falar que vc pegou pesado com o nosso sotaque. Coé, mermão! Eu não sou desse tipo de leitor sensível!
    O que eu não gostei mesmo foi da forma como vc constrói a história. Muito preâmbulo, site Couchsurfing, Rio em 2013, pula pra 2017, muita explicação e pouca narrativa. Os personagens não são divertidos (não basta um sotaque exagerado pra fazer graça, nem sotaque carioca, nem mineiro, nem gaúcho, nem baiano…), ao contrário, são dois chatos de galocha! Eu não aguentaria meia hora de papo com nenhum deles! Eu estava doida pra cerveja acabar e eles encerrarem a conversa. Daí entrou o seu ‘conto dentro do conto’. Cá pra nós, me pareceu que esse taxista tava era enrolando o pobre paulista, porque ele estava era contanto uma piada bem velha, inserindo umas firulas aqui outras ali, pra dar mais teatralidade. Mas piada velha não tem graça também.
    Acho que te faltou ideia, criatividade, ‘timing’ de comédia, foco narrativo etc. Se eu fosse vc, eu aceitava a visita do Joílson como castigo por não confiar no seu próprio taco. Boa sorte!

  9. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Olá, E.U.,

    Tudo bem?

    O ponto alto de seu trabalho se encontra na brincadeira com o próprio desafio ao qual agora nos entregamos. Algumas pessoas pensaram nisso por aqui e, confesso, eu também quase enveredei por este caminho.

    A quebra da quarta parede (como dizemos no teatro) é um recurso que agrada muito e que você acrescentou à trama com muita habilidade.

    Você criou uma história dentro da história, jogando com metalinguagem na comédia. Assim, temos duas comédias em uma só. A do taxista carioca x rapaz e a do padre x taxista.

    O conto é todo construído sobre a ótica do humor, acrescentando pitadas do estilo a cada nova linha. Ora é a roubada do rapaz no site de turistas, ora a cerveja quente, ora o taxista folgadão e sua narrativa inserida dentro da narrativa original.

    Gostei. É um trabalho claramente pensado e planejado pelo autor.

    Parabéns.

    Sorte no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  10. angst447
    25 de agosto de 2017

    Olá,autor(a), tudo bem?
    Temos aqui uma história típica de boteco, simples, divertida e certeira. Nada de arrancar gargalhadas, mas cumpriu o exigido pelo desafio. É comédia sim.
    O conto está bem escrito, com algumas tiradas interessantes e diálogos que agilizam a leitura. Gosto muito deles.
    Só encontrei um engano: “mal gosto” no lugar de mau gosto.
    O enredo em si não é muito original ou hilariante,mas diverte. O taxista contador de histórias, sujeito espaçoso e inconveniente encontra com o seu anfitrião, um entrecontista preocupado com o presente desafio. Isso atrai a atenção pela familiaridade da situação.
    Sei lá se você escapa do Top 10, viu?
    Boa sorte!

  11. Roselaine Hahn
    24 de agosto de 2017

    Olá autor, não adianta implorar, acho que vc. vai emplacar o Top 10 e aguentar o Joílson mais um tanto. Bela sacada de conto, a mais comédia que li até agora, os diálogos impecáveis, engraçados. O Joílson é uma graça de malandro. Umas poucas vírgulas faltando :”Como passei os dias inteiros fazendo programas criativos (vírgula) como tirar fotos de braços abertos em frente ao Cristo Redentor ou tentar, sem sucesso, tirar uma foto sem a presença de outros turistas visionários (vírgula) como eu (vírgula) na Escadaria…”, mas nada que comprometesse o entendimento e a graça do texto. Contar uma história dentro da história foi muito bom, e inserir o desafio do EC, mais ainda. Te vejo no Top 10. Abçs.

  12. Olisomar Pires
    23 de agosto de 2017

    Escrita: estilo livre, uma ou duas construções que soariam melhor se alterada um pouco.

    Enredo: Escritor inexperiente faz aposta envolvendo um desafio literário com o tema “comédia”.

    Grau de divertimento: médio. Lembrou muito as “fanfics” . O texto é bem dividido entre introdução, construção e desfecho, mas é um tanto artificial, “sem alma” como diria o personagem fanfarrão do conto.

    As personagens não “conversam” entre si, a estória do taxista é muito forçada pra ser engraçada, o que atrapalhou o conjunto.

    É isso.

  13. Evandro Furtado
    23 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Achei o conto de extremo bom gosto. Os personagens, sobretudo, o Joílson, são bem cativantes e… Não, pera. O cara é de verdade? Putz. E agora? Que dilema. Se eu te dar nota alta o cara vai virar hóspede vitálicio, né? Então. O problema é que o conto é mesmo bom. E, mesmo se não fosse, eu seria capaz de dar nota boa só pela sacanagem.

  14. Brian Oliveira Lancaster
    22 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Divertido e bem exótico, para não dizer outra coisa. Representa bem a ginga das ruas. Tem seu “q” de metalinguagem (dentro de outra meta) que quase escorregou na parte da crítica gratuita, engraçada, embora pedante, mas depois levantou a peteca e prosseguiu de forma excelente, sem mais auto-referências, o que poderia estragar as duas histórias. A maneira utilizada é bem convincente. – 9,0
    A: Diverte, até pelo carisma dos personagens. Provoca sorrisos aqui e ali com o inusitado. Não tem gargalhadas gratuitas, mas tem bom humor com jeitão de causo que conquista. – 9,0
    C: Os personagens são muito bons, bem reais, com suas gírias e trejeitos escapando através dos diálogos. É o texto que mais convenceu nesse sentido até aqui, além de trazer um pouco de verdade nas entrelinhas (como a vivência e etc e tal). – 9,0
    U: Engraçado que os asteriscos em sequência me incomodaram. Quebra de repente a fluidez. Utilizar itálico em seguida foi excelente, mas a divisão poderia ser mais sutil. As costumeiras *** já seriam suficientes. Quanto ao restante, tudo flui muito bem. O pedido final é meio surreal, mas entendo a escolha. No entanto, o texto já fala com o leitor durante todo o contexto. Quando você diz “agora, entrecontista”… quebra a magia e parece que o autor está olhando para outra pessoa. Isso ficou estranho. Mas não tira o brilho do restante. (Só lamento, mas acho que vai ficar no top 10 sim). – 9,0
    [9,0]

  15. Fheluany Nogueira
    22 de agosto de 2017

    Com este conto ri mais um pouco, não sei se pelo contexto, pelo narrador-vítima, se pela fusão dos elementos: a infração de alguma regra social e a percepção de que essa infração é aceitável, “do bem” (os sacerdotes), se pela metalinguagem ou se pela criatividade do pseudônimo.

    Texto bem escrito, diálogos coerentes, os personagens interagem de forma convincente, mas faltou algo mais que me agarrasse.

    Parabéns pelo trabalho. Abraços.

  16. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: Escrita deliciosa e escorreita num texto (sem aspas) que se lê com gosto e dum trago, trazendo à luz, de forma muito cabal o quanto seria interessante deixar o pseudónimo permanecer no título após a quebra do anonimato. No caso, o conto não fica prejudicado pela ausência desse recurso, mas não restam dúvidas de que faz parte integrante do seu todo, enriquecendo-o ainda mais. Comédia pura, sem desvios, em que todas as cenas estão focadas em sê-lo. Nada a apontar quanto à escrita, revisão e ortografia. Um excelente enredo, pleno de criatividade. Desculpe “mermão” (“mermã”,diria) mas você vai ficar no top 10. PS: não ofereço a minha casa para o Joílson, mas aceito o seu convite para permanecer na sua a aturá-lo em seu lugar, sempre que ele apareça por aí.

  17. Davenir Viganon
    20 de agosto de 2017

    Como diria Silvio Santos: Bem boladom! O conto usa metalinguagem e faz uma brincadeira que funciona bem mais para quem conhece o EC. Ao mesmo tempo serve de propaganda para o EC. A estória é ótima, e a estória dentro da estória, também. Essas camadas me agradam bastante e o personagem taxista é muito carismático. Bom conto!

  18. Pedro Paulo
    20 de agosto de 2017

    A premissa do conto em si já é muito boa e os elementos importantes para a sua compreensão são trazidos com admirável naturalidade. Então não demoramos a saber como o narrador personagem conheceu Joílson e que ele não gosta muito do taxista. Assim, quando nos vemos com os dois conversando no bar, esperamos que o taxista seja mesmo desagradável, mas sem realmente saber como. Assim, o diálogo é conduzido na dinâmica em que o protagonista reúne paciência enquanto o resoluto taxista o assola com críticas literárias. É bom ver que essa conversa não funciona para simplesmente colocar os personagens em uma situação engraçada, ela é cômica por si só e serve para estabelecer ainda mais a trama, com a adição de uma expectativa que é a aposta entre os dois homens e se a história do Joílson vai ser realmente boa. Então, quanto o taxista conta a história, não sem antes reivindicar que ela será narrada nas suas palavras, nos vemos esperando se ela vai ser engraçada. Desse modo, o autor nos faz ter expectativa por uma segunda vez, o que conduz com habilidade, sem cansar ou gastar tempo e dominando o vocabulário carioca do taxista e o jeito como este afeta positivamente a trama. Enfim, a história de Joílson é realmente engraçada, meio que desenvolvendo a piada dos “dos padres num puteiro” e o modo como a história dele retorna ao que o nosso narrador personagem inicial contava também funciona dentro da conversa deles. O conto termina direcionado a nós, participantes do desafio, e desse modo completa a metalinguística que vai desde o título à última palavra! Sinto muito, amigo, mas acho que você vai estar no Top 10. Mande um abraço para Joílson e sinta-se à vontade para encaixar mais história deles por aqui.

  19. Gustavo Araujo
    20 de agosto de 2017

    O que mais gostei neste conto foi a naturalidade como tudo é contado. Um conto dentro do conto no melhor estilo de metalinguagem, sem parecer forçado, sem exigir do leitor qualquer suspensão de descrença. Parece verdadeiro, aliás. Dois amigos se encontram e trocam dicas sobre os desafios, caindo um texto-sugestão com padres adeptos de voyeurismo. Original e criativo para dizer o mínimo. Escrita fácil, limpa – com o único erro de ter trocado “mau gosto” por “mal gosto”. Enfim, um conto ótimo que certamente – e para desespero do autor – estará entre os dez mais. Arrisco até mesmo o pódio. Parabéns!

  20. Bia Machado
    20 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – Conseguiu a façanha de colocar dois contos em 2.000 palavras, com um bom desenvolvimento, a ponto de não cansar.

    Personagens – 2/3 – Servem bem à(s) narrativa(s), mas não posso dizer que me encantei com elas ou que me chamaram a atenção por algo de especial.

    Gosto – 0,5/1 – Uma leitura tranquila, até achei bacana essa coisa de usar o EC, mas a verdade é que foi apenas isso pra mim. Nada fora do comum.

    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado, mas comigo não funcionou. se passou para a segunda fase é porque muitos gostaram, então…

    Revisão – 1/1 – Nada que me chamasse a atenção.

    Participação – 1/1 – Ok, parabéns por ter chegado até aqui.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  21. Leo Jardim
    18 de agosto de 2017

    Por favor, me deixe longe do Top 10 (E. U. Tim Ploro)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): a parte metalinguística me incomodou um pouco, mas depois entrei no clima. Estou realmente curioso para saber quem é o autor e se isso foi verdade ou uma história inventada (minha aposta). No início, quando a premissa é explicada, acabou sobrando muita coisa (por exemplo, a parte do Couchsurfing), poderia ter sido bem mais resumida. Esse espaço poderia ser usado, por exemplo, para mostrar (e não contar) o tumulto que o carioca causou na vida do cara. A história do malandro, apesar de não ser tão engraçada assim como ele diz, é bem legal.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): uma linguagem simples, porém sem entraves e bastante fluída. O autor parece conhecer a arte da escrita embora tenha optado, neste texto, por fazer o feijão-com-arroz.

    Nota: “faz uma cara” não é gíria típica de carioca. Não lembro de ter ouvido alguém aqui no Rio falando assim.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não há nada de muito novo nesse texto (nem a “putaria” com os padres), mas os personagens (principalmente Joílson) trazem personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): agradeça ao seu amigo pela adequação 😉

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): um texto divertido, mas não costumo gostar muito desses textos com leitura restrita. Esse, por exemplo, só funciona sendo lido por nós aqui no desafio de Comédia do Entre Contos.

    🤡 #euRi:

    ▪ Nem eu, por isso eu vou entrar também! 😄

    ▪ se não for oferecer sua casa ao Joílson, me deixe bem longe do Top 10! (pode deixar) 😃

    Obs.: O título e pseudônimo também são destaque.

    ⚠️ Nota 7,5

  22. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Tim,

    Sinto muito, mas acho que você vai bancar a hospedagem do taxista para o resto de sua existência. Aliás, bastante ousado apostar uma vida de hospedagem grátis em cima de um desafio literário online.
    Acredito que o principal “pagamento” que recebemos aqui no Entrecontos são os comentários que recebemos aos nossos textos. No caso deste desafio especificamente, o melhor comentário seria eu transcrever aqui as gargalhadas que dei ao ler o seu texto, mas acho que você ficaria frustrado. Segue um resumo: kkkkkkkkk.
    Bem, gostei bastante do seu texto. Ele conseguiu ter a agilidade que um texto cômico precisa ter e, ao mesmo tempo, trouxe o inusitado na medida certa. A parte de filmar para por no “Whats” foi a minha preferida, seguida da respirada funda e a pergunta: “Falta alma?”. Ótimo.
    Um excelente texto. Meus parabéns!

  23. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá,

    Bom, desde já lhe parabenizo por todo o contexto da obra, desde o título até o ponto final você pensou em todos os detalhes. Mais que qualquer outra coisa ele está criativo.

    Gostei sim do conto, MAS com algumas ressalvas. Achei criativo, bem humorado mas, caricato demais, eu não vou ficar aqui falando de estereótipos ou o fato de que tá tudo proibido – menos piada com cristão. MAS fiquei com uma expectativa diferente, achei que ele contaria uma história absurda, engraçada e etc, mas não, veio algo já previsto, padres… sério, padres? enfim..

    Não gostei do Taxista, mas acho que essa era mesmo a intenção, do escritor gostei um pouco ( tenho dificuldade de criar um elo com personagens em um curto espaço de tempo) Mas as partes boas são as que brincam com o EC, e o fato de você jogar algo a mais nesse desafio, uma expectativa se estará ou não no top 10, é algo que vou procurar saber quando sair o resultado. Acredito que irá passar sim para a próxima fase. A escrita está boa e a narrativa é agiu.

    Parabéns e boa sorte no desafio.

    obs: PADRES??? k

  24. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    16 de agosto de 2017

    Tim,

    poxa, seu conto trabalhou muito bem com a história dentro da história. Trazer o Desafio para o enredo foi uma escolha muito boa. A escrita aqui brilha e permitiu uma leitura muito fluída.

    Porém, a história do Joílson com o padre ficou, na minha opinião, bem fraca. E o final ficou aquém de tudo o que o conto prometia desde o seu começo.

    Eu achei o trabalho bom e bem sacado, mas não foi o suficiente para me cativar.

  25. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: a narrativa se organiza através do “metatexto”, com dois narradores, sendo que um sugere incorporar uma persona real, participante do EntreContos. Assim, excluindo os participantes de primeira viagem, atinge os leitores pela fácil associação.
     
    Aspectos subjetivos: Joílton é o cara. Incorporou bem esse estereótipo duplamente malandro (taxista e carioca). Não é o primeiro conto que busca fazer uma homenagem ao E.C., abordando o desafio vigente. Nesse sentido a criatividade está mais presente na narrativa sobre o padre e o arcebispo, inserida no núcleo do conto.
     
    Compreensão geral: é uma percepção pessoal, mas essa estratégia de vincular o conto ao desafio não me agrada muito. É meio contraditório da minha parte, porém prefiro ler os contos imaginando-os como peças independentes. Sinto que esse tipo de citação acaba limitando o trabalho e tirando, de certa forma, o seu alcance, como se ele fosse destinado especificamente à nossa comunidade de escritores e não fizesse sentido fora dela.

    Parabéns e boa sorte.

  26. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Oi Autor(a).
    Este comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Achei muito criativo, divertido, parece mesmo que aconteceu tudo isso de verdade. Não sei se te leva pro top 10, mas tem grande potencial para passar de fase!! Parabéns e Boa sorte!!

  27. Anderson Henrique
    16 de agosto de 2017

    Texto muito bom, que me arrancou boas gargalhadas. Gostei dos tipos mostrados no taxista malandro e no padre. O texto nem precisava ter colocado o próprio certame como elemento da história, mas até isso funcionou muito bem. Tudo certo aqui: dentro do tema, bem humorado, divertido. Parabéns

  28. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    O conto é interessante, prende a leitura, o título e pseudônimo são bastante engraçados, mas a história de mesa de bar, e a idéia de registrar o que o taxista narrava, entre umas e outras, embora cause impacto, faça a leitura fluir, não rendeu uma leitura tão surpreendente.
    Mas pela bela participação com um tema tão difícil como é a Comédia, pela obra em si, minha nota é 8,7.
    Abraço!

  29. Cláudia Cristina Mauro
    14 de agosto de 2017

    Pontos Negativos: Precisa desenvolver mais a linguagem descritiva, pois no início do texto, onde há apenas descrição, a força narrativa não se mostra. Poderia retirar os excessos das frases e suavizar as passagens entre os parágrafos. Há também problemas de pontuação.
    Pontos positivos: Texto criativo, com muitos elementos cômicos, personagens interessantes. O autor mostra sua força nos diálogos, onde podemos nos sentir parte da mesa de bar. O bom uso da linguagem falada, no taxista, causa uma aproximação com a realidade do personagem. Joílson consegue através de seu relato, propiciar imagens em nossa mente e nos colocar naquele carro e naquele bordel. Além disso, ainda aborda a questão do quanto o ser humano, pode transformar tudo a seu favor, de modo engenhoso, criativo, que dribla a ética e dita comportamentos. Gostei dessa mistura de eu real e eu ficcional.Texto bem concluído.
    Nota 9,5.

  30. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Meu querido E.U. termino aqui de reler a sua história. Legal conhecer esse site de hospedagens, tão legal quanto perigoso e o Joilson, seu taxi e sua viagem a Sampa. Um conto bem estruturado, uma narrativa que não deixa de ser criativa e, mais ainda, bem redigida. Só que faltou algo. Ri só levemente do seu texto. Faltou mais alegria, aquele uau que me prova estar diante de algo verdadeiramente engraçado. Como diria o Joilton, é possível que tenha faltado “alma”. Será? Grande abraço,

  31. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Achei divertido, fluente, simpático. Uma comédia da vida privada, dos padres, para uma comunidade literária se divertir (aqueles que não são católicos). Mas, para aceitar o pedido, ao contrário da minha satisfação, vou dar uma nota baixa para evitar o Joílson em sua residência. Atendeu plenamente o desafio.

  32. Higor Benízio
    10 de agosto de 2017

    Foi legal a proposta que trouxe, boa mesmo. Mas acho que o texto pecou pelo excesso de caricatura no Joílson, isso fica evidente em algumas partes como: ” Irado!” , ” Coé, é por … UberEATS!” etc. O texto também teve algumas figuras que não funcionaram muito bem: “Minha cerveja já era alvo dos Aedes Aegypt” , “Ele fez uma cara de quem lambeu pilha vencida”. No mais, o conto é bom. Só queria um Joílson mais real.

  33. iolandinhapinheiro
    10 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: Então, seu conto é bom, no começo eu interrompi a leitura para ver do que se tratava o tal “Couchsurfing”, que eu até já conhecia, mas não sabia que este era o nome. A parte da conversa entre o escritor e o taxista não é a melhor parte do conto, mas quando o começa o relato do taxista e o Padre Arcebispo tudo muda, para muito melhor!

    Graça: Ah, eu ri. A conversa do taxista com o Padre Arcebispo é impagável. A cara de pau do Joilson faz dele um personagem cativante. Adorei cada confissão, e ele já ter ido ao tal puteiro com o celular ligado para filmar a cena de mandar para o zap. Sensacional. Adorei. Queria mais de Joílson e menos do escritor.

    Enredo: escritor paulista fala sobre os riscos de praticar o “Couchsurfing” e pede para que as pessoas deem notas baixas para ele para não ter que hospedar novamente o taxista carioca Joilson. A história é dividida entre o que o escritor conta para, afinal, pedir para não ficar no top 10, e a uma das aventuras de Joílson no caso do desmascaramento do padre frequentador de uma casa de má fama. Ah, adorei as aventuras do Joílson e queria mais. Mas como o escritor pediu para não ficar no top 10 vou ter que dar uma nota mais baixa (hehe). Brincadeirinha.

    Tente Outra Vez: Mau gosto se escreve com U, baby, porque MAU é o contrário de BOM e MAL é o contrário de BEM, sacou?

    Impacto: Muito bom. Joílson conquistou meu coração.

  34. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Caro EntreContista que compartilhou a mui educativa, esclarecedora e – nos nossos tempos – não tão inusitada, porém divertida história do Joílson, lamento informar, mas eu te colocaria no Top 10! Mas não vou hospedá-lo!

    Falando sério agora, uma das histórias mais engraçadas desse grupo, e talvez a que melhor se enquadra na minha definição de comédia, até agora.

    Se estiver brincando sobre não querer ficar no Top 10, minha nota é 9. Se não for brincadeira, fique com 6 (pra te ajudar! rs).

  35. Jowilton Amaral da Costa
    8 de agosto de 2017

    Achei um bom conto. A primeira parte melhor que a segunda, no caso, a história do Joilson, que é bem fraquinha. Se tivesse pedido ajuda para mim, Jowilton, e não para o Joilson, certeza que estaria no top dez, kkkkkkkk. Não vi erros gramaticais e a estória é bem fluida e bem divertida. boa sorte.

  36. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2017

    Oie!
    Eu curto contos com referência ao desafio. Gostei dos personagens. Só não curti o conto propriamente dito que o taxista vai enviar pro EntreContos haihua
    Nao precisa se preocupar, ele nao vai pro top 10 :p
    a piada final, ligando com o titulo foi super legal, achei criativo
    parabens
    Abraços e sorrisos

  37. Luis Guilherme
    7 de agosto de 2017

    Boaaa hahahah..

    Cara, gostei mto!

    O tom dl conto eh divertido, as situaçoes sao inusitadas e fluem, ta bem ambientado e o taxista eh carismatico. Gostei muito da estrutura da historia, tbm.

    Vc começou ousado, o desafio do taxista me pareceu um desafio a mim, leitor, na vdd. Gostei! Corajoso..

    Ja tinha gostado do titulo e pseudonimo de cara, aí vc vem e traz esse ultimo paragrafo incrivel! Parabens!
    Dei mta risada no fim.

    Enfim, conto envolvente e divertido, parabens!

    • Luis Guilherme
      7 de agosto de 2017

      Ah, lamento te desapontar, mas se depender da minha nota, ce ta no top10 hehehe.

  38. José Bandeira de Mello
    6 de agosto de 2017

    o texto eh divertido, rápido e animado. Difere dos demais por ter dois autores…ou não. Mas não tem um conteúdo marcante. Não eh uma comédia inteligente…bem sacada. Baseia-se em detalhar a figura inusitada do taxista. Eh valido porem podia ser mais explorada como situacao…como duelo entre duas personalidades. A história do padre eh fraca e não merece aprofundamento. Não vi muitas falhas no português.

  39. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    Sensacional! Impecável! NOTA 10! A perfeição do texto é inquestionável. Prende o leitor do início ao final, a estrutura é exemplar. Criativo, cômico, interessante, crítico, irônico, verossímil, alegre, jocoso. Tem tudo para divertir. Parabéns, E. U. Tim Ploro! Hilário!

  40. catarinacunha2015
    6 de agosto de 2017

    O Joílson, como a maioria dos taxistas cariocas, tem uma excelente história. E a pegada do rabugento paulista suportando o carioca falastrão ficou boa, mas nada comparável a narrativa do taxista. Aí o conto cresce como comédia realmente hilária.

    Frase auge: “– Voto de silêncio, meu filho. Fique quieto até chegarmos lá que tu será absolvido!” – Aqui temos a tradução exata da chatice do taxista.

    Sugestão: Os dois primeiros parágrafos, embora bem escritos, são lentos para comédia. Tiraria e/ou usaria o excelente argumento para outro conto. Eu começaria o conto em “O Joílson saiu de férias…”
    Se eu fosse o personagem do escritor apostaria mais em hospedá-lo com frequência e sempre pagaria a cerveja como incentivo pelo argumento. Ousaria mais na história direta e menos na indireta (como escritor de um desafio).

  41. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    No começo, pensei “putz, mais um daqueles contos que fazem metareferência ao EC”. Quase nunca isso dá certo. Aqui, porém, o autor conseguiu se sair bem. Depois da primeira cerveja, a história fica bem divertida. E o sotaque carioca fica sempre engraçado.

    – O Zoio pode até ter a cerveja mais quente de São Paulo, mas o atendimento é rápido!
    >>> boa rsrs

    – Tem que meter umas missas por Skype
    >>> kkkkk

    – Nem eu, por isso eu vou entrar também!
    >>> essa foi ótima! rsrs

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Como falei no item anterior, o começo me deixou um pouco desinteressado. Mas quando o taxista começa a falar, o “texto” (rsrs) prende a atenção e segue assim até o final.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Uma estrutura não usual de contar uma história dentro da história, ainda com o recurso de quebrar a quarta parede. É arriscado, mas o autor obteve um bom resultado.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Os personagens são bem carismáticos e os cenários descritos, do inferninho ao boteco na paulista, são bem caracterizados.

    Fiquei até com vontade de dar uma passada lá na… igreja…

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Muito bem escrito, soube dar dinâmica à narrativa, sem deixar a peteca cair em nenhum momento.

    – Minha cerveja já era alvo dos Aedes Aegypti que rondavam o local, pelo tempo que meu copo estava parado.
    >>> Poderia economizar o trecho depois da vírgula. Ficou a sensação de “explicar a piada”

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Adequação total a você! (imagine no ritmo do slogan das Casas Bahia, para ganhar mais impacto)

    NOTA: 8,5 (não sei se vou ajudar a ficar longe do top 10)

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2, Comédia Finalistas e marcado .