EntreContos

Literatura que desafia.

O noivado (Ana Maria Monteiro)

Nasci mudo. A condição é algo rara, mas não inédita. É aborrecido, acreditem. Mas ao menos não tive que aprender a estar calado, o que é uma grande vantagem – especialmente para os outros.

Para mim também foi bom, pois se fosse ruidoso decerto os meus pais não me teriam adotado. Assim pude ser feliz e divertir-me imenso. Mas já lá vamos.

Quando os vi pela primeira vez, no meio do campo, hesitei entre atacar pra me defender ou mostrar-me dócil – com igual propósito. Optei pela segunda alternativa. Acho que os conquistei com este eloquente olhar silencioso de filhote abandonado e nem notaram as minhas enormes presas que já permitiam adivinhar o tamanho que viria a ter. A mãe “apaixonou-se” por mim e o pai não conseguiu resistir às suas súplicas, nunca consegue – coisa de homem, como muitas outras fraquezas. Poderia dizer que foi essa a razão por que não casei, mas estaria a mentir; só não me tornei um macho idiota e apaixonado por falta de oportunidade.

Por algum motivo que me escapa, eles sempre acreditaram que eu fosse também surdo, e assim, mesmo quando falavam comigo, percebia-se que não esperavam que eu ouvisse. Isso foi-me bastante proveitoso em diversas ocasiões; se a preguiça vencia a natural tendência de me tornar útil ou quando engendrava as minhas peripécias.

A mãe estava sempre a dizer: “À mulher de César, não basta ser, é preciso parecer.”. Confesso que nunca percebi o que pretendia com aquilo, até porque a inteligência não foi muito generosa comigo. Mas penso que seria uma espécie de fixação que ela tinha. Era recorrente: a propósito de qualquer assunto, lá vinha a ladainha da mulher do tal César, que nunca explicou quem fosse nem algum dia nos visitou. E se era um corrupio de gente em épocas festivas! E uma trabalheira que nem imaginam: a casa virada do avesso, tudo lavado, limpo, desinfectado – e a história da mulher do outro. E eu sempre à coca, esperando conhecer o tão famoso casal.

Vivíamos numa grande quinta. O rio, ali ao lado, era uma verdadeira tentação; nele me banhava e dali saía feliz e todo enlameado. Os meus irmãos foram grandes companheiros e cúmplices de brincadeira, mas a Lena era a minha favorita, talvez por ser menina. De forma que quando começou a namorar com aquele emproado que mal me olhava e nutria por mim um profundo e óbvio desprezo, retribuí-lhe na mesma moeda. E uma guerra secreta foi decretada entre nós.

O Renato, assim se chamava o ranhoso, aparecia aos sábados. Trazia flores e alguma prendinha para a mãe. Era todo obsequioso com ela e cheio de cerimónias com o pai, a quem temia, mas eu percebia as suas intenções: levar a Lena para longe de nós, ficar com ela só para si. Tinha que tomar medidas!

Fiz o que estava ao meu alcance, mas nada parecia suficiente para o demover. E acreditem que foi muito. Roubava-lhe o guarda-chuva quando chovia, obrigando-o a regressar a casa sem ele; mijava-lhe dentro dos sapatos quando ele os tirava ao serão a ver televisão (e era ouvi-lo a debitar raios e coriscos sobre mim); conseguia tirar-lhe a carteira do bolso do casaco na entrada e deixava-a num canto qualquer, obrigando-o a procurá-la por todo o lado, enquanto eu, o surdo-mudo, me rebolava a rir interiormente, fingindo dormir junto à lareira.

Ele sabia que era eu, mas tirando o xixi, por demais óbvio e aparentemente fruto duma estranha atração minha pelo seu peculiar cheiro a chulé, ninguém acreditava que fosse eu o causador das suas desgraças. E, depois que, zangadíssima, a Lena ameaçou terminar o namoro caso ele não abandonasse de vez a sua obsessão em relação a mim, continuou a bufar furioso quando me via, mas nunca mais me acusou. Murmurava apenas entredentes quando ninguém o ouvia: “Porco nojento!” Eu ficava ofendidíssimo com semelhante subversão da minha raça e redobrava nos esforços por lhe infernizar a vida.

Até que o noivado deles foi anunciado. A festa seria em nossa casa. Alguns membros das duas famílias conhecer-se-iam nesse mesmo dia. A azáfama dos preparativos durou por semanas e, amiúde, lá vinha a história da mulher do César.

Vivíamos bastante acima das nossas possibilidades. O pai andava desesperado com os custos astronómicos de tudo quanto a mãe queria para satisfazer as suas pretensões. Por várias vezes discutiram, até. Mas ela calava-o sempre falando na mulher do outro e em ter que estar à altura. “Devem ser muito importantes”, pensava eu, acalentando a esperança de ir finalmente conhecê-los, mas nem isso me demoveu do meu propósito, que formulei logo que soube do evento: estragar tudo. Estava a ficar sem tempo; talvez essa fosse a última oportunidade de manter a Lena connosco.

Muita coisa correu mal nesse dia que amanheceu chuvoso e oferecendo-nos uma furiosa tempestade; parecia que também Deus manifestava a sua indignação contra aquele casamento. Isso estragou os meus planos. Sou bom farejador, lá fora saberia onde encontrar as plantas necessárias para misturar ao arroz de marisco e provocar-lhes a todos uma bela e instantânea diarreia. Mas, impedido de sair, teria que encontrar solução dentro de casa.

Sabia que o Pedro, o meu irmão mais velho, guardava umas ervas quaisquer muito em segredo no seu quarto. Optei por usar essas e logo se veria o resultado. Foi fácil encontrá-las, o mesmo não posso dizer quanto a retirá-las do esconderijo; tenho quatro patas, não duas, certo? apesar de habilidoso, uns polegares ter-me-iam sido muito úteis. Por fim, lá consegui sacar as ervas. Agora bastava aguardar um momento de distração da mãe e deitá-las dentro da enorme panela.

Criei um pequeno fait-divers para arrancá-la à cozinha: Dirigi-me a um jarrão de porcelana decorativo que desde sempre estivera ali no corredor e atirei-o abaixo, esgueirando-me de imediato. Desfez-se estrepitosamente em mil pedaços. Alertada pelo ruído, a mãe saiu a correr da cozinha deixando o arroz ao lume. Despejei as ervas todas e, para disfarçar, meti a pata lá dentro misturando-as atabalhoadamente. Ainda estava aflito com o escaldão quando ela regressou à cozinha e nem me foi difícil aparentar um ar infelicíssimo que acabou por denunciar a minha culpa na história do jarrão, algo de que ela já desconfiava. Apiedou-se de mim e fez-me uma festa, “Foi presente de casamento duma ex-namorada do dono. Não faz mal.”- Disse, sorrindo, mesmo acreditando que eu não a ouvia.

Dedicou-se de novo ao tacho sem se aperceber do que entretanto se passara. A dor na pata tinha aliviado e saí dali à pressa, indo dormir uma sesta para passar o tempo. Estava impaciente por que chegasse o final do dia para descobrir se as ervas funcionariam ou não.

Os convidados foram chegando um a um. Muitos estranharam a minha presença e evitaram até aproximações, alguns já me conheciam. Todos tinham sido informados de que sou inofensivo apesar da minha aparência. Eu esperando, esperando, até que já não faltava ninguém. E nada de César, nem da mulher. “Bem, fica para a próxima”.

O jantar decorria animado. Alguns momentos de constrangimento aqui e ali (foi embaraçoso quando o avô se engasgou e a dentadura caiu na sopa), mas tudo normal. Entretanto, logo pelo maravilhoso aroma que todos testemunharam, o arroz de marisco fez anunciar a sua chegada.

Lentamente o ambiente foi mudando. Todos gabavam a comida que, afirmavam, estava uma maravilha. As mulheres interrogavam a mãe para obter o segredo daquele maravilhoso travo.

E então tudo começou a acontecer. Sem mais nem menos o avô Manuel peidou-se estrondosamente. Silêncio. Os presentes entreolharam-se. De repente, o pai rebentou numa gargalhada. Riu-se tanto que se engasgou até ficar vermelho como um pimentão. Mas já não se ria sozinho, todos riam espalhafatosamente. Aí o avô disse: “Nada mais libertador do que um bom peido!”. E as gargalhadas continuaram. As gargalhadas e a comezaina; de súbito pareciam esfaimados e comiam que nem loucos. “Nunca provei nada tão delicioso!” – dizia uma; “Nem eu” – repetia outra. E riam. E comiam.

E eu sem perceber patavina. As ervas tê-los-iam enlouquecido? Seria Pedro, secretamente, algum feiticeiro?

E a farra continuava. Entusiasmado com o inesperado sucesso, o avô deu outro peido que ninguém ouviu no meio de tamanha barulheira; mas ele próprio, empolgado com a liberdade recém-conquistada de o fazer em público, levantou-se e começou a dançar sozinho apoiado na bengala e levantando ritmadamente a perna direita ao som de mais um e mais um até cair redondo no chão sem que ninguém parecesse preocupar-se com isso – nem ele. Vendo-o dançar, a mãe juntou-se-lhe, chupando os dedos lambuzados pelas cascas de marisco saboreadas à mão, e declarando bem alto: “Sempre adorei dançar. Meu sonho era ser dançarina, de dança do ventre” e começou a menear-se de formas antes impensáveis. O pai, após um momento de hesitação, saltou da cadeira e agarrou-a pela cintura iniciando uma espécie de “lambada” algo estranha e incómoda que rapidamente os levaria para o quarto, abandonando os visitantes, mas não sem que antes Pedro tivesse decidido falar: “Já que estamos em maré de revelar segredos, aproveito para vos informar que sou gay”, e desatou a rir feito louco. Lena levantou-se dum pulo e atirou-se ao pescoço do irmão abraçando-o: “Eu sabia, mano. Que bom que saiu do armário!”

Eu sentia-me cada vez mais assustado. E que raio de armário seria esse? Estariam com alucinações?

O pai interrompeu por momentos a “lambada” com a mãe e, hilariante, constatou: “Por isso é que nunca apareceu com nenhuma namorada, seu safado!”, E deu-lhe uma tal palmada nas costas que Pedro, desprevenido, caiu também no chão, rindo que nem um perdido. Então a avó Teresa, viúva desde que me recordo dela, interveio: “O quê? E eu fico de fora?” e ria-se imenso – “Pois saibam que o Raimundo dorme na minha cama há mais de quinze anos.” E virando-se para o chauffeur, igualmente convidado: “E somos muito felizes. Não é assim amor?”

O pai, que tinha voltado à dança, parou momentaneamente, olhando aparvalhado a própria mãe. Em seguida, dirigiu-se a Raimundo e ferrou-lhe uma palmada nas costas ainda mais forte que a aplicada no meu irmão. “Enganaste-nos bem todos estes anos, manganão!”, Raimundo não caiu porque se preveniu a tempo contra o impacto, mas deu um grande abraço ao meu pai. E riam-se e choravam ao mesmo tempo.

Renato e Lena, depois de uns beijos desalmados e dumas escandalosas apalpadelas em que ninguém pareceu reparar, tinham desaparecido do mapa, sabe-se lá para onde.

Os pais de Renato e os primos, de início meio deslocados, continuavam a comer e a falar uns com os outros, rindo ruidosamente e aparentando uma hilaridade estonteante.

A noite foi longa. Eu, em pânico, sem compreender o que se passava (até hoje não entendi), acabei por retirar-me sorrateiramente rezando por um regresso à normalidade. Minhas preces foram atendidas.

Na manhã seguinte parecia que nada de anormal sucedera, excepto a desarrumação total e inusitada, um pouco por toda a casa. E o facto de o avô ter sido internado por ter fraturado a anca ao cair da bengala abaixo quando dançava, algo de que ninguém se apercebeu na altura – nem ele.

O assunto foi tacitamente esquecido por todos e ninguém procurou explicações. Eu, ainda que quisesse, sendo mudo, não teria como confessar-me culpado. A Lena e o Renato casaram na mesma – falhei o meu objectivo. Com o passar do tempo acabámos por aceitar-nos polidamente. Eu continuo a achá-lo um emproado de merda e ele continua a olhar-me com uma certa repugnância; mas desde que o menino nasceu, as coisas entre nós suavizaram. Adoro ser algo semelhante a tio e nem me aproximo do bebé com receio de o magoar. O Renato percebe o meu cuidado com o filho e não fica indiferente a isso, é mais amável.

Estou velho, muito velho. Quis escrever estas memórias, quase em jeito de confissão, para que algo meu fique registado. Com doze anos, o meu prazo de validade caducou. Vivo cada dia por empréstimo. Continuo a ser feliz. Um último pormenor: não voltei a ouvir falar do César nem da mulher.

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45 comentários em “O noivado (Ana Maria Monteiro)

  1. Leo Jardim
    1 de setembro de 2017

    O noivado (Comedi(d)a)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): uma história divertida contada por um porquinho (ou um cachorro?). A parte do arroz com maconha foi muito hilária, mas achei que o depois foi um pouco anticlimático, esperava mais, por exemplo mudanças mais profundas como repercussão do episódio. No fim, foi engraçado, mas não mudou nada.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): difícil avaliar texto em português lusitano, pois a forma de escrever algumas palavras são bem diferentes. A narração, porém, foi um tanto crua, apenas focada em contar as cenas.

    ▪ Não é assim *vírgula* amor?

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): tem sua dose de personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): achei bastante divertida a parte do bolo, mas o final acabou sem impacto. Poderia, ou terminar o texto ali na festa ou fazer seu impacto durar por mais tempom

    🤡 #euRi:

    ▪ foi embaraçoso quando o avô se engasgou e a dentadura caiu na sopa 🙂

    o avô Manuel peidou-se estrondosamente 🙂

    “Nada mais libertador do que um bom peido!” 😃

    “Nunca provei nada tão delicioso!” – dizia uma; “Nem eu” – repetia outra. E riam. E comiam. 😃

    Seria Pedro, secretamente, algum feiticeiro? 😃

    Entusiasmado com o inesperado sucesso, o avô deu outro peido que ninguém ouviu no meio de tamanha barulheira 😄

    E que raio de armário seria esse? Estariam com alucinações? 🙂

    E riam-se e choravam ao mesmo tempo. 🙂

    ⚠️ Nota 7,5

  2. Rsollberg
    1 de setembro de 2017

    Hhaha

    Fala, Comedida.
    O texto está muito bem escrito, a técnica ´boa.
    Achei muito interessante a escolha do narrador, a perspectiva ajudou e deu mais comicidade.
    O banquete é visualmente engraçado, tem todas as ações clássicas e em alguns momentos, elas funcionam bem.
    Não tenho nada de relevante para apontar, talvez um diálogo para enriquecer, ainda que o narrador seja um espectador diferente, sei lá.

    De qualquer modo, parabéns e boa sorte!

  3. Pedro Luna
    1 de setembro de 2017

    Para mim foi um dos melhores contos. O começo é arrastado e não diz a que veio, é meio sacal acompanhar os pensamentos do bicho (igual a outro conto do desafio), mas a cena da festa é sem dúvida um destaque. Eu ri e quando percebi, estava meio zonzo, como se também estivesse chapado igual aos participantes. As confissões,o avô peidão, a dança doida, tudo foi muito bem orquestrado e daria uma boa cena de filme, de arrancar gargalhadas. Então o conto no geral foi bem bom. A mim, o lance do ““À mulher de César, não basta ser, é preciso parecer”, não fez a menor diferença no conto, então passaria tranquilo sem isso.

    Show

  4. Bia Machado
    1 de setembro de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 3/3 – Terminei a leitura e nem sei o que dizer. Só digo que gostei. O desenvolvimento tem um ritmo muito bom, mas terá sido só por isso que gostei?
    Personagens – 2,5/3 – As personagens servem bem ao propósito da narrativa, mas bem que eu gostaria que fossem um pouco mais desenvolvidas.Sendo o narrador quem é, esse aspecto tem um pouco de encanto, mas também dificulta.
    Gosto – 1/1 – Gostei, sim, certamente.
    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado, embora ele tenha alguns momentos engraçados e outros que estão mais para o drama…
    Revisão – 1/1 – Não percebi nada que se destacasse negativamente.
    Participação – 1/1 – Parabéns pela participação!

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  5. Vitor De Lerbo
    1 de setembro de 2017

    A pureza do protagonista, digna de um ser não humano, é um dos pontos altos da trama: mesmo armando seus esquemas “diabólicos”, percebemos como, na verdade, ele é muito inocente.

    A maneira como foi contada a história é atraente, pois mantém por um tempo a suspense de quem é esse protagonista. O momento da comilança da erva foi bem escrito.

    Boa sorte!

  6. Marco Aurélio Saraiva
    30 de agosto de 2017

    Um conto muito carismático. Já vi várias vezes por aqui este artifício de enganar o leitor, revelando que o protagonista é um animal apenas no meio da narrativa. Apesar de estar um pouco cansado dele, vi que você o usou muito bem.

    Sua escrita é envolvente, e claramente portuguesa. Gostei de como a leitura fluiu bem, mesmo com as diferenças regionais. Sua revisão está impecável.
    O conto inteiro tem ares de comédia, com um clímax no final regado a maconha. As piadas vêm naturais, sem parecerem forçadas, o que é muito legal. O leitor ri, sem ter que parar de ler para tal, nem ter que voltar para tentar entender alguma coisa.

    Acho que, no mais, o conto é muito bom e muito bem estruturado. Infelizmente, quando comparado a outros do desafio, ele perde um pouco o brilho. Mas mesmo assim, um excelente conto.

    Parabéns!

  7. Lucas Maziero
    28 de agosto de 2017

    Opinião geral: Eis senão que o nosso velho javali está de volta! Ou me engano redondamente. Um conto singelo.

    Gramática: Não há o que dizer de negativo. Está bem escrito, só acho que há alguns escorregões na colocação de pronomes; mas isso é assunto para gramático entendido, o que não sou.

    Narrativa: Olha, a leitura está densa, um ritmo lento, o que pode cansar se não persistirmos a prosseguir. Mas deve ser uma impressão minha, menos acostumado ao modo de prosear de Portugal (é o que me parece).

    Criatividade: Vou usar de novo a palavra singelo. Uma singela criatividade: o javali adotado, tendo um carater fanfarrão e ciumento. No fim ele se tornou mais resignado.

    Comédia: Certamente a cena do jantar é digna de um Satiricon!; pois só um javali peralta poderia ter batizado a comida com a Cannabis sativa e ainda assim se mostrar perplexo com o que acontecia à sua volta. No entando, contudo, o autor ou autora vá me desculpar, não vi muita graça neste conto.

    Parabéns!

  8. Rubem Cabral
    28 de agosto de 2017

    Olá, Comedida.

    Um conto divertido. Não é texto de gargalhadas, mas de sorrisos simpáticos. O narrador (javali?) é um personagem bem interessante; não é necessariamente fofo, mas é inocente em sua “maquiavelice” e rabugice.

    O fato da droga ter parado no arroz e ter libertado todos de suas inibições foi o ponto alto da história: confissões de pequenos e grande segredos, risos, festa. Certamente foi um noivado animado.

    Quanto à escrita, não há o que comentar: não encontrei nada por acertar.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  9. Jorge Santos
    27 de agosto de 2017

    Mais um noivado. Este conto parece o numero 66 do desafio anterior, o que só mostra a versatilidade dos javalis. Bem escrito, com ritmo. Falta um desfecho com mais picante.

  10. Juliana Calafange
    26 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Caro irmão do outro lado do Atlântico, seu conto é uma gracinha. Adorei a forma como vc se coloca no ponto de vista do javalizinho. E de como ele, sendo tão mimado pela família, se sente como um humano Tb, mesmo que adotado, se considera irmão do Pedro e da Lena. As confusões que ele apronta porque tem ciúmes da Lena e seu noivo! Eu nunca tive um javali de estimação, mas meus gatos são assim ciumentos Tb… Falando em javali, esse conto era pro desafio passado, não?
    Divertida a solução de usar as “ervas” q o irmão mais velho esconde dentro do quarto… quem nunca? Rsrs A verdadeira epifania que os convidados vivem então, é o ponto alto do conto. Eu confesso que já desejei secretamente fazer a mesma coisa com algumas pessoas… rsrsrs
    O final feliz não desagrada, pois que a história toda faz o leitor desejar que isso aconteça.
    Parabéns!

  11. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Ah! Adorei a imagem da “mulher de César”. rsrsrs

  12. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Olá, Comedi(d)a,

    Tudo bem?

    É incrível como animais mexem comigo.

    Você optou por utilizar um narrador cachorro e, ainda por cima, mudo. Dessa forma, você não só ousou no ponto de vista apresentado, como impingiu características ao seu narrador, tornando-o incrivelmente crível.

    Ponto alto, ao menos para mim, para a visão inocente do animal acerca de tudo que corre na casa onde vive. Chamar seus tutores de pais e irmãos, foi a cereja do bolo. Uso isso também em meus textos. Cachorros de fato nos enxergam como seus pais e quem convive com estes animais incríveis, sabem muito bem disso.

    Outro ponto interessante é que, embora você parta da visão animal, mostra situações típicas de todo ser humano. Nesse ponto, o conto se desenvolve em toda sua magnitude, ao oferecer ao leitor um olhar de estranhamento quanto a tudo que os seres humanos costumam fazer. Seus hábitos, suas frases de efeito e ditos populares e até os motivos que os levam ou não a gostar de alguém.

    Sua narrativa é leve, divertidíssima e muito gostosa de se ler. E, o melhor de tudo: é comédia, mas também traz tons de drama, ao mostrar que o cão está velhinho, ou que o noivo se afeiçoou a ele após o nascimento de seu filho. Uma boa comédia também faz doer.

    Parabéns.

    Sucesso no desafio.

    Beijos
    Paula Giannini

  13. Roselaine Hahn
    24 de agosto de 2017

    Caro autor lusitano, um conto e tanto. Uma escrita requintada, não requentada rsrs. A cena do noivado foi hilária, bem construída, cena de filme, vários filmes, por sinal, onde as verdades escondidas se revelaram, com o empurrão mágico da sacanagem do bichano. Enredo interessante, diferente, uma comédia de costumes, e que mereceu estar entre os finalistas. Sorte no desafio, abçs.

  14. Davenir Viganon
    23 de agosto de 2017

    Achei o conto seria fofo até o fim no meio ficou mais engraçado com o jantar. Foi bem escrito, com momentos bem descritos. Talvez a leveza da estória pedisse algo mais ágil, talvez porque eu veja a comedia como algo ágil. Confesso que a estória não é do meu gosto, mas foi bem feito.

  15. Eduardo Selga
    23 de agosto de 2017

    “Satyricon”, do romano Petrônio, é uma obra satírica latina, considerada precursora do gênero romance, e nela temos vários excessos comportamentais narrados, como banquetes e orgias. Nesse sentido, “O Noivado” guarda semelhanças, com a mesma alusão à liberdade dos prazeres. A constante menção ao imperador César e à sua esposa funcionou no sentido de reforçar essa similaridade, tenha sido coincidência ou não.

    O narrador é um javali (será este um conto não remetido ao desafio anterior e agora aproveitado?) que, mudo e ciumento, escreve suas memórias. Isso dá um tom fabulesco à narrativa, mas não é razoável considerá-la uma fábula, pois há dois mundos distintos (humanos e o animal protagonista), mas principalmente porque não há a “lição de moral” no desfecho. Talvez possamos considerar o texto uma antifábula, por demonstrar, sem julgamentos moralistas, comportamentos considerados reprováveis.

    Ao propor a libertação do sujeito das rédeas que ele tem em si, subvertendo o estabelecido como normal e bem educado (peidar em público, dançar desbragadamente sem se importar com a opinião alheia, confessar relação amorosa “pecaminosa”, admitir-se homossexual), temos o humor pela subversão.

    Há uma íntima relação entre alimentar-se e praticar sexo (não à toa usamos no Brasil o verbo “comer” na segunda situação). Em “Satyricon” ela é nítida, neste conto também. É a comida, que deveria fazer mal ao noivo da personagem, o elemento provocador da “liberação geral” que, por sua vez, gera despudor. Funciona como um encantamento com prazo de validade, como se a comida tivesse saído do caldeirão de alguma bruxa: no dia seguinte ao “banquete” ninguém comenta o assunto, como se tudo houvesse acontecido na mais santa normalidade.

  16. Gustavo Araujo
    23 de agosto de 2017

    O conto é muito mais divertido do que engraçado. O sotaque português apresenta-se com certo charme, fazendo lembrar dos clássicos machadianos. O que se vê no geral é uma história bem montada, de rivalidade entre o pet da família e um dos pretendentes da assim-chamada-irmã. Nesse ponto, de índole confessional, repousa boa parte da leveza da narrativa, que resvala para a comédia, sem entretanto chegar a sê-lo, no momento do jantar. As situações inusitadas, como a dentadura caindo, a flatulência, os segredos revelados sobre amores e orientação sexual, vê-se, foram inseridas para provocar riso, mas, receio, não funcionaram muito bem comigo. São divertidas, é fato, mas algumas delas, senão todas, me pareceram um pouco exageradas. Bem, talvez a comédia resida exatamente no exagero, não é verdade? De todo modo, é um texto bem elaborado, de escrita primorosa e que convida à contemplação do estilo empregado. Se não faz rir, ao menos encanta pelo virtuosismo no trato da palavra.

  17. Olisomar Pires
    22 de agosto de 2017

    Escrita: boa. Talvez algumas vírgulas a menos na primeira parte a tivessem acelerado.

    Enredo: animal conta suas travessuras.

    Grau de divertimento: bom. Embora as situações cômicas não sejam exatamente originais, elas sempre nos fazem rir. A idéia do texto se basear na visão de um animal ficou interessante, criando um nonsense que valida todo o resto. Achei a primeira parte mais arrastada que a derradeira e isto quase demoliu o conto inteiro, pois se inicia a festança com uma ponta de desconfiança.

  18. angst447
    22 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    Temos aqui um conto com sotaque lusitano. Não basta ser engraçado, tem que parecer engraçado. Cumpriu o objetivo de fazer rir.
    Não vou procurar falhas na revisão, haja vista que a linguagem empregada possui algumas diferenças de pátria. Por mim, o conto está muito bem escrito.
    O ritmo da narrativa é bastante ligeiro, sem cansar o leitor. A leitura flui sem maiores dificuldades, prendendo a atenção com um humor leve e diria até mesmo singelo. O tipo de texto que me faz sorrir sem forçar.
    Aos poucos, vamos nos dando conta de que se trata de um animal. Primeiro, pensei em um cachorrinho, mas depois me veio a saudade do javali… e pronto, porquinho. E a atrapalhada toda do porquinho, mudo,mas ciumento, que confunde maconha com laxante, muito bom isso.
    Parabéns e Boa sorte!

  19. Fheluany Nogueira
    22 de agosto de 2017

    Uma comédia bem leve, mas que pode ser considerada politicamente incorreta: drogas, sátira com idosos, gays. A questão do cotidiano realmente falhou um pouco, o desenvolvimento da narrativa pareceu-me meio forçado, talvez pelo cão-narrador que se sentia humano. Alguns trechos do texto ficaram confusos.

    A escrita apresenta alguns problemas com o uso das vírgulas e posição dos pronomes, mas não trouxeram prejuízo para a fluência da leitura ou interpretação.

    Parabéns pela participação. Abraços.

  20. Brian Oliveira Lancaster
    22 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Bem interessante e inusitado. Desconheço a expressão que se fez tanto presente no contexto, mas foi possível entender seu significado. E quem diria que ainda sobraria um javali do desafio anterior? A antropomorfização está bem construída. De início engana um pouco, mas depois o leitor vai juntando as peças. Acabei descobrindo bem antes de alguém dizer sua espécie. A narração pelos olhos da criatura convence. Mas o texto demora um bocado para engrenar. – 8,0
    A: É engraçado ao seu jeito, sendo o ápice no fim. O início, no entanto, é bem lento. E o jantar dá uma certa forçada na graça, com alguns exageros, mas entendo pelo recurso utilizado. A aparente ingenuidade do bichinho convence. – 8,5
    C: Não vou dizer que a conexão é imediata, mas depois de entendermos o que se passa, a mente se acostuma a “olhar para cima” nas descrições. Enquanto não se sabe que é um animal, há uma breve confusão. – 8,5
    U: Bem escrito, com termos de fora (mesmo tentando emular um estilo brasileiro – quase não usamos acento agudo por aqui, como por exemplo “astronômicos”). Contém uma boa divisão de pensamentos e diálogos indiretos. – 9,0
    [8,5]

  21. Evandro Furtado
    21 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    O conto segue uma premissa não exatamente original, mas consegue ser eficiente. Ver o mundo pelos olhos dos animais pode, de fato, gerar situações ridículas – o arroz temperado com maconha foi mesmo algo criativo. A única ressalva é em relação ao tom um pouco melancólico do final, talvez seja algo que pudesse ser omitido.

  22. Pedro Paulo
    20 de agosto de 2017

    A primeira parte do conto se alonga para que o protagonista possa nos situar quanto à sua posição na família e o antagonismo com o cunhado, ponto de grande conflito da trama. Nesse ponto, a graça só existe na tal guerra secreta entre o protagonista e Renato, o cunhado, mas não excede. O engraçado só vem no inesperado que ocorre no noivado, quando uma explosão de sinceridade acomete todos os convidados perante um protagonista perplexo. O efeito gerado é tão cômico que nem é preciso uma explicação, algo que inclusive poderia ter maculado a comédia da situação. Ao fim, vê-se que o protagonista fez as pazes com o cunhado, mesmo que guardados os ressentimentos. É um conto bem escrito sobre uma rixa que acompanha as personagens desde jovens, mas quanto à comédia, esta demora a chegar.

  23. werneck2017
    20 de agosto de 2017

    Olá, Comedida!

    Fica evidenciado no texto o ‘sotaque’ português. Um tom mais elegante que o português do Brasil e também mais formal, parece-me. A estória é adorável e somos levados a pensar inicialmente tratar-se de um filho adotivo. Só pelo meio do texto descobrimos que nosso protagonista maroto é de fato um cachorro. Espirituoso, humorado ( ou mal-humorado?) e travesso. Texto coeso, coerente, criativo, sem erros gramaticais exceto por ‘connosco’, mas aí comparo pelo português brasileiro. Muito bom.

    • Ana Maria Monteiro
      2 de setembro de 2017

      Obrigada pela leitura. Connosco é assim que se escreve em português. No Brasil parece-me que não usam a palavra, mas é esta a sua grafia correta.

  24. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amiga Comedida,

    Achei a graça da sua comédia também bastante comedida. Não sei como é com você, mas quando estou escrevendo, eu mais ou menos “vivo” naquele mundo que estou descrevendo. Eu vejo as pessoas, eu converso com os personagens. Pra mim é uma experiência incrível. Eu imagino que a sua experiência de escrever essa história tenha sido muito divertida. De fato, você narrou situações bastante engraçadas, com as máscaras (e dentaduras) de familiares caindo na frente de todos. Mas acho que a graça de assistir a esses acontecimentos não conseguiu ser transmitida através do seu texto, infelizmente. Achei que está bem escrito, não vi nenhuma falha de português, só tive dificuldade em achar que se trata de um texto do gênero “comédia”.
    Um abraço

  25. Anderson Henrique
    17 de agosto de 2017

    Gostei do narrador ter sido um cão. Dá um frescor ao texto. Acho, contudo, que poderia ter explorado mais essa perspectiva canina. Um dos sentidos mais importantes para o cão é o faro. Senti falta de ter mais cheiro no texto, entende? Acho que poderia enriquecer bastante o conto. Outra sugestão: toda a primeira parte do conto é meio que dispensável. Não importa muito como o cão entrou pra família ou o fato dele ser mudo. O que movimenta o texto é o conflito entre o cão e o noivo da irmã. Por mim, começaria já em “O Renato, assim se chamava o…”. Partiria direto do conflito, com alguma parada breve pra contextualizar. Acho até que ajudaria a manter um certo mistério de colocar o cão como protagonista sem dar muitas pistas no início. Mas são apenas sugestões, coisas que pensei durante a leitura.

  26. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    17 de agosto de 2017

    Comedi(d)a,

    você entende do traçado e nos presenteia com um conto muito bem escrito. Em termos de história, infelizmente, achei o conteúdo bem clichê: as memórias de um cão (peço perdão se interpretei errado) e sua tentativa de evitar a união de sua dona. Não que a coisa seja ruim, pelo contrário. É bom. Mas o plano mirabolante do animal no final do conto não me arrebatou.

    É um trabalho competente, bem escrito, mas com um enredo aquém de tanta capacidade literária que você aparentemente demonstrou.

  27. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá,

    Confesso que não tinha muitas expectativas com o conto, li automaticamente até que me vi completamente imersa na história. O personagem ajudou bastante nisso, ele é muito fofo, e combinou bem com personalidade que deu a ele.

    Gostei de sua rotina de brigas com o dono, disputando quem manda ali, a atenção da ‘’mamãe’’ e todos os conflitos que isso causou. Deve ter sido longos anos de discórdia e amor mal resolvido rs

    Aí vem o melhor do conto que é o tal jantar, onde ele pretendia dar o xeque mate. A parte da ‘’ erva do irmão’’ foi engraçada assim como toda a sequência dos acontecimentos. Parecia aqueles filmes de domingo com a família reunida em um jantar onde tudo pode acontecer. As revelações, os acidentes, a ausência do casal tão comentado, tudo isso foi feito com muita competência, sem deixar pontas soltas.
    O final também foi adorável, ( apesar de que eu ia ficar bem P se ele tivesse morrido) Gostei do laço criado entre ele e o homem graças ao nascimento do bebê. Fofo.

    É um ótimo conto, divertido e agradável, parabéns!

  28. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Olá Comedido(a).
    Este comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Achei muito fofo esse narrador… fofo demais!! Muito divertido e fluido o texto, criativo e bem escrito, gostei muito, ganharia 10 com certeza!! Parabéns e boa sorte!!

  29. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: a narrativa explora a sugestão em muitos pontos – organiza-se em torno disso, de fato. Notei o “sotaque” na escrita, mas nenhum problema de ortografia que valha ressaltar. A opção por não investir na descrição do protagonista até a metade do conto cria uma expectativa agradável, assim como a surpresa ao descobrir o que ele era.
     
    Aspectos subjetivos: acho muito válido quando a história é construída na cabeça do leitor. Melhor do que a descrição simples e crua, cada um imagina os fatos a partir do que entende. Além de interpretações únicas, isso propõe certa dinamicidade ao texto: não é um monumento pronto a ser apreciado, mas uma escada que ganha degraus conforme a subida (ou descida). Também conseguiu criar um protagonista muito cativante em sua inocência.
     
    Compreensão geral: parece que deixamos o desafio do Javali, mas os suínos continuam no inconsciente, não? Um porquinho que, por razões óbvias, não fala como humanos, mas que os entende muito bem (e pensa também de forma eloquente). O desconhecimento dele sobre as malícias da vida cria um humor sutil – como supõe o pseudônimo, comedido -, que não perde em nada para os demais.

    Parabéns e boa sorte.

  30. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    O conto fluiu bem, as idéias se desenrolavam com facilidade, a visão do narrador (um cachorro), foi feliz, mas o caminho buscado foi o mais fácil para seguir em frente, e aí o conjunto acabou um tanto confuso.
    Parabéns pela criatividade!
    Minha nota será 8,4.
    Abraços

  31. Cláudia Cristina Mauro
    13 de agosto de 2017

    O texto usa uma linguagem formal que remete aos contos antigos. Mas esta tentativa de “envelhecer” o texto não flui naturalmente, as palavras parecem encaixadas para causar esta impressão, principalmente pelo uso excessivo de pronomes.
    Há uns problemas com acentuação e pontuação.
    Apesar disso, o texto prende a atenção. Foi positiva a decisão de não revelar o que era tal erva e deixar o leitor chegar a esta conclusão.
    Nota 5.

  32. Jowilton Amaral da Costa
    13 de agosto de 2017

    Conto muito bom. Bem narrado e bom de ler. Fiquei curioso para saber a raça do cachorro. Era um cachorro o narrador, não era? Só acho que uma mariscada com maconha teria feito todo mundo sorrir e dormir, e não ficar naquela animação toda. Mas, eu curti o conto. O primeiro parágrafo é muito bom. O conto é permeado por ótimas tiradas,Boa sorte.

  33. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Minha cara comédia comedida. Cá estou eu às voltas com sua história javalinesca. Ponto para você em me trazer o javali lá do outro certame para este. Muito legal o seu cuidado com o idioma, seu gosto pelas mesóclises, inclusive. Somente uma concordância achei que poderia ter ficado melhor de outro modo. A história achei-a criativa. Achei que o mote da mulher de Cesar não funcionou tão bem, ao contrário da erva do mano a provocar essa tremenda confusão. Isto sim, foi algo interessante. No entanto senti falta de rir mais, sabe? Somente uns sorrisinhos meio bobos consegui dar, ao contrário da hilaridade presente na mesa do banquete. E com isto, veja bem, Comedida, não quero dizer que seu conto não fosse engraçado. Vá entender o humor das gentes, não é, amiga? Grande abraço.

  34. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Um pouco de dramaticidade, tira totalmente o direito até de sorrir, devido a insistência em construir o clima com as palavras do que, realmente, com a piada da vida em família. Serei racista ao impingir a influência do fato do personagem ser um cachorro? Enfim, atendeu parcialmente ao desafio. O que fica patente é a autoria ser de um escritor do idioma português da terra de Camões.

  35. Higor Benízio
    11 de agosto de 2017

    Bom conto. Esperava mais situações engraçadas depois do arroz, talvez um clímax também. Seu conto cumpriu o dever como comédia, e achei bem sucedida a voz do cachorro

  36. iolandinhapinheiro
    11 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: Gracinha de texto narrado por um cão mudo que antipatiza com o namorado da filha da dona da casa. O cão é o personagem mais carismático que encontrei (até agora) neste desafio. O conto é leve e nos conduz pelas tramoias do bichinho para separar Lena de Renato. Fácil de ler, inteligente e com pitadas de “finesse” que dão um lustro a mais neste conto já tão fascinante.

    Graça: a seu modo entre perplexo, ardiloso e irônico o texto traz um humor sutil e refinado que se não me faz dar gargalhadas, me traz um prazer em estar lendo um conto inteligente e bem urdido, cumprindo com donaire o requisito da adequação ao tema.

    Enredo: Cão observador da alma humana, tenta solucionar de um modo muito fofo, as coisas incompreensíveis sobre o comportamento humano, e arma um plano para estragar a festa de noivado de Lena (de quem tem ciúmes) com o seu namorado (com quem antipatiza). Desta forma acaba jogando a maconha do irmão da moça numa panela de mariscos e, bem… as consequências são a parte mais engraçada da história. Achei o conto muitíssimo bem escrito. Creio que o melhor até agora (entre aqueles que li). A autora se sai muito bem nas costuras que faz entre as cenas e consegue manter a atenção e encantar seus leitores. Está de parabéns.

    Tente Outra Vez: Não precisa tentar nada. O texto está perfeito.

    Impacto: Um ótimo conto. Amei!!

  37. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    As boas intenções pavimentam o caminho do inferno, e as más, o do altar. Pelo menos é isso que as artimanhas desse cachorro peralta me faz crer, querendo estragar a prévia do grande dia de sua “irmã”, e, inadvertidamente, concedendo uma grande noite à família inteira. Me fez sentir saudades da minha falecida “irmãzinha” de quatro patas.

  38. Anorkinda Neide
    8 de agosto de 2017

    Olá!
    Mas que emaconhamento foi este? hahaha
    este fato, de colocar a erva na comida e todos ‘surtarem’ foi engraçado.
    Mas confesso que exageraste um pouco com as citações ao casal romano, tá certo que o cachorro estava curioso, mas pro texto, repetiu-se vezes demais este fato, que afinal não tinha relevância para o desenrolar da historia que se passou em torno do noivado de Lena.
    É um texto meigo, o cachorrinho mudo conquista o leitor,
    Parabéns.
    Abraço e sorrisos

  39. Luis Guilherme
    7 de agosto de 2017

    Olá, amigo, tudo bem?

    Muito bom conto! Parabéns.

    De cara nota-se se tratar de um amigo luso, e por isso aparecem alguns erros de concordância ou acentuação, algo compreensível. Não vou nem entrar no assunto.

    A história é leve e engraçada, de forma natural. Não apela pra piadas nem pra sacadas, o humor está baseado na condução da narrativa, gosto disso.

    A cena do clímax, durante a festa, ficou excelente. Consegui imaginar claramente em minha mente. Achei um pouco exagerada, nao vou negar… nao sei se alguem ficaria tao louco comendo a erva, mas isso nao atrapalha em nd.

    Em determinado momento, percebi que lia sorrindo. Isso é o melhor. A conclusao tbm agradou. O narrador, pelo que notei, uma espécie de porco (prefiro nao pensar que possamos ter encontrado um novo javali), é carismatico, e a inocencia do animal é divertida.

    Enfim, belo conto, parabéns!

  40. catarinacunha2015
    7 de agosto de 2017

    Um casamento muito doido! O texto tem a crítica velada às famílias que vivem de aparências. A premissa do cão mudo e ciumento é maravilhosa.

    Frase auge: “Sabia que o Pedro, o meu irmão mais velho, guardava umas ervas quaisquer muito em segredo no seu quarto.” – Aí o conto começou a ficar engraçado só de imaginar a bagaceira que viria em seguida.

    Sugestão:
    Diminuir a parte onde é descrito os efeitos nos convidados. Ficou longa e detalhada demais para uma comédia. Com mais velocidade ficaria melhor.

  41. José Bandeira de Mello
    7 de agosto de 2017

    Texto escrito por um português (a), na certa. E muito bem escrito, continuo. Um conto original produzido por um animal que tudo sabe e tudo vê. Um humor refinado, gostoso, na medida certa. O autor (a) conseguiu prender-me até o fim com seu evidente talento para manejar as frases e as palavra. E transportou-me aquela mesa onde todos elouqueceram com um simples arroz de mariscos temperado com ervas. Gosto de ler um texto bem escrito e conduzido. Embora não seja um conto cômico, tem um humor refinado e leve. Se não me fez gargalhar, levou-me a le-lo até o fim com enorme satisfação.

  42. Fabio Baptista
    6 de agosto de 2017

    ——————————————————-

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Até começar a peidação e confissões dos emaconhados, eu estava pensando “Deus do céu, onde está a comédia?”.

    Desse trecho em diante, fica bem divertido.

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************

    O texto prende a atenção pela boa escrita, pelo mistério sobre a verdadeira natureza do narrador e pela história em si. Ou seja, cumpriu o objetivo aqui nesse quesito.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************

    Uma história simples, sem muitas reviravoltas, mas muito bem contada.
    O mote de arrumar confusões ao tentar impedir que determinado evento aconteça é meio batido, mas sempre funciona. Já as menções ao ditado sobre a mulher de César não funcionaram tão bem assim.

    Aqui o autor revelou logo de cara que o narrador era um animal, talvez se deixasse essa revelação para o final, surtiria um efeito melhor.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************

    Ambientação muito boa, o clima bucólico foi bem construído.

    Já os personagens (outro quesito que também avalio aqui nesse item), ficaram um pouco a dever: ninguém de fato tem alguma característica marcante.
    Apenas o protagonista, que a todo momento se dá a entender que é um javali, soa simpático e carismático.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************

    Nesse quesito, o destaque positivo do conto. Achei muito bem escrito, com um sotaque português que ficou bacana. Frases bem construídas, boa escolha de palavras, narrativa fluida. Muito bom.

    – lá vinha
    – ela tinha
    >>> cacofonia

    – Não é assim amor?
    >>> Não é assim, amor?

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Apareceu já perto do fim, mas se adequou ao tema, sim.

    NOTA: 8,5

  43. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    Parece que o texto foi escrito por uma pessoa da querida “terrinha”! O personagem é uma incógnita: cachorro, gato, porco, gente, aberração… Enredo entrelaçado, misturado, festa de noivado caótica, condimento que juntado à comida causou, nas pessoas, uma onda de revelar verdades guardadas a sete chaves, síndrome da revelação. Atitudes sem qualquer censura, falas descontroladas, anarquia permitida. Escrita com passagens alegres, apresenta uma mescla de sentimentos pouco afáveis, enredo razoável. Pena o personagem ser mudo e não ter tido chance de perguntar o significado da conversa de César e da mulher! Parabéns pelo texto, Comedi(d)a!

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2, Comédia Finalistas e marcado .