EntreContos

Literatura que desafia.

A Caixa (Daniel Reis)

I.

Em cima da mesa, o telefone tocava com aquela insistência que celulares costumam ter quando você acaba de entrar no banho e está sozinho em casa. No display, “NUMERO DESCONHECIDO” piscava sem acentos, enquanto vibrava com urgência, aproximando-se cada vez mais da borda e da queda iminente. O chuveiro desligou-se e passos molhados escorregaram, com pressa, pelo corredor; o homem nu, em equilíbrio instável, conseguiu chegar no momento exato em que o aparelho estava quase caindo da mesa – e a ligação, na caixa postal.

– Até que enfim, seu patife! – vociferou uma voz masculina, embriagada, do outro lado da linha.

– Alô?! Com quem deseja falar?

– Pára com isso, Alcebíades. Eu sei de tudo. Encontrei seu número registrado no celular da Helena. Ou vai dizer que não…?

Vacilou por um ou dois instantes, antes de responder:

– Desculpe, amigo. Este não é o telefone do Alcebíades.

– Amigo é a puta que o pariu. Eu tô indo aí te dar uma surra, seu merda!

– Aqui é 99979 8790. Não tem nenhum Alcebíades, não. Deve ser engano.

– Engano de cu é rola! Me espere, que quando eu chegar aí, você vai ver o que é bom! Mexeu com a mulher dos outros, tem que ser macho pra aguentar as consequências…

– Tá certo, parceiro – admitiu o homem, finalmente vencido. – Faz o que você tem que fazer. Pode vir, que eu estou cagando pra você. Vem me dar uma surra então, se você é homem!

Desligou o telefone na cara do bêbado, sem esperar o desaforo em resposta. Acendeu um cigarro. Naquele dia, provavelmente, o tal Alcebíades ia apanhar pra caralho.

 

Pedro estava ali só há duas semanas. A decisão pela separação havia sido muito dura. Principalmente porque não foi dele. Teve que empacotar as coisas e entregar as chaves da casa na qual viveu, com a mulher e o filho, nos últimos sete anos. Alugou o apartamento, e até não era ruim. Prédio recém-construído, cheiro de tinta em primeira locação, dois quartos, sala, banheiro e cozinha – pequeno, mas confortável. Desconforto, mesmo, tinha por outro motivo: sua ex-família mudou-se provisoriamente para a casa da sogra, onde ele era persona non grata antes mesmo do eventual naufrágio do casamento.

Entre os destroços, encontravam-se roupas espalhadas sobre o colchão, livros empilhados no outro quarto, uma mesa de madeira com duas cadeiras bambas e o sofá avulso na sala, a geladeira para manter sempre frescas as pilhas alcalinas e a vasilha com água de torneira. Espalhadas pelos outros cômodos, caixas e caixas de papelão, abertas no dia da mudança e que continuavam vazias, à espera de uma improvável reversão no fluxo do tempo – ou de um resgate, um retorno à civilização.

Pedro não tivera oportunidade ou ânimo para estabelecer contato visual com os novos vizinhos. Conhecia de vista o porteiro do dia; e trocara uma ou duas palavras com o porteiro noturno, já que, com esse, tinha maior afinidade de horários, ao sair ou chegar do trabalho na agência de publicidade. Passava quase todo o tempo livre sozinho no apartamento, sem receber visitas. Até aquele dia em que, na portaria, à espera do elevador, foi surpreendido pelo aviso:

– Doutor, chegou uma encomenda pro senhor.

Pedro achou estranhou. Não esperava receber nada, nem tinha comunicado o novo endereço a ninguém. Era uma caixa de papelão comum, lacrada com fita gomada transparente. Não muito grande ou pesada, só o suficiente para incomodar quem precisasse carregá-la sozinho, nos braços. Também não tinha remetente, só etiqueta de endereçamento:

“P/Alcebíades – apto. 701”.

Era o apartamento de Pedro. Sentiu um calafrio.

– Tudo bem, seu Alcebíades? – indagou o porteiro.

 

III.

Definitivamente, era muito estranho: Alcebíades. Nunca havia conhecido um, na vida. Lembrou-se, na hora, daquele telefonema. Nome aparentemente pacífico, bovino, como aquele, não poderia meter medo – ou chifre – em quem quer que fosse.

Ligou para a imobiliária, tentando saber se não era um possível locatário que desistiu do apartamento. Não, não havia registro de possível cliente que se chamasse assim. Os porteiros também garantiram que nenhum vizinho ali era Alcebíades. Afinal, com esse nome, eles se lembrariam…

Pedro informou-se sobre o horário de visita do carteiro e faltou ao trabalho no dia seguinte para realizar, pessoalmente, a devolução formal da caixa. Destinatário não encontrado, tentou argumentar.

– Como assim, não encontrado? O porteiro até assinou o recibo em seu nome…

– Mas Alcebíades não é o meu nome!

– Eu sinto muito. Quer dizer, bom para o senhor…  mas veja bem, o problema agora não está mais comigo. Eu cumpri a minha obrigação, que é entregar. Não trazer de volta.

– Tá certo, e se eu levar a caixa no Correio, eles aceitam de volta? – Pedro argumentou.

– Isso, depende – o carteiro coçou a cabeça, na dúvida. – O que é que tem aí?

Boa pergunta. Pedro não havia aberto a caixa.

– Bem que o senhor faz – avisou o carteiro. – Violação de correspondência é crime. Eu que o diga…

O carteiro percebeu o deslize e tentou mudar o rumo da conversa:

– Pensando bem, se eu fosse o senhor, ficava com a caixa, não arriscava, não. Lá eles vão é dar um chá de sumiço nisso, ainda mais que não tem remetente… e o destinatário, tentou procurar na lista telefônica?

– Procurar como, sem o sobrenome? Só se eu folheasse todo o catálogo, de trás pra frente, grifando os Alcebíades…

O carteiro ergueu os ombros, despediu-se e deu as costas, para levar o trabalho adiante. E a caixa ficou lá.

 

IV.

Pedro prometeu a si mesmo que ia encontrar uma solução para o impasse. Assumiu o propósito de não abrir a embalagem, primeiro por uma questão de princípios. Quem sabe o tal sujeito não aparecia, nos próximos dias, para buscar a encomenda? Depois, ainda que não o admitisse, tinha um certo medo do que poderia estar guardado naquela caixa. Vai que o remetente era aquele marido traído, e ele, o Alcebíades-que-não-era, pudesse ser alvo de uma bomba-relógio? Tentou ouvir. Não havia som algum pulsando ali. Mas e se dentro da embalagem estivesse a cabeça de Helena, a infiel? Melhor deixar como estava: a caixa quieta, num canto, a única indevassada entre as outras caixas do apartamento. O telefone tocou. Não era o marido traído. Nem o Alcebíades.

 

V.

Fim de semana. A ex-mulher cumpriria o combinado pelo telefone: deixaria que ele passasse algumas horas com o filho, Pedrinho, no shopping.

O menino correu e se jogou nos braços do pai. Com ele, não veio a mãe, mas a avó. Cara de maracujá azedo. Para o menino, seria muito melhor sair como se fossem uma família de novo, só os três. Era o que Pedro pensava. Paciência. Antes assim, com a avó a tiracolo, do que ficar trancado em casa, na frente da televisão. Ou passar a tarde num apartamento cheio de caixas.

 

VI.

O menino sempre dizia que gostava do pai, da mãe e da avó do mesmo jeito. Mas gostava bem mais do Homem de Ferro, do Hulk e do Homem-Aranha. Por isso, enquanto a velha procurava alguma coisa no supermercado do shopping, Pedrinho sentou-se no chão, em frente a uma das televisões do mostruário, hipnotizado pelo mais recente filme desses super-herois. O pai, em pé ao lado dele, até se esforçava para acompanhar a ação, mas a cabeça estava em outro lugar. Na caixa, mais exatamente. Definitivamente, sua atenção estivera concentrada nisso a maior parte daquela semana. Seria o prêmio de alguma promoção? No fim do corredor, viu o funcionário do mercado a empurrar um carrinho, com caixas e mais caixas de produtos para abastecer prateleiras. Engraçado, pensou, como a gente só repara nas coisas quando tem um problema com elas…

Mas não reparou em Pedrinho. Agora, o menino não estava mais ali, em frente à televisão. O pai olhou ao redor, atônito. Estaria com a avó?

Precisava pensar. Se não estivesse, era melhor achá-lo antes que a velha descobrisse que o ex-genro imbecil conseguiu perder o filho num supermercado de shopping. Rodou entre as gôndolas. A sogra continuava na seção de higiene e beleza, procurando tintura para o cabelo. Sozinha.

Ampliou o perímetro da área de busca até chegar aos corredores superpovoados daquele andar do shopping. Sem sucesso. Alarmado, como último recurso, resolveu apelar ao serviço da cabine de som, imaginando uma maneira mais ou menos discreta de anunciar a sua perda. Mas a fila era enorme, muita gente tentando localizar seus entes queridos – ou melhor, seus entes perdidos. Para organizar as chamadas, foi necessário distribuir fichas para preenchimento com nome do buscante, do procurado e o local proposto para o encontro. Pedro nem havia começado a anotar a sua quando ouviu a voz da moça na cabine, anunciando pelas caixas de som espalhadas em todos os andares do shopping:

– Atenção, senhor Alcebíades! Senhor Alcebíades: sua esposa o espera na livraria do terceiro andar…

Pedro saiu correndo. Na porta da livraria, ofegante, deu-se conta de que não fazia ideia de como seria a tal mulher do Alcebíades. Ou o próprio. Olhou ao redor, sentindo-se ainda mais idiota ao tentar adivinhar quem seriam os dois, naquela multidão. Foi então que viu, de longe, Pedrinho, calmamente sentando numa mesa de leitura para crianças, superconcentrado, com lápis de cor e um livrinho de figuras para colorir. Era uma dessas publicações que fazem sucesso entre adultos, como terapia antiestresse: “As Incríveis Aventuras de Piu-Piu e Pepeka”, publicado pela Editora Suruba. Historinha erótica que, definitivamente, não agradaria nada à mãe de Pedrinho, quando ela soubesse. E saberia, de um jeito ou de outro, pela língua comprida da sogra, pois a velha, horrorizada, havia acabado de encontrar o menino, ali, sozinho.

 

VII.

Depois de levar o filho e a sogra embora, Pedro passou na panificadora e comprou uma caixa de cervejas, que por pouco tempo fariam companhia às pilhas e à garrafa d´água na geladeira. Tomou um banho quente, sem deixar de pensar na caixa da discórdia. E o negócio era mesmo pensar fora da caixa. Enquanto se enxugava, chegou à decisão que considerou a mais indicada para o momento. Antes de mais nada, iria enxugar as latinhas por dentro.

 

VIII.

Desceu pelo elevador, tarde da noite, cambaleando até a garagem no subsolo do edifício. Sentia-se um verdadeiro super-heroi, capaz de carregar todo o peso do mundo nos ombros, nem que fosse numa caixa de papelão. Abriu a saída de serviço e esgueirou-se, sinuosamente, até o terreno baldio que ficava ao lado do prédio. Sem ninguém por perto, atirou o objeto bem longe, no meio da escuridão. Acendeu outro cigarro, dessa vez pelo filtro. Desistiu de fumar. Já era tarde. Subiu para o apartamento, considerando que havia cumprido a sua missão de salvar a humanidade naquela noite.

De ressaca, ao acordar no meio da tarde, o resultado estava lá. Chegou por baixo da porta: uma multa do condomínio pelo lixo jogado em lugar indevido, e uma intimação policial para prestar esclarecimentos. Abriu a cortina e espiou o terreno baldio: não havia mais nada. O incêndio consumiu tanto o mato quanto a caixa. Pensando bem, até que foi um preço baixo a ser pago para se livrar da maldição de Pandora. Ou do Alcebíades.

 

IX.

Uma semana, dez dias se passaram. Pedro livrou-se de todas as caixas que atravancavam o apartamento – com o cuidado, dessa vez, em usar a lixeira reciclável do condomínio. Instalou as prateleiras para os livros, comprou um armário de três portas e uma cama de solteiro com colchão para o quarto de hóspedes. Pedrinho poderia visitá-lo, agora e sempre que quisesse. Já estava descendo para buscar o menino quando o elevador parou no terceiro andar. A porta abriu para a entrada de um homem de meia idade, que comentou, olhando para ele, incrédulo:

–  Pô, você é a cara do Alcebíades! É irmão dele, é?

– Não que eu saiba. Não que eu saiba…

Porque o Alcebíades, sim, era um grande filho da puta.

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25 comentários em “A Caixa (Daniel Reis)

  1. Roselaine Hahn
    27 de agosto de 2017

    Olá autor, gostei do seu conto, uma narrativa leve mas que prende o leitor, curioso por saber o que havia na caixa e quem era o filho da puta do Alcebíades. O final em aberto, sem que saibamos o que tinha na caixa e quem era, afinal, o homem misterioso, ficou de bom tom. O “Nome aparentemente pacífico, bovino…” foi uóoo. Como sugestão, daria uma enxugada na parte descritiva, como a do telefone no 1o parágrafo, ou a dos porteiros, daria uma maior agilidade no texto, e maior foco ainda na caixa. Demais, só elogios, tudo no seu lugar, gramática certinha. Abçs.

  2. angst447
    22 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    Olha, para ser sincera, não ri,mas dei um sorriso no final. O suspense todo da narrativa acabou em quase nada, mas considero cumprido o objetivo de redigir uma comédia bem bem bem levinha.
    Não encontrei falhas na sua revisão.
    O conto está muito bem escrito, mantendo um bom ritmo e habilidade com as palavras e imagens. A leitura flui fácil e prazerosa, mas achei mais tocante do que divertida.
    E o Alcebíades, hein?
    Boa sorte!

  3. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Prezado(a) Pandora,

    O seu texto começou muito bem. Já na primeira parte me arrancou uma gargalhada feliz. Parabéns! Nesse momento, fiquei com medo de que o seu texto fosse uma série de piadas curtas que nada têm a ver umas com as outras. Mas na sequencia vi que a caixa de pandora era o desdobramento do telefonema do início da narrativa e as coisas ficaram interessantes. Interessantes, porém, a comédia caiu, infelizmente.
    Achei que você não ter dito o que tinha dentro da caixa foi um peqeno anticlímax. Você gerou toda aquela expectativa, para depois queimar a caixa sem dizer o que tinha lá. Fiquei triste nesse momento.
    Quanto ao final, eu fiquei meio perdido, porque o camarada era até parecido com o tal alcebíades, que todo mundo conhecia menos ele, daí eu fiquei em dúvida se ele seria algum alter-ego ou se sofria de dupla personalidade hehehe.
    Bem, resumindo bastante, o texto começou bem, depois teve uma pequena queda, mas foi uma narrativa interessante. parabéns!

  4. Leo Jardim
    17 de agosto de 2017

    A Caixa (Pandora)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): um tanto simples e sem conclusão bem definida. Não saber quem de fato era Alcebíades ou porque confundiam ele com o Pedro (eles tinham o mesmo endereço e mesmo celular?) me deixou aquela sensação de que faltou algo. O conteúdo da caixa, tudo bem, porque entendi desde o título que não nos seria revelado mesmo. Mas o motivo de tudo ter acontecido, seria bom. Acabei, também, não comprando muito a trama, não me apegando ao protagonista.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): está boa, sem travas que atrapalhem a leitura. Tudo muito seco e simples, sem grandes trabalhos linguísticos, como metáforas inteligentes, mas isso não chega a ser um defeito (embora valham mais pontos quando os encontro). Na parte ortográfica, peguei só essa:

    ▪ Pára com isso (na nova ortografia, o verbo para está sem acento)

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não vi nada de muito novo, mas tem personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): o texto possui ironia e humor, logo está adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): começou bem, gostei da primeira parte. Ocorre que o que aconteceu depois acabou não seguindo o mesmo tom. O final deixou muita coisa em aberto e não foi muito engraçado.

    🤡 #euRi:

    ▪ “Naquele dia, provavelmente, o tal Alcebíades ia apanhar pra caralho” 😃

    ⚠️ Nota 6,5

  5. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá.

    Consegui identificar humor no texto, mesmo que pouco, o conto me parece muito mais um suspense leve.. não sei exatamente como definir. Confesso que não entendi o final, e li duas vezes, se eu não entendi nessas duas vezes há um problema aí, ou comigo ou com o seu conto.

    O começo me agradou, pensei que continuaria nessa confusão do engano, mas aí foi pra outro rumo, não entendi o lance das caixas, elas levam o nome do conto então supõe-se que o mistério que as envolve deveria ser revelado ( se foi, não percebi, desculpe).

    A escrita é boa e, apesar de não saber muito bem onde o autor queria me levar foi uma leitura agradável, mas aí lembro que se trata de um desafio sobre comédia e não sei onde o seu conto se classificaria nesse tema.

    Ainda não resolvi nenhum método de avaliação, mas vou tentar fazer uma média justa.

    Parabéns,

    Boa sorte no desafio

  6. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Oi Pandora.
    Esse comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Eu gostei do seu conto… nada muito divertido, mas um bom conto, bem contado. Fiquei curiosa pra saber o que tinha na caixa… Parabéns e boa sorte!!

  7. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: ao menos pelo meu filtro, revisão impecável. Não vi muito sentido na divisão dos atos, parece-me que a organização do texto funcionaria da mesma forma se estivesse todo unido, mas é apenas uma observação. Apesar da presença dos palavrões, não é um texto que se foque nisso para buscar a graça. Na verdade, explora o humor na confusão do cotidiano.
     
    Aspectos subjetivos: ao contrário do que pode parecer, acho que esse tipo de humor é o mais difícil, por isso merece créditos. Tirar sorrisos de situações espalhafatosas é algo, mas conseguir o mesmo feito com passagens corriqueiras que podem acontecer no cotidiano de qualquer um, isso sim é um trabalho difícil. Além disso, adiciona-se um caráter humano muito legal na relação de Pedro com o filho, possibilitando o apego emocional. Quem disse que personagem de comédia não pode ser profundo?
     
    Compreensão geral: como pode notar, achei muito bom o trabalho que apresentou. É como se tivesse refinado o conceito de humor. Bem, não é o tipo de conto que provoca crises de risos, mas esse tipo existe? Enfim, terminei a leitura com um sorriso de canto que, tenho certeza, vai se manter por mais tempo que muitas gargalhadas.

    Parabéns e boa sorte.

  8. Anderson Henrique
    16 de agosto de 2017

    Ah, cara, bom texto! Gostei principalmente do tom dele, da condução, coerente durante toda a narrativa. O clima é todo puxado pro surrealismo e pro absurdo, aquele estranhamento inicial que surge e depois vai naturalmente. Boa maneira de falar sobre a questão da perda de identidade. Parabéns.

  9. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    16 de agosto de 2017

    Pandora,

    gostei do seu conto. Apreciei a escrita empregada e as descrições. É um trabalho que requer uma certa atenção, pois – isso se você levar em conta minha humilde opinião – ele possui muita gordura que poderia ter sido limada. Uma coisinha ou outra me incomodou, como por exemplo o receio do Pedro em não abrir a caixa com medo de conter uma bomba-relógio. Não sei, me soou caricato demais.

    Em todo caso, é um bom trabalho.

    Parabéns.

  10. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Humor sutil, com toda certeza muito bem escrito, irretocável, mesmo, neste ponto. Ri também com as piadas que envolviam a sogra, o encontro de Pedrinho no shopping, e o nome do livro e da editora rsrs.
    Fiquei muito curiosa com o que havia na caixa, mas vamos lá: o jeito é pensar fora da caixa rsrs
    Muito inteligente, parabéns.
    Nota 8,9

  11. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Pandora, você me traz um conto com esse viés nonsense para a minha degustação. Conto-lhe que o saboreei com prazer. Obrigado pelo prato interessante. Outrossim (epa que esta palavra é esquisita) preciso lhe dizer que senti falta de algumas amarrações na história. Muito legal esta confusão com o Alcebíades, a loucura do cara recém separado e ao mesmo tempo confundido. Mas algumas cenas, volto ao ponto acima, achei que ficaram meio bambas. Por exemplo a perda do Pedrinho e seu posterior encontro na livraria. A presença da sogra participando diretamente na visita do filho (mais natural teria sido ela deixar que o pai curtisse, sozinho o filho, cá penso eu) e, principalmente, o descarte da caixa maldita. Será que o conto foi escrito rapidamente demais? Sei lá, fiquei com esta impressão de não ter havido tempo suficiente para uns cuidados internos na narrativa, só os externos em relação ao português. Uma história legal, um texto criativo e bem cuidado e, ao mesmo tempo eu sentindo falta de amarrações que me fizessem rir mais, apesar da graça contida no enredo. Grande abraço.

  12. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Tenho a nítida impressão que esse conto está totalmente fora do contexto do desafio. É um drama sobre uma possível sacanagem já que não se soube do conteúdo da caixa ou me passou despercebido. Enfim, não gostei, não ri, sequer pensar em gargalhar. É uma piada, isso sim, a pretensão de fazer rir. Exageros à parte, não gostei.

  13. Cláudia Cristina Mauro
    9 de agosto de 2017

    A 1ª parte do texto, antes da separação, prende a atenção e cria expectativas positivas, despertando a curiosidade, mas que vão se perdendo no decorrer da história, que cai numa narrativa cansativa.
    Foi dada muita informação para criar uma narrativa linear através do tempo que resulta no bloqueio da passagem natural de um tempo a outro, sem que se perca a vivacidade e caia na monotonia.
    Tem também a repetição de informações claras. Descreve a informação e depois a confirma num diálogo ou pensamento.
    A ideia é boa, mas houve um problema na condução da mesma e no final.
    Nota 5.

  14. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Não achei o conto particularmente engraçado, mas um caso interessante de mal-entendido com uma pitada de paranoia. Divertido, embora muito misterioso. Só fiquei com uma curiosidade: afinal, o que havia dentro da caixa?

  15. Higor Benízio
    8 de agosto de 2017

    O conto começa bem, a primeira parte, do telefonema, tem um clima legal, e dá um ar de que o conto vai seguir aquela linha. Porém, não é i que acontece. Não existe, por exemplo, nenhuma outra frase que faça frente a esta ótima frase: “Em cima da mesa, o telefone tocava com aquela insistência que celulares costumam ter quando você acaba de entrar no banho e está sozinho em casa. ” Queria muito mais disso, muito mais mesmo. O conto desandou tanto, que a parte do “piu-piu e pepeka”, não causa o efeito esperado (que seria aquela risadinha: hehe), pelo contrário, ela assusta, e assusta justamente porque o conto não segui a linha que se espera com aquele primeiro parágrafo de abertura. No mais, sua escrita é bem decente, faltou mesmo se soltar um pouco. Quando falta enredo, como é o seu caso, precisamos compensar com narrativa 😉

  16. Catarina Cunha
    8 de agosto de 2017

    Considerei um bom conto, com algumas situações que possibilitavam o desenvolvimento do humor, mas que ficaram apenas subjetivas, não exploradas, diante de um (a) autor (a) com vocabulário e experiência em escrever.
    Frase auge: “E o negócio era mesmo pensar fora da caixa.” – Gostei do duplo sentido.

    Sugestão:

    Reescrever o mesmo conto, mas em forma de comédia. No meu entender, a comédia precisa estar presente em todo o conto e não só na premissa. Ou mantê-lo como está como um bom conto de suspense.

  17. Luis Guilherme
    8 de agosto de 2017

    Bom dia, amigo!
    Pootz, infelizmente nao gostei muito.

    O conto tem um ponto forte q é a criação do misterio. Que diabos, afinal, tem na caixa, e quem eh alcebiades? Fiquei bem curioso. Porem, o desfecho nao entregou nd do esperado, oq foi uma pena. Fiquei sem saber oq tinha na caixa, oq foi meio broxante, e a soluçao pro misterio alcebiades nao foi oq esperava.

    Alem disso, nao achei o texto mto engraçado…

    O conto tem varias qualidades. Claramente o autor domina a escrita, o conto eh fluido e gostoso de ler, e eh bom em criar misterio. Porem, o tema do desafio eh comedia, e acho q aí falhou.

    Enfim, eh um bom conto, tem varias qualidades, mas acho q o fim foi meio apressado. Podia ser melhor trabalhado. E tbm achei q faltou o elemento humor mais presente.

    De qqr forma, parabens! Me entreteve e deixou curioso. Parabens e boa sorte!

  18. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2017

    Ahh, meu filho!!
    Você alcançou as 2000 palavras e teve que parar, foi?
    Porra… quem é Alcebíades?! kkk
    Tá aí a comédia. né? Na pergunta q cai nas mãos do leitor… ok ok foi inteligente 😛
    Parabéns, um texto limpo e agradável.
    Abraços e sorrisos

  19. Jowilton Amaral da Costa
    6 de agosto de 2017

    Achei o conto meio doido e acabei rindo no final, por não ter entendido nada. Pode ser lerdeza minha, mas, se tinha alguma coisa dentro do texto que nos faz entender a trama e dizer “Ah, agora entendi”, me passou despercebido. Achei o conto médio, algumas passagens engraçadinhas, não mais que isso. Vi só um errinho de revisão, tem um estranhou no lugar de estranho. Para um desafio de comédia, o conto não teve impacto. Boa sorte.

  20. iolandinhapinheiro
    6 de agosto de 2017

    Método de Avaliação: IGETI

    Interesse – De início o seu conto não instigou muito o meu interesse, o primeiro parágrafo apresentou uma pontuação complicada que atrapalhou a fluidez do texto e passou a sensação de que as construções frasais estavam confusas. Felizmente o conto foi melhorando à medida em que os parágrafos se sucediam e a leitura foi ficando mais interessante e gostosa.

    Graça – Como suspense o seu conto estaria quase perfeito, digo isso porque o final apresentado (para um conto de suspense) ficou um tanto meia-boca. Você tem um ótimo talento em ir provocando no leitor a vontade de saber qual será o próximo lance, estratégia excelente para um conto de mistério, mas, ainda que tenha me deixado envolvida na sua história não consegui rir uma única vez, e com isso, acho que não houve adequação ao tema. Felizmente, para você, o descumprimento deste quesito não vai causar grandes danos a sua nota.

    Enredo: Cara separado, no fundo do poço, em um dia qualquer de sua vida recebe o telefonema ameaçador de um sujeito que o confunde com um homem chamado Alcebíades. A partir daí coisas estranhas passam a acontecer, sempre ligadas a este nome: uma estranha caixa aparece trazida pelo correio, uma mensagem de áudio no shopping (para Alcebíades) indica onde o seu filho, aparentemente perdido, está… A condução da trama pelo inteligente autor nos leva a crer que estes fatos estão ligados à ameaça do marido traído, impressão que é dissipada no final do texto através da conversa com o homem do elevador… No fim o mistério é desvendado e o leitor descobre que as confusões (que não tinham nenhuma ligação entre si) foram causadas pelo fato de Pedro ser a cara de Alcebíades.

    Muito interessante, gostei da solução. Também achei legal a maneira como ele se livra da caixa e provoca o incêndio sem querer, jogando o cigarro aceso no terreno baldio. Esse Pedro era meio lelé, não era?

    Tente Outra Vez – Como disse inicialmente, eu não enxerguei comédia no seu conto. A atmosfera do texto sempre girava em torno da desolação de Pedro diante de sua vida sem família, e este clima triste abafou qualquer tentativa de fazer de A Caixa um texto cômico. Eu só sentia era pena do cara. No mais: arrume a pontuação do primeiro parágrafo, e conserte a frase que começa com “Achou estranhou” que deve ser substituída por “Achou estranho”. O resto está ok.

    Impacto: O seu conto é bom, o texto é quase todo muito bem escrito, a sua história provoca a curiosidade do leitor, mas eu terminei de ler com aquele sentimento de ter sido enganada. Cadê a comédia que me prometeram? Se não houvesse esta obrigatória vinculação ao humor, eu teria apreciado muito mais. Um abraço.

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    bem-humorado (falha)

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    Texto bem humorado, criativo. A leitura nos permite sorrir em quase em todos os parágrafos. Situações, com as quais nos deparamos quase que diariamente, são expostas de maneira divertida. Enredo bem engendrado, personagens bem definidas. Interessante o leque de cenários que o autor tece em torno do objeto “caixa”, objeto que permeia e que monopoliza todo o texto. Ainda procuro o danado do Alcebíades… Parabéns pelo texto!

  23. Jose bandeira de mello
    5 de agosto de 2017

    Conto demasiadamente grande para tentar dar um ar de misterio aos acontecimentos que cercam o protagonista apos a sua separacao. A tentativa de caracteriza-lo como comedia baseou-se na simples confusao da troca do nome de Pedro, ou na entrega de uma misteriosa caixa para o seu novo endereco. Pobre no enredo e sobretudo no humor, o texto chega a ser.irritante pela forma arrastada como eh conduzido e pela conclusao do misterio que nunca chega. Percebi, no fim, que o autor tentou fazer graca ao nada revelar ou nada concluir. Paragrafos compridos e tratativas demais para manter um misterio desnecessario nao deram agilidade ao conto e consequente gosto de le-lo. Nao percebi erros gramaticais relevantes.

  24. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    ************************
    *** (G)RAÇA
    ************************

    Dei risada nesses trechos:

    – Naquele dia, provavelmente, o tal Alcebíades ia apanhar pra caralho.
    – não poderia meter medo – ou chifre

    A piada do Pipi e Pepeka eu achei meio forçada.

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    *** (I)NTERESSE
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    Minha atenção ficou presa durante todo o tempo, tanto pela qualidade da escrita quanto pelo mistério (que acabou se revelando frustrante) de “o que será que tem nessa caixa?”

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    *** (R)OTEIRO
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    O conto começa bem promissor, com a ligação aparentemente por engano, depois segue mantendo o clima que instiga a curiosidade com o mistério da caixa. A parte no shopping me pareceu um pouco confusa e até desnecessária.

    Já o final, me frustrou ao não dar uma resposta satisfatória à expectativa criada a respeito do conteúdo da caixa.

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    *** (A)MBIENTAÇÃO
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    Os cenários são bem construídos e os personagens, críveis. Impossível para mim não me identificar com o Pedro, pela questão das visitas ao filho e tal.

    Eu já passei por essa experiência de perder contato visual com o filho no shopping e foram os dois minutos mais terríveis da minha vida.

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    *** (F)ORMA
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    A técnica é muito boa. Consegue fazer a história fluir sem entraves, escolhendo bem as palavras, construindo bem as frases e os diálogos. Só achei desnecessário usar tantas quebras de capítulos.

    – Pedro achou estranhou
    >>> sobrou um “achou”… ou um “u” no estranhou.

    – Uma semana, dez dias se passaram
    >>> isso ficou esquisito

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    *** (A)DEQUAÇÃO
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    Então… não senti aquele climão de comédia, não. Pareceu mais um texto de cotidiano/mistério com algumas piadas esporádicas. Mas, no todo foi um conto divertido e gostoso de se ler, então vou considerar esse aspecto.

    NOTA: 7,5

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2 e marcado .