EntreContos

Literatura que desafia.

Morte súbita (Priscila Pereira)

Ai! Que dor…  Espera aí, o que aconteceu? Não, não acredito nisso! Eu morri? Mas como assim? Agorinha mesmo eu estava bem, andando tranquilamente pela rua, até pensava na lasanha que a Juliana ia fazer no almoço. Mas só pode ser isso, estou morto.

Sabe o que é pior do que estar morto tão jovem? (Bem, não tão jovem, mas ainda nem cheguei aos cinquenta). É que estou pelado e isso é muito humilhante. Parece que ninguém pode me ver, mas mesmo assim não deixa de ser constrangedor. Pensei que depois de morto teria mais dignidade, cadê as túnicas brancas brilhantes, que a gente vê nos filmes? Ou um manto grosso, cor de nada e com capuz? Mas não, tinha que estar pelado.

Você pode estar se perguntando como eu sei que morri, não é? Pois é, eu sei por que estou olhando para o meu corpo, caído no chão, com a mão no peito, a boca aberta e parece que eu fiz xixi na calça, ou até pior. Ai meu Deus! E falando em Deus, onde está a luz que eu teria que seguir? Não estou vendo nada. Pelo menos não vejo demônios com tridentes, vindo me buscar. Nada, tudo parece exatamente igual, como se eu nem tivesse morrido.

Pessoas passam por mim, correm até o meu corpo, tiram selfies com o homem morto, não sei se alguém se lembrou de chamar uma ambulância, ou a polícia, mas daqui a pouco minha foto vai circular pela internet, e tão mal apresentável, que droga, meus quinze minutos de fama não serão tão bons quanto eu imaginava. Deve ser castigo.  Eu adorava ver esse tipo de foto, desastre, cadáveres, desgraças e aberrações.

Coitada da Juliana, será que vai saber da minha morte assim? Uma corrente passando pelo whatsapp? Vai me ver nesse estado, ela pode até desmaiar. Não, ela é forte. Talvez fique até um pouco aliviada, ela achava que não, mas eu sabia que ela não me amava mais, e desconfiava das suas conversinhas com o Geraldo. Os dois pensando que eu era bobo. Talvez ainda não tivesse nada demais entre eles, mas agora com certeza vai ter.

O Geraldo vai dormir na minha cama, que desgraça, pode até aproveitar minhas roupas, as que estiverem melhorzinhas, posso até imaginar ele andando de cueca pela casa, coçando a busanfa, e tem mais, imaginei aquela barba grossa roçando no cangote da Juliana. Ai que raiva! Não, não posso sentir raiva, vai que o chifrudo aparece pra me buscar, me espetando com o tridente. E eu ainda pelado, não vai prestar. Deus me perdoe e tenha misericórdia de mim.

Eu nunca fui religioso, raramente ia à igreja, mas também nunca fui um homem mau, nunca roubei, a não ser bala na venda da esquina quando era criança, e material de escritório do meu trabalho, mas quem nunca? Claro que eu abusava um pouquinho da cerveja e também já dei uma ou duas escapadas com mulheres que faziam o que a Juliana se recusava, de pés juntos a fazer. Mas isso todo homem faz, não faz? Deus podia descontar essas coisas por ter me feito baixinho, com tendência prematura a calvície, com um senso de humor defasado e gosto duvidoso para música, quem gostava de tecnobrega afinal de contas?

Uma ambulância enfim chega pra me resgatar, quem sabe ainda estou vivo? Posso estar em coma. Olho atento para os dois médicos do SAMU que me examinam.

– Não adianta, está morto!  – Diz o mais velho, e posso jurar que notei uma nota de alívio.

-Vamos levar pro necrotério… – Diz o mais novo, quase feliz por não ter que salvar mais uma vida hoje.

Então é assim, morri mesmo, tô peladão aqui na rua, ninguém veio me buscar, não sei o que fazer.

-Alôou, tem alguém aí? Ninguém vem me buscar? Pelo menos tragam uma roupa…

Nada. O mundo continua igual. As pessoas passam por mim sem me ver. Ninguém notou a minha morte. Logo a Juliana iria saber. Acho que vou até minha casa, quem sabe consigo ver a reação dela. Começo a correr, mas paro logo, tem muita coisa balançando, para o meu gosto. Aproveito pra procurar a tal luz, um anjo, alguma coisa, sei lá.  Pelo menos no caminho pra minha casa não tem nada disso. E se eu tiver que ficar aqui, assim, pra sempre?

Chego na frente da minha casa e logo vejo a Juliana. Mulher forte, morena, roliça, de vestido florido, chinelinho de dedo bordado com miçanga. Nunca tinha reparado em como são bonitinhos aqueles pezinhos gordinhos, com as unhas cor de rosa. Parece nervosa, será que já avisaram da minha morte?  

Ela está no quintal, enterrando alguma coisa. Agora afofou a terra e espalhou folhas secas, nem parece que a terra foi mexida. O que será? Chego perto e tento falar com ela, nada. Tento desenterrar o que quer que foi enterrado, mas não consigo. O telefone toca. Vou correndo pra dentro de casa, passo pela porta que está aberta, ainda não tentei atravessar as paredes. Observo enquanto ela atende com a voz calma, mas noto um tremor em suas mãos.

Nenhum desespero, nenhuma lágrima, sem gritos histéricos e muito menos desmaios. Confesso que fico um pouco decepcionado. Pra que serve ter uma mulher se não é pra ela se descabelar quando a gente morre?

-Morreu é? Quando? Ham ham. Já sabem do que foi que morreu? Sei. Tá bom, obrigada.

Só isso. Nem uma lágrima. Ela está ligando pra alguém. Quem será? De certo vai avisar a mãe dela, coitada, aí pode chorar a vontade que a mãe consola.

– Geraldo, o Nestor morreu. É, acabaram de ligar. Não sei, disseram que pode ser infarto, mas não deram certeza ainda. Já me livrei dele. Tá, to te esperando.

Mas que filha de uma péssima mãe! Ligou pro Geraldo! E que história foi essa? Como assim, me livrei dele? Por mais que eu não queira atrair o capeta com a minha fúria, não consigo me controlar, se pudesse esganava essa mulher era agora.

Vejo que ela está entrando em nosso quarto, vou atrás. Ela abre o guarda roupas e escolhe uma calça preta, a melhor que eu tenho, ou tinha, sei lá. Pega a melhor camisa branca. Paletó preto novo. Gravata vinho, minha preferida. Vai colocando tudo em cima da cama. Pelo menos vou ser enterrado de forma decente.

Não paro de pensar na conversa dela com o Geraldo. Já me livrei dele. Ela devia estar falando do objeto que enterrou. O que poderia ser? Será um frasco de veneno? Não… Ela não ia fazer isso comigo. Ia? Disseram que foi infarto. Meu coração sempre bateu tão bem.

Juliana pega a foto do nosso casamento. Olha um longo tempo pra ela. Não consigo adivinhar o que ela está pensando. Tento ler em seus olhos alguma culpa, raiva, rancor. Só vejo melancolia e uma lágrima solitária que escorre até o queixo. Talvez ela ainda me amasse um pouquinho, afinal.

Uma buzina chama a nossa atenção e Juliana pega tudo que arrumou e põe em uma sacola. Fecha a casa e sai. Lá fora está o Geraldo, esperando no carro. Aquele traidor. Dizia-se meu amigo, mas tramava alguma coisa pelas minhas costas com a minha mulher.

Eu já estava seguindo a Juliana até o carro quando, do nada, aparece um rapaz do meu lado, vestindo roupas de estilo jovial.

-Então, vamos embora? Desculpe a demora, mas estamos com muito serviço por esses dias…

– Você é um anjo?

– Não exatamente…  – Diz dando uma risadinha estranha.

-Mas, espera um pouco, eu quero saber o que está acontecendo com minha mulher e o Geraldo. O que eles estão tramando? – Pergunto olhando Juliana entrar no carro.

– Relaxa parceiro! O bom de estar morto é não precisar saber de mais nada… E no seu caso, é melhor nem saber mesmo.  Vamos embora que tenho muita gente pra buscar ainda hoje.

– E pra onde nós vamos? – Pergunto morrendo de medo da resposta.

Com uma gargalhada ele responde:

– Cara, você não sabe? Tá lascado, meu irmão. Essas coisas a gente garante quando ainda tá vivo. Depois de morto já era… Vamos?

Segui o sujeito, fazer o que né. Nunca fui bom com argumentos lógicos.

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27 comentários em “Morte súbita (Priscila Pereira)

  1. Ana Maria Monteiro
    5 de setembro de 2017

    Olá Priscila. Reli o seu conto que estava no meu top30 pessoal com nota atribuída de 9,5, numa primeira leitura e antes do apuramento que, no seu caso, não se verificou. Também pude ler todos os comentários dos colegas e acabar por entender a razão por que não pontuaram melhor o seu excelente conto: não encontraram comédia. Compreendo. Afinal, para a maioria, comédia é sinónimo de situações hilariantes e, dessas, o seu conto não tem. Aliás, percebo agora, também eu, que o meu só se safou, porque lhe criei uma situação dessas, o teria ficado pelo caminho, apesar de também ele estar carregado de humor, de fio-a-pavio, tal como o seu. Isso não explica todo, porque houve contos nada hilariantes que passaram, não os nomearei, claro, mas não entendi certas escolhas. Em todo o caso, o se conto é ma delícia no campo do humor e da escrita. Não gargalhei (nem com nenhum, aliás, porque não me é frequente), mas li-o desde o início, com um sorriso nos lábios.
    O que faltou? Para mim, apenas a cena do enterramento no quintal que não se liga com nada e seria dispensável a menos que fosse explicada. Uma vez que ela não pode estar enterrar o morto nem a arma do crime, aparentemente morreu de ataque cardíaco. Os colegas, no geral, referiram a parte de ele estar nu. Para mim, isso não foi nada estranho, penso que você o colocou nu em sentido amplo – vi como se, no seu imaginário, todos ficássemos nus ao morrer (o que é perfeitamente crível em todos os sentidos). Mas os colegas não foram por aí e encontraram nisso um contrasenso; talvez tivessem apanhado melhor o conceito se ele visse alguns outros nus (o que não falta são mortos a toda a hora) e se apercebesse que isso lhes sucedia a todos, continuaria constrangido e inconformado, mas você teria metido a explicação e ainda conseguido a oportunidade de mais algumas tiradas carregadas de humor, como o foram quase todas.
    Adorei a ironia das selfies, das várias alusões ao mundo virtal onde tudo acontece e se sabe; o enumerar confessional dos seus pecadilhos em vida; a quase tentativa de negociação “Deus podia descontar essas coisas por ter me feito baixinho, com tendência prematura a calvície, com um senso de humor defasado e gosto duvidoso para música”; os receios de ir parar ao inferno por conta das suas emoções depois de morto, “Não, não posso sentir raiva, vai que o chifrudo aparece pra me buscar”; as réstias de esperança “quem sabe ainda estou vivo? Posso estar em coma.”; uma tentativa de consolação “Só vejo melancolia e uma lágrima solitária que escorre até o queixo. Talvez ela ainda me amasse um pouquinho, afinal.”; a aceitação final, “O bom de estar morto é não precisar saber de mais nada…” (deliciosa constatação); e a cereja em cima dobolo, as duas frases finais: “– Cara, você não sabe? Tá lascado, meu irmão. Essas coisas a gente garante quando ainda tá vivo. Depois de morto já era… Vamos? Segui o sujeito, fazer o que né. Nunca fui bom com argumentos lógicos.”; além de ter achado piada às outras que os colegas comentaram sobre as partes balançando e pra que serve ter mulher.
    O que não bateu certo para mim além do quintal? A forma como juliana dá a notícia ao amante. Foi pouco verosímil. Particularmente o “Já me livrei dele”, demasiado frio. Talvez “pelo menos já não temos mais esse problema entre nós”, ou algo assim.
    Qanto à escrita, alguns reparos:
    “não é? Pois é,”, logo no início o “é” tão seguido cai mal, limitar-me-ia a retirar o 2º ficando assim “não é? Pois,”;
    “de pés juntos” deveria estar entre vírgulas (em Portugal dizemos “a pés juntos”, mas isso talvez seja mesmo diferença linguística e, como tal, fora de crítica);
    “Logo a Juliana iria saber”, no contexto, penso que teria sido melhor escrever “irá” em lgar de “iria”,
    “De certo vai avisar”, seria “Decerto”
    “chorar a vontade”, seria “chorar à vontade”
    “até o carro”, deveria ser “até ao carro”.
    “Segui o sujeito, fazer o que né.”, talvez um “’?” em lugar do ponto final tivesse soado melhor.
    E é tudo.
    Gostei imenso do conto. Percebi que tem um sentido de humor inteligente e refinado e, como disse, por mim, teria gostado que estivesse entre os finalistas.
    Por fim: gostei muito mais de comentar assim, sabendo a quem, tendo analisado os comentários dos outros. Foi muito mais útil para si (espero) e, sem dúvida, mais saboroso para mim.
    Beijos.

  2. Lucas Maziero
    5 de setembro de 2017

    ” Deus podia descontar essas coisas por ter me feito baixinho, com tendência prematura a calvície, com um senso de humor defasado e gosto duvidoso para música…”

    Puxa vida, eu me vi retratado nesta frase realista (hehehe).Quantas vezes imaginei que as coisas poderiam ser mais fáceis por causa dos poucos benefícios atribuídos pela natureza… Mas isso é outra história, rs.

    Opinião geral: Gostei. É um conto singelo.

    Gramática: Nada a reclamar, está bem escrito.

    Narrativa: Estilo rápido, funciona bem em narrativas em primeira pessoa.

    Criatividade: É uma ideia que já vimos algumas vezes, porém aqui, claro, com uma roupagem nova. Se foi intencional ou não, senti falta de saber o que a Juliana estava enterrando no quintal. O final deu um toque sinistro e sarcástico à história: para onde ele vai? Não importa, já era, rs.

    Comédia: É bem-humorado. A meu ver, uma sátira singela.

  3. Roselaine Hahn
    29 de agosto de 2017

    Olá autor, a essa altura, na leitura do seu conto, vc. já foi informado de que ele não se classificou para a próxima fase, peninha. Gostei dele, e não é porque ele morreu, que agora é amado, não tem defeitos e blá blá. Achei muito legal o enredo, da morte do cara, da sacanagem da mulher, aliás, hilária a frase: “Pra que serve ter uma mulher se não é pra ela se descabelar quando a gente morre?”. Não sei bem o que pegou para ele não ter sido classificado, talvez, vou chutar, mas eu diria, a falta de seriedade na narrativa. Pera aí, mas não é um conto de comédia? Exatamente, a seriedade no sentido de botar a mão na história e fazer a graça, porque a história vc. tinha, e mt boa por sinal. Talvez faltou acreditar que ela realmente era boa, e afofar a pena na graça, sair do levinho, sim ela ficou muito levinha, comum, poderia ter ido para o humor negro, cairia bem. Ah e fiquei na curiosidade quanto ao que foi enterrado no quintal pela mulher do morto. Buenas, são as minhas considerações, te encontro no próximo desafio.Abçs.

  4. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    18 de agosto de 2017

    *melhor a tríade morte, infidelidade e assassinato

  5. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Chandler,

    Achei a sua história divertida. Realmente, acho que ninguém está preparado para, de uma hora para a outra, bater as botas. Achei interessante a sua escolha por narrar no tempo presente. As coisas vão acontecendo na narrativa ao mesmo tempo em que a história vai se desenrolando. Achei isso legal. O único problema que tive com o seu texto foi que ele deixou muitas perguntas sem resposta, e isso, quando em excesso, acaba enervando mais do que instigando o leitor. No meu caso, fiquei meio com raiva de não saber o que a mulher estava enterrando, para que era o terno, se ela tinha mesmo matado o personagem, etc… foram perguntas demais não respondidas e acabei não curtindo tanto o texto por causa disso. Mas fora esse detalhe, gostei da narrativa e de como você foi levando a história de maneira fluida e sem contratempos. Um abraço!

  6. Leo Jardim
    17 de agosto de 2017

    Morte súbita (Chandler Bing)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): muito simples. Faltou mais uns detalhes para o final não ficar tão aberto. O texto acaba indicando que a viúva e o amante tramaram contra o morto, mas ele mesmo percebe que isso é inconsistente: afinal, ele morreu de ataque cardíaco. Assim o texto termina com essa dúvida em aberto, mas uma dúvida ruim, pois nunca vamos saber e o conto rodava justamente em torno disso.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): narrativa fluída, simples, mas de fácil leitura. Não cheguei a reparar em algum erro ortográfico que incomodasse, exceto esse:

    ▪ Juliana se recusava *sem vírgula* de pés juntos a fazer

    💡 Criatividade (⭐▫▫): fantasmas que descobrem após a morte que eram traídos assombram incontáveis histórias por aí. Esta aqui acabou não trazendo novidade ao tema batido.

    🎯 Tema (⭐⭐): percebi ironia e comicidade.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): fiquei frustrado com o final muito em aberto, gostaria de saber mais sobre os motivos da morte do protagonista. Além disso, ele é apenas um expectador da história, não faz nada de útil na trama. Ficaria legal, por exemplo, se ele resolvesse se vingar e só depois descobrir que estava enganado: a viúva não havia traído ele, na verdade havia feito de tudo para evitar que ele morresse. Ou algo assim.

    🤡 #euRi: infelizmente não ri nesse conto 😕

    ⚠️ Nota 6,5

  7. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    17 de agosto de 2017

    Chandler,

    o teu trabalho é mais uma anedota. Não, isso não é ruim. Mas acho que você, na minha opinião, poderia ter trabalhado pelo tríade morte, infidelidade e assassinato. Ficamos com Nestor até o último momento, descobrimos juntos com ele das tramoias da sua mulher Juliana. Porém, no fim, o conto termina muito abrupto. Sem qualquer explicação, sem sequer fechar o arco narrativo.

    Isso me frustrou um pouco.

    No entanto, reconheço uma qualidade de escrita aqui. E ganhou pontos por isso.

  8. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá, Tudo bem?

    No geral eu gostei do seu conto, sinto que o autor(a) resolveu ficar em um lugar mais comum e confortável, mas talvez se tivesse tentando ser mais ousado poderia não ter dado certo( como em vários outros contos que li até o momento).É um conto que agrada, tem uma boa fluidez sem entraves, o personagem é caricato mas simpático, achei graça da situação de como ficamos depois que morrermos no quesito vestuário… ficar pelado pela eternidade? que constrangedor!

    Também há um mistério – que não foi revelado – acho que o autor poderia ter abordado isso, ficou uma situação jogada para preencher espaço, embora a estratégia tenha funcionado para manter o clima de suspense.

    No final ficam as perguntas e se vai o Pobre …. Nú e provavelmente bem encrencado. k

    Parabéns, gostei do conto 🙂

  9. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: a principal ferramenta explorada aqui me parece ser a manutenção do suspense. Partindo disso, o conto se organiza em torno de um fato sem explicação (a aparente morte do protagonista) e tudo que pode ser entendido está no campo da sugestão.
     
    Aspectos subjetivos: mais do que criatividade, percebe-se a habilidade de manter o leitor no aguardo. A tensão nos acompanha do início ao fim – e, nos entremeios, aprendemos a gostar da pobre alma penada, o que é mais um ponto positivo.
     
    Compreensão geral: infelizmente, receio que não sou o melhor leitor de anticlímaxes. Sempre fico com uma sensação ruim quando crio certa expectativa sobre o texto e ela não é sanada (neste caso, muita expectativa foi gerada com todo o mistério). Neste conto, entretanto, esse desapontamento tem uma estreita relação com o próprio objeto da narrativa: a morte. Trata-se de uma maneira de representar o que a morte significa também com o conto: diversos assuntos inacabados e alguma agonia por não poder continuar. Por essa sacada, ganhou mais pontos comigo.

    Parabéns e boa sorte.

  10. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Oi, Chandler Bing!
    Seu conto está bem escrito, obviamente você escreve bem (só precisa de atenção quanto ao uso de vírgulas, aqui, por exemplo: “com mulheres que faziam o que a Juliana se recusava, de pés juntos a fazer”, seria: “com mulheres que faziam o que a Juliana se recusava, de pés juntos, a fazer.”), mas estou com dó do Nestor, morto tão jovem, com uma esposa infiel e um destino incerto.
    Está aí a verdadeira comédia da vida, aquela que tanto tentamos esquecer, mas que um belo dia, nos abraça.
    Olha, o seu conto me levou á uma imensa reflexão, meus parabéns pela criatividade, só acho que poderia ter brincado, se soltado um pouquinho mais, ok?
    Um abraço, nota 7,8.

  11. Anderson Henrique
    15 de agosto de 2017

    Texto ágil, dinâmico. Li bem rápido, sem grandes problemas. O narrador interfere bastante, geralmente trazendo dúvidas, falando diretamente com o leitor. Tem uma outra crítica no texto como as selfies tiradas com o corpo, mas são apenas direcionamentos, sem aprofundamento. Senti falta de desenvolver um pouco mais os motivos do relacionamento fracassado ou mesmo de explicar como foi a morte do protagonista. Achei uma boa sacada o fato dele morrer e se preocupar em estar pelado. Faltou uma vírgula aqui “na se recusava, de pés juntos a fazer.”

  12. Jowilton Amaral da Costa
    15 de agosto de 2017

    Bom conto. O início achei que não iria gostar. Muita conversa com o leitor e tal, mas, depois engrenou e foi ficando engraçado para mim. A parte que ele começou a correr e parou por que tinha muita cosa balançando foi bem engraçado. O final me deixou meio frustrado, tava querendo saber o que a mulher dele e o amigo haviam aprontado. Boa sorte.

  13. Cláudia Cristina Mauro
    14 de agosto de 2017

    A ideia do conto é interessante. O começo do conto prende a atenção ao apresentar o conflito, mas a sensação de previsibilidade quanto a Juliana e o amante, enfraquece o ritmo.
    A visão do personagem sobre si mesmo garante elementos cômicos relevantes. O perfil do personagem se mostra com uma superficialidade em vida e obtuso em espírito, o que torna este perfil positivo e negativo ao mesmo tempo.
    A trama corre mais rápido do que a percepção do personagem sobre a sua situação, gerando leve desarmonia no texto.
    Tem muito uso de pronomes pessoais do caso reto e má colocação pronominal.
    Nota 6.

  14. iolandinhapinheiro
    14 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: Conto muito bom mesmo de ler. Desceu fácil. A história é muito boa e não chateia em momento algum. Fluidez perfeita.

    Graça: Humor sutil. É mais um conto cotidiano do que um conto de comédia, mas é muito bem escrito, dentro do que se propõe que é contar a história do Nestor depois que morre. O autor não é nenhum virtuose mas atinge seus objetivos com muita desenvoltura e o texto ganha o leitor.

    Enredo: Homem de meia idade morre e ganha novas preocupações típicas de quem morreu – estar pelado em público (esta parte eu não entendi muito bem, o que ele fazia pelado fora de casa?); saber se a esposa ia sentir falta dele; para onde ia (céu ou inferno) após a sua morte… O conto é simples, mas muito bom e interessante. Não há nada sobrando e não há nenhum momento de monotonia que dê no leitor aquela vontade de ver o que está passando na tv.

    Tente Outra Vez – Só não ficou perfeito porque eu continuo sem saber o que o cara tá fazendo pelado na rua.

    Impacto: Muito bom. Um conto que eu li com prazer.

  15. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Meu caro Chandler Bing, gostei da sua história. Ela, apesar de não me dar risadas, me fez sorrir algumas vezes. Obrigado por me trazer essa história interessante. Um morto a observar as coisas a acontecerem em sua volta. As dúvidas em relação ao comportamento da sua Juliana e aquele que mesmo se dizia seu amigo, o tal Geraldo. E o final com o anjo a levar o coitado para um lugar não tão agradável… Bacana. Grande abraço.

  16. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Um texto chulo e totalmente sem graça, sem definição de personagens, sem criatividade de narrativa. Um elementar conto do qual você (eu) se arrepende de iniciar (por obrigação dupla) e mais ainda ao terminar. Sem nexo. Não atendeu em nenhum momento o desafio.

    • José Bandeira de Mello
      3 de setembro de 2017

      Chulo eh esse comentario. Penso que o critico deva se tratar antes de tentar nos brindar como novos comentarios eleborados, certamente, sentado nao bem numa mesa de escritorio.

  17. Higor Benízio
    11 de agosto de 2017

    Outra vez uma boa ideia mal executada… Estou me repetindo nesse desafio. Mais uma vez, faltaram as descrições e situações cômicas que um fantasma corno poderia gerar. O fato , pode até ser inusitado, mas a narrativa e os acontecimentos no texto precisam acompanhar

  18. Luis Guilherme
    11 de agosto de 2017

    Boa tarde, amigo, tudo bem?

    Bom, nao posso dizer que achei o conto tão engraçado, mas nao eh ruim.

    A escrita eh divertida e leve. Tem uma fluidez q combina con o genero. O problema, pra mim, eh o desfecho. Confesso q tava bem curioso, tanto sobre a juliana, quanto sobre oq aconteceria com ele no pós morte. Voce foi bem em criar essa expectativa. Mas então, do nada, a historia acaba. E nao entrega nada disso. Achei meio frustrante.

    Acho q o fim era a hr de ter alguma reviravolta q desse o tom de humor, sei la.

    Achei q acabou ficando ate um pouco tragica a situaçao, com a mulher e o amigo do cara ficando juntos enquanto ele assiste.

    Enfim, acho q pecou no humor. Nao te crucifico por isso. Sei o qto eh difícil escrever comedia, e meu proprio conto nao ficou tao engraçado.

    Enfim, tem potencial, a escrita eh legal e prazerosa, mas acabou criando expectativas q nao cumpriu, e isso prejudicou a graça.

    Parabens e boa sorte!

  19. Catarina Cunha
    11 de agosto de 2017

    Ops… “subto” leia-se “súbito”

  20. Catarina Cunha
    11 de agosto de 2017

    O conto linear explora clichês bem conhecidos: machista e corno morto assiste a própria morte e não sabe se vai para o céu ou inferno. O texto flui bem e temos um conto totalmente aberto: Morreu de que? Foi infarto ou homicídio? Se foi, quem foi? E o rapaz levou ele pra onde? Para o céu? Inferno? Nunca saberei. Melhor eu mesma concluir. Final aberto é bom, mas exige um clímax mais intenso para funcionar.

    Frase auge: “Pra que serve ter uma mulher se não é pra ela se descabelar quando a gente morre?” – Brilhante tradução da personalidade do homem. O babaca se achando e ao mesmo tempo rola um autoflagelo. Aqui, mesmo em primeira pessoa, percebo que o autor fez o personagem machista, mas que se questiona diante dos fatos. Há um contra ponto.

    Sugestão:

    Criar um envolvimento maior com a situação clímax, que seria o encontro dele com a esposa e Geraldo, gerando quase um embate com o corte subto para o rapaz. .

  21. Fabio Baptista
    11 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Não vi a graça que se espera num conto de comédia.

    O conto não é sem graça (no sentido de sem sal), é até legalzinho, mas não parece ter sido planejado para o humor.

    – mas quem nunca?
    >>> esses jargõezinhos são meu ponto fraco rsrs

    – ter me feito baixinho, com tendência prematura a calvície, com um senso de humor defasado e gosto duvidoso para música
    >>> com exceção ao gosto duvidoso pra música…. #superMeIdentifiquei 😦

    – Pra que serve ter uma mulher se não é pra ela se descabelar quando a gente morre?
    >>> eis a questão! rsrs

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    A leitura é bem simples e direta. Isso torna a leitura ágil e não dá tempo de dispersar.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************

    A trama é meio batida (Ghost?), mas não tenho muitos problemas quanto a isso.
    Durante a história o autor até cria certas situações interessantes e insere alguns elementos que despertam a curiosidade (o que a mulher enterrou ali, afinal?).

    Porém, o desfecho deixa muitas pontas soltas e acaba frustrando.

    – parece que eu fiz xixi na calça
    >>> ué… não tava pelado?

    – Nunca fui bom com argumentos lógicos.
    >>> essa informação teria mais peso se em algum ponto anterior houvesse alguma dica nesse sentido.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Não consegui visualizar muito bem os cenários em que a história se passava.

    O protagonista/narrador não é chato, mas também não foi dos mais marcantes.

    A esposa poderia ter alguma característica peculiar, algum cacuete de linguagem, ou mostrar-se mais cruel.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************

    Então… eu não curto muito narrativas no tempo presente, ainda mais quando é em primeira pessoa.
    Está bem na gramática. A narrativa é demasiadamente simples… embora isso deixe o texto bastante fluido (o que é bom), acaba concentrando todo o fator gostar/não gostar para a história (tipo… às vezes a história nem é tão boa, mas de tão bem escrita a gente acaba gostando).

    – faziam o que a Juliana se recusava, de pés juntos a fazer
    >>> não entendi o sentido desse “de pés juntos”

    – quase feliz por não ter que salvar mais uma vida hoje
    >>> aqui poderia ter feito alguma piada e relação ao trabalho do cara, tipo “com preguiça de ligar o desfibrilador”, sei lá.

    – De certo
    >>> Decerto

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Não vi muitos elentos de comédia, não.

    NOTA: 7

  22. Anorkinda Neide
    10 de agosto de 2017

    Super engraçados os pensamentos e dúvidas dele… haha gostei muito!
    O texto e ótimo, leve e vai criando curiosidade, prendendo o leitor.
    Vc é dos bons! (ou boas)
    Mas.. volte aqui e termine essa bagaça 🙂
    Tá aberto demais, nao vou dormir hj pensando no que essa esposa rolicinha ae fez!
    Não vou sequer conseguir pensar em uma nota pra te dar.. só aviso!
    Abraço e risadas

  23. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Não foi um texto engraçado, e fiquei me perguntando o que a Juliana estaria enterrando quando o morto chegou. Entendo que a morte deixa muitas coisas por esclarecer, mas acho que foi inconclusivo demais.

  24. José Bandeira de Mello
    9 de agosto de 2017

    Conto gostoso de ler. Escrita rápida, palavras faceis e bem compostas.
    A leitura me prendeu ate o fim. Tema um tanto batido mas que valeu pela leveza Não vi erros de portugues. Nao senti nenhuma característica de comédia. Nem quando o autor poderia criar algum momento de humor o fez. Ficamos então num romance que se desfez com a morte do protagonista.. .sabe-se lá Deus por que motivos. O final ficou confuso. Não entendi a piadinha do anjo que encerrou o conto. O saldo eh de mediano para bom.

  25. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de agosto de 2017

    Muito bom! Apesar de falar de morte, é um texto inteiramente vivo. Prende o leitor o tempo todo, incrível! Cômica a situação do “defunto Nestor” se preocupar com o fato de estar “peladão” naquele caos. Descrição perfeita, linguagem perfeita. Engraçada a “cisma confirmada” do affair entre Juliana e Geraldo(ão). Texto que diverte, leve, delicioso. Escrita fluida, lógica, enredo muito bem costurado. Parabéns, Chandler Bing!

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2 e marcado .