EntreContos

Literatura que desafia.

Frescão (Marco Piscies)

A madrugada nascia em tons de branco e preto. Dentro do quarto, as pás do ventilador giravam lentas, quase sem produzir vento algum. Sua rotação arrastada era uma canção de ninar para o homem atribulado que dormia sobre a cama.

Júlio acordou com o despertador vintage que descansava sobre o seu criado-mudo. Após desligar o alarme, tentou esquecer que havia acordado, mas a tarefa era impossível: ainda que as pálpebras pesassem toneladas, não conseguiria retornar à paz anterior. Levantou-se; um morto-vivo. A noite passada havia sido corrida; cansativa.

Vestiu a roupa. Escovou os dentes. Arrumou a mochila. Em quinze minutos trancava a porta de casa e caminhava até o ponto de ônibus, parcialmente cegado pelo sol da manhã. Os olhos perdidos e as bolsas que se estendiam abaixo deles faziam as pessoas ao redor se perguntarem se finalmente o apocalipse zumbi era uma realidade.

Júlio prometeu a si mesmo que nunca mais jogaria League of Legends até as três da manhã.

Passados poucos minutos, o frescão surgiu no horizonte ondulante.

*****************************

Pausa para uma breve definição de “Frescão”

Transporte público equipado com aparelho de ar-condicionado, climatizado para proteger os seus passageiros do calor lá fora, muitas vezes sujeitando os mesmos a temperaturas tão baixas que o incômodo, quer dentro, quer fora, torna-se o mesmo.

O passageiro de um Frescão, por ter pago o triplo do valor da passagem convencional, ganha o direito de olhar com desdém para os usuários dos transportes públicos convencionais, avistados pela janela, como se todos não pertencessem, afinal, exatamente à mesma manada.

*****************************

Júlio ajeitou o banco macio do frescão, deitando o corpo em um ângulo confortável para o sono. Encontrou resistência nos joelhos do homem que sentava logo atrás, mas insistiu até que cedesse. Foi mal, mas hoje não vou ser educado, ele pensou, questão de sobrevivência. Fechou os olhos e mergulhou em um sono profundo imediatamente.

Minutos depois, um som cataclísmico acordou-o de supetão. Eram os anjos e suas trombetas anunciando o apocalipse. Júlio abriu os olhos sobressaltado, chutando o banco da frente por reflexo. A passageira ao seu lado fingiu que nada viu. Levou um segundo para lembrar de que se encontrava dentro do ônibus a caminho do trabalho. No segundo seguinte, foi novamente agraciado pelo anúncio do fim dos tempos: o verdadeiro armagedom bíblico encarnado no roncar de um dos passageiros do frescão.

Cada ronco fazia o ônibus tremer.

Aqui e ali, algumas risadas contidas nasciam espontâneas. Olhando ao redor, foi fácil identificar a origem dos terremotos: uma mulher esbelta, vestida com roupas finas e muito bem maquiada, tinha a cabeça jogada para trás e a boca escancarada apontando para o teto. Engoliu algo que a incomodou por algum tempo, remexeu-se de um lado para o outro, então voltou a roncar com força renovada.

Era o fim. Não havia esperança de voltar a dormir; não com aquela sinfonia fazendo as vezes de acalanto. Júlio passaria o resto do dia procurando pelo sono perdido.

Com um suspiro, limitou-se a observar a paisagem que corria pela janela. Parte do vidro estava embaçado pelo vento gélido que soprava no sistema de refrigeração, mas o restante ainda era transparente o suficiente para que ele acompanhasse o percurso. Um ônibus convencional atravessou o seu campo de visão. As pessoas lá dentro, a grande maioria em pé, com seus semblantes tristonhos, seus olhares vazios e o suor escapando pelos poros, fitavam os passageiros do frescão com indiferença. As cabeças balançavam ao ritmo da grande caixa de metal, singrando a estrada bem acima do limite de velocidade.

Subiam a ponte Rio-Niterói.

O Rio de Janeiro fritava em uma frigideira. O óleo era a Baía de Guanabara. O sol brilhava com tanta força que traçava uma linha dourada nas águas da baía, destacando-se por entre uma miríade de embarcações espalhadas até o horizonte.

A passageira sentada ao seu lado buscou um casaco dentro da bolsa. Vestiu-o, mas continuou com frio, então esfregou os braços para destilar algum calor com o atrito. Júlio não sentia o frio que ela sentia. Mulheres têm pele mais fina, ele pensava, mas parte do seu raciocínio apontava que ele provavelmente havia adquirido certa resistência glacial após uma década de viagens diárias usando aquele tipo de transporte. Processo evolucionário, ele pensou novamente. Sobrevivência daqueles que se adaptam.

Aquela mulher certamente não sobreviveria se dependesse do mesmo processo. Júlio suspeitou que os lábios dela começavam a arroxear. Após outras tentativas vãs de tentar se aquecer, a passageira se levantou e andou pelo corredor na direção do motorista.

Ah não, ela vai falar com o motorista.

Aquela mulher claramente não entendia de frescões; era marinheira de primeira viagem. Havia uma regra clara, infalível apesar de jamais ter sido escrita, que rezava:

Por direito, o portador do controle do ar-condicionado é o motorista, e ele sempre escolherá a menor temperatura disponível, não importando as circunstâncias. Variáveis como clima externo, temperatura interna ou reclamações de passageiros serão ignoradas. Sempre.

Júlio tentava imaginar o quanto as montadoras economizariam em peças e tempo de fabricação se os engenheiros criassem ônibus com apenas uma opção de temperatura. Talvez, algum dia, levaria o projeto até uma fábrica e ficaria rico.

Havia uma outra regra um tanto clara (e ele tinha certeza de que isto estava escrito em algum lugar) que dizia que nunca se deve falar com o motorista de um ônibus.

– Motorista – a mulher indagou, com a voz propositadamente alta, afim de tentar angariar o apoio dos passageiros que a ouviam – não tem como diminuir a temperatura desse ar-condicionado aí não?

Um ou outro grunhido em concordância surgiu no meio do ônibus, mas a maioria apenas esperou pela resposta do condutor. Quando o motorista falou, uma voz feminina e autoritária fez-se ouvir.

– Normas da empresa, senhora. Não posso desligar o ar-condicionado.

Fudeu, é motorista mulher, ele pensou. Achou que até a conhecia de vista, afinal, motoristas de ônibus do sexo feminino eram raras. Para dizer a verdade, ele gostava mais delas: geralmente a viagem era mais curta, e elas pareciam manejar o volante com mais segurança, além de serem menos ansiosas com o pé do freio, o que resultava em menos solavancos desnecessários. Alguns motoristas gostavam de tentar fazer milk-shakes com os passageiros que viajavam de pé, mas nunca as mulheres.

O problema ali não era esse. O problema era que ela era uma mulher sendo indagada por outra mulher.

– Não pedi para desligar, só pedi para diminuir.

– O ar já está no mínimo. Quer que eu diminua mais?

– Diminuir no sentido de aumentar, caramba.

– Pois a senhora se decida!

Alguns passageiros – sempre havia aquele tipo, mesmo em frescões – só queriam ver o mundo pegar fogo.

“Iauu”, um deles provocou.

“Uii! Agora deu ruim”, o outro acompanhou, acotovelando o amigo ao lado.

A passageira respirou fundo antes de responder.

– Poderia, por favor, aumentar a temperatura do ar-condicionado? Está muito frio aqui dentro.

– Olha só aquele sol, minha filha – a motorista apontou para a bola de fogo incandescente no céu – olha só praquilo. Tem certeza de que tá frio?

– Aqui dentro está!

– Não posso fazer nada pela senhora.

– Então me deixa sair, por favor.

– Estamos na ponte, minha senhora.

– Eu quero sair! Eu quero sair!

Agora lascou de vez, a mulher entrou em parafuso. A passageira esperneava, gritando para que a deixasse sair. Alguém tentou levantar para acalmá-la, mas ela rechaçou a ajuda com um tapa. Por sorte – ou não – o ônibus passava por uma das áreas de refúgio da ponte. A motorista jogou a condução para o lado de qualquer jeito, aparentemente tentando fazer o famoso milk-shake de gente que seus amigos do sexo masculino eram tão experientes em produzir, e parou a condução no refúgio. Os passageiros que estavam de pé gemeram de dor ou de susto. A porta de saída abriu com um chiado.

– Pronto, pode sair.

“Tá maluca motorista”, alguém gritou, “se deixar ela aí você vai presa!”

“Porrada! Porrada!”, os dois amigos continuavam a se acotovelar em meio a risadas.

“Porra eu só quero trabalhar, minha filha, aguenta o frio aí”

Vai sair ou não vai, ein? Se decida! – a motorista levantou do próprio assento, encarando de frente a sua desafiante.

Enquanto esperavam a resposta da passageira, em meio aos burburinhos crescentes, um homem virou-se para trás e falou com o primeiro passageiro em que bateu os olhos. Por azar, este era Júlio.

– Aí, cara, essa aí não é a Rólirrou não?

– Rólioquê?

– Rólirrou, aquela que luta MMA.

– Você diz… a mulher que está pedindo pra aumentar a temperatura? Aquela que está esperneando? Ela luta MMA?

– Não né. Essa aí é pinóia. Tô falando da motorista.

Outro homem, do outro lado do corredor, entrou na conversa.

– Ela tá mais pra Mienchas Teta.

– Que isso meu jovem – um terceiro se pronunciou – tem criança no ônibus.

O homem diante de Júlio falou consigo mesmo, antes de se acomodar novamente no seu assento:

– Sei lá, maluco, só sei que o braço dela dá a minha coxa.

Júlio reparou nos músculos retesados da motorista e constatou que ela realmente não se distanciava tanto assim de uma lutadora profissional. A passageira, intimidada, olhou para a porta aberta e então, iluminada por uma sensatez repentina, voltou a caminhar pelo corredor, de volta ao assento. As provocações silenciaram. A motorista voltou para o seu lugar, vomitando impropérios.

– Porra, como pode uma coisa dessas, vai se ferrar – ela cuspia – manhã bonita dessas, reclamando do frio, como pode, aturar essa merda…

O ônibus arrancou repentino, colando Júlio no assento, e jogando os em pé para trás, incrementando o milk-shake. A mistura de cabelos, mochilas e mãos-bobas no corredor da condução aumentava. A mulher manejou o câmbio com desdém típico de todos os motoristas de ônibus – como se o manche fosse o catalisador de toda a sua ira – e acelerou com um solavanco ainda mais forte na terceira marcha.

“Olha só motorista”, um homem gritou, furioso, “acho que você está muito irritada para dirigir. Está pondo a vida de todos nós em risco. Vou ligar pra central”.

O ônibus parou em tempo recorde, e por pouco não causou um acidente. No meio da ponte Rio-Niterói, a mulher afundou o pé no freio, e se levantou para olhar para trás. O milk-shake de gente estava completo: alguns em pé, quase todos caídos. Uma senhora reclamava de dores nas costas.

– Quem foi que falou isso?

Silêncio.

O homem diante de Júlio gritou, sem fazer questão de se identificar:

“Porrada nele, Rólirrou!”

E ainda outro:

“Filho da puta, fica quieto pra não arranjar confusão. Só quero chegar no trabalho! Deixa a mulher dirigir, por tudo que é sagrado!”

Dezenas de afirmações solidárias apoiaram o passageiro sincero. O infeliz que reclamara aparentemente havia perdido a coragem, e agora permanecia calado. A motorista observou enquanto os passageiros em pé no corredor se recuperavam da queda, então observou mais um pouco, os olhos finos e desconfiados. Por fim desistiu, voltou ao assento e seguiu viagem. Cada nova marcha, um novo solavanco.

Chegaram ao ponto final sem mais problemas, exceto a certeza que Júlio tinha de que alguns dos passageiros em pé deveriam marcar imediatamente uma consulta a um ortopedista. Alguns agradeciam pela viagem ao saírem do transporte – para ele, faziam mais por medo do que por costume.

A vantagem daquilo tudo foi que o sono fugiu, e só voltaria após o horário do almoço. Júlio desceu do ônibus pronto para mais um dia feliz de trabalho.

Ou não.

E na ouvidoria da empresa de ônibus, nenhum telefone tocou a manhã inteira.

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23 comentários em “Frescão (Marco Piscies)

  1. Priscila Pereira
    31 de agosto de 2017

    Olá Cauá!
    Muito bom o seu conto… bem escrito e bem humorado. Mas, achei desnecessária toda a introdução sobre o moço, já que o texto claramente é sobre o ônibus. No mais está muito bom mesmo.. Parabéns!!

  2. Roselaine Hahn
    29 de agosto de 2017

    Olá autor, li o seu conto com peninha, pois já sabemos que ele não se classificou. Puta injustiça, sem desmerecer os classificados. Eu, se fosse você, partia pra porrada, porrada Rólirrou! Eu me diverti lendo a história do Júlio, e a motorista do buzu ficou muita engraçada. Abçs.

  3. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Cauá,

    Apesar de perceber que você tem talento para escrever, conseguindo alternar as diversas cenas da sua história com equilíbrio, infelizmente não gostei tanto da sua história. Achei que a história passou mas não disse a que veio. O cara acordou cansado, foi pro trabalho, houve uma treta no ônibus e a vida seguiu. Sei que é uma simplificação e que deve ter dado trabalho escrever o seu conto, mas a verdade é que não curti muito. E não digo apenas com relação ao humor. Achei a história divertida e leve, mas não engraçada, ainda assim, senti que faltou uma mensagem, ou um desfecho melhor para a sua narrativa. Essa é apenas a minha opinião. Boa sorte no desafio.

  4. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    18 de agosto de 2017

    Gostei muito desse conto.

    A escrita é impecável e toda a situação narrativa é muito boa. Haha.

    A pausa para a descrição do frescão ficou sensacional.

    Enfim, sou só elogios para esse aqui.

    Parabéns

  5. Leo Jardim
    18 de agosto de 2017

    Frescão (Cauá Moesa)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): muito simples. Narra apenas uma viagem “comum” num ônibus carioca. Já vi confusões, salvo certos exageros, bem parecidas. Um ponto que no fim me incomodou é que o protagonista acaba sendo um mero espectador do conto, não tem participação ativa. Isso enfraquece a trama. E junto a sua simplicidade, infelizmente tive que remover estrelas desse quesito.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): muito boa, escrita profissional. Diálogo bem conduzido e cenas bastante nítidas. Não é daqueles textos recheados de figuras de linguagem, mas dá gosto de ler.

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): uma cena comum, mas narrada com grande personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): está adequado.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐⭐▫): final simples, acabou que tudo se resolveu como o esperado, mas é um conto bastante divertido. Durante vários anos fiz como Luís: atravessei a Ponte num frescão complementando o meu sono. E também sacodi em pé e amassado em uma caixa de metal motorizada. Por isso, esse conto me “pegou”. Li ele inteiro com um sorriso no rosto e me arrancou uma risada alta enquanto eu lia no metrô e é isso que procuro neste desafio.

    🤡 #euRi:

    ▪ Alguns motoristas gostavam de tentar fazer milk-shakes com os passageiros que viajavam de pé 😃 (muito carioca isso)

    ▪ “Iauu”, um deles provocou 😆 (muito quinta série isso)

    ▪ alguns dos passageiros em pé deveriam marcar imediatamente uma consulta a um ortopedista 😃

    ⚠️ Nota 8,0

  6. Jowilton Amaral da Costa
    17 de agosto de 2017

    Bom conto/crônica. Divertido, bem escrito e bem narrado, não percebi erros. Já peguei algumas vezes o frescão quando morei no Rio e em Salvador, o ar-condicionado realmente funciona nestes veículos, kkkkkk. O texto contém muitas situações engraçadas com boas descrições de cenas. Boa sorte.

  7. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Bah que conto doido, rs inusitado, no mínimo. Quando ‘’ embarquei” nessa historia imaginei coisas bem diferentes.

    Achei curioso esse ônibus e suas regras, gostaria que tivesse um desses por qui, ninguém ia reclamar no frio, quando lá fora é uma amostra do inferno =/

    Mas voltando ao conto, eu fiquei meio sem saber qual é a dele exatamente, há toda uma ambientação, boas descrições, ótimas aliás, a narrativa tem fluidez, tudo parece ir muito bem, mas é só isso… Depois vem uma mulher reclamar do frio, uma discussão, uma motorista locona nos paranauê e fim.

    Não deu pra achar graça, fiquei na dúvida se trata de uma situação que só um carioca poderia achar, por viver essa ocasião uma vez ou outra, não sei. Se for falar da qualidade do texto eu diria que ele está perfeito, mas comédia,comédia… Não funcionou muito bem para mim, mas acredito que isso esteja longe de ser uma unanimidade.

    Boa sorte no desafio.

  8. Cláudia Cristina Mauro
    16 de agosto de 2017

    O texto se mostrou enfadonho, melhorou com o uso dos diálogos, porém manteve a falta de vivacidade.
    O protagonista não prende a atenção, não assume o seu lugar na trama, parecendo um mero espectador. Pode ter sido esta a intenção, mas desse modo outros personagens que eram interessantes, poderiam ter sido mais explorados. Situações são trazidas por eles, mas são concluídas rápidas e fáceis demais.
    As interações entre os passageiros geraram os conflitos que possuíam os elementos cômicos a serem explorados, mas isto não ocorreu. Até o protagonista, como mero espectador, podia trazer um olhar cômico sobre a situação. Infelizmente, ele apenas repassa as informações concernentes aos conflitos.
    Nota 5.

  9. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: o conto demora um pouco a engatar a marcha cômica – acredito que ela só venha a se apresentar mesmo no momento da explicação do que seria o “Frescão”. A partir daí, mantém o tom sarcástico, evidenciando o lado mais primal do humano e propondo o riso através da identificação.
     
    Aspectos subjetivos: quem nunca acordou zumbizando por ter dormido tarde que atire a primeira pedra no protagonista. Esse fato é legal para o conto porque introduz a trajetória do ônibus quase como um sonho. É como se ele não soubesse definir bem o que era realidade naquele momento e fosse despertando aos poucos.
     
    Compreensão geral: como demais contos que tomam o cotidiano por pano de fundo, senti que a comicidade está diretamente ligada à identificação do leitor com o que se passa. Para quem está acostumado ao transporte público, consegue assimilar com muita facilidade a situação descrita, e quando percebemos que não somos os únicos a reparar nesse tipo de coisa, o riso vem fácil.

    Parabéns e boa sorte.

  10. Anderson Henrique
    16 de agosto de 2017

    Um boa crônica, o tom constante durante toda a narrativa, com exceção, talvez, dos primeiros parágrafos, que me pareceram um tanto dramático. Em compensação, considerei que estavam refletindo o humor do protagonista ao levantar depois de horas de LOL (apesar da terceira pessoa). Quem já viajou de frescão fatalmente se identificou com diversas das situações que você apresentou. Um bom recorte do cotidiano.

  11. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Excelente viagem, Cauá Moesa! Literalmente hahaha.
    Você escreve muito bem, a leitura flui num ritmo ótimo, e por vezes tive a impressão de que já andei nesse Frescão aqui pelo Rio, você descreveu de forma fidedigna o cotidiano dos “privilegiados” que se dão ao luxo de morrer de frio, ops, andar no frescão, que às vezes também fica quentão, e agora acho que já sei de quem é a culpa rs.
    Senti falta de uma boa revisão, meu caro(a).
    Meus parabéns pela bela participação.
    Minha nota é 9,5

  12. iolandinhapinheiro
    15 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: O conto é bem escrito e este é o primeiro ingrediente para que ele tenha fluência. A história gera identificação com o leitor (quem nunca sofreu dentro de um transporte coletivo (frescão ou quente?). Não tive muito problemas nem para ler e nem para entender.

    Graça: O autor cria diversas situações que deveriam criar humor no conto, e, talvez isso realmente funcione, comigo não funcionou. Gente roncando, briga entre motorista e passageiros, motorista freando o veículo para derrubar passageiros, gente colocando lenha na fogueira para provocar confusão, isso raramente me faz rir, apenas aborrece. Então acho que não é justo tirar pontos pela falta de graça, porque não foi por falta de criatividade ou má condução da trama que vc falhou comigo, mas por puro gosto pessoal. Mas eu não ri nem um pouquinho.

    Enredo: Um garoto acorda para ir ao trabalho e pega o ônibus. Lá dentro as relações dos passageiros entre si e com a motorista estão, constantemente, em conflito, e a trama se dirige para um desfecho dramático que, afinal, não ocorre por conta da covardia dos passageiros. A história é simples mas o autor possui um boa habilidade em conduzir o conto, criando situações interessantes e que, de fato, ocorrem em viagens assim. A escrita é muito boa.

    Tente outra vez: Eu só não colocaria a história dos roncos, ficou ruim, principalmente a comparação dos roncos da senhora com as trombetas do apocalipse.

    Impacto: Mediano para bom. Sem graça mas muito bem escrito.

  13. Anorkinda Neide
    14 de agosto de 2017

    Olá!
    Não vou te dizer que esteja ruim.. não.. o conto flui, a escrita é boa, mas a mágica não aconteceu, sabe como é?
    Acho que as frases ‘cômicas’ foram forçadas, caiu naquela armadilha que, infelizmente, tanto falamos no grupo… não tiveram graça 😦
    Achei tb que ficou estranho falar tanto que mulher dirige com tanta leveza e dae já passar para a Rollirou e sua truculência, não ficou uma passagem bem feita, de um fato para o outro, sabe?
    E no fim, a história não levou a lugar nenhum, só mesmo um pequeno contratempo na ida ao trabalho. Não que precise-se de grandes eventos para contar uma historia, mas não achei interessante que contaste, sinto muitíssimo, pq acho q sei quem és e eu queria ter gostado mais disto aqui! rsrs
    Bjão

  14. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Olá, Cauá Moesa, seu conto me trouxe risos e isto, para um desafio de comédia é algo verdadeiramente bacana, não é mesmo? Sim, gostei bastante, e por vários motivos, da sua história no frescão na Ponte. O primeiro é que está realmente muito bem narrada. O segundo é que você soube explorar muito bem os personagens, principalmente a motorista enfezada e a mocinha do frio. Terceiramente que algumas cenas estão mesmo bem gozadas. Há outro motivo e este eu diria que se trata de uma questão um tanto quanto sentimental. É que moro em Niterói e trabalho no Rio. Por mais de 30 anos atravessei e atravesso a ponte, quase que diariamente nos frescões, primeiro da Estamaute, depois da Normandy e de uns anos pra cá da 1001. É capaz de manjar então a carga de emoção que a sua história me trouxe? Nada é perfeito e não irei tirar ponto por isto, eis que entendi o seu proceder como uma bela de uma licença poética, mas desde há muitos anos esses tipos de ônibus chamados frescões, na Ponte, pelo menos esses que utilizo e que saem de Niterói, não podem transportar passageiros de pé. Bem, Cauá Moesa, você mandou tremendamente bem. Valeu demais ler o seu conto. Grande abraço.

  15. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Um texto que poderia ser melhor sem ficar descrevendo determinadas ações antes que elas acontecessem. Ou seja, escreva o que está acontecendo no momento e não fazer previsões do que pode ocorrer e, mais ainda e infelizmente, acontece do jeito que se escreveu ou descreveu antes. Um texto cansativo, mas que o conteúdo poderia ter sido melhor trabalhado. Confusão é sempre motivo de risos, quedas e xingamentos também, mas não os encontrei em nenhum momento. Uma pena. Não cumpriu o compromisso de fazer sorrir.

  16. Higor Benízio
    11 de agosto de 2017

    A frase final foi genial, retrata bem o brasileiro, como o conto, no geral. Mas faltou o toque que foge do usual e arranca um risinho do leitor. Só isso. Ar de ônibus é sempre assim, o que causa uma identificação quase imediata, que poeeria ter sido melhor desenvolvida no que diz respeito a comédia

  17. Catarina Cunha
    11 de agosto de 2017

    Um conto do cotidiano bem escrito com algumas leves pitadas de humor. Se o desafio fosse “cotidiano” e não “comédia” eu teria gostado mais.

    Frase auge: “Os olhos perdidos e as bolsas que se estendiam abaixo deles faziam as pessoas ao redor se perguntarem se finalmente o apocalipse zumbi era uma realidade.” – Cada vez mais temos essa desconfiança, principalmente com os mais jovens.

    Sugestão:

    Trabalhar mais esse tom melancólico e equilibrado. A comédia pede cenas mais extremas.

  18. Luis Guilherme
    11 de agosto de 2017

    Taarde, td bem?

    Olha, o conto eh bom! Tem uma forma de humor meio natural, e por isso nao precisa apelar pra piadas forçadas nem nada. Gostei.

    Abordando uma situação do dia a dia, o enredo se constroi sobre uma simples viagem. Nada de aventuras mirabolantes.

    Isso sempre acaba funcionando no genero de humor, afinal, tem coisa mais engraçada q nosso dia a dia de pobre? Ehehhe

    A escrita eh segura e leve, sem entraves. Nao notei problemas gramaticais nem estruturais.

    A construçao de dialogos eh habilidosa.

    Enfim, eh um conto legal, baseado numa situaçao do cotidiano ridicularizada, q aposta nima escrita com tom divertido, sem fazer gracinhas.

    Parabéns e boa sorte!

  19. José Bandeira de Mello
    10 de agosto de 2017

    Situação cômica dentro de um hipotético ônibus. A caricatura da motorista irritadiça, e dos passageiros precisaram ser exagerados em demasia para justificar a situação descrita pelo autor. Porém perdeu a credibilidade e se afastou do real. Embora escrito de forma agradável, acho que o autor conduziu o conto para ser engraçado cem por cento e então perdeu a mão. Algumas passagens poderiam ser suprimidas para que o texto ganhasse semelhança com o cotidiano real. São nesses momentos que um conto ganha graça.

  20. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Não é fácil ser motorista de busão. Se está ruim no frescão, avalia no lotadão!

    Uma situação bem corriqueira, que me fez lembrar de umas viagens de ônibus com passageiros cheios de frescura. Não foi engraçado, mas gostei da escolha do tema.

  21. Regina Ruth Rincon Caires
    7 de agosto de 2017

    Um texto completamente irônico. Muito bem escrito, cheio de reflexões, ainda que levemente dissimuladas. Narrativa lógica, interessantíssima, leitura prazerosa. Diálogos engraçados. Quem não presenciou uma discussão entre passageiro e motorista?! Confesso que fico apreensiva, mas sempre fico no aguardo do desfecho! E o desfecho, aqui, foi também irônico. O telefone não tocou. Texto muito bom! Parabéns, Cauá Moesa!

  22. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    É um conto divertido na maior parte do tempo. A situação em si é muito engraçada, me deu até uma saudade da época em que eu pegava ônibus pra ir

    pra escola (mas passou bem rapidinho rsrs). Sempre rolava esse tipo de confusão, não por causa de ar-condicionado, que nem existia na época, mas

    por parar fora do ponto, passageiro não conseguir descer devido à muvuca, etc.

    Com a profusão de piadas, é normal que uma seja mais engraçada e outra fique meio sem graça. mas o importante é que o saldo foi positivo, apesar

    que fiquei com a sensação de que poderia ter sido melhor (mais ou menos como no último filme do Spider-man).

    – apocalipse zumbi era uma realidade
    >>> apelou pro emocional, não tem como não rir! rsrs

    – Fudeu, é motorista mulher, ele pensou
    >>> kkkkkkkkkkkkkk

    – Mienchas Teta
    >>> kkkkkkk

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Prendeu a atenção o tempo todo, não pela história, mas pela diversão mesmo.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    O ponto fraco do conto, praticamente não há um enredo, apenas situações aleatórias que vão surgindo na cara do protagonista (na verdade, um mero

    espectador).

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Retrato perfeito do transporte público. Personagens muito críveis.
    Só achei que forçou a barra ao sugerir que a mulher era lutadora de MMA.

    Há um pouco de politicamente incorreto aí, sugerindo que as mulheres são muito competitivas entre elas e tal. Eu gostei pacas, porque a realidade é essa aí mesmo! HAHUAUHAUHA

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Bem escrito dentro da proposta, linguagem simples, sem brilho estático, mas que cumpre muito bem o papel de fazer o texto fluir de forma

    divertida. Só encontrei esse lapso de revisão:

    – afim de tentar
    >>> a fim

    Como dica, eu só recomendaria tomar cuidado com a quantidade de “que”s. É algo que tenho me policiado ultimamente e agora isso está me saltando

    bastante aos olhos durante as leituras.

    Exemplos:
    – pelo vento gélido que soprava
    >>> pelo vento gélido soprando

    – o suficiente para que ele acompanhasse
    >>> o suficiente para ele acompanhar

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Perfeitamente adequado.

    NOTA: 8,5

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2 e marcado .