EntreContos

Literatura que desafia.

Humilhação (Juliana Calafange)

A mulher chega em casa cabisbaixa, escondendo o rosto entre as mãos, se tranca no quarto sem dizer palavra. Seu Geraldo fica intrigado, nunca viu a esposa entrar em casa desse jeito. Tirando aquela vez em que ele deu razão à mãe quanto ao fato de o primogênito não poder se chamar Vitraldo, mesmo significando a engenhosa união de seus lindos nomes, Vitória nunca mais tinha se trancado no quarto. E isso já faz mais de 20 anos!

Ele bate na porta. A esposa apenas grita lá de dentro que não quer falar com ninguém.

– Mas meu bem, me diga o que houve.

Silêncio.

– Foi alguma coisa que eu fiz?

Nada.

– Alguma coisa que eu esqueci de fazer?

Nenhuma resposta. Parece que é sério, melhor deixar. Pelo menos não é bronca comigo, pensa.

Mas o fato é que as horas se passam, já vai dando tempo de o almoço sair, e nada da Dona Vitória abrir aquela bendita porta e ir preparar a comida. Seu Geraldo começa a ficar impaciente. Volta lá, bate de novo.

– Você esta passando bem? Não vai preparar o almoço?

Diante da mudez insistente, o marido começa agora é a ficar indignado. Que diabos! O que pode ter acontecido que ela não quer me contar? Boa coisa é que não foi, senão já tinha saído daí pra fazer minha comida.

– Olha! – diz ele, batendo outra vez na porta do quarto – Eu não tenho dinheiro pra ficar pedindo o almoço por delivery!

Em troca, só silêncio. Mas o que é que deu nessa mulher? Não foi briga com o Geraldo Júnior, que eu falei com ele agora de manhã e estava tudo bem.  Nessas alturas da vida, ela está me escondendo o quê, meu Deus?! A cabeça de Seu Geraldo foi dando volta e ele foi ficando enfurecido, já sentindo o sangue esquentar nas veias. Esmurra a porta do quarto.  

– Deixa de ser infantil! Sai daí e vem logo preparar minha comida, mulher! Já estou ficando irritado com isso!…

Um barulho no trinco, a maçaneta se move. Dona Vitória sai andando devagar, olhando pro chão, em direção à cozinha. Ele percebe que o rosto da esposa está vermelho e um pouco inchado, só do lado esquerdo. Franze a testa, daquele seu jeito de franzir a testa quando não consegue decifrar alguma coisa. Ele costuma usar essa mesma expressão, por exemplo, quando está fazendo palavras cruzadas. Vai atrás da mulher na cozinha. Exige explicações. Que cara vermelha é essa? Já está imaginando mil coisas, quando Dona Vitória finalmente confessa:

– Levei um tabefe, pronto! É isso que você queria saber? – diz, ainda de cabeça baixa, começando a descascar umas batatas.

– Como assim, levou um tabefe? Onde? De quem?

Dona Vitória suspira. Não queria falar no assunto, mas o homem bufa ao seu lado. Ela, que o conhece tão bem há mais de 30 anos, sabe que não adianta retrucar.

– Uma velha doida. Passei por ela na rua e ela me deu um tapão.

Após um átimo de espanto, Seu Geraldo dispara:

– E você deixou?!

– Geraldo, a mulher é maluca! Quando eu percebi já tinha me batido…

– Como assim, sua tonta?!  – diz Seu Geraldo, ainda entre a indignação e a irritação, mas já com uma pontinha de incredulidade – E você não viu que ela ia te bater, Vitória?

A mulher suspira, constrangida, agora picando as cebolas.

– Geraldo, já não basta a vergonha que eu senti? Se não fossem umas moçinhas que estavam passando e viram tudo, eu nem sei. Elas me levaram numa lanchonete pra tomar um copo d’água e me acalmar…

– Mas como é que você não viu que ela ia te bater, criatura? Isso é que eu não entendo. A velha era invisível, por acaso? Eu já apanhei, poucas vezes na vida, é bem verdade…

Dona Vitória revira os olhos, já prevendo o vilipêndio do marido. Ele continua.

– …Mas eu sei muito bem que dá pra ver o punho do adversário vindo na sua direção. Dá pra desviar a cara, sair da frente, dá até pra sair correndo, mas não apanhar passivamente assim! Que história mais sem pé nem cabeça, até pra uma lesma lerda como você…

Dona Vitória, os olhos mareados, – não se sabe se de angústia ou se por causa das cebolas – como que num acesso neurastênico, crava a faca na tábua de cortar legumes com toda força. Seu Geraldo emudece no mesmo instante, de susto.

– Escuta aqui, Geraldo – diz ela, dedo em riste. – Você acha que eu ia apanhar no meio da rua de propósito? Você acha que eu gosto de apanhar, é?

Seu Geraldo foca o olhar no dedo indicador da mulher, que aponta pra ele como se fosse a própria faca de cozinha.

– Estou dizendo que eu estava passando, – continua ela – a velha cruzou comigo e, do nada, deu na minha cara, foi isso! Lá na lanchonete me disseram que ela é conhecida no bairro, que costuma fazer isso, ela cisma com a cara de um e dá-lhe um bofete, assim, sem mais.

O marido solta uma gargalhada.

– Essa é boa, imagina! Se fosse comigo essa dona não batia não, se fosse comigo ela é que apanhava! Essa sua história tá é muito mal contada… Prepara logo esse almoço que eu tô morto de fome.

Diz isso e sai da cozinha, dando risada, mas no fundo ainda irritado e desconfiado, porque acha muito estranha essa história de velha maluca espancando as pessoas por aí. E virando a esquina do corredor:

– Ainda vou descobrir o que você anda aprontando na rua… além de apanhar na cara. – Cai na risada de novo, agora já entrando no banheiro.

Dona Vitória apenas solta um resmungo e continua a preparar o almoço, nesse momento está cortando o frango em cubinhos. Faz isso com uma pitada de violência.

Depois de tomar um banho para acalmar os ânimos, Seu Geraldo senta-se na mesa para almoçar e os dois comem sem dizer palavra. Vitória, olhando para o prato, de cara amarrada. Geraldo, olhando para a bochecha vermelha da mulher, se controlando para não rir, imaginando a cena da besta apanhando no meio da rua de uma maluca qualquer. Aquilo só podia ser piada!

Não que Dona Vitória não percebesse o sarcasmo do marido. Mas já se sentia tão humilhada, achou que o melhor a fazer era ficar calada, se quisesse que o assunto fosse rapidamente esquecido.

Os dias se passaram e ocorreu justamente o contrário do que Dona Vitória previu. Seu Geraldo parecia que tinha tomado gosto por azucrinar a esposa com o assunto. Como uma criança, estava sempre pegando no pé. Comentava na frente dos outros e morria de rir, sem pudor. Contou a história para os vizinhos, para os amigos, os filhos, até os porteiros do prédio de Dona Vitória já sabiam do caso de trás para frente e ela é que não sabia mais o que fazer de tanta vergonha. Todo dia era obrigada a reviver mentalmente a cena do tabefe e a figura da velha doida. Nunca devia ter contado ao marido a verdade sobre aquele tapão.

Mas, passadas algumas semanas, a coisa acalmou. Talvez tenha perdido a graça, o fato é que agora Dona Vitória respira mais tranquila. Já consegue até fazer o mesmo percurso a pé e passar naquele mesmo lugar onde apanhou na cara. Nunca mais viu seu algoz, a velha louca.

Já tinha até perdoado o seu idoso e infantil marido, e estava justamente pensando nisso, em como ele era imaturo mesmo com tanta idade na cara, quando Seu Geraldo, que tinha saído pra caminhar no calçadão, entra em casa batendo a porta fortemente atrás de si. Dona Vitória vai ver o que foi, mas o marido cruza com ela no corredor de cabeça baixa, arrastando a tromba e, sem dizer palavra, se tranca no quarto.

Ela fica uns instantes sem saber o que fazer, decide não fazer nada. Quando esse velho cisma de ficar de mau humor, sai de baixo, melhor deixar quieto!

Lá dentro, trancado no quarto, Seu Geraldo custa a acreditar no que acabou de acontecer. Como ele pode não ter percebido?! Essa ralé parece mesmo invisível, a gente passa por ela na rua e não vê. Ele só sentiu a ardência no lado esquerdo do rosto, foi um flash, um segundo, nada mais que isso. O golpe foi forte, entortou os seus óculos, que por pouco não caíram da cara, ele mal teve tempo de segurá-los antes que fossem ao chão. Quando conseguiu olhar para trás, só viu a figura daquela velha gorda, maltrapilha, apoiada numa bengala, mochila esfarrapada às costas, se afastando lentamente. Algumas pessoas em volta riam, como se fosse coisa comum de acontecer, alguém tomar um tabefe do nada, assim no meio da rua! Que tempos são esses! Ele, vermelho de raiva, de vergonha e também do bofete, nem olhou pros lados, seguiu reto, cabeça baixa, bufando e andando rápido, o mais rápido possível, a caminho de casa. Aquela velha existia mesmo e ele tinha descoberto da pior maneira possível…

Seu Geraldo só saiu do quarto no dia seguinte. A pobre da Dona Vitória teve que dormir no quarto de hóspedes. Ao ver o marido entrando na cozinha para tomar café pela manhã, ela chegou a abrir a boca para perguntar o que tinha acontecido, mas antes que a fala saísse, reparou que o rosto do marido estava vermelho e um pouco inchado, só do lado esquerdo. Então ela não disse nada. Serviu-lhe uma xícara de café bem quente e nunca mais se falou do assunto.

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56 comentários em “Humilhação (Juliana Calafange)

  1. Marco Aurélio Saraiva
    1 de setembro de 2017

    Um conto bonitinho… sem muita novidade, nem muito impacto. Uma história simples, sem grandes reviravoltas, e com um final bem previsível. A comédia está justamente no desfecho do conto, já que todo o resto do texto denota mais a angústia de Dona Vitória com as ações do marido canalha que ela tinha. Há também uma ou outra tentativa de fazer piada logo nos primeiros parágrafos do texto, mas são bem acanhadas.

    Sua escrita é boa, mas incomoda um pouco. Dá para notar que você escreve já naturalmente, com várias construções interessantes, mas o que me incomodou na leitura foi o fato de você mastigar muito os fatos; entregar tudo bem esmiuçadinho para o leitor, tirando dele o trabalho de raciocinar. Por exemplo, considere o parágrafo abaixo:

    “Diz isso e sai da cozinha, dando risada, mas no fundo ainda irritado e desconfiado, porque acha muito estranha essa história de velha maluca espancando as pessoas por aí.”

    Está tudo ali, não tem o que pensar. Se você, ao invés disso, escrevesse que Geraldo “Diz isso e sai da cozinha, dando risada, ainda que com a testa enrugada, com uma leve desconfiança”, ou algo parecido, já seria o suficiente.

    Há também uma série de erros. Anotei dois deles, mas há outros:

    -> “…e não fossem umas moçinhas que…” – moCinhas
    -> “Estou dizendo que eu estava passando, – continua ela…” – vírgula antes do travessão.

    Por fim, existe um perigo intrínseco em escrever narrativas no tempo verbal presente: muitos autores acabam escorregando e passando para o pretérito. Você acabou fazendo isso no meio do conto, pra depois retomar o tempo presente da narrativa. Por exemplo, o trecho abaixo:

    “Os dias se passaram e ocorreu justamente o contrário do que Dona Vitória previu. Seu Geraldo parecia que tinha tomado gosto por azucrinar a esposa com o assunto”

    Deveria ser algo do tipo:

    “Os dias se passam e ocorre justamente o contrário do que Dona Vitória previu. Seu Geraldo parece tomar gosto por azucrinar a esposa com o assunto.”

    Narrativas no presente são difíceis de lidar. Elas precisam de muita atenção.

    Enfim, é um conto que considero “inocente”. Não tenta nada muito ousado, segue o script, faz o seu trabalho.

    Abraço!

  2. Vitor De Lerbo
    1 de setembro de 2017

    A história é bem simples e fácil de se ler. O karma atingindo uma pessoa que zombou a outra em um momento de fragilidade é uma boa arma na comédia.

    Alguns erros ortográficos prejudicaram o texto. Como a única coisa que acontece é o tapa na cara da mulher e a zombaria do marido, fica um pouco previsível de que o elemento cômico a seguir será a inversão de papeis.

    Boa sorte!

  3. Pedro Luna
    31 de agosto de 2017

    Gostei do conto. Apesar de previsível, ele molda o absurdo de uma maneira bem engraçada. Uma velha que aparece do nada e esbofeteia as pessoas..kk. Surreal. Tem uma pegada meio onírica nisso, de certa forma.

    O mote é bom. Além disso, a discussão e as implicâncias entre o marido e a mulher soam bem reais para uma relação que já dura muito tempo e é meio desgastada, como por exemplo, a mulher engolindo a raiva diante da insistência do marido. Acontece isso mesmo. As pessoas engolem a raiva pq sabem que não adianta. Vi uns probleminhas nos tempos verbais, mas no geral o conto é bem escrito. Consegui visualizar tudo perfeitamente. Ótimo texto.

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Pedro, o conto é baseado em fatos reais. Essa mendiga louca existe… rs
      Obrigada pelo comentário!

  4. Lucas Maziero
    28 de agosto de 2017

    Opinião geral: O conto não me cativou tanto quanto eu gostaria, mas tem os pontos positivos.

    Gramática: Está muito bem escrito e isso foi o que mais me atraiu.

    Narrativa: Um estilo suave. Algumas vezes é bom sair do pretérito e narrar no tempo presente, e aqui ficou bem construído.

    Criatividade: Olha, em alguns casos a criatividade não conta muito; aqui houve pouca. Um erredo simples, com um único conflito. Acho que ficou meio fora de mão o fato de o casal de idosos, cada um a seu tempo, trancar-se no quarto por causa de uma bofetada; é algo muito fora do esperado, uma reação exagerada. Confesso que eu esperava um final assim, o marido pagando pela língua.

    Comédia: É uma sátira simples, com quase nada de graça. Mas essa é apenas mera opinião.

    Parabéns!

  5. Rubem Cabral
    28 de agosto de 2017

    Olá, Anamaria.

    O seu texto é muito bom em dissecar personagens, em nos trazer pessoas quase reais. Há muitos Geraldos e Vitórias por aí, certamente. E os seus ficaram bem sólidos.

    Quanto à escrita, há alguns errinhos por acertar, feito “moçinhas”, por exemplo, mas está bem escrito, em linhas gerais. Os diálogos ficaram bastante bons também.

    Quanto à comédia, sinceramente, não achei muita graça. Os dois vivem uma espécie de casamento de conveniência e falido, o Geraldo é realmente imaturo e a Vitória muito passiva e conformada. Achei a história triste, na verdade.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  6. Rsollberg
    27 de agosto de 2017

    Haha

    Então, Anamaria.
    Difícil escrever um conto no presente, o texto fica com cara de roteiro, perde um pouco a agilidade e, no meu entendimento, afasta o leitor.. Outrossim, a voz do narrador alterna bastante, as vezes é Geraldo, outra não. Isso cria um pouco de confusão. “Em troca, só silêncio.(Narrador) Mas o que é que deu nessa mulher? (Geraldo) Não foi briga com o Geraldo Júnior, que eu falei com ele agora de manhã e estava tudo bem. Nessas alturas da vida, ela está me escondendo o quê, meu Deus?! A cabeça de Seu Geraldo foi dando volta e ele foi ficando enfurecido, já sentindo o sangue esquentar nas veias. Esmurra a porta do quarto ”

    A história em si não me fisgou, não consegui criar empatia com nenhum dos personagens, talvez com a senhora que dá tapas (de longe a mais interessante)

    De qualquer modo, boa sorte..

  7. Jorge Santos
    27 de agosto de 2017

    Conto que disseca a relação de um casal de meia idade. Bem escrito, com ritmo. A adequação ao tema está presente, tal como o machismo.

  8. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Olá, Ana Maria,

    Tudo bem?

    Você optou por utilizar o tempo presente, o que dá ao leitor a sensação de que o conto se passa frente a seus olhos e nesse exato instante. Ponto alto para o trecho em que você diz: “Agora ela está cortando o frango…” Dá quase para vê-la, tocá-la. Muito bom.

    A premissa é simples e fala de uma espécie de vexame pelo qual muitos passam. Eu mesma já fui apresentar o espetáculo em uma cidade no interior do Paraná e lá, uma louquinha emblemática do local, começou a xingar uma das atrizes. A situação causa uma mistura de constrangimento e risos nervosos, não é? É quase como se a violência que acaba de ocorrer, fosse culpa do agredido e não do agressor. Esse aspecto foi muito bem explorado pelo(a) leitor(a) nesse conto.

    Quase como uma fábula, ao final, o marido recebe sua cota de lição, padecendo do mesmo mal que a esposa e, para piorar, ferido ainda mais que a primeira em seu orgulho masculino.

    Parabéns.

    Sucesso no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  9. Roselaine Hahn
    24 de agosto de 2017

    Olá autor, gostei do seu humor do cotidiano. O seu Geraldo bem que mereceu néh?! Buenas, a despeito do humor, ele está presente, de uma forma mais singela, digamos. Por debaixo da graça, esconde-se os desgastes de um matrimônio burocrático, e da hierarquia patriarcal. Vixii, deixei a coisa séria. O que achei legal foi a que a velha do tabefe representou a ruptura da mulher condicionada aos mandos e desmandos do marido, e lascou na cara dele o que a esposa tinha vontade, só pra deixar as coisas equilibradas rsrs. O seu texto é bem contado, não vi problemas gramaticais. Talvez alguém vá comentar dele ser contado no presente, e não no passado ou pretérito, tempo verbal preferido de muitos autores. A mim não incomodou, até porque aconteceu comigo num desafio, escrevi no presente e o povo malhou, mas prefiro no presente tb. Ah, a expressão delivery me pareceu estranha no diálogo, aqui na minha terra a gente fala mesmo é tele-entrega. Então são essas as minahs considerações, sorte aí no desafio. abçs.

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Oi Roselaine! Obrigada pelos comentários! Só pra te dar um retorno, não sei de onde teclas, mas aqui no Rio de Janeiro, em especial no idioma carioquês, se usa ‘delivery’, assim mesmo, imitando os ‘gringo”… rsrs Grande abraço!

  10. Olisomar Pires
    23 de agosto de 2017

    Escrita: boa. Não notei erros de gravidade, se os há, flutuavam e fugiam.

    Enredo: casal por estranha experiência física na rua. São esbofeteados pela mesma pessoa e sem motivo aparente.

    Grau de divertimento: bom. Embora seja totalmente previsível, a situação é cômica do ponto de vista do embasbacamento. Há um forte apelo dramático no texto, mas já disse alguém que há franjas de comédia em todo manto. A se observar bem, o caso é de rir mesmo.

  11. Eduardo Selga
    23 de agosto de 2017

    No oritimbó dos outros pimenta é refresco, parafraseando o ditado popular. Basicamente é disso que trata o texto. O tapa na cara que a esposa leva na rua, sem nenhuma explicação plausível, é até divertido para o personagem, afinal fornece elementos para a humilhação diária, e isso serve para que ela não se esqueça de qual é “o seu lugar” na desigual relação a dois. Quando, porém, a vítima é ele próprio, o marido não consegue enxergar graça nenhuma na situação. A esposa, por sua vez, podendo vingar-se da perversidade dele, mantêm-se calada, talvez em nome de uma “paz conjugal” ou em respeito à masculinidade ofendida do marido (os motivos não ficam claros).

    A despeito de bem estruturada, sem grandes falhas visíveis num primeiro momento, a situação narrada é insuficiente para sustentar uma comédia. Além do tapa na cara dentro de um universo em que há um dominado e um dominante, a narrativa pede a presença de outros recursos típicos da comédia.

  12. Evandro Furtado
    23 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Eu confesso que tive que voltar na área do desafio pra conferir se não estava lendo o conto errado. Simplesmente não consegui identificar qualquer elemento que coloque-o como comédia. Não há nada engraçado, não apresenta uma situação ridícula – um pouco absurda, talvez, mas não ridícula – e sequer apresenta um final coeso. Talvez eu tenha perdido alguma coisa, porque realmente estou confuso por aqui.

  13. angst447
    22 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O conto revela um humor um tom abaixo do esperado em uma comédia, mas está aí, sem dúvida. Tabefe pra cá, tabefe pra lá, quase um pastelão.
    Talvez se não tivesse revelado claramente que Geraldo levou um tapão também, o final tivesse outro impacto.
    O conto está muito bem escrito, sem apresentar falhas de revisão que possam atrapalhar a leitura.
    O ritmo é bem agradável, sem solavancos ou entraves. Há fluidez narrativa, que conduz o leitor sem cansá-lo.
    A habilidade com as palavras é bem perceptível.
    Boa sorte!

  14. Fheluany Nogueira
    22 de agosto de 2017

    A narrativa traz uma observação astuciosa e divertida do cotidiano doméstico. A mulher foi realmente mais sensível e compreensiva que o marido. Um estilo bem equilibrado, sem pender para o simplório nem para o prolixo. Não há deslizes gramaticais ou estruturais importantes, excetos tempos verbais mal empregados e posição de pronomes átonos (“as mãos, SE tranca no quarto sem dizer palavra”, por exemplo).

    Parabéns pela final. Abraços.

  15. Brian Oliveira Lancaster
    22 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Singelo, com uma pegada de crônica nas entrelinhas. História de avós sempre trazem lembranças escondidas na mente. O inusitado impera e traz uma sensação cômica, apesar do convívio dos dois aflorar uma tristeza embutida. É um cotidiano “de idade” bem descrito, mas fiquei mais triste do que feliz ao chegar no fim. – 8,0
    A: O texto transborda uma vida antiga, cansada e calejada. Talvez, por esse “ar” carregado, a comicidade não tenha se sobressaído tanto. Se a avó, de repente, encontrasse uma forma de vingança e fizesse o mesmo, ou até algo mais absurdo, talvez o final não fosse tão morno. – 7,0
    C: Os dois cativam, já de saída. E esse foi o ponto alto da história. – 9,0
    U: Há certa indecisão entre usar o tempo presente e o passado, dá uma leve travadinha por causa disso, mas o restante flui bem. – 8,0
    [8,0]

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Obrigada Brian! Muito pertinentes os seus comentários. Todos devidamente anotados! Grande abraço!

  16. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: O seu conto está muito bem escrito e desenvolve-se de forma harmoniosa. A revisão foi impecável, não descortinei nada que pudesse ser alterado. Já o enredo me pareceu mais fraco e não particularmente criativo. O mesmo quanto à comédia, a história duma mulher que vai dando uns tabefes sem porquê a pessoas com quem se cruza e um casal que acabam sendo ambos vítimas da sua agressividade. Não sei, para mim, não se adequa ao desafio. Sem prejuízo da história em si mesma. Enquanto leitora, gostei de ler.

  17. Gustavo Araujo
    21 de agosto de 2017

    Por esses dias li “Desonra”, do Coetzee, um livro muito bom, que me fez mudar a percepção sobre narrativas construídas no presente, digo, narradas no presente. Até então eu torcia o nariz para esse tipo de estilo, mas a maneira como o escritor sul africano desenvolve a trama acabou fazendo com que eu percebesse que dependendo do contexto, nada aproxima mais o leitor dos personagens, tornando-o deles figura íntima. É o que acontece neste conto, cuja trama, aparentemente singela, revela camadas muito interessantes. Sim, há a leveza da comédia em face do inusitado, da coincidência que ao fim se abate em ambos os membros do casal – esbofeteados por alguém na rua, não um simples alguém, mas exatamente a mesma pessoa. O que se extrai dessa narrativa é algo que todos buscamos – não a rabugice que os anos tardios acentuam – mas a cumplicidade, o companheirismo e a identidade que, nessa etapa tão longínqua da vida termina por transformar o casal numa espécie de entidade única. De fato, este conto tem a característica de falar de sentimentos de maneira despretensiosa, camuflando uma questão que pode ser ao mesmo tempo assustadora, desafiante e instigante sob uma capa de aparente divertimento. Gostei muito. Parabéns!

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Obrigada, Chefe! Seus comentários muito me honram. Só pra constar, esta história é baseada em fatos e aconteceu com meus tios, que moram no Leblon e são casados há mais de 30 anos… Sim, eles apanharam da mesma mendiga louca. rs Abração!

  18. Pedro Paulo
    20 de agosto de 2017

    comédia focalizada***, faz mais sentido. Acabei não relendo o comentário antes de postá-lo.

  19. Pedro Paulo
    20 de agosto de 2017

    O problema que inicia o conto é a dúvida de Geraldo quanto ao silêncio às escondidas da esposa. Um bom suspense é construído em conjunto com a impaciência de Geraldo enquanto a esposa demora a se manifestar. Durante esse tempo, também aprendemos como funciona o casamento entre ambos, em uma estrutura patriarcal comum. Desse modo, o conto é bom em trazer o restante da dinâmica do casal em conformidade com essa proposta.

    Quando enfim ficamos sabendo do que se trata o silêncio agourento da esposa, o inusitado surpreende e, enquanto a pobre Vitória tenta se explicar para o marido incrédulo e cheio de si, a simplicidade bizarra da situação, agora explicada, é, de fato, cômica. Passado algum tempo, o retorno de Geraldo nas mesmas condições dela traz o incidente de volta. O engraçado disso, além da ironia, é o quão estupefato fica o homem, indignado em toda sua arrogância, bastante condizente coma as posturas anteriores estabelecidas no conto. A história se encerra sem mais nenhuma surpresa, com um aspecto cotidiano que se encaixa no matrimônio proposto. Desse modo, o humor da história só pode ser achado na própria situação que inicia a trama e nas reflexões arrogantes de Geraldo. É uma comédia localizada que enfraquece o conto dentro da proposta do desafio.

  20. Davenir Viganon
    20 de agosto de 2017

    E eu esperando a vingança da Dona Vitória, que ela ia revidar, fazendo de uma forma pior, que só as mulheres sabem fazer. Acho que faltou um temperinho no final, mas o conto é bom, com uma situação que me prendeu mesmo sendo previsível. Bom conto!

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Putz, Davenir! Eu pensei tb em escrever a vingança de D. Vitória, mas depois achei q ela era sábia demais pra torturar o marido como ele fez com ela. Que ele merecia, merecia… Obrigada pelos comentários. Abração!

  21. werneck2017
    20 de agosto de 2017

    Olá, Anamaria!

    Um texto muito bem-humorado e gostoso de ler. Vingança é um prato que se come frio, não é mesmo? Um texto que intrigante logo no primeiro parágrafo, captando a curiosidade sobre o personagem: o que deve ter acontecido? Por essas e não por outras, acabamos fisgados. Um texto bem escrito, coerente, criativo, com muito humor e o leitor se vê torcendo para que algo semelhante ocorra com o marido para ele parar de zoar a coitada.

    Só observei um errinho:
    Moçinhas

    Fora isso, perfeito. Muito bom.

  22. Bia Machado
    19 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2/3 – É bem narrado e a leitura flui. Mas nada de mais. Quando o marido entra em casa e também se tranca no quarto, já dá para saber. Sem surpresas.

    Personagens – 2/3 – Não morri de amores, fato. Mas formam um casal simpático. Poderiam ter sido mais explorados, até mesmo no sentido de deixar a coisa mais cômica.

    Gosto – 0,5/1 – Gostei, como disse, foi uma leitura fluída, mas nada que me arrebatasse.

    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado, houve uma tentativa de dar graça à situação. Mas… comigo não funcionou.

    Revisão – 0,5/1 – Aquele cedilha foi de doer. Ao que indica, não foi erro de digitação. CE e CI não precisam de cedilha.

    Participação – 1/1 – Valeu a participação.

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  23. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amiga Anamaria,

    Achei o seu texto extremamente bem escrito. Não só a revisão, mas a forma como você foi levando a narrativa. As intercalações entre falas e narração ficaram na medida certa. Pude ver um filme passando na minha cabeça. Muito bom.
    Infelizmente não achei o seu texto tão cômico quanto eu imaginaria em um desafio com o tema Comédia, mas isso não significa que seja um texto ruim. Gostei bastante, só achei um pouco fora do tema.
    Abraço

  24. Leo Jardim
    17 de agosto de 2017

    Humilhação (Anamaria Di Branco)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): é bastante simples e até um pouco previsível. O marido à moda antiga (no mau sentido) zomba tanto que acabou sofrendo do mesmo mal. Fiquei esperando uma revolução da Dona Geralda, ela mandar o marido à merda ou pelo menos dar uma sacaneada no fim, mas não fez nada, continuou da mesma forma que começou: submissa. A trama também deixa em aberto a natureza da tal velha louca super ágil que esbofeteia pessoas na rua. Algum vislumbre de seu background ajudaria a dar corpo ao texto.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): narração no presente sempre me incomoda bastante, fica parecendo que as coisas estão acontecendo no tempo da narrativa, mas esse texto conta um grande intervalo de tempo. Isso, porém, não chega a ser um erro, exceto quando mistura tempos verbais (narra ora no passado e ora no presente), e isso não ocorreu neste conto.

    ▪ Mas *vírgula* meu bem

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): mesmo pouco explorada, a novidade da trama está na velha louca. O relacionamento abusivo de marido e mulher é um mote comum e não foi tão bem desenvolvido.

    🎯 Tema (⭐▫): esse é o primeiro conto que li que não vi nada de comédia. Na verdade parece mais um drama.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): preciso confessar que fiquei indignado com esse Geraldo, um machista escroto que fica zombando da esposa submissa. Essa reação seria ótima se o conto se aproveitasse dela, mas não foi o que ele fez. O fim, apesar de o marido ter recebido um merecido tapa da velha, não foi suficiente para gerar aquele efeito de recompensa. Como disse acima, se a esposa tivesse saído melhor, vingada, o resultado teria sido bem mais recompensador.

    🤡 #euRi: infelizmente não ri nesse conto 😕

    ⚠️ Nota 6,0

  25. Anderson Henrique
    17 de agosto de 2017

    Estávamos falando de velocidade de leitura no grupo. Seu conto eu li em, no máximo, cinco minutos. Leitura muito fluída, ágil, de fácil aceitação. Tudo certinho e bem encaixado. Os diálogos acertados. Gostei muito do texto. Odiei Geraldo, personagem detestável, mas bem construído.

  26. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá, Anamaria!

    Foi o primeiro conto que li neste desafio, me causou uma boa impressão e criei expectativas para os contos que estavam por vir.

    Gostei de tudo, do jeito simples com o qual foi escrito, do cuidado com cada palavra, do sotaque dos personagens e de suas personalidades tão bem definidas.

    A ideia de uma velha senhora que sai por aí distribuindo tapas nas ruas é surreal, absurda, e exatamente por isso – pelo inesperado- que funcionou muito bem, pelo menos pra mim.

    Ri imaginando as cenas mesmo que elas não tenham sido descritas, as imagens ficaram bem engraçadas. O homem caçoando da esposa, ela irritada e envergonhada, e logo depois ele sentindo na pele o que ela passou. Foi uma saída inteligente.

    Enfim, foi uma grata surpresa, não será surpresa no entanto você passar para a próxima fase.

    Parabéns, Boa sorte no desafio!

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Obrigada, Amanda! Só pra vc saber, essa história é verídica, a velha que sai esbofeteando aleatoriamente existe (cuidado ao caminhar pelas calçadas do Leblon, no Rio de Janeiro!), e o casal retratado são os meus tios! rsrs
      Abraço!

  27. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    16 de agosto de 2017

    Tudo muito bem escrito, frases construídas com esmero e personagens carismáticos. A cena da conversa entre os dois, enquanto Vitória preparava a comida, foi muito boa.

    Eu só senti falta mesmo é de um enredo mais elaborado. Um tapa ocasiona tudo, mas aquela que os desfere não é aproveitada bem. As razões para os golpes, infelizmente, ficam nas entrelinhas.

    Enfim, é um bom conto.

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Obrigada pelo comentário, Gustavo! Essa história aconteceu de verdade, com meus tios, lá no bairro do Leblon, onde eles moram há mais de 30 anos. Realmente, ficou faltando o ponto de vista da ‘mendiga louca’. E isso já me dá ideia pra escrever outra história… Valeu! Abração!

  28. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: o conto foi bem revisado e apresenta uma forma objetiva de narrar e criar expectativa. A organização das ideias segue um molde razoavelmente comum: marido e mulher passam pelo mesmo acontecimento vexatório e ambos, por fim, decidem não tocar no assunto.
     
    Aspectos subjetivos: acredito que seu trabalho se adequa bem à proposta de comédia. Acho legal essa ideia de pegar o pano de fundo do cotidiano e inserir um elemento que destoa (no caso, a velha louca) e torna aqueles momentos atípicos. Foi uma passagem bem executada, ainda que, até certo ponto, previsível.
     
    Compreensão geral: não tinha dúvidas de que Seu Geraldo pagaria a língua por ficar atazanando a vida da coitada da esposa. O que me surpreendeu no final foi a opção dela de não se vingar. Deu a entender que ela preferiu manter o silêncio para encerrar de vez a história, mas, uma vez que o marido já tinha espalhado sua vergonha da Argentina ao Ceará, na impedia que ela também tirasse uma casquinha. Creio que seja mais uma questão de entendimento entre pessoas que se conhecem há muito tempo. Boa história.

    Parabéns e boa sorte.

  29. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Olá Anamaria!
    Este comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Gostei muito!! Um cotidiano super bem feito, leve, despretensioso que funcionou super bem. Divertido e simpático. Parabéns e boa sorte!!

  30. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Oi, Anamaria Di Branco, tudo bem?
    Vamos lá.
    Gostei do seu conto, é interessante e fácil de ler… Claro que partindo de uma idéia curiosa e potencialmente engraçada como a que você teve, poderia ter rendido muitíssimo mais, porém me diverti com a leitura.
    Só queria deixar um registro: ‘mocinha’ não tem cedilha, okay? 
    Nota 6,5

  31. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Olá, Anamaria, seu conto está muito bem escrito. Somente notei um pequeno detalhe que logo se vê tenha sido problema de digitação. Achei bastante interessante a maneira como você me foi conduzindo através da trama, enredando-me dentro dela. Ri da história, ri das cenas dos tabefes, ri da possibilidade do filho ter se chamado Vitraldo. Um conto que está mesmo engraçado e que curti. Você faz uma crítica social do machismo em meio à história e isto eu achei bem interessante: ao me apresentar um marido a exigir que a mulher cozinhe. Parabéns pela sua obra.

  32. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    moçinha = mocinha.
    Seu Geraldo senta-se na mesa para almoçar = …. senta-se à mesa ….
    Encontrei dois pequenos erros, caso haja mais algum, não consegui ver. Mas, na verdade, o erro maior foi do texto, onde só encontrei gargalhada e talvez, um breve sorriso, nos personagens. Não consegui, realmente, ver qualquer humor nesse texto. Atendeu parcialmente, pela quantidade de palavras, o desafio.

  33. Cláudia Cristina Mauro
    11 de agosto de 2017

    A ideia geral do texto é boa, mas o mesmo está desarmonioso, desestruturado. Embora a atenção fique presa ao texto no início e crie expectativas positivas, no decorrer da narrativa o tédio e a monotonia tomam lugar, porque os personagens não são envolventes e o final fica claro muito cedo.
    Há muito uso de linguagem falada fora dos diálogos e das reflexões.
    Problemas de ortografia, concordância nominal e tempos verbais.
    Existem bons elementos para serem explorados, mas estão aglutinados e não fluem.
    Nota 5.

  34. José Bandeira de Mello
    10 de agosto de 2017

    Complemento meu comentário congratulando-me com vc por esse magnífico conto. Comedia em altíssimo nível. Um curioso acontecimento mexendo com a vida do casal. E tudo com muito humor. Texto para se sentar e conversar em grupo. Reação da mulher x reação do marido. Como seria a vida dos dois? E como ficará agora? Ri muito por ver nesse texto aparentemente simples coisas muito complexas. Um abraço a vc.

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Obrigada, José! Um grande abraço pra você também. Nos vemos por aqui!

  35. Higor Benízio
    10 de agosto de 2017

    E? Foi o limite do desafio? Enfim, faltou conto. Texto acaba sem mais, e pior,a breve passagem que ele mostra, não foi lá muito cômica. Existe um bom material aproveitável aqui, talvez mostra essa velhinha do boxe ( ou do tapa), introduzir outras situações onde o hábito peculiar dela ganhe tons mais engraçados etc

  36. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Ri agora, trouxa! Aposto que esse pensamento deve ter passado pela cabeça da Dona Vitória naquela manhã. E a vontade de espalhar o acontecido, tal como ele fez quando era ela a esbofeteada, também.

    Eis uma comédia de situação bem desenvolvida. E um tapa sem luva de pelica em quem gosta de rir da desgraça alheia. Sobretudo quando o “alheio” é seu cônjuge.

  37. iolandinhapinheiro
    8 de agosto de 2017

    Método IGETI

    Interesse: conto muito interessante, bem escrito, envolvente, fluido. A gente sente que o autor tem domínio do idioma e facilidade de escorrer o conto para dentro da cabeça do leitor. A história é originalíssima e interessante e eu li sem problemas.

    Graça – Zero. Não vi absolutamente nada de engraçado no conto. Só senti raiva do marido da Vitória. Realmente não tem nenhuma adequação ao tema.

    Enredo: Mulher casada com um imbecil é agredida fora de casa e mesmo profundamente magoada não recebe nenhum apoio do marido quando conta. Além de agredida verbalmente, e de ele ter duvidado de sua palavra, o homem ainda a ridiculariza e sai espalhando pela vizinhança. O conto é muito bem descrito, as situações passam autenticidade e rapidamente se chega o fim da história. Entendi que o final era para ser irônico, com o marido passando pela mesma humilhação que a mulher e a atitude dela é muito mais coerente com a atitude de um adulto do que a dele. Mas achei um final meio caído.

    Tente Outra Vez – Mocinha com “ç” não vale. Arrume isso. A graça do conto é outra, não o humor que é inexistente.

    Impacto: Uma escrita muito profissional. Conto bem feito, bem pensado, infelizmente, não me fez rir.

  38. Jowilton Amaral da Costa
    8 de agosto de 2017

    Achei um bom conto. Tá bem escrito e o humor aqui explorado é Sádico, bem diferente do que eu esperava num desafio de comédia. Não é engraçado, não é hilariante, mas, percebe-se que existe humor, e bem peculiar. Não percebi erros gramaticais. Boa sorte.

  39. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2017

    Pois é, deve ser pq uma pessoa assim maltrapilha, as pessoas nem poem reparo, dae q o tapa vem mesmo, ‘do nada’.. hehe tadinha da velha louca.
    Eu me diverti junto do homem quando ele ria da esposa, achei até q era mentira dela, gostei da historia, foi leve e bem-humorada, mas…
    gostaria de dar alguma risada no final e ele nao teve graça 😦
    Abraços e sorrisos

  40. José Bandeira de Mello
    6 de agosto de 2017

    Otimo conto. Escrita ágil, fácil e com preciso ponto de humor. Relação entre marido e mulher retratado a partir de um acontecimento fortuido ou inusitado. Reações diferentes marcam a personalidade de ambos. História curiosa e engraçada. Penso que precise de uma pequena revisão, mas nada que prejudique o andamento do texto. Parabenizo ao autor(a) pela simplicidade e sutileza dessa ótima comedia de situação.

  41. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    Texto bem escrito, bem elaborado, completamente estruturado. Retrata a submissão, esta condição historicamente concebida à mulher (e que está mudando rapidamente, graças…). Descrição perfeita do constrangimento da mulher, do pequeno mundo que o homem avalia como sendo o da esposa, onde procura alguém para imputar o ato de estapeá-la. E, mais uma vez, a generosidade aparece na discrição da esposa quando percebe que o marido passou pela mesma situação. Mansa, generosa, solidária, exatamente o reverso do que viveu. Gostei da criatividade, do enredo, da emoção que vi no texto. Anamaria Di Branco, parabéns pelo texto!

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Cara Regina, vc foi a única pessoa a enxergar o q eu quis dizer com o texto, do começo ao fim, sobre a questão da condição submissa da mulher, do seu constrangimento em sofrer a agressão e ainda receber a culpa (ou seja, ser agredida e humilhada novamente pelo marido) e na sua sabedoria, em não revidar a humilhação da mesma forma que ele fez, não sucumbir à oportunidade e ao sentimento vil de vingança, apenas compreender que ele, afinal de contas, já aprendeu a lição.
      Muito obrigada, portanto, pelo seu comentário! Grande abraço!

      • Regina
        3 de setembro de 2017

        Eita! Que bom que consegui enxergar tudo como você se propôs a passar. Sou assim. As virtudes não faladas me fascinam. Deve ser coisa de velha, mas não é. Sou assim desde criança, leio muito nas entrelinhas. Seu texto é lindo. Fui olhar no meu comentário que guardei para lembrar da história. Estou naquela idade que não me recordo nem do que comi no almoço! kkkkkkkkkkkk Parabéns, menina, continue na escrita. Escrever e ler são os maiores ansiolíticos desta vida! Abraços… ❤

  42. Luis Guilherme
    6 de agosto de 2017

    Bom dia, anamaria. Tudo bão ca sinhora?

    Olha, vou ser sincero: não achei o texto muito engraçado. Mas nem vou te recriminar, pois sei o quanto foi difícil escrever comédia.

    A situação que você retratou, em si, tem potencial pro humor. Mas não sei, ficou muito sério o texto. Podia ter colocado umas tiradas, não sei.

    Além disso, o conto não tem clímax, é meio monótono. A história tem potencial, mas acho que na conclusão podia ter surgido alguma tirada e ali ser o ponto de humor. Com a leitura, percebi que o texto não planejava criar situações de riso constantes, então achei que o final fosse uma grande sacada humorística, alguma subversão, sabe?

    Enfim, tá bem escrito, a gramática tá ok (teve um momento em que o narrador passou subitamente pra primeira pessoa, depois voltou pra terceira), mas em geral flui bem. A escrita é agradável.

    Um texto gostoso de ler, flui fácil. Só achei que faltou o humor, em si.

    Parabéns e boa sorte!

  43. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    ************************
    *** (G)RAÇA
    ************************
    Olha, eu só esbocei um sorriso mesmo lá no começo, com o “Vitraldo”.

    ************************
    *** (I)NTERESSE
    ************************
    A leitura se tornou previsível assim que a mulher contou a história do tabefe.
    Até ali, havia o interesse em descobrir o motivo. Depois, achei meio repetitivo e a história caminhou por onde achei que caminharia, dispersando

    um pouco a atenção.

    ************************
    *** (R)OTEIRO
    ************************
    É uma trama simples, mas os eventos estão bem encadeados, apesar de um tanto inverossímeis. Começo, meio e fim sem grandes surpresas ou

    reviravoltas.

    ************************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    ************************
    O cotidiano do casal ficou bem caracterizado. Geraldo é um machistão bem pé no saco… acredito que teria um melhor resultado (um efeito cômico

    maior) se esse machismo ficasse mais nas entrelinhas, com algumas tiradas mais sutis. Vitória, não diz muito a que veio. No final, teria encerrado

    com um pensamento dela, algo na linha “toma, seu trouxa”, em relação ao marido.

    ************************
    *** (F)ORMA
    ************************

    Definitivamente, narrativas no tempo presente não fazem minha cabeça. Eu sempre estranho e travo quando vejo os verbos no presente. Tirando esse

    detalhe, que pende mais para o gosto pessoal, a narrativa foi boa, conseguindo descrever com clareza todas as situações. Os diálogos soaram um

    pouco teatrais em demasia, mas nada que tenha atrapalhado.

    – Mas meu bem
    >>> – Mas, meu bem (separar vocativo com vírgula)

    – ficar pedindo o almoço por *delivery*
    >>> nunca vi ninguém usar essa palavra no cotidiano

    – moçinhas
    >>> essa cedilha doeu 😦

    ************************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    ************************
    Apesar de não ter achado tanta graça, acredito que se adequou ao tema.

    NOTA: 7

  44. catarinacunha2015
    5 de agosto de 2017

    Aqui a comédia está nas pequenas ações cotidianas, como cortar o frango em cubinhos com raiva, botar o dedo na cara de Geraldo como se a faca fosse, etc. As frases são simples, mas dão seu recado de forma fluida através do bom manejo dos movimentos dos personagens.

    Frase auge: “– Ainda vou descobrir o que você anda aprontando na rua… além de apanhar na cara.” – Há humilhação, picardia, deboche e desconfiança na medida certa.

    Sugestão: Retirar a frase: “Nunca mais viu seu algoz, a velha louca.”. Até aí tinha o suspense se a velha voltaria a bater em Vitória, se haveria confronto ou vingança. Mas esta frase deixou claro que a próxima vítima seria Geraldo.

    • Catarina Cunha
      20 de agosto de 2017

      Nota 9,1

    • Juliana Calafange
      2 de setembro de 2017

      Boa sugestão essa sua, Catarina! Essa frase estava me incomodando mesmo. Muito obrigada!!!!!

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2, Comédia Finalistas e marcado .