EntreContos

Literatura que desafia.

Metapunhetagem (Anderson Henrique)

Personagem 1: Vai começar assim?

Personagem 2: É, cara. Tu nem escolheu nosso nome.

Autor: Calma, galera. Ainda estou pensando. Tudo começa meio nebuloso. Um pequeno esboço, um lampejo de ideia. No início, tudo são trevas.

Personagem 3: OK, mas dá uma olhada lá pra cima. Começou mal, misturando a terceira pessoa com a segunda, falta de concordância.

Autor: Ué, vai entrar nessa agora? Carioca é assim mesmo, mistura os tempos. Faz parte da ginga. E eu ainda não defini o cenário. Pensa só: praia, solzão, cerva gelada, mulherada de biquíni. Vai querer formalidade nos diálogos?

Personagem 1: Beleza, tá certo. Pelo menos definiu a primeira cena. Mas e o enredo?

Autor: Não sei. Ainda estou pensando.

Personagem 3: Precisa de um conflito.

Autor: Eu sei, mas calma. Faz parte do processo. Noutro dia um conto surgiu assim, meio sem enredo, veio de uma única frase. Tragam-me as corujas! E pronto. Era o texto se desenhando.

Personagem 1: Coruja na praia? Bizarro.

Autor: Não, porra. Nada de coruja. Era só um exemplo. Não está prestando atenção?

Personagem 1: Acho que me distraí. Muita mulher passando aqui. Ipanema ou Arpoador?

Autor: Tanto faz. Pode ser Copa mesmo.

Personagem 2: Eu ainda acho que você deveria escolher nossos nomes primeiro…

Autor: Os nomes não são importantes, cara. Não agora. Vou pensar nisso depois.

Personagem 3: Que tal a jornada do herói?

Autor: Meio batido, né? Na falta de opções, pode ser.

Personagem 2: Posso escolher meu nome, então? Quero ser o Chuck.

Autor: Chuck?

Personagem 2: Chuck Norris!

Autor: Chuck Norris? Em Copacabana? Sem chance.  

Chuck Norris: Clint Eastwood?

Autor: Não. Nem pensar. Aliás, acabei de ter uma ideia: você será uma personagem feminina.

Clint Eastwood: Não, cara! De onde você tirou isso? Eu sou macho, porra.

Autor: É nada. E vai se chamar Samara.

Personagem 3: É, rapaz, olha: até que ficou jeitosa!

Personagem 1: Esse biquíni tá demais.

Autor: É isso! Samara é noiva do Personagem 3, mas no passado teve um romance arrebatador com o Personagem 1. O destino separou os dois. Samara jamais esqueceu essa paixão. Os três se encontram por acidente no calçadão. Personagem 3 não tem ideia do passado de Samara, que se surpreende ao perceber a paixão do passado ainda tão viva. Ela faz o possível para disfarçar, mas não consegue.

Personagem 1: Vai perder pra mim! Já tô vendo.

Personagem 3: Vai sonhando, rapá.

Samara: Eu não sou mulher!

Personagem 3: Se a Samara é minha noiva, não vai ficar desfilando de biquíni minúsculo por aí. Coloca pelo menos um short e uma blusa.

Samara: Ah, fala sério. Estamos na praia, maior calor. Não vou colocar short nenhum. E o biquíni nem é tão pequeno assim.

Personagem 1: Olha só, que beleza! Assumiu o personagem. Agora não tem volta.

Samara: (Gulp!)

Autor: O Personagem 1 se chama Marcelo. Ele vem caminhando pelo calçadão como faz toda manhã desde que retornou ao país. Estudou medicina no exterior e voltou ao Brasil depois da residência para abrir seu consultório.

Marcelo: Opa! Tô bem, então. Dr. Marcelo, muito prazer.

Autor: O Personagem 3 se chama Evaristo. É diretor em uma empresa de tecnologia, morador de Copacabana e está noivo de Samara.

Evaristo: Evaristo? Puta nome coxinha…

Autor: Marcelo para diante de Samara ao ver o casal. Ela demora a assimilar o reencontro, mas responde ao cumprimento um tanto desconcertada. Fragmentos de memória se embaralham. Cumprimentam-se de maneira efusiva: beijos no rosto e trocas de gracejos. Evaristo fica desconfortável ao ver tanta intimidade entre a noiva e o desconhecido. Apesar do ciúme, ele mantém o controle.

Evaristo: Eu vou ficar pagando de cornão nessa história! Faz alguma coisa aí, autor. Ninguém quer um protagonista frouxo.

Dr. Marcelo: Fica frio, meu chapa. Nós somos apenas bons amigos. Hehehe.

Autor: E quem disse que você é o protagonista? Fica quieto e me deixa pensar.

Dr. Marcelo: Tá na cara que eu sou o protagonista.

Autor: Quietos! Voltando: o clima fica carregado. Samara apresenta finalmente o noivo a Marcelo. Ela mente. Diz que foram bons amigos e estudaram juntos no Colégio Santo Inácio.

Dr. Marcelo: Eu não disse? Bons amigos! Hahaha.

Samara: Olha, a história mal começou e eu já estou incomodada. Tá parecendo que a mulher é um elemento acessório nessa história, que vai servir apenas para colocar os dois homens em conflito. Quem é Samara? Todos os outros dois personagens têm uma profissão e personalidades bem definidas. Por que Samara não tem profissão? Qual é a sua motivação? Ela é só um troféu?

Autor: Samara é professora.

Samara: Por que não posso ser engenheira ou piloto de avião? Pilota! Sua história tá começando toda errada. Credo. Aposto que Samara é branca, não é? Olhos azuis, cabelos dourados, um metro e setenta. Olha que história sem representatividade. Por que se passa na zona sul e não no subúrbio? Dois homens cis de classe média alta duelando por uma mulher troféu. Fala sério! Ninguém mais quer ler isso.

Autor: Samara é muda. E anã! Já trabalhou em circo, mas agora faz pontas em programas de televisão por causa da rara combinação de beleza e falta de estatura. Por conta disso, ela vive em conflito. Vamos usar essa questão para falar sobre inclusão e representatividade.

Samara: âmmn mâaam nnm

Dr. Marcelo: Porra, a gente vai disputar uma anã?

Autor: Exatamente. E vamos aproveitar para debater o preconceito. Melhor assim, Samara?

Samara: âmmmmâaammmmm

Evaristo: O que importa é o amor. Ele sempre vence!

Dr. Marcelo: Tá certo, ok! Já vi umas anãs jeitosas por aí. Dá pra encarar.

Autor: Samara reencontra Marcelo e por mais que ainda tenha por ele os mesmos sentimentos do passado, agora está noiva. Além disso, ela se lembra dele ter usado a residência no exterior como desculpa para o término do relacionamento. Justo quando a relação começou a ficar séria. Ela suspeita que ele fugiu para não ter que contar sobre o relacionamento com uma anã para sua família. Marcelo seria a pior escolha que Samara poderia fazer.

Dr. Marcelo: Até meus amigos mais próximos faziam piadinhas infames. Não foi preconceito. Imagina contar isso pro meu pai, militar reformado, um cara pra quem tudo deve ter padrão e disciplina. Ele não ia aceitar.

Samara: Você nem tentou, Marcelo. Podia ter dado certo.

Evaristo: É preconceito, sim! Seu ex é um covarde, Samara. Mas você agora encontrou o cara certo. Vamos, vem comigo que a praia tá cheia. Vamos pegar um lugar.

Autor: Samara gosta de Evaristo. Ele é o cara certo. Mas que mulher quer o cara certo? Samara não consegue negar por quem seu coração bate mais forte.

Samara: Desculpe, Evaristo. Você é um homem bom, um cara correto e que me faz muito bem. Mas eu gosto mesmo é do Marcelo. Não dá para explicar essas decisões do coração.

Dr. Marcelo: Aqui a chapa é quente, parceiro. Ela não gosta de você de verdade. Eu sou o cara, Samara. Vem!

Samara: Desculpe, Evaristo. Ele tem razão. Sinto muito.

Evaristo:

Samara: Você vai me aceitar, Marcelo? Do jeito que eu sou?

Dr. Marcelo: Claro, meu amor. É… Claro…

FIM

 

Autor (após a primeira releitura): Nossa! Ficou uma história desgraçada de ruim. Como fui perder tanto tempo com isso? Dias nessa cadeira desconfortável… Dias! Bem, agora é tarde. Vou mandar para leitura crítica e vamos ver no que dá.

***

Leitor-crítico: Ficou legal, transitando entre a ironia de Nelson Rodrigues e o grotesco de João do Rio. Ficou um dramalhão, mas o final aberto é interessante e provocativo. Dá a entender que Marcelo ainda está hesitante quanto ao relacionamento com Samara. O texto só tem um problema primordial que pode invalidar todo o resto: por que Samara voltou a falar? Isso acabou com a coerência interna do texto. Sugiro revisar.

***

Editor: Ficou bom, mas sabe como é, está meio sem gênero. Tem muito de metalinguagem. Não sei se funciona em um livro ou se fala com o leitor médio. É muita ironia. Quem sabe se a gente colocar no Wattpad para ter um termômetro?

***

Leitor sensível: Olha, eu não recomendaria a publicação. É grotesco, sexista e preconceituoso. Tem uma anã muda, personagens machistas, mulher troféu. Tudo errado. Até o narrador é problemático. Para publicar tem que mudar muita coisa. Eu faria do personagem Marcelo um afrodescendente que sofreu preconceito durante toda a vida. Acho que serviria para mostrar sua própria incoerência e desnudar o ser humano, mostrando que somos essencialmente falhos. Marcelo sofreu muito por conta do seu tom de pele, mas deu a volta por cima, financeira e profissionalmente. E ainda assim, não sabe lidar com seus próprios preconceitos. Estas mudanças dariam outro rumo para a história, mas acho que ainda tem que mexer muito aí. Também não gostei do final, que não traz uma redenção. Um encerramento positivo para Samara poderia justificar toda sua história de sofrimento e trazer uma mensagem edificante.

***

Autor: Este vai direto para lixeira, não tem salvação. Dizem que a história da humanidade é cíclica. Quem sabe mais para frente?

………………………..

Post atualizado em 04/09/2017

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46 comentários em “Metapunhetagem (Anderson Henrique)

  1. Renata Rothstein
    1 de setembro de 2017

    Oi, Rotua!
    O conto tem um ritmo rápido, os personagens são bem construídos, é leve e divertido, brinca com a própria apresentação de prováveis polêmicas no universo dos personagens, para no final surgir a talvez-possibilidade de mudança para o que atualmente entende-se como politicamente correto, esse correto incrivelmente detestável para a Literatura.
    Minha nota é 9,5.

  2. Wender Lemes
    1 de setembro de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.

    ****

    Aspectos técnicos: julgar ortografia nos desafios tem se tornado algo quase obsoleto. As revisões cuidadosas têm se tornado algo comum. Embora a frase final sugira (a quem quiser acreditar nela) que o conto foi entregue em cima da hora, não há brechas recrimináveis. Da parte da coerência, fiquei confuso a respeito da mudez de Samara – dado momento não fala, então volta a falar sem maiores explicações. Perdoe-me se for uma falha de percepção minha.

    Aspectos subjetivos: é difícil julgar o apelo dos personagens nesse conto. Sendo construídos ali, com a visão dos bastidores, é como se a abordagem roubasse um pouco do apelo que eles poderiam ter – como se fosse quebrada a “magia” do não-saber e as personalidades deles se fragilizassem pela criação em andamento. Talvez essa fragilidade exista em qualquer ficção e nós apenas tentemos escondê-la.

    Compreensão geral: um conto que chama a atenção ao materializar a vida do autor e os percalços da escrita, com críticas sagazes ao “sensível/politicamente correto”.

    Parabéns e boa sorte.

  3. Thiago de Melo
    1 de setembro de 2017

    Amigo Rotua,

    Preciso dizer o quanto fiquei honrado com o fato de alguns membros do grupo terem achado que esse texto seria meu! Cara, eu não conseguiria ser tão original assim! Hahahaha.
    Muito bom! Não tenho nem muito o que dizer a respeito. Achei que ficou leve, inteligente e ainda conseguiu passar uma crítica aos excessos que estamos vendo na literatura (ou na crítica à literatura) nos dias de hoje. Excelente. Gostei bastante. Só fiquei em dúvida de porque a anã era muda, gemeu algumas vezes, e depois voltou a falar. Essa parte ficou um pouco confusa pra mim, mas gostei bastante. Parabéns!

  4. Leo Jardim
    1 de setembro de 2017

    Metapunhetagem (Rotua)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): divertida como metalinguagem, narra as agruras de um processo criativo. O defeito aqui é que tem público muito restrito: é um conto que só funciona bem quando lido por autores neste desafio. Isso sempre me incomoda.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): não há grandes trabalhos linguísticos, fiquei com sensação de texto meio que rascunhado. Parece ter havido alguma revisão e não há muitos erros, mas fiquei com essa impressão de desleixo. Apesar disso, não compromete a fluidez.

    ▪ Marcelo seria a pior escolha que Samara (ficou incompleta a frase)

    ▪ Tem muita *de* metalinguagem (sobrando)

    💡 Criatividade (⭐▫▫): é muito comum o uso de metalinguagem, mesmo aqui no EC. Não vi tanta novidade neste em relação aos outros.

    🎯 Tema (⭐⭐): o texto é divertido, possui veia cômica.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): o autor consegue, com esse texto, um efeito de alta empatia com o protagonista, pois somos escritores e acredito que todos passamos por esses problemas. O fim é engraçado, porque muitas vezes envio justamente com objetivo de não cair muito no ranking (excelente jogada do Fabio Baptista).

    🤡 #euRi:

    ▪ Samara: Eu não sou mulher! 🙂

    ▪ Puta nome coxinha 😃

    ▪ Olha que história sem representatividade 🙂

    ▪ Samara é muda. E anã! 😃

    ▪ Samara: âmmn mâaam nnm 😄 (sacanagem)

    ▪ E vamos de XP 😃

    ⚠️ Nota 7,0

  5. Fabio Baptista
    1 de setembro de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************

    Bem engraçado, dei risada em vários momentos.
    Além das situações e diálogos engraçados, o autor conseguiu fazer graça com elementos criativos, como riscar o nome do personagem, por exemplo.

    – Eu sou macho, porra.
    >>> kkkk

    – Coloca pelo menos um short e uma blusa.
    >>> kkkkkkk

    – Samara: (Gulp!)
    >>> rsrs

    – Eu vou ficar pagando de cornão nessa história!
    >>> kkkkkkkkkk

    – Fica frio, meu chapa. Nós somos apenas bons amigos. Hehehe.
    >>> hahua

    – Já vi umas anãs jeitosas por aí
    >>> tinha um camarada que tinha o fetiche de pegar uma anã… ele sempre defendia o ponto de vista girando os braços no ar (como se virasse o volante de uma Scania) e argumentando: “porra, velho… imagina só a mobilidade!”. kkkk

    – E vamos de XP.
    >>> bora!

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Prendeu totalmente a atenção.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Esse texto consegue fugir do convencional e até usar metalinguagem (um negócio que normalmente dá muito errado) com bastante eficiência.

    – Samara: Você nem tentou, Marcelo. Podia ter dado certo.
    >>> achei meio furado Samara ter voltado a falar assim, do nada

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Acho que o maior ambiente aqui é a cabeça do autor. Isso ficou bem caracterizado, mais do que o calçadão onde a história se passa.

    Os personagens (literalmente) são bem carismáticos e parecem ter personalidades próprias.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Cumpriu muito bem a proposta, com inovação e ousadia (marcar diálogos ao estilo teatro e usar metalinguagem).

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Total

    NOTA: 9

  6. Marco Aurélio Saraiva
    30 de agosto de 2017

    Taqueopariu! É o primeiro conto de metalinguagem que eu vejo no EC que funciona! Ri litros!

    Gostei muito do conto, desde o seu tom sincero até os personagens, todos muito engraçados. Eu realmente imaginei você sentado(a) numa cadeira, tentando raciocinar, e os personagens te enchendo o saco. Quando você fez Samara calar a boca, foi genial! Era exatamente o que eu estava pensando!

    Um conto muito corajoso, que dosou bem o humor, sem cair pro surreal ou pro nonsense. Tudo é metalinguagem aqui. O conto terminando no meio e passando para os leitores e editores… tudo foi muito criativo e bem escrito. Consigo até mesmo identificar as suas críticas ao leitor sensível, à jornada do herói, ao papel do editor…

    Parabéns! Nota 10!!

  7. Rsollberg
    30 de agosto de 2017

    hahahaha

    Puta conto divertido.
    Começa com umas lições maneira sobre como escrever, cita até a jornada do heroi, e em seguida ironiza a parada toda. O irado é que a gente se identifica com o autor, e sim, nossos personagens sempre são vivos e nos aconselham.

    Todo formatado em diálogos, em uma conversa esquizofrénica, mas ainda sim bem compreensível Esse trecho é muito bom ” anã! Já trabalhou em circo, mas agora faz pontas em programas de televisão por causa da rara combinação de beleza e falta de estatura. Por conta disso, ela vive em conflito. Vamos usar essa questão para falar sobre inclusão e representatividade.”

    O final é ótimo! As impressões ficaram hilárias, ri muito com o leitor sensivel. Mas que praga!!!!

    O título também é genial, me fez lembrar de algumas considerações usualmente feita pelo Woody Allen.

    Parabéns!

  8. Vitor De Lerbo
    28 de agosto de 2017

    A comédia surge justamente da quebra do esperado, e isso é feito com louvor nesse conto – desde o título até o último ponto final.

    A maneira em que ele foi construído oculta a própria pequena trama que se desenvolve entre os personagens; a história da praia é apenas uma parte da peça.

    A quebra da quarta parede funciona bem na comédia, assim como a ironia empregada.

    Boa sorte!

  9. Rubem Cabral
    28 de agosto de 2017

    Olá, Rotua.

    Então, achei o conto muito criativo. Desde as decisões quanto ao enredo, acontecendo durante o próprio texto, até algumas escolhas feitas depois, a definição do sexo de Samara, etc.

    Como conto, no entanto, há algumas falhas, feito as falas de Samara depois de ser definida como muda e anã.

    O conto foi feliz em abordar alguns preconceitos, e depois por também abordar o excesso de correção política. Mas perigosamente provoca os “leitores sensíveis”.

    Como comédia, no entanto, não consegui achar muita graça.

    Abraços e boa sorte no desafio.

  10. Juliana Calafange
    26 de agosto de 2017

    É muito difícil fazer rir. Ainda mais escrevendo. Eu mesma me considero uma ótima contadora de piadas, mas me peguei na maior saia justa ao tentar escrever um conto de comédia para este desafio. É a diferença entre a oralidade e a escrita. Além disso, o humor é uma coisa muito relativa, diferente pra cada um. O que me faz rir, pode não ter a menor graça para outra pessoa. Assim, eu procurei avaliar os contos levando em consideração, não necessariamente o que me fez rir, e sim alguns aspectos básicos do texto de comédia: o conto apresenta situações e/ou personagens engraçadas? A premissa da história é engraçada? Na linguagem e/ou no estilo predomina a comicidade? Espero não ofender ninguém com nenhum comentário, lembrando que a proposta do EC é sempre a de construir, trocar, experimentar, errar e acertar! Então, lá vai:
    Rotua, seu texto é uma idéia de gênio. Ao começo, pensei: porra, o cara teve o mesmo tempo que eu, e conseguiu escrever um conto complexo de comédia! O ponto alto foi quando cheguei no “Autor: Samara é muda.” – Eu soltei uma gargalhada daquelas aqui! E fiquei rindo ainda um tempinho. O seu ‘timing’ foi perfeito nesse ponto! O problema é q logo depois vc esqueceu que Samara era muda e ela voltou a falar. Cheguei a pensar que fosse erro do “Autor” e q lá no final, na parte dos ‘comentários’, alguém fosse atentar pra isso. Mas não. Parece que foi erro do Rotua mesmo. Dito isso, o final podia ter sido melhor resolvido, já que vc ainda tinha 525 palavras pra usar (sem piadinha de leitor sensível… rs). Tem meu voto por ter sido o único até agora q me arrancou uma gargalhada em voz alta. Parabéns!

  11. Paula Giannini
    25 de agosto de 2017

    Oi, Rotua,

    Tudo bem?

    Gosto muito de textos que “abrem” o processo de criação para o leitor, rompendo (como se diz no teatro) a quarta parede.

    É interessante ver como o personagem toma vida através da escrita do autor, o verdadeiro, aqui por trás de um pseudônimo e o autor-personagem, igualmente envolvido em um desafio de comédia. Uma experiência de metalinguagem que se fecha redondinho em um ciclo de pura coerência.

    Uma das protagonistas gostaria de ser homem, depois, ao aceitar sua condição de mulher, opina mesmo quanto a seu aspecto físico e seu posicionamento sócio cultural. Quem de nós, ao planejar um conto, nunca se pegou, ao final do trabalho, percebendo que este tomou novos e inesperados rumos? Eu sim.

    Colocar o leitor dentro da cabeça do autor foi o ponto alto do trabalho. Dessa forma, não há narrador, mas sim, uma espécie de vislumbre do ato de criação que nos dá quase a impressão de que a escrita propriamente dita acontece de fato ao vivo.

    Muito bom.

    Digno de nota, também, é o autor focar toda a ação no ato de escrever um conto para o exato desafio no qual todos participamos e que agora avaliamos.

    Parabéns.

    Boa sorte e sucesso no certame.

    Beijos
    Paula Giannini

  12. iolandinhapinheiro
    25 de agosto de 2017

    Avaliação

    Técnica: O autor leva a metalinguagem às últimas consequências (rs) e cria um diálogo entre o autor e seus personagens, e, concluído o texto, ainda saberemos as opiniões do editor, do leitor crítico e do leitor sensível.

    Fluidez: A leitura é rápida, tranquila, ainda que os diálogos sejam meio tolos e sem graça.

    Graça: Eu ri alto quando eu li as falas da Samara depois da informação de que ela era uma anã muda. Não eram bem falas, mas ruídos produzidos pela personagem. Acredito que pessoas que convivam com leitores (críticos e sensíveis) e editores, encontrarão mais identificação e graça na história toda, infelizmente (para você), não é o meu caso. O fato de Samara ter voltado a falar foi um deslize?

    Boa sorte

  13. Amanda Gomez
    24 de agosto de 2017

    Olá, Rotua… Tu foi bem criativo heim? Muito mesmo.

    Foi o primeiro conto que corri pra ler pelo título, eu imaginei um monte de coisas, menos o que veio. Nunca tinha ouvido falar dessa palavra, nem sei se foi inventada ou se existe no real, o fato é: seu conto é muito bom!

    Quando eu me deparei com os diálogos fiquei desconfiada mas logo foram aparecendo as estrelas do conto e fiquei encantada com esse tipo de abordagem, não lembro de ter lido nada parecido.

    O engraçado ( além do texto em si) é que é isso mesmo, os personagens falam com a gente na nossa cabeça, dão opiniões, se revoltam… quantas vezes eu já não me peguei falando ” sozinha” com eles? As vezes sinto que até mesmo eles me encorporam e usam minha voz para ensaiar suas falas.

    Talvez…apenas talvez, a história criada em conjunto ( autor e personagens) apresentada no texto não tenha sido lá muito engraçada. Mas a mensagem foi clara, de uma forma que eu gosto bastante que é usando sarcasmo e irônica, brincando com o lance dos leitores sensíveis que tem estragado legal a graça de escrever algumas coisas. Acho que o autor do autor soube conduzir o texto como um maestro mesmo, sabendo cada nota que deveria tocar.

    Acredito que seja um dos grandes favoritos ao 1 lugar, pelo menos é o meu.

    Boa sorte? Ahh, você não vai precisar. Pena que caiu no meu grupo e deixou já de cara uma vaga a menos para o restante. -_-

    Boa sorte no desafio!

  14. Lucas Maziero
    24 de agosto de 2017

    Sem dúvida, um conto diferente, nunca li algo parecido.

    Opinião geral: Gostei bastante, fiquei totalmente envolvido com a leitura.

    Gramática: Boa, não notei erros.

    Narrativa: Tem um estilo dinâmico que eu acho pertinente para um conto que pretende ser comédia. Só faltou uma melhor distinção nas vozes dos personagens, pois pareceu que era o mesmo falando, como molde para todos.

    Criatividade: Uau, bem criativo, uma ideia original. Essa “metainteração” entre autor e personagens e demais participantes, ficou tudo bem construído.

    Comédia: O próprio conto já diz em que se enquadra. Não é tanto para rir, como rio com passagens do Dom Quixote, por exemplo, mas aqui há muita graça. Há um jenesequá, mas sem dúvida divertido. O personagem-autor sempre vai achar a obra ruim, o que cheira um pouco a clichê, mas não vou deixar que isso tire a pontuação máxima para este conto.

    Parabéns!

  15. Olisomar Pires
    22 de agosto de 2017

    Escrita: boa. Apesar da dificuldade em concatenar tantas situações, a escrita ficou fluida.

    Enredo: autor e personagens discutem seus papéis num eventual texto.

    Grau de divertimento: muito bom. As opções que o escritor precisa enquadrar são um exercício extenuante e esse texto tratou do tema de forma bem tranquila e que passa uma esperança: não estamos sós !

  16. Roselaine Hahn
    22 de agosto de 2017

    Oi Rotua, vc foi pra wibe de narrar os conflitos de um autor entre o politicamente correto, o vendável e todas essas cacás que a gente se depara ao escrever uma história. Coisa séria né? Pois então, achei a narrativa assim meio séria sabe, tem uma mensagem a mais, não ri pacas, confesso que criei uma expectativa fodástica com o título. A graça ficou por conta do cotidiano carioca e seus tipos consagrados, e a ótima ideia de personagens/autor. No mais, um bom conto, que mereceu estar entre os finalistas. Abçs.

  17. Ana Maria Monteiro
    22 de agosto de 2017

    Olá colega de escritas. O meu comentário será breve e sucinto. Se após o término do desafio, pretender que entre em detalhes, fico à disposição. Os meus critérios, além do facto de você ter participado (que valorizo com pontuação igual para todos) basear-se-ão nos seguintes aspetos: Escrita, ortografia e revisão; Enredo e criatividade; Adequação ao tema e, por fim e porque sou humana, o quanto gostei enquanto leitora. Parabéns e boa sorte no desafio.

    Então vamos lá: O seu conto, usando a putatividade dos personagens que procuram eles próprios e se apropriam ou distanciam de toda a série de preconceitos, está ótimo. Aliás, está ótimo de fio a pavio. Não encontrei nada a apontar excepto a frase: “Marcelo seria a pior escolha que Samara.”, por estar incompleta. É perfeitamente adequado ao tema. Enquanto leitora, gostei de ler, apreciei o que li e achei as considerações finais perfeitamente pertinentes, trazendo mais uma comédia para o centro da própria comédia: a questão atual do “ leitor sensível”. Muito bom.

  18. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    22 de agosto de 2017

    Rotua,

    Seu conto é brilhantemente criativo. A escrita é muito boa e competente, coisa de profissional mesmo.

    Porém – aí esses malditos “poréns” – não temos uma história aqui. Temos uma situação cômica de criador e obra. É simplesmente um conto que prima pela criatividade, mas não a aprofunda. Bem, pelos menos é essa minha humilde opinião.

  19. angst447
    21 de agosto de 2017

    Olá, autor(a), tudo bem?
    O conto cumpriu a tarefa de nos mostrar uma comédia.
    Adorei o tamanho, a abundância de diálogos, tudo contribuindo para uma leitura fácil e bastante ágil. O tipo de conto que nos faz engatar uma marcha e seguir em frente sem perceber as curvas.
    A metalinguagem serviu bem ao propósito do enredo. Tudo muito bem amarrado,numa trama simples e divertida acerca do processo criativo de um escritor.
    Não percebi falhas de revisão, a não ser uma crase que escapou em “à Marcelo”. Antes de masculino, nada de crases.
    Boa sorte!

  20. Evandro Furtado
    21 de agosto de 2017

    Olá, caro(a) autor(a)

    Vou tentar explicar como será meu método de avaliação para esse desafio. Dos dez pontos, eu confiro 2,5 para três categorias: elementos de gênero, conteúdo e forma. No primeiro, eu considero o gênero literário adotado e como você se apropriou de elementos inerentes e alheios a ele, de forma a compor seu texto. O conteúdo se refere ao cerne do conto, o que você trabalha nele, qual é o tema trabalhado. Na forma eu avalio conceitos linguísticos e estéticos. Em cada categoria, você começa com 2 pontos e vai ganhando ou perdendo a partir da leitura. Assim, são seis pontos com os quais você começa, e, a não ser que seu texto tenha problemas que considero que possam prejudicar o resultado, vai ficar com eles até o final. É claro que, uma das categorias pode se destacar positivamente de tal forma que ela pode “roubar” pontos de outras e aumentar sua nota final. Como eu sou bonzinho, o reverso não acontece. Mas, você me pergunta: não tá faltando 2,5 pontos aí? Sim. E esses dois eu atribuo para aquele “feeling” final, a forma como eu vejo o texto ao fim da leitura. Nos comentários, eu apontarei apenas problemas e virtudes, assim, se não comentar alguma categoria, significa que ela ficou naquela média dos dois pontos, ok?

    Cara, tem muita coisa errada aqui, mas a gente dá risada assim mesmo. Achei o conto hilário. Você arriscou aqui, trazendo uma estrutura completamente inesperada e agradou bastante. As piadas, também inesperadas, contribuem muito para que o humor funcione. Só tem uma coisinha que pegou e impediu a nota máxima: a personagem fica muda e, do nada, volta a falar. Só precisava ter amarrado essa ponta pra ficar perfeito.

  21. Fernando.
    21 de agosto de 2017

    Puxa, sabe aquele conto que a gente lê e depois a releitura só vai fazer aumentar a inveja de que gostaria de ter escrito esse troço? Pois é. O seu conto, Rotua, me provoca isto. Está muito legal mesmo, criativo, leve, diálogos bacana, quebradas de asa na história que me geraram surpresas agradáveis e grandes risadas. O final está sensacional com as avaliações. Parabéns, cara. Grande abraço.

  22. Regina Ruth Rincon Caires
    20 de agosto de 2017

    Texto despojado, descontraído, sem qualquer preocupação com estética e forma. É uma profusão de pensamentos, de intenções, de “chutes”. Engraçado, criativo. Interessante o detalhe dos riscos sobre os pretensos nomes dos personagens, perspicaz. Leitura leve, tentativa de “brincar” com a desigualdade, crítica social pulverizada na comédia… Parabéns, Rotua!

  23. Catarina Cunha
    20 de agosto de 2017

    A ideia dos personagens conversando, e brigando, com o autor foi bastante criativa. A premissa também. Brinca com o politicamente correto nesta era de pós-verdade. Mas concordo com a opinião do seu leitor-crítico.

    Auge: “Calma, galera. Ainda estou pensando. Tudo começa meio nebuloso. Um pequeno esboço, um lampejo de ideia. No início, tudo são trevas.” – É assim mesmo e, às vezes, as trevas perduram.

    Sugestão:

    Retirar todo o último. Ficou sem nenhuma graça essa vinculação ao desafio EC.

  24. Luis Guilherme
    19 de agosto de 2017

    Hahahaha boa!

    Boa noiteee.. Adoro metalinguagem, e a ideia da metapunhetagem foi excelente ahahah.

    Pra nois q tenta se aventurar nessa vida loka de escritor, seu conto eh mto empatico hahaha.

    Me coloquei no lugar varias vezes.

    Gostei tambem das referencias e das ironias. Principalmente o leitor sensivel, em que eu muitas vezes me enquadro hehehe.

    O dialogo entre autor e os tres personagens foi mto bem construido! Gostei da forma como os personagens vao assumindo naturalmente as características q lhes sao atribuidas.

    O texto tbm ta mto bem escrito, sem problemas aparentes na gramarica. A estrutura ta otima tbm.

    O conto eh divertido, brinca com o leitor, eh dinamico e leve.

    Adorei.. Parabens!

  25. Alex Alexandre da Rosa
    17 de agosto de 2017

    Olá autor(a)
    Primeiramente, Parabéns pela criatividade. muito boa a ideia e a forma que conduziu. Não teve muitas cenas engraçadas, mas teve um humor inteligente no desenrolar.

  26. Pedro Luna
    17 de agosto de 2017

    Haha, bem criativo. Curioso que eu ia escrever um conto nessa mesma vibe, mas não tive a ideia certa e você acabou tendo.

    O autor ou autora põe dedos na ferida aqui, embora feridas bem escancaradas, mas não tem como não ser, já que os temas expostos no conto estão em alta, como a leitura sensível, feminismo e tal. Eu prefiro dedos na ferida com mais sutileza, mas foda-se, gostei do conto. Se não é empolgante, pelo menos ousou. E no fim das contas contou sua história, que brinca com os clichês literários. Certamente quem escreveu faz parte do grupo no facebook do EC. Por isso considero esse conto meio que um FAN SERVICE, pois quem participa do grupo vai visualizar as discussões que temos lá..rs

    Bom trabalho.

  27. Davenir Viganon
    17 de agosto de 2017

    A metalinguagem tem um lugar no meu coração e aqui foi bem feita. Os dramas de um autor brigando com sua estória. Tudo se passa na cabeça do autor e a mudança do personagem 1 para Samara eu achei muito boa. O último parágrafo ficou restrito a quem conhece o desafio e achei esse o único ponto fraco do conto. Obrigado por trazer este conto para nós.

  28. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Oi Autor… kkk
    Este comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Quanta criatividade!! Pelo título, achei que fosse pornográfico e tive uma grata surpresa! Achei divertido e interessante acompanhar sua mente criativa concebendo a grande obra pra esse desafio. Parabéns e boa sorte!!

  29. Pedro Paulo
    15 de agosto de 2017

    Bom, escrever sobre escrever por vezes pode demonstrar falta de criatividade. Acho que todo escritor acaba considerando isso quando tenta buscar uma ideia certa para desenvolver, como se o seu bloqueio criativo fosse especial. No entanto, é a primeira vez que vejo essa jogada dentro do desafio e devo dizer que o modo como foi escrito explora perfeitamente tanto a metalinguística como também o humor.

    A ideia do autor conversando com os personagens, estes moldados à sua vontade, mas também plenamente conscientes, é uma que gera conflito de um modo engraçado, enquanto a própria história que o autor concebe cruza o caminho com o conflito central que é a criação dessa mesma história, de um modo paradoxal que cria uma dinâmica única. Ainda elogio a criatividade ao não limitar ao autor e aos personagens, terminando o conto com a opinião de outros elementos que avaliariam a obra e, enfim, com o seu envio para o desafio, completando o “ciclo metalinguístico”, por assim dizer.

  30. Antonio Stegues Batista
    15 de agosto de 2017

    Achei um texto original, a colocação dos personagens, o final mostrando a realidade do autor. Apesar da estrutura criativa, a história ficou regular, sem muita graça, referente ao bom humor, a fazer rir. Se o título faz referencia a alguma coisa, o sentido é obscuro. Não vi problema algum quanto à moral e os bons costumes. Ficaria bem se o tema fosse fantasia, onde o autor interage com os personagens.Como comédia é fraca.

  31. Wilson Barros Júnior
    15 de agosto de 2017

    Eu tinha pensado em escrever assim, tipo uma peça, devido à definição de comédia no edital do desafio. “Carioca é assim mesmo, mistura os tempos. Faz parte da ginga.”, nunca vi uma definição tão perfeita dos cariocas. Outra coincidência, eu escrevi duas comédias, uma sobre praia e biquínis, depois vou postar a outra no off… Muito legal, maneiro, colocar os nomes e depois riscar quando rejeitados. Uma metacomediagem, bacana,original, ou melhor dizendo, inovadora, contendo até os auto-comentários. Lembra as frases de Hemingway, curtas e com muito conteúdo. Lembrou-me um conto que escrevi no último desafio. Interessante, gostei, e creio que seu lugar é na segunda fase.

  32. Cilas Medi
    15 de agosto de 2017

    Olá Rotua,
    Nada. Precisa escrever mais? Faço minhas as palavras do autor em todas as releituras que tenha feito e não mudou de ideia. Não cumpriu em nada o desafio de fazer comédia. Pode funcionar no teatro, mas na literatura não.

  33. Brian Oliveira Lancaster
    14 de agosto de 2017

    JACU (Jeito, Adequação, Carisma, Unidade)
    J: Assim como sempre tem o texto polêmico, o texto cotidiano, o texto chub, o texto FC, sempre aparece um de metalinguagem. Neste caso chega a ser confuso. É a meta da meta. Tem seu charme, e chega a ter uma história nas estrelinhas, que estava bem agradável. Mas o ataque proposital ao leitor, próximo ao fim, compromete completamente a sutileza. Preferia que o autor (e o Autor) se mantivesse na mesma linha inteligente do início. – 8,0
    A: Me fez sorrir algumas vezes e compreender o título. Quem escreve se sente bem com sua criação, é inevitável. Só que isso transborda de forma ineficaz. Tem sacadas ótimas, mas um fiapo de história. É um texto mais experimental e ganha pontos por isso. Tirando um ou dois exageros aqui e ali, ficará melhor. A conclusão “problematizada” tirou todo o espirito desbravador, pois ficou com cara de crítica auto-irônica (se é que isso existe). – 8,0
    C: Os personagens brigando com o escritor são carismáticos, e possuem vida própria (literalmente). Eles, com certeza, foram o ponto alto do texto. – 9,0
    U: Bem escrito, com cuidado, mesmo em cima da hora (se o final for verdade). Fluiu bem, apesar das trocas de títulos, vozes e pontos de vista. – 9,0

  34. Fheluany Nogueira
    14 de agosto de 2017

    Ficou interessante e criativo o texto todo construído em metalinguagem, com diálogos entre personagens e autor que discutem o processo de criação; e, ainda a opinião de leitores. A minha opinião escorregada pela do leitor sensível. O rotua demonstrou dominar a técnica de execução do conto que ficou diferente e bem interessante.

    Com “desconsertada”, penso que queria dizer “desconcertada”, significando atrapalhada, confusa, perturbada, embaraçada.
    Leitura divertida e agradável, sem maiores deslizes gramaticais ou estruturais.

    Parabéns pela participação. Abraços

  35. Elisa Ribeiro
    13 de agosto de 2017

    Olá Autor,

    Achei o começo arrastado e pouco inspirado. Só me envolvi na história a partir da crise da Samara e dai a história dela ser anã. Isso aconteceu mais ou menos da metade do conto. Antes disso, desculpe, não achei qualquer graça das suas tentativas de piada.Mas desse ponto em diante, seu humor crítico e irônico me agradou.

    Com relação ao desenvolvimento, gostaria de ter visto mais o enredo da peça que o autor escreve e menos do “processo criativo” dele, se é que você me entende.

    No mais, narrativa boa, o enredo ficou claro apesar da confusão dos personagens, o que atesta a sua habilidade como escritor. A revisão está boa; só notei uma frase estranha numa das falas do autor.

    Parabéns pela participação!

  36. Jorge Santos
    13 de agosto de 2017

    Tenho de reconhecer que li o texto a medo, pelo título. Não que seja um leitor sensível, mas de um texto de suposta comédia com um título deste teor espera-se sempre o pior. Não foi o caso. O texto é surpreendente em todos os aspectos. O desenvolvimento é criativo, prendendo o leitor desde o primeiro momento, as mudanças são subtis e elegantes, o ritmo e vocabulário adequado. Nota 10. E vai levar 10 porque não pode levar mais… parabéns.

  37. Eduardo Selga
    11 de agosto de 2017

    Numa de minhas postagens no Facebook (“Entrecontos-Autores”), antes de se os contos concorrentes serem publicados, fim uma pergunta mais ou menos nos seguintes termos: “comédia, ao pá da letra, é um texto escrito na formal teatral; será que se aparecer um texto assim no desafio, será aceito pela maioria dos leitores?”.

    Eis que, do ponto de vista formal, boa parte desse texto se utiliza do gênero dramático (texto escrito para encenação teatral), ou seja, com os diálogos marcados não por travessão e sim pelo nome do personagem. Essa estrutura vai até o falso fim, a partir do que sofre uma pequena mudança, sendo os diálogos substituídos por monólogos, mas ainda ainda fugindo ao tradicional do conto.

    A rigor, portanto, não se trata um conto.

    Não é um caso de hibridismo de gênero, como os “cronicontos”, certo tipo de crônica cuja estrutura mescla-se ao conto, ou da epístola, que pode estar inserida numa narrativa ou confundir-se com ela. A estrutura é toda ela dramática (texto escrito para encenação teatral).

    Em 2016 nosso colega Daniel Reis publicou o ótimo “CTRL-X”, um conto escrito dentro do gênero textual bula de remédio. A rigor, também não era conto, mas havia uma narrativa subjacente aos termos científicos e médicos, e bula não contém narrativa. Por isso, tínhamos uma mescla conto-bula.

    Aqui, não. Tanto o conto quanto o texto teatral precisam ter narrativa. Assim sendo, o que vai diferenciá-los é, repito, a estrutura.

    O texto, fazendo ótimo uso da metalinguagem, ironiza os chamados “politicamente correto” e o “leitor sensível”. Ironiza? Na verdade, não. A ironia é necessariamente sutil, e o que temos aqui é a zombaria escancarada, também conhecida como sarcasmo. Assim como a ironia, é instrumento que pode servir ao humor e à crítica, porém é mais grosseiro porque explícito.

    No trecho “tem muita de metalinguagem”, entendo ter havido um erro de revisão, pois o correto seria MUITO.

  38. werneck2017
    10 de agosto de 2017

    Olá, Rotua!
    Existem textos e existem Textos. O seu é um Texto maravilhoso. Inovador na forma e conteúdo, o que é absolutamente arrebatador, fugindo do lugar-comum. Muito criativo e divertido. O enredo caminha com facilidade para o desfecho sem perder a atenção do leitor por um só minuto.
    Adorei.
    Minha nota é 10.

  39. Olisomar Pires
    6 de agosto de 2017

    Muito bom o texto. Transita entre a ironia do Nelson … opa… isso é do texto.

    Divertido e crítico. O processo de criação numa escala aumentada ficou bem colocado (sem significados ocultos).

    No caso, o melhor é o posicionamento irônico do autor-narrador sobre algumas situações que inundam o cotidiano moderno infectado pela praga do politicamente correto.

    A discussão entre possíveis personagens e seu criador dão um tom non-sense que caiu muito bem no gênero em teste.

    Parabéns.

    PS: O texto merecia (merece) um título melhor.

  40. Bruna Francielle
    5 de agosto de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: Essa parte do leitor sensível foi a parte mais engraçada de todos contos que li agora, ahah. (Esse é o 4º conto que leio). Mas o personagem Marcelo sendo afrodescendente não poderia ser culpado de nenhum preconceito, afinal preconceito é exclusivo de pessoas brancas, héteros e cristãs. Achei bastante divertido o conto. Não costumo gostar de contos onde o autor se coloca como personagem, sempre acho um artifício sem criatividade, mas este conto foi uma exceção. Samara era a feminista justiceira social insuportável, ahah. Muito legal o destino que o autor deu pra ela, anã muda, bem merecido. Um ponto forte foi o conto ter zuado esse tipo de pessoa.

    Pontos fracos: Não entendi o título apenas, e também não gostei muito do título. Também achei o enredo de triângulo amoroso um tanto quanto batido, apesar do autor ter diferenciado com os detalhes desse triângulo, o que o fez ligeiramente diferente de outras incontáveis histórias com essa receita.

  41. Givago Domingues Thimoti
    5 de agosto de 2017

    Adequação ao tema proposto: Adequado. Sim, é uma comédia sobre um cara fazendo comédia.
    Criatividade: Altíssima. O uso da metalinguagem para falar sobre o presente Desafio foi a grande sacada do autor.
    Emoção: Aqui vem a questão polêmica; uma boa comédia faz o leitor rir? Sim, faz. Porém, ela necessita das risadas para ter qualidade? Não. Às vezes a ironia é a grande sacada do negócio e nem tudo que é irônico é engraçado.
    Voltando a minha opinião sobre emoção, eu não achei o texto engraçado, mas gostei da ironia que você, autor, usou.
    Enredo: Foi muito bom. Começando com um autor que discute com 3 personagens a história de um conto. Como eu disse anteriormente, a sacada foi genial. A inovação de mostrar, de forma ironizada e escrachada, a reação de dois tipos de leitores (crítico e sensível) ao texto também foi muito boa.
    Gramática: Não vi nenhum erro aparente.

    Boa sorte!

  42. Gustavo Araujo
    5 de agosto de 2017

    Excelente. Gostei muito pela metalinguagem e pela crítica nem um pouco velada contra o politicamente correto. Bem oportuna também a alusão aos leitores sensíveis e à “agenda literária” atual, com suas demandas imbecis e castradoras. Em dias como o de hoje chega a ser incrível que um cara como o Veríssimo (filho) faça sucesso, com seus contos que vira-e-mexe colocam a mulher como objeto de conquista. Enfim, gostei muito, a não ser pelo título – entendi a intenção do trocadilho, mas não me agradou tanto quanto o desenvolvimento. Parabéns!

  43. Bia Machado
    5 de agosto de 2017

    Desenvolvimento da narrativa – 2,5/3
    Gostei da forma como o texto foi estruturado e serviu bem ao propósito do que o conto pedia. Pensei que a coisa ficaria apenas na conversa, mas depois vieram outras partes que funcionaram bem e colaboraram com a graça do texto (eu me vi na pele do autor naquele finalzinho, rs). Usou aquela questão do politicamente correto, do tal leitor sensível para desenvolver o enredo e não extrapolou com a intenção de fazer rir quem teria que ler, pelo menos não senti assim e ainda bem que pensou desse jeito.
    Tem uma parte em que a Samara se torna muda e saem apenas sonzinhos de tentativa de fala, depois ela passa a falar normalmente, era assim mesmo?

    Personagens – 2,5/3 – Serviram bem ao conto, mas pra mim podiam ser mais explorados.

    Gosto – 1/1 – Eu gostei. No começo achei que não ia conseguir me arrancar nem um risinho amarelo, talvez por eu até ter pensado em algo do tipo para escrever, essa coisa do autor estar dialogando com as personagens, elas cobrando que o cara escrevesse logo alguma coisa do tipo pra eles.

    Adequação ao tema – 1/1 – Sim, adequado. Uma situação inusitada, com bons momentos.

    Revisão – 0,5/1 Pouquíssima coisa passou.

    – “desconsertada” é com C.

    -Não tem crase antes de nomes masculinos (porque crase é a junção da preposição A com um artigo “A”, feminino).

    – Essa frase ficou estranha, parece que faltou algo: “Marcelo seria a pior escolha que Samara.”

    – Essa aqui também ficou estranha: “Tem muita de metalinguagem.”

    Participação – 1/1 – 😉

    Aviso quanto às notas dadas aqui em cada item: até a postagem da minha avaliação de todos os contos os valores podem ser mudados. Ao final, comparo um conto a outro lido para ver se é preciso aumentar ou diminuir um pouco a nota, se dois contos merecem mesmo a mesma nota ou não.

  44. Ricardo Gnecco Falco
    5 de agosto de 2017

    Olá autor(a)! Tudo bem?
    Estou aqui agora, logo após ter me deleitado com a leitura de sua obra, exercendo a função não mais de leitor, mas sim de julgador de seu texto. Por isso, como bom Libriano que sou (e Librianos levam isso bem a sério…), para ser justo com você (e com os/as demais), darei notas para todos os trabalhos com base nos MESMOS quesitos, que estão listados abaixo. Desejo-lhe boa sorte do Desafio e lhe agradeço pela oportunidade de conhecer sua criação! Um forte abraço,
    Paz e Bem! 🙂

    —–

    1) Está BEM ESCRITO? (0/3) –> 2

    O texto é bem claro (sem preconceitos, ok!), porém passaram alguns furos na revisão (ex: “Marcelo seria a pior escolha que Samara.” ???; “Tem muita de metalinguagem.” ????). E tem o problema (o maior, para mim) da personagem anã, que ficou definida pelo autor como sendo muda e… Tcha-ram! Volta milagrosamente a falar no final do conto… Contudo, como o conto narra a própria criação (e apressada) de um conto, poder-se-ia dizer que tais “furos” foram propositais… Porém… (vixi!) Como apareceram por lá também as passagens pelos próximos passos da cadeia editorial, na ‘pele’ das personagens Leitor-Crítico, o novíssimo Leitor Sensível e… Tcha-ram! O EDITOR… Daí, não deu para deixar de descontar uns pontinhos. 🙂 Sorry…

    2) A história é CRIATIVA? (0/3) –> 2

    Sim. Gostei bastante da leitura! Contudo, um pouco depois ali da metade do texto, a história vai perdendo um pouco da qualidade que, no início, estava sensacional. Não sei se foi falta de algum elemento que prendesse o leitor (este leitor aqui, é claro), ou se o ritmo e as inovações foram caindo. Mas, até a metade do conto, eu estava simplesmente maravilhado com a leitura e com a história. Já estava pensando: “Caraio… O primeiro trabalho que eu estou lendo e já estou embasbacado com a criatividade do/a autor/a!”. Acho que faltou um pouco de emoção na reta final dessa punheta aí… Mas também… Transformou a gostosa numa anã, o noivo num cornão e o ex-namorado em um canalha… Aí fica difícil chegar lá, mesmo! (rs!)

    3) O humor é INTELIGENTE? (0/3) –> 2

    Sim. Foi como forçar um buraco na parede de um beco sem saída. E mostrar todo o encanamento, fiação, reboco e tijolos que vão formar um conto após finalizado. Boa sacada! Pena que perdeu um pouco da pegada no final.

    4) Eu dei RISADA? (0/1) –> 1

    Sim. Muito! Na primeira metade da leitura tive até que dar uma parada para poder respirar! 😀

    ——-
    7
    ——-
    OBS: Se as notas por mim expressas aqui somarem um valor DIFERENTE (para mais ou para menos) da que será, ao final de todas as leituras, postada no respectivo campo de avaliação geral do site (onde estarão listados todos os contos concorrentes deste grupo e suas respectivas notas finais, e que terão valor oficial), o fato se deverá, provavelmente, por eu ter mexido na nota previamente colocada aqui na avaliação inicial, com base na amplitude de conhecimento obtida após término de todas as leituras, podendo portanto ocorrer uma mudança de paradigma em meu padrão avaliativo inicial.

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 1, Comédia Finalistas e marcado .