EntreContos

Literatura que desafia.

Deus, o impessoal (Nelson Danilo)

— Alô?

— Alô.

— Senhor Pacheco?

— Sim. Quem fala?

— Aqui é Deus. Tenho uma notícia para o senhor.

— É quem? Para de loucura, homem.

— É Deus, seu Pacheco. Sem brincadeira.

— Mas qual deus que é?

— Você me conhece por YHWH.

— YHRW o que?

— YHWH, ou JHVH.

— Tá doido, é? Quem consegue falar isso? É um trote ou o que?

— Não, seu Pacheco, tenha calma. Meu nome é assim de propósito. Já fazem alguns milhares de anos que tenho evitando passar o verdadeiro, senão acabam com a minha paz.

— Acho que estou reconhecendo esse papo. É coisa dos dez mandamentos, não é?

— Isso mesmo, seu Pacheco. Mandei logo um tetragrama para Moisés e o povo dele, porque da última vez que revelei meu nome, tive que mandar uma chuva por quarenta e dias e quarenta noites. Mas essa já é uma outra história…

— Está certo. Se Deus quis assim, quem sou eu para questionar?! Mas Senhor, achei que seu nome era Jeová.

— Tá danado, hein? Sabia que hoje em dia existe Google, Wikipédia, Bing? Ainda bem que o pessoal me erra, mas quando alguma testemunha morre e consegue vir para cá, dá o que fazer para explicar isso. Tem vezes que falam tanto na minha cabeça, que acabo enviando alguém lá para baixo. Só quero #paz.

— Sem contar daqueles chatos que batem na nossa porta de domingo. Se até o Senhor descansou no último dia, eu que não vou me dar ao trabalho de levantar do sofá. Fico vendo tudo pela câmera que liguei no roteador daqui de casa e, quando tocam a bendita campainha, olho quem é pelo celular. Se tiver bem vestido e com pasta na mão, já taco o fod…

— Mas eu descansei no sábado – disse Deus interrompendo o homem.

— Eu sei. Mas minha semana só começa na segunda e acaba no domingo. Quem criou esse calendário não devia trabalhar no Brasil.

— Tudo bem, seu Pacheco. Isso são só detalhes e não vem ao caso discuti-los. Cada um escolhe o primeiro e último dia da sua semana, combinado?

— Combinadíssimo! Mas então, YEHRJVH, o que o Senhor queria comigo mesmo?

— Essa foi de doer o ouvido – respondeu fazendo uma careta que assustou até mesmo Gabriel, então continuou. – Eu tenho uma notícia para te dar. Você está sentado?

— Sim. Quer dizer, na privada conta, né?

— Isso é sério?

— Ah, sabe como é… Nessa idade, as coisas escapam com facilidade. Quando você disse que era o próprio YARJHWE, corri para o banheiro. Mas pera lá, você não é onisciente?

— Acredite, quando se é onisciente, tem certas coisas das quais você não quer saber. Essa é uma delas.

— Não sabia que dava para selecionar. Espera um pouco na linha – Pacheco se limpa e dá a descarga. – Pronto. Pode continuar.

— Então, Cláudio Antunes Pacheco, estou ligando para avisar que vou precisar de você aqui em cima.

— Aí em cima? Para que?

— Acho que você não entendeu. Eu quis dizer aqui em cima… comigo… ao meu lado…

— Ora essa YRHWJH, você está precisando de alguma ajuda? Não creio!

— Não, não é isso. Estou tentando avisar que o seu tempo está chegando ao fim.

Pacheco afasta o celular do ouvido e confere as horas.

— Putz, você tem razão. Já estava me esquecendo de buscar a Maria Clara na escola. Brigadão, Deus, você é O Cara.

— Mas não foi isso que eu quis dizer. Olha, seu Pacheco, não quero lhe atrasar. Eu ligo depois, pode ser?

— Você quem manda.

***

Horas depois.

— Alô?

— Oi, pode falar YORHWH. Tentei te ligar, mas minha operadora não conseguiu completar a ligação.

— É YHWH, já disse. E a única operadora que consegue discar para cá é uma do Zimbábue. Mas só autorizo receber chamadas do meu amigo Paul Sanyangore.

— Dá para fazer chamada de vídeo? Fiquei curioso para saber quem tem mais barba branca. E por que você não me diz logo seu nome verdadeiro?

— Não se preocupe com vídeo, em breve você verá muito mais do que isso. E dadas as condições, acho justo que você saiba. Meu nome é…

Um som que Pacheco jamais ouvira, percorreu todos os seus sentidos. Era sinestésico. Mais do que isso, era uma nova maneira de sentir. As sinapses em seu cérebro abriram um novo caminho pela percepção de realidade, conectando-se com o divino. Mesmo sem entender como, sabia que era possível conversar diretamente com Deus. Porém não disse nada. Ficou mudo. Imobilizado pela sensação daquela presença. Acreditava estar enxergando o paraíso, mas era apenas o vislumbre do nome do Santíssimo.

Percebendo que o sujeito estava em transe, Deus mandou um sopro. Uma brisa gelada que surgiu do nada e percorreu o corpo de homem. Um calafrio espiritual que lhe recobrou a consciência.

— O que você queria falar comigo mesmo?

— Sua hora chegou, meu filho. Você deve se juntar a mim.

— O que? Eu vou morrer?

— Pense que você viverá eternamente comigo aqui em cima.

— Mas isso não é justo. Por que você está me levando tão cedo?

— Não é nada pessoal, meu querido, tente entender que eu tenho um plano para todos os acontecimentos.

— Como assim não é nada pessoal? Quem escreveu os planos?

— Fui eu mesmo.

— Pois, se foi você quem decidiu, como isso pode não ser pessoal?

— Não escolho por prazer, seu Pacheco. Foi meio aleatório, sabe? Eu estava aqui pensando, arquitetando uns eventos, ajustando uns detalhes e de repente pimba!

— Pimba?

— PIMBA!

— Você me escolheu para morrer e pimba?

— Sim, foi exatamente assim.

— Não sei se aguento isso… Fiquei muito decepcionado agora.

— Por favor, não fique assim. Pense nos momentos bons que te dei, nas conquistas, na…

— Na pimba! – respondeu com raiva, interrompendo Deus.

— Se acalme. Já falei que não é nada pessoal. Essas coisas são difíceis de explicar. Mas quando você estiver aqui, tudo vai se esclarecer. Eu prometo.

— E como é que eu vou morrer?

— Bom, já era para você ter morrido, eu tinha escrito seu nome num caderno que encontrei por aqui outro dia e liguei para avisar, mas nossa conversa se estendeu mais do que devia.

— Posso saber que caderno é esse?

— Se chama Death Note.

— Você só pode estar de brincadeira. Primeiro, pimba. E depois, Death Note. Estou começando a achar que deveria ter seguido o caminho do meu irmão, que se tornou hinduísta.

— Não se preocupe com isso, apesar das diferentes formas, eu sou um só. Já o resto são só macacos, elefantes e vacas mesmo.

— Então, por que você não vem para cá avisar o pessoal sobre isso?

— Porque eu já fiz demais por todos. De qualquer forma, as pessoas se esquecerão da verdade com o tempo, voltarão a ser desunidas, guerrear e etc… É mais fácil sentir empatia, do que construir uma bomba. Ainda assim, preferem as bombas. Além do mais, minha criação tem uma diversidade intelectual gigantesca, entende? É mais fácil pescar diferentes peixes se você tiver diversas iscas.

— Nunca fui muito bom em pescaria, vai ver foi por isso. Mas se eu vou morrer, você poderia ao menos me revelar qual é o sentido da vida, não acha?

— Estava esperando por isso. Assim que eu lhe contar, você morrerá. Exatamente como foi profetizado no evangelho do Death Note.

— Fazer o que, né… – disse sacudindo a cabeça em descontentamento.

— O sentido da vida é…

Pacheco ouviu Deus falar sobre o motivo de toda a criação. Uma longa história que envolvia uma aposta para criar o mais complexo mundo onde mestrar um RPG de mesa, inserindo desde leis para o funcionamento da matéria em escala atômica até a corpos maiores, a criação e destruição da vida ao longo de bilhões de anos, passando por dar a uma espécie a capacidade de desenvolver considerável inteligência e observá-la quase sem interferências, até chegar ao momento final do qual fecharia seu livro em uma expansão cósmica, encerrando todo aquele universo.

***

“O simples homem não foi capaz de compreender todos os planos do Criador. Sua mente ficou perturbada ao refletir sobre a impessoalidade divina, que colocava toda a existência em um plano aleatório de acontecimentos insignificantes. Outra vez seu intestino remoeu as emoções, então ele correu para o banheiro. Imaginou que morreria ali sentado, olhou o celular, pensou em perguntar como diabos estava descrita sua morte naquele caderno. O estômago embrulhou, ele se contorceu e virou para vomitar, ignorando a água marrom que respigava em seu rosto. Em seguida, um aperto dolorido dominou seu peito, roubando-lhe a vitalidade. O pescoço não resistiu a fraqueza, mergulhando a cabeça na mistura morna de líquidos e sólidos dentro da porcelana. O último suspiro foi interrompido pelo engasgo, que terminou por findar, de forma impessoal, a vida de Pacheco.”

Death Note 1:2

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23 comentários em “Deus, o impessoal (Nelson Danilo)

  1. Roselaine Hahn
    27 de agosto de 2017

    Olá autor, conto sinistro, rsrs. A proposta é boa, o enredo prende, no início começou de forma leve, ares cômicos, mas do meio em diante a coisa começou a ficar mais séria, as explicações divinas, o blá, blá, blá , então, acho que desordenou um pouco o espírito da coisa, a comédia. Talvez fosse o caso de guindar os diálogos a algo mais surreal, absurdos, digamos que o Pacheco pareceu-me um tanto conformado com o seu fim, ah e falando nele, muito bom o mergulho na privada. A frase “que tenho evitando passar o verdadeiro”, está incompreensível, acho que seria “que tento evitar o verdadeiro”, né? Essas são as minhas considerações, espero ter ajudado. abçs.

  2. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Bar Mitzvá,

    Gostei dos primeiros ¾ do seu texto. Achei que o inusitado de receber uma ligação de Deus foi bem legal. O PIMBA ficou muito engraçado, e imagino que a vida seja mesmo uma série de acasos organizados de propósito, para fazer do acaso um plano bem bolado. (?????)
    Quando você colocou Deus anotando o nome do pobre Pacheco no Death Note também gostei, mas acho que nem todos pegariam essa referência. Na última frase eu achei que o seu texto perdeu um pouco em qualidade. Achei que não ficou muito condizente o último parágrafo com o restante da narrativa. Não sei se foi alguma referência mais específica de Death Note, mas eu não consegui captar. Um bom texto, talvez não seja pra mim, mas foi um bom texto.

  3. Leo Jardim
    17 de agosto de 2017

    Deus, o impessoal (Bar Mitzvá)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐▫▫▫): parte de uma premissa bastante recorrente em textos de humor: a conversa com Deus. Costumo gostar desse tipo de texto, mas esse aqui não me agradou muito, pois não fugiu do lugar-comum. As piadas não me fizeram rir e a solução final acabou por ser muito forçada. Faltou também o Todo-Poderoso dizer ou dar alguma indicação da importância do protagonista. Apesar disso, gostei das referências à cultura pop, como Death Note e RPG.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): um texto simples, quase todo baseado num diálogo. Em alguns pontos, os verbos estão no presente e em outros no passado e isso me incomodou um pouco. Fora isso, é um texto que flui facilmente.

    💡 Criatividade (⭐▫▫): como eu adiantei, trata-se de um mote bastante batido, sem grandes de destaque.

    🎯 Tema (⭐⭐): o texto trabalha na base da ironia.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): apesar das boas menções a itens de meu apreço, o texto não encontrou o tom da comédia pra mim. A resolução do final também não me agradou.

    🤡 #euRi: infelizmente não ri nesse conto 😕

    ⚠️ Nota 6,0

  4. Anderson Henrique
    17 de agosto de 2017

    O texto tem cadência, está bem escrito, mas ele se apoia em terras já visitadas. O embate entre criador e criatura não é novidade. Há uma graça aqui e ali. Foi leve a leitura, boa, sem percalços. Mas acho que é um texto sem grandes recursos ou experimentações. Bom, mas não arrasador.

  5. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá,

    Está realmente complicado fazer uma avaliação coerente deste certame. Achei o seu conto estranho, entendi que a conversa era pra ser engraçada, mas não foi… Torci para que fosse divertida, (até teve um ou dois momentos).Mas o problema maior é justamente o que diz o título: impessoal. Os diálogos são distantes, e se repetem …tipo, é como se a gente tivesse escutado essas piadinhas a vida toda.

    Deus não tem carisma, de Pacheco até senti em algum momento. Lamento que tenha optado por um final tão grotesco, acho que podia ter apostado em outra coisa, não é o tipo de cena que me agrada, muito menos faz rir, talvez se tivesse terminando com um simples ataque cardíaco sem incluir o vaso sanitário na cena, seu conto poderia ter me agradado mais. Mas quem sou eu pra dizer o que deveria ou não ter feito, né mesmo?

    Desculpe, mas no geral o conto não funcionou pra mim.

    Boa sorte no desafio.

  6. Priscila Pereira
    16 de agosto de 2017

    Olá Bar.
    Esse comentário não serve como avaliação, é só minha opinião sobre o seu texto!
    Cara, que nojento!! Não achei graça nenhuma. Apesar disso o texto estava fluindo até esse final… o que foi isso?? Uma merda! kkk Desculpe aí, mas sorte sua que eu não dou nota viu… kkk

  7. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    16 de agosto de 2017

    Bar Mitzvá,

    seu conto tem pontos de excelência: escrita e boas sacadas brilham aqui. A história é clichê, mas foi um clichê bem conduzido e que soube entreter. Não vi nenhum deslize em termos gramaticais, creio que outros poderão apontar o que passou batido por mim.

    Em suma, é um bom trabalho que soube trabalhar bem com o clichê.

    Gostei.

  8. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: o humor através da repetição é uma alternativa comum e efetiva, como pode-se notar sobre o nome de Deus. Não peguei detalhes de ortografia dignos de nota. Quanto à organização, temos um fato insólito guiando a narrativa e a graça sendo construída pela naturalidade com que esse fato é recebido.
     
    Aspectos subjetivos: achei bem criativa a maioria das tiradas, assim como a opção por humanizar o Divino (ok, isso não é tão inovador, mas ganha pontos pela qualidade com que foi feito). Embora o protagonista não seja lá um poço de carisma, é possível apegar-se à sua simplicidade diante do Todo Poderoso.
     
    Compreensão geral: achei o conto bastante coerente até o final, e é nele que reside minha ressalva. Ainda que faça todo o sentido como reviravolta, como quebra de expectativa, funcionou de forma negativa comigo. Imagino que quem escreveu tenha essa consciência: algo feito para chocar é como uma roleta russa, pode chutar o balde para o bem ou para o mal. No meu caso, ver o cara se afogando nos próprios excrementos foi desnecessário.

    Parabéns e boa sorte.

  9. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Bar Mitzvá, como vai?
    Bem, iniciei seu conto sorrindo, ele está muito bem escrito, o enredo é inteligentíssimo, algumas passagens são realmente cômicas, diálogos incríveis, mas a cena da morte de Pacheco me fez esquecer que era uma comédia, quase chorei, achei dramática mesmo, a coisa de morrer daquele jeito, e parece que ocorre com uma certa freqüência na vida real, isso de morrer na merda, enfim rsrs.
    Pelo conto em si, mas com o final que não me agradou, dou 9,5.
    Abraços

  10. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Rindo aqui, da sua construção. Achei excelente, dei risadas com a epifania “sinestésica sentida pelo homem, da escritura sagrada, “Death Note”. Sua história está mesmo bem bacana e criativa. Tem horas que senti que ele era mais velho (quem tem a barba mais branca). Em outras me pareceu que era mais jovem , estando ligado à tecnologia, rpg e indo buscar Maria Clara – bem, avô também a poderia apanhar a Maria Clara. Bacana também a brincadeira que faz com os seguidores chatos que visitam nossas casas no domingo matinal. Não conhecia o verbo mestrar e descobri aqui tratar-se de algo ligado aos jogos. Na escrita somente um detalhe que se vê logo que foi descuido pela falta de um n. Parabéns, seu conto está muito bacana.

  11. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Não teve sequer sorriso para um conto que se considera comédia. Mais para um conto escatológico, com base em suposição a respeito de uma divindade. É difícil acreditar que uma pessoa possa avaliar que um argumento desses possa despertar sentimentos de alegria e felicidade, apesar de bem escrito e definido. Atendeu parcialmente pela quantidade de palavras, mas sem nenhum bom critério e criatividade.

  12. Cláudia Cristina Mauro
    11 de agosto de 2017

    Ideia criativa que foi bem desenvolvida em um texto bem escrito e enxuto.
    Conseguiu unir temas atuais às questões religiosas de modo cômico e fluido.
    O personagem Pacheco causou identificação imediata. A personalidade de Pacheco não é descrita, é no desenrolar do diálogo com Deus que conhecemos o personagem. Ele é caracterizado por meio do diálogo.
    O conto tem uma pulsação rápida e dinâmica, devido ao discurso direto, ao mostrar mais do descrever, que fica restrito à conclusão da história.
    A ideia se mostrou interessante em virtude da organização dos elementos, principalmente sobre o que mostrar e o que descrever, que resultou na bem-sucedida condução do mesmo.
    Um problema é que na parte descritiva, a pulsação perde um pouco o ritmo pelas frases longas. O “impessoal” do título entrega a personalidade desse Deus antes da hora. E esta impessoalidade pode ser percebida ao longo do texto. Antes de começar a leitura, já sabemos que haverá um Deus frio.
    Nota 9,5.

  13. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Religião e o Sagrado são sempre temas delicados para escrever e também para comentar. Parabenizo ao autor(a) pela coragem. Foi engraçado assistir/ler como um cidadão foi ceifado de sua existência, e toda a explicação sobre não ser nada pessoal. Daria um bom vídeo para o Youtube, aliás.

  14. Higor Benízio
    8 de agosto de 2017

    Olha, a ideia de falar com Deus ao telefone é muito boa, mas a execução não foi lá muito boa. Death Note não pegou nada bem, só engasgou o texto. Não foi uma sacada boa que nem a do Paul Sanyangore. Mas o texto pode ser salvo! A maior parte do diálogo é boa, podendo ser reaproveitada em um texto que explore melhor o que Deus poderia querer deste cidadão etc. Como no filme O todo poderoso.

  15. iolandinhapinheiro
    8 de agosto de 2017

    Método de Avaliação: IGETI

    Interesse – Conto com uma fluidez ótima. Os diálogos eram bem montados e ri (discretamente) uma vez ou outra com as falas de Deus, principalmente. O conto corre maravilhosamente bem até a parte final, quando perde por completo a leveza. De repente no meio da flutuação o autor coloca dois tijolões, um sobre o sentido da vida, outro sobre a morte do Pacheco. Para que? Para perder o dez que eu ia dar.

    Graça – Gostei do tom irônico e de algumas piadinhas discretas ao longo do conto. Não morri de rir, mas neste concurso ainda não dei as gargalhadas que estava esperando. Então a adequação ao tema foi cumprida.

    Enredo: Cara recebe um telefonema do próprio Deus que resolveu avisá-lo que ele iria morrer. Segue uma conversa divertida entre os dois até a inevitável conclusão que já é apontada desde o início do conto. Um enredo simples mas bem aproveitado para criar uma texto fácil de ler, e de gostar. A maneira muito coloquial e humana que Deus usa para falar e explicar as coisas é o ponto alto da trama, pois aproxima o leitor do personagem.

    Tente Outra Vez – O que derrubou o conto do cavalo foram os dois parágrafos finais.

    Impacto: Bom. Bem agradável. Gostei.

  16. Jowilton Amaral da Costa
    8 de agosto de 2017

    Achei um bom conto. Bons diálogos, ágeis no início, um tanto enfadonhos no meio e voltando a crescer no final. Boas piadas sobre a existência, sem descambar para lição de moral, fosse religiosa ou anti-religiosa. Deus deu uma escorregada no português, ao meu ver, errou na concordância do verbo fazer indicando tempo decorrido, seria “faz alguns milhares de anos…” e não “fazem alguns milhares de anos…”. A morte do Pacheco é de uma forma bem bizarra e pouco engraçada. Boa sorte..

  17. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2017

    Ohh.. estava bom até, mas esse final na merda ae.. pelamor!!!
    Eu ri do PIMBA! e da revolta dele com o PIMBA! hahaha
    Geralmente eu não curto estes diálogos com Deus, mas comprei o nonsense e estava me divertindo, o conto é bem escrito, flui e está corretinho, gostei do transe em que o cara ficou ao ouvir o nome de Deus.
    mas, como falei o final cagou tudo 😛
    Tá, posso estar levando pro lado do gosto pessoal, vou pensar nisso na hora de pontuar, fique tranquilo.
    Abraços

  18. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    Pacheco, ainda bem que a morte não chega assim, né? Se Deus telefonasse pra mim, seria morte fulminante no “alô”! Escrita criativa, texto bem amarrado, diálogo que prende a atenção do leitor, conversa que vai aumentando a aflição, pausa que alivia e dá esperança. É uma montanha-russa. Interessante a conversa descontraída no banheiro, fazendo referência à necessidade fisiológica mais “privada” do ser humano. Interessante a citação das fontes de pesquisa mais buscadas no mudo: Google, Wikipédia, Bing, e de maneira cômica! Interessante os “apelidos” dados ao Criador: YHWH, Deus, Jeová, YEHRJVH, YORHWH. Enfim, Cláudio Antunes Pacheco, não teve escapatória. Apesar da boa lábia, a hora chega, não tem jeito. Com piada ou sem piada, a gente vai e a banda não toca. Parabéns pelo texto!

  19. José Bandeira de Mello
    6 de agosto de 2017

    Mais um conto onde a tentativa de se descobrir a razão da vida e da morte de faz através de um diálogo entre o homem e seu criador. Embora o autor consiga sustentar tal conversa com coerência e realismo, penso que se tudo fosse mais resumido (uma vez que conclusão alguma se chega), a intensão do autor não iria se perder e o texto ganharia mais agilidade. O fato do homem travar esse diálogo sentado em uma privada, foi o artifício do autor para dar ao conto um ar de comédia, o que achei pouco e apelativo. Não encontrei falhas gramaticais relevantes.

  20. Luis Guilherme
    6 de agosto de 2017

    Bom dia, bar, tudo beleza?

    Gostei! O conto não conta (iéié) com nenhuma subversão surpresa de humor (termo que inventei agora e vou patentear), ou seja, o humor do seu conto não se baseia em algum acontecimento engraçado em específico, mas sim numa linguagem e uma escrita divertidas, que tornam a leitura bem agradável. Tem vários conceitos legais, também, especialmente os últimos parágrafos.

    GOstei da referência ao Death Note, série que gosto bastante.

    O diálogo flui muito bem. É difícil construir diálogo de humor que soe natural, então muitos pontos por isso.
    Aliás, acredito mesmo que toda a graça do conto seja construída em cima dos diálogos, e obviamente isso não foi acaso. Parabéns!

    E boa sorte! =)

  21. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************
    Sorri levemente em:

    – Só quero #paz (aqui poderia ter colocado a hashtag “real” #pas)
    – Essa é uma delas.
    – e de repente pimba! (a posterior repetição da palavra acabou irritando um pouco)

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Esse tipo de conto estruturado em diálogo é bom para prender a atenção. Quando o tal diálogo envolve Deus, então, daí não tem muito como errar.
    Enfim, estava com interesse na história até aparecer “Death Note”. Ali, percebi que não haveria um final criativo, mas sim apenas algo meio

    nonsense, e o negócio desandou.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Não há exatamente um enredo, apenas um fio condutor baseado na curiosidade de “afinal, o que diabos Deus quer com esse cara?”. Isso até funciona

    bem, até desandar, como mencionei acima.

    O último parágrafo então… completamente deslocado e destoante do resto do texto.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    Não há uma ambientação de nenhum lugar, mas nesse caso seria desnecessário. Os cenários onde se passa a história fazem parte do senso comum e todo

    mundo consegue imaginar o céu, por exemplo.

    Os personagens não convencem muito. Deus ficou meio perdido entre o Deus tradicional e um bonachão. Pacheco é meio sem sal.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************

    A gramática está ok, não há construções elaboradas nem frases de impacto (acho que nem era essa a intenção).
    O maior mérito aqui é a agilidade que o autor conseguiu imprimir ao diálogo, fazendo a leitura fluir muito bem.

    – Já fazem alguns milhares
    >>> faz

    – quarenta e dias
    >>> sobrou esse “e”

    – o corpo de homem
    >>> do

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Adequação total ao tema.

    NOTA: 7

  22. catarinacunha2015
    5 de agosto de 2017

    Diálogo por telefone tem que ser assim, toma lá, dá cá. Houve velocidade, mas com algumas quebras. A premissa de Deus avisar o cara antes foi muito boa. O fim escatológico ficou digno.

    Frase auge: “— Não escolho por prazer, seu Pacheco. Foi meio aleatório, sabe? Eu estava aqui pensando, arquitetando uns eventos, ajustando uns detalhes e de repente pimba!” – Toda a síntese do conto está nesta frase , na constatação de que nossa existência depende de um “pimba”.

    Sugestões:

    Cortaria todo o penúltimo parágrafo sem dó. A explicação tirou o ritmo dos diálogos e deu peso e seriedade ao texto.
    Tiraria a palavra “impessoal” do título, pois entrega o clímax.

E Então? O que achou?

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Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2 e marcado .