EntreContos

Literatura que desafia.

A farsa da boa consciência (Fil Felix)

Fui incubido da peculiar missão de reconhecer o ambiente terrestre brasileiro, do Oiapoque ao Chuí, feito arauto da colonização. Ao contrário de meus irmãos, que foram em outras direções. Desci em velocidade esplêndida, de nossa estrela matizada, do coração do meu planeta natal ao coração da Terra. Caí numa cidade de clima seco, barulhenta e hostil, onde logo comecei a tomar notas, que transcrevo aqui, com mais ou menos detalhes. Meu tempo com os terráqueos foi proveitoso, adquiri muito de sua cultura, suas músicas, seus hábitos, de sua fauna e flora, que acabaram impregnados em meu inconsciente. Ou no meu disco rígido?

Minha descida foi perfeita. Um lançamento curvo e acurado no espaço-tempo, passando despercebido por todos os equipamentos de segurança na órbita do planeta azul. Me encontrei num beco sem saída e, ao sair, me deparei com os mais diversos primatas, alguns que nem tínhamos catalogados ainda. Primeira anotação paradoxal: a saída do beco sem saída. Estranhei, claro. Os humanos eram pra ser assim, tão singulares? Há quanto tempo não recebíamos atualizações? Rapidamente ativei meu indutor de imagens e me camuflei em meio a eles. Chimpanzés, orangotangos, bonobos e gorilas por todos os lados, correndo de um sentido ao outro, ocupados demais em seus aparelhos móveis. Solitários, de certa maneira. Meios de transporte antiquados e barulhentos se arrastavam pelas ruas. E caminhei, observando os hábitos dessas criaturas: algumas de mãos dadas; outras deitadas nas calçadas; roupas das mais diversas, cobrindo seus corpos peludos, mas apenas certas partes. Aparentemente, havia uma distinção entre o que poderia ou não ser mostrado em público. Foi quando me deparei com as peças mais inusitadas de minha viagem, verdadeiros monumentos! Pequenos, grandes, retangulares, ovais… de todos os formatos! Aglomerados, como uma convenção da Escola da Anta, que tanto ouvimos falar!

Observei com atenção uma das peças. Denominei Monólito #1 no caderno de anotações. Era como se olhasse a realidade, mas não era a realidade. Era algo a mais. Era uma realidade falsa. Uma primata passou por mim e aproveitei para questioná-la: o que são essas estranhas formas? E ouvi sua resposta:

– Kdih aisdjn dasih.

Claro, ela não falava nossa língua. O canal de comunicação não funcionou de imediato. Precisei quebrar nossa segunda barreira, logo após a da aparência: a da língua. Ativei o mecanismo de tradução simultânea, que logo captou as frequências ao redor e criptografou o idioma que, por sorte, não é só simples, como todos estão cada vez mais interligados e abreviados. Apesar de que, curiosamente, eles possuírem uma quantidade maior de palavras que nós. Muitas inutilizadas, mas ainda oficiais. Repeti a questão:

– Conte-me, senhora. O que vê?

– O que vejo, meu rapaz? Eu me vejo.

– Então você se sente representada por estas formas?

– Não somente representada! Veja bem, olhe de perto. Já viu algo mais fenomenal que isso? É belíssima. As formas, como se move, a textura… Adoro! Tenho vários em casa! Tem interesse?

– Não compreendo. Você realmente achou tudo isso?

Por algum motivo ela ficou incomodada com a resposta e saiu ríspida, sem sequer dizer adeus. Sentei na calçada, próximo aos monólitos. Percebi que, assim como as demais pessoas deitadas no chão, ninguém me notava. Foi como se estivesse invisível, constatei que os terráqueos possuem outra característica que nos é estranha: selecionam a quem dirigir a atenção de acordo com seu nível. Por eu estar num nível baixo, fui apagado. Enquanto alguns outros, no alto de seus sapatos de salto e dos pelos descoloridos do couro cabeludo, eram cercados por pequenos micos que lhes estendiam a mão. Os considerei, então, de certa importância. De certa altura. Mas, por alguma razão que também me é desconhecida, essas mesmas pessoas ignoravam as mãos ou, pior, demonstravam uma modéstia forçada, que lhes entortavam a face peluda. Uma situação, pelo que anotei posteriormente, ridícula. A princípio, processando as informações sentado, tive medo do ridículo. E quanto mais temia, mais percebia o quão ridículo as situações se tornavam. Até o momento que fiquei indiferente à elas.

As pessoas também ignoravam os monólitos. Apenas algumas se aventuravam em olhar para dentro deles e fui capaz de reparar certos padrões em seus comportamentos. Uma primata ajeitou o cabelo, enquanto outra alisou o rosto. Um gorila chegou a ajeitar o terno pesado. Cada qual arrumando algo em frente aos monólitos. Olhando com mais atenção, me dei conta do nome dado aos objetos e que não eram de concreto, mas sim um tipo de vidro ou metal polido, cujo reflexo despertava o interesse de alguns. Espelhos, como chamam.

Passei a manhã toda tomando notas dos transeuntes. Reparei, também, nos textos espalhados pelas paredes dos prédios, letras que meu programa não conseguia decifrar. A cidade, preciso dizer, era muito cinza. Ao contrário de nossas multicoloridas cidadelas. Cheguei a estender a mão para outra primata, a fim de fazer mais uma pergunta acerca dos espelhos, mas fui ignorado. Resolvi uma abordagem diferente, lembrei de nosso código 34-X do Manual de Reconhecimento de Campo: “se os nativos não demonstrarem intelecto suficiente, busque por inteligência em outros seres”.

Ao meu lado caminhavam diversos animais, diferentes das pessoas, sendo menores e agitados. Andavam de um lado ao outro, bicando o chão à procura de migalhas. Despreocupados com sua aparência, com a altura, com as penas, com nada. Vivendo. Questionei um que me pareceu simpático.

– Diga-me, amigo. O que vê?

– Pruu.

– Pru?

– Pru!

– Pru!

Senhor Pru, como o chamei. Por sorte, o tradutor simultâneo estava ligado. E não é que concordei com o Sr. Pru no chão? Talvez o mais sensato de todos ali, pois admitia, assim como eu, que nada se via nos pequenos monólitos. Quer dizer, espelhos. Era um mistério. Um que estava prestes a desvendar, meus caros superiores!

A consciência na Terra se dá de maneiras diferentes da nossa. Enquanto somos interligados e conscientes do corpo e espaço de um ao outro, os terráqueos demonstram maneiras diferentes disso. Nem todos, aliás. Os primatas tomavam consciência de si mesmos em frente ao espelho. De seu corpo e seu espaço. O Sr. Pru e eu, de espécies diferentes, víamos apenas o que estava ali: uma imagem refletida. Eu, em particular, jamais me enxergaria ali até mesmo por conta do indutor de imagens. Mas os primatas, pelo que percebi na manhã toda, despejavam certa importância aos objetos. Alguns ficavam mais felizes, enquanto outros saíam tristes e cabisbaixos. São assim que possuem auto-consciência, a percepção de si mesmos? Pensei. Em nossa estrela, teriam dificuldades, já que não temos tal tipo de coisa. Seriam até mais ridículos, acredito.

– Bocó! Bocó! Bocó! – Começou a gritar uma outra criatura, que se mantinha próxima às peças, num tronco improvisado de uma árvore morta. Em alguns aspectos, ele se assemelhava ao Sr. Pru: também era uma ave. Palrando despropérios. Foi quando tomei certa liberdade.

– Você é um Pru diferente! É um primo, talvez?

– Pru é o seu @#!

Censurei a frase, conforme nossas leis, pois foi um insulto! O pequeno bastardo me insultou! Mais tarde soube o significado de tal palavra, o que foi pior! @# era a cara dele! Mas no momento, fui inocente. E como percebem, o clima seco e hostil da cidade me impregnou. Perdi o controle, como verão nas próximas cidades.

– Pru é o seu @#. Bocó! – Ele repetiu.

– Mas me diz, meu amigo. O que são essas peças?

– Espelhos. Espelhos. Espelhos. – Ele repetia à exaustão, como se anunciando algo.

– Gostou do papagaio, rapaz? – Um orangotango já surrado pelo tempo, perto do tronco, surgiu e me questionou.

– Ah, este pequenino? Adorável! – Nota extra-oficial: mentira.

– E os espelhos, vai querer levar algum? Percebi que está a manhã toda aí, parado, observando. Vai levar ou não?

– Mas para quê eu teria isso?

– Pra se ver, oras!

– E eu preciso?

– Não quer se sentir bonito, meu rapaz? Arrumar esse cabelo bagunçado, atrair aquela paquera?

– Ah, então preciso de um desses para ser bonito?

– Falei se sentir, não ser!

– Mas eu me sinto!

– Mas não é?

– Agora não sei!

– Poderá saber!

– Então me dê um! Valerá a experiência, pelo menos!

– São 10 reais.

Negócio feito! Não só encontrei nossa terceira barreira na missão, o do padrão monetário, como fiz outra anotação paradoxal: o Real é algo inexistente, apenas transação digital. E que ser belo, no planeta dos primatas, é caro. Aliás, se sentir belo. Porque ser, ali ninguém era. Eita carestia! Após a compra, o orangotango surrado me pediu que curtisse sua página. O que me levou à outra descoberta incomum: a rede social da Terra. Que, assim como os espelhos e o Real, vinha com a função de falsa aceitação e beleza social. Tratei logo de criar meu perfil. Fake, claro. Se em meio aos terráqueos, falso também serei. Pelo que constatei, é a lei básica. Continuemos.

Anúncios

25 comentários em “A farsa da boa consciência (Fil Felix)

  1. Rubem Cabral
    4 de setembro de 2017

    Olá, Fil Felix.

    Achei um bom conto de FC, com boa dose de ironia e algumas tiradas boas, feito o encontro com o pombo. Engraçado notar que alguns leitores não reconheceram que os símios da história são apenas humanos, rs.

    Em alguns momentos o texto lembrou-me “Shikasta”, da Doris Lessing. Por essas observações curiosas sobre o comportamento humano, a interpretação de quem não compartilha nossa cultura.

    Como comédia, contudo, tendo a concordar com muitos dos que leram seu conto: há pouco de comédia, de situações que fizessem rir.

    Uma vez, lendo o livro “Estranho numa terra estranha”, o rapaz marciano que é o protagonista comenta, ao finalmente entender pq rimos: “rimos das desgraças alheias”. De certa maneira, rimos qdo alguém se dá mal, comete aquela gafe gigantesca, etc. Naturalmente, há limites sutis. No seu texto há a graça de acompanharmos alguém ignorante e inocente em meio ao nosso mundo caótico, mas o ET não chega a se meter em apuros ou a causá-los, então, talvez por isso, não rimos.

    Outra coisa que me incomodou um tanto foi o final abrupto. Entendemos que o ET apenas começou suas explorações, porém pareceu um arremate meio preguiçoso, como se a história criada fosse o primeiro capítulo de um livro, sacou?

    Abraços.

  2. Priscila Pereira
    30 de agosto de 2017

    Oi Strauss.
    Eu amei o seu conto!! Se dependesse de mim você levaria um 10!! Muito original, inteligente, perspicaz e bem humorado. A conversa com o pombo foi ótima!! E com o papagaio então, perfeito!! Ótimo conto!! Parabéns!!!

  3. Roselaine Hahn
    29 de agosto de 2017

    Caro autor, considerei o seu conto de alto nível para o certame comédia, não desmerecendo o gênero, mas o seu texto tem um Q a mais, uma mensagem da condição humana; acredito que ele cairia melhor num desafio de outro gênero, como ficção, Steampunk…OS parágrafos longos e descritivos afastam, por vezes, a narrativa do desafio comédia. O ponto alto da graça foi os diálogos com o Pru. A sua escrita é bem polida, tudo no seu lugar. Infelizmente, ao estar comentando o seu conto, vc já deve estar sabendo que o mesmo não foi classificado, sorry.

  4. Leo Jardim
    18 de agosto de 2017

    A farsa da boa consciência (Strauss)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): incompleta. A ideia de narrar como um ET estudando os humanos não é nova, mas é bastante legal. Tem a parte filosófica da coisa, dos animais, do espelho e da autoaceitação que funciona bem. O problema é que o conto para aí e se encerra bruscamente. O último parágrafo é muito corrido.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐⭐▫): é muito boa, o autor mostra domínio da narrativa e que sabe escrever bons diálogos. É uma daquelas técnicas que chamo de transparente: não se destaca por si só, mas faz a trama fluir..

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é a primeira vez que vemos aliens estranhando os humanos, mas o texto possui alguma dose de personalidade.

    🎯 Tema (⭐⭐): teve humor no início e na interação com os animais.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫▫▫): gostei do início, mas o fim ficou muito corrido. Ele teve que contar tudo o que aconteceu depois de comprar o espelho, fazer uma piada e encerrar o conto em apenas um parágrafo. Isso acabou jogando o impacto lá embaixo.

    🤡 #euRi:

    ▪ Primeira anotação paradoxal: a saída do beco sem saída (também boiei nessa) 😃

    ⚠️ Nota 7,5

  5. Thiago de Melo
    18 de agosto de 2017

    Amigo Strauss,

    Gostei do seu texto, gostei da mensagem crítica que você passou, só achei que a questão dos monólitos se estendeu além do necessário. Em um momento fiquei me perguntando se o desfecho do texto seria o leitor descobrir o que seriam aquelas “coisas”.
    Achei que a interação com Pru foi excelente, e depois com o papagaio também ficou muito legal! Gostei muito da conversa com o vendedor e as diferenças entre ser, sentir, parecer etc.
    Só achei que o final ficou um pouco além da conta. A rede social entrou na história no final, sem um referente anterior (porque as pessoas estavam se olhando nos espelhos, não nos celulares). Então, achei que ficou meio Deus Ex Machina essa inserção da rede social e desequilibrou o seu texto. Mas no geral eu gostei.
    Um abraço!

  6. Anderson Henrique
    17 de agosto de 2017

    O texto tem todo um tom bem humorado, uma levada de FC galhofa que a gente encontra em livros como o Guia do Mochileiro. Está adequado ao tema, bem escrito e ágil. Não encontrei problemas gramaticais ou de revisão. Parabéns.

  7. Amanda Gomez
    16 de agosto de 2017

    Olá,

    Seu conto é denso, técnico demais para prestar atenção em qualquer nota de humor. Creio que o autor se perdeu um pouco nisso. Não encontrei humor, encontrei críticas a sociedade, nossos vícios e todos os outros ‘’problemas’’ que nos tornaram o que somos hoje. Há metáforas que funcionam, no geral é uma boa história, só que foge muito da proposta do desafio, não é uma leitura divertida e dinâmica, ela trava, é um pouco cansativa.

    Entendi a proposta do autor, a mensagem é clara, mas não consigo defini-lo como comédia, mesmo aquelas mais modestas e economias em cenas engraçadas.

    Novamente não sei como devo avaliá-lo. Tem contos de comédias bem ruins, tem contos que não tem nada a ver com elas, que são bons. Mas vou me ater no que a proposta do desafio pede.

    No mais, boa sorte no desafio.

  8. Gustavokeno (@Gustavinyl)
    16 de agosto de 2017

    Strauss,

    o teu trabalho é inteligente e bem escrito. Confesso que fiquei confuso com algumas passagens e que não pude captar bem o todo da narrativa. Falha minha. Ele entretém, mas oscila entre o meio e o final. O começo me ganhou, entretanto.

    Enfim, queria ter gostado mais do conto – sou afeito em relação aos enredos de ficção científica. Porém, não me ganhou totalmente.

  9. Wender Lemes
    16 de agosto de 2017

    Olá! Primeiramente, obrigado por investir seu tempo nessa empreitada que compartilhamos. Para organizar melhor, dividirei minha avaliação entre aspectos técnicos (ortografia, organização, estética), aspectos subjetivos (criatividade, apelo emocional) e minha compreensão geral sobre o conto.
     
    ****
     
    Aspectos técnicos: o formato de depoimento funciona bem para a proposta de humor escolhida (o estranhamento). O narrador utiliza um vocabulário menos comum, imagino, para emular a intelectualidade avançada da espécie alienígena. Felizmente, a revisão foi cautelosa, evitando a contradição nesse sentido.
     
    Aspectos subjetivos: considero esse tipo de humor crítico bastante criativo. É necessário desassociar o significado das coisas, para então fazer visível o ridículo nelas. Em outras palavras, para que o estranhamento seja cômico, é preciso pensar fora da caixa.
     
    Compreensão geral: é um dos meus contos favoritos até o momento. Foi o único que conseguiu me arrancar o riso de verdade (podem me chamar de tonto, mas eu ri do papagaio malcriado). Em todo caso, não é esse o motivo de considerá-lo um bom conto. O que realmente me cativou foi a percepção inteligente das coisas, que o permeia do início ao fim.

    Parabéns e boa sorte.

  10. Renata Rothstein
    15 de agosto de 2017

    Strauss, excelente conto, hein? Com alguns errinhos de ortografia, talvez mesmo por causa do Word, enfim, nada tão grave, mas então, vejamos: eu entrei em profunda reflexão com o seu texto, viajei nessa nave de perguntas e respostas que incendeiam as mentes dos que muitas vezes não compreendem muito bem o sentido de certas coisas tão corriqueiras aqui, para a grande maioria dos terráqueos.
    Ressalto sua grande inteligência e a profundidade de suas palavras, mas não vi comédia, apesar de esse mundo ser, no fundo, uma imensa piada.
    Minha nota é 8,0.
    Abraço

  11. Fernando.
    13 de agosto de 2017

    Olá, Strauss, cá estou eu (e os meus botões) às voltas com a sua história simiesca entre os espelhos no nosso Brasil varonil. Que criativo o seu conto. Ficou bacana e logo se denota o cuidado que teve com a língua e o enredo na elaboração dele. Bacana isto. Chego-me então a você. Sou um desses tantos símios/humanos espalhados nessa terra de inúmeros espelhos e fico me perguntando (tenho medos de levar até ao seu tradutor universal essa minha dúvida existencial – epa, deu rima) por que uns riem de algo e, no entanto, outros se mantém plenamente indiferentes àquilo que provocou gargalhadas em outras pessoas? Pois não é que este foi o meu caso? Achei sua história interessante, mas o fato é que ela não foi suficiente para me fazer botar para fora, a graça contida nela. Acho que foi isto. Uma lástima, não pelo seu conto, mas pela minha reação, cá considero. Grande abraço.

  12. Cilas Medi
    11 de agosto de 2017

    Incubido = incumbido – Começou mal, vamos ao restante.
    auto-consciência = autoconsciência.
    extra-oficial = extraoficial.
    Pela santa generosidade de um leitor revisionista e que precisa, por obrigação, dar o seu parecer em um conto sem sentido nenhum, porque, para se basear em algo sólido, precisou escrever sobre um alienígena mais burro do que o mais burro dos humanos. E querendo, ou nos obrigando a um sorriso, sarcástico, de algo totalmente fora do objetivo e sentido do desafio. Deveria ser uma comédia e não um conto fantástico sobre a burrice e estupidez humana. Fica para a próxima. Pois é, terminou mal também.

  13. Higor Benízio
    11 de agosto de 2017

    Olha, seu conto não é ruim. Tem uma mensagem interessante e o jeito como a introduz usando um extraterrestre foi bacana. Mas não senti comédia, a conversa com o pombo nao basta. O cômico deveria ser o centro da narrativa

  14. Cláudia Cristina Mauro
    10 de agosto de 2017

    Strauss, gostei do enredo criativo e da personagem principal que causa identificação e garante assim uma atenção, prendendo ao texto.
    Achei que faltou mais discurso direto, porque a leitura ficou um pouco cansativa, mas não desinteressante.
    A ironia garantiu a comicidade do texto. Gostei da escolha pela ficção científica.
    Houve um problema de colocação pronominal em algumas orações.
    O maior problema que encontrei foi: você criou um texto que incentivaria a capacidade dedutiva, dando ao leitor a chance de chegar as suas próprias conclusões, mas você concluiu por nós. Por exemplo, talvez fosse bom nunca dizer que o monólito era um espelho, porque isto fica muito claro logo no começo do texto e nos incentiva a usar nossa imaginação. No final do texto, usou-se o discurso direto, aquele que senti falta antes, fechando e explicando tudo. Achei que também não tinha a necessidade. Aquela conversa e as conclusões de fechamento estavam implícitas no decorrer do texto.
    Seus personagens deram tudo para nós, apenas não precisava de tanta explicação mastigada.
    No mais, gostei das questões existenciais levantadas.
    Nota 7,5.

  15. Otniel Pereira
    10 de agosto de 2017

    Muito bom!

  16. iolandinhapinheiro
    10 de agosto de 2017

    Método de Avaliação IGETI

    Interesse: Não foi aquele conto que eu comecei a ler e só parei quando terminei, na verdade comecei e parei várias vezes até me envolver mesmo na história. Para mim, não teve fluidez em todo o primeiro terço do conto, depois foi mais tranquilo.

    Graça: Não ri. O seu texto era insólito, criativo, mas não é um texto de comédia, ainda que seja carregado de ironia e crítica ao comportamento humano. As situações criadas para conduzir o texto ao humor como a história do pombo e do papagaio não funcionaram comigo.

    Enredo: extraterrestre aparece na terra para estudar o comportamento de seus habitantes. No começo quando o autor falou de chipanzés, orangotangos, bonobos e gorilas, já ia reclamar que esta específica fauna não faz parte da fauna brasileira, mas percebi que o alienígena se referia aos humanos. O conto segue com a exploração de algumas situações que envolvem vaidade, valores, e a maneira humana de ver as coisas.

    Tente Outra Vez: Talvez o problema não seja o seu conto, eu que não devo ser o seu tipo de público. Não vi nenhum defeito em seu conto, mas ele não me encantou.

    Impacto: Mediano. Abraços e sorte no desafio.

  17. talitavasconcelosautora
    9 de agosto de 2017

    Interessante utilizar a figura de um extraterrestre para formular uma crítica social à supervalorização da aparência, e também o fato de comparar a humanidade aos primatas – já que, supostamente, descendemos deles. Não foi particularmente engraçado, mas bem interessante. Retratou bem o comportamento humano no mundo moderno.

  18. Catarina Cunha
    9 de agosto de 2017

    Um humor refinado e inteligente. Demais até para uma comédia.

    Frase auge: “– Diga-me, amigo. O que vê?
    – Pruu.” – Temos aqui a tradução perfeita da bizarrice da estratificação social dos terráqueos quando o personagem não a identifica.

    Sugestão: As comédias pedem uma leitura mais ágil e leve. Acredito que aumentando o contato e os diálogos surreais com os seres e substituindo as explicações por ações, você terá um conto realmente maravilhoso.

  19. Jowilton Amaral da Costa
    8 de agosto de 2017

    Bom conto. A escrita está boa, não percebi erros. Um viajante alienígena que vem analisar a terra. A terra está povoada por macacos que se comportam como humanos. O texto é permeado por metáforas e ironias interessantes e bem feitas. A condução começa um pouco amarrada, como se o autor não se sentisse muito a vontade no que estava escrevendo, assim me pareceu. O último parágrafo é mais “solto” do que o resto do texto e também o mais engraçado.. Boa sorte.

  20. Luis Guilherme
    8 de agosto de 2017

    Bom dia, amigo. Td bao?

    Critica social com extratos de humor? Gostei!

    O texto nao chega a ser super engraçado. Tem passagens boas e divertidas, mas nao eh hilario. Nao q precise ser. E eh aí q vem o ponto forte do seu conto: tem uma pegada divertida e leve. Critica social corre sempre o risco de ficar chata. A leveza da historia nao permitiu isso.

    Notei alguns erros gramaticais, q nao prejudicaram o todo. Me lembro de algum erro de crase e concordancia verbal. Nada q uma revisao mais apurada nao pegue. Nao desmerece a obra nem afeta a nota.

    Enfim, leve, divertido e com uma mensagem legal. Parabens e boa sorte!

  21. Anorkinda Neide
    7 de agosto de 2017

    Olá! Muito interessante!
    A reflexão e a crítica que trouxeste é bem inteligente, embora tenham elementos no texto a que se possam questionar, apurar e tal, enquanto metáforas, mas é um texto bom e gostei bastante do final, do aparecimento do vendedor de espelhos.
    Mas não o considerei comédia, justamente pela reflexão que ele provoca me peguei filosofando e não gargalhando.. hehe
    Mas você está de parabéns pelo conto
    Abraços

  22. José Bandeira de Mello
    6 de agosto de 2017

    Embora trata-se se um texto aparentemente correto, não identifiquei aqui qualquer indicador do que penso ser necessário para uma boa comédia. Não vi humor, leveza ou mesmo uma critica original ao mundo moderno ou cotidiano, que, me pareceu, foi a intensão do autor (a). Talvez se o autor resumisse o texto e lhe desse maior agilidade, situações com maiores possibilidades dar um colorido com humor poderia aparecer. Como está, me pareceu uma crônica apenas…e só.

  23. Regina Ruth Rincon Caires
    6 de agosto de 2017

    Dentro da minha limitada compreensão, vi uma crítica social bem elaborada. Pequena ou enorme implicância com o Real. Escrita diferenciada e nutrida de nuances científicas, de comunicação futurista. Li e reli. Enredo rebuscado, mas como não consegui ficar presa ao assunto, precisei reler cada parágrafo. Terráqueos, primatas, monólitos, criptografia, indutor de imagens, código 34-X do Manual de Reconhecimento de Campo… Muitas informações, uma dança de palavras técnicas, inusuais na minha realidade, confesso que tive dificuldade para avaliar. E peço desculpas se estou fazendo uma crítica inoportuna. Strauss, por favor, continue compondo! Não confie nos meus ouvidos, já estão falhando…

  24. Fabio Baptista
    5 de agosto de 2017

    SOBRE O SISTEMA DE COMENTÁRIO: copiei descaradamente o amigo Brian Lancaster, adicionando mais um animal ao zoológico: GIRAFA!

    *******************
    *** (G)RAÇA
    *******************
    Então, achei a linguagem e o próprio clima do conto, direcionado mais à crítica social, destoante da comédia. Pelo menos não é o tipo de humor que

    combina comigo e, em resumo, não vi muita graça.

    – Pru é o seu @#!
    >>> só aqui que consegui dar um “rá…”

    *******************
    *** (I)NTERESSE
    *******************
    Não conseguiu prender minha atenção. Fiquei meio perdido durante o conto, tentando entender o que eram os monolitos (pensei que eram celulares,

    mas a insistência em chamar de espelho acabou afastando essa ideia) e se eram humanos mesmo. Até uma parte, antes do meio, isso causou

    curiosidade… depois, quando percebi que as coisas não se resolveriam, desinteresse.

    *******************
    *** (R)OTEIRO
    *******************
    Outro conto onde não há uma trama bem delineada, mas apenas uma sucessão de eventos aleatórios que vão ocorrendo com o personagem

    principal/narrador.

    *******************
    *** (A)MBIENTAÇÃO
    *******************
    A ambientação na cidade é muito bem feita, dá pra sentir o “cinza”, a amargura e a falsidade.
    Entretanto, não dá pra saber se o conto está tratando realmente de humanos ou de símios evoluídos (como em Planeta dos Macacos). Isso prejudicou

    um pouco a experiência de visualização das cenas.

    *******************
    *** (F)ORMA
    *******************
    Está muito bem escrito.
    Infelizmente, o tipo de escrita, o jeito de contar a história, não casou com o tema proposto. Ficou tudo muito sério.

    *******************
    *** (A)DEQUAÇÃO
    *******************
    Acredito que o conto vai mais para o lado da Ficção Científica e crítica social do que da comédia. Claro, cada um tem seu senso de humor, mas com exceção à cena do pombo, não me senti lendo uma comédia em nenhum momento.

    NOTA: 7

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 5 de agosto de 2017 por em Comédia - Grupo 2 e marcado .