EntreContos

Literatura que desafia.

O Aviador e o Javali (João Ribeiro de Barros)

Quando eu era criança, meu pai vivia contando histórias de uma figura que morava em Pouso Alto, sua terra natal, no interior de Minas Gerais. Eu nunca tinha ido a Minas, não conhecia a cidade nem meus parentes mineiros ainda. É que meu pai se formou, veio pro Rio trabalhar, casou com minha mãe e eu nasci carioca.

Mas até onde minha memória alcança, papai falava dessa figura, um tal Aviador e seu javali de estimação. Papai contava que esse Aviador sempre trazia o javali amarrado numa coleira e na outra mão carregava uma mala. Ninguém sabia o que tinha dentro da mala e esse era o maior mistério do planeta, lá na cidade de Pouso Alto. As crianças viviam bolando planos pra tentar descobrir o que era, mas nunca ninguém conseguiu. Sempre que alguém se atrevia a chegar perto da mala, o Aviador botava o javali pra atacar. E todo mundo morria de medo do javali.

Na minha imaginação de menino, a cidade tinha esse nome por causa do Aviador, que era como se fosse um tipo de Imperador, o dono da cidade. Inventava que ele tinha vindo voando, num avião prateado, desde o outro lado do Atlântico, e que lá do alto tinha escolhido aquela cidade pra pousar, por isso chamar-se Pouso Alto. Pensava no Aviador como um homem imponente, forte, usando casaco de couro e óculos de piloto da 2ª Guerra. Achava que a mala que ele carregava era daquelas grandes, quadradonas e pesadas, igual a uma que meu avô materno tinha numa foto velha pendurada na parede do nosso apartamento em Copacabana. Eu completava a cena em minha mente com a bizarra figura de um grande javali, de presas enormes, atado pelo pescoço a uma corrente grossa, que o Aviador puxava bem junto ao corpo. Será que o javali tinha vindo com ele no avião? Ou será que ele tinha caçado o bicho no meio da selva pra ser seu animal de estimação?

Durante muitos anos, a figura do Aviador e seu javali habitaram meus sonhos, minha imaginação e até minhas brincadeiras. Eu gostava de fingir que era o Aviador. Vestia uma capa de chuva da mamãe, colocava os óculos escuros do papai, e saía puxando uma caixa de papelão amarrada num barbante. Era o meu javali.

Eu não sei por que nós nunca íamos a Minas visitar a família do meu pai. Ele evitava falar disso, só dizia que não tinha tempo. Com o passar dos anos comecei a desconfiar que ele tinha vindo morar no Rio por mais razões do que simplesmente trabalhar. De qualquer forma, entrei na puberdade sem conhecer Pouso Alto, nem o Aviador, nem minha família mineira.

O mito do Aviador e seu javali, porém, permanecia. Às vezes brincávamos, eu e papai, de ficar tentando adivinhar o que tinha dentro da mala: um mapa do tesouro? Uma bússola mágica? Um avião portátil e dobrável? Um corpo em pedacinhos? Joias roubadas na Europa? Pedaços de nuvem que o Aviador colheu no céu? Documentos em código Morse? As cartas de amor da namorada que mora do outro lado do Atlântico?

Mas sempre que eu pedia pra irmos conhecer Pouso Alto, papai dava uma desculpa, uma resposta evasiva. Mamãe olhava pra mim com pena. Acho que ela sabia o quanto eu queria conhecer o Aviador e o javali. Às vezes eu escutava uns pedaços de conversa dos dois, mamãe dizendo baixinho: “Mas o menino tem o direito de conhecer a família…” e meu pai: “Mas eu ainda não estou pronto…”.

 

 

Quando fiz quinze anos, meu pai disse que eu podia pedir de presente o que quisesse.

– Desde que não seja um carro zero! – brincou ele.

– Eu quero ir a Pouso Alto.

Silêncio. Papai franziu a testa e já ia negar meu presente, se mamãe não intercedesse:

– Você prometeu o que ele quisesse.

– E eu não pedi um carro zero! Podemos ir de ônibus mesmo…

Depois disso, lembro que meus pais se trancaram no quarto e conversaram por quase uma hora. Mas o fato é que duas semanas depois estávamos embarcando num ônibus pra Pouso Alto. Durante toda a viagem, eu só conseguia pensar no Aviador e no javali. É claro que estava feliz em conhecer meus primos e tios mineiros. Papai dizia que a cidade era linda, com muitas cachoeiras, e que grandes escritores e poetas já tinham morado lá. Eu imaginava o Aviador, voando e vendo tudo lá de cima no seu avião.

Quando finalmente chegamos, eu já estava quase explodindo de ansiedade. Lembro que até tropecei na hora de descer do ônibus e, afinal, a primeira coisa que eu vi de Pouso Alto foi o chão da rodoviária. Com a cara ainda dolorida, fui apresentado ao meu tio Hilário, que me olhou meio desconfiado por debaixo do chapéu de palha; e meus primos João e Lucas, que tinham mais ou menos a mesma idade que eu, só que eram mais altos. Os três tinham o semblante um pouco triste, ao contrário do que eu tinha imaginado. Será que não estavam felizes em me conhecer ou em rever o papai depois de tantos anos?

Pegamos as malas e saímos da pequena rodoviária a pé até a outra rua onde meu tio tinha estacionado a “perua”. O trajeto foi feito em silêncio. O tio e os primos de cabeça baixa. Seguimos na velha caminhonete, ouvindo só o som do motor do carro e de uma pedrinha ou outra que batia na lataria. Pouso Alto era uma cidade muito bonitinha, arrumadinha, parecia uma pintura. Cruzamos uma pontezinha, à direita tinha um campinho de futebol. Papai me olhou e passou a mão na minha cabeça.

– Já estamos chegando, filho.

A caminhonete parou num cruzamento. Estava passando um cortejo fúnebre. Era um cortejo pobre, mas muita gente o seguia, o padre da paróquia à frente. Meu tio tirou o chapéu e baixou a cabeça, em sinal de respeito. Os primos fizeram o mesmo. Olhei pra mamãe, agoniado, e ela fez sinal pra que eu ficasse em silêncio. Assim que o cortejo se foi, tio Hilário virou-se pro meu pai e disse:

– Sabe quem morreu? O Aviador.

Aquelas palavras gelaram meu coração e eu perdi o ar. Imediatamente comecei a suar frio, deu um baita nó na garganta. Meu tio seguiu com a caminhonete até sua casa, na verdade um pequeno sítio, também muito bonito e arrumadinho, como o resto da cidade. E eu quase sem ar, segurando o choro.

Tiramos as malas do carro e entramos na casa. Sem maiores conversas, tio Hilário nos apresentou sua esposa, tia Eulália, uma senhora gorducha e fofinha, que parecia uma daquelas fadas-madrinhas das histórias infantis. Ela nos sorriu com um carinho triste, mostrou nosso quarto, pediu desculpas pela falta de luxo. Como se quem morasse num apartamento de classe média na Siqueira Campos com Barata Ribeiro vivesse num luxo maior do que aquele sítio lindo.

Assim que ficamos sozinhos por um instante, segurei papai pelo braço.

– O Aviador morreu! Como? Eu nem tive tempo de conhecer ele!

– Você queria conhecer o Aviador?

– Claro, pai. É o meu maior sonho, sempre quis conhecer o Aviador e o javali. Foi por isso que eu pedi pra vir pra Pouso Alto…

– Meu filho, mas o Aviador não é ninguém especial…

– Como não? Você viu o tamanho do cortejo? Estão todos tristes… agora eu sei por quê.

– É porque todo mundo aqui gostava muito dele. Era uma figura histórica, digamos assim…

– Eu queria tanto ter conhecido ele…

– Vem cá, vou te mostrar uma coisa.

– O quê?

– Vou te mostrar uma foto do Aviador e do javali.

– Jura?

– Bom, deixa eu ver se o Hilário ainda tem isso guardado. Pode ser que ele tenha jogado fora…

Fiquei indignado só com a hipótese de a foto de uma pessoa tão ilustre, uma figura histórica, poder ter sido jogada fora. Mas meu coração mantinha a esperança de que fosse finalmente conhecê-lo. Pelo menos por fotografia. Iria, enfim, poder comparar a realidade com a imagem que eu tinha desde criança.

– Por que você nunca quis vir até aqui, pai?

– É complicado, filho. Eu e seu avô nunca nos demos muito bem. Isso acabou afetando a família toda. Um dia ele pediu que eu fosse embora. Isso me doeu muito e eu nunca mais quis voltar.

– Mas o vô não já morreu?

– Pois é, filho… é complicado…

Confesso que senti pena do papai.

– Melhor a gente ir logo ver o negócio da foto do Aviador, né, pai?

– É melhor, filho.

Meu pai falou com o tio Hilário, que falou com a tia Eulália, que pediu pro João, que mandou o Lucas ir buscar uma caixa que estava em cima do armário do quartinho de costura. Ele voltou com a tal caixa e colocou em cima da mesa da cozinha. Formou-se uma roda em torno da mesa, papai, mamãe, Lucas, João, o tio e a tia, que remexia na caixa à procura da foto.

Finalmente, saiu lá de dentro, um pouco empoeirada, a tal fotografia. Tia Eulália deu a foto pro tio, que assoprou a poeira e deu a foto pro meu pai. Papai olhou pra foto e sorriu. Então ele deu a foto pra mim.

Minha maior surpresa foi deparar com aquela imagem tão completamente diferente do que eu tinha idealizado a vida toda.

– Mas esse é o Aviador?

– É sim, meu filho.

– Mas… e o javali?

Meu pai, meus tios e meus primos caíram na risada.

– Javali é o nome do cachorro!

A fotografia, em preto e branco, mostrava a imagem de um mendigo muito magro, vestido com um casacão de brim sujo e surrado, na cabeça um velho par de óculos de mergulho. Segurava na mão uma valise pequena, também surrada e toda remendada. Na outra mão tinha uma corda amarrada no pescoço de um franzino cachorro vira-latas, com a língua de fora.

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15 comentários em “O Aviador e o Javali (João Ribeiro de Barros)

  1. Olá, João,
    Tudo bem?
    História delicada e emocionante sobre a maneira como uma criança enxerga o mundo. Mais que isso, como imagina e fantasia, criando ilusões sobre tudo que um adulto (especialmente quando querido) lhe conta.
    Gostei muito de sua narrativa na primeira pessoa, aproximando o leitor do protagonista de forma muito terna. Dá para enxergar a criança contando sobre suas impressões do mundo, divagando sobre os motivos do afastamento do pai e sua família, e, sobretudo, do tão esperado encontro com o tal homem do Javali.
    A expectativa criada com a ansiedade do menino em encontrar o homem do Javali, faz com que o leitor também desenvolva tal ansiedade, criando empatia. Cheguei a imaginar que homem era o avô, depois o próprio pai, no momento da revelação da foto.
    A história do mendigo com seu cão, contada assim pelo pai e em toda a cidade, cria sobre este uma atmosfera de mistério, tornando a figura quase uma lenda urbana.
    O cão se chamar Javali, também foi uma bela tirada. Uma carta na manga, a dar um colorido a mais na trama.
    Não sei se o menino devesse ter 15 anos, mas a maturidade das crianças varia e este pode ser um rapazote mais inocente. Eu sugeriria 12. (Mas essa é só a minha opinião).
    Um belo texto.
    Parabéns e boa sorte no desafio.

  2. Leo Jardim
    25 de maio de 2017

    O Aviador e o Javali (João Ribeiro de Barros)

    Minhas impressões de cada aspecto do conto:

    📜 Trama (⭐⭐⭐▫▫): é simples e linear, mas tem começo, meio e fim. O final é um pouco anticlimático, mas o autor optou pela ironia da situação. Criou, por todo o conto, uma imagem que, no fim, era outra.

    📝 Técnica (⭐⭐⭐▫▫): uma narração simples em primeira pessoa sem grandes atrativos linguísticos, mas eficiente, sem erros. No primeiro parágrafo achei muito repetitivo o uso de “javali”. Meus textos geralmente são cheios de repetições e não consigo enxergá-las numa revisão, então costumo passá-los sempre no Repetition Detector (http://www.repetition-detector.com/?p=online).

    💡 Criatividade (⭐⭐▫): não é um texto que preza por grandes novidades, mas também não é clichê.

    🎯 Tema (⭐⭐): a imaginação do menino é a imagem-tema.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐▫▫): não é uma grande reviravolta, mas o final irônico me agradou.

  3. Jowilton Amaral da Costa
    25 de maio de 2017

    Achei um bom conto. Confesso que quando o aviador morreu e o conflito que estava sendo gerado, com relação ao mistério do pai não querer voltar para a cidade em que nasceu, não tinha nada a ver com o aviador fiquei meio frustrado, mas, a conclusão me fez mudar de opinião e entendi que o que autor quis passar foi como a imaginação de uma criança pode fazer de uma simples história algo muito maior e mais interessante que a realidade. Boa sorte.

  4. Vitor De Lerbo
    25 de maio de 2017

    Uma história singela, com um final que gera surpresa e riso.

    O enredo poderia ter sido um pouco mais enriquecido se tivéssemos mais informações sobre outros temas além do aviador e do javali, como a própria briga do pai do protagonista com seu avô, por exemplo. Entendo que a história retrata o período de infância do protagonista, mas a repetição de seu desejo aparece em quase todos os parágrafos, e ele praticamente só fala disso.

    De qualquer forma, o texto está muito bem escrito e é agradável de se ler.

    Boa sorte!

  5. Ana Monteiro
    23 de maio de 2017

    Olá João. Que delícia de se ler. Maravilhosa visita (revisitação no meu caso, que tinha em casa um quadro que até hoje alimenta a minha fantasia) ao imaginário infantil. Um conto que se lê na perfeição, sem paragens nem tropeços inconvenientes. Não conheço a terra de que fala – nem nenhuma outra, pois nunca aí estive – mas não senti a menor necessidade, porque a história igualmente se me desenhou na imaginação. E um final maravilhoso e pleno de sensibilidade a deixar um sorriso nos lábios e o travo dum momento bem passado. Desculpe não apontar falhas nem ajudá-lo a ser melhor. Fiquei rendida. Parabéns!

    • João Ribeiro de Barros
      23 de maio de 2017

      Caríssima Ana, fiquei emocionado com seu comentário. Quem bom que foi essa experiência tão prazerosa pra você, ainda mais que estás tão longe… Muito obrigado por suas palavras! Abraço!

  6. Milton Meier Junior
    23 de maio de 2017

    Muito legal o conto! Uma história singela, emotiva e que leva o leitor a relembrar os bons tempos da infância, de qualquer infância. Uma linguagem simples, fluente e muito bem escrita. Parabéns!

  7. elisa ribeiro
    21 de maio de 2017

    Olá João. Sua narrativa simples me cativou. Há um mistério que despertou e manteve meu interesse ao longo de toda a narrativa. O final me surpreendeu, mérito seu que soube manipular a a trama fazendo com que eu pensasse que o aviador tinha alguma conexão com a família do menino. Também achei bacana o final ressaltar a distinção entre uma memória fantasiosa infantil e a realidade sem glamour. A observação que faço é de que a idade de quinze anos não me pareceu muito compatível com o comportamento do garoto na segunda parte. Uns dez anos talvez ficasse mais compatível. Boa sorte no desafio! Abraço.

  8. João Ribeiro de Barros
    21 de maio de 2017

    Priscila! Então acho que não me fiz entender com o conto. Eu não pensei em estereótipos de mineiros. Pensei em uma família simples, que mora num pequeno sítio numa cidade de pouco mais de 6 mil habitantes, no interior do Brasil. Podia ser em qualquer interior do Brasil. Minha família é do Sul e lá temos os mesmos “tipos” nas cidades do interior. “Perua” é só um sinônimo para caminhonete. E em muitas cidades, até no Rio de Janeiro, temos mendigos “famosos”. Sem falar que a história se passa num tempo passado, então, realmente me desculpe se pareceu estereótipo, não foi minha intenção. Mas aceito se vc me convidar pra conhecer Pouso Alto e seus moradores de perto!!! Grande abraço!

    • Priscila Pereira
      21 de maio de 2017

      João, como eu já disse, você não tem culpa de nada, eu que vi muitas semelhaças incômodas, é um elogio até, você acabou acertando em cheio… por isso perguntei se vc conhecia a cidade…
      Na verdade eu moro em Passa Quatro, pertinho de Pouso Alto se quiser conhecer sinta-se convidado.

      • João Ribeiro de Barros
        21 de maio de 2017

        Obrigado, Priscila! Aceitarei o convite! Grande abraço!

  9. Gilson Raimundo
    21 de maio de 2017

    Muito bom o desfecho. Realmente me enganou. O conto preza pelo mistério apesar dos rodeios iniciais ele me fez querer descobrir mais sobre os fatos, a grande dúvida era o que levou o rapaz a sair de casa e o rompimento com a família, quase não lembrei do aviador e seu javali. Fantasiei um final e fui surpreendido. Um texto bem simples porém criativo, ganhou méritos por sair do comum.

  10. Priscila Pereira
    21 de maio de 2017

    Oi João, primeiramente quero perguntar, você conhece Pouso Alto?? Kkk Eu moro pertinho e não gostei muito do modo como você nos retratou… mas tudo bem, sem ressentimentos.
    Então, o texto é muito interessante, um cotidiano bem feito, fugiu do fantástico, terror e suspense que temos visto. Gostei bastante de comparar a versão imaginada pelo protagonista com a realidade, ficou muito bem humorada. Boa sorte!

    • João Ribeiro de Barros
      21 de maio de 2017

      Priscila, confesso que não conheço a cidade. Conheço muitas cidades mineiras, mas escolhi Pouso Alto pelo nome, e pelas imagens e informações que colhi na internet. Mas, por favor, me diga por que vc não gostou do que eu escrevi sobre a cidade. É importante que eu saiba! Abs!

      • Priscila Pereira
        21 de maio de 2017

        Kkkkk não foi o que você falou sobre a cidade e sim como estereotipou todos os mineiros do interior, os nomes, os chapéus de palha, a perua, a esposa fofinha, até os mendigos “famosos” . Veja bem, não é uma critica verdadeira e sim um despeito bem humorado de uma mineirinha de interior.

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Publicado em 20 de maio de 2017 por em Imagem - 2017.