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Literatura que desafia.

Sobre mulas e cabeças (Vitor de Lerbo)

mula-sem-cabeca

“Essa história que eu vou contar procêis foi contada pra mim logo antes do azarento bater as botas; pelo morto mesmo! Mas quando ainda tava vivo, claro”. O velho aprumou a viola em seu colo, mais para manter o suspense entre sua plateia do que qualquer outra coisa.

O ar era pesado. A densidade era acentuada pelo crepitar da fogueira, que emanava fumaça espessa devido à lenha molhada. A pequena incidência de luz gerada pelo fogo no centro da clareira competia apenas com o brilho distante do luar, e iluminava os quatro rostos jovens e inseguros que apontavam em direção ao velho.

“Dia e noite o Padre Sebastião procurava a mulinha. Largou a hóstia e a comunidade pra trás só pra caçar a assombração. Nem a benzedeira deu jeito no rapaz, que só comia as fruta que a terra dava e bebia água dos riacho”.

Dedilhando levemente as cordas de sua viola, o velho entoava uma melodia serena.

“E foi assim por meses. Ninguém mais dava muita atenção pro Tião. Quando ele passava perto de alguma fazenda, tinha gente que até fechava a porta pra não cruzar com o demônio. O rapaz subia os morro, nadava nos lago, usava isca; mas nada de cruzar com a burrinha, que de burra num tinha nada.

Foi numa noite de Lua cheia que nem essa, no meio do mato que nem nois , com a lenha molhada fazendo arder os zoio do Sebastião que nem os nosso agora, que ela apareceu. Pelo que ele me falou, o fogo que saía do pescoço dela era muito mais forte que o da fogueira, que se apagou sozinha de vergonha.

Quando o Tião pegou o facão e foi pra cima da mulinha, ela saiu disparada no galope; mas ele num era tão bobo quanto parecia, e já tinha montado um monte de armadilha pela floresta. Numa delas, que parecia uma cova estreita, a mula caiu com as pata pra cima e não conseguia se virar.

O Tião foi rápido que nem uma onça e meteu a faca na coxa da mula. Mesmo sem cabeça, ela soltou um grito que eu ouvi lá da minha fazenda; foi nessa hora que peguei a espingarda e o lampião e sai pela mata. Mas a história é do Tião, não minha.

Depois que ele tirou sangue da burrinha, pouco a pouco ela foi voltando a ser a Jurema, mocinha linda que nois conhecia antes. Mas o estrago já tava feito; na hora que tomou a facada, a mula desceu o coice no peito do Tião, que caiu pra trás que nem saco de trigo.”

Um barulho entre as árvores fez os quatro jovens, simultaneamente, desgrudarem os olhos do velho e perscrutarem a escuridão. Bastou o primeiro chegar mais perto do fogo para que os outros o acompanhassem. O velho continuava a tocar a canção hipnótica e voltou à sua prosa, como se não tivesse havido interrupção.

“Caído no chão, com uma marca de ferradura no peito e sem ar, do jeito que todo cabra apaixonado fica, o Tião declarou todo o seu amor pra Jurema. Disse que já tinha largado a batina e que agora eles podiam casar, que ela nunca mais ia virar uma mula sem cabeça por conta do fogo dos dois”.

Como que por destino, uma das cordas da viola do velho arrebentou, rasgando seu indicador e fazendo nascer um filete de sangue em seu dedo. A música cessou e o som do silêncio dominou a noite.

“E aí, o que aconteceu?”, perguntou um dos garotos, vermelho pela tensão.

O velho, olhando para os pingos de sangue que manchavam a terra, não respondeu de imediato. Os melhores contadores de história, afinal, são aqueles que conhecem a importância do silêncio.

“Pelada, sangrando e tremendo dentro de uma cova, a Jurema começou a rir. A gargalhada foi ainda mais alta que o grito depois da facada – e de algum jeito, gelou ainda mais minha espinha, mesmo de longe.

O Tião, sem entender nada, começou a gritar que ela era louca. Foi então que ela explicou. A Jurema nunca amou o Tião. Nunca amou as amigas e nenhum homem. Nunca amou a fazenda enorme que os pais dela tinham, muito menos os próprios pais. Só tinha uma coisa que a Jurema amava e os pais dela não podiam comprar. A liberdade.

Ela era obrigada a ir na missa todo domingo, e foi no meio duma celebração que ela desenhou o plano do diabo. Bastou uma saia curta e um olhar nada santo na igreja pra tirar a virgindade do Tião. Com isso, a Jurema virou uma mula sem cabeça, e nunca mais ficou presa em casa. Ela galopava pela noite, assombrava quem quisesse, conhecia os lugares que queria e vivia tudo que nunca tinha vivido. Até o ex-padre cortar o feitiço com a facada.

Ela saiu da cova e agradeceu o Tião pelo favor, dando um beijo nele. Mas o favor era ter transformado ela em mula, não em mulher! Ele me disse que começou a chorar só aí, mas eu aposto que foi antes, chorão do jeito que era. Quando ele perguntou pra onde ela tava indo, largando ele ali, sozinho na noite, a Jurema respondeu que tinha que conhecer o novo padre da paróquia. Depois disso, ninguém nunca mais viu ela”.

O velho colocou suavemente a viola no chão e chupou seu dedo ensanguentado. “E o Tião?”, sussurrou o garoto com uma leve pelugem no buço.

“Ora, ocêis já sabem, ele morreu. O coice foi tão forte que ele não aguentou. Por sorte, eu cheguei a tempo de ele me contar toda a história, senão ninguém ia saber a verdade”.

Uma nuvem encobriu a Lua enquanto, ao longe, um brado agudo, longo e sofrido, ecoou pela floresta, arrepiando os jovens.

As chamas no centro da clareira se extinguiram, e as últimas palavras do velho antes de se retirar vieram da escuridão.

“Eu espero que agora ocêis veja que essa conversa de virar padre é baboseira. O que nois tá precisando é de mais braço na roça, não de palavrinha bonita em sermão”.

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42 comentários em “Sobre mulas e cabeças (Vitor de Lerbo)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: o conto possui em si bem mais do que aparenta. Conseguiu ultrapassar o limite do superficial com uma simplicidade invejável. O folclore aqui vai além da lenda por si só. A mula sem cabeça já seria suficiente para inserir o conto no tema. – o velho com a viola repassando suas histórias aos mais jovens, no entanto, é a representação viva do folclore.

    Apelo: gostei muito do conto. Apesar de curto, reúne a essência do conhecimento popular e ainda propõe um dos motivos que embasam a criação de tantas das histórias que conhecemos: um pretexto para algo que os mais velhos consideram importante para os mais jovens. No caso, o violeiro usa esse mote para convencer a molecada a permanecer na fazenda e ajudar a prover o sustento.

    Conjunto: proporcionalmente ao espaço que utilizou, é um dos contos mais completos do certame.

    Parabéns e boa sorte.

  2. juliana calafange da costa ribeiro
    31 de março de 2017

    Hahaha! Adorei o seu final, Mitharandir! Irônico e surpreendente. A narrativa é boa, mas eu poria um pouco mais de suspense nessa trama, pra gente ver realmente o medo dos candidatos a padre… Parabéns!

  3. Rubem Cabral
    31 de março de 2017

    Olá, Mithrandir.

    Gostei do conto. Acho que você conseguiu reproduzir bem o discurso oral e que foi extremamente feliz ao criar uma mulher que quer ser mula sem cabeça, por que ser a assombração lhe dá a liberdade que ela não tinha, tornando-a uma serial desencaminhadora de padres.

    Nota: 9

  4. Marco Aurélio Saraiva
    30 de março de 2017

    Caraca, sensacional!

    O que mais gostei foi da motivação distorcida de Jurema, mulher que vira mula-sem-cabeça e que é, nas histórias, a inocente. Aqui, ela é a culpada! Ela que deseja ser mula, para viajar livre por aí, e vira uma espécie de “desvirtuadora serial de padres”. Genial!

    A própria motivação do contador de histórias, revelada no último parágrafo, foi sensacional também. Toda a ambientação foi perfeita e a narrativa, apesar de rápida, foi muito envolvente e bem elaborada.

    Quanta originalidade e destreza na escrita! Parabéns!

  5. Marsal
    29 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: sim, sem duvida
    b) Enredo: o enredo não e exatamente original (basicamente, uma recontagem da lenda da mula sem cabeça) mas bem escrito e capaz de prender a atenção
    c) Estilo: a escrita e’ bem pitoresca, o tom de estoria contada a noite, a beira da fogueira, permeia a narrativa toda. Acho a narrativa (mais do que o enredo) o ponto mais forte do conto.
    d) Impressão geral: um conto simples mas muito bem escrito. Sem duvida, um dos contos mais fieis ao tema. Boa sorte no Desafio!

  6. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Infelizmente não consegui me conectar com a história. Está bem escrita, é fluida e retrata bem a lenda da mula sem cabeça, mas no geral é um tanto telegráfica. Os diálogos me pareceram um tanto teatrais, pouco espontâneos. Faço aqui a comparação inevitável com o conto “ô, seu Moço”, em que também temos um homem simples, do mato, contando um causo. Lá a narrativa foi natural, verossímil, ao contrário daqui, onde se sobressai certo artificialismo. Enfim, não gostei, apesar da escrita competente.

  7. Evandro Furtado
    29 de março de 2017

    Resultado – Average

    O conto segue uma linha reta, sem desvios, em todos os elementos. Não arrisca, mas também não falha. Permanece em uma inércia constante do comum.

  8. jggouvea
    28 de março de 2017

    Esse é um conto claramente fraco devido à pouca familiaridade do autor com o assunto. Soou “pesquisado” demais, inclusive pela narrativa seguir estritamente o mito clássico da mula (até na questão da faca). Devido a essa falta de originalidade e ao tom de repetição da tradição, esse conto fica comprometido.

    Média: 7,21
    Introdução: 6,0
    Enredo: 6,0
    Personagens: 7,0 – o único realmente bom é a mula/mulher
    Cenário: 7,0 – não chega a participar
    Lingugem: 6,0 – caricatural e exótica, não cria empatia no leitor
    Coerência: 10,0 – sem problemas estruturais ou contradições.

  9. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Além de ter um nítido elemento chavão, arquetípico – o causo contado à beira da fogueira – o conto mistura em algumas partes a linguagem popular, simples e oral, a raciocínio e figuras elaboradas demais para o nível cultural deles. Também acho que o texto melhoraria com a revisão e supressão de alguns adjetivos que, para mim, ficaram excessivos. Sorte!

  10. Iolandinha Pinheiro
    28 de março de 2017

    Com esse desafio de folclore brasileiro, acabei descobrindo que curto as histórias de mula sem cabeça. A sua foi boa, direta, fácil de ler, mas achei muito curta, simples, sem brilho. Parecia mesmo aquelas histórias que se conto à luz da fogueira, história para menino fraco mijar na rede, mas não chega a impressionar. A fluidez é boa, a gramática é simples e tranquila, a trama foge do usual, mas faltou brilho. Pequeno investimento, pequeno resultado. É a vida. Abraços e sorte no desafio.

  11. Cilas Medi
    27 de março de 2017

    Um texto fraco, sem muita expressão e, se foi o caso de criar alguma tensão ou medo também se diluiu no transcorrer do conto.

  12. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    História rápida e gostosa. Tipico velho contando histórias aos garotos a beira da fogueira. A originalidade foi fraca neste padrão, mas interessante no ardor do padre
    Tião em reaver seu amor. Mas Gostaria de saber mais sobre a saga de Tião para pegar a Mula e apesar das ótimas descrições do grito e da gargalhada, senti falta de um tom mais aterrorizante, que mesmo existente, me pareceu um pouco tímido. O mesmo para o final da história

  13. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! Razoável história de Mula sem Cabeça. Uma coisa que me irritou é a mania do autor – que não está sozinho nisso – de colocar em itálico as palavras coloquiais e regionalismos, ou seja, aquilo que supostamente está escrito errado. Isso dilui a força do texto, por favor, pare com isso, se o personagem fala daquele jeito, que seja, não fique julgando. O conto vai indo bem, mas termina de modo meio confuso, com uma mensagem que parece ser contra a Igreja, mas também soa como uma mensagem obscurantista contra a cultura e a favor do trabalho braçal sem questionamentos como ideal de vida. Bom conto, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  14. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Aqui temos mais um caso do template do velho caipira contando uma história aos incrédulos da cidade. A evolução do conto é interessante. A batalha do padre contra a assombração prende a leitura. O que me incomodou foi o caipira, mas o desconforto foi compensado pela riqueza de adequação da linguagem ao personagem. Só achei que o final poderia ter sido no clímax, sem alongar-se àquele epílogo bem abaixo da capacidade da história.

  15. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Mithrandir,
    Aqui existe essa coisa de recontar a lenda e não tem mesmo uma história mais envolvente ou a lenda em outro contexto. É boa, contudo, da maneira como a história é recontada, faz parecer mais um causo ao redor do fogo. Se bem que, uma vez, era assim que as histórias eram contadas. A tradição oral é supre importante na preservação das origens e nas referências. É um texto curto, mas sem atropelos.

  16. Bia Machado
    23 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (3/4) – Gostei da estrutura, a leitura fluiu, mas não sei se foi a mais adequada para o conto.

    Construção das personagens: (1,5/3) – A narrativa se sobressai às personagens. Não senti empatia por elas, tal foi o foco na história. E não acho que isso seja bom. As personagens, pra mim, precisam se destacar. Eu, como leitora, quero gostar delas por um “algo a mais”.

    Adequação ao Tema: (1/1) – Adequado, o folclore está aí, não só no mito, mas também na estrutura, do mito ser contado ao pé da fogueira, como nas cidades do interior.

    Emoção: (0,5/1) – Não me conquistou. Mas foi uma boa leitura. O final, porém, achei meio deslocado, me pareceu um sermão sem necessidade.

    Estética/revisão: (1/1) – Ok, nada que comprometa essas questões.

  17. Olá, Mithandir,

    Tudo bem?

    Você optou por uma narrativa regionalista em forma de diálogo, mesclada por uma narrativa na terceira pessoa. Dessa forma, conseguiu um formato de “causo dentro do causo”. O causo que o autor conta e o causo que o velho conta, dentro deste.

    As histórias contadas à beira da fogueira costumam cumprir algumas funções, entre elas, a de “educar” o ouvinte, chamando a atenção deste para uma espécie de “lição de moral” que a lenda em si carrega. Cuidado com o mato à noite, não coma algo misturado com algo, pois vai lhe fazer mal e por aí vai. No caso do mito da Mula-Sem-Cabeça, costuma-se pensar nessa lição como a de que não se deve namorar com o padre, mas você veio com uma surpresa no final. A intenção do velho era a de não permitir que os meninos virassem os padres. Gostei muito desse aspecto.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  18. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Narrativa leve e gostosa de ler. A tristeza do padre ao ter seu coração partido pela moça que queria permanecer como uma mula sem cabeça sai do lugar comum e deixa a história com um teor tragicômico.

    O final também deixa o que pensar. Afinal, as lendas eram contadas antigamente com o intuito de educar os jovens, para que não fizessem coisas consideradas antiéticas ou que representassem algum perigo e ele deixa suas intenções bem claras com a moral citada na última frase. Parabéns.

  19. Jan Santos
    22 de março de 2017

    Pintar a história clássica com esses toques de “contador de história” costuma enchê-la de vida. O que foi bacana é que mesmo optando por uma abordagem tradicional, ainda adicionou um twist interessante, tratando a Mula não como maldição, mas como libertação.

  20. Elisa Ribeiro
    21 de março de 2017

    Uma história simples baseada na lenda da mula sem cabeça, sem grandes surpresas no enredo, mas bem estruturada. Logo no primeiro parágrafo, sugiro uma quebra após a fala do velho. Com relação à narrativa, tive a impressão que o recurso de intercalar a fala do velho com as observações dos ouvintes e do narrador, no caso do seu texto, desacelerou a narrativa e diminuiu o suspense. Boa sorte!

  21. Pedro Luna
    20 de março de 2017

    Infelizmente achei o causo contado pelo personagem, mesmo que o final (excelente) sugira que seja apenas uma desculpa pra formar trabalhadores, muito fraco. Primeiro fala sobre o padre que largou a batina, pra depois dizer que era um jovem. Já aí não consegui desenhar a imagem do padre na cabeça, pois instintivamente já tinha pensando em padres do interior, maioria velhos. Mas beleza, pode ser que tenha padres novos, é possível sim. No entanto, depois o personagem fala que as pessoas fechavam as portas quando o padre passava, com medo do demônio. Beleza, mas até aí o texto só deixava claro que o sujeito era um obcecado, mesmo que pelo sobrenatural, mas daí as pessoas o classificarem como demônio em pessoa já achei forçado. Até acreditaria, se fosse descrito atos do ex-padre que dessem a impressão. Quando ao encontro com a mula, achei a justificativa de Jurema meio fraca para querer se tornar uma mula. Bom, o que gostei mesmo foi a mensagem engraçada e irônica no final, mas o conto achei mediano pois achei o “causo”, a alma do conto, meio mal construído.

  22. Fabio Baptista
    19 de março de 2017

    Achei que o autor foi menos feliz em reproduzir a linguagem falada do que o autor de “ô, seu moço”. Mesmo assim, foi um conto bom de ler, ficou bem com cara de “causo ao redor da fogueira”.

    A parte técnica não comprometeu, mas não deu brilho ao conto. Acabei gostando mais da criatividade dessa abordagem da mulher querer ser a mula, buscando liberdade.

    Eu cortaria essa última frase, acabou destoando.

    Abraço!

    NOTA: 7,5

  23. felipe rodrigues
    19 de março de 2017

    Um conto simples que aguça a curiosidade do começo ao fim e, mesmo que como leitor eu já esperassse por uma conclusão parecida com essa, o final não tirou o brilho da história e foi, aliás, bastante realista, colocando um pouco de areia nessa fogueira folclórica.

  24. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Olha só o velho botando terror na molecada para conseguir mais braços pra lavoura. Legal, gostei.
    Parabéns, boa sorte
    Destaque: “Ela era obrigada a ir na missa todo domingo, e foi no meio duma celebração que ela desenhou o plano do diabo. Bastou uma saia curta e um olhar nada santo na igreja pra tirar a virgindade do Tião.”

  25. mitou
    17 de março de 2017

    foi muito criativo usar o conto da mula sem cabeça dessa maneira. dou pontos pela criatividade e pela maneira que a história foi contada, você conseguiu intercalar bem a narrativa do velho e um narrador em terceira pessoa, isso não são todos que conseguem fazer. o final também foi bem engraçado e teve um plot twister divertido, o maior erro foi o conto ser curto.

  26. G. S. Willy
    16 de março de 2017

    O conto é bem rápido e tranquilo de se ler, sem enrolações desnecessárias e direto ao ponto, mas talvez direto demais. Um pouco de suspense, de mistério, e as motivações da Jurema apenas no final, teriam feito deste conto um dos meus favoritos. O(a) autor(a) também poderia ter sido mais ousado(a) e ter colocado a história em versos e ter usado mais do linguajar da roça, e sem os itálicos…

  27. marcilenecardoso2000
    16 de março de 2017

    “Os melhores contadores de estória (…) são aqueles que conhecem a importância do silêncio”, característica essencial. A narrativa é sem emoção, soou mecânica, como se o velho tivesse obrigação de contar a estória. o final, a partir de ” as chamas no centro da clareira” foi desnecessário e a parte que desencoraja os jovens a se tornarem padres ‘sujou’ o texto. Nota 6 (seis)

  28. M. A. Thompson
    16 de março de 2017

    Olá “Mithrandir”. Parabéns pelo seu conto. O que eu acho que faltou foi uma melhor definição das personagens.

  29. Eduardo Selga
    15 de março de 2017

    Em algumas regiões do País a lenda diz que o encantamento será quebrado se a pessoa enfeitiçada for sangrada, com qualquer objeto que seja. No conto, a mula sem cabeça é ferida, mas isso também ocorre com o violeiro, e sua última “fala”, ocorrida no interior duma escuridão ocasionada por “[…] um brado agudo, longo e sofrido […]” na floresta, sugere blasfêmia, assim como a mula sem cabeça é fruto de um ato ímpio (a mulher que se relaciona sexualmente com um padre). Ele menospreza o ofício sacerdotal.

    Há, assim sendo, uma aproximação dele com a mula sem cabeça, no sentido de desconsiderar o padre. No conto, o narrador afirma que “a Jurema nunca amou o Tião. Nunca amou as amigas e nenhum homem”. Ambos são criaturas que desprezam o outro.

    No entanto, o comportamento do violeiro, alertando a juventude que preparar-se para o trabalho é mais relevante do que preparar-se para dizer sermões ou ouvi-los, pode ter outro motivo: ele pode ser o padre Sebastião, em outra identidade. Ele não teria morrido, portanto.

    Algumas questões gramaticais:

    Em “só tinha uma coisa que a Jurema amava e os pais dela não podiam comprar. A liberdade” após a palavra COMPRAR o correto é DOIS PONTOS ou até um TRAVESSÃO.

    Em “mas o favor era ter transformado ela em mula […]” o adequado seria TÊ-LA TRANSFORMADO. Mesmo com o uso da oralidade em alguns pontos do texto, o uso do oblíquo como complemento verbal ficou estranho. Se todo o texto violasse a norma padrão, seria diferente.

  30. Anderson Henrique
    15 de março de 2017

    Gostei do causo. Ágil, afiado, dentro do tema proposto. Não vi nenhum problema na narrativa. E gostei bastante do final. Bom trabalho.

  31. Rsollberg
    15 de março de 2017

    Então, Mithrandir!

    Creio que o ponto positivo do conto é a objetividade, é fácil e rápido de ler. Conta uma história de forma direta, sem rodeios, sem passagens inspiradas, sem criar muita reflexão.

    Funciona muito bem como entretenimento, assim sendo, para leitores que não buscam nada muito além disso. O “velho” e seu violão foram ferramentas interessantes para contar a história. Não é original, mas funciona muto bem com essa sorte de contos.

    O final traz uma motivação mundana para alastramento dessas lendas, (o que inevitavelmente parece ser a raiz habitual de todas), mas quebra um pouco o clima de estranheza – do insólito – do texto. A dúvida surge, armação dos homens X coisas além do céu de da terra – pobre vã filosofia?

    Sem dúvidas um conto divertido;
    Parabéns

    Obs: A imagem é ótima

  32. Roselaine Hahn
    14 de março de 2017

    Prezado Mithrandir, o 1o. parágrafo do seu conto me prendeu, criou uma expectativa do que estava por vir. Confesso que até a metade da história estava atenta ao desenrolar dos fatos e do suspense adequado à narrativa. Acontece que a partir daí, a minha atenção se dispersou, uma certa frustração com o desenrolar do conflito, talvez o encontro do Tião com a mula pudesse ser mais valorizado, mais mostrado e não contado. Exemplo, na frase “o ar era pesado”, mostre que o ar era pesado, deixe o leitor sentir a densidade, não conte. Não se aborreça com esse comentário, eu tb. já o recebi, e foi um divisor de águas na minha escrita conhecer a técnica show, don´t tell, ou mostre, não diga. Você está no bom caminho, tem a Voz de um contador de histórias, é só dar um maior burilamento à contação. Outra coisa, a meu ver a explicação da mula para o seu desamor, de querer a liberdade, soou um tanto simplista, careceu de um final mais surpreendente, de manter aceso o fogo da mula. No mais, siga em frente, tenho certeza que vc. tem potencial e ferramentas para enriquecer a sua escrita. Go ahead!

  33. Bruna Francielle
    12 de março de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: Bem, eu confesso que a história não me cativou.Eu, a princípio, gostei de uma coisa: a mulher queria ser uma mula para ser livre, como indica esta frase: ” Só tinha uma coisa que a Jurema amava e os pais dela não podiam comprar. A liberdade.”

    Pontos fracos: porém a explicação que veio a seguir foi um balde de água fria: “Ela era obrigada a ir na missa todo domingo, e foi no meio duma celebração que ela desenhou o plano do diabo. ” A questão de liberdade para ela era apenas não ter que ir na missa? Durante essa q várias partes do texto o único que vi foi uma revolta contra o catolicismo. Eu nem sou católica e tenho muito contra essa Igreja, porém não gostei da mensagem, pois reconheço a importância que o catolicismo teve em vários lugares. Haveriam pessoas praticando canibalismo na Austrália hj em dia se não fossem os padres ensinarem que era errado, entre várias outras coisas. Claro, pode ser uma questão de ponto de vista. Porém não gostei do tom dessa crítica na história.

  34. Fheluany Nogueira
    12 de março de 2017

    Uma interessante versão da lenda da mula-sem-cabeça, uma das mais conhecidas do folclore brasileiro, num tom de “causo”. É uma prosa daquelas boas de ler, com a novidade da moça enfeitiçada não querer voltar ao normal para curtir a liberdade desejada, aliás, ela havia planejado tudo para conseguir a alforria. O ambiente fantástico foi bem construído, o personagem-narrador, ganha crédito e confiança por ser testemunha dos fatos que deram origem à história e emprestou uma dose de suspense a sua trama.

    O pseudônimo Mithrandir tem significado associado a sonhos, é o nome élfico de Gandalf (um dos personagens de O Senhor dos Anéis), um mago que incorpora um velho conselheiro dos homens para impedir que a escuridão voltasse. Acredito que a escolha foi aleatória já que o personagem nada tem a ver com o mundo interiorano do Brasil, a não ser pelo conselho que dá aos ouvintes sobre a besteira de ser padre, por causa das tentações constantes e da falta de mão-de-obra rural.

    Texto curto, bem escrito, linguagem bem elaborada, imitando, em alguns trechos, um dialeto oral regionalista, o que acaba por impedir uma avaliação mais detalhada da gramática. Parabéns pelo bom trabalho. Abraços.

  35. Sandra Godinho Gonçalves
    12 de março de 2017

    Estória envolvente que trabalha o mito em si. utilizando a fala coloquial, criando intimidade com o leitor.

  36. catarinacunha2015
    12 de março de 2017

    A narrativa flui bem e há pouca diferença da lenda original, salvo o fim. Embora o vocabulário do contador de história não seja muito convincente ( na mistura da língua culta com a popular), o (a) autor (a) conseguiu criar uma atmosfera envolvente sem perder o embalo da história. Observei que o estilo, a forma de construção textual, do narrador é o mesmo do personagem contador de histórias, mudando apenas algumas palavras “erradas” em itálico. É uma prosa boa, logo vale uma revisão no linguajar do velho.

  37. Antonio Stegues Batista
    11 de março de 2017

    No conto, o personagem conta a história da mulher que namorou o padre e virou mula sem cabeça. Não li aqui outra história que não fosse a da lenda. A narrativa é a lenda? Como vou avaliar a historia do conto? Tirando a lenda, não ha conto! Estou lendo a lenda ou o conto? O autor deveria escrever uma história e inserir o personagem da lenda e não contar a lenda, mesmo pela boca de um personagem que não faz nada a não ser contar uma história igual a da lenda!

  38. Olisomar Pires
    11 de março de 2017

    Bom conto, bem escrito e envolvente.

    Como reparo, só algumas imagens que soaram exageradas e sobressalentes: ” a fogueira se apagou com vergonha” – “rápido que nem onça” ;

    O último parágrafo é totalmente incompatível com o restante do texto, acho que feriu de morte o conjunto: destruiu a suspensão da descrença e não combina com pensamento cultural do personagem. Uma pena.

  39. Priscila Pereira
    10 de março de 2017

    Ei Mith, eu também ia escrever sobre a mula sem cabeça, mas não consigui nada legal… eu gostei do seu conto… está bem com cara de causo mesmo… bem escrito, interessante e conseguiu contar a lenda sem ser só a lenda e sim em um contexto próprio. Muito bom. Até mais!

  40. Matheus Pacheco
    10 de março de 2017

    Eu ainda não me desanimei de ser padre, mesmo com um perigo tão grande quanto esse. Hehehe.
    Mas sabe… Esse conto me lembrou de um relato que uma colega minha, a muito tempo atrás contou uma história que ela tinha presenciado, quando pequena, a mula sem cabeça correndo ao longe.
    Um abraço ao escritor, e um ótimo conto.

  41. Fernando Cyrino
    10 de março de 2017

    Interessante a sua história da mula sem cabeça. Conheço uma variação dessa sua versão, mas achei a sua mais bacana. Sabe, tenho uma certa dificuldade com a grafia do jeito que o capiau fala. Até porque da forma que está senti que não funcionou tão bem. Senti uma certa artificialidade presente nela. Mas creia-me, releve isto, eis que acontece porque sou nascido no sertão e me acostumei demais com esse modo matuto de se expressar. Mesmo que a “contação” do contar da história do velho que morreu mas a contou antes, se dá por um narrador culto, achei que o parágrafo que começa com “Um barulho entre as árvores…” soa meio fora do contexto, eis que está bastante sofisticado, quando se compara com o restante da narrativa. Nunca tinha visto a expressão “caiu pra trás feito saco de trigo”. Gostei, eis que saiu do lugar comum de cair feito saco de batatas, de feijão, etc. Uma outra coisa, é que senti que a sua narração ficou presa demais ao que já se conhece do folclore da mula. Quem sabe o conto teria um efeito melhor caso você desenvolvesse mais criativamente o tema, viajasse mais no interior da maionese dele, quem sabe, criando coisas diferentes em cima dele. Registro também que teve uma hora no meio do conto que o narrador dentro do estilo culto diz que “foi na missa”. Se fosse fala do velho tudo bem, mas como se trata de narrativa do personagem respeitador das normas do idioma, sugeriria rever. É isto, achei que a sua história merecia ser mais explorada. Abraço de parabéns pela sua obra.

  42. angst447
    10 de março de 2017

    Que bom encontrar um conto curtinho, ou pelo menos, me deu essa impressão. Leitura flui fácil e sem entraves, gostosa mesmo. Uma narrativa dentro de outra narrativa,recurso que deu muito certo. Ritmo muito agradável, deu até para sentir o calorzinho vindo da fogueira e ouvir a moda da viola.
    O tema proposto pelo desafio foi muito bem desenvolvido. Apesar da lenda da mula sem cabeça ser bem conhecida, o autor deu novos ares à ela.
    O final ficou ótimo, desmistificando a lenda e dando uma lição de moral às avessas. Afinal,a intenção do velho era convencer os meninos a pegarem na enxada e desistirem do sacerdócio. Boa sacada!
    Percebi o cuidado do autor em relação à linguagem empregada, deixando em itálico as expressões próprias do velho. Se houve alguma falha na hora da revisão, não percebi.
    Muito bom!

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .