EntreContos

Literatura que desafia.

O sequestro da mãe-d’água (Eduardo Selga)

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A manhã despertara para a vida fazia pouco: o pretume da madrugada desalgemando a luminosidade. Os mesmos ventos frios, soprados do interior da floresta e vindos como que das funduras do Solimões, ainda permaneciam no ar e próximos ao espelho d’água. Os ventos também eram cicatrizes de todas as noites anteriores que somente aos poucos desapareciam, na mesma proporção em que o sol aquecia as águas, as margens do rio e alguns madrugadores, solitários timoneiros de suas canoas e de suas tarrafas, na lida desde a noite anterior.

De tanto subir e descer o rio sem descanso, como se estivesse dentro dum feitiço, sentia que diariamente as águas eram um novo batismo para seus irmãos de labuta e suas embarcações, não para ele; que os outros haviam conseguido tocar o coração generoso d’Oxum de modo a fazê-la ouvir seus pedidos modestos de alguma fartura, mas que para ele a grande pescaria pela qual aguardava desde quando embarcou pela última vez Solimões afora nunca teria lugar. Nem precisavam saber jogar a tarrafa no exato pedaço d’água; ele, mesmo se soubesse matematicamente onde encontrar o que tanto desejava, não pescaria. Ah, Oxum… Fiz as oferendas tão direitinho…

Foi tanto tempo que o tempo navegou… Dos ainda vivos desde quando embarcara, pouco mais que ninguém daquela povoação ribeirinha conseguiria recordar-se dele, se quisesse. Todos o tinham por definitivamente sequestrado pela tempestade que estrondou durante uma pescaria infeliz, noturna, que encheu o rio, inundou as margens, e fez morrer muito justamente alguns caiçaras incrédulos, teimosos em pescar quando não era da lei. Há três gerações canoeiras isso ocorrera. A existência daquele pescador entre os ribeirinhos transformara-se em veracidade incerta, lenda sem rosto.

Ao contrário dos outros mortos, seu corpo não aparecia. Por isso, as mães entraram em ação: interpretações cada vez mais enfumaçadas e distante dos fatos foram transmitidas às crianças ao longo dos anos, principalmente aos garotos de índole sinuosa como areias movediças, teimosos em ignorar as tempestades de Iansã. Mesmo quando nuvens mal humoradas, alguns insistiam em pescarias, pediam autorização aos pais para se exibirem tão homens quanto ainda não eram, mas imaginavam ser.  

Na verdade, pelas vozes trovoadas, elas mesmas eram Iansãs da aldeia ribeirinha, na tentativa de assustá-los, os mais que meninos e menos que homens: costumavam narrar-lhes, caras e bocas, o inacreditável. Via de regra, inútil: poucos olhos arregalados, nenhum arrepio. Nem poderia ser diferente: para alguns daquela geração ribeirinha parecia uma bobagem assombrosa dizer que um pescador, certo dia, era uma vez, tão logo o dia amanheceu, embrulhou-se  em sua tarrafa, rodopiando alucinado e lancinante de tanta cachaça, velas acesas nas mãos, gargalhando a quem ouvisse: invadiria as águas naquela noite para encarcerar em sua rede, com a ajuda d’Oxum, ninguém menos que a própria mãe-d’água. Faria dela sua refém num enorme aquário. Verdadeira vitrine para ganhar vários dinheiros cobrando os olhos dos turistas. Afinal, quem não gostaria de ver a sereia da água doce, tão conhecida dos povos ribeirinhos? E então, rico, conseguiria fisgar todos os peixes possíveis dos rios impossíveis! E os oceanos que o aguardassem! O céu prometia chover mais tarde? Acaso era feito de papel?

Os quase homens até ouviam a cantilena, mas para muitos deles aquilo não passava de invencionice das mães, esse amontoado supersticioso de mulher.

Definitivamente, a claridade. Espantava os restos de madrugada e frio. Não sabia com certeza mensurar, depois de tudo, quanto tempo escorrera e o tamanho real da frustração por retornar sem a desejada prisioneira. A tarrafa murcha. A pouco menos de quilômetro da prainha, era possível enxergar, miudamente, os pescadores como ele e  seus preparativos todos, necessários para avançar Solimões adentro, embrenhando-se na manhã de modo a garantir a subsistência.

Quantos sóis brilharam no mundo das pessoas desde que havia saído, canoa e sonho, em busca da mãe-d’água? Não sabia, mas depois de tanto, madeiras da embarcação apodrecendo, a alma rasgada, fome e sede apavorantes, cadê o resultado? Nenhum. A despeito da pretensiosa busca por sua presa, e até certo ponto sem cansaço, não conseguira sequer um lambari. E o pior: ele, conhecedor de todas as portas e atalhos das estradas dos rios amazônicos, perdera-se muito mais que inúmeras vezes nos tantos igarapés. Como se pescador de primeiros arremessos fosse.

Nas noites de procura, ouvia incessantemente os encantos da mãe-d’água, absolutamente livre em algum canto do rio e jurava: ela não escaparia.

Escapou, contudo. E o atrevimento exigiu o elevado preço de sua existência: o sol implacável tostou e curtiu seu rosto a ponto de as feições serem a textura rachada dum solo sertão, por onde minava sangue quando luas cheias. Tempestades e ventanias noturnas completavam a ruína: violentíssimas, sacudiam não apenas a canoa (que nunca adernou, entretanto), como também sua pele pouca e enferma. Nalgumas áreas do corpo frágil, pedaços de tecido epitelial e muscular soltavam-se, como quisessem abandonar o pescador à maldição na qual se metera. E mergulhavam nas águas, boiando. Eles, os tecidos, preferiam ser alimento dos peixes. Os ventos varriam o leito do rio, doendo todo o corpo. Era quase um incêndio na musculatura exposta, à maneira de chibatadas.

Com sofrimentos para além de si, persuadira-se definitivamente: ao inverso do que um dia imaginara em seus desejos e emoções, a mãe-d’água não cairia na rede, e Oxum tinha feito ouvidos de mercador.

Abancou-se na proa, seminu, semicorpo. Andrajos fazendo vezes de bermuda, a tarrafa sobre a carne viva. Amarrotado. Exaurido. Quem sabe acabava encontrando um modo de transformar a decepção em alegria? Talvez tivesse sido bom, afinal. Encontraria os companheiros pescadores. Não os antigos, é certo: os filhos e netos dos parceiros de outrora. Era consoladora a ideia de que, mesmo não tendo logrado êxito em pescar na tarrafa o seu sonho, seria recebido por toda a comunidade como herói ou, vá lá, quase isso. Afinal, era um pescador letrado nas manhas d’água, famoso desde menino pelo arrojo das ideias. Portanto, os tapinhas nas costas viriam.  

A poucos metros de sua aldeia ribeirinha, os homens acordavam suas embarcações e deitavam-nas no leito d’água para trabalhar, mas havia outras ainda retardatárias na areia. Tartarugamente. Quase todos o viram aproximar-se. De imediato, por considerarem impossível ser quem parecia ser, não quiseram admitir a presença magérrima daquele sujeito a manobrar canoa, cadáver em pé, sorriso de quem febril, esmolambado, acenando para todos eles, entusiasmos.

— Ei! Aqui! Pessoal, estou de volta!

A princípio, disfarçado assombro; logo depois, sem haver troca de palavras entre eles, a intransigente e íntima negação da realidade. A lenda de volta? Inadmissível! Naufragante foi a tristeza que o pescador sentiu quando se percebeu  ignorado. Mamãe Oxum, valei-me… Tenha piedade. Já fui condenado o bastante neste rio pelourinho, não me mate ainda mais com o povo me ignorando… Imploro devolva minhas peles e carnes… Afogue minhas dores… Se a mãe-d’água não foi possível, preciso ao menos abraçar o povoado onde nasci… Pelo amor do Sagrado…

O apelo tombou no vazio. Enquanto os outros fingiam não ver e até achavam graça da suposta doidice, ele paulatinamente perdia materialidade. Seu barco, entretanto, prosseguia sólido, aproximando-se até chegar à prainha. Saltou da embarcação, sem se perceber invisível, e muito menos sem dar-se conta de que isso ocorrera após os outros pescadores se negarem a enxergá-lo.

— Ei, pessoal, não estão me vendo?! Seus pais e avós devem ter contado minha história! Tentei sequestrar a mãe-d’água! Bobagem, hoje eu sei, mas quero recomeçar a vida, ser um pescador de verdade. Tanto surubim por aí, não é verdade?

Ninguém escutou. Ninguém viu. Continuaram a trabalhar, indiferentes, até que todos os barcos, enfim, no Solimões. Alguns tão distantes que pareciam acenar adeuses, tornando-se indistintos das águas como numa pintura impressionista. Ficou sozinho, cismando quase em voz alta, inquieto e desnorteado. Praga! Não sou assombração, como nenhuma vivalma me viu?! Resolveu tornar ao antigo casebre, talvez ainda em pé se o tempo não foi carrasco.

Atravessou o pátio onde alguns meninos e meninas eram crianças, a floresta aproximando-se da casa. Sensação forasteira, de má qualidade, ao avistá-la de longe. Praticamente intacta, apesar do tempo, com o mesmo rosto de quando ele saíra rumo ao seu infortúnio. Pareceu-lhe absurdo, a menos que sua ausência tenha sido muito menor do que presumia.

Ao empurrar com os pés a porta entreaberta, abandono. Sensação de túmulo. Deslizou os olhos em tudo, e as coisas estavam como havia deixado, apenas envelhecidas e sujas. O tempo, dentro da casa, passou. E muito. Viu-se a si mesmo, após a cortina de conchas, diante de um pequeno altar dedicado à Oxum e acompanhado pelas teias de aranha que transbordavam dos caibros.

Aproximou-se de si, silenciosamente. Concentrado na cena fundamental de sua desgraça particular, balançava negativamente a cabeça na tentativa de esquecer a estupidez feita, e que se repetia perante seus olhos. Ele, ruína, sorria.     

Estava bonito, hércules, jovem, físico arrogante, impetuosidade nos gestos, nos olhos a ambição de quem nunca aceitou a própria miséria, a vida de só comer peixe e mais peixe. Velas acesas, imagens, copo de vidência, colares, incensos… Argumentando, gesticulava muito, cuspia, artérias do pescoço revoltadas. Agitado diante d’Oxum, como quem tratasse demanda urgente, mas por vezes brando.

— Mãe Oxum, nas últimas noites a gente tem conversado sobre aquele favorzinho… Tumultue o juízo da sua amiga, a mãe-d’água, e faça com que se embarace em minha tarrafa na próxima lua cheia… Careço tanto da belezura que é ter muito cobre no bolso, a ponto de nunca mais derreter, sol e tanto sol, nessa labuta cachorra… Pescador lá é vida?!… Não, me diz! Olha, a gente combina assim: a senhora me deixa pescar a sua colega; quando estiver enricado bastante, eu solto. Palavra! Negócio amarrado? Dá um sinal, que eu faço ainda hoje a última oferenda. A mãe-d’água vai ficar presa só por um nadica de tempo, sequestrozinho à toa, juro. Eu…

O pescador ia argumentar outras tantas coisas à imagem d’Oxum, porém sentiu uma súbita friagem no quarto, um enregelamento nas mãos, vizinha presença estrangeira, motivo pelo qual, subitamente, virou-se. Mas não viu ninguém, tampouco ouviria a súplica de seu fantasma. Supôs, satisfeito, ter sido aquele estranhamento o sinal pedido à Oxum. Era caprichar na oferenda, portanto.  

—  Largue mão da ideia, Eu. Brincar assim é salgar a vida. Conheço o fim, o jeito como acaba. Eu, ouça: é morrer. Morrer demais da conta…

Desde que entrou em sua choupana, nas primeiras horas da manhã, uma estranheza ocorreu com a velocidade do tempo. Subverteu-se, de algum modo. Tanto que durante os poucos minutos nos quais esteve diante de si próprio, a noite caiu. Ela de repente já adormecia sobre aquele pedaço de lugar no mundo, estrelas todas sorridentes e piscando cílios, insinuantes. Os ventos que o machucaram tanto em sua busca insana estavam de volta, mas nem de longe eram navalhas. Apenas abanavam as labaredas da fogueira que pescadores, esposas e filhos haviam feito para bebericar aguardente, costurar tarrafas, cantar acompanhamentos de violas brincadas. As pupilas da noite se alegravam no céu, incontáveis. E alegres pareciam dançar folguedos, brilhando mais que nunca. Alguns grupos bebiam e dançavam; outros proseavam, ora sérios como quem teme, ora gargalhando como para quem viver é espetáculo que merece aplausos efusivos. Talvez ele, o pescador nem muito real nem muito lenda, fosse um dos infinitos assuntos ribeirinhos, até que o sono atracasse. Teriam mesmo visto o pescador desaparecido? De quem seria aquela canoa que chegou sozinha à prainha?

O pescador não viu a noite atrás de si, a porta deixada aberta. Estava entristecido demais, gritando para ele mesmo, com exasperação, porque parecia impossível encontrar jeito de fazer aquele jovem (que outra pessoa não era senão ele, quando dum tempo antes), ouvir a voz do arrependimento.

– Eu, acorde! Ei, Eu! Pela última vez, pelo Sagrado…  Arranca essa teima do coração, que é morte, Eu… É morte todo santo dia, sem alívio.

Lá fora, enquanto uns poucos já se recolhiam às suas casas, descansar para o dia seguinte, houve quem garantisse ter visto, próxima à estranha canoa, a mãe-d’água. Adornados e longos cabelos sob a lua cheia, um sorriso zombeteiro nos olhos e nos lábios.

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44 comentários em “O sequestro da mãe-d’água (Eduardo Selga)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    O sequestro da mãe-d’água (João Galafuz):

    Técnica: conto de gente grande, pode-se dizer. Fica óbvio o domínio da escrita, tanto pelas figuras de linguagem muito ricas, quanto pela trama que dá voltas em si mesma e vem nos surpreender com uma ironia indigesta no final. Há sentenças que passam a impressão de estarem incompletas. De início, achei que seria uma falha. Posteriormente, com a repetição da artimanha, fui levado a crer que seria uma questão estilística, visto que tais sequências, ainda que incompletas, são plenamente inteligíveis e provocam a suposição.

    Apelo: o paradoxo do indivíduo do futuro que influi em seu “eu” do passado não é algo incomum (vide o filme Interestelar), embora tenha sido bem aproveitado aqui. Um dos aspectos inusitados nesse uso foi o protagonista do futuro ser, supostamente, um espectro de si, e não uma simples materialização.

    Conjunto: o fechamento deixou-me certa ideia tinhosa na cabeça. Se a mãe d’água estava ali a rir-se da tragédia do pescador (que simultaneamente iniciava-se e acabava), nada impede que ela tenha criado a possibilidade para que tudo isso acontecesse propositalmente, vingando-se simultaneamente do velho e do jovem. Por esse lado, o conto proporciona muito mais do que aqueles que apenas descrevem uma lenda como “ardilosa”, ele a sugere como tal para que o leitor tenha o entendimento por conta própria.

    Parabéns e boa sorte.

  2. Rubem Cabral
    31 de março de 2017

    Olá, João Galafuz.

    Lindo conto: narração, construção de personagem, adequação ao tema. Não há muito o que comentar, senão que foi um dos textos mais bonitos e tocantes que já li.

    Nota: 10

  3. Matheus Pacheco
    30 de março de 2017

    Conto excepcionalmente escrito em descrições, de uma maneira até invejante para mim.
    Excelente o conto, misturando o folclore com a fixação de um homem na lenda da Mãe D´Água, sendo que no final descobrimos que ela existi mesmo no universo da historia.
    Abração ao Autor.

  4. Evandro Furtado
    30 de março de 2017

    Resultado – Average

    É inegável a qualidade da narrativa. A trama, no entanto, não me agradou muito. Talvez se eu estivesse lendo em um momento diferente, tenho a impressão, poderia ter causado em mim um impacto mais apropriado. A arte tem dessas desvantagens, ela está ligada ao tempo de uma forma ingrata.

  5. Marco Aurélio Saraiva
    30 de março de 2017

    Mas isso aqui é uma lição de como escrever bem. Cada palavra no seu conto parece ter sido pensada durnte 1 mês, cada frase feita com todo o seu sangue. Um texto belíssimo! E um drama de proporções iguais.

    Um conto muito bonito. O folclore aqui é folclore mesmo: lenda, histórias, fantasia que sabemos que não existe mas… sabemos mesmo? O texto incita diversas reflexões como, por exemplo, a situação do homem que virou, ele mesmo, folclore local. Para ser folclore – ser lenda – é necessário deixar de ser. Não faz sentido uma lenda que caminha entre nós. O povo, por sua vez, escolhe muito mais fácil a crendice do que o fato diante do nariz: o homem ficou invisível, embora estivesse lá, para que a lenda perdurasse na mente do povo.

    Será que a própria mãe d´água não foi, um dia, mulher comum como ele era homem comum? Será que ela sempre esteve com ele, ao seu lado, mas ele mesmo escolheu não a enxergar para que a lenda perdurasse?

    Um conto muito bonito, profundo, e cheio de belas construções. Um deleite para a alma.

    Parabéns!

  6. Iolandinha Pinheiro
    30 de março de 2017

    Acho que foi a segunda escrita mais bela deste desafio, porque a primeira angariou meu 10, fiquei passada com o seu conto, e olha que não tenho por uso me afeiçoar a contos muito líricos e cheios de guéri-guéri . Não nego que em alguns momentos eu me aborreci com a embromação, mas era tarde demais, o conto já havia furtado meu coração em suas sendas e igarapés. O pescador obcecado pelo sequestro da mãe d’água. O morto que não se aceitava. O olhar do fundo da água. . Aquele que fazia nascer lendas porque o corpo nunca aparecera. Achei bacana tanta coisa. Até o relicário construído em sua homenagem. Deixei o conto por último e valeu a pena. Foi a cereja do bolo. Parabéns e boa sorte.

  7. Pedro Luna
    30 de março de 2017

    Gostei do conto. Me lembrou algumas obras, como o Velho e o Mar, pela obsessão e relação com a pesca, e Interestellar, pelo aviso que o “fantasma” tenta enviar, no caso aqui, a si mesmo, tentando remover a ideia que o aprisionaria no futuro. Bem pensado e bem escrito, achei muito bacana mesmo. Não tenho sugestão de melhorias. Acho que ficou perfeito do modo como está. A ambientação está show também. Enfim, excelente.

  8. Marsal
    29 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: bastante adequado
    b) Enredo: A historia e bem contada, achei a ideia bastante interessante, embora o final tenha sido um pouco previsível para mim.
    c) Estilo: a narrativa e’ rebuscada, mas sem exageros. A leitura flui bem. Tive duvidas em relação ao foco narrativo, talvez adotar o foco narrativo em primeira pessoa fizesse mais sentido.
    d) Impressão geral: Um bom conto, muito bem escrito. Boa sorte no Desafio!

  9. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Há algo de onírico permeando a narrativa, do começo ao fim. Isso se percebe já nas primeiras linhas, pela descrição inspirada e poética, algo que se mantém, ainda que no substrato, durante o desenvolvimento. Acompanhar o protagonista em sua busca que, desde o princípio, sabemos que resultará infrutífera, é mergulhar em sua mente desesperançada e por isso mesmo humana. Nosso velho herói é alguém de carne e osso, que no fim se vê arrependido por ter se empenhado na caça de um mito, de algo impossível. Há uma metáfora muito interessante nisso tudo, porque a Mãe d’Água poderia representar qualquer anseio que alimentamos na juventude e que, no fim da vida percebemos como algo inalcançável. Que bom seria se pudéssemos avisar a nós mesmos dos erros que ainda iremos cometer. A grande questão que o conto desperta – algo que me é particularmente atrativo – refere-se às escolhas que fazemos e como isso repercute na maneira como levamos nossas vidas. Tive a oportunidade de tratar disso em “O Gatilho de Borges”, todavia sujeito a uma atmosfera opressora, distópica. Aqui, a opção foi pelo lirismo, pelo poético, pela tristeza que acompanha o protagonista em sua jornada, subindo e descendo o rio atrás de seu troféu máximo. Há algo de O Velho e o Mar, de Hemingway, encalacrado nas entrelinhas, o que torna o conto ainda mais interessante, na medida em que nos afeiçoamos ao velho e, mesmo sabendo de sua loucura, do disparate de seu propósito, torcemos para que ele tenha ao menos um vislumbre de seu objetivo. Termina, como diz o folclore, tragado por sua persistência, refém de sua paixão pelo sobrenatural, porém de certa forma amaldiçoado pelo retorno à antiga comunidade, agora um espectro condenado a rever os próprios passos e incapaz de mudar o próprio destino. Se a história em si já instigante, a maneira como o autor ousou contá-la só a torna melhor, eis que cada palavra, cada expressão parece cirurgicamente adequada para contar o drama que se abate sobre o velho do rio. Tive o prazer de ler este conto de trás para frente – já que a narrativa não é linear – e o resultado foi surpreendente, já que conferiu uma nova perspectiva à procura de Iara, igualmente interessante. Ótimo trabalho.

  10. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Um texto bastante lapidado, com escolha cuidadosa das palavras, tanto na narrativa quanto nos diálogos. A forma está muito bem construída, sem emendas aparentes. Mas a abordagem do tema, para mim, não bateu, não me fascinou. De qualquer forma, reconheço o excelente trabalho do autor.

  11. Cilas Medi
    27 de março de 2017

    Muito bom. Estilo direto, objetivo e criativo.

  12. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    A forma de narrativa não me agrada, apesar de ser apenas opinião pessoal. De inicio, por demais lírico e com descrições belas, mas de difícil compreensão para uma leitura simples. Do meio para o fim se torna menos lírico e mais popular, entretanto, não pude sentir o real desespero e tristeza do personagem em sua aventura frustrada, nem pude compreender sua penitência ante seus designios.

  13. jggouvea
    26 de março de 2017

    O conto começou prometendo muito, mas não entregou no fim. Ficou parecendo que todo o sofrimento do espectro do pescador tinha sido algum tipo de sonho, ou de realidade alternativa, e isso matou um pouco o clima do conto. Teria sido melhor ele simplesmente voltar e se descobrir fantasma, e o povo surpreso com a canoa sozinha chegando. Teria sido mais simples, e mais efetivo.

    Um ponto que eu achei bastante incômodo no texto é a confusão entre Oxum, a orixá das águas doces, e Iara, a sereia da mitologia brasileira. Era preciso que o autor tivesse elaborado um pouquinho isso. Por exemplo, esclarecendo que se tratava de uma comunidade quilombola.

    Pequenos detalhes assim deixam arestas.

    Nota Média 8,47
    Introdução 9
    Enredo 9
    Personagens 8
    Cenário 9
    Forma/Linguagem 8
    Coerência 8

    • Eduardo Selga
      1 de abril de 2017

      Não há nenhuma confusão entre a orixá e a Iara. Oxum, na religiosidade afro-brasileira, é regente das águas doces; a Mãe-d’Água é um ser da água doce, que em tese possui afinidade com Oxum em função do elemento natural que habitam. Tenho a impressão que o trecho “tumultue o juízo da sua amiga, a mãe-d’água, e faça com que se embarace em minha tarrafa na próxima lua cheia…” demonstra isso, que são amigas. Por isso o pedido feito à Oxum, que é, na verdade, um pedido de traição.

      Você diz que determinado caminho “teria sido mais simples, e mais efetivo”. É possível, mas não teria sido o meu caminho narrativo. Pelo seguinte: esteticamente, meus contos são, em sua maioria, neobarrocos na linguagem formal e neoimpressionistas no efeito dessa linguagem.

      Para quem não conhece direito o assunto e se deixa levar pelo senso comum, o neobarroco não passa de floreio textual. É muito mais, no entanto, fiquemos por aqui.

      O neoimpressionismo, por sua vez, não se debruça tanto sobre a “lógica” das ações, e sim no efeito sensorial, muitas vezes onírico, do enredo e, muito mais que ele, da linguagem. A estória em si, portanto,não interessa tanto quanto ocorre num conto romântico ou realista, por exemplo. Importa é que, ao fim e ao cabo, o leitor fique uma sensação meio difusa, e até confusa, do panorama exposto.

      Um conto com tais características não quer explicar nada para o leitor acostumado com certo tipo de narrativa. Pelo contrário, confunde. Propositadamente. De modo que, repito, a névoa prevaleça, e o leitor enxergue nela algo a ser dito, lindamente oculto.

  14. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! O seu conto, sem dúvida, agradará a muitos: as imagens poéticas, a ênfase no descritivo, a estória que se elabora tentando mostrar profundidade e complexidade, tudo isso agrada a muitos que gostam de leitura. Eu tenho um gosto um pouco diferente, por isso não tão impressionado quanto a maioria. Achei que foi dado mais empenho que criar um texto impressionante do que uma história impressionante, se é que me entende. Claro, um puro texto que impressiona o leitor também tem seu próprio valor, independente de seu conteúdo. Não achei os personagens envolventes, mas talvez essa não seja uma história voltada para desenvolvimento de personagens. Um bom conto, desejo para você muito Boa Sorte no Desafio!

  15. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Quando terminei a leitura, fiquei pensando o que tinha acontecido. Fosse comigo, ou com o protagonista da narrativa. Fiquei confuso com a quantidade de elementos rodopiando nas cenas, como um pescador em meio à tormenta procuraria qualquer coisa em que pudesse agarrar. Não sei se foi essa a intenção do autor, mas foi o suficiente par que eu não me envolvesse tanto com o trabalho. Infelizmente.

  16. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, João,
    Gostei da maneira como descreveu, de uma forma poética, mas perdeu um pouco do que poderia mostrar. A mãe-d’água é uma lenda bastante dramática. A morte da índia por defender-se dos irmãos não aparece de forma enfática – enfática não seria a palavra, mas não acho outra agora. A leitura é corrida, não há erros visíveis de escrita e concordância. Tem uma beleza na descrição das passagens. Gostei demais da imagem do conto. Quero saber a autoria.

  17. Bia Machado
    23 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (3/4) – Embora tenha achado a narrativa muito bonita, não é um texto com fluidez, ao menos não no início. Os primeiros parágrafos são longos, um excesso de adjetivos, é bonito de se ler, mas fosse mais simples, seria mais belo ainda. No entanto, narrativa muito segura de si.

    Construção das personagens: (2/3) Não conseguiu me conquistar de todo. Funcionou, dentro da proposta do conto, mas não terminei o conto com saudades rs…

    Adequação ao Tema: (1/1) – Muito bem adequado e usou de forma criativa o mito da mãe d’água trazendo também o candomblé na temática. Muito bom.

    Emoção: (1/1) – Apesar do arrastado, a narrativa me conquistou. Tivesse a personagem me conquistado também e seria perfeito.

    Estética/revisão: (1/1) – Nada que incomode.

  18. Olá, João Galafuz,

    Nota 10.

    Seu conto me encantou. Mais que isso, a força de sua narrativa ficou comigo durante todo o dia. Me impressionei muito com o tecido das palavras, a poesia na narrativa, as imagens criadas, a coesão do trabalho do título ao final, passando pelo pseudônimo. Gostei, sobretudo, da forma com que você conduziu a história, em um crescente, chegando ao ápice com maestria.

    Outro ponto a se destacar foi a substantivação (se é que isso existe) dos adjetivos, de forma tão bela e forte. Sua palavra tem força, apelo, profundidade.

    Sobre a narrativa, contada do ponto de vista da alma do afogado, gostei do modo como ela carrega em si uma tristeza que se vai revelando aos poucos, sem apelos desnecessários.

    Desconfio de algumas autorias para este trabalho magnífico.

    Parabéns por sua verve belíssima e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  19. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Confesso que, no início da narrativa, achei-a um pouco truncada e carregada demais, o que me dificultou um pouco a leitura (não que isso seja uma coisa ruim, acredito que faça parte de seu estilo e essas características têm um encanto todo especial).

    Após a metade da história a coisa mudou de figura para mim, o drama do pescador condenado a vagar pelo rio por uma pequena eternidade e definhando sobre o castigo do sol e das tempestades ficou extremamente bem feito.

    Ao final, confesso mais uma vez, fiquei meio confuso com a transição temporal do pescador vendo a si mesmo, jovem, indo em direção à sua perdição. Mas nada que desabone o todo o contexto da história. Parabéns.

  20. Jan Santos
    22 de março de 2017

    A maturidade da escrita é algo a se louvar, com certeza merece destaque. A não-presença da entidade torna-a terrível, e o desespero do protagonista, muito palpável. Parabéns pela história!

  21. Elisa Ribeiro
    21 de março de 2017

    Enredo interessante e criativo, linguagem vistosa. Em minha primeira leitura, atravessei sofridamente a primeira parte do texto, deliciando-me na segunda parte, a partir do oitavo ou nono parágrafo, até o final do texto. Na segunda leitura, pareceu-me, sei lá, que o autor pretendia escrever uma história que acabou se tornando outra do meio para o fim. Com relação à linguagem, as duas primeiras falas do pescador fantasma me soaram um pouco desarmônicas com o restante do texto e com as falas seguintes e a expressão “pedaços de tecido epitelial e muscular” me causou um pequeno solavanco durante a leitura. Um excelente texto, entretanto. Desejo sucesso no desafio!

  22. juliana calafange da costa ribeiro
    20 de março de 2017

    Muito bonito seu conto. Vc conseguiu criar uma aura de mistério, quase uma bruma sobre o rio. Foi bonito de ler e de ver. A atenção dada à construção de cada frase se nota em todo o texto, com destaque para: “Atravessou o pátio onde alguns meninos e meninas eram crianças” e “As pupilas da noite se alegravam no céu, incontáveis.”. A trama toda gira em torno da lenda da mãe-dágua, e do Candomblé, dentro do tema proposto. O desfecho mantém o mistério nesse final aberto, com uma bela imagem da sereia, satisfeita com sua vingança. Parabéns!

  23. Fabio Baptista
    19 de março de 2017

    Texto muito bem escrito, num ritmo mais lento que, na minha opinião, combina mais com romance do que com conto… aquela história de romance tem que ganhar por pontos e o conto por nocaute.

    A escrita poética caracterizou muito bem cenários e personagens. Só achei essa metáfora meio destoante do ambiente: textura rachada dum solo sertão. A última coisa que eu estava imaginando ali, naquele lugar repleto de águas e rios, era um solo sertão.

    O plot lembrou bem de leve “Um senhor muito velho, com umas asas muito longas”, onde uma família começa a cobrar ingresso para que vejam um anjo no quintal da casa. Lá no grupo do Facebook citaram também “O Velho e o Mar”, mas esse ainda não li. Acredito que seja por causa da obstinação e tal.

    Gostei.

    Abraço!

    NOTA: 9

  24. Bruna Francielle
    18 de março de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: Me parece bem escrito, sim. De ponto forte destaco a cena em que o pescador, meio lenda, aparece para os outros pescadores mas ninguém o vê, e ele não entende porque. E o barco chegando bem ‘vivo’ na beira. Gostei dessa história de capturar um ser folclórico, este mote foi muito criativo.

    Pontos fracos: Porém, não me empolgou. Exagero na rebuscado, tornou a lida mais cansativa que agradável. Até a metade foi um tanto difícil de ler, depois deu uma deslanchada, com mais ação.

  25. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Uma boa história sobre a determinação louca de um jovem em sequestrar a mãe d’água, e tudo por ambição. Fazendo isso por toda sua vida, só deixou de viver, mas quando enxergou a realidade já era tarde demais.
    Bom conto, boa sorte.
    Destaque: “Foi tanto tempo que o tempo navegou… Dos ainda vivos desde quando embarcara, pouco mais que ninguém daquela povoação ribeirinha conseguiria recordar-se dele, se quisesse.”

  26. Vitor De Lerbo
    17 de março de 2017

    Conto muito bonito. Uma releitura bem interessante da lenda, que remete ao arrependimento. Ótimo texto.
    Boa sorte.

  27. mitou
    16 de março de 2017

    muito interessante. gostei da mistura das referencias africanas com as indígenas, muito bom e teve uma ótima linha narrativa. pecou em algumas questões de pontuação, mas penso que foi só.

  28. marcilenecardoso2000
    16 de março de 2017

    Ideia infeliz essa de querer prender logo a mãe d’água, essa criatura cheia de vontades tinhosa mesmo. O conto transcorreu limpo, sequência clara de início, meio e fim. Linguagem clara, mas sem emoção. Conto que não prende o leitor. Nota 6(seis)

  29. G. S. Willy
    16 de março de 2017

    O(a) autor(a) buscou uma linguagem mais elaborada para apresentar o conto, porém pecou na excessividade e no uso incorreto de alguns termos, como por exemplo “timoneiros de suas canoas”, sendo que canoa não possui timão, e “caiçaras” para se referir aos ribeirinhos do rio Solimões, mesmo este termo ser usado apenas para designar pescadores de regiões litorâneas da costa, entre outros, e por isso tive que me esforçar para manter a atenção no texto.

    Levando em conta o tema do desafio, o folclore brasileiro, achei que o conto ficou devendo, e muito. Isso pode ser discutível, mas para mim o candomblé não é folclore, é mitologia africana, e mesmo assim, ficou muito em segundo plano.

    Infelizmente para mim não funcionou a mensagem que o conto deveria passar, talvez uma reescrita para o deixar menos intrincado e mais fluído, a experiência teria sido mais agradável, uma pena…

  30. M. A. Thompson
    16 de março de 2017

    Olá “João Galafuz”. Parabéns pelo seu conto. A narrativa é fluida, embora acho que você poderia ter destacado mais a lenda a qual se refere.

  31. Anderson Henrique
    15 de março de 2017

    Achei o texto bem truncado, com longos períodos e construções rebuscadas que não acrescentam. Isso reduziu bastante a fluidez da minha leitura, me obrigado a voltar e reler trechos inteiros para absorver o significado.

    Há trechos estranhos, como o destacado abaixo, em que há uma concatenação de partes separados por dois pontos(:). Até mesmo dois deles em sequência sem que haja um ponto final. Relendo o texto mais pra frente, fui percebendo essa repetição de estrutura, muitas vezes sem que ela funcionasse. Vale rever essa questão e observar se não é um vício narrativo.

    “”Na verdade, pelas vozes trovoadas, elas mesmas eram Iansãs da aldeia ribeirinha, na tentativa de assustá-los, os mais que meninos e menos que homens: costumavam narrar-lhes, caras e bocas, o inacreditável. Via de regra, inútil: poucos olhos arregalados, nenhum arrepio. Nem poderia ser diferente: para alguns daquela geração ribeirinha parecia uma bobagem assombrosa dizer que um pescador, certo dia, era uma vez, tão logo o dia amanheceu, embrulhou-se em sua tarrafa, rodopiando alucinado e lancinante de tanta cachaça, velas acesas nas mãos, gargalhando a quem ouvisse: invadiria as águas naquela noite para encarcerar em sua rede, com a ajuda d’Oxum, ninguém menos que a própria mãe-d’água.””

    Avançando na leitura, eis que encontro um trecho redondo redondo, perfeitinho. O ritmo certo, os períodos bem separados. Tem até um dois pontos ali, mas bem aplicado. Vale destacar:

    “Abancou-se na proa, seminu, semicorpo. Andrajos fazendo vezes de bermuda, a tarrafa sobre a carne viva. Amarrotado. Exaurido. Quem sabe acabava encontrando um modo de transformar a decepção em alegria? Talvez tivesse sido bom, afinal. Encontraria os companheiros pescadores. Não os antigos, é certo: os filhos e netos dos parceiros de outrora. Era consoladora a ideia de que, mesmo não tendo logrado êxito em pescar na tarrafa o seu sonho, seria recebido por toda a comunidade como herói ou, vá lá, quase isso.”

    Percebi que há uma passagem de tempo longa no texto, mas não vi isso mostrado claramente. Acho que poderia ter sido melhor conduzido. Resumindo: é um texto irregular que alterna ótimas passagens e outras nem tanto. Há períodos truncados e parágrafos bem construídos. Não sei se faltou tempo por conta do prazo, mas uma revisão apurada poderia jogar o conto lá pra cima.

  32. Roselaine Hahn
    13 de março de 2017

    João, o 1o. parágrafo do seu conto é magistral, e dita a batida lírica da história. Ele me remeteu ao realismo fantástico de Garcia Marquez, fiz correlação com o conto dele “O Afogado mais bonito do mundo”. A sua prosa é fluída e tocante, poesia em ficção. Não é uma leitura fácil, exige releituras, quem mandou cutucar na alma do leitor. Alguns ajustes , a meu ver, e seu texto ficará redondinho. Acredito que a estrutura de algumas frases poderiam ser mudadas para fins de maior clareza, como:Mesmo quando nuvens mal humoradas, alguns insistiam em pescarias. Ao meu ver algumas pontuações prejudicaram o entendimento do parágrafo, bem como o excesso de dois pontos, em alguns casos, desnecessários. Só mais um detalhe: releia o texto sem os advérbios, vc. verá que eles, na maioria das vezes, não fazem falta e são como pragas daninhas no texto, principalMENTE, os terminado em MENTE: definitivamente, novamente, justamente, etc…os advérbios quebram a força poética de algumas frases. São pequenos detalhes, que não comprometem a grandeza do texto, que merece alçar voos maiores. Go ahead, parabéns!

  33. Rsollberg
    13 de março de 2017

    Por uma exclusiva questão de gosto, não sou muito fã de textos que começam falando do clima e situando de cara o leitor. Porém, aqui o autor foi muito competente, pois mesmo não quebrando esse paradigma, as passagens construídas são inovadoras e fogem do lugar comum como: “vento cortante”, “nuvens de algodão” – ao contrário há muita originalidade, como nesse trecho “Os ventos também eram cicatrizes de todas as noites anteriores que somente aos poucos desapareciam, na mesma proporção em que o sol aquecia as águas, as margens do rio e alguns madrugadores, solitários timoneiros de suas canoas e de suas tarrafas, na lida desde a noite anterior.” (o único porém vai na repetição noite anterior).

    O texto tem bastante ritmo, apenas algumas repetições surgem como quebra-molas – mas não atrapalham tanto a fluência – “ribeirinho” por exemplo. O autor sabe usar bem o estilo, algumas frases telegráficas, diretas, em seguida casando bem com sentenças mais elaboradas, tal qual esse trecho: “o empurrar com os pés a porta entreaberta, abandono. Sensação de túmulo. Deslizou os olhos em tudo, e as coisas estavam como havia deixado, apenas envelhecidas e sujas. O tempo, dentro da casa, passou. E muito. Viu-se a si mesmo, após a cortina de conchas, diante de um pequeno altar dedicado à Oxum e acompanhado pelas teias de aranha que transbordavam dos caibros.”

    A história é ótima, conhecia muito superficialmente a lenda, nesse sentido foi muito legal ser capturado pela narrativa, obviamente pela habilidade do autor em aclimatar o leitor, em um interessante sinestesia.Bem bacana.

    Parabéns!

  34. Priscila Pereira
    13 de março de 2017

    Oi João, quanta poesia no seu texto!! Muito lindo!! Gostei da suavidade das metáforas, da beleza de cada linha, da calma e segurança ao contar a história. O texto também traz uma valiosa lição, desperdiçar a vida atrás de riquezas fáceis é morrer aos poucos. Muito bom! Parabéns!!

  35. Anorkinda Neide
    12 de março de 2017

    Nossa, que leitura gostosa.
    Que frases inteligentes e elegantes sem serem pedantes. e eu rimando.. rsr
    Parabens pelo texto e pelo enredo, achei original, bonito e triste como só! Ê desgracêra! e a pitada de maldade no final… Muito bom.
    Toque de Midas neste desafio.
    Pena q nao to participando, mas to amando ler, como nao poderia ser diferente mesmo. Abração

  36. felipe rodrigues
    12 de março de 2017

    conto muito bonito, achei bacana que o escritor usou a lenda da mãe d’água como um motivo de obsessão para o protagonista. aliás, não sei se essa lenda do protagonista, do pescador fantasma que busca pescar a mãe d’água, realmente existe, pois se foi criada neste conto, parabenizo ainda mais o autor. se não foi, achei que a utilização dela no texto caiu muito bem. enfim, gostei bastante.

  37. Sandra Godinho Gonçalves
    12 de março de 2017

    Belo texto. Faltou uma maior conexão com o leitor.

  38. Fheluany Nogueira
    12 de março de 2017

    O texto já se inicia bem elaborado desde o pseudônimo, o nome com que a superstição popular (Pernambuco, Sergipe) designa uma espécie de duende, que emerge das ondas como um facho para prenunciar naufrágios. São várias as lendas e letras de música que têm como tema a história do caboclo morto no mar antes de batizado; portanto, o conto está adequado à proposta.

    Texto bem escrito, poético, com linguagem e conteúdo bem amarrados, repleto de metáforas, sinédoques, personificações, inversões sintáticas e outras figuras estilísticas, frases de efeito que, às vezes, travam um pouco a leitura, mas, ao mesmo tempo, enriquecem-na. Gostei muito do trecho: “Foi tanto tempo que o tempo navegou… (…) A existência daquele pescador entre os ribeirinhos transformara-se em veracidade incerta, lenda sem rosto.”

    A ideia de colocar as mães dos pescadores e as deusas dos mares e oceanos num mesmo nível (“amontoado supersticioso de mulher”) ficou interessante. O título sugerindo que a Mãe d’água teria sido realmente sequestrada, deixa o leitor meio frustrado. É um dos primeiros contos que estou lendo, mas certamente receberá uma boa nota. Parabéns, abraços.

  39. Antonio Stegues Batista
    11 de março de 2017

    Não sei se crenças religiosas se adequam ao folclore, mas isso não vem ao caso. Achei que algumas metáforas ficaram abstratas, não bem correspondidas. Uma frase estranha: ” Atravessou o pátio onde alguns meninos e meninas eram crianças.” Se não fossem crianças seriam adolescentes? Outra frase estranha: ” Ao empurrar a porta com os dois pés”. Para abrir a porta com os dois pés, só saltando ou sentando no chão. A narrativa às vezes lembra, ou se parece muito com o romance O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway. Gostei do enredo e da escrita, mesmo com os problemas apontados.

  40. catarinacunha2015
    11 de março de 2017

    A primeira frase é muito bonita, o que representa um bom abre-alas. A pontuação, digamos exótica (exemplo: o segundo parágrafo), tirou um pouco do ritmo da narrativa e algumas passagens são repetitivas. Mas o espetacular talento do (a) autor (a) em manipular e aquecer as palavras compensa perfeitamente esse pequeno entrave revisional.

  41. Olisomar Pires
    11 de março de 2017

    Inicio lento, modorrento. Depois melhora.

    Texto bonito com belas imagens, embora não seja cativante, mas esteticamente é bom.

  42. Fernando Cyrino
    10 de março de 2017

    Que bonito seu conto. A loucura, o sonho, o existir não existindo do homem e seu barco subindo e descendo o rio. Fez-me lembrar “A Terceira Margem do Rio”. Coisa mais bacana. Apareceu-me uma dúvida e como ela se manteve até na releitura, trago-a como pergunta: ele busca a mãe d’água. Ponto e nada mais o interessava. Entendi que sua tarrafa, suas redes não buscariam nada que não fosse a sua busca primordial. Mesmo assim, em outro ponto há a sugestão da pescaria “não pescou nem um lambari”. Bem, se é problema de entendimento meu, tudo bem, me releve a questão. mas se mais gente apontar, talvez seja interessante clarear este ponto. Também achei excessivo no texto esta citação do “tecido epitelial e muscular”. Acho que ficou um tanto fora do contexto. Quem sabe, pele e músculos ficariam mais adequados. Tartarugamente e outras imagens que você me traz são ótimas. Reitero, um belo de um conto. Parabéns. Abraços.

  43. angst447
    10 de março de 2017

    Ufa! Não diria que esta foi uma leitura fácil, mas fascinante. A princípio, torci o nariz para a narrativa cheia de voltas, frases longas demais, já ia dando um senão quando a poesia me afogou. Ah, que estilo! Próprio, sem comparações a serem feitas. Por fim, gostei e muito.
    Talvez, alguém note a falta de alguma preposição aqui e ali, e cisme com a pontuação redesenhada, mas eu passei a ignorar tudo para mergulhar na trama. Uma ótima ideia essa do sequestro da mãe-d’água. Descrições primorosas do estado do pescador ambicioso, tanto físico quanto do seu espírito.
    Não sei se entendi bem o desfecho do conto,mas me agradou mesmo assim. Pelo que percebi, o pescador perdeu-se no mar e ali morreu na tentativa de capturar a mãe-d’água. Ele volta para casa e ninguém o enxerga já que virou um fantasma. Encontra consigo mesmo, um EU no passado e tenta demovê-lo da ideia mal sucedida. Isso?
    Ritmo alucinante, de quem tenta afogar o leitor nadando contra a corrente. Estou tonta e satisfeita. Sem ar e encantada. Que maldade fazer isso comigo,autor.
    Ótimo trabalho!

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .