EntreContos

Literatura que desafia.

Estranha é a Matinta (Matheus Pacheco)

matinta-pereira

“Criatura horrenda que caminha por minha vila, deixe os pobres e trabalhadores repousarem a cabeça no colo de suas esposas, deixe as crianças sonharem com doçuras e brincadeiras e deixe o velho que sou descaçar em sua cama de papelão.”

Esbravejou o andarilho barbudo para as sombras que espreitavam a praça deserta.

“Sei que está aí, sua ave feia, porque quando é o raiar da minha Lua é o anoitecer do seu Sol, e hoje, diferente de todas as outras noites, não me afoguei na água forte das esquinas só para acertá-la com as minhas botas.”

Diferente do anterior, esse grito teve um assovio estridente que assassinou o silêncio pacífico da praça e serviu como resposta.

“Ora essa, sua velha assoviadeira, me de paz, me abandone como todos os outros que me amaram já fizeram e me deixe apenas com a companhia da solidão que tenho como amiga por todos esses anos.”

Da escuridão saiu uma velha mirrada, tremula e coberta de xales.

–Porque vosmicê me ofende de velha, ave e horrenda? Sendo que ofende sua própria alma repousando numa praça, trabalhando como pode e esmolando como pobres?—

“Sua velha caduca, me deixe em paz, não vê que estou ocupado esperando para abater a coruja que ao voar parece rasgar até as mais resistentes malhas?”

–Então o azar é de vosmicê, que escolheu repousar nessa praça ao invés de dormir do lado dos muros da igreja, mais azar ainda para vosmicê que é um retirante que nem para retirar presta, pois se tivesse se tivesse largado a Bahia ao invés de vir para o Amapá e se aventurado no sul, jamais seria incomodado por mim, pois teu estômago jamais estaria cheio…—

“Você é uma velha estranha, isso sim, que ousa citar a igreja de Nosso Senhor e ainda tenta me perder em tua língua afiada, pois afinal o que meu estômago tem haver com tuas palavras?”

–Para que serve o estômago cheio senão para eu pisar? Ou para que vale minha porca com seus leitõezinhos senão para incomodar os bêbados nas ruas de pedras? E comece a ter respeito, sou muito mais velha que você e exijo que me chame por meu nome, exijo que me chame pelo nome de Matinta Pereira.—

“A única coisa que chamarei para você é minha bota, que voara como essas corujas que te acompanham até te acertar.”

O andarilho arqueou o braço e lançou o seu calçado, mas errou.

–Enquanto rio de vosmicê tomarei de teu fumo e partirei, sortudo é vosmicê por que não sou aquele negro aleijado que corre por aí chupando o sangue dos cavalos, senão nesse momento já estaria planejando contra vosmicê por ter me atirado sua bota.—

E a velha saiu escuridão adentro, fumando e soltando assovios estridentes para acordar toda a vizinhança e assustar os animais.

De manhã o andarilho acordou desnorteado e pensativo com o que era a realidade e a fantasia da noite que passou sóbrio, mas decidido a voltar para sua terra baiana, nem que fosse para morrer.

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44 comentários em “Estranha é a Matinta (Matheus Pacheco)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: não encontrei problemas de ortografia que prejudicassem o entendimento do conto. Os diálogos estão claros, bem demarcados, e a trama totalmente inserida no tema.

    Apelo: se partirmos do entendimento de que a Matinta é uma lenda, ou seja, algo que existe majoritariamente no plano das ideias, faz sentido que o embate entre ela e o andarilho ocorra também como uma representação de ideias, ou seja, como um diálogo. Ao que parece, ele esperava a Suindara, não a velha, o que também faz muito sentido, se ele é um estrangeiro ali. É como se esse contratempo representasse a regionalidade das culturas, uma espécie de variação que o entendimento das coisas pode ter de um lugar para outro.

    Conjunto: foi uma leitura agradável e instigante, acima de tudo.

    Parabéns e boa sorte.

  2. Marco Aurélio Saraiva
    30 de março de 2017

    Um conto breve, descrevendo a lenda de Matinta Pereira, que eu nem sabia que existia. Quando li o conto achei que se tratava da Pisadeira, mas quando fui pesquisar o nome citado pela bruxa, dei com a sua lenda.

    Não há nada de inovador aqui, a não ser a revolta do homem com a velha, que deveria importuná-lo noite após noite. Ele joga um calçado na direção dela, ao invés de prometer algo em troca da sua paz, que é como a lenda reza que a pessoa se livra da criatura. Sinceramente, eu faria o mesmo, rs.

    Sua escrita é boa, mas o texto precisa de revisão. Mesmo que pequeno, avistei alguns erros de português um tanto visíveis. A forma como você utilizou itálico para os trechos narrativos foi interessante: para mim, denota mesmo uma narração, como se alguém estivesse contando a história. E como só há dois personagens no conto, separar as suas falas por aspas e travessões foi uma técnica legal.

    Enfim, o conto é interessante e vai um pouco além de apenas descrever a lenda da Matinta: há um diálogo entre homem e lenda, o que empresta alguma originalidade. Mas me parece que o enredo não prende muito, e quando talvez estivesse se tornando interessante, acabou.

  3. Marsal
    29 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: sem duvida
    b) Enredo: não muito claro para mim. O andarilho parece interagir com a matinta mas há um certo tom onírico. Sonho? Delirium Tremens? Ficou um v=certo gostinho de “quero mais” no final, como se o conto fosse um prologo de algo maior…
    c) Estilo: achei o conto um pouco difícil de ler. A linguagem e bem trabalhada, mas a alternância trechos em itálico-trechos sem aspas- trechos sem aspas ficou um pouco confusa para mim. Quando a matinta fala, há um travessão. Quando andarilho fala, o autor usa aspas. E quando o narrador fala, o texto esta em itálico.
    d) Impressão geral: um conto com bastante potencial. Boa sorte no Desafio!

  4. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Achei bacana a construção dos personagens e também a aura de mistério que permeia o conto. Há certo horror na maneira como os protagonistas se relacionam, que é ao mesmo tempo simbiótica, um dependendo do outro. No entanto, achei que o autor ousou pouco. Com o limite oferecido pelas regras deveria ir além. O conto ficou demasiado curto, revelando que a preferência foi por se manter dentro da zona de conforto. Ou seja, trata-se de um conto com ótimo potencial, mas que fica no arroz-com-feijão. MatintaPerera (e não Pereira) é uma lenda fascinante e poderia (deveria) ser melhor explorada. Aqui tive um vislumbre de algo grandioso, o trailer do que poderia ser um excelente longa metragem. Se posso sugerir algo, é que desenvolva o argumento, pois habilidade para tanto não lhe falta.

  5. Iolandinha Pinheiro
    29 de março de 2017

    Você utilizou o recurso de uma narrativa em diálogos. Um recurso que sacrifica a ambientação, o envolvimento do leitor com a história, para dar uma maior agilidade ao conto. Acaba que a história fica mais relatada do que vivida, com os dois personagens inserindo os dados através das falas do diálogo, e tornando-o muito artificial. No fim o conto ficou curto, e sem naturalidade. Não conhecia a Matinta Pereira mas se me limitasse ao que li no seu conto, a despeito da tentativa de contar suas características através da fala, continuaria na mesma. É isso. Sorte no desafio.

  6. jggouvea
    28 de março de 2017

    Este é um texto que termina de uma maneira muito súbita e frustrante. Digo “frustrante” porque ele prometia algo de bom desde o começo, então é chato que se ampute assim. A única coisa que notei, além do final, é que as falas dos personagens não são exatamente conforme sua classe social e cultura.

    Mas vamos às notas:

    Média 7,74
    Introdução 9,0 — acima da média do desafio.
    Enredo 8,0 — não há realmente um enredo, narra-se um encontro fortuito de dois personagens bastante esquemáticos
    Personagens: 8,5 — parecem ser tipos pré-fabricados, não têm vida
    Cenário 6,0 — pouco explorado
    Forma/Linguagem 8,5 — um texto bem estilizado, embora incoerente com a cultura dos personagens (ou pelo menos isso não fica bem caracterizado).
    Coerência: 7,5 — muitos pontos perdidos por não ter propriamente um desfecho, e além disso porque recorre ao clichê do “tudo era um sonho”.

  7. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Alguns erros de português chegam a atrapalhar a leitura. Outra coisa é a grafia de quem fala e da narrativa, assumindo a fonte italizada, algo bem inusitado. A história se resume a uma querela, e ainda fica em sonho, apenas. O aspecto de crítica social também, a meu ver, poderia ser melhor desenvolvido. Um abraço.

  8. Evandro Furtado
    28 de março de 2017

    Resultado – Average

    Poxa, a história tinha baita potencial, por que parou? Gostei da narrativa, meio Divina Comédia, com diálogos pra lá de inspirados. O que atrapalhou mesmo foi o fato de ser tão curto.

  9. Cilas Medi
    27 de março de 2017

    Erro na utilização do verbo haver, sem mais comentários. Achei fraco, sem sentido, com uma quase afirmativa a condição de que foi um conto feito às pressas, tirando informação do Google a respeito das características da Matinta e algumas palavras para emoldurar, erradamente, um feito nada perfeito. Acrescentando que o número de palavras não cumpriu “metade” do que seria o desafio.

  10. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    Narrativa fácil e interessante de acompanhar. O enredo da história também é bem contagiante, mas em minha opinião, faltou o medo do personagem. Talvez uma exploração maior dos sentimentos dele enriquecesse mais o conto e explicaria melhor sua fuga final.

  11. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    Olá, como vai? Vamos ao conto! História com muito pouca história, pois se limita a contar a lenda de Matinta Perera, sem acrescentar muito de um tom pessoal, é quase uma lista das características principais da lenda e sua criatura. Não estou criticando muito os erros gramaticais neste desafio, mas notei um grave: “…pois afinal o que meu estômago tem haver com tuas palavras?” Ter Haver? Haver é existir, isso não faz sentido: claro que você quis dizer “tem a ver”, a forma correta de escrita desta expressão. A expressão ter haver está errada. Devemos utilizar A expressão ter a ver quando queremos dizer que algo está relacionado e diz respeito a alguma coisa. É sinônima de: ter que ver, ter relação com, corresponder, dizer respeito a, ser do interesse de. No geral, uma versão burocrática e com pouco brilho, carente de emoção e originalidade. Desejo Boa Sorte.

  12. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Não só a Matinta. Conto louco. Muito louco. O autor optou por uma narrativa direta e sem exposições, porém isso me deixou mais confuso que em qualquer outro conto obscuro do desafio. Ao fim da leitura acordei tonto que nem o andarilho.

  13. Pedro Luna
    25 de março de 2017

    Bacana. Não conhecia a Matinta Perera. Dei uma googleada. Bom, o conto carece de uma trama mais forte. Ele é desenvolvido peculiarmente, com um personagem respondendo ao outro, quase um combate, e isso foi bem legal. No entanto, é como falei, por trás desse enfrentamento não encontrei uma história tão boa, nem desenvolvimento de personagens (ainda que detalhes da vida do personagem sejam mostradas no diálogo). É isso, interessante, mas um pouco morno.

    Bem escrito, só uma repetição em “se tivesse largado a Bahia “, que vc deixou passar.

  14. Rubem Cabral
    25 de março de 2017

    Olá, Boto Roxo.

    Então, desculpe-me, mas não gostei muito do conto. Primeiro, a escrita precisa de alguma revisão “descaçar”, “de” (qdo deveria ser “dê”), “voara” (“voará”), etc. Segundo, achei o enredo muito simples, praticamente uma cena, e os diálogos quase que só existem para explicar ao leitor sobre o mito da Matinta Pereira. Por último, os itálicos foram mal empregados, os diálogos com aspas e travessão (ao mesmo tempo), são estranhos.

    Nota: 6.

  15. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, Boto,
    Eu gostei do conto porque a lenda foi inserida na história e foi explicada à medida que a leitura fluía. Gostei da divisão – lembrança, diálogo, narração (acho que posso chamar assim, não?) –. São três coisas distintas que explicam/contam a história do sujeito e da aparição. É um texto simples, mas bem escrito.

  16. Bia Machado
    23 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (2/4) – Um conto curto, mas que demorou pra eu ler, hein? Não fluiu mesmo, achei que algumas partes foram forçadas, como o próprio final, que deixou a dúvida entre sonho e realidade e a parte desnecessária que cita Amapá e Bahia, como se tivesse algo a ver… Pra mim não tem, por isso quebrou a fluidez da narrativa.

    Construção das personagens: (2/3) – Podia ser melhor. Acho que havia espaço para mais, para fazer as personagens serem mais fortes e bem construídas.

    Adequação ao Tema: (1/1) – Ok, adequado à temática.

    Emoção: (0/1) – Não gostei no geral.

    Estética/revisão: (0,5/1) – Pelo tamanho da narrativa, podia ter cuidado mais alguns errinhos gramaticais que foram bobos. Não comprometem a leitura, mas demonstram que apesar de curto o texto deixou passar batido. A estética também não me agradou, com essas frases em itálico, lembrou-me um pouco o texto teatral, como se estivessem em cena. Mas em uma cena de uma pena não muito interessante.

  17. felipe rodrigues
    23 de março de 2017

    A ideia de apresentar o conto em diálogos é interessante, mas neste conto não funcionou. Cheguei até a pensar em Daniil Kharms, que através de diálogos non sense e absurdos, consegue o mesmo impacto de contos com o esqueminha início meio e fim. Em certo ponto, até gostei da parte onde ele cita a coruja, algo como “um personagem distraído que procura uma coruja enquanto ao seu la do está a Matinta Pereira, e ele nem se dá conta, hummm, parece interessante e isso dá um conto bacana, o cara vê o saci ou o boitatá, que ficam tentando assusta-lo ou mesmo se aparecer pra ele, mas o cara não liga e então pergunta ao diz ao ser folclórico que está de olho mesmo é na coruja que voa razo, sei lá, mas esta conto me parece incompleto, faltou um pouco de atenção do autor.

  18. Vitor De Lerbo
    23 de março de 2017

    A falta de revisão acabou prejudicando o conto. Alguns erros tiram a nossa atenção da história, que na verdade é mais um diálogo.
    Boa sorte!

  19. Olá Boto Roxo,

    Tudo bem?

    Você criou um conto baseado em um diálogo entre o personagem Retirante (suspeito que recorrente em sua obra) e a personagem Matinta Pereira. Na narrativa, o Retirante opta por voltar à sua terra natal, já que ficou deveras assustado com as figuras folclóricas da Região Norte.

    Gosto muito da estrutura do diálogo e suas reflexões, mas me peguei pensando se existe o fluxo de imigração “Bahia-Amazonas”. Talvez. Estamos mais acostumados a ver retirantes em busca de trabalho nas Regiões Sudeste ou Sul. Quem sabe ele seja um trabalhador de uma madeireira ou algo do tipo.

    Parabéns por seu trabalho.

    Desejo boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  20. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    História rápida e objetiva. A cena de Matinta falando com um velho andarilho que a atormentava. Narrativa fluida, mas com alguns erros que passaram na revisão.

    O final foi bacana: a vontade inconsciente dele voltar a sua terra natal pelo ocorrido na noite anterior. Mesmo assim, acho que você poderia ter desenvolvido mais a Matinta e se aprofundado mais na personagem do andarilho.

  21. Jan Santos
    22 de março de 2017

    A ideia de discutir com uma entidade é bem interessante, a de um homem que não tem ideia de como é pequeno frente ao desconhecido. Só acho que poderia ter mais texturas, mais camadas, pois tem potencial para funcionar melhor do que aquelas histórias que servem apenas como um aviso para quem mexe com crendices.

  22. Elisa Ribeiro
    21 de março de 2017

    Conto curtinho, leitura agradável. Gostei da forma como você foi apresentando aos poucos a personagem Matinta Pereira. Há alguns probleminhas no texto, facilmente sanáveis com uma revisão. Sucesso!

  23. mitou
    20 de março de 2017

    o conto foi incrivelmente curto, no começo esperei muito por causa da lenda e da forma que começou a escrever, mas depois comecei a confundir quando era pensamento narração fala do homem ou da matita, e ficou muito similar a cronica , só um caso não uma história com inicio meio e fim

  24. mitou
    20 de março de 2017

    o conto foi incrivelmente curto, no começo esperei muito por causa da lenda e da forma que começou a escrever, mas depois comecei a confundir quando era pensamento narração fala do homem ou da matita, e ficou muito similhar a cronica , só um caso não uma história com inicio meio e fim

  25. Fabio Baptista
    19 de março de 2017

    Até por ser bem curto a leitura flui bem e não é um conto chato. O diálogo é interessante e a abordagem da Matinta também.

    Mas faltou trama aí. A história começou e terminou sem dizer muita coisa, sem criar qualquer expectativa por um desdobramento. A parte técnica poderia ter compensado, mas também não colaborou.

    – descaçar
    >>> descansar

    – tem haver com tuas palavras
    >>> tem a ver com tuas palavras

    – que voara como essas corujas
    >>> voará (sem o acento o verbo denota passado)

    Abraço!

    NOTA: 6,5

  26. Thayná Afonso
    19 de março de 2017

    Que delícia de conto! Esses diálogos me ganharam facilmente e com força. Muito bem escrito e cheio de personalidade. Gostei muito, parabéns e boa sorte no desafio!

  27. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Essa Matinta é estranha mesmo. Quando que ela iria deixar, um cabra que a ofende de todas as maneiras, sair impune? Acho que teve uma mistura ou confusão aqui. Quem pisa em estomago cheio é a Pisadeira e não a Matinta.
    Boa sorte.
    Destaque: “Sei que está aí, sua ave feia, porque quando é o raiar da minha Lua é o anoitecer do seu Sol, e hoje, diferente de todas as outras noites, não me afoguei na água forte das esquinas só para acertá-la com as minhas botas.”

  28. juliana calafange da costa ribeiro
    16 de março de 2017

    Deu medo essa sua Matinta Perera. Mas, pelo q eu entendi, o retirante não sabia q a velha era a Matinta, sequer q a coruja q piava a lhe incomodar era outra versão da criatura. Se é assim, acho q ele se espantaria mais dela saber o roteiro da sua migração, da Bahia pro Amapá. Talvez vc devesse dedicar mais um tempinho pra trabalhar o medo nele. Achei o final meio confuso, talvez um tanto rápido, apressado.

  29. Anderson Henrique
    16 de março de 2017

    Um conto curtinho que me pareceu ter feito uma mistura de lendas (que por serem lendas, não são exatas e variam de acordo com a região). Não vi grandes problemas no conto, mas também não achei um diferencial. Pareceu-me um pouco corrido. É um conto satisfatório, que atende ao tema proposto.

  30. G. S. Willy
    16 de março de 2017

    O conto possui diversos erros ortográficos como por exemplo “tremula”, que neste caso leva acento, “tem haver” sendo que o correto é “tem a ver” e alguns erros de digitação como “pois se tivesse se tivesse”, enfim, alguns detalhes que poderiam ser evitados numa reescrita e que atrapalham um pouco o foco na leitura.

    Sobre a história, ela não criou nenhuma expectativa, não apresentou nenhum dilema, apenas contou um causo que não trouxe nenhuma moral no fim. Talvez uma introdução mais elaborada e a conversa entre os personagens teria feito mais sentido também…

  31. marcilenecardoso2000
    16 de março de 2017

    Conto muito curto, mais que isso, superficial. Faltou uma exploração maior do ente folclórico. Talvez mais diálogo, interação dos personagens entre si e com o meio. Um conto sem movimentos, sem vida. Nota 5(cinco)

  32. M. A. Thompson
    16 de março de 2017

    Olá “Boto Roxo”. Parabéns pelo seu conto. Eu acho que as personagens e cenário poderiam ser melhor desenvolvidos. O conto inicia sem uma introdução que nos leve a querer continuar a leitura. Dá a impressão de que começamos a ler do meio.

  33. Eduardo Selga
    15 de março de 2017

    Foi usado um recurso curioso na construção desse conto: as “falas” têm uma sintaxe e uma escolha vocabular próprias do texto dramático, ou seja, o texto teatral, com adjetivações que tendem a tornar o texto grandiloquente, como no primeiro parágrafo. Não digo que se trate de uma falha, ao contrário: foi uma estratégia que embelezou o texto, deu-lhe a feição literária que um conto deve ter, e caminhou no sentido oposto ao de alguns textos concorrentes, nos quais se observa nitidamente a escolha pela reprodução da oralidade. Se é verídico que essa escolha dá veracidade a um relato oriundo da cultura popular, é preciso não esquecer que estamos diante de um concurso de contos literários, e isso significa não menosprezar a estética.

    Alguns escorregões gramaticais:

    Em “[…] e deixe o velho que sou descaçar em sua cama de papelão”, o correto é DESCANSAR.

    Em “[…] a, me de paz […]” o correto é DÊ.

    Em “[…] ave e horrenda? Sendo […]” não cabe essa INTERROGAÇÃO, e sim apenas a outra, situada no fim da oração.

    Em “[…] que nem para retirar presta, pois se tivesse se tivesse largado a Bahia […]”, há uma REPETIÇÃO de TIVESSE.

    Em “[…] que voara como essas corujas que te acompanham até te acertar” o correto é VOARÁ.

  34. rsollberg
    15 de março de 2017

    Então, Boto Roxo!
    Infelizmente não curti muito.
    O conto é muito cru e o estilo é cansativo: aspas, travessão, itálico, tudo meio sem propósito e sem uma inovação que justifique tal estrutura..
    Alguns erros travaram a leitura.; “descaçar” “Tem haver” “que voara”.

    A história é muito ordinária, um diálogo meio sem pé nem cabeça, quase como uma justificativa para apresentar um personagem, que chega de repente e não faz nada. O bêbado, que estava sóbrio, parece um tanto quanto confuso e não é possível entender suas motivações. Sei lá, me desculpe mas não gostei.

    De qualquer modo, boa sorte no desafio.

  35. Roselaine Hahn
    14 de março de 2017

    Boto Roxo, primeiro fiquei verde tentando entender o seu conto, depois corri atrás para entender a lenda da Matinta, que eu desconhecia. Entrecontos é cultura. A sua prosa é interessante, tem um quê de lirismo, poesia mesmo. Vc explorou bem o encontro do mendigo com a lenda da ave/velha, e a relação do mito com a alma do andarilho. Algumas questões importantes para correção, ao meu ver: revisar, revisar, e revisar de novo. Alguns problemas de pontuação e gramática: Porque (junto) – usado para frases afirmativas (explicativas ou causais); Por que (separado) – em frases interrogativas; uso do teu/seu. Fiquei com uma dúvida de interpretação do texto – diz a lenda que Matinta é uma velha mendiga que bate ás casas pedindo café e fumo. Na frase que ela diz ao mendigo: “jamais seria incomodado por mim, pois teu estômago jamais estaria cheio…” e “Para que serve o estômago cheio senão para eu pisar?”, qual o real sentido? Não seria o contrário, “o teu estômago jamais estaria vazio”? Já que ela refere que se ele tivesse ido para o Sul, ela não o teria incomodado, ou seja, aí sim, o seu estômago estaria cheio. Sei lá, viajei na lenda, ao final do desafio me esclareça, fiquei curiosa. Sobrou espaço para mais palavras, poderia ter enxertado maior conflito do andarilho com a lenda. Bom conto.

  36. Priscila Pereira
    13 de março de 2017

    Oi Boto, eu gostei do seu conto.. os delírios de uma noite sóbria… contou a lenda da Matinta de uma forma original…. Interessante e de leitura fácil. Notei alguns errinhos de revisão, mas nada que atrapalhe a leitura. Muito bom. Parabéns!!

  37. Antonio Stegues Batista
    12 de março de 2017

    terror

  38. Antonio Stegues Batista
    12 de março de 2017

    O velho beberrão está sóbrio apenas para enxotar uma coruja que na realidade é a velha Matinta Pereira. O enredo é simples, sem grandes revelações, nem cenas ou emoções fortes. A escrita é boa, mas a história não me surpreendeu, faltou mistério, suspense, terro, drama.

  39. Fheluany Nogueira
    12 de março de 2017

    Uma versão interessante da lenda amazônica. Gostei da forma como o conto lembrou que esta é provavelmente uma adaptação da lenda do Saci, inclusive pelo pássaro no qual ela se transforma, chamado Matin-ta-perê, que além de ser preto tem o costume de andar pulando numa perna só.

    Texto simples, quase que totalmente estruturada com diálogos entre o andarilho e a velha. Bem escrito exceto por pequenos deslizes ortográficos: “descaçar” (descansar?), “tremula” (acento), “tem haver (a ver?) com tuas palavras”, “voara” (voará? – futuro), “por que não sou ” – (porque, conjunção causal)”.

    Bom Trabalho. Abraços.

  40. catarinacunha2015
    12 de março de 2017

    Algumas frases são belamente construídas e há domínio da técnica. A trama não se sustenta além da lenda em si. Embora curto, o texto pede revisão. Fiquei com a impressão de um talentoso trabalho oferecido apressadamente. A ponta que o saci fez no conto ficou solta do enredo.

  41. Olisomar Pires
    11 de março de 2017

    Apesar do tamanho, é um bom texto.

    Um encontro com a lenda fantasiado em sonho.

    Só não consigo esquecer o ” descaçar” do 1º §, incrível como um erro bobo atrapalha tanto.

  42. Bruna Francielle
    11 de março de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: Gostei da aparição da Matinta, saída das sombras, e em partes, gostei um pouco da conversa com o andarilho. Confesso que não gostei muito do final, já vi várias vezes o artificio “será que foi verdade ou fantasia, sonho, ilusão?”, porém acredito que pelo fato de ter deixado 2 dicas – uma era que ele estava sóbrio, a outra a decisão de voltar pra terra dele – foi possível distinguir que se tratava de realidade. Eu gostei dessas dicas, melhor do que um fim inconclusivo em que não se sabe,nem se tem dicas para saber, se foi verdade ou mentira.

    Pontos fracos: “Para que serve o estômago cheio senão para eu pisar? Ou para que vale minha porca com seus leitõezinhos senão para incomodar os bêbados nas ruas de pedras? ” Dando essas frases de exemplo, mas são apenas 2 entre outras do conto, digo que eu nunca fui admiradora de histórias com passagens desconexas, ou (quase) impossíveis de decifrar. Em nenhum livro ‘clássico’ ou de autores consagrados que eu tenha lido encontro este tipo de coisa, talvez por isso essa minha estranheza.

    No geral, gostei da história

  43. Fernando Cyrino
    10 de março de 2017

    Você começou tão bem o conto. Mais à frente ele foi perdendo substância, no meu modo de ver. Acho que se ateve por demais à lenda em si. Senti falta de criatividade em cima do que é a Matinta. Haveria tanto a ser explorado… Por último, caso pudesse lhe dar uma sugestão, diria que seu conto merece umas esfregadas de revisão. Há alguns problemas que precisam de sua atenção. Abraços,

  44. angst447
    10 de março de 2017

    Conto curtinho, o que é bom. Conto curtinho com muitos deslizes, o que não é bom. Alguns pontos a serem revistos:
    descaçar em sua cama > DESCANSAR (a não ser que você esteja empregando um neologismo – verbo descaçar- o contrário de caçar.)
    me de paz > me dê paz
    tremula > trêmula
    Porque vosmicê > Por que ,…?
    se tivesse se tivesse > repetição
    estômago tem haver com > tem a ver com
    senão para eu pisar? > se não para eu pisar?
    saiu escuridão adentro > não chega a ser um erro, mas ficou estranha a oposição SAIR e ADENTRO.
    O tema proposto pelo desafio foi respeitado e desenvolvido. Achei interessante o diálogo entre o andarilho com a Matinta. Só precisaria desenvolver mais a trama e caracterizar melhor os personagens.
    A narrativa até apresenta momentos poéticos, mas o ritmo ralenta em alguns pontos, travando.
    Continue escrevendo!

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Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .