EntreContos

Literatura que desafia.

Escuro da noite (Anderson Henrique)

A mãe já tinha avisado: tenha modos que mais tarde tem visita. Quando chegaram, a janta tava pronta. Panelas quentes e todo mundo ao redor da mesa. Mãe puxou reza. Fingi que acompanhava, a boca mexendo pra dar o jeito das palavras e ninguém perceber que eu dizia oração nenhuma. Depois um amém cheio de eco que tentamos falar ao mesmo tempo mas faltou combinação pra ficar bonito, sabe? Se comportei? Comportei. Fiquei quieto que nem bicho de butuca, a mãe servindo Dona Glória, concha rapando na panela, uma fumaça cheirosa bailando e eu fingindo que ligava não. Quando foi Reginaldo, o maldito desembestou a falar dos negócios com o pai. Ficou mexendo o feijão enquanto proseava e a gente esperando nossa vez de servir. A barriga implorando por um grãozinho e o cabra falando de coisa que ninguém entendia. Distraí a fome olhando pra Rosinha, fazendo plano pra quando a gente casasse e tivesse uns dois-três filhos tudo com a cara e o riso dela. O pai lasqueira, a filha bonita que nem dele parecia que era. Bonita e rápida que nem calango fugindo pro mato. Foi o pai largar a concha que a danada já foi avançando, fazendo tudo errado e fora de ordem, colocando feijão primeiro, depois couve e só no fim o arroz. Servia da comida e olhava pra mim com uns olhos que eu podia jurar que eram deboche. Foi na vez de meu pai tirar o prato que fiquei preocupado mesmo, a travessa já desfalcada pelos convidados e a panela de feijão pela metade, eu fazendo reza nova, pedindo ao outro pai-todo-poderoso pra não faltar comida justo na minha vez.

Deu pra todo mundo e anda sobrou um pouco. Seu Reginaldo até repetiu. Fiz que ia repetir também porque tinha colocado pouco no prato pra enganar que a gente come educado que nem novela. Intenção minha que morreu na véspera. Mainha arregalou uns olhos de coruja que lê pensamento e eu fui logo disfarçando, a mão que era da concha indo parar no copo d’água. O líquido desceu a goela pegando o gosto da comida e deu foi mais fome ainda.

Meu pai saiu com seu Reginaldo logo depois do café e eu fiquei na sala, junto com Dona Glória, mamãe e Rosinha. Ligaram a TV e ficaram conversando um monte sobre o povo que aparecia na novela. Cinco minutos e eu parei de prestar a atenção. Fingi que via o programa, mas ficava era atento a Rosinha, os olhos meio hipnotizados igual a cupim em volta de lampião. Ela virava a cabeça pra ver se eu tava olhando e eu tentava disfarçar, gato e rato que nunca se chegavam a se bater. Durou pouco e Rosinha me flagrou. Chamei pra ir lá dentro ver meus brinquedos pra puxar conversa. Ela ficou sem responder na hora, mas depois se levantou e ficou esperando na frente do corredor.

Você só tem brinquedo chato, ela disse depois que eu já tinha tirado um tanto de coisa do baú. Fui lá na prateleira e peguei o caminhãozinho de madeira que meu pai tinha feito mês passado. O brinquedo mais legal que tinha e ela com a mesma cara de quem não via valor na portinhola da caçamba que até abria pra pôr coisa dentro. Peguei umas vaquinhas de plástico do fundo do baú, uma de cada cor, e meti tudo dentro do caminhão, mas nada daquilo fez Rosinha desmanchar a cara de braba. Ficou parada olhando pra dentro do baú com indiferença e depois foi pra parede ver o pôster do futebol.

— Gosta?

—  Gosto do Cristiano Ronaldo.

— Prefiro o Neymar.

— O Cristiano joga no Real Madri e é muito mais bonito.

— Quando crescer eu também vou jogar.

— Vai nada.

— Vou sim. Faço gol pra você.

— Faz nada, nem consegue, gorducho desse jeito.

Tive nada pra dizer. Se tive, faltou pensar na hora. Calei, judiado com o comentário de Rosinha. Olhei pro espelho do armário e vi a camiseta já meio apertada tentando acomodar minha barriga crescida. Voltei pra perto do baú e comecei a catar os brinquedos do chão, vontade de me jogar ali dentro ficar trancado até a hora que as visitas fossem embora. Então tive ideia e pensei num tantão de coisa pra dizer Rosinha, mas Dona Glória apareceu e falou que já era hora de ir, que ela despedisse de mim que o pai tava esperando.

— Tchau, gorducho — a segunda palavra ela disse baixinho, como que Dona Glória não escutasse.

— Rosinha! — Dona Glória ouviu e fez questão de repreender.

— Brincadeira, mãe. Né, Frederico?

— Não se brinca assim, menina. Vamos antes que o pai reclame.

Gorducho é a putaqueopariu, deu vontade de dizer. Trepo em árvore mais rápido que mico e corro mais que Messi e Neymar junto. Mas foi pensamento que veio atrasado sem combinar o momento e já não tinha ninguém ali pra ouvir desabafo. Covardia de Rosinha dizer aquelas coisas logo no dia que tinha comido quase nada porque a família calhou de aparecer.

Mainha veio no quarto e disse para eu arrumar tudo e ir me deitar que já era hora. Obedeci e a fome veio forte. Dia pior do mundo, vontade de levantar, esquentar as sobras da janta e comer até arrebentar a cintura da bermuda. Mas se a vontade de comer era grande, era pior a lembrança de Rosinha xingando de gordo, imaginar que se comesse ia ouvir dela pra sempre que o gorducho joga bola é nada.

Fiquei deitado um tempo, pensamento na janta pouca e em Rosinha, o som dos grilos lá fora misturado com o marretar de uns sapos ali do brejo. Depois a casa mudou seus silêncios. Nada da louça da mãe batendo em talher, a TV com o jornal do pai dando lugar ao ronco pesado que se espalhava pela casa. Tentei dormir, mas a fome castigava as ideias, uma luta pra segurar a fissura de comer mais um pouquinho que fosse. Cochilei, mas acordei logo depois. Pouco tempo passado e não consegui segurar. Levantei mansinho e coloquei a panela de feijão no fogo com cuidado pra não fazer barulho.

Comi pouco, juro. Bem pouquinho mesmo. Mas o pouco que comi não calmou a fome não. Bebi uns dois copos de água pra encher o bucho e ver se passava, mas o que tinha na barriga era espaço sem fim. Então servi mais um pouquinho no prato e comi, o feijão gostoso e fresquinho que a mãe tinha feito naquele dia mesmo. Taquei até um pouco de farinha pra engrossar a mistura, mas depois botei mais colher de arroz, mais caldo de feijão e quando vi já tinha era comido mais que devia. Lavei tudo na calada depois, a bucha quase seca ariando prato e talher pra não fazer barulho no fundo da pia. Depois sequei tudo e arrumei no escorredor como via mainha fazer.

A barriga tava era cheia. Tão pesada que precisei ficar com o bucho pra cima pro sono chegar. Depois dormi fácil, o corpo frouxo por conta da hora. Achei que tinha escutado um barulho no forro da casa, como se um bicho andasse por ali, mas já tava era pra lá do sono. Não sei quanto tempo dormi, mas sei que aconteceu. Despertei com um zumbido no pé do ouvido e um sufocamento no peito, a barriga espremida como se tivesse alguma coisa trepada em cima de mim. Tentei abrir os olhos, mas tava era paralisado, vendo tudo por dentro como o escuro da noite. Mexer também não podia, preso na cama como se amarrado tivesse. Abri a boca pra gritar, mas a coisa segurou minha língua e empurrou um troço áspero pra dentro de minha garganta. Gritei, mas som não saía. Os músculos travados e a coisa mexendo por dentro de mim. Durou pouco, mas parecia que o coisa ruim tava ali montado em mim como peão valente. Levantei vomitando, o arroz e o feijão em uma massa escura pelo chão do quarto, travesseiro e lençol sujos com resto de alimento. Tava tonto ainda, tentando respirar, e mesmo assim deu pra ver: a sombra na parede com o formato de um corpo envergado, parte da coisa escapando pelo batente com aqueles dedos fininhos que tinham entrado pela minha garganta. E depois o som daquilo correndo pelo telhado. E os gritos que acordaram tudo pela casa.

O pai chegou logo depois dos berros. Mainha veio também. Viu o vômito pelo chão e saiu reclamando: esse moleque come tanto que passa até mal de madrugada. O pai passou a mão pela minha testa e carinhou meus cabelos. Vou pegar água pra você, filho. Eu fui atrás, um cagaço danado de ficar ali sozinho. Esbarramos com a mãe na cozinha. Assaltou de novo as panelas, moleque? Já não disse pra não comer de madrugada? Esbravejou e saiu pro quarto, limpar o chão, recolher lençol e travesseiro. Mainha era uma santa, mas ralhava como o diabo.

Tonho disse na escolha que a velha pisadeira vem de madrugada pra roubar a comida que tá na barriga de quem come demais e vai dormir.

— Só se comer muito, é?

— É sim.

Então nunca mais comi daquele jeito. Nem na janta, nem antes do cochilo da tarde. Tinha gula, mas o medo era maior. Era fechar os olhos e ver a coisa trepada em minha barriga com os dedos puxando a comida pela garganta. Dormi mal por um tempo, mas depois passou. Cansaço que vence medo que vence fome. A barriga foi diminuindo, a camiseta ficando cada vez mais larga e a bermuda precisando de aperto. Nunca mais vi a pisadeira. E fui ficando mais rápido que mico, mais habilidoso que Neymar e Messi tudo junto. Um dia ia fazer um gol pra Rosinha, mas bola mesmo ela nunca me deu.

Anúncios

40 comentários em “Escuro da noite (Anderson Henrique)

  1. Wender Lemes
    31 de março de 2017

    Olá! Para organizar melhor, dividirei minha avaliação em três partes: a técnica, o apelo e o conjunto da obra.

    Técnica: a narrativa com certo regionalismo causa uma boa empatia de entrada. Com o decorrer da coisa, foi crescendo a expectativa sobre a aplicação do tema e, na verdade, a Pisadeira acabou sendo quase acessória (quase), um trunfo final que funcionou bem porque soube como torná-la importante para a trama.

    Apelo: o apelo pessoal foi bom com esse leitor aqui. A parte do “Gorducho é a putaqueopariu” lembrou um pouco outro conto muito bom que passou por aqui no desafio de duplas, “Infinitos”. Acho que o que mais me cativou foi o jeito como narrou os episódios do garoto, por uma perspectiva simples e verdadeira que a gente costuma perder quando envelhece.

    Conjunto: o conto, em termos de desafio, tem lá seus pontos questionáveis, mas fechado em si é um belo trabalho.

    Parabéns e boa sorte.

  2. Vitor De Lerbo
    31 de março de 2017

    Conto engraçado, muito em parte pela maneira como é narrada. Protagonista cativante.
    Boa sorte!

  3. mitou
    31 de março de 2017

    a forma que a pisadeira apareceu foi muito interessante, no começo pareceu que o tema não ia se encaixar no tema folclore ,mas se encaixou. em fim , o conto tem alguns defeitos em quanto à estrutura, ele tem parágrafos muito longos e uma narrativa muito corrida, fora isso a linguagem e a criatividade estão boas.

  4. Pedro Luna
    31 de março de 2017

    Rosinha não tá com nada. Coisa de menino novo se importar com mulher que não dá bola. Gostei do conto, é divertido e simples, e bem escrito. A lenda da pisadeira tem algo a ver com aquele lance do “sono preso”, esqueci o nome mais famoso, quando a gente acorda e não consegue se mover, e tem a impressão que tem uma mulher em cima da gente, sufocando? Isso já aconteceu comigo quando era novo. E com muita gente também. No geral, gostei do conto e do personagem comilão e apaixonado. Deu pena quando ela o chamou de gorducho..rs.

  5. Rsollberg
    30 de março de 2017

    Fala, João!

    Achei bem pertinente a escolha da primeira pessoa s para conduzir a narrativa, Mesmo quieto, como animal de tocaia, o protagonista consegue ser eloquente com os seus pensamentos. Me identifiquei com Fred! Já passei muito por isso, rs.
    Não resta dúvida que o autor “montou” o conto todo para o encontro com a “pisadeira”, funcionou. Fiquei aqui pensando com é (ou devia) bom para os pais abusar dessas histórias para domar a cria. Quem foi o ser criativo e iluminado que criou a coisa pensando na educação. Aqui em casa tínhamos o lobo do corredor. Ou seja, depois de uma certa hora meu irmão e eu evitávamos perambular pela casa.

    Voltando ao conto… A escrita é gostosa e, dentro do pouco espaço, os personagens são bem elaborados.
    Bom que tudo deu certo para Frederico e, que segundo seu trocadilho final com bom humor, ele sobreviveu sem cicatrizes as primeiras desilusões do amor, que é mais nociva que qualquer pisadeira.
    Parabéns!

  6. Fabio Baptista
    30 de março de 2017

    Mais uma Pisadeira no certame e mais um conto muito bom.

    Esse estilo de escrita me fez torcer o nariz lá no começo. Depois, quando a coisa engrenou, fluiu que foi uma beleza. A história do gorducho carismático cheio de gula ficou bem convincente e a aparição da Pisadeira foi bem executada. A trama não tem lá muitas novidades, mas é o famoso arroz com feijão bem feito (literalmente aqui :D).

    Gostei especialmente dessa última frase, ela teve um tom nostálgico que aprecio bastante.

    Abraço!

    NOTA: 9

  7. Marsal
    30 de março de 2017

    Olá, autor (a). Parabéns pelo seu conto. Vamos aos comentários:
    a) Adequação ao tema: sim, considerando-se os momentos finais apenas.
    b) Enredo: o enredo e’ bem idealizado, simples, parece realmente uma estória vivida por uma criança. Senti um pouco de falta de elementos folclóricos ao longo do conto. A leitura prende a atenção do leitor, mas o foco da trama e’ a paixão do protagonista por Rosinha. Todo o restante se torna segundo plano, incluindo o ataque da Pisadeira no final.
    c) Estilo: a narrativa e’ simples e bem preparada, há um toque regionalista na linguagem, o qual coube muito bem. O foco narrativo em primeira pessoa foi muito bem escolhido.
    d) Impressão geral: Um conto simples e bem escrito, bastante singelo. Gosto de contos narrados sob o ponto de vista de crianças, acho que pode ser um pouco difícil as vezes mas o resultado final foi um ótimo trabalho. Boa sorte no desafio!

  8. jggouvea
    29 de março de 2017

    Texto com grande lirismo, ajudado pelo narrativa e pela escolha a linguagem. A Pisadeira é um personagem pouco simpático para se usar em ficção, mas tem sua utilidade, num ambiente infantil.

    A história não tem pontos desamarrados e a introdução está quase no mesmo nível do resto. A se observar apenas que a divisão em parágrafos não está eficiente.

    Vamos às notas:

    Média 9,61
    Introdução 9,0
    Enredo 9.5 tirei pontos aqui porque a personagem Pisadeira não é empolgante para nível 10.
    Personagens 10
    Cenário 10
    Forma 10
    Coerência 9,5 (tirei pontos aqui somente porque as menções a Neymar e Messi soam um tanto deslocadas do tom do conto)

  9. Cilas Medi
    29 de março de 2017

    Um belo conto de amor, uma criança comilona e a presença da Pisadeira, popular entre São Paulo e Minas. Uma habilidade em escrever em formato diferente do usual.

  10. Gustavo Castro Araujo
    29 de março de 2017

    Um bom conto. O enredo é até simples: o garoto que, impedido de comer o quanto queria num jantar que a família deu aos amigos, termina assaltando a geladeira de madrugada, vindo a sofrer as consequências da Pisadeira; no fim, arrepende-se e corrige-se. Apesar da simplicidade, a história é contada com bastante competência, com destaque para a narrativa com jeitão de causo. Em certos momentos é possível ouvir o sotaque do narrador. Gostei dessa paixão latente por Rosinha e lamento que isso não tenha sido o foco principal do conto. No entanto, há que se compreender a opção do autor quanto a isso, já que precisava falar do folclore. De todo modo, percebe-se a fenda no interesse que a narrativa provoca, eis que a Pisadeira jamais poderia substituir Rosinha como vetor de atração para o leitor. De todo modo, como eu disse, é um conto bom e que entretém com qualidade. Parabéns!

  11. Priscila Pereira
    29 de março de 2017

    Oi João, que gracinha de conto!! Muito convincente, eu podia até ver os personagens, tadinho do Frederico!! Deu medo da pisadeira, credo!! Gostei demais do seu estilo, parece mesmo que a história está sendo contada por uma criança. Muito bom, parabéns!!

  12. Bia Machado
    29 de março de 2017

    Fluidez da narrativa: (2/4) – Até a metade do conto estava me interessante. Depois disso me desanimou, o ânimo para a leitura diminuiu bastante.

    Construção das personagens: (2/3) – Quase o tempo todo é só o narrador-personagem. Os outros são bem, bem, bem secundários. Isso me incomodou um pouco.

    Adequação ao Tema: (0,5/1) – Adequado, embora na maior parte do conto o mito não apareça. Me parece que outras temáticas sobressaem, “infância”, por exemplo…

    Emoção: (0,5/1) – Não me conquistou. Foi uma leitura que posso classificar como “ok”, mas nada além disso.

    Estética/revisão: (1/1) – Alguns parágrafos bem compridos, outros nem tanto… qual o significado disso? Algumas coisas a serem arrumadas em uma revisão nada de mais. Sobre o final… Foi meio abrupto, sem muito cuidado, um tanto apressado.

  13. danielreis1973 (@danielreis1973)
    28 de março de 2017

    Um texto simpático, com fluência e leveza na narrativa, apesar de não guardar muitas surpresas para o final. Achei que a linguagem (dicção), em alguns pontos, ficou forçada, mas não comprometeu o entendimento da história, como em outros contos desse desafio. Boa sorte!

  14. Matheus Pacheco
    27 de março de 2017

    Pisadeira pisou novamente, esse conto foi bastante engraçado, mas eu achei estranho o jeito de Frederico falar, porque a Pisadeira é predominante no sudeste do pais.
    Mas um ótimo texto e um abração ao autor.

  15. Rafael Luiz
    27 de março de 2017

    Conto um pouco desconexo e enfadonho de acompanhar no longo primeiro parágrafo. Depois a escrita se torna mais fluida e até divertida. O ente folclórico aparece de forma bem fantástica, digna de um conto à moda antiga, como os que os pais contam para os filhos como lição de moral. O fim é divertido e gostoso

  16. Olisomar Pires
    27 de março de 2017

    Muito interessante o texto. É bem contado e tem um ritmo agradável.

    Entretanto, as falas do personagem são um pouco contraditórias, tem hora que soa informal, aí vem umas palavras que não condizem com o que o “gorducho” falaria, nem se ele conheceria tais palavras.

    No final com “bola mesmo, ela nunca me deu” o texto tomou um ar de crônica.

  17. Ricardo de Lohem
    26 de março de 2017

    OLá, como vai? Conto que explora o difícil relacionamento entre duas crianças, um menino e uma menina. Ela o trata com desprezo, primeiro alegando que não gosto de seus brinquedos, depois por supostamente ele estar gordo. Um típico slice-of-life, eu estava até pensando: cadê o Folclore Brasileiro? Não que não fosse um bom conto, gostei do desenvolvimento da tensa relação entre os dois, mas, afinal, o desafio é de folclore nativo. De repente, no finalzinho, aparece a pisadeira, o súcubo brasileiro. Acho que apareceu só pra não perder pontos por inadequação ao tema. Acho que se o autor pretende explorar um tema totalmente diferente e inserir o assunto proposto por dever deve, ao menos, integrar bem o seu próprio tema com o do desafio, para que eles não fiquem parecendo grudados à força, no estilo Frankenstein Literário. Esquecendo esse aspecto, é um bom conto, gostei do desenvolvimento dos personagens em tão curto espaço. Desejo para você Boa Sorte.

  18. Elias Paixão
    26 de março de 2017

    Neste conto o autor trabalhou o fantástico de forma quase metafórica, deixando em aberto para o leitor separar o que é real e o que é imaginário. Temos personagens boas, bem introduzidas e com seus conflitos entregues adequadamente, gerando empatia em que lê. Chegamos a ter pena de como a Rosinha trata o protagonista e pela aparente impossibilidade do seu sonho. O arco do protagonista é bem definido e termina com um revés à altura da história.

  19. Elisa Ribeiro
    24 de março de 2017

    Fiquei encantada com sua narrativa. Seu texto prendeu minha atenção da primeira a última linha. Parabéns! O enredo do seu conto é bem simples, os personagens ficaram convincentes e eu gostei muito da forma como você terminou. Uma história singela, mas muito bem escrita! Sucesso!

  20. Antonio Stegues Batista
    24 de março de 2017

    Gostei da historia, da escrita, embora alguns problemas com virgulas. A lenda da pisadeira inserida na história ficou certo. Não é um grande conto, não tem nada de excepcional, mas está bem escrito, com personagem bem construído, a narrativa adequada.

  21. catarinacunha2015
    24 de março de 2017

    Fazia tempo em que eu não me divertia tanto com um desafio do EC. Neste aqui então, só gostosura. A narrativa flui como água morro abaixo e fogo morro acima. A tensão é desviada para os pensamentos gulosos do moleque e, quando a lenda ataca, fica só aquela sensação boa de que ainda se escreve brasilidades de forma bem peculiar ao nosso povo.

  22. Evelyn Postali
    24 de março de 2017

    Oi, João,
    Gostei muito desse conto. Simpatizei com o Frederico, com a forma arredondada, e com o depois da pisadeira, que é quando ele fica mais rápido que Neymar e Messi juntos, porque consegue se sentir bem e veloz, sem contar com o gol para a Rosinha que não o merece. Eu gostei da maneira como foi escrito. Gostei de como foi acontecendo e crescendo.

  23. angst447
    23 de março de 2017

    Ô, dó, Rosinha nunca deu bola para o menino!
    O conto aborda a lenda da Passadeira de forma bem humorada e singela. Logo, o tema do desafio foi respeitado.
    Não encontrei lapsos de revisão, uma vez que a fala do narrador é particular. Somente um erro de digitação logo no finalzinho – “escolha” no lugar de “escola”.
    Ritmo muito bom, narrativa sem entraves, a leitura flui que é uma beleza.
    Gostei do Frederico, todo apaixonadinho pela Rosinha, que era mais espinho do que flor.
    Bom trabalho!

  24. Miquéias Dell'Orti
    23 de março de 2017

    Oi.

    Coitado do gordinho. Foi zuado pela Rosinha, esculachado pela mãe, arrebentado pela pisadeira… tudo porque estava com uma fome dos diabos. Ainda bem que aprendeu com o susto.

    Gostei da narrativa… adequada ao tema e bem construída. Parabéns.

  25. G. S. Willy
    23 de março de 2017

    Conto rápido e leve de ler, com escrita fluída e sem tentativas de parecer mais do que é. Algumas palavras foram comidas aqui e ali, e uma e outra palavra sofreram erro de digitação, escolha no lugar de escola, por exemplo. A pisadeira está ali, numa aparição rápida, porém que altera a história. O que senti falta realmente foi a carência de uma história maior, um conto e não um causo, mas no todo, está bom…

  26. Olá, João Negão,

    Tudo bem?

    Fiquei com pena do menino gorducho e sua paquera fazendo bullying com ele.

    Você tem a capacidade de criar cenas bem interessantes com vários personagens envolvidos em uma só ação. Isso é um dom. A cena da mesa, a fome do menino, o olhar da mãe, o cheiro do feijão, enfim, são o ponto alto de sua narrativa e não a lenda da Pisadeira em si.

    A Pisadeira fica quase como pano de fundo para justificar as ações do menino.

    Também gostei do final. Mesmo magro, a menina nunca olhou para ele.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  27. felipe rodrigues
    22 de março de 2017

    Achei que o conto se perdeu demais em detalhes que não são necessários à história, deixando a parte mais interessante – a da velha pisadeira e das pessoas que comem demais – escondida. Nem mesmo nos diálogos percebe-se uma aproximação com a criatura, nem em descrições, nem nada, somente a ligação entre o protagonista e Rosinha cativa um pouco.

  28. Marco Aurélio Saraiva
    22 de março de 2017

    Gostei muito da leitura. Mais um exemplo de escrita formal bem aplicada, afinal, todo o conto é uma grande fala do personagem principal, que também é narrador da história. A escrita tem vários aspectos “errados”, mas que não quebram a leitura; muito pelo contrário, às vezes até a tornam mais dinâmica.

    Não vi muita criatividade no enredo. Você simplesmente pegou a lenda da pisadeira e a recontou. Gostei de como você desenvolveu os personagens, principalmente o principal, colocando no texto suas dificuldades com a comida, sua gula e como ele se sentia mal com a barriga mas não deixava de assaltar a geladeira a noite. De certa forma, a boa escrita e esse bom desenvolvimento compensaram a falta de criatividade no conto.

    Parabéns!

  29. Anorkinda Neide
    19 de março de 2017

    Ah outro conto narrado em ótica infantil.. tão meigo…
    Um passeio pela mente do menino, com seus medos e traumas pueris, me faz sentir como se a inocência da infância ainda não está perdida, mesmo q seja um delírio meu, me faz feliz!
    Obrigada por este conto, autor(a)
    abração

  30. Roselaine Hahn
    18 de março de 2017

    João Negão, que conto saboroso. A cada parágrafo mais delícias, frases certeiras, engraçadas, a sua prosa me conquistou. A oração no 1o parágrafo, a novela na sala, o baú de brinquedos, tudo se encaixou perfeitamente, a voz do narrador em 1a. pessoa em sintonia com a do menino gorducho, um contaço! Até me deu fome. Algumas palavrinhas faltando, acho que foram mastigadas junto com o feijão, mas nada que prejudique o entendimento e a graça do texto. Conseguiste inserir a lenda da velha pisadeira de uma forma leve e engraçada. Parabéns, vai pro meu Top10.

  31. Neusa Maria Fontolan
    18 de março de 2017

    Tão vendo só! Fiquem se entupindo de comida que a Pisadeira vem fazer uma visitinha pra vocês a noite. Digamos que a experiência fez bem a Frederico. Por puro medo da Pisadeira ele conseguiu controlar sua gula. Muito bom, parabéns.
    Destaque: “Tinha gula, mas o medo era maior. Era fechar os olhos e ver a coisa trepada em minha barriga com os dedos puxando a comida pela garganta.”

  32. Fátima Heluany AntunesNogueira
    18 de março de 2017

    A história apresenta consistência ao apresentar, com realismo, a rotina da família; O foco narrativo contribuiu para isto e deixou conteúdo e linguagem bem amarrados. A escrita é segura, a linguagem de nível popular é condizente com a trama e com a primeira pessoa; só não é possível avaliar a parte gramatical.

    O tema aparece de forma sutil, a lenda da Pisadeira; a narrativa é rica em descrições, um monólogo de desabafo, leve, infantil. É nítido que o próprio autor se comoveu com sua história, porém sem um impacto maior ou mais emoção.

    A leitura flui bem, em ótimo ritmo, está muito bem organizada na sua construção.

    Parabéns. Abraços.

  33. M. A. Thompson
    18 de março de 2017

    Olá “João Negão”. Parabéns pelo seu conto. Parágrafos longo não me agradaram durante a leitura e acho que a história poderia ter sido melhor desenvolvida. Sucesso.

  34. marcilenecardoso2000
    17 de março de 2017

    Uma mistura de obesidade, preconceito e folclore. Mistura interessante, conto bom de se ler. O personagem falou da velha pisadeira, mas falou muito mais sobre sua gordura. Esse é o nosso papel social, falar das diferenças no mundo. Porém, fugiu ao tema que não é problemas sociais, e sim folclore.

  35. Iolandinha Pinheiro
    16 de março de 2017

    Conto tão gostoso quanto a comida da mãe do narrador. Gostei da linguagem matuta, da ambientação e do fato de haver personagens centrais e figurantes fazendo a sua parte sem deixar a estória chata. Gostei da fluidez da trama, de como o autor delineou os personagens não se perdendo em descrições físicas desnecessárias, afinal, a única descrição física que importava à trama era a do narrador, então, parabéns por isso. Também gostei do final, irônico, bem fechado, com um humor bem dosado. O único “porém” que eu detectei foi a parte da pisadeira, que ficou muito resumida, muito chocha, passou ventando, correndo mais que mico subindo em árvore, aproveitando os termos do texto. Mas, sem dúvida, um conto muito bem escrito. Parabéns e boa sorte.

  36. Evandro Furtado
    14 de março de 2017

    Resultado – Good

    A narrativa é o ponto forte do conto, com uma linguagem pra lá de inspirada. Personagens cativantes e história envolvente. Quase nem percebi que tinha que ter folclore até que apareceu, e a inserção não pareceu forçada, veio de forma natural.

  37. Rubem Cabral
    14 de março de 2017

    Olá, João.

    Gostei bastante do conto. Os personagens são bem vivos e a situação cotidiana da família interiorana também soou natural.

    A narração em primeira pessoa funcionou bem e a passagem da Pisadeira foi interessante.

    Nota: 9

  38. Bruna Francielle
    13 de março de 2017

    Tema: adequado

    Pontos fortes: Estava meio na dúvida se gostei ou não da narrativa, tentando imitar a fala coloquial de um nordestino. Foram muitos erros propositais, acho que ficou um tanto exagerado, de forma que em algumas partes chegou a ser irritante, como em “Se comportei”. Penso que é possível imitar uma fala regional de forma mais suave e até poética do que a que foi feita aqui, porém no fim das contas, acho que foi um diferencial legal do texto, uma colherada de realismo, mesmo achando que o ato de falar errado não deve ser aplaudido.

    Pontos fracos: O enredo não me cativou. O tom da narrativa, também não. Eu já estava achando que não ia aparecer nenhum personagem folclórico, até no finzinho surgir a Velha. As frases finais não conseguiram soar carismáticas.

  39. Fernando Cyrino
    11 de março de 2017

    Gostei do seu conto. Curti a narrativa desse jeito que fez. ficaram bacanas as frases curtas e incisivas. Seu conto tem dois pontos altos. Começo que prende a gente e final que faz o conto crescer mais ainda. Terminou para cima. Bola para o alto. Gol. Achei que esse primeiro se em “nunca se chegavam a se bater” quebrou o ritmo da frase, apesar de que você tenta enfatizar a coloquialidade da fala do garoto. Bem, é isto. Parabéns pela bela história.

  40. Eduardo Selga
    10 de março de 2017

    Quando escrevi minha análise do conto “Histórias”, disse que é possível usar a oralidade na escrita e, ainda assim, haver arte. Pois este conto demonstra isso muito bem. A mescla é muito bem vinda, pois demonstra o quanto a linguagem popular, advinda da chamada “plebe ignara”, pode prestar-se a uma obra artística.

    Particularmente bem construída a personagem Rosinha. O(a) autor(a) conseguiu, pondo-a frente a frente com o protagonista, demonstrar o que é sobejamente sabido no mundo adulto real: a menina tem um desenvolvimento intelectual mais pronunciado que o menino no campo da linguagem e da subjetividade. Podemos ver isso no certo prazer que ela sente ao ver a reação dele diante de frases ditas por ela que o afetam na autoestima. Enquanto ela faz isso de propósito (quem sabe esperando uma reação à altura?), ele parece não se dar conta da manipulação.

    Nesse cenário, a Velha Pisadeira é personagem secundária, que entra no segundo núcleo dramático. O primeiro é a família do protagonista e as visitas que passaram a tarde com eles; o segundo, o personagem sozinho, sua fome, e a suposta Velha Pisadeira. Apesar de haver mais de um núcleo, e portanto ofender a cartilha dos que entendem o gênero como um bloco imutável, o texto não enovela, nem romanceia: continua conto, e continua bom.

    Apesar do plano secundário da personagem do folclore brasileiro, ela não é um pretexto, a partir do qual uma cena anterior se fez necessária para “encher linguiça”: do modo como foi narrado fica demonstrado que a Velha ataca no dia a dia, sem momento especial, bastando para isso “abrir a guarda”.

    Formalmente é secundário, mas pode haver um liame entre a menina e a velha que, se estabelecido, elimina níveis de importância de ambos os planos. Rosinha tenta feri-lo “suavemente” em função de sua obesidade; mais tarde, ele sofre o ataque da Velha, que retira alimento de seus estômago, ou seja, atua no sentido de emagrecê-lo. A Velha seria uma extensão de Rosinha, dentro do clichê que afirma que todas as mulheres são bruxas? Ou uma e outra são femininos independentes? Ou, ainda, Rosinha teria plantado a Pisadeira no espírito do menino?

    Em “[…] num tantão de coisa pra dizer Rosinha […]” esrtá faltando a palavra PRA ou PARA ou À. Entendo não ser um caso de elipse estética, e sim de falha de revisão.

E Então? O que achou?

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Informação

Publicado às 10 de março de 2017 por em Folclore Brasileiro e marcado .