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Literatura que desafia.

Fórmula (Rubem Cabral)

formula

TPM, fazia um calor-de-maçarico-flambando-as-bolas-de-Lúcifer, trânsito-de-formigueiro-sob-bombardeio-de-cera-de-vela-de-criança-sádica. Duas semanas pro casamento, exames pré-nupciais: cada um, convenientemente, num canto remoto da cidade. Dúvidas mil: “ele me amará pra sempre?”.

Chegou descabelada ao ginecologista, cuspindo marimbondos. O médico a chamou e quando ela entrou, ele riu alto: “Viajou de ônibus com a cabeça fora da janela, menina?”. O doutor era um típico septugenário-dentes-de-mentex-propaganda-de-casa-de-repouso-em-paraíso-tropical-bebendo-drinks-com-guarda-chuvas-e-flores, e isso a desarmou. Ela gargalhou junto e, em meio a assuntos aleatórios, segredou o medo de casar. “Haveria receita certa para a felicidade?”, suplicou.

Ele sorriu, era um raro “quarenta-e-tantos-anos-de-matrimônio-feliz”. E lhe revelou, tim-tim por tim-tim, sua fórmula fabulosa.

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86 comentários em “Fórmula (Rubem Cabral)

  1. Rubem Cabral
    28 de janeiro de 2017

    Olá.

    Obrigado ao pessoal que leu e comentou.

    Esclarecendo o que eu quis passar:

    A moça chega irritada ao consultório médico, mas a doçura e aparência do ginecologista a fazem rir junto com ele. Ela está cheia de dúvidas quanto ao casamento e o médico é um senhor casado há muito e feliz.

    E a fórmula?

    A fórmula, de certa forma a moça já conhecia: rir de si mesma, achar graça da vida, evitar explodir de raiva mesmo quando irritada, querer que as coisas deem certo. Eu não quis insinuar nada de sexual no desfecho.

    Abraços!

  2. Lohan Lage
    28 de janeiro de 2017

    Divertidíssimo!
    Fechou com chave de ouro minha sessão de leituras aqui.
    Boa sorte, querida! 🙂

  3. Roselaine Hahn
    27 de janeiro de 2017

    Muito bom Beremiz, o seu conto até aliviou a minha TPM. Rolou uma empatia de cara, pois uso bastante as referências “hifienizadas”; me diverti pacas com o seu texto, linguagem atual, se não for para o Top 20, merece menção-mais-do-que-honrosa-do-tipo-assim-você-é-fera.

  4. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Haha gostei do conto, finalmente um conto que não seja de morte, ficou bom. Boa sorte e parabéns pela criatividade.

  5. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    Ufa! Até que enfim algo divertido em meio a tanta morte, a tanto assunto pesado. Linguagem leve, sem pretensões. Medo do desconhecido, menina? Mande ver! Agradou, por ser um oásis em meio a tanta realidade. Criativo, bem escrito, espontâneo.

    Apreciado.
    Ps: também queria saber sobre essa fórmula fabulosa…

  6. Simoni Dário
    27 de janeiro de 2017

    Um conto divertido que deixa uma curiosidade no final. A narrativa é competente. Mais um sobre casamento e os medos e reflexões sobre o tema. Um bom conto.
    Bom desafio!

  7. Leandro B.
    27 de janeiro de 2017

    Oi, Beremiz.
    Segundo conto sobre casamento que leio aqui, e também aborda as dúvidas diante do pacto.

    Gostei da atmosfera irritadiça, mesclando clima e dúvida, o que combinou com o truque bem humorado com o controle das palavras.

    Me desagradou um pouco o final, que achei meio morno. Não produziu impacto, reflexão ou fechamento do texto sob meu pov.

  8. juliana calafange da costa ribeiro
    26 de janeiro de 2017

    Poxa, Beremiz! Eu comecei curtindo muito essa sua meta-gíria-linguagem. Fui me empolgando com a micro-mega-questão-sobre-o-será-que-ele-me-ama, e até achei q ia rolar uma despedida de solteira com o “quarenta-e-tantos-anos-de-matrimônio-feliz”, mas… brochei com essa fórmula “secreta”, que me pareceu mais uma escapada de quem não-sabe-como-terminar-a-história-ou-acabaram-se-as-99-palavras… rsrs Foi um bom trabalho, mesmo assim. Parabéns!

  9. Victória
    26 de janeiro de 2017

    Gostei bastante da escrita em si, das imagens utilizadas, dos recursos e do jeito divertido que tem o conto. A história, em si, não tem nada demais, mas foi muito bem executada. Parabéns

  10. rsollberg
    26 de janeiro de 2017

    Gostei, muito divertido.
    Em certo momento me remeteu ao David Foster Wallace e todas as suas descrições caóticas e frenéticas! E isso é o que mais chama atencão, o ponto forte do texto, essa estrutura supera inclusive o mistério da fórmula.
    O diálogo entre aspas no meio do texto corrido funciona, compondo bem a narrativa. A parte visual também tem sucesso, pois o leitor consegue projetar a imagem completa da cena em sua mente.
    Parabéns.

  11. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Um bom conto. Divertido e inteligente. Gostei bastante da expressão quarenta-e-tantos-anos-de-casamento-feliz.. Foi a melhor de todo o conto. O final é bom, um desfecho que complementa todo o texto, deixando no ar qual seria a tal fórmula da felicidade matrimonial.

  12. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    A segunda manobra de hifens soou bem melhor que a primeira. Visualizei legal. Quanto ao conto, foi engraçado pois hoje mesmo estava comentando na fisioterapia sobre os tipos de médicos, e você descreveu um dos tipos perfeitamente. O final me fez imaginar sacanagem, mas talvez possa haver outro destino… só não sei qual. kk

    No geral um conto divertido e que gostei.

  13. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    25 de janeiro de 2017

    Olá, Beremiz,

    TPM é assunto habitual em meu trabalho. Sou autora de Casal TPM e TPM – Terapia para Mulheres, ambos, comédias teatrais. Por isso, o tema me é simpático. Eu poderia ter escrito isso.

    Seu artifício de unir palavras pode parecer um truque para burlar a falta de palavras determinada pelo desafio, mas, cá entre nós, as palavras-unidas poderiam ter sido substituídas, todas, por qualquer uma outra, um sinônimo. Então, não encaro esse excesso como um “roubo” às regras, mas sim, pelo que entendi, um modo irritante de dizer as coisas. Algo que tem uma íntima relação com a TPM.

    Parabéns por seu trabalho e boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  14. Lídia
    25 de janeiro de 2017

    Eita… que fórmula é essa?
    Lembrou-me bastante daqueles casos de médicos que abusavam sexualmente suas pacientes que apareceram na mídia por um tempo (e continuam a existir, né?).
    Pobre moça…
    Boa sorte no concurso!

  15. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    excelente texto, muito bem humorado e que deixa um final muito livre para, certamente, algumas mentes verem sacanagem. Muitos parabéns

  16. Felipe Teodoro
    25 de janeiro de 2017

    Esse Doutor faz bem o tipo mesmo de que tem um casamento feliz. Kkkk

    Bom, achei a narrativa bem construída, em poucas linhas o autor consegue impor um estilo e a leitura flui muito bem. É engraçado e um tanto trágico se parar para pensar. Gostei do resultado, a pessoa que escreveu manda muito bem.
    Parabéns mesmo.

  17. Gustavo Aquino Dos Reis
    25 de janeiro de 2017

    Beremiz,

    é um bom conto. Engraçado, de verdade. A escrita, que é aquilo que muito me atrai, é bem competente. No entanto, embora não considere de maneira nenhuma como uma trapaça, as palavras compostas por hifens foram utilizadas de uma maneira muito recorrente. A primeira vez que vi, sorri; na seguinte, sorri novamente. Na terceira, sorriso sumiu. E na quarta, virou muxoxo…

    Entretanto, é uma obra de peso.

  18. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    O texto foi bastante divertido e interessante. Só não gostei de ter usado esse subterfúgio para alongar o texto. Se fosse usado uma ou duas vezes, talvez, mas me pareceu estar em excesso. Fora isso, um texto muito bom. Parabéns.

  19. Renato Silva
    25 de janeiro de 2017

    Não gostei dessa “malandragem” que você usou para esticar o conto. Até gostei da primeira expressão, ficou engraçada. Se tivesse feito isso uma vez, tudo bem. O teu “jeitinho” até seria compreensível, mas acho que você exagerou nas demais linhas e isso perdeu a graça lá para o final.

    Uma pena, já que você escreve bem e poderia ter colocado todas as suas ideias nas 99 palavras simples. O conto é engraçado, mas pra mim pegou mal o exagero das expressão, sendo que este desafio tem um limite tão pequeno de palavras.

    Boa sorte.

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Esperteza. Não tem outra palavra para descrever a “chicana” das palavras artificialmente compostas, mas, infelizmente, no mau sentido. Apesar de coerente, essas palavras esticam os limites do desafio, por isso não acho justo dar a mesma chance que os outros tiveram. Mas o autor merece receber o feedback, e portanto digo que gostei da premissa e do desenvolvimento do texto. Só ficou no ar o que o médico lhe receitou/ensinou. Se não fosse septuagenário, diria que ela poderia ter sido seduzida por ele. Ou não?

  21. Douglas Moreira Costa
    24 de janeiro de 2017

    Não acredito que foi uma forma de burlar o limite de palavras, acredito que tenha sido mais uma escolha muito intrigante e engraçada de se descrever certas coisas. E eu gostei muito dessa forma de descrição, é bastante original e nos traz realmente uma descrição muito caricaturizada das coisas. O tal doutor um típico septugenário-dentes-de-mentex-propaganda-de-casa-de-repouso-em-paraíso-tropical-bebendo-drinks-com-guarda-chuvas-e-flores é a melhor parte kkkkkk. Imaginei ele sorrindo para ela com o típico sorriso-branco-que-brilha-uma-luz-bastante-branca-de-modelo-de-caixa-de-pasta-de-dente.
    O conto no geral não me agradou tanto, mas esse ponto me conquistou muito.

  22. Fil Felix
    24 de janeiro de 2017

    Num primeiro momento pensei ter lido receita para a “fidelidade” e aí o conto terminava com os dois se pegando. Mas era felicidade e o final fica como sugestão. Não foi dos meus preferidos, não achei legal a junção das palavras pra burlar o sistema de contagem das mesma, ficou meio estranho e poluído.

  23. Lee Rodrigues
    24 de janeiro de 2017

    Nooossssaaaaa…mãe de Deus! Não, melhor tirar Deus e a mãe disso!
    Eu ri, valei-me como ri.

    E vou acabar fazendo coro, gostei muito da criatividade na exposição dos acontecimentos, e claro, contados de forma hilária obedecendo às leis da causalidade e temporalidade.

  24. Srgio Ferrari
    24 de janeiro de 2017

    Eu gosto muito do estilo que vc botou aê, mas sabe qual foi seu erro? E foi imenso… Não ter botado em primeira pessoa. Apenas….

  25. Tom Lima
    24 de janeiro de 2017

    A narrativa é boa, a forma é boa, mas o conteúdo é fraco, pra mim.
    O fim da a entender que ela transou com o senhor ginecologista. Um clichê de filme porno. Outro é a ideia que relacionamentos só funcionam com traição, senso comum vagabundo.

    Desculpe a agressividade, são juízos meus de valor sobre a minha interpretação do conteúdo.

    Mas a forma é muito boa, a leitura flui muito bem. Tem uma leveza, que sobressai em contraste com os contos pesados predominantes no desafio.

    Parabéns.

    Abraços.

  26. Eduardo Selga
    24 de janeiro de 2017

    Em minha opinião o conto sugere erotismo, o médico com cara de estampa publicitária seduz a paciente. Não é um fato indiscutível, está apenas sugerido, o que depende de interpretação, mas um entendimento literal da “fórmula fabulosa” faz pouco sentido, ao menos para mim.

    A título de curiosidade: o recurso usado pelo(a) autor(a) de hifenizar uma série de elementos não resulta, em seu todo, em vocábulo: trata-se de encadeamento vocabular, ou seja, palavras unidas -e não dicionarizadas como palavras compostas-, com o intuito de transmitir um sentido específico. Isso significa que expressões como “calor-de-maçarico-flambando-as-bolas-de-Lúcifer” não são palavras, embora o sentido pretendido esteja claro.

  27. Wender Lemes
    24 de janeiro de 2017

    Olá. Gostei bastante. A própria maneira de narrar já é descontraída, e expõe o episódio sem se ater às adjetivações mais comuns, criando imagens bem legais na mente do leitor.Talvez, a fórmula da felicidade (grande mistério aqui) seja justamente essa: levar menos a sério os padrões e deixar a criatividade guiar.
    Parabéns e boa sorte.

  28. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO numa reconfortante banheira de espuma com sais aromáticos. O martelar incessante do estilo, marcando a tônica do dia estressante da personagem, deu força para o texto crescer até o IMPACTO do final escancarado. O que esperar mais de uma escritora com TPM? Só chute na porta.

  29. Thayná Afonso
    23 de janeiro de 2017

    Conto divertido e com uma dinâmica bem legal, consegui sentir perfeitamente a atmosfera de correria pré-casamento e questionamentos acerca da vida a dois. Bem diferente dos outros que li até agora, parabéns!

  30. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    É divertido, mas ,pessoalmente, achei as expressões um tanto desnecessárias. Parece que acabaram poluindo o texto, fazendo o leitor se distrair. Foi bom, poderia ter sido excelente

  31. Leo Jardim
    23 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): o texto conta uma história bem simples sobre uma mulher em dúvida dias antes do casamento, mas faz isso de maneira elegante e engraçada. Qual é a fórmula?

    📝 Técnica (⭐⭐▫): ainda não sei se usar adjetivos com hífen é uma ideia genial ou uma baita trapaça, mas é fato que deu um ar muito bom de ler no conto.

    💡 Criatividade (⭐⭐): a cena é super cotidiana, mas os adjetivos usados são muito criativos

    ✂ Concisão (⭐▫): só falou a fórmula e ainda “roubou” no uso das palavras.

    🎭 Impacto (⭐⭐⭐): estou me achando tão rabugento nesse desafio, mas esse texto me trouxe um largo sorriso. Já é um dos melhores impactos que tive e sem precisar chorar 😀

  32. Cilas Medi
    22 de janeiro de 2017

    Divertidíssimo. Finalmente um texto alegre, compondo magistralmente, no meio da loucura das prévias para um desastre total (ironia) que é o casamento e a vida a dois. As expressões criadas ditaram corretamente o ânimo da personagem, com imagens surreais da sua agonia para cumprir todos os rituais. Completou melhor ainda com a sabedoria de quem sabe o que está falando, depois de muitos anos de matrimônio feliz. Está na lista e será uma das primeiras. Parabéns! Boa Sorte!

  33. Estela Menezes
    22 de janeiro de 2017

    Leve, gostoso, criativo, divertido, um jeito rapidinho de escrever, mas que deixa perceber o trabalho do autor na escolha das palavras e imagens. O tema pode não ser muito original; a maneira de contar é que é. “Cuspindo marimbondos ” poderia ser cortado, não só por conta do lugar comum, quanto por não me parecer refletir o que a noiva estaria sentindo naquele momento. E também confesso que não entendi muito bem a utilidade de explicar que os exames estavam sendo feitos em cantos opostos da cidade, embora isso não atrapalhe em nada. Seria apenas um detalhe desnecessário? …

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .