EntreContos

Literatura que desafia.

Para sempre nunca mais (Antonio Stegues Batista)

corvo

Certo dia ao entardecer, um corvo pousou na janela de meu gabinete.  Ergui o olhar dos meus manuscritos sobre a escrivaninha, surpreso diante de tal aparição.

O negro espectro me olhou por um instante e depois disse: – A noite se aproxima com seus milhões de olhos arregalados de espanto. O mestre adormeceu nos braços ternos de Atena. Nunca mais!

Após essas palavras, o corvo bateu asas e voou, crocitando: – Poe! Poe! Poe!

Me ergui para fechar a janela, mas no assoalho cheio de pó, depois de muito tempo sentado escrevendo, para meu horror, meus pés criaram raízes!

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88 comentários em “Para sempre nunca mais (Antonio Stegues Batista)

  1. Lohan Lage
    27 de janeiro de 2017

    Simples e ótimo. Bela homenagem a Poe. E, como a um comentarista que citou, eu também me lembrei de Game of Thrones, rs! Boa sorte!

  2. Thayná Afonso
    27 de janeiro de 2017

    Adorei a ideia do texto, extremamente criativo. A referência ao Poe me deixou encantada. Texto muito bem escrito e estruturado. A escrita é uma ótima homenagem ao incrível escritor. Parabéns!

  3. Gustavo Henrique
    27 de janeiro de 2017

    Haha essa imagem me lembrou Game of Thrones, Gostei. Boa sorte!

  4. Leo Jardim
    27 de janeiro de 2017

    Minhas impressões de cada aspecto do microconto:

    📜 História (⭐⭐▫): bom intertexto com o Corvo do Mestre Edgar, mas não consegui ver muito mais que isso no texto. A cena final, preso no chão, ficou interessante.

    📝 Técnica (⭐▫▫): a última frase/parágrafo ficou muito longa, com muitas vírgulas. Talvez ficasse melhor se fosse dividida em mais de uma. Esse problema ocorre nos outros parágrafos também, mas apenas na última que realmente incomoda.

    💡 Criatividade (⭐⭐): achei criativa a ideia de brincar com o conto de Poe e relacionar com um escritor preso à escrita.

    ✂ Concisão (⭐▫): a frase do corvo está grande e o texto poderia ter algumas de suas palavras (adjetivos e advérbios) cortadas para ficar mais enxuto.

    🎭 Impacto (⭐⭐▫): apesar da última frase estar muito travada e eu ter que reler ela com calma para pegar a proposta do autor, gostei do que fez. Dando uma arrumada nas frases, terá um bom microconto.

  5. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Gostei muito. Boa sorte!

  6. andressa
    27 de janeiro de 2017

    Sim, Edgar Allan Poe, sensacional. Boa escolha. Boa sorte!

  7. Sra Datti
    27 de janeiro de 2017

    O corvo e sua simbologia, o mensageiro das más notícias, da morte. Seria uma homenagem a Poe, o alerta de sua morte ” O mestre adormeceu nos braços ternos de Atena. Nunca mais!”, enquanto o personagem mergulhava em seu trabalho? Difícil desenvolver uma história de RF em tão poucas linhas”
    Escrita impecável, enxuta, direta.
    Ótimo texto!

  8. Poly
    27 de janeiro de 2017

    Na hora que vi a imagem já lembrei de Poe, e não deu outra. Texto bem escrito, sem erros, temática interessante, seguindo as linhas do fantástico. Gostei bastante.

  9. Paula Giannini - palcodapalavrablog
    26 de janeiro de 2017

    Olá Corvo,

    Tudo bem?

    Bela homenagem a Edgar Allan Poe e ao realismo fantástico, já que, ao menos para mim, as raízes nos pés também remeteram à Garcia Marques.

    Gostei da imagem utilizada para o conto e das imagens criadas pelo conto em si.

    Parabéns por seu trabalho e muito boa sorte no desafio.

    Beijos

    Paula Giannini

  10. Jowilton Amaral da Costa
    26 de janeiro de 2017

    Um bom conto. Uma homenagem ao mestre Poe. Eu teria gostado mais se não fosse os pés enraizados no final, que achei que destoou um pouco. Mas, é só minha opinião. Boa sorte.

  11. Renato Silva
    26 de janeiro de 2017

    Sou suspeito para falar, pois sou grande admirador da obra de Poe. Num conto que li ontem, havia forte referência a Lovecraft, agora este a Edgar Allan Poe. Gostei muito da linguagem; percebo que você conhece bem sua obra e só por isso já tem minha simpatia. O uso do nome “Poe” como onomatopeia, o crocitar de um corvo, bem bolado. Adormeceu nos braços de Atena, a deusa da sabedoria, que abrigou mestre da literatura de terror.Muito legal todos esses simbolismos. Sobre os pés criarem raízes, imagino que tenha a ver com o tempo que passamos sentados, escrevendo e nem nos damos conta mais do que ocorre lá fora e o quanto estamos imersos em nossos próprios pensamentos.

    Muito bom, parabéns e boa sorte.

    • Renato Silva
      26 de janeiro de 2017

      Mas uma coisa que esqueci de comentar. Linda imagem essa que você escolheu. Ficou perfeita, mesmo!

  12. Anderson Henrique
    26 de janeiro de 2017

    O texto funciona muito bem como homenagem. Estrutura bacana, linguagem apropriada. Justo resgate do mestre. Ligar o som do corvo ao nome Poe foi jogada de mestre. Muito bom.

  13. Pedro Luna
    26 de janeiro de 2017

    Uma boa homenagem a Poe, mas pelo menos na minha cabeça, tem uma pitada de Game of Thrones também..kk. O corvo, e o ser enraizado me remeteram a série. Agora se trata de um conto aberto e que demanda certo conhecimento prévio sobre o tema. Talvez não role para todos. Opção do autor, autora. No geral, gostei.

  14. vitormcleite
    25 de janeiro de 2017

    uma boa homenagem a esse autor que tantos gostamos. O final foi surpreendente e todo o texto pareceu-me bem escrito e bem estruturado, parabéns

  15. Andreza Araujo
    25 de janeiro de 2017

    A introdução é magnífica, o meio é muito bom, já o final achei pouco interessante. Claro que há de se interpretar as palavras, um texto nunca é só um texto. Ficou registrada sua homenagem, mas como conto não sei se funcionou tão bem.

  16. rsollberg
    25 de janeiro de 2017

    Uma homenagem ao mestre da imaginação e do mistério sempre garantirá pontos! A escrita obviamente tem o estilo do Edgar e entrega justamente essa sombra do insólito.
    Resta claro que é um texto que admite algumas interpretações, o que particularmente gosto bastante.
    Mas uma coisa é certa, as raízes certamente não estão ali por acaso… rs
    Parabéns

  17. Douglas Moreira Costa
    25 de janeiro de 2017

    Primeiro de tudo: bem escrito. A narração é instigante, a transmissão das imagens é muito bela. Mas talvez por eu não conhecer tanto de Poe quanto gostaria, o conto não me arrebatou. O final foi bom, mas mesmo assim não cativou, não impactou. Não enxerguei qualquer sacada. Talvez seja por ignorância, espero que dá próxima vez eu tenha conhecimento suficiente para apreciar um conto como esse.

  18. Tiago Menezes
    25 de janeiro de 2017

    Olá Corvo. A homenagem foi válida e o conto foi muito bem escrito, porém não me cativou. O impacto do final não me atingiu, infelizmente. Entretanto, foi um bom conto.

  19. Wender Lemes
    25 de janeiro de 2017

    Olá! Seria precipitado dizer que o ambiente descambou para o absurdo no momento em que os pés criaram raízes, visto que um corvo tão fluente também não é coisa tão comum. Mesmo assim, a imagem dos pés nos traz certa surpresa boa. Não consegui abstrair muito mais do que isso, infelizmente, soa-me como uma cena anormal, que cativa pela criatividade e contenta-se dessa forma.
    Parabéns e boa sorte.

  20. Daniel Reis
    25 de janeiro de 2017

    Um texto que prima pela paródia, não exatamente positiva, para estabelecer uma nova narrativa. Particularmente, não me atrai essa premissa e, ao invés de homenagem, o que vejo aqui é um pastiche. Sinto muito, não gostei.

  21. catarinacunha2015
    24 de janeiro de 2017

    MERGULHO espalhafatoso em homenagem ao mestre. Estou me sentindo assim também, presa à cadeira. O autor com certeza tem domínio da escrita, mas hoje não me encantou. IMPACTO de um leve gralhar.

  22. Marco Aurélio Saraiva
    24 de janeiro de 2017

    Gostei da homenagem a Allan Poe. A brincadeira com o famoso poema foi boa, mas no final não entendi o objetivo do conto.

    Pesquei que você queria, de certa forma, dizer que o “mestre” (que entendo como Poe) jamais existiria novamente. Ele morreu e não haverá outro como ele. O “aproximar da noite” pode significar uma escuridão nos escritos de hoje: a famosa perspectiva de que “o que se escreve hoje nunca será tão bom como o que se escreveu no passado”.

    Mas o final foi confuso. O que significavam as raízes? Que nós temos que sentar e escrever até conseguir superar o grande mestre, ou morrer tentando?

  23. Evandro Furtado
    24 de janeiro de 2017

    A coisa tem uma pegada surrealista-gótica, tanto na forma quanto no conteúdo. A estrutura narrativa é bem romântica, com claras referências a Poe. A trama traz consigo elementos de sonho, com coisas pra lá de estranhas acontecendo, uma após a outra, sem aparente ligação.

    Resultado – Very Good

  24. Felipe Teodoro
    23 de janeiro de 2017

    Um conto doido. Não sei se entendi muito bem, é possível ver as claras referências, mas no geral, a escrita parece ser o problema. Além de algumas sentenças simples demais, a construção me parece confusa e não proposital. O efeito da descoberta de pés que tornaram-se raízes não funcionou comigo. Não consegui decifrar também qual foi o tom usado pelo narrador, mas sentenças como essas, não funcionam muito bem: Certo dia ao entardecer – O negro espectro – ergui o olhar. Enfim, uma ideia que tem potencial, mas precisa ser melhor apresentada.

  25. Victória Cardoso
    23 de janeiro de 2017

    Gostei da atmosfera do conto e da homenagem ao Poe. Se eu conhecesse um pouco mais sobre a obra de Poe, no entanto, teria apreciado bem mais. Boa sorte

  26. reginarocha2005
    23 de janeiro de 2017

    Adorei o final. Gostei bastante desse conto.

  27. Simoni Dário
    23 de janeiro de 2017

    Bom, não conheço nada do Poe, mas o texto é bem articulado e de escrita limpa. Queria ter entendido mais (azar o meu), percebe-se um autor talentoso.
    Bom desafio!

  28. Mariana
    23 de janeiro de 2017

    Gostei de como brincou com Poe e seus corvos. Original e bem escrito

  29. Fil Felix
    23 de janeiro de 2017

    Um conto interessante com o combo Poe + Corvo. Confesso que não sou entendedor do autor, mas sinto que já sou íntimo pelo número de vezes que esbarramos por aí. Gostei do tom insólito e do desenvolvimento rolar fantástico. A cena, que é única, gera uma imagem muito boa e até brinca com a coisa do escritor, que gostamos de arriscar ser.

  30. Andre Luiz
    22 de janeiro de 2017

    -Originalidade(8,5): Um conto diferente que é mais uma homenagem ao Poe, porém sem deixar de ser uma história. É a realidade misturando-se à ficção!

    -Construção(8,0): Gostei da atmosfera criada e do terror iminente, similar aos contos de Poe. Infelizmente não peguei aquela parte da Atena.

    -Apego(7,5): Uma bela poesia, que se transforma em uma certa melancolia.

    Parabéns!

  31. Sidney Muniz
    22 de janeiro de 2017

    Pois é. Amo Poe e adorei a homenagem criativa e bem escrita, mas..

    A cho que você poderia ter arriscado mais. O texto faz mais menção a Poe do que algo que você poderia te nos passado e nos convencido de algo mais original. Nesse quesito achei você criativo, contudo o micro tem mais de Poe do que do autor, mesmo sendo escrito por você.

    R esta dizer ainda que se apenas o último parágrafo estivesse aqui seria um baita microconto de terror. E seria um dos melhores para mim, pois esse fechamento é teu salva vidas no seu texto. De fato o achei sensacional e o restante para mim só trata do poe e de suas obras.

    Até uma proxima caro autor(a) e desejo sorte a você no desafio. Mostrou que tem potencial para me agradar mais na próxima.

  32. Cilas Medi
    21 de janeiro de 2017

    Bem escrito, dentro das regras do micro conto. Não há muito o que comentar por estar bem explicito, ordenado e coerente. Parabéns! Boa sorte!

  33. Fheluany Nogueira
    21 de janeiro de 2017

    Uma homenagem a Poe; texto bem escrito e com imagens bem articuladas referentes à obra dele. Não causou impacto, trouxe poucas emoções. Parabéns pela participação. Abraços.

  34. Tom Lima
    20 de janeiro de 2017

    Berenice e o corvo. É uma homenagem bonita, mas não me toca além disso.
    Me parece que o corvo vem anunciar a morte de Poe, e a personagem fica paralisada (as raízes) com a notícia.

    Tem sua beleza, e realmente acho que não gostei mais por estar comparando com outros contos que já li por aqui. Talvez fora desse certame minha visão sobre ele fosse um pouco diferente.

    Boa sorte.

    Abraços.

  35. Estela Menezes
    20 de janeiro de 2017

    Correto, bem construído, sofisticado nas suas referências, até original, nem sei como explicar a sensação de mármore frio que me deixou… Acho que tb seria preciso um pouquinho mais de cuidado com certos detalhes: uma vírgula faltando aqui e ali, repetição de palavras (“ergui”), acréscimos desnecessários (“…sobre a escrivaninha…” e “depois” antes de “ele disse”). Sempre penso que microcontos, mais do que qualquer outra prosa, precisam se livrar de toda a carga possível para melhor decolar…

  36. Givago Domingues Thimoti
    20 de janeiro de 2017

    Acho que o conto ficou aberto demais. Com um título intrigante desses, custa-me acreditar que o texto seja apenas uma homenagem ao Poe.
    Boa sorte!

  37. Bia Machado
    20 de janeiro de 2017

    Gostei, adoro Poe, um dos meus escritores preferidos, um dos que mais me desafiam e me fazem gostar disso. Apesar disso, e apesar de também achar que tudo dentro do texto parece combinar, achei a escrita simples. O final foi muito interessante, uma grata surpresa. Uma pena que as raízes não apareçam desde o começo do texto. Aliás, o conto poderia começar dessa forma, ele se vê enraizado e então perceberia o corvo… Bem, só algo que imaginei ao ler o texto. Muito bom!

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Publicado às 13 de janeiro de 2017 por em Microcontos 2017 e marcado .